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Lançamentos para Locação | 2001 Indica

Lançamentos para Locação

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “CASA GRANDE”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001\, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Quanto mais eu penso sobre Casa Grande, mais o filme faz sentido. E mais percebo como tecer esse teia de relações foi complexa. Relacionamentos já são complexos por definição – e pela experiência de cada um de nós. O que o diretor Fellipe Barbosa fez aqui foi construir o universo da classe brasileira mais abastada, entrar nos meandros da sua casa, das relações entre a família e seus empregados, da intimidade e dos tabus sociais, para depois desconstruí-lo a partir de duas descobertas: a falência financeira e os questionamentos da adolescência.

Quanto mais eu penso sobre Casa Grande, mais questões surgem e mais me intriga essa relação que existe da servidão, da diferença de classes e da classificação descarada que rotula pessoas pelo seu status social. Eu sei, é assim em vários lugares. É do ser humano. Mas está na nossa sociedade de maneira muito preconceituosa. Em Casa Grande, Jean é um adolescente que questiona a condição financeira do pai (que faz investimentos ruins, fica sem emprego, mas não admite baixar a crista), mantém uma relação honesta e afetiva com os empregados da casa (motorista, cozinheira e arrumadeira) e desperta para a sua sexualidade quando conhece uma garota diferente dele, de outra cor, de outra classe social. Tudo isso junto acaba vindo à tona como uma tormenta e indica ser um divisor de águas na vida desse personagem tão cheio de dúvidas.

Só mesmo recorrendo ao diretor carioca para levantar alguns assuntos e entender como essa teia foi montada. Casa Grande dá muito pano pra manga. Rende conversa em casa, é profundo e não se esgota em uma única sessão. Fellipe Barbosa deu sua contribuição valiosa, comentando algumas das minhas indagações na entrevista abaixo. Quanto mais penso sobre o filme, mais vejo o reflexo da nossa sociedade nas entranhas dessa grande casa grande.

Suzana Vidigal – Gosto do recorte feito da sociedade brasileira em Casa Grande: a classe abastada é mais distante, mascarada e resistente à mudanças; os empregados são afetivos, são mais espontâneos, adaptam-se com mais facilidade à nova realidade. Como você vê isso? Isso é exclusivo da nossa sociedade acostumada com a servidão de uns a favor dos outros?

Fellipe Barbosa – Tem um certo romantismo nessa leitura de que os afetos reais estão entre os empregados ou na favela. Talvez eu seja um romântico. Mas creio que o dinheiro em excesso acaba sufocando os afetos, e que a felicidade não tem nada a ver com a riqueza, muito pelo contrário. Isso não é exclusivo do Brasil, senti muito isso viajando pela África também. O que é particular do Brasil é essa cordialidade alienada, onde os patrões são extremamente próximos dos empregados, os tratando como parte da família, e ao mesmo tempo completamente ignorantes da sua realidade, o que não torna o afeto menos real. Essa contradição é muito brasileira, e é o motivo do pranto de Jean ao reencontrar Severino na favela: a vergonha da própria ignorância, sua culpa burguesa. Nos últimos 12 anos no Brasil houve uma tomada de consciência dos empregados sobre o lugar que ocupam na casa grande, acompanhada pela consciência de seus direitos. A Pec das domésticas de 2012 foi uma evidência desse despertar, que é irreversível e resistirá à qualquer crise.

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SV – Tenho um interesse particular no comportamento dos adolescentes, porque meus dois filhos estão passando por essa fase agora. O filme junta o questionamento natural da adolescência com questões familiares impossíveis de serem respondidas ou solucionadas. Com isso, senti que os conflitos ficam ainda mais nebulosos: lidar com o preconceito dos pais, com a diferença de classes, com o distanciamento afetivo entre pais e filhos, com a pressão da sociedade com as escolhas profissionais. O filme foi estruturado na figura do Jean como alicerce para todos os conflitos ou pensou-se na crise familiar como um todo e os personagens foram sendo delineados à medida em que a trama foi se desenrolando?

FB – Eu pensei a trama ao redor de Jean, sem dúvida. O filme conta a estória desse adolescente diante da encruzilhada do vestibular, que vai tornando-se mais presente e atento à medida que a família vai a falência. Como a família esconde a crise do filho a fim de protegê-lo, o filme precisava ter acesso aos outros personagens da casa para entender o que está sendo escondido de Jean. Ou seja, para ter ironia dramática, o filme precisava saber mais do que Jean. Assim, o ponto de vista na casa é da casa: podemos estar com qualquer personagem, mesmo que sem o Jean. Mas só saímos de casa com o Jean. Assim, o filme é uma espécie de comédia de costumes no interior da casa e um romance de formação no trajeto entre casa e colégio, pois é no ônibus que Jean conhece Luiza.

SV – Costumo assistir às cabines de imprensa sabendo muito pouco sobre o filme. Não me aprofundo, não leio resenhas, nem releases das assessorias. Assim, tento ser mais isenta e mais fiel aos meus sentimentos e sensações durante a sessão, inclusive para escrever meu comentário depois. Tudo isso pra dizer que quando fui assistir a Casa Grande, não conhecia o enredo. Mas o título já me remeteu à Casa Grande & Senzala, ao preconceito, à diferença de classes, à sociedade estratificada, ao racismo, à valorização excessiva do poder econômico. Como surgiu esse nome? Alguma relação explícita à obra de Gilberto Freyre ou só uma citação?

