Agnès Varda

AGNÈS VARDA: 4 CLÁSSICOS DA SENHORA NOUVELLE VAGUE

MAIS UMA COLEÇÃO IMPERDÍVEL PARA OS CINÉFILOS, COM 2 DISCOS REUNINDO OS MELHORES LONGAS DE FICÇÃO DA ACLAMADA CINEASTA FRANCO-BELGA.

Viúva de Jacques Demy – diretor de “Os Guarda-Chuvas do Amor” e de vários outros trabalhos que acabam de sair em DVD na 2001 -, Agnès Varda é considerada uma das maiores cineastas de todos os tempos, com mais de 30 filmes no currículo.

Aos 89 anos, ela concorreu ao Oscar deste ano pelo documentário “Visages, Villages”, que codirigiu ao lado do jovem JR e sua filha Rosalie Varda. No ano passado, tornou-se a primeira diretora a receber um Oscar honorário da Academia de Hollywood.

Nascida em 30 de maio de 1928, em Bruxelas (capital da Bélgica), ela transitou entre diferentes formatos (e gêneros) cinematográficos, tendo a fotografia como base de pesquisa. Sua experiência de fotógrafa se fez notar em sua estreia na direção de cinema, “La Pointe-Courte” (1955), considerado por críticos e historiadores como Georges Sadoul “verdadeiramente o primeiro filme da Nouvelle Vague”.

Seu longa seguinte, “Cléo das 5 às 7“, crônica de uma mulher esperando o resultado de uma biópsia, é um marco do movimento criado pelos ex-críticos da célebre revista francesa Cahiers du Cinéma.

A cineasta realizaria mais uma obra-prima, “As Duas Faces da Felicidade” (1965), evocando a arte dos impressionistas, antes de exilar-se na Califórnia no final dos anos 1960, quando passou a registrar a efervescência cultural do período em vários documentários desenvolvidos a partir de imagens fixas como fotografias, pinturas ou grafite.

“As Duas Faces da Felicidade” (Le Bonheur, 1965)

Após uma série de documentários, voltou em grande estilo à ficção com “Sem Teto, Nem Lei“, que lhe valeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1985.

Semelhantes a diários ou cadernos de anotações, os filmes de Varda incorporam lirismo ao realismo, criando documentários tão interessantes quanto a ficção e longas ficcionais cujo naturalismo beira o real.

Ao desafiar os códigos sociais burgueses com suas personagens iconoclastas, ela foi uma pioneira do cinema feminista, bem antes de Chantal Akerman (“Jeanne Dielman”) e Jane Campion (“O Piano”) – só para citar duas grandes cineastas -, propondo em sua obra uma reflexão sobre a subjetividade feminina.

Sua sensibilidade e extrema curiosidade pela experiência humana permeiam cada fotograma de seus filmes.

AGNÈS VARDA

No formato digipak, com 2 discos e bela arte conceitual, o box reúne traz 4 clássicos da diretora na seara da ficção, todos remasterizados. Seus filmes, fotografias e instalações revelam, com seu estilo experimental único, seu diálogo com o documentário, o feminismo e o comentário social.

Edição limitada com 4 cards e quase uma hora de extras.

DISCO 1:

LA POINTE COURTE (Idem, 1955, 80 min)
Com Philippe Noiret, Silvia Monfort.

Dividido em duas partes, o longa retrata, primeiramente, os habitantes de um pequeno povoado pesqueiro na França. E apresenta, em sequência, um casal em crise, Lui e Elle (Philippe Noiret and Silvia Monfort), que visitam a cidade natal dele, La Pointe Courte. Influenciada pela obra “Palmeiras Selvagens”, de William Faulkner, Varda realizou o filme com poucos recursos e a ajuda de Alain Resnais, responsável pela edição das cenas.

CLÉO DAS 5 ÀS 7 (Cléo de 5 às 7, 1962, 90 min)
Com Corinne Marchand, Antoine Bourseiller, Dominique Davray.

Cléo (Corinne Marchand) é uma cantora francesa que vive um momento de angústia, enquanto espera o resultado de um exame. O teste pode apontar se ela tem ou não um câncer. Sem saber o que fazer, Cléo perambula por Paris, fazendo coisas banais, à procura de distração por 1 hora e meia, até conhecer um soldado prestes a ir para a guerra na Argélia. Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, esta é uma das obras capitais do movimento nouvelle vague.

DISCO 2:

AS DUAS FACES DA FELICIDADE (Le bonheur, 1965, 80 min)
Com Jean-Claude Drouot, Claire Drouot, Olivier Drouot.

Precursora da Nouvelle Vague com “La Pointe Courte” (1954), Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7“) dirige esta evocação sem culpa sobre o casamento e o desejo, refletindo sobre o significado da felicidade e a relação conjugal.

Visualmente influenciado pela pintura impressionista, este é um dos mais belos trabalhos de uma das grandes diretoras da história do cinema. Nele, um pai de família casado se envolve com outra mulher, mas não quer abandonar a esposa. O filme conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim.

SEM TETO SEM LEI (Sans toit ni loi, 1985, 106 min)
Com Sandrine Bonnaire, Macha Méril, Stéphane Freiss.

Depois de chamar atenção em “À Nos Amours” (1983), Sandrine Bonnaire foi premiada no Festival de Veneza pelo papel de uma jovem andarilha em “Sem Teto, Nem Lei”. A trajetória da personagem é narrada por aqueles que a encontraram em suas últimas semanas de vida.

Como em “A Grande Testemunha” (1966), do mestre Robert Bresson, revela-se mais sobre quem interage com ela – seja ajudando-a, amando-a ou abusando dela – do que sobre esse espírito livre, mantido um mistério ainda maior ao longo da história. Varda dirigiu o filme após intensa pesquisa com vagabundos, rebeldes, drogados e mendigos, além de usar atores não-profissionais no elenco.

EXTRAS:

* Entrevista com Agnès Varda (30 min.)
* Depoimentos sobre “As Duas Faces da Felicidade” (15 min.)
* Sem Teto Nem Lei: Viagéns e músicas (12 min.)

CLÁSSICOS E CULTS RAROS EM PROMOÇÃO SÓ NA 2001

A MAIORIA FORA DE CATÁLOGO, INCLUINDO FILMES ACLAMADOS E PRODUÇÕES ICÔNICAS DO CINEMA LGBT, COMO “JOHAN“, “MAURICE” E O DOCUMENTÁRIO “BEFORE STONEWALL“, AGORA COM PREÇO ESPECIAL. 

