Daily Archives: 8 de Março de 2018

A ARTE DE UM DOS MESTRES DO CINEMA

A VERSÁTIL LANÇA BOX COM QUATRO OBRAS-PRIMAS DO MESTRE FRANCÊS, EM EDIÇÃO ESPECIAL COM 4 CARDS, E TRAZ DE VOLTA AO CATÁLOGO 7 VOLUMES ANTERIORES DA COLEÇÃO “A ARTE DE…”

Na filmografia de Robert Bresson (1901–1999), uma das mais pessoais, independentes e coerentes da história do cinema, predominam os temas espirituais e o estilo narrativo minimalista. Seu trabalho prima pelo uso de cenas curtas, planos-detalhe repletos de significado, brilhantes elipses ditadas pela montagem e atuações naturalistas de atores não-profissionais.

Cena de “A Grande Testemunha” (1966), incluído na coleção

Bresson nunca se rendeu a modismos, a padrões de mercado ou ao público. Seu estilo austero e minimalista influenciou diferentes gerações de cineastas, de Jean-Luc Godard a Andrei Tarkovski, passando por Jean-Marie Straub, até Bruno Dumont. As ações de seus personagens continuam a intrigar, assim como seus dilemas morais. Em sua busca por transcendência espiritual, ele elevou seu cinema à condição de arte.

O DVD duplo reúne quatro clássicos fundamentais para entender a obra do diretor. Cultuados por cinéfilos experientes, os trabalhos do diretor francês são periodicamente relacionados em inúmeras listas de melhores filmes de todos os tempos.

DISCO 1:

A GRANDE TESTEMUNHA (Au Hasard Balthazar, 1966, 95 min.)
Com Anne Wiazemsky, Walter Green, François Lafarge.

A triste vida e a morte de Balthazar, um jumento, desde sua infância idílica cercado por crianças, até a idade adulta, tiranizado como animal de carga. Em 2017, “A Grande Testemunha” ficou em 16º lugar na votação dos melhores filmes de todos os tempos promovida pela revista inglesa Sight & Sound com críticos e diretores de todo o mundo.

MOUCHETTE, A VIRGEM POSSUÍDA (Mouchette, 1967, 81 min.)
Com Nadine Nortier, Jean-Claude Guilbert, Marie Cardinal.

A história de uma menina do campo violentada por um caçador é o ponto de partida para Bresson colocar em evidência, de maneira implacável, a miséria e a crueldade humana. Baseado em romance de Georges Bernanos.

DISCO 2:

DIÁRIO DE UM PADRE (Journal d’un Curé de Campagne, 1951, 115 min.)
Com Claude Laydu, Nicole Ladmiral, Jean Riveyre.

Um jovem é nomeado padre em uma pequena aldeia da França. Os moradores locais o recebem com hostilidade. Com a saúde debilitada, ele terá dificuldades em se adaptar. Baseado em romance de Georges Bernanos.

UM CONDENADO À MORTE ESCAPOU (Un condamné à mort s’est échappé ou Le vent souffle où il veut, 1956, 101 min.)
Com François Leterrier, Charles Le Clainche, Maurice Beerblock.

Aprisionado pelos nazistas, membro da Resistência Francesa passa a elaborar um plano de fuga, sem saber se pode confiar totalmente em seu colega de cela. Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes.

EXTRAS:
* Documentário sobre Bresson (56 min.)
* Depoimentos e trailers (22 min.)

EDIÇÃO LIMITADA COM 4 CARDs:

E COMPLETE SUA COLEÇÃO:

DISCO 1:
O REI DE NOVA YORK
SEDUÇÃO E VINGANÇA

DISCO 2:
OS CHEFÕES
INIMIGOS DO DESTINO

DISCO 1:
UM TIRO NA NOITE

DISCO 2:
IRMÃS DIABÓLICAS
O FANTASMA DO PARAÍSO

DISCO 1:
SATYRICON DE FELLINI
CIAO, FEDERICO

DISCO 2:
ROMA DE FELLINI
A VOZ DA LUA

DISCO 1:
O CÍRCULO VERMELHO
CODINOME MELVILLE

DISCO 2:
TÉCNICA DE UM DELATOR
DOIS HOMENS EM MANHATTAN

DISCO 1:
A BESTA HUMANA
O RIO SAGRADO

DISCO 2:
A CADELA
AMOR À TERRA

DISCO 1:
A CANÇÃO DA ESPERANÇA
ASSIM FALOU O AMOR

DISCO 2:
AMANTES
CASSAVETES: O HOMEM E SUA OBRA

DISCO 1:
TRÊS MULHERES
ALTMAN, UM RETRATO

DISCO 2:
O PERIGOSO ADEUS
RENEGADOS ATÉ A ÚLTIMA RAJADA

DISCO 1:
TÓQUIO VIOLENTA
HISTÓRIA DE UMA PROSTITUTA

DISCO 2:
A VIDA DE UM TATUADO
PORTAL DA CARNE

DIA INTERNACIONAL DA MULHER: EM DESTAQUE, MULHERES NA DIREÇÃO

EM HOMENAGEM ÀS OPERÁRIAS QUE MORRERAM NUMA FÁBRICA DA COTTON, INCENDIADA EM 8 DE MARÇO DE 1857, EM NOVA YORK, A DATA FICOU MARCADA COMO O DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

Por meio de uma greve geral, elas reivindicavam melhores condições de trabalho, como a redução da jornadade trabalho de 16 para 10 horas, e salários mais justos. As operárias morreram de forma bárbara, carbonizadas dentro da fábrica que fora incendiada por seus patrões e por policias.

Criada em 1910 durante conferência internacional realizada na Dinamarca, a data comemorativa foi oficializada pela ONU por meio de decreto somente em 1975.

O cinema já retratou a luta de mulheres por igualdade de direitos em filmes que vão desde clássicos estrelados por Bette Davis e Katharine Hepburn nos anos 1940 e 1950, passando por produções politizadas como “Norma Rae” (1979) e “Silkwood – O Retrato de uma Coragem” (1983), até “Terra Fria” (2005), “Revolução em Dagenham” (2010), “Potiche – Esposa Troféu” (2011) e “As Sufragistas” (2015).

Sally Field ganhou o Oscar de melhor atriz por seu papel de uma operária lutando por melhores condições de trabalho em “Norma Rae” (1979)

Na história do cinema, dá para contar nos dedos as mulheres que conseguiram projeção na direção. Contudo, nos anos 2000 a cadeira de diretor tem sido ocupada com mais frequência pelo olhar feminino, embora o predomínio dos homens na função continue. Em 2015, por exemplo, Ava DuVernay foi indicada ao Globo de Ouro de melhor direção pelo aclamado drama histórico “Selma – Uma Luta pela Igualdade”, mas acabou preterida na mesma categoria pelo Sindicato dos Diretores (DGA) e pelos eleitores do Oscar.

Neste ano, pelo menos, um aceno a mudanças: Greta Gerwig foi indicada ao Oscar de melhor direção e também a melhor roteiro original. Ela se tornou a quinta cineasta na história a disputar a categoria. E, na última edição do Festival de Cannes, Sofia Coppola (“O Estranho que Nós Amamos“) foi contemplada com o prêmio de melhor direção, honraria conquistada por uma mulher apenas uma vez antes, há mais de 50 anos.

Patty Jenkins no set de MULHER-MARAVILHA, primeiro sucesso baseado em personagem de HQ dirigido por uma mulher em Hollywood, o que pode abrir portas para outras cineastas no comando de super-produções ou filmes de apelo mais comercial.

Mas, apesar das dificuldades e predomínio masculino, nomes como Jane Campion, Claire Denis, Coppola, Julie TaymorKathryn Bigelow (vencedora do Oscar por “Guerra ao Terror”) e muitas outras têm conseguido se estabelecer bravamente, com trabalhos fortes e autorais. No ano passado, Patty Jenkins entrou para a história com “Mulher-Maravilha“, um incrível sucesso que se tornou a maior bilheteria de um filme de live-action dirigido por uma mulher em todos os tempos.

No Brasil, Suzana Amaral e Tizuka Yamasaki abriram caminho para novas gerações de diretoras, com nomes como Tata Amaral, Eliane Caffé, Lina Chamie, Laís Bodanzky, Anna Muylaert, Sandra Kogut, Carolina Jabor, entre outras. Mais recentemente, Bodanzky escreveu (ao lado de Luiz Bolognesi) e dirigiu “Como Nossos Pais“, um dos melhores retratos dos anseios e desafios da mulher moderna já mostrados no cinema brasileiro. Um filme cada vez mais atual – e obrigatório para se refletir sobre o empoderamento feminino e a construção de uma sociedade melhor.