FB – Esse título surgiu nos laboratórios de Sundance, onde trabalhei o roteiro em 2008. Antes o filme de chamava “Cotas”, e Sundance insistiu que eu mudasse. Intuitivamente sugeri “Casa Grande”, e eles gostaram. Meu desafio a partir daí foi encontrar uma imagem que estivesse à altura do título. E assim surgiu a abertura do filme, que é uma descrição minuciosa dessa casa que é de fato muito grande. No filme, o literal vem sempre antes do simbólico. Mas é inegável que existe uma relação com a obra de Freyre. Após mudar o título, fui percebendo que as cotas raciais deveriam ser mais um pano de fundo — mais uma ameaça à essa família rica — e a relação entre empregados e patrões deveria ficar em primeiro plano. E assim estruturei o filme em torno de três demissões.

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SV – Gosto muito da escolha dos atores: Marcello Novaes e Suzana Pires estão ótimos no papel do casal falido, que está mais preocupado com o que os outros vão pensar, do que em começar a resolver os seus sérios problemas. Thales Cavalcanti é o grande alicerce do filme e faz o papel com muita força. Vi que é seu primeiro longa. Como ele foi descoberto e como foi a sua preparação para assumir esse trabalho?

Creio que Sônia (vivida por Suzana Pires, grande parceira minha) é uma personagem bem pragmática, disposta a encarar a realidade e resolver os problemas. Quando vem a crise, ela arregaça as mangas, engole o orgulho e começa a vender cosméticos para sustentar a família.

Quanto ao Jean, o descobri no Colégio de São Bento, onde se passa a ação, assim como todos os outros adolescentes do filme. Acreditava que a maneira mais justa de retratar esse ambiente tão específico do único colégio só para homens no Brasil, precisava trabalhar com meninos de lá. Busquei o grupo ideal ao invés do Jean ideal, e nesse grupo apareceu o Thales. Era uma turma muito carismática e curiosa, e vários deles eram músicos que inclusive compuseram as músicas que eles tocam no filme. O Thales emprestou uma característica dele muito importante para o personagem: uma ingenuidade e sinceridade à flor da pele, que torna sua jornada de amadurecimento e tomada de consciência mais dilatada e dramática.

Confira o trailer de “Casa Grande”:

DIREÇÃO: Fellipe Barbosa ROTEIRO: Fellipe Barbosa, Karen Sztajnberg ELENCO: Marcello Novaes, Suzana Pires, Thales Cavalcanti, Clarissa Pinheiro, Marília Coelho, Bruna Amaya | 2015 (115 min)

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “DOIS LADOS DO AMOR”

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O título em português, Dois Lados do Amor, estraga um dos pontos fortes do filme: o fato de ele ser diferente. Dizer que “o amor tem dois pontos de vista” é um clichê e tanto, o que contradiz com a proposta e o olhar desta produção. Não se trata de um filme romântico convencional. Aliás, é um filme duro, daqueles de desencontros constantes, de luto, de busca, de frustrações e de belos diálogos. Eu teria aproveitado essa deixa do título original, chamando-o de O Desaparecimento de Eleanor Rigby. Assim você já saberia de cara que não se trata de uma simples e corriqueira história de amor.

Aliás é um dramalhão e tanto, superbem interpretado pelo casal Jessica Chastain (A Hora Mais Escura, Interestelar, A Árvore da Vida) e James McAvoy (X-Men, O Último Rei da Escócia. Eles se separam, a mágoa e o sofrimento são imensos e profundos. Senti algo parecido com essa tristeza no filme de Sarah Polley, Entre o Amor e a Paixão. Percebe-se que há amor, mas a vida tomou rumos inesperados e eles já não sabem mais como tocar o barco juntos.

Recheado de bons atores, como o sábio casal formado por William Hurt e Isabelle Huppert, preste atenção à personagem de Viola Davis e aos seus diálogos com Eleanor. Inteligência com um toque sutil de desesperança; um jogo de palavras perspicaz e cheio de meias verdades e possíveis interpretações. Dois Lados do Amor pode ter título básico, mas não diria o mesmo de seu conteúdo.

O interessante é que Ned Benson fez dois filmes antes deste, com o mesmo título, só mudando o final “Them”. Um deles era “He”, o outro, “She”, mostrando o ponto de vista dele e dela sobre o relacionamento. Deve ser interessante, porque da maneira com Eleanor e Conor se comportam e se sentem, há de fato muita relação para ser discutida.

Confira o trailer de “Dois Lados do Amor“:

DIREÇÃO e ROTEIRO: Ned Benson ELENCO: James McAvoy, Jessica Chastain, Viola Davis, Isabelle HuppertWilliam Hurt | 2014 (123 min) Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “SAMBA”

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Quando estiveram no Brasil em maio para falar de Samba no Festival Varilux de Cinema Francês, Olivier Nakache e Eric Toledano não conseguiram escapar da comparação. Eles também são os diretores de Intocáveis (2012), a produção francesa mais vista fora da França, com 25 milhões de espectadores. E é justificável: a história da amizade entre o negro imigrante da periferia e o tetraplégico milionário é realmente uma pérola.

Agora a dupla surge com um tema parecido: também tem imigrante ilegal, também tem riso e emoção. Mas, segundo eles, este não é um gênero, nem uma tendência. É a maneira deles de falar das coisas da vida, da realidade do mundo atual, das relações. O que era em Intocáveis um drama cômico, aqui vira uma comédia dramática. Com toque de brasilidade, a começar pelo título Samba.