Entre os filmes selecionados, há obras importantes adaptadas para a telona (“Senhorita Julia“, “Electra“, “Os Vivos e os Mortos“, “Maurice“), clássicos franceses (“Os Amantes“, “Zazie no Metrô“, “As Duas Faces da Felicidade“) e preciosidades como o noir “A Lei dos Marginais“, de Samuel Fuller, “Um Gosto de Mel“, um marco do cinema inglês, “O Condenado de Altona“, baseado em peça de Jean-Paul Sartre, “Esposamante“, com o grande Marcello Mastroianni, “Os Vivos e os Mortos“, último trabalho de John Huston, e um cult por excelência – “Paixão Selvagem“, do cantor e diretor francês Serge Gainsbourg.

Não deixe de adquirir seus filmes favoritos, nem de descobrir produções menos conhecidas, pois os estoques são limitados. Confira a seguir uma pequena amostra com 20 sugestões de nossa equipe. Tem muito mais em nosso site.

Boa sessão “cult”!
Equipe 2001

MADAME DU BARRY

Mestre da farsa sofisticada, Ernst Lubitsch dirigiu este clássico do cinema mudo na Alemanha, logo após a Primeira Guerra Mundial. Estrelado por Pola Negri e pelo maior ator alemão da época, Emil Jannings (“Fausto”), o filme acompanha as peripécias da amante do rei Louis XV da França até sua execução durante a Revolução Francesa.

O ESTUDANTE DE PRAGA

Lançado em 1926, este clássico expressionista do cinema mudo apresenta Conrad Veidt (“O Gabinete do Dr. Caligari”) no papel de um estudante pobre que faz pacto com um estranho que, em troca, rouba o seu reflexo contido no espelho. Uma raridade do cinema alemão, com simbolismos e trama semelhante ao “Fausto” de Goethe.

SENHORITA JULIA

O sueco Alf Sjöberg dirigiu e escreveu esta adaptação da peça homônima do dramaturgo August Strindberg (1849-1912), escrita em 1888, dissecando conflitos sociais seculares por meio do intenso encontro entre uma aristocrata e seu empregado, cuja relação desigual sofre uma inversão – com o dominado passando a dominador. Refilmado em 2014 (“Miss Julie“) por Liv Ullmann, o filme conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

ELECTRA, A VINGADORA

Depois da guerra de 10 anos contra Tróia, Agamenon volta para casa. Em sua ausência, sua esposa, Clitemnestra, esteve nos braços de um amante, que mata Agamenon logo após o seu retorno. Seus filhos, Electra e Orestes, esperam vingar, agora adultos, o assassinato do pai. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, “Electra” trouxe notoriedade ao grego-cipriota Michael Cacoyannis, que depois dirigiria o sucesso mundial “Zorba, o Grego”(1964).

AS TROIANAS

O cineasta grego Michael Cacoyannis notabilizou-se por sua trilogia de adaptações de grandes tragédias gregas, formada por “Electra, a Vingadora” (1961), “As Troianas” (1971) e “Ifigênia” (1977), todas estreladas por sua musa, Irene Papas, e adaptadas de peças de Eurípides. “As Troianas” não nega sua estrutura teatral, que valoriza ainda mais o trabalho de Papas, Katharine Hepburn, Vanessa Redgrave (foto) e Geneviève Bujold.

A VIDA DE GALILEU

Joseph Losey (de “Uma Estranha Mulher” – também em promoção na 2001) dirige esta versão da peça “Galileu Galilei”, de Bertolt Brecht, com grande elenco britânico (Topol, Edward Fox, Colin Blakely, Margaret Leighton, John Gielgud). Um dos responsáveis pela fundação da ciência moderna, Galileu apoia a teoria de Copérnico, segundo a qual a Terra gira em torno do Sol, e entra em conflito com a Igreja Católica.

O AMANHÃ É ETERNO

Orson Welles interpreta um homem dado como morto na 1ª Guerra e que reaparece – 20 anos depois – desfigurado e com nova identidade. Ele encontra acidentalmente a esposa, Elizabeth (Claudette Colbert), e descobre ter um filho, Drew. Assim, neste clássico melodrama de 1946, o protagonista precise decidir se revela ou não a sua verdadeira identidade.

ZAZIE NO METRÔ

Dirigida por Louis Malle (“Lacombe Lucien”), esta adaptação do livro de Raymond Queneau é uma adorável e excêntrica comédia francesa que transborda criatividade, com montagem e concepção visual elaboradas, e o espírito libertário da Nouvelle Vague. No filme, Zazie, garota do interior da França, tem a chance de conhecer Paris pela primeira vez, passando dois dias na capital francesa. Hospedada na casa de seu tio Gabriel (Philippe Noiret, de “Não Toque na Mulher Branca” – também em promoção), ela cultiva um sonho: andar de metrô.

AS DUAS FACES DA FELICIDADE

Precursora da Nouvelle Vague com “La Pointe Courte” (1954), Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7“) dirige esta evocação sem culpa sobre o casamento e o desejo, refletindo sobre o significado da felicidade e a relação conjugal. Visualmente influenciado pela pintura impressionista, este é um dos mais belos trabalhos de uma das grandes diretoras da história do cinema. Nele, um pai de família casado se envolve com outra mulher, mas não quer abandonar a esposa. Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim. Aos 89 anos, Varda concorreu ao Oscar deste ano com o documentário “Visages Villages”.

PRIVILÉGIO

A premissa do filme – um artista que tem sua individualidade sacrificada, transformando-se em um produto – nunca foi tão atual em tempos de astros-relâmpagos. Dirigido pelo influente (e provocador) documentarista britânico Peter Watkins, este clássico de 1967 desconcertou a crítica com seu misto de musical, cinema-verdade e crítica à indústria cultural, em um futuro indeterminado que não esconde suas raízes nas mudanças comportamentais da virada dos anos 1960 para os 1970.

UM BEATLE NO PARAÍSO

Corroteirista do clássico “Doutor Fantástico” (1964), o escritor Terry Southern também escreveu esta anárquica comédia lançada durante a efervescência da Swinging London sessentista. Contando com a colaboração dos ex-Monty Python John Cleese e Graham Chapman no roteiro, esta sátira surreal debocha da moral e dos costumes ingleses em uma série de esquetes com a participação de Raquel Welch, Yul Brynner e Roman Polanski, em papéis bizarros.

OS CRIMES DE OSCAR WILDE

A excelência dos atores ingleses se confirma nesta crônica do processo enfrentado pelo escritor Oscar Wilde (Peter Finch, premiado com o Bafta em 1961) na década de 1890. Acusado de manter um relacionamento com outro homem, o célebre autor de “O Retrato de Dorian Gray” luta pela liberdade, expondo sua homossexualidade numa época em que a mesma era condenada com a prisão.

PAIXÃO SELVAGEM

Estreia na direção do compositor e cantor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), a ousada história de amor entre o personagem homossexual de Joe Dallesandro e uma garçonete (Jane Birkin) provocou escândalo com sua crueza e cenas de sexo, além de eternizar a canção “Je T’Aime Moi Non Plus”, composta originalmente para Brigitte Bardot. Serge e Birkin foram casados e tiveram uma filha, a atriz e cantora Charlotte Gainsbourg (“Melancolia”).

