Alfred Hitchcock

FESTIVAL DE CLÁSSICOS E CULTS NA 2001 – PARTE 1

MODESTY BLAISE

Um dos maiores exemplos da pop art no cinema, o filme – uma adaptação dos cultuados quadrinhos de Peter O’Donnell – reúne Monica Vitti, Terence Stamp e Dirk Bogarde em plena Swinging London na satírica trama de espionagem dirigida por Joseph Losey (de “O Criado”). Este clássico sessentista concorreu à Palma de Ouro em Cannes.

KES

Clássico do cinema inglês que tornou conhecido Ken Loach, diretor do aclamado “Eu, Daniel Blake“, “Kes” é mais um exemplo de suas preocupações sociais, mostrando a dura rotina do jovem Billy, morador de um bairro pobre na Inglaterra. Ridicularizado na escola, ele consegue escapar da falta de humanidade à sua volta treinando um falcão.

VALERIE E A SEMANA DAS MARAVILHAS

Raridade do cinema tcheco repleta de imagens surrealistas e simbolismos para representar o despertar sexual de Valerie, uma adolescente de 14 anos que experimenta sua primeira menstruação, novos amores e até o vampirismo. Dirigido e escrito por Jaromil Jires (1935-2001), a partir do romance de Vítezslav Nezval.

O CASTELO DE VIDRO (1950)

Adaptação do romance de Vicky Baum dirigida por René Clément (“O Sol por Testemunha“). Michèle Morgan interpreta Evelyne, mulher casada que se apaixona por Rémy (Jean Marais), um libertino parisiense de caráter mundano. Também conhecido como “Rendezvous em Paris”, o filme é uma obra pouco conhecida do grande cineasta francês.

PACTO SINISTRO

Escrito por Raymond Chandler, este clássico de Alfred Hitchcock é baseado no romance de Patricia Highsmith, autora de “O Talentoso Ripley”. Indicado ao Oscar de melhor fotografia (em p&b), o filme marcou época com a famosa “troca de favores” (leia-se assassinatos) proposta pelo psicótico Bruno a um tenista famoso.

O CÃO DOS BASKERVILLES

Produção da inglesa Hammer Films dirigida por Terence Fisher (“Drácula – O Príncipe das Trevas“), um de seus melhores diretores, e estrelada por Peter Cushing (no papel de Sherlock Holmes) e Christopher Lee (como Sir Henry Baskerville). Adaptado da obra de Sir Arthur Conan Doyle.

ARABESQUE

Diretor do clássico “Cantando na Chuva” (1952), Stanley Donen retorna ao thriller de espionagem, depois do sucesso de “Charada” (1963). Em “Arabesque“, Gregory Peck vive um professor americano infiltrado numa intrincada trama internacional entre Inglaterra e Oriente Médio. Sophia Loren e Alan Badel completam o elenco.

RAPSÓDIA

A bela Louise Durant (Elizabeth Taylor) entrega-se de corpo e alma ao violinista Paul Bronte (Vittorio Gassman). O casal muda-se para Zurique, onde ele passa a dedicar-se mais à música do que a ela. Sentindo-se ignorada, Louise conhece James Guest (John Ericson). Clássico romântico do mesmo diretor de “Gilda” (1946), Charles Vidor.

CREPÚSCULO DE UMA RAÇA

Um dos trabalhos mais subestimados de John Ford, o western conta com grande elenco: Richard Widmark, Carroll Baker, Karl Malden, Arthur Kennedy e James Stewart. Indicado ao Oscar de melhor fotografia (em cores), o longa acompanha a jornada de um grupo de índios Cheyenne de volta ao seu assentamento de origem, no Wyoming.

WEST SIDE WESTERN COLLECTION – VOL.3

Em ADIOS GRINGO (1965), Giuliano Gemma é um fazendeiro que é enganado por um amigo mau caráter que lhe vendeu gado roubado. E, escrito por Dario Argento e Tonino Cervi, MATO HOJE MORRO AMANHÃ (1968) traz Bud Spencer como um dos homens contratados para vingar a esposa assassinada do protagonista, Bill. DVD com dois Spaghetti Western.

MAIS UMA PERDA NO CINEMA: JOAN FONTAINE (1917-2013), VENCEDORA DO OSCAR DE MELHOR ATRIZ POR “SUSPEITA”

PREMIADA COM O OSCAR POR SUSPEITA (1941), DE ALFRED HITCHCOCK, JOAN FONTAINE FALECEU DE CAUSAS NATURAIS EM SUA RESIDÊNCIA NA CALIFÓRNIA, AOS 96 ANOS.