Diferente do que muita gente pensa, não se trata de uma história sobre o samba. O personagem vivido pelo (incrível) ator Omar Sy (também em Intocáveis, Jurassic World) chama-se Simba Cissé: um imigrante do Senegal, que não consegue regularizar sua situação na França e por isso não arranja um emprego estável. Encontra a executiva Alice (Charlotte Gainsbourg, também em A Árvore, Melancolia, Anticristo, que está estressada com o trabalho, pede um afastamento e resolve prestar serviço numa ONG que ajuda a recolocar imigrantes no mercado de trabalho.

Simba tem o mesmo jeitão simpático, espirituoso e divertido que apresenta em Intocáveis; Alice já é mais fechada, mas pela primeira vez Charlotte faz um papel mais leve e solto. A dupla tem liga e cai muito bem, ainda mais porque compõe com o amigo Walid (Tahar Rahim, também em O Profeta, O Passado, Grand Central): também imigrante, um sujeito alegre e brincalhão nato, que sabe um pouco de português, adora música brasileira e reveste o filme do tom familiar que logo identificamos.

Pra quem ainda acha que filme francês tem que ser sério e sisudo, precisa inovar e sair do comum. Começar por Samba é uma boa pedida: equilibra bem o drama com a comédia e mostra que os franceses são bons sim em tratar das questões humanas – sem que para isso tenham que fechar a cara.

Confira o trailer de “Samba“:

DIREÇÃO: Olivier Nakache, Eric Toledano ROTEIRO: Delphine Coulin (livro), Muriel Coulin ELENCO: Omar Sy, Charlotte Gainsbourg, Tahar Rahim, Izïa Higelin| 2014 (118 min)

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QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “SENTIMENTOS QUE CURAM”

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Vários aspectos chamam atenção em Sentimentos que Curam. Eu destacaria dois deles, que fazem o filme valer seu ingresso e lançam uma semente de curiosidade, para você ficar mais atento a produções diferentes, com formatos e propostas incomuns.

A primeira delas é a cara de cinema independente que tem esta estreia da roteirista Maya Forbes na direção. Não tem jeito de superprodução, tem forte carga emocional e consegue transportar o espectador para entro do filme. A segunda é o título original. Se você não costuma prestar atenção nele, tente fazê-lo a partir de agora. Invariavelmente a tradução é adotada por motivos comerciais e perde-se muito ao deixar de lado todo o conteúdo presente na escolha do diretor. Infinitely Polar Bear é uma história autobiográfica da própria diretora, cujo pai era bipolar. Da dificuldade de sua irmã menor pronunciar a palavra “bipolar”, surgiu a ideia do título, que brinca com as palavras e dá ao pai o sentido de “urso polar”, no que ele tem de mais amoroso.

O que de fato faz muito sentido, porque o personagem de Mark Ruffalo (também em Foxcatcher, Mesmo Se Nada Der Certo, Minhas Mães e Meu Pai) é maníaco-depressivo sim, não consegue se firmar no emprego, põe seu casamento a perder, mas é um pai extremamente amoroso e um marido compreensivo.

Diante da dificuldade financeira, sua esposa Maggie resolve investir na carreira, fazer faculdade e, com isso, sustentar a família e garantir uma boa educação para as filhas. Invertendo os papéis, Cameron fica responsável por tomar conta das meninas, enquanto ela passa a ser a provedora.

Cheio de ternura, Sentimentos que Curam\ não deixa de ser uma boa alternativa de título. Com toques de humor, fala da dificuldade de aceitação, da necessidade de adequação e da valorização da família. Fica ainda mais especial quando a gente sabe que é autobiográfico. Inspirador.

Confira o trailer de “Sentimentos Que Curam“:

DIREÇÃO e ROTEIRO: Maya Forbes ELENCO: Mark Ruffalo, Zoe Saldana, Ashley Aufdeheide | 2014 (88 min)

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QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “SELMA”

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Selma é o nome de uma pequena cidade no Alabama, que foi palco de uma grande façanha. Em 1965, já famoso e já ganhador do prêmio Nobel da Paz (1964), Martin Luther King Jr. não se contenta com as honrarias. Não só não abandona a comissão de frente da luta contra a segregação dos negros nos Estados Unidos, como também compra brigas com autoridades racistas, enfrenta policiais, angaria simpatizantes e militantes pelo país todo e organiza passeatas e manifestações pacíficas no sul, região em que o negro ainda sofre o Apartheid. Selma é a cidade onde ocorre a tal passeata, que pressiona o presidente Johnson a fazer cumprir a lei. Explico: embora os negros já tivessem direito ao voto pela constituição, as autoridades não eram obrigadas a segui-la. Alguém tinha que sair da zona de conforto.

Luther King já havia feito, em 1963, seu famoso discurso em Washington: “I have a dream…”. Seu carisma já era conhecido, assim como sua postura de não-violência nos protestos. Sua convicção na luta pelo direito dos negros e contra a guerra do Vietnã o tornam famoso para o bem a para o mau. Consegue melhorias significativas, projetos de lei que vão melhorar gradativamente a vida dos negros e integrá-los na sociedade, mas também serviu para expor sua figura, sua família a ponto de ser assassinado por um opositor branco em 1968.