ESPOSAMANTE

Em um de seus melhores papéis, Marcello Mastroianni interpreta um comerciante ligado a grupos anarquistas. Dado como morto, ele acompanha, à distância, cada passo da esposa Antonia, que acreditava ser frígida. Antes passiva e inerte, a personagem de Laura Antonelli vive uma fase de renascimento (inclusive sexual), assumindo seus negócios. Este drama romântico dirigido por Marco Vicario fez muito sucesso no Brasil.

MAGNICÍDIO

Mais um trabalho de vanguarda do provocador cineasta britânico Derek Jarman (de “Caravaggio”), uma alegoria sobre a sociedade inglesa em um futuro pós-apocalíptico. Considerado oficialmente o primeiro filme punk da história, “Magnicídio” é um produto de seu tempo, um filme-experimento do diretor apresentando uma Inglaterra caótica e sem-lei, na qual a rainha está morta e as ruas dominadas por gangues de jovens, orgias e violência brutal.

MAURICE

Escrito por E.M. Forster (1879-1970) e publicado postumamente, o romance “Maurice” retrata as dificuldades do personagem-título em lidar com sua homossexualidade na repressora Inglaterra do começo do século XX. A adaptação para cinema é mais uma requintada produção de Ismail Merchant com direção de James Ivory, que, aos 89 anos, acaba de receber o Oscar de melhor roteiro adaptado por filme de temática semelhante, o sucesso indie “Me Chame Pelo Seu Nome” (já em pré-venda na 2001). “Maurice” venceu o Leão de Prata no Festival de Veneza.

OS VIVOS E OS MORTOS

Último trabalho de John Huston, o filme é considerado seu testamento, com a filha Anjelica Huston no elenco e roteiro (indicado ao Oscar) do filho Tony – uma adaptação do conto “Os Mortos”, de “Os Dublinenses”, escrito por James Joyce. Como outras obras do célebre escritor irlandês, a história é uma meditação em torno do tempo e da memória: em 6 de janeiro de 1904, Dublin (Irlanda) celebra o Dia dos Reis, e, na casa das irmãs Morgan, Julia e Kate, são oferecidos uma ceia e um sarau a amigos e parentes.

EU, CHRISTIANE F., 13 ANOS, DROGADA E PROSTITUÍDA

Dirigido por Uli Edel, o filme é baseado no livro homônimo escrito pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck a partir de depoimentos de Christiane Felscherinow. Com cenas fortes, o relato marcou época e continua a chocar, apresentando um retrato melancólico e sem retoques do ocaso de uma jovem que sucumbe ao inferno das drogas. Curiosidade: na trama, Christiane vai a um show do saudoso David Bowie que, além de fazer uma ponta, marca presença na trilha sonora, composta por várias músicas de sua fase alemã, como a inesquecível “Heroes”.

OVOS DE OURO

Famoso por retratar, desde seus primeiros filmes, a sexualidade e as aspirações da classe média espanhola, Bigas Luna dirigiu esta história de ascensão e queda de um típico machão hispânico, cujas motivações materiais compõem um quadro crítico do homem contemporâneo. Com título sugestivo, o filme traz no elenco Javier Bardem, já se notabilizando como galã, e uma pequena participação de Benicio Del Toro. Prêmio Especial do Júri no Festival de San Sebastián.

SEGUNDA PELE

Produção espanhola centrada no dilema vivido pelo personagem de Jordi Mollà (“Profissão de Risco”), dividido entre a sensação de normalidade do casamento e o desejo compartilhado com o amante – interpretado por Javier Bardem, com quem protagoniza ousadas cenas de sexo. Sem apontar culpados, o filme explora a dor advinda da traição, sem esquecer também do ponto de vista da esposa.

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ÚLTIMAS PEÇAS: CLÁSSICOS, CULTS E FILMES DE FESTIVAIS

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Entre os cineastas selecionados, destaque para RAINER WERNER FASSBINDER (1945–1982), lembrado com os clássicos “Whity“, O Medo Consome a Alma” e “A Terceira Geração“; CLAUDE CHABROL (1930-2010), diretor de “Alice”, “Nas Garras do Vício” e “Trágica Separação“, e o polonês ANDRZEJ ZULAWSKI (1940–2016), resgatado pela distribuidora Lume com os seminais “A Revolta do Amor“, “Diabel“, “Globo de Prata” e “O Importante é Amar“. E tem muito mais, de grandes diretores:

Marguerite Duras * Jean Pierre Melville * Andrzej Wajda * Sergei Parajanov * Michael Cacoyannis * Joseph Losey * Ken Russell * Mauro Bolognini * Brian De Palma * Francis Ford Coppola * James Foley * Monte Hellman * David Cronenberg * Carlos Reichenbach * Suzana Amaral * Sergio Bianchi * Thomas Vinterberg * Joachim Trier * Elia Kazan * John Huston * Edward Dmytryk * Theo Angelopoulos * Maurice Pialat * Sam Peckinpah * Robert Altman * Carlos Saura * Victor Erice * Francesco Rosi * Claude Sautet * Joseph L. Mankiewicz * John Frankenheimer * Patrice Chéreau * Bertrand Tavernier * Yasujiro Ozu * Stephen Frears * Jane Campion * André Téchine * Agnès Varda * Miklós Jancsó * Emir Kusturica * Claude Chabrol * Peter Ustnov * James Ivory

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VISÕES DE CRIANÇA

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Uma raridade: um clássico do cinema mudo realizado na década de 1920 por Jacques Feyder (1885–1948), diretor de “Anna Christie” (com Greta Garbo). Filmado em belas locações na Suíça, “Visões de Criança” mergulha na psicologia infantil ao tratar dos efeitos do luto sobre duas crianças que perdem a mãe. O pai viúvo decide se casar novamente, despertando sentimentos contraditórios nas crianças.

JOHN & MARY

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À frente de seu tempo, este cult de Peter Yates, lançado originalmente em 1969, traz Dustin Hoffman e Mia Farrow – indicados ao Globo de Ouro – como dois estranhos à procura de um relacionamento significativo em Nova York. Eles se conhecem em um bar e passam a noite juntos, sem saber o nome um do outro. Na manhã seguinte, discutem e tentam se conhecer melhor, analisando suas próprias vidas.

O SEGUNDO ROSTO

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Indicado ao Oscar em 1967, este thriller de John Frankenheimer (O Trem”, “Sob o Domínio do Mal”) apresenta a melhor atuação do eterno galã Rock Hudson. Na trama, um homem de meia idade, vice-presidente de um banco, contrata uma empresa especializada em “renascimentos”. A organização forja a sua morte, e ele renasce na pele de um pintor de sucesso.