IRMÃ DE OLIVIA DE HAVILLAND, COM QUEM MANTINHA UMA RELAÇÃO CONTURBADA, TAMBÉM ESTRELOU CLÁSSICOS COMO REBECCA (1940), CARTA DE UMA DESCONHECIDA (1948) E SUPLÍCIO DE UMA ALMA (1956).

Filha de um casal britânico, Joan de Beauvoir de Havilland nasceu em 22 de outubro de 1917, em Tóquio, cidade na qual seu pai trabalhava como advogado de patentes. A família mudou-se para a Calífórnia e sua irmã, Olivia de Havilland, foi a primeira a ingressar no meio artístico. Joan seguiu os passos dela e conseguiu seu primeiro na MGM, em No More Ladies (1935), sob o nome Joan Burfield.

Para evitar que a confundissem com a irmã Olivia de Havilland, Joan mudou o sobrenome para Fontaine e logo depois assinou contrato com a RKO, atuando em As Mulheres e Gunga Din, ambos lançados em 1939.

Joan Fontaine ao lado de Laurence Olivier em "Rebecca, a Mulher Inesquecível", clássico que marca a estreia de Alfred Hitchcock em Hollywood. Foi difícil para Joan lidar com o astro inglês, que queria a então esposa Vivien Leigh para o papel principal

Joan Fontaine ao lado de Laurence Olivier em “Rebecca, a Mulher Inesquecível”, clássico que marca a estreia de Alfred Hitchcock em Hollywood. Foi difícil para a atriz lidar com o astro inglês, que queria a então esposa Vivien Leigh para o papel principal

Com sua predileção por “loiras geladas”, Hitchcock deu à atriz o papel da segunda esposa de Maxim de Winter (Laurence Olivier) em Rebecca, A Mulher Inesquecível (1940). Baseado no romance de Daphne Du Maurier, o longa foi um enorme sucesso de público e crítica, tornando-se o único trabalho de Hitchcock a receber o Oscar de melhor filme, além de valer a Joan sua primeira indicação ao prêmio.

Em Suspeita (1941), sua segunda parceria com o mestre do suspense, ela encarna Lina, rica herdeira que desconfia que o marido está tentando matá-la. O papel lhe valeu o Oscar de melhor atriz em 1942, mesmo ano em que concorreu com a irmã Olivia. Para muitos, a causa da grande rivalidade perpetuada entre as irmãs desde então.

Hitchcock dirige Joan Fontaine e Cary Grant em "Suspeita", único filme do cineasta com uma atuação premiada com o Oscar

Hitchcock dirige Joan Fontaine e Cary Grant em “Suspeita”, único filme do cineasta com uma atuação premiada com o Oscar

Joan receberia uma terceira indicação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas em 1944, pelo melodrama De Amor Também Se Morre. Durante a década de 1940, a atriz atuou em clássicos marcados pelo romantismo: Jane Eyre (1943), com Orson Welles, Esse Encanto Irresistível (1946), Carta de uma Desconhecida (1948), obra-prima de Max Ophüls, e o musical A Valsa do Imperador (1948), ao lado de Bing Crosby. 

Além dos dois clássicos de Hitchcock, Joan Fontaine vai ser lembrada também por uma das mais comoventes histórias de amor do cinema, "Carta de uma Desconhecida", do mestre Max Ophüls

Além dos dois clássicos de Hitchcock, Joan Fontaine vai ser lembrada também por uma das mais comoventes histórias de amor da história do cinema, “Carta de uma Desconhecida”, do mestre Max Ophüls

Na década seguinte, mostrou que podia ser má e calculista no noir Alma Sem Pudor (de Nicholas Ray), interesse amoroso de Ivanhoé, o Vingador do Rei, e estrela da Broadway contracenando com Anthony Perkins em Chá e Simpatia, peça posteriormente adaptada para o cinema (sem ela).

No final dos anos 1950, foram diminuindo os papéis na telona e Joan passou a participar esporadicamente de produções para TV. Até porque mantinha uma vida pessoal tão ou mais agitada que as suas personagens no cinema. Conhecida por papéis delicados e sensíveis, a atriz conciliou a carreira com outras áreas de atuação, trabalhando como decoradora de interiores, chefe de cozinha e sócia (ao lado do 2º marido) da produtora Rampart Productions.

Casada quatro vezes, Joan publicou em 1978 a autobiografia No Bed of Roses, e em 1994, anunciou sua aposentadoria. Ela deixa uma filha, Debbie Dozier.