Dito isso e tendo situado Luther King no tempo e na história, ressalto que Selma é interessante pelo seu momento histórico, pela dimensão das mudanças sociais nos EUA no quesito racial (até culminar na eleição de Obama) e pelo olhar da diretora. Ava DuVernay é negra e declara que fez um filme da maneira como ela vê os fatos – isso porque dizem que a história verdadeira de King e o presidente Johnson não foi bem assim. Concordo com ela, afinal não se trata de um documentário. Sabemos como essas coisas variam de acordo com o olhar e interesse de cada interlocutor. Não precisamos ir longe, basta olharmos para os feitos históricos da atualidade. Há sempre duas verdades, pelo menos: a minha e a sua. Com o que acontece em Selma não foi diferente. O que importa pouco, acho eu. Já que o filme é bem feito, traz à tona um líder humano, cheio de defeitos e problemas como todos nós. Coisa que ninguém é capaz de contestar.

E digo mais: gosto de algumas decisões da diretora, principalmente neste momento do cinema inundado de biografias. DuVernay faz um belo recorte dos personagens e, em poucas palavras, conta o destino futuro de cada um dos ativistas da causa de Luther King no final do filme, enquanto ainda estão fisicamente ao seu lado – não é só um letreiro no final do filme. É como se dissesse que King continua vivo na carreira que cada um deles conquistou graças à persistência e convicção de que todas as pessoas deveriam ser criadas com os mesmos direitos e deveres, e julgadas pelo caráter e não pela cor da pele. Embora às vezes não seja natural (quando vi Oprah Winfrey na tela, lembrei-me do clima falso de O Mordomo da Casa Branca), gosto do filme e o cinema é, de fato, instrumento para imortalização da história.

Confira o trailer de “Selma“:

DIREÇÃO: Ava DuVernay ROTEIRO: Paul Webb ELENCO: David Oyelowo, Carmen Ejogo, Tim Roth, Oprah Winfrey | 128 min (2014)

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “Pássaro Branco na Nevasca”

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O fato concreto é que a mãe de Kat (Shailene Woodley, também em Os Descendentes, A Culpa é das Estrelas, Divergente) desaparece de repente; a real questão não é o desaparecimento de Eve (Eva Green, também em Sentidos do Amor). O que está em jogo em Pássaro Branco na Nevasca é justamente aquilo que não se consegue enxergar: embora negue, Kat não consegue conviver com o sumiço da mãe. A tumultuada relação mãe e filha cria um buraco na vida da jovem que nada mais pode preencher. O que está em jogo, apesar do tom de suspense e da investigação pelo paradeiro de Eve, é o vazio deixado em Kat e a necessidade de desvendá-lo para enfim seguir adiante.

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Portanto, não fique na superfície dos fatos prováveis, óbvios e até um pouco fantasiosos. Mergulhe nos olhares exagerados de Eve, no clima marcante dos anos 50 (na caracterização e no comportamento da esposa-padrão dona de casa), nas lembranças nebulosas da infância e nos sonhos da filha que procura a mãe na nevasca, toda vestida de branco. Tudo isso faz parte da composição do que parece ser o psicológico, o rito de passagem da adolescência para a vida adulta, o desprendimento das frustrações dos pais, a projeção das expectativas que a mãe joga instintivamente na filha.

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Existe o suspense, mas o que fica – e o que é realmente interessante no filme – está nas entrelinhas: a relação de Kat com as amigas, o romance com um homem mais velho, enquanto a figura de seu pai é praticamente insignificante, a convivência com ela mesma quando não consegue tocar a vida adiante sem entender onde sua mãe se encaixa na sua história de vida.

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Shailene Woodley está no auge. Brilhou discreta e genuinamente como a filha de George Clooney, fez sucesso com a adaptação do livro de John Green e usufruiu dessa onda favorável na trilogia juvenil Divergente. É talentosa e aqui mostra que seus dotes vão além do rosto bonito. A personagem Kat consegue combinar a pretensa autossuficiência adolescente e aquele ar de quem finge não se importar com nada, com emoções contidas que uma hora acabam transbordando. Tem algo que me lembra As Vantagens de Ser Invisível, que também passeia por essa passagem da vida e fica bem mais bacana com uma leitura fora da caixa.

Confira o trailer de “Pássaro Branco na Nevasca“:

DIREÇÃO: Gregg Araki ROTEIRO: Gregg Araki, Laura Kasischke (livro) ELENCO: Shailene Woodley, Eva Green, Christopher Meloni, Shiloh Fernandez | 2014 (91 min)

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JULIETTE BINOCHE NOS ANOS 2000, EM 10 FILMES PARA LOCAÇÃO NA 2001

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VENCEDORA DO OSCAR, PREMIADA EM CANNES E POR DIVERSOS FESTIVAIS, JULIETTE BINOCHE É UMA DAS ATRIZES MAIS QUERIDAS PELO PÚBLICO DA 2001. POR ISSO, SELECIONAMOS 10 TRABALHOS DA MUSA FRANCESA LANÇADOS PARA LOCAÇÃO NOS ÚLTIMOS ANOS, INCLUINDO DUAS NOVIDADES – “ACIMA DAS NUVENS” E “MIL VEZES BOA NOITE“. UMA PEQUENA AMOSTRA DE SUA INCRÍVEL VERSATILIDADE. 