CIDADE DAS ILUSÕES

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Abandonado pela esposa, um boxeador alcoólatra (Stacy Keach) decide voltar a lutar, o que faz com que ele se aproxime de um jovem (Jeff Bridges) ascendente no esporte. Considerado um dos melhores trabalhos de John Huston nos anos 1970 – e uma reflexão sobre fracasso e sobrevivência no mundo do boxe – , o filme concorreu ao Oscar de melhor atriz coadjuvante (Susan Tyrrell).

O MATADOR DE OVELHAS

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Um marco do cinema independente norte-americano, o filme é um seminal drama de baixo orçamento realizado por Charles Burnett na vizinhança de seu bairro, na periferia de Los Angeles. Com elenco amador, o longa de 1979 acompanha o duro cotidiano de Stan, afroamericano que trabalha num abatedouro e luta por uma vida mais digna para sua família, em meio à desilusão e a problemas financeiros.

TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA

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Alfredo Garcia engravida a filha de um latifundiário mexicano. Revoltado, o pai da moça oferece um milhão de dólares pela cabeça de Garcia. Fiel ao universo de Sam Peckinpah (“Meu Ódio Será Sua Herança”, “Os Implacáveis”), o filme – com sua violência estilizada e tipos do submundo – adquiriu com o tempo status de cult e influenciou cineastas como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

TRÊS IRMÃOS

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O grande cineasta italiano Francesco Rossi (1922–2015) concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro por este sensível relato do retorno de três irmãos à sua cidade de infância. Com estilos de vida – e posições políticas – bem diferentes, eles se reencontram para o funeral da mãe. No elenco, destaque para Philippe Noiret (1930–2006), o Alfredo de “Cinema Paradiso”.

O ESPÍRITO DA COLMEIA

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Dirigido pelo espanhol Víctor Erice, este clássico do cinema espanhol foi um dos destaques da programação da 38ª Mostra de Cinema de São Paulo, em 2014. Na trama, ambientada na Espanha dos anos 1940, uma menina de 7 anos, Ana, assiste ao filme “Frankenstein”, experiência que irá marcá-la para sempre. Até que ela desaparece  misteriosamente, imersa em seu mundo de fantasia.

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Considerado pelo jornal The New York Times “a primeira obra-prima do feminismo na história do cinema”, o filme acompanha, ao longo de três dias, a rotina sufocante e automatizada da personagem-título, uma viúva cuja existência é consumida pelos afazeres domésticos. Nela, atividades pejorativamente consideradas banais como cozinhar, comer e limpar a casa ganham efeito dramático inédito no cinema narrativo moderno.

A REVOLTA DO AMOR

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Mais um trabalho seminal de um dos mais controversos (e incompreendidos) cineastas da Europa, o franco-polonês Andrzej Zulawski (“O Importante é Amar“, “Diabel“), falecido em 17 de fevereiro deste ano. Livremente inspirado em “O Idiota” (de Dostoiévski), o longa é um drama policial pós-moderno, com sua anárquica quadrilha de bandidos e um triângulo amoroso que transformou a bela Sophie Marceau em estrela na França.

GLOBO DE PRATA

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Um dos mais controversos (e incompreendidos) cineastas da Europa, Zulawski iniciou a única ficção-científica de sua carreira em 1976, concluindo “Globo de Prata” apenas em 1988. Com imagens fortes e cenas cheias de simbolismo, o filme traz elementos religiosos ao universo da sci-fi, mostrando um grupo de exploradores cósmicos que deixa a Terra para começar uma nova civilização em outro planeta.

A LENDA DO SANTO BEBERRÃO

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Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, o filme de Ermanno Olmi –cineasta premiado com a Palma de Ouro por “A Árvore dos Tamancos”– é uma lição de esperança ao narrar em tom de fábula singela os pequenos milagres vividos por um mendigo alcoólatra (Rutger Hauer, de “Blade Runner”) que recebe de um senhor desconhecido uma grande quantia em dinheiro, sob a condição de devovler tudo na semana seguinte.

UM AMOR TÃO FRÁGIL

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Vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Cannes em 1977, este sensível drama romântico, dirigido por Claude Goretta, transformou Isabelle Huppert em estrela na França. Ela interpreta Béatrice, tímida funcionária de um salão de beleza que, em uma viagem à Normandia, conhece François, um estudante da Sorbonne por quem se apaixona. Uma das performances icônicas da atriz francesa, cotada para uma indicação ao Globo de Ouro por “Elle”.

SEM TETO SEM LEI

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Um dos grandes filmes de Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7”), narrando a trajetória cheia de percalços de uma andarilha (vivida por Sandrine Bonnaire) por meio das diferentes pessoas que cruzam o seu caminho. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza e do César de melhor atriz. Confira também em promoção na 2001 “As Duas Faces da Felicidade” (1965), uma pequena (e solar) obra-prima da cineasta.

UM OLHAR A CADA DIA

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Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, este road movie acompanha um cineasta (Harvey Keitel) que empreende longa viagem em busca de antigos rolos de filmes, levando-o a descobrir um mundo dividido por guerras e ideologias. Direção do grego Theo Angelopoulos (1935–2012) – de “A Viagem dos Comediantes”, também em promoção.

INTIMIDADE

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Bem antes de conquistar o Oscar de melhor ator coadjuvante por “Ponte dos Espiões” em fevereiro, o inglês mark Rylance protagonizou este drama visceral de Patrice Chéreau (“A Rainha Margot”) baseado em contos de Hanif Kureishi, autor de “Minha Adorável Lavandeira”. O filme radiografa a relação carnal e silenciosa de um casal de estranhos, de forma crua — notadamente em inúmeras cenas de sexo. Urso de Ouro no Festival de Berlim.

O FUNDO DO CORAÇÃO

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Em Las Vegas, Hank e Frannie decidem que seu casamento chegou ao fim e se separam. Projeto pessoal de Francis Ford Coppola, que transformou uma história simples — a separação de um casal e sua busca por novos parceiros — em um exuberante musical, cujo visual estilizado impressiona até hoje. Além da bela fotografia do mestre Vittorio Storaro (“Café Society”), destaque também para a trilha jazzística (indicada ao Oscar) composta por Tom Waits.

OS IMORAIS

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Martin Scorsese produz esta adaptação do livro homônimo de Jim Thompson, sobre um triângulo incestuoso entre um golpista barato, sua mãe bookmaker de apostas e uma ambiciosa femme fatale. Quatro indicações ao Oscar: melhor diretor (Stephen Frears), roteiro adaptado, atriz (Anjelica Huston) e atriz coadjuvante (Annette Bening). E vencedor do Independent Spirit Awards de melhor filme e atriz.

