Daily Archives: 20 de Abril de 2018

AGNÈS VARDA: 4 CLÁSSICOS DA SENHORA NOUVELLE VAGUE

MAIS UMA COLEÇÃO IMPERDÍVEL PARA OS CINÉFILOS, COM 2 DISCOS REUNINDO OS MELHORES LONGAS DE FICÇÃO DA ACLAMADA CINEASTA FRANCO-BELGA.

Viúva de Jacques Demy – diretor de “Os Guarda-Chuvas do Amor” e de vários outros trabalhos que acabam de sair em DVD na 2001 -, Agnès Varda é considerada uma das maiores cineastas de todos os tempos, com mais de 30 filmes no currículo.

Aos 89 anos, ela concorreu ao Oscar deste ano pelo documentário “Visages, Villages”, que codirigiu ao lado do jovem JR e sua filha Rosalie Varda. No ano passado, tornou-se a primeira diretora a receber um Oscar honorário da Academia de Hollywood.

Nascida em 30 de maio de 1928, em Bruxelas (capital da Bélgica), ela transitou entre diferentes formatos (e gêneros) cinematográficos, tendo a fotografia como base de pesquisa. Sua experiência de fotógrafa se fez notar em sua estreia na direção de cinema, “La Pointe-Courte” (1955), considerado por críticos e historiadores como Georges Sadoul “verdadeiramente o primeiro filme da Nouvelle Vague”.

Seu longa seguinte, “Cléo das 5 às 7“, crônica de uma mulher esperando o resultado de uma biópsia, é um marco do movimento criado pelos ex-críticos da célebre revista francesa Cahiers du Cinéma.

A cineasta realizaria mais uma obra-prima, “As Duas Faces da Felicidade” (1965), evocando a arte dos impressionistas, antes de exilar-se na Califórnia no final dos anos 1960, quando passou a registrar a efervescência cultural do período em vários documentários desenvolvidos a partir de imagens fixas como fotografias, pinturas ou grafite.

“As Duas Faces da Felicidade” (Le Bonheur, 1965)

Após uma série de documentários, voltou em grande estilo à ficção com “Sem Teto, Nem Lei“, que lhe valeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1985.

Semelhantes a diários ou cadernos de anotações, os filmes de Varda incorporam lirismo ao realismo, criando documentários tão interessantes quanto a ficção e longas ficcionais cujo naturalismo beira o real.

Ao desafiar os códigos sociais burgueses com suas personagens iconoclastas, ela foi uma pioneira do cinema feminista, bem antes de Chantal Akerman (“Jeanne Dielman”) e Jane Campion (“O Piano”) – só para citar duas grandes cineastas -, propondo em sua obra uma reflexão sobre a subjetividade feminina.

Sua sensibilidade e extrema curiosidade pela experiência humana permeiam cada fotograma de seus filmes.

AGNÈS VARDA

No formato digipak, com 2 discos e bela arte conceitual, o box reúne traz 4 clássicos da diretora na seara da ficção, todos remasterizados. Seus filmes, fotografias e instalações revelam, com seu estilo experimental único, seu diálogo com o documentário, o feminismo e o comentário social.

Edição limitada com 4 cards e quase uma hora de extras.

DISCO 1:

LA POINTE COURTE (Idem, 1955, 80 min)
Com Philippe Noiret, Silvia Monfort.

Dividido em duas partes, o longa retrata, primeiramente, os habitantes de um pequeno povoado pesqueiro na França. E apresenta, em sequência, um casal em crise, Lui e Elle (Philippe Noiret and Silvia Monfort), que visitam a cidade natal dele, La Pointe Courte. Influenciada pela obra “Palmeiras Selvagens”, de William Faulkner, Varda realizou o filme com poucos recursos e a ajuda de Alain Resnais, responsável pela edição das cenas.

CLÉO DAS 5 ÀS 7 (Cléo de 5 às 7, 1962, 90 min)
Com Corinne Marchand, Antoine Bourseiller, Dominique Davray.

Cléo (Corinne Marchand) é uma cantora francesa que vive um momento de angústia, enquanto espera o resultado de um exame. O teste pode apontar se ela tem ou não um câncer. Sem saber o que fazer, Cléo perambula por Paris, fazendo coisas banais, à procura de distração por 1 hora e meia, até conhecer um soldado prestes a ir para a guerra na Argélia. Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, esta é uma das obras capitais do movimento nouvelle vague.

DISCO 2:

AS DUAS FACES DA FELICIDADE (Le bonheur, 1965, 80 min)
Com Jean-Claude Drouot, Claire Drouot, Olivier Drouot.

Precursora da Nouvelle Vague com “La Pointe Courte” (1954), Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7“) dirige esta evocação sem culpa sobre o casamento e o desejo, refletindo sobre o significado da felicidade e a relação conjugal.

Visualmente influenciado pela pintura impressionista, este é um dos mais belos trabalhos de uma das grandes diretoras da história do cinema. Nele, um pai de família casado se envolve com outra mulher, mas não quer abandonar a esposa. O filme conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim.

SEM TETO SEM LEI (Sans toit ni loi, 1985, 106 min)
Com Sandrine Bonnaire, Macha Méril, Stéphane Freiss.

Depois de chamar atenção em “À Nos Amours” (1983), Sandrine Bonnaire foi premiada no Festival de Veneza pelo papel de uma jovem andarilha em “Sem Teto, Nem Lei”. A trajetória da personagem é narrada por aqueles que a encontraram em suas últimas semanas de vida.

Como em “A Grande Testemunha” (1966), do mestre Robert Bresson, revela-se mais sobre quem interage com ela – seja ajudando-a, amando-a ou abusando dela – do que sobre esse espírito livre, mantido um mistério ainda maior ao longo da história. Varda dirigiu o filme após intensa pesquisa com vagabundos, rebeldes, drogados e mendigos, além de usar atores não-profissionais no elenco.

EXTRAS:

* Entrevista com Agnès Varda (30 min.)
* Depoimentos sobre “As Duas Faces da Felicidade” (15 min.)
* Sem Teto Nem Lei: Viagéns e músicas (12 min.)