Uma das principais musas do cinema europeu contemporâneo, Juliette Binoche nasceu em Paris, em 9/3/1964, e começou sua carreira nos palcos no final dos anos 1970, passando a atuar em pequenos papéis na TV e no cinema na década de 1980. Depois de participar do escândalo Je Vous Salue, Marie (1985), Juliette começou a chamar a atenção da crítica com Rendez-vous (1985), de André Téchiné, Os Amantes da Ponte Neuf (1991), de Léos Carax, e A Liberdade é Azul, de Krzysztof Kieslowski, pelo qual conquistou a Copa Volpi de melhor atriz no Festival de Veneza em 1993, e o prêmio César.

Juliette Binoche e Daniel Day-Lewis em A Insustentável Leveza do Ser, adaptação do aclamado best seller de Milan Kundera

A Insustentável Leveza do Ser (1988) foi seu primeiro papel em língua inglesa, e o sucesso do filme ampliou sua projeção internacional. A partir dali, Binoche começou a investir mais em produções fora da França, como a refilmagem de O Morro dos Ventos Uivantes (1992) e a bem-sucedida superprodução O Paciente Inglês (1996), que lhe valeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Juliette Binoche no papel da voluntariosa Hana em O Paciente Inglês, que lhe valeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1997

A partir deste século, ela confirmou ainda mais sua vocação internacional com uma diversidade de papéis na sua terra natal (Fuso Horário do AmorCachéA Viagem do Balão Vermelho), na Inglaterra (ChocolateInvasão de Domicílio) e nos EUA (Palavras de AmorMariaEu, Meu Irmão e Nossa Namorada).

Em 2010, trabalhou sob a direção do consagrado cineasta iraniano Abbas Kiarostami em Cópia Fiel, que lhe valeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Binoche aproveitou o festival para desabafar, durante uma coletiva de imprensa, sua indignação em relação à prisão do diretor Jafar Panahi pelo governo do Irã, em março de 2010. A pressão de autoridades e de artistas como ela influenciou o governo iraniano a soltá-lo dois meses depois.

O gosto por desafios (e gêneros) diferentes continuou em produções tão distintas como o drama erótico Elles (2011) e a comédia romântica A Vida de Outra Mulher (2012); a seminal adaptação de David Cronenberg para o romance Cosmópolis (2012) e o feel good americano Palavras e Imagens (2013); o longa francês De Coração Aberto (2012) e o blockbuster Godzilla (2014). Mas é mesmo no cinema de autor europeu que a atriz brilha, como provam suas atuações em Camille Claudel 1915 (ainda inédito em DVD no Brasil), Mil Vezes Boa Noite e Acima das Nuvens.

“Filmes são portas abertas, e a cada porta eu mudo o personagem e minha vida. Vivo sempre o presente. Aceito esse risco, não nego o passado, mas ele é uma página virada.” Juliette Binoche

ACIMA DAS NUVENS (2014)

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Exibido no Festival de Cannes, o filme foi um dos grandes sucessos da 38ª Mostra de Cinema de SP, e marca a segunda parceria entre o diretor Olivier Assayas e a atriz Juliette Binoche, de “Horas de Verão”. Na trama, Binoche interpreta Maria Enders, atriz de sucesso convidada para fazer uma nova montagem da peça que a lançou, e Kristen Stewart (premiada com o César de atriz coadjuvante) vive sua assistente.

MIL VEZES BOA NOITE (2013)

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A estrela francesa interpreta Rebecca, uma fotojornalista especializada em zonas de conflito, que sofre um acidente no Afeganistão ao cobrir a preparação de uma terrorista suicida. Gravemente ferida, ela volta para casa, onde o marido Marcus (Nikolaj Coster-Waldau, da série “Game of Thrones”) lhe dá um ultimato: ou ela larga a profissão ou ele pede o divórcio e a guarda das duas filhas.

PALAVRAS E IMAGENS (2013)

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Inédito nos cinemas brasileiros, o filme de Fred Schepisi (de “Seis Graus de Separação”) traz Clive Owen no papel de um professor arrogante apaixonado pelo trabalho, e que logo começa a implicar com a nova professora de Artes, interpretada por Juliette Binoche. Os dois lançam um desafio aos alunos: o que é mais importante – 1000 palavras ou uma imagem?

COSMÓPOLIS (2012)

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O filme de David Cronenberg adapta o romance homônimo de Don DeLillo, profético ao apontar, dez anos antes, protestos como o “Ocupe Wall Street” que se espalhou nos EUA desde 2011. O clima de incerteza e de insatisfação popular acompanha a jornada surreal de um jovem bilionário (Robert Pattinson), preso no trânsito de Manhattan. Juliette Binoche faz uma ousada participação especial.

DE CORAÇÃO ABERTO (2012)

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Casados há dez anos, Mila (a estrela Juliette Binoche) e Javier (o venezuelano Édgar Ramírez, de “Carlos”) trabalham juntos como cirurgiões cardiovasculares. A rotina harmoniosa dos dois sofre um revés quando Javier (alcoólatra) é suspenso no hospital e Mila descobre estar grávida. O casal precisa fazer escolhas difíceis no elogiado drama francês de Marion Lane.

A VIDA DE OUTRA MULHER (2012)

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A perda da memória e a reconquista do amor ecoam na história de Marie (Juliette Binoche, cativante), que tem 25 anos e pouco sucesso na vida. Como num passe de mágica, a trama avança no tempo, acompanhando o desespero de Marie ao acordar 16 anos depois, casada com Paul, mãe de um menino de 7 anos e ainda por cima dona de alto cargo no mercado financeiro.