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CHANTAL ACKERMAN, DE CÁ

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No documentário dirigido por Gustavo Beck, o jornalista Leonardo Luiz Ferreira conduz entrevista com a realizadora belga, na qual ela reflete sobre o cinema, a vida e sua obra. A ideia de realizar o filme surgiu da admiração dos dois brasileiros pelo trabalho da cineasta, que esteve por aqui para participar de mostra sobre sua carreira, no Centro Cultural Banco do Brasil em 2009.

SUBMARINO

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Drama familiar dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterberg, antes do sucesso de “A Caça”, sobre dois irmãos que tentam reconstruir suas vidas após uma tragédia na infância. Na trama, Nick (Jakob Cedergren) deixa a prisão após cumprir pena e passa a morar num abrigo. Um dia ele recebe a notícia de que sua mãe morreu e, no funeral, reencontra o irmão que não via há anos. Exibido no Festival de Berlim em 2010.

PLANETA SOLITÁRIO

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Longa independente estrelado por Gael García Bernal em torno de um jovem casal viajando pelas montanhas do Cáucaso, na Geórgia. Um gesto desesperado do protagonista vai colocar à prova o papel do homem no relacionamento. Drama intimista vencedor do Grande Prêmio do Júri do American Film Institute, e indicado ao Independent Spirit Awards de melhor direção (Julia Loktev). Exibido nos festivais de Istambul, Locarno e Sarasota.

AZUL PROFUNDO

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Raro filme grego a estrear comercialmente no Brasil (no caso, em 2012), o longa de Aris Bafaloukas mistura drama, romance e suspense para narrar a história de Dmitris, um nadador profissional que dedica a vida aos treinos e namora Elsa, ativista ambiental que desaparece misteriosamente. Em belas imagens aquáticas, “Apnéia” (título original do filme) aborda o conflito de um atleta dividido entre suas ambições no esporte e seu envolvimento afetivo.

BRANCO COMO A NEVE

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Premiada no Moscow International Film Festival em 2011, esta produção turca mostra a perda da inocência em um meio inóspito. Nas montanhas da Turquia, Hasan, de nove anos, cuida de seus dois irmãos mais novos, enquanto sua mãe trabalha numa cidade distante. Com seu pai preso, ele precisa ajudar na renda da família e e logo irá passar por uma grande provação.

CAMINHO PARA O NADA

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Realizador do road movie “Corrida Sem Fim” (incluído na coleção “O Cinema da Nova Hollywood“), Monte Hellman voltou à direção de longa, depois de 21 anos, com o metalinguístico “Caminho para o Nada“, premiado no Festival de Veneza. Na trama, um jovem cineasta começa a rodar seu novo filme e conhece a atriz perfeita (Shannyn Sossamon). A partir daí, desenrola-se uma trama de suspense envolvendo a vida real do realizador e a mulher misteriosa.

HOTEL ATLÂNTICO

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Um ator desempregado (Júlio Andrade, em cartaz nos cinemas com “Maresia” e “Elis”) parte de cidade a cidade, sem bagagem ou planos, em direção ao interior do país. Durante sua jornada, se depara com situações absurdas, contraditórias e inesperadas. Sensorial e inesperado, este é o terceiro longa-metragem da cineasta Suzana Amaral (“A Hora da Estrela”, “Uma Vida em Segredo”), uma adaptação do romance homônimo de João Gilberto Noll.

O CÉU SOBRE OS OMBROS

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A dualidade entre o real e o ficcional marca este interessante longa de Sérgio Borges premiado no Festival de Brasília em 2010. O cineasta se apropria de personagens reais para interferir em seu cotidiano e explorar novas possibilidades dramáticas, criando situações deliberadamente encenadas.

ELEVADO 3.5

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Um filme sobre o mundo de pessoas que se cruzam ao longo dos 3.5 km do Minhocão, via expressa construída na região central de São Paulo, durante a ditadura militar. Do nível da rua ao último andar, o espectador é conduzido por diferentes pontos de vista, mergulhando nas histórias dos personagens que ali vivem e/ou trabalham. Prêmio ‘Janela para o Contemporâneo’ de melhor documentário no Festival É TUDO VERDADE.

HERMANO

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Premiado como melhor filme de estreia no Havana Film Festival, “Hermano”, dirigido por Marcel Rasquin, acompanha a dura realidade de dois irmãos que encontram no futebol a única chance de melhorar de vida. Os dois jogam juntos no La Ceniza, time de uma favela venezuelana onde moram. Pré-candidato da Venezuela na disputa por uma das vagas do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011.

OSLO, 31 DE AGOSTO

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Livremente inspirado no romance francês “Le feu follet” de Pierr Drieu La Rochelle, levado às telas antes em “Trinta Anos Esta Noite”, o filme consagrou mundialmente o dinamarquês Joachim Trier, diretor do recente “Mais Forte que Bombas”. “Oslo” segue Anders, jovem em tratamento para desintoxicação, no dia em que é liberado para uma entrevista de emprego na capital norueguesa. Exibido no Festival de Cannes.

OLIVER SHERMAN

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Estudo de personagem, este drama canadense apresenta Sherman (Garret Dillahunt), um militar solitário e desconectado do mundo. Ele procura pelo soldado que salvou sua vida durante a guerra, Franklin (Donal Logue, da série “Gotham”), e encontra-o vivendo numa pacata cidade rural, casado com Irene (a ótima Molly Parker, de “House of Cards”), com dois filhos e com um emprego seguro. Exibido no Festival Internacional Lume de Cinema.

ESTOQUES LIMITADOS

AGNÈS VARDA

Nascida em 1928, Agnès Varda é uma das maiores cineastas de todos os tempos. Um de seus melhores trabalhos, Sem Teto, Nem Lei (ou Sem Teto, Sem Lei), acaba de chegar em DVD na 2001

Senhora Nouvelle Vague

Com mais de 30 filmes no currículo, a viúva de Jacques Demy (Os Guarda-Chuvas do Amor) é considerada uma das maiores cineastas de todos os tempos. Nascida em 30 de maio de 1928, em Bruxelas (capital da Bélgica), ela transitou entre diferentes formatos (e gêneros) cinematográficos, sempre empregando a fotografia como base de pesquisa. Sua experiência de fotógrafa se fez notar em sua estreia na direção de cinema, La Pointe-Courte (1955), considerado por críticos e historiadores como Georges Sadoul “verdadeiramente o primeiro filme da Nouvelle Vague“. Seu longa seguinte, Cléo das 5 às 7, crônica de uma mulher esperando o resultado de uma biópsia, tornou-se um marco do movimento criado pelos ex-críticos da célebre revista francesa Cahiers du Cinéma. A cineasta realizaria mais uma obra-prima, As Duas Faces da Felicidade(1965), evocando a arte dos impressionistas, antes de exilar-se na Califórnia no final dos anos 1960, quando passou a registrar a efervescência cultural do período em vários documentários desenvolvidos a partir de imagens fixas como fotografias, pinturas ou grafite.