Maria Riberiro no aclamado COMO NOSSOS PAIS, grande vencedor do Festival de Gramado do ano passado

Em homenagem ao Dia da Mulher, destacamos o trabalho de algumas cineastas que, com sua sensibilidade, deixaram sua marca como artistas e, sobretudo, mulheres.

A luta continua… Viva as mulheres!

MULHERES POR TRÁS DAS CÂMERAS
(Uma pequena seleção com títulos disponíveis no acervo da 2001)

IDA LUPINO (1918–1995)

Cinzas que Queimam (1952)

AGNÈS VARDA

La Pointe-Courte (1955)
Cléo das 5 às 7 (1962)
Os Renegados (Sem Teto, Nem Lei) (1985)
O Mundo de Jacques Demy (1995)

LINA WERTMÜLLER

Amor e Anarquia (1973)      Por um Destino Insólito (1974)
Pasqualino Sete Belezas (1975)
Primeira indicação de uma mulher ao Oscar de melhor direção

LILIANA CAVANI

O Porteiro da Noite (1974)
O Retorno do Talentoso Ripley (2002)

AGNIESZKA HOLLAND
Filhos da Guerra (1991)
O Terceiro Milagre (1999)

MIRA NAIR

Salaam Bombay! (1988)
Nova York, Eu Te Amo (2009)
O Relutante Fundamentalista (2012)

MARY HARRON

Eu Atirei em Andy Warhol (1996)

NORA EPHRON (1941–2012)

Mensagem para Você (1998)
Julie & Julia (2009)

CATHERINE HARDWICKE
Crepúsculo (2008)

KATHRYN BIGELOW
O Peso da Água (2000)
Detroit em Rebelião (2017)

SOFIA COPPOLA

O Estranho Que Nós Amamos (2017)

PATTY JENKINS

Mulher-Maravilha (2017)

SUSANNE BIER

Serena (2014)

LIV ULLMANN

Miss Julie (2014)

JULIE TAYMOR
Across the Universe (2007)

REBECCA MILLER
O Tempo de cada um (2002)

NICOLE HOLOFCENER

Sentimento de Culpa (2010)

NICOLE GARCIA

Place Vendôme (1998)
Um Instante de Amor (2016)

ISABELLE MERGAULT

Enfim Viúva (2007)

CÉCILE TELERMAN

Algo Que Você Precisa Saber (2009)

JULIE LOPES-CURVAL

Diário Perdido (2009)

VALÉRIE DONZELLI

A Guerra Está Declarada (2011)

CÉLINE SCIAMMA

Garotas (2014)

RONIT ELKABETZ  (1964–2016)

O Julgamento de Viviane Amsalem (2014)

ASIA ARGENTO

Incompreendida (2014)

JUSTINE TRIET

Na Cama Com Victória (2016)

FRANCESCA COMENCINI

Histórias de Amor Que Não Pertencem a Este Mundo (2017)

HALLIE MEYERS-SHYER

De Volta para Casa (2017)

MARIA AUGUSTA RAMOS

Juízo (2008)

MARÍLIA ROCHA

A Falta Que Me Faz (2009)

LÚCIA MURAT
Em Três Atos (2011)
A Memória que me Contam (2012)

TATA AMARAL
Antonia – O Filme (2006)

SANDRA KOGUT

Campo Grande (2015)

MIRIAM CHNAIDERMAN

De Gravata e Unha Vermelha (2015)

UMA PROVA DA BAIXA REPRESENTATIVIDADE NUMÉRICA E RECONHECIMENTO DAS CINEASTAS É QUE APENAS CINCO MULHERES CONCORRERAM AO OSCAR DE MELHOR DIREÇÃO EM 90 ANOS DO PRÊMIO:

* Lina Wertmüller, por “Pasqualino Sete Belezas” em 1977

* Jane Campion, por “O Piano em 1994

* Sofia Coppola, por “Encontros e Desencontros” em 2004

Kathryn Bigelow, que conquistou o prêmio por “Guerra ao Terror” em 2009, sagrando-se a primeira (e até agora única) mulher a vencer o Oscar de melhor direção.

* E Greta Gerwig, por “”Lady Bird – A Hora de Voar” neste ano, tornando-se a quinta mulher a concorrer na categoria.