JOAN FONTAINE EM DVD NA 2001:
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As Mulheres (1939)
Gunga Din (1939)
Rebecca – A Mulher Inesquecivel (1940)
Suspeita (1941)
Jane Eyre (1944)
A Valsa do Imperador (1948)
Carta de Uma Desconhecida (1948)
Alma sem Pudor (1950)
Ivanhoé – O Vingador do Rei (1952)
Serenata (1956)
Suplício de uma Alma (1956)
Viagem ao Fundo do Mar (1961)
Suave é a Noite (1962)

“BATES MOTEL”: O SURGIMENTO DA “PSICOSE” DE NORMAN BATES ANTES DO CLÁSSICO DE HITCHCOCK

Bates Motel – 1ª Temporada
(Idem, EUA, 2013, Cor, 435′)
Universal – Séries de TV – Verifique a classificação indicativa
Elenco: Vera Farmiga, Freddie Highmore, Max Thieriot, Olivia Cooke, Nicola Peltz, Nestor Carbonell, Mike Vogel

Sinopse: Após encontrar o pai morto, o adolescente Norman Bates acompanha sua mãe Norma rumo a White Pine Bay. Disposta a recomeçar uma nova vida ao lado do filho, Norma adquire um antigo motel, mas com o passar do tempo descobre a faceta perigosa de alguns moradores da cidade. Ao mesmo tempo, Norman dá sinais de desequilíbrio, em meio a superproteção da mãe.

Extras: Cenas inéditas que não entraram na edição final


Criada por Carlton Cuse (Lost), Kerry Ehrin (Friday Night Lights) e Anthony Cipriano, Bates Motel se insere no atual filão de produções de suspense/horror da TV americana (American Horror History, Hannibal, The Following), mas consegue evitar algumas das armadilhas do gênero – como a exploração sensacionalista da violência – ao enfatizar a construção dos personagens em detrimento de eventuais investigações ou mistérios da trama. Ênfase possível sobretudo nas narrativas seriadas da TV, como atesta Jason Mittel no artigo Complexidade Narrativa na Televisão Americana: “…o aprofundamento na caracterização dos personagens, a continuidade do enredo e as variações a cada episódio não são possíveis num filme de duas horas de duração”.

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Além disso, a cadeia linear de causa e efeito é determinada pela estrutura interna da série, e também pela associação (ou diálogo metalinguístico) com Psicose. Sem tornar-se apenas uma derivação do longa-metragem de 1960, mas uma obra audiovisual atraente para gerações avessas à mitologia do filme e, ao mesmo tempo, ter ressonância junto aos cinéfilos e conhecedores do clássico de Hitchcock.

Ambientar a série nos dias atuais (Norman ouve música em um ipod), numa fictícia cidade do Oregon que parece ter parado no tempo, é um esforço nesse sentido, modernizando a trama sem, no entanto, desvinculá-la do passado. Direção de arte, figurinos, e até os modos dos habitantes da cidadezinha emulam o conservadorismo dos anos 1950 e 60, trazendo um anacronismo que confere ainda mais estranhamento à série.

Interpretado com sensibilidade e physique du role pelo protagonista-mirim de A Fantástica Fábrica de Chocolates, é tanto o herói trágico quanto o vilão da série. Sufocado pela mãe, que idolatra, ele é um adolescente de 17 anos diferente dos estereótipos de sua idade.

Interpretado com sensibilidade e physique du role por Freddie Highmore, o protagonista-mirim de “A Fantástica Fábrica de Chocolates”, NORMAN BATES é tanto o herói trágico quanto o vilão da série. Sufocado pela mãe, que idolatra, ele é um adolescente de 17 anos diferente dos estereótipos de sua idade.

Após a trágica morte de seu marido, Norma (Vera Farmiga, eletrizante) muda-se com o filho Norman Bates (Freddie Highmore) para a pequena cidade de White Pines Bay. Com o dinheiro do seguro do falecido, ela adquiriu um motel na região, mas seus planos não saem como previsto.

O nome do motel que dá título à série é a primeira das muitas alusões a Psicose. O casarão gótico e o motel térreo continuam, e fiapos de informação do filme servem de gancho para a trama seriada. No longa de 1960, Norman (Anthony Perkins) explica a Marion Crane (Janet Leigh) porque ninguém mais para ali. Na série, Norma descobre que foi enganada pela imobiliária, pois uma estrada irá desviar o fluxo de pessoas para longe dali. Mas é o longo diálogo expositivo entre Norman/Perkins e Marion/Janet que expõe alguns dos motifs (motivações) do protagonista de Bates Motel: “Bem, o melhor amigo de um homem é sua mãe”, afirma orgulhoso.

Uma criação original da série, baseada em características sugeridas por Norman no clássico, já que não existe – é apenas personificada pelo filho. Em um momento, amável e carinhosa, no outro, manipuladora e possessiva, essa mãe superprotetora é a personagem mais imprevisível da trama.