Arte conceitual do filme As Duas Faces da Felicidade (Le Bonheur)

Após uma série de trabalhos documentais, voltou em grande estilo à ficção com Sem Teto, Nem Lei, que lhe valeu o Leão de Ouro no Festival de Veneza em 1985.

Varda ao lado da protagonista de Sem teto, Nem Lei, a grande atriz francesa Sandrine Bonnaire

Semelhantes a diários ou cadernos de anotações, os filmes de Varda incorporam lirismo ao realismo, criando documentários tão interessantes quanto a ficção e longas ficcionais cujo naturalismo beira o real. Ao desafiar os códigos sociais burgueses com suas personagens iconoclastas, ela foi pioneira do cinema feminista, bem antes de Chantal Akerman (Jeanne Dielman) e Jane Campion (O Piano), propondo em sua obra uma reflexão sobre a subjetividade feminina. Sua sensibilidade e extrema curiosidade pela experiência humana permeiam cada fotograma de seus filmes.

Cartaz da retrospectiva realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil em 2006

Sem Teto, Nem Lei
(Sans toit ni loi, FRA, 1985, Cor, 105′)
Lume – Arte – 14 anos
De: Agnès Varda
Com: Sandrine Bonnaire, Setti Ramdane

O aclamado filme francês já está disponível para locação e venda na 2001

Sinopse: Uma jovem andarilha é encontrada morta de frio em uma vala. Sua história é contada por meio de depoimentos de pessoas que cruzaram o seu caminho.

 

Ao viver uma jovem sexualmente precoce em À Nos Amours (1983), dirigido por Maurice Pialat, Sandrine Bonnaire desconcertou o público, chamando a atenção da crítica dois anos depois com sua premiada interpretação da jovem andarilha Mona em Sem Teto, Nem Lei. A trajetória da personagem é narrada por aqueles que a encontraram em suas últimas semanas de vida. Como em A Grande Testemunha (1966), do mestre Robert Bresson, revela-se mais sobre quem interage com ela – seja ajudando-a, amando-a ou abusando dela – do que sobre esse espírito livre, mantido um mistério ainda maior ao longo da história. Agnès Varda dirigiu o filme após intensa pesquisa com vagabundos, rebeldes, drogados e mendigos, além de usar atores não-profissionais no elenco. Segundo ela, Mona “não é uma vítima. Não tem uma ideologia, quer apenas as pessoas longe do seu pé”.

Sandrine e sua inesquecível personagem Mona

LEÃO DE OURO
(MELHOR FILME)
FESTIVAL DE VENEZA

PRÊMIO FIPRESCI
FESTIVAL DE VENEZA

MELHOR ATRIZ
(SANDRINE BONNAIRE)
CÉSAR, FRANÇA

MAIS AGNÈS VARDA NA 2001:

Cléo das 5 às 7 (1962)

As Duas Faces da Felicidade (1965)

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: DOCUMENTÁRIOS

Confira a seguir as dicas da equipe 2001 Vídeo:

As Canções*
(Idem, BRA, 2011, Cor, 92′)
Direção: Eduardo Coutinho

03Exibido na última Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o documentário prossegue a linha de pesquisa de outros trabalhos de Eduardo Coutinho (diretor do seminal Cabra Marcado para Morrer, ainda inédito em DVD), especialmente Jogo de Cena, reunindo o depoimento de 18 pessoas selecionadas nas ruas do Rio de Janeiro. Em um set de filmagem, com cenário inteiramente negro, cada uma fala sobre uma canção que marcou sua vida, além de de, é claro, dar uma “palhinha” da música.

Nos extras do DVD, faixa comentada por João Moreira Salles, Coutinho e Eucanaã Ferraz.

* Prêmio de melhor documentário do júri oficial do Festival do Rio

A Luz do Tom
(Idem, BRA, 2013, Cor/P&B, 100′)
Direção: Nelson Pereira dos Santos

04Baseado no livro Antonio Carlos Jobim – o Homem Iluminado, A Luz do Tom apresenta um retrato afetivo do artista por meio de três pontos de vista: Helena Jobim, a irmã querida e parceira do primeiro piano; Thereza Hermanny (1ª esposa), companheira da juventude e testemunha do processo de criação do compositor desde a juventude até o sucesso internacional; e Ana Lontra Jobim (2ª esposa), fotógrafa da natureza, coautora dos ensaios poéticos do mestre Antônio Brasileiro e companheira em seus últimos anos.

Escrito por Miúcha Buarque de Holanda e Nelson Pereira dos Santos, o documentário complementa o filme A Música Segundo Tom Jobim, compondo um panorama sobre a vida e a obra do compositor e maestro morto em 1994. Nos extras, making of (13′).

 
As Praias de Agnès
(Les Plages d’Agnès, FRA, 2008, Cor/P&B, 110′)
Direção: Agnès Varda

05“Se você abrir uma pessoa, irá achar paisagens. Se me abrir, irá achar praias”. E é nas areias de uma que Agnês Varda dispõe espelhos que refletem o mar e também seu rosto – ponto de partida para uma viagem autobiográfica em que se alternam o registro documental e a ficção.

“É uma ideia engraçada, entrar em cena e filmar um autorretrato quando se tem quase 80 anos”, diz. Uma das maiores cineastas de todos os tempos, criadora de Cléo das 5 às 7, marco da Nouvelle Vague, e de obras-primas como As Duas Faces da Felicidade e Sem Teto, Sem Lei, Agnès mergulha nas suas memórias.

Ao regressar às praias que marcaram sua vida, coloca-se em cena entre trechos de seus filmes, imagens e reportagens que acompanham uma trajetória emocionante: os primeiros passos como fotógrafa de teatro, cineasta nos anos cinquenta, a vida com Jacques Demy (diretor de Os Guarda-Chuvas do Amor), a sua militância feminista, as viagens a Cuba, à China e aos EUA, o percurso como produtora independente, e a família.

A bela edição em DVD da Bretz  Filmes, em conjunto com o instituto Moreira Salles, inclui um livreto  de 30 páginas com o ensaio "Autoficções e Cinema - Varda e a Tecnologia Transformadora do Eu em Les Plages D'Agnès", de Claire Boyle

A bela edição em DVD da Bretz Filmes, em conjunto com o instituto Moreira Salles, inclui livreto de 30 páginas com o ensaio “Autoficções e Cinema – Varda e a Tecnologia Transformadora do Eu em Les Plages D’Agnès”, escrito por Claire Boyle

Liv e Ingmar – Uma História de Amor
(Liv & Ingmar, ING/IND/NOR, 2012, Cor, 89′)
Direção: Dheeraj Akolkar

02O documentário relembra a longa relação afetiva e artística entre a atriz Liv Ullmann e o cineasta Ingmar Bergman que, juntos, realizaram 12 filmes que marcaram a história do cinema. Narrado sob o ponto de vista de Liv, o filme é construído a partir de uma entrevista com a atriz e de imagens de arquivo, além de cartas pessoais de Ingmar para ela.

