COLEÇÃO NELSON PEREIRA DOS SANTOS – VOL.1, UM DOS LANÇAMENTOS DO ANO

COM 5 DISCOS E INÚMEROS EXTRAS, O BOX RESGATA OS PRIMEIROS TRABALHOS DO CINEASTA, REALIZADOS ENTRE 1956 A 1967, INCLUINDO “VIDAS SECAS” – UM DOS MAIORES FILMES BRASILEIROS DO SÉCULO 20 – E O RARO “EL JUSTICERO”, LONGA APREENDIDO PELA DITADURA MILITAR.


Nascido na capital paulista, em 1928, Nelson Pereira dos Santos é um dos fundadores do Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro influenciado pelo neorrealismo italiano nos anos 1950. Amante da literatura brasileira, o artista construiu, ao longo de seis décadas, uma das carreiras mais produtivas e influentes de nosso cinema, com quase 30 títulos.

Diretor, produtor, roteirista, montador, ator e professor, Nelson soube explorar em seu trabalho o diálogo entre realidade e ficção. Influenciado pelo neorrealismo e pela leitura de Jorge Amado, colocava sempre na tela um Brasil da gente do povo, um país não só de desigualdades, mas de uma imensa riqueza cultural.

Restaurados pela Afinal Filmes, os longas da coleção vêm acompanhados de extras inéditos, como “O filme de Grande Otelo”, “Neorrealismo menor” e o curta “Meu Compadre Zé Ketti”, entre outros. A cópia do raro “El Justicero”, por exemplo, foi restaurada a partir de película em 16mm que sobreviveu à censura militar durante a ditadura.

Marco do Cinema Novo, “Rio 40 Graus” (1955), sua estreia na direção de longa, ficou de fora, pois seus negativos não foram encontrados, o que gerou um litígio entre Nelson e a Cinemateca Brasileira, onde estavam depositados para restauro. Com exceção de “Vidas Secas“, os filmes são inéditos em DVD, e mais três caixas com ciclos cronológicos – abrangendo a produção do cineasta de 1967 a 2012 – virão até o aniversário de 90 anos de Nelson, em 2018.

Homenageado na 50ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro deste ano, Nelson foi o primeiro cineasta eleito para integrar o grupo de imortais da Academia Brasileira de Letras, em 2006.

RIO, ZONA NORTE (1956, P&B, 86 min)

Livremente inspirado na vida do músico Zé Keti (amigo de Nelson), o longa é narrado em flashback e segue o compositor Espírito da Luz Soares (papel de Grande Otelo), que sonha ter um samba gravado por Angela Maria, a Rainha do Rádio.

Extras: O filme de Grande Otelo, Neorrealismo menor, “Meu compadre Zé Ketti” (curta, 11 min), filmografia.

MANDACARU VERMELHO (1960, P&B, 76 min)

Definido como um “nordestern” segundo Nelson Pereira dos Santos, o filme traz o próprio diretor no papel de um vaqueiro que se apaixona por uma moça nordestina. Como ela estava prometida a outro homem, os dois fogem e são perseguidos pela família vingativa da jovem.

Extras: Aprendizado, filmografia.

BOCA DE OURO (1963, P&B, 102 min)

Personagem criado por Nelson Rodrigues em peça homônima, o bicheiro – em interpretação marcante de Jece valadão – tem suas lendas desbravadas por um repórter que entrevista uma das amantes do malandro carioca, Guigui (Odete Lara). É ela quem conta três versões diferentes da vida do personagem.

Extras: Um desafio, O barulho da câmera, “Um moço de 74 anos” (doc. 11 min), biobibliografia de Nelson Rodrigues, filmografia.

VIDAS SECAS (1963, P&B, 103 min)

Clássico absoluto do Cinema Novo adaptado do livro de Graciliano Ramos. Uma família de retirantes zanza pelo Nordeste em busca de dignidade, comida e trabalho. Com expressiva fotografia de Luiz Carlos Barreto, o filme concorreu à Palma de Ouro em Cannes ao lado de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) e levou o prêmio OCIC no mesmo festival. Um filme fundamental para entender o cinema brasileiro.

Extras: Como se morre no cinema, Auto-retrato aos 56 anos, filmografia.

EL JUSTICERO (1967, P&B, 80 min)

Banido durante a ditadura, este clássico “perdido” ataca abertamente o regime militar por meio da sátira social em torno de um playboy de Ipanema (e, mais importante, filho de um general) que se julga protetor das mulheres indefesas e dos fracos e oprimidos. Baseado em romance de João Bethencourt, o filme mostra Nelson influenciado pela Nouvelle vague, com cortes e descontinuidades narrativas atípicas até então em seu trabalho.

Extras: Um presente de Leon Hirszman, Censura na ditadura, Acontecia muita coisa, Nos tempos do Solar da Fossa, bibibliografia de João Bethencourt, filmografia.

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
Memórias do Cárcere (1984)
A Luz do Tom (2013)
A Música Segundo Tom Jobim + A Luz do Tom (2012/2013)

One thought on “COLEÇÃO NELSON PEREIRA DOS SANTOS – VOL.1, UM DOS LANÇAMENTOS DO ANO

  1. Marcio says:

    E agora como que fica os 06 (seis) DVDs dos filmes de Nelson Pereira dos Santos que já tenho/comprei? Como: Memórias do cárcere, Vidas secas e Como era gostoso (ambos DVDs importados), Jubiabá, Tenda dos milagres e Azyllo muito louco. Foram lançados pela Regina Filmes. Acho sacanagem isso e mal planejamento dessas distribuidoras. E agora quem vai comprar esses filmes do Nelson de mim?

    Igual fizeram com os filmes de Joaquim Pedro de Andrade, comprei todos os DVDs originais lançados individualmente, aí o último que tratava da vida de Garrincha a distribuidora – a VFilmes se não me engano -, lança esse último em box contendo todos mas não vende o documentário do Garrincha separado. Poderia até comprar esse box com todos os filmes do Joaquim, mas e os que tenho, o que faço com eles?

    Acho uma tremenda falta de respeito com os fãs do cinema brasileiro e não acredito que não pensaram nisso.
    Ah! Até hoje aguardando os outros lançamentos do filme do Glauber e nada. Soube que ocorreu um lançamento restrito, fechado, algo assim de um dos filmes de Glauber e blablabla…afff…

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