ELLES (2011)

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Repleto de cenas de sexo, o filme causou furor (e polêmica) na Europa, retratando de forma realista as experiências de duas jovens prostitutas (Anaïs Demoustier e Joanna Kulig) em Paris. Elas são entrevistadas por uma jornalista (Juliette Binoche, intensa), que começa a refletir sobre a sua rotina – casamento, filhos e o próprio prazer – e a se envolver, perigosamente, com seus objetos de estudo.

CÓPIA FIEL (2010)

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Escrito e dirigido por Abbas Kiarostami – e seu primeiro trabalho realizado fora do Irã. O longa marca um ponto de transição na carreira do cineasta: saem os atores não-profissionais e a dura realidade de seu país, e um intrigante pingue-pongue intelectual toma forma com William Shimell e Juliette Binoche nos papéis principais. Os personagens discutem arte, casamento e relacionamento, propondo diferentes reflexões ao espectador.

PARIS (2008)

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Diretor de “Albergue Espanhol” (2002) e de sua continuação, “Bonecas Russas” (2005), Cédric Klapisch homenageia a capital francesa com um ambicioso mosaico de personagens que celebra a vida cotidiana e as relações amorosas na cidade. Influenciado pelos filmes-corais de Robert Altman (“Mash”, ”Short Cuts”), “Paris” interliga diversas subtramas em torno da relação de afeto entre os irmãos interpretados por Romain Duris e Juliette Binoche.

APROXIMAÇÃO (2007)

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Um jovem israelense encontra-se com a irmã na França para o funeral do pai. A leitura do testamento muda a vida dos dois, que se veem obrigados a viajar para a região da Faixa de Gaza durante a desocupação de assentamentos judeus em 2005. Exibido na Mostra Internacional de São Paulo de 2007 com o título “A Retirada”, o filme é mais uma reflexão do israelense Amos Gitai sobre as tragédias e eventos que assolam o Oriente Médio.

NOVIDADES DA VERSÁTIL: GIALLOS E OUTROS CLÁSSICOS DO TERROR E SUSPENSE

A VERSÁTIL RESGATA MAIS CLÁSSICOS DO CINEMA DE HORROR EM DUAS COLEÇÕES IMPERDÍVEIS PARA OS FÃS DO GÊNERO: “OBRAS-PRIMAS DO TERROR 3“, QUE INCLUI O CULT “MAGIA NEGRA” (ESTRELADO POR ANTHONY HOPKINS) E O SURPREENDENTE ” A INOCENTE FACE DO TERROR”, E O DVD DUPLO “GIALLO“,  COM QUATRO EXEMPLARES DO CELEBRADO (E VIOLENTO) ESTILO DE SUSPENSE ITALIANO.

Obras-Primas do Terror 3 3D

OBRAS-PRIMAS DO TERROR 3

Mais um volume da coleção de grande sucesso da versátil, trazendo 6 clássicos inéditos dirigidos por grandes mestres do horror como Mario Bava, Jacques Tourneur e Narciso Ibañez Serrador. Todos os filmes em versões restauradas, além de uma hora e meia de extras. Edição Limitada com 6 cards.

DISCO 1:

BANHO DE SANGUE (“A Bay of Blood/Reazione a Catena”, 1971)
De Mario Bava. Com Claudine Auger, Claudio Volonté e Laura Betti.

A disputa por uma propriedade em uma baía dá início a um banho de sangue que não poupará ninguém. Polêmica e sangrenta obra-prima do mestre Mario Bava que foi precursora dos filmes slasher. Também conhecido como “A Mansão da Morte”.

A INOCENTE FACE DO TERROR (“The Other”, 1972, 100 min.)
De Robert Mulligan. Com Uta Hagen, Diana Muldaur, Chris e Martin Udvarnoky.

Thriller de horror psicológico ambientado no meio rural, "A Outra Face do Terror" é um dos filmes mais perturbadores sobre a perversidade infantil

Thriller de horror psicológico ambientado no meio rural, “A Outra Face do Terror” é um dos filmes mais perturbadores sobre a perversidade infantil

Interior dos Estados Unidos, anos 30. Dois meninos, gêmeos idênticos, são a fonte de estranhos acontecimentos que colocam em perigo a vida daqueles que os cercam. Obra-prima do terror psicológico dirigida por Robert Mulligan (“O Sol é para todos”).

DISCO 2:

OS MENINOS (“¿Quién puede matar a un niño?”, 1976)
De Narciso Ibañez Serrador. Com Lewis Fiander e Prunella Ransome.

Um casal de turistas ingleses chega a uma ilha onde todas as crianças ficaram loucas e estão assassinando os adultos. Obra-prima do horror espanhol dirigida por Narciso Ibañez Serrador (“Internato Derradeiro”).

CARNAVAL DE ALMAS (“Carnival of Souls”, 1962, 83 min.)
De Herk Harvey. Com Candace Hilligoss, Frances Feist e Sidney Berger.

Após um traumático acidente, uma mulher fica fascinada por um parque abandonado. Lendário filme B americano que se tornou um dos maiores cult-movies de horror de todos os tempos. Conhecido também como “O Parque Macabro”.

DISCO 3:

MAGIA NEGRA (“Magic”, 1978, 107 min.)
De Richard Attenborough. Com Anthony Hopkins, Ann-Margret e Burgess Meredith.