Entre as revelações, destaque para a declaração: “Eu costumava ser feliz, mas, depois de cinco anos fazendo os filmes de Ingmar, não tinha como continuar sendo”, desnuda-se a atriz imortalizada em clássicos como Persona, Cenas de um Casamento e Face a Face, que lhe valeu a segunda indicação ao Oscar de melhor atriz, em 1977.

China + Memórias de Xangai
(Chung Kuo – Cina/ Hai Chang Shuan Qi, CHI/ITA, 1972/2010, Cor, 322′)

08China (1972)
Direção: Michelangelo Antonioni
Narração: Giuseppe Rinaldi

Em 1972, o período mais forte da Revolução Cultural, o governo chinês convidou Michelangelo Antonioni (A Noite, Blow up) para realizar um documentário sobre a Nova China. Oito semanas com sua equipe de filmagem no país, o resultado foi um monumento de três horas de visitas às cidades e áreas rurais do país em um momento-chave do século 20. Só que o filme causou a fúria das autoridades chinesas, que o consideraram anti-chinês e contra-revolucionário. Proibido, o documentário finalmente viria a ser exibido no Instituto de Cinema de Beijing (Pequim) 30 anos depois.

Memórias de Xangai (2010)
Direção: Jia Zhang-Ke

Diretor de "Um Toque de Pecado", exibido na última Mostra de Cinema de São Paulo, Jia Zhang-Ke investiga o passado (e as contradições) da China em mais um belo trabalho - "Memórias de Xangai"

Diretor de “Um Toque de Pecado”, exibido na última Mostra de Cinema de São Paulo, Jia Zhang-Ke investiga o passado (e as contradições) da China em mais um belo trabalho – “Memórias de Xangai”, lançado com “China” (de Antonioni) no mesmo DVD

Xangai, uma metrópole que muda rapidamente. Uma cidade portuária em que as pessoas vão e vêm. A cidade abrigou todos os tipos de pessoas – revolucionários, capitalistas, políticos, soldados, artistas e gângsteres. Xangai também foi palco de revoluções, assassinatos e histórias de amor. Após a revolução Chinesa de 1949, milhares de moradores saíram para Hong Kong e Taiwan. Sair significou estar longe de casa por 30 anos; ficar significou sofrimento durante a Revolução Cultural e outros desastres políticos do país.

5 X Pacificação
(Idem, BRA, 2013, Cor, 83′)
Direção: Cadu Barcelos, Luciano Vidigal, Rodrigo Felha, Wagner Novais

09Implantadas em algumas comunidades da cidade do Rio de Janeiro, as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) foram criadas para retomar o espaço ocupado por bandidos nos morros cariocas. Os produtores Cacá Diegues e Renata de Almeida abraçaram o projeto de 5 X Favela – Agora por Nós Mesmos e agora repetem a experiência em 5 episódios que examinam as UPPs de dentro, do ponto de vista dos moradores das favelas.

Em Morro, os habitantes de comunidades que já possuem UPPs instaladas entram em confronto com pessoas que vivem em comunidades ainda não atendidas por elas. Já em Polícia é abordada a preparação de novos policiais para que possam trabalhar nas UPPs e prestar apoio à população local.

 
Em Bandidos, vários ex-traficantes contam suas histórias e a tentativa de reintegração à sociedade, a partir de um programa de empregabilidade realizado pela sociedade civil. Asfalto apresenta a opinião de vizinhos de comunidades pacificadas, analisando também as consequências da implementação das UPPs para o Rio de Janeiro como um todo. E, por sua vez, Complexo aborda o processo da invasão do Complexo do Alemão, realizado pelo BOPE e pela polícia em 2010.

Elevado 3.5*
(Idem, BRA, 2007, Cor, 75′)
Direção: João Sodré, Maíra Bühler, Paulo Pastorelo

012Um filme sobre o mundo de pessoas que se cruzam ao longo dos 3.5 km do Minhocão, via expressa construída na região central de São Paulo, durante a ditadura militar. Do nível da rua ao último andar, o espectador é conduzido por diferentes pontos de vista. Por cima e por baixo da via, à sombra ou nos fios de luz que desenham uma cidade recortada, Elevado 3.5 mergulha nas histórias dos personagens que ali vivem e/ou trabalham.

O elevado provoca e converge os olhares: de janela para janela, do segundo andar para a via expressa, do carro para dentro do apartamento, do ônibus para o comércio, do comerciante para o transeunte, da cobertura para a paisagem.

* Prêmio ‘Janela para o Contemporâneo’ de melhor documentário no Festival É TUDO VERDADE. Prêmio Embaixada da França.

"Elevado 3.5" discute a relação de São Paulo com o famoso Minhocão por meio de seus moradores

“Elevado 3.5” discute a relação de São Paulo com o famoso Minhocão por meio de depoimentos de seus moradores

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: O FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS EM DVD NA 2001

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REALIZADO NO BRASIL DESDE 2010, O FESTIVAL CELEBRA O MELHOR DA CINEMATOGRAFIA FRANCESA E CHEGA À SUA QUARTA EDIÇÃO EM MAIS DE 40 CIDADES BRASILEIRAS. CONFIRA A SEGUIR OS TÍTULOS QUE PASSARAM NO ANO DE 2011 JÁ DISPONÍVEIS EM DVD NA 2001. NA PRÓXIMA SEMANA, DESTACAREMOS OS FILMES DE 2012. 

VIVE LE CINÉMA FRANÇAIS!

Os Nomes do Amor*
(Le Nom des Gens, FRA, 2011, Cor, 98′)
Direção: Michel Leclerc
Elenco: Sara Forestier, Jacques Gamblin

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O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy e outros políticos de seu governo são o principal alvo desta inusitada comédia romântica.

De origem árabe, Baya (Sara Forestier, nua em inúmeras cenas) é uma amalucada ativista de esquerda que não hesita em transar com reacionários e homens de direita. Durante breves relacionamentos, ela muda a maneira de cada um pensar e fazer política, abordando com humor temas importantes para se entender a Europa hoje. “Faça amor, não faça guerra”, resume a personagem.

* César de melhor atriz (Sara Forestier) e roteiro original

Potiche – Esposa Troféu
(Potiche, FRA, 2010, Cor, 102′)
Direção: François Ozon
Elenco: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Jérémie Renier

François Ozon (O Amor em 5 Tempos, O Refúgio) transpõe mais uma peça teatral para o cinema após seu 8 Mulheres: Potiche, farsa sobre as mudanças comportamentais dos últimos 30 anos, encenada pela primeira vez em Paris no anos 1980.

