BASEADOS EM FATOS REAIS: “O JOVEM KARL MARX” E “THE POST”

DOIS LANÇAMENTOS TRAZEM À TONA PERSONAGENS DO PASSADO: “O JOVEM KARL MARX“, 
CINEBIOGRAFIA SOBRE OS ANOS DE FORMAÇÃO DO POLÊMICO FILÓSOFO ALEMÃO, E “THE POST – A GUERRA SECRETA“, LONGA DE STEVEN SPIELBERG COM TOM HANKS E MERYL STREEP (INDICADA AO OSCAR 2018).

Dirigido pelo haitiano Raoul Peck (do documentário “Eu Não Sou Seu Negro”, 2016), o longa mostra a juventude do pensador alemão Karl Marx (1818-1883) – interpretado por August Diehl (de “Bastardos Inglórios“) – em meio ao crescente movimento revolucionário comunista do século 19.

A história começa com o encontro entre Marx e Friedrich Engels (Stefan Konarske), na Paris de 1844, e segue até 1848, quando os dois pensadores escrevem juntos o “Manifesto Comunista”, obra que lançou as bases do pensamento comunista. Num cenário de censura, greves e agitação política, Marx e Engels dão início a transformações políticas e sociais com reflexos até hoje.

Exibido no Festival de Berlim, o drama histórico também enfoca a esfera íntima de seu biografado, ao lado da esposa Jenny von Westphalen (Vicky Krieps, de “Trama Fantasma”), apresentando um retrato ficcional inédito de um dos fundadores do pensamento socialista no mundo.

Um dos maiores cineastas vivos, Steven Spielberg não é só sinônimo de sucessos de bilheteria. Depois de “Munique” (2005), “Lincoln” (2012) e “Ponte dos Espiões“, o diretor norte-americano volta a refletir sobre o presente a partir de personagens históricos e eventos do passado.

Realizado às pressas por Spielberg em meio à pós-produção de seu mais recente trabalho, “Jogador Número 1” (2018), o filme ecoa o clima nada amistoso entre a imprensa atual e Donald Trump, a partir do embate entre o jornal The Washington Post e o governo do presidente americano Richard Nixon, em 1971.

O jornal teve acesso aos “Pentagon Papers”, documentos secretos que revelavam mentiras do governo – e de gestões anteriores – sobre a atuação americana na Guerra do Vietnã. Após a morte de seu marido, Kat Graham (Meryl Streep) assume a direção do The Washington Post e, ao lado de seu obstinado editor-chefe, Ben Bradlee (Tom Hanks), enfrenta a maior decisão de sua vdi: publicar ou não os documentos sigilosos, arriscando o futuro da empresa.

Indicado ao Oscar de melhor filme e atriz, “The Post” conta com boa reconstituição de época e nos faz lembrar do processo quase artesanal de montagem de um grande jornal impresso na década de 1970. E, com grande atuações de todo o elenco, ressalta a importância, cada vez mais atual, da liberdade de imprensa.

“Todos os Homens do Presidente” (1976), disponível em DVD e Blu-ray na 2001

Curiosidade: A história de “The Post” precede a investigação do Caso Watergate, o maior escândalo de corrupção política dos Estados Unidos. O caso foi investigado a fundo por dois redatores do The Washington Post, Bob Woodward e Carl Bernstein, interpretados, respectivamente, por Robert Redford e Dustin Hoffman em “Todos os Homens do Presidente” (1976), outro filme-chave para estudantes e profissionais de jornalismo.

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