Antes da consagração por "O Silêncio dos Inocentes" no início dos anos 90, Anthony Hopkins estrelou "Magia Negra", em que interpreta não apenas o protagonista, mas também a voz de seu boneco de ventríloquo.

Antes da consagração por “O Silêncio dos Inocentes” no início dos anos 90, Anthony Hopkins estrelou “Magia Negra”, em que interpreta não apenas o protagonista, mas também a voz de seu boneco de ventríloquo.

Anthony Hopkins, em grande atuação, é o talentoso, mas perturbado ventríloquo que se esconde por trás da forte personalidade de seu maligno boneco Fats. Assustador terror psicológico dirigido pelo premiado Richard Attenborough (de “Gandhi”). Também conhecido como “Um Passe de Mágica”.

FARSA TRÁGICA (“The Comedy of Terrors”, 1963, 83 min.)
De Jacques Tourneur. Com Vincent Price, Peter Lorre, Boris Karloff e Basil Rathbone.

Para poder pagar dívidas, um coveiro começa a matar pessoas a fim de obter novos “clientes”. Com muito humor negro, o mestre Jacques Tourneur (“Sangue de Pantera”) reúne monstros sagrados do cinema de horror.

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EXTRAS INCLUÍDOS NA COLEÇÃO: Documentário sobre “Banho de Sangue” (25 min.), depoimento de Joe Dante sobre “Banho de Sangue” (12 min.), trailers americanos de “Banho de Sangue” (6 min.), depoimento de Narciso Ibañez Serrador (9 min.), trailers dos outros filmes (11 min.), depoimento de Richard Matheson sobre “Farsa Trágica” (10 min.), especial sobre Jacques Tourneur (16 min.) e entrevista com Anthony Hopkins (6 min).

Giallo 3D

GIALLO

No formato digistack, o DVD duplo reúne 4 clássicos inéditos, dirigidos pelos maiores mestres do gênero: Mario Bava, Dario Argento, Lucio Fulci e Sergio Martino, além de uma hora de extras.

DISCO 1:

SEIS MULHERES PARA O ASSASSINO (“Sei donne per l’assassino”, 1964)
De Mario Bava. Com Cameron Mitchell, Eva Bartok, Thomas Reiner.

Em Roma, um misterioso assassino mascarado mata lindas modelos. Após fundar o giallo com “A Garota que Sabia Demais”, o mestre Mario Bava (“A Maldição do Demônio”) realiza uma influente obra-prima que codifica as convenções do gênero.

TENEBRE (“Tenebrae”, 1982, 106 min.)
De Dario Argento. Com Anthony Franciosa, Christian Borromeo, Mirella D’Angelo.

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Dirigido por aquele que é considerado o maior mestre do cinema “giallo”, “Tenebre” é um dos últimos grandes trabalhos de Dario Argento

Escritor chega à Roma para promover seu livro, mas descobre que alguém está usando seus romances como inspiração para cometer assassinatos. Sangrento e metalinguístico, esse giallo é uma das obras-primas de Dario Argento, o maior diretor do gênero.

DISCO 2:

O ESTRANHO VÍCIO DA SRA. WARDH (“Lo Strano Vizio della Signora Wardh”, 1971)
De Sergio Martino. Com George Hilton e Edwige Fenech.

Julie Wardh, de volta a Viena com seu marido diplomata Neil, encontra a cidade aterrorizada por um maníaco assassino. Primeiro giallo de Sergio Martino (“Torso”), um especialista no gênero.

O SEGREDO DO BOSQUE DOS SONHOS (“Non si Sevizia um Paperino”, 1972)
De Lucio Fulci. Com Florinda Bolkan, Barbara Bouche e Tomas Milian.

Em um vilarejo italiano, estranhos assassinatos de crianças aterrorizam a população, levando grande número de policiais e jornalistas ao local. Obra-prima do mestre Lucio Fulci (“Terror nas Trevas”) com a atriz brasileira Florinda Bolkan (de “Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita”).

Edição Limitada com 6 cards.

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EXTRAS INCLUÍDOS NA COLEÇÃO: Análises de “Seis Mulheres para o Assassino” (22 min.),créditos americanos de “Seis Mulheres” (2 min.), trailers (12 min.), documentário sobre “Tenebre” (26 min.) e Sergio Martino no Festival de Veneza (3 min).

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “HOMENS, MULHERES E FILHOS”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Não tem como não se identificar. Só quem estiver vivendo quase que literalmente no “mundo da lua”. Para os adultos que têm filhos adolescentes, a carapuça serve perfeitamente. E para os jovens, este novo filme, do mesmo diretor do ótimo Juno, será praticamente um espelho.

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Bom vai ser se render conversa depois, porque Homens, Mulheres & Filhos não só fala dessa geração que nasceu junto com a era digital, mas também de nós, adultos, que vivenciamos o surgimento da internet, a destruição das barreiras físicas, a facilitação da comunicação global e a invasão destemida e desmedida das redes sociais em nossas vidas.

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Muito bom o título, por sinal. A questão maior aqui é como aproveitar as possibilidades de comunicação digital ilimitadas, sem esquecer de cativar as relações à “moda antiga”: conversas olho no olho, encontros reais, a volta do livro de cabeceira no lugar do tablet, o cultivo do ser no lugar do culto excessivo à imagem, a preservação da privacidade.