Ambientado em 1977, Potiche – Esposa Troféu atualiza a peça, transformando sua protagonista em um símbolo feminista relevante ainda hoje. Visualmente estilizado, com atuações teatrais e ritmo moderno, o filme critica de forma bem humorada o machismo não só no âmbito profissional, mas também no pessoal, e oferece a Catherine Deneuve seu melhor papel em anos. Mais uma vez atuando ao lado de Gérard Depardieu, a eterna “Bela da Tarde” dança e ainda relembra os tempos de Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) e Duas Garotas Românticas (1967), cantando no final.

Copacabana
(Idem, FRA/BEL, 2010, Cor, 107′)
Direção: Marc Fitoussi
Elenco: Isabelle Huppert, Aure Atika and Lolita Chammah, Jurgen Delnaet

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Intérprete de mulheres fortes no cinema, Isabelle Huppert muda um pouco de registro em Copacabana, exibindo vulnerabilidade tocante no papel de Babou, uma esfuziante mãe solteira à procura de emprego. Expansiva e de espírito livre, a personagem tem dificuldade para se entender com a filha de personalidade diametralmente oposta. Introspectiva e preocupada com a aprovação dos outros, ela tem vergonha da mãe. Ao saber pela filha que não foi convidada para o casamento dela, Babou decide provar que pode se estabilizar profissionalmente e comprar um bom presente de casamento.

A heroína de Isabelle não perde a esperança, nem o sonho de conhecer o Rio de Janeiro. Apaixonada pela cultura e, em especial, a música brasileira, Babou vai lutar contra todas as adversidades, sem deixar de ser quem é ou o que acredita. Ao som de Jorge Ben, Astrud Gilberto, Marcos Valle e até de nosso querido Tom Zé.

Isabelle como Babou: se arrumar um emprego digno na Europa hoje é tarefa difícil, imagine sendo uma mulher de mais de cinquenta anos e com quase nenhuma experiência profissional... Esse é o desafio da personagem, que não esmorece em busca de uma oportunidade

Isabelle como Babou: se hoje arrumar um emprego decente na Europa é tarefa difícil, imagine sendo uma mulher de mais de cinquenta anos e com quase nenhuma experiência profissional… Esse é o desafio da personagem, que não esmorece em busca de uma oportunidade – e dignidade.

Uma Doce Mentira
(De Vrais Mensonges, FRA, 2010, Cor, 105′)
Direção: Pierre Salvadori
Elenco: Audrey Tautou, Nathalie Baye, Sami Bouajila

Levada ao estrelato por O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001), Audrey Tautou interpreta mais uma de suas heroínas românticas nessa comédia de erros centrada na relação entre mãe e filha. As tentativas da personagem de Tautou para aplacar a tristeza da mãe iniciam uma série de mal entendidos que irão unir as duas em um sutil triângulo amoroso.

Dona de um salão de cabeleireiro, ela recebe uma carta de amor anônima. Sua primeira reação é jogá-la no lixo, mas ela decide encaminhá-la para a mãe, Maddy (Nathalie Baye, intérprete da mãe do protagonista de Laurence Anyways), deprimida desde a partida do ex-marido.

Um Gato em Paris
(Une Vie de Chat, FRA/HOL/SUI/BEL, 2010, Cor, 70′)
Direção: Jean-Loup Felicioli, Alain Gagnol
Vozes: Dominique Blanc, Bernadette Lafont, Bruno Salomone

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Indicado ao Oscar de melhor animação, o desenho de traço minimalista acompanha as aventuras de um gato envolvido com um criminoso em Paris, com a desestruturação de uma família como pano de fundo. Após perder o pai, assassinado, uma garotinha surda-muda precisa recomeçar a vida ao lado da mãe, também traumatizada pela perda.

O trabalho de Saul Bass (criador dos créditos dos filmes de Alfred Hitchcock ), o jazz e a pintura cubista são algumas das referências do desenho, tematicamente mais simples que "O Gato do Rabino" e, portanto, indicado também para o público infanto-juvenil

O trabalho de Saul Bass (criador dos créditos dos filmes de Alfred Hitchcock ), o jazz e a pintura cubista são algumas das referências do desenho, também indicado para o público infanto-juvenil

Vênus Negra
(Vénus Noire, FRA/BEL, 2010, Cor, 165′)
Direção: Abdellatif Kechiche
Elenco: Yahima Torres, Andre Jacobs, Olivier Gourmet

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Depois de conquistar o César de melhor filme e direção, além de diversos prêmios internacionais, por O Segredo do Grão (2007), o cineasta francês de origem tunisiana Abdellatif Kechiche volta a abordar as dificuldades encontradas por imigrantes em outro país. Desta vez, de maneira muito mais trágica, refletindo sobre a exploração sofrida por povos colonizados no início do século XIX a partir da trajetória de Saartjie Baartman, sul-africana que muda para Londres em 1810, e depois para Paris. Embora não seja apresentada apenas como vítima, ela é usada como atração circense, prostituída e, finalmente, dissecada por cientistas.

Baseado em fatos reais, Vênus Negra é uma trajetória tortuosa, mas necessária para se entender o racismo sob diferente perspectiva histórica.

DO MESMO DIRETOR:
O Segredo do Grão (2007)

Sem Teto, Sem Lei
(Sans toit ni loi, FRA, 1985, Cor, 105′)
Direção: Agnès Varda
Elenco: Sandrine Bonnaire, Setti Ramdane

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Ao viver uma jovem sexualente precoce em À Nos Amours (1983), dirigido por Maurice Pialat, Sandrine Bonnaire desconcertou o público, chamando a atenção da crítica dois anos depois com sua premiada interpretação da jovem andarilha Mona em Sem Teto, Sem Lei.

A trajetória da personagem é narrada por aqueles que a encontraram em suas últimas semanas de vida. Como em A Grande Testemunha (1966), do mestre Robert Bresson, revela-se mais sobre quem interage com ela – seja ajudando-a, amando-a ou abusando dela – do que sobre esse espírito livre, mantido um mistério ainda maior ao longo da história. Agnès Varda dirigiu o filme após intensa pesquisa com vagabundos, rebeldes, drogados e mendigos, além de usar atores não-profissionais no elenco. Segundo ela, Mona “não é uma vítima. Não tem uma ideologia, quer apenas as pessoas longe do seu pé”.

LEÃO DE OURO
(MELHOR FILME)
FESTIVAL DE VENEZA

PRÊMIO FIPRESCI
FESTIVAL DE VENEZA

MELHOR ATRIZ
(SANDRINE BONNAIRE)
CÉSAR, FRANÇA