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O bacana é que Jason Reitman consegue colocar isso tudo numa linguagem que vai tocar a família toda. Com o astro de A Culpa é das Estrelas, Ansel Elgort é agora um garoto viciado em videogame, que se sente sozinho, tem dificuldade de relacionar-se e encanta-se com Brandy, uma garota que é vigiada pela mãe 24 horas por dia. Assim como ela, outros pais se preocupam com os filhos, acham a internet perigosa; assim como ela, outros adultos mergulham no mundo virtual, tentando preencher o vazio da vida cotidiana.

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Recomendo que seja visto em família. Assim como Reitman tratou da solidão adulta em Amor Sem Escalas, aqui ele fala disso sem rodeios, deixando bem claro que, se essa geração que já nasceu achando celular algo imprescindível não se der conta, vai acabar passando a vida alheia à realidade, no mundo da lua – termo que ganha aqui uma nova dimensão virtual, coisa que a expressão original, no século passado que terminou outro dia, não tinha.

DIREÇÃO: Jason Reitman ROTEIRO: Jason Reitman, Erin Cressida Wilson ELENCO: Adam Sandler, Rosemarie DeWitt, Jennifer Garner, Kaitlyn Dever, Ansel Elgort, Dean Norris, Judy Greer, Olivia Crocicchia | 2014 (116 min)

Confira o trailer de “Homens, Mulheres & Filhos“:

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

 

ATUAÇÕES VISCERAIS (E PREMIADAS): VANESSA REDGRAVE EM “ISADORA” E HARVEY KEITEL EM “VÍCIO FRENÉTICO”

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CONSIDERADA UMA DAS MAIORES ATRIZES DO SÉCULO 20, VANESSA REDGRAVE FOI PREMIADA NO FESTIVAL DE CANNES POR “ISADORA“, CLÁSSICO DIRIGIDO POR KAREL REISZ QUE ACABA DE SAIR EM DVD NA 2001. ASSIM COMO O SEMINAL “VÍCIO FRENÉTICO“, DRAMA POLICIAL DE ABEL FERRARA COM HARVEY KEITEL, VENCEDOR DO INDEPENDENT SPIRIT AWARD DE MELHOR ATOR.

Premiada em Cannes, Vanessa Redgrave concorreu ao oscar e ao Globo de Ouro por sua incrível atuação - e trabalho corporal - na cinebiografia de Isadora Duncan

Premiada em Cannes, Vanessa Redgrave concorreu ao Oscar e ao Globo de Ouro por sua incrível atuação – e trabalho corporal – na cinebiografia da bailarina Isadora Duncan

ISADORA

Baseado na autobiografia de Isadora “Minha Vida” e em “Isadora Duncan – An Intimate Portrait” (de Sewell Stokes), o filme mescla momentos da carreira e da vida privada da famosa bailarina norte-americana. Interpretada de corpo e alma por Vanessa Redgrave, Isadora Duncan (1877-1927) desafiou costumes e revolucionou a arte da dança, ignorando as convenções do balé clássico.

Dirigido por Karel Reisz (de “Deliciosas Loucuras de Amor”, também com Vanessa), “Isadora” começa em 1927, na Riviera Francesa, com a protagonista narrando sua memórias, que remontam desde a juventude nos EUA e percorrem três grandes relacionamentos amorosos. Primeiro com o designer Gordon Craig (James Fox), depois com o milionário Eugene Singer (Jason Robards) e finalmente seu casamento com o poeta russo Sergei Essenin (Ivan Tchenko).

FESTIVAL DE CANNES
Prêmio de Melhor Atriz

OSCAR
Indicado a Melhor Atriz

GLOBO DE OURO (EUA)
Indicado a Melhor Atriz (drama)

NATIONAL SOCIETY OF FILM CRITICS (EUA)
Prêmio de Melhor Atriz

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Nascida em 1937, Vanessa Redgrave é considerada uma das maiores atrizes de língua inglesa de todos os tempos, com atuações aclamadas no teatro, na TV e no cinema. Confira para locação em 2001emcasa mais de 50 trabalhos da atriz famosa por sua coragem e engajamento político.

E VEJA TAMBÉM, COM VANESSA REDGRAVE INDICADA AO OSCAR:

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Mary Stuart – Rainha da Escócia (1971)

VÍCIO FRENÉTICO

Vicio Frenetico 3D

Refilmado por Werner Herzog com Nicolas Cage em 2009, “Vício Frenético” é considerado um dos melhores trabalhos do polêmico cineasta Abel Ferrara – e um dos filmes seminais dos anos 90. Confira a performance avassaladora de Harvey Keitel como um policial corrupto à beira do abismo.

Cult-movie do polêmico cineasta Abel Ferrara (de “Maria” e o recente “Bem-Vindo a Nova-York“) com o ator Harvey Keitel (“Cães de Aluguel”) premiado com o Independent Spirit Award – considerado o Oscar do cinema independente.

Em papel inicialmente destinado a Christopher Walken, Keitel se desnuda física e psicologicamente na pele de um tenente corrupto mergulhado no submundo das drogas e do jogo em Nova York. No entanto, uma chance de redenção surge após dois acontecimentos marcantes: um torneio de baseball no qual ele arrisca a vida e o trágico estupro de uma jovem freira.

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Filmado em 18 dias, ao tradicional estilo cinema-verité do diretor, “Vício Frenético” transcende a simples trama policial. A coragem de Keitel, em cenas fortes de consumo de drogas e sexo, confere realismo sufocante a um retrato sem retoques da degradação de um homem.

Versão restaurada com mais de meia hora de extras, incluindo making of da produção.