Uma criação original da série, NORMA BATES é baseada em características sugeridas por Norman, já que não existe – é apenas personificada pelo filho no clássico de Alfred Hitchcock. Em um momento, amável e carinhosa, no outro, manipuladora e possessiva, essa mãe super protetora é a personagem mais imprevisível da trama.

CONFIRA TAMBÉM NA 2001:

06Psicose (Blu-ray)
(Psycho, EUA, 1960, P&B, 109′)
Direção: Alfred Hitchcock
Elenco: Anthony Perkins, Vera Miles, John Gavin, Janet Leigh, Martin Balsam

Agora em alta definição, o eterno clássico de Alfred Hitchcock sai numa primorosa edição com luva, pôster, card e inúmeros extras: bastidores, O Legado de Hitchcock, Hitchcock/Truffaut, cinejornal – A Estreia de Psycho, Cena do Chuveiro – Com e sem Música, pôsteres e anúncios, comentários de Stephen Rebello (autor de Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose), e muito mais.

“HITCHCOCK”: OS BASTIDORES DA OBRA-PRIMA DO MESTRE DO SUSPENSE

Indicado ao Oscar de melhor maquiagem, "Hitchcock" desmembra não só os bastidores de "Psicose" mas também lança uma luz no relacionamento pessoal e profissioanl do mestre do suspense (vivido por Anthony Hopkins) com sua esposa e parceira, Alma Reville (Helen Mirren)

Indicado ao Oscar de melhor maquiagem, “Hitchcock” desmembra não só os bastidores de “Psicose” mas também lança uma luz no relacionamento pessoal e profissioanl do mestre do suspense (vivido por Anthony Hopkins) com sua esposa e parceira, Alma Reville (Helen Mirren)

Hitchcock
(Idem, EUA, 2012, Cor, 98′)
Fox – Drama – 12 anos
Direção: Sacha Gervasi
Elenco: Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Danny Huston, Toni Collette, Michael Stuhlbarg

Sinopse: Logo após o incrível sucesso de Intriga Internacional, Alfred Hitchcock decide filmar Psicose, projeto considerado ofensivo pela Paramount. Com apoio de sua esposa, Alma Reville, o mestre do suspense consegue terminar o filme que se tornaria o maior sucesso comercial de sua carreira.

 
Livremente baseado no livro-reportagem Alfred Hitchcock e os Bastidores de Psicose, escrito por Stephen Rebello, Hitchcock investiga um dos mais influentes longas de horror de todos os tempos, e um pouco da vida pessoal do mestre do suspense.

Logo no início da trama, o cineasta inglês (vivido por Anthony Hopkins) comparece, ao lado da esposa Alma Reville (Helen Mirren, indicada ao Globo de Ouro), à pré-estreia de Intriga Internacional, em 8 de julho de 1959. A aventura estrelada por Cary Grant é um estrondoso sucesso, tornando difícil a escolha de seu próximo projeto. Impressionado pela cobertura da mídia em torno do assassino em série Ed Gein, “Hitch” acaba lendo o romance inspirado no caso, Psicose, de Robert Bloch. Assim, não tem mais dúvidas sobre qual será seu próximo filme, apesar das reservas de todos, inclusive da Paramount, seu estúdio na época, que se recusa a financiar o que julga ser uma história bizarra e de mal gosto.

Talento britânico em dobro: Anthony Hopkins e Helen Mirren como Hitchcock e sua esposa, Alma Reville

Talento britânico em dobro: Anthony Hopkins e Helen Mirren (indicada ao Globo de Ouro) nos papéis de Hitchcock e sua esposa, Alma Reville

Apesar da resistência geral, Hitchcock decide bancar o filme com recursos próprios, colocando sua instabilidade financeira, sua reputação e até o próprio casamento em risco. Responsável por revisar o roteiro de Psicose, Alma é o braço direito do cineasta, ajudando também a escalar o elenco e outras decisões criativas.

Cansada de ficar à sombra do marido, Alma começa a colaborar no roteiro do escritor Whitfield Cook (Danny Huston), esboçando também um flerte que irá despertar ciúmes em Hitchcock.

Ator e biografado: transformação possível graças ao trabalho da equipe de maquiagem, indicada ao Oscar  2013

Ator e biografado: transformação possível graças ao trabalho da equipe de maquiagem, indicada ao Oscar 2013

Sob pesada maquiagem (indicada ao Oscar 2013), Hopkins transmite muito do humor ferino de seu biografado, assim como algumas de suas obsessões, como a fixação em suas divas loiras (Kim Novak, Grace Kelly, Vera Miles). O novo objeto de adoração do personagem é Janet Leigh (Scarlett Johansson, adorável), intérprete da protagonista assassinada na célebre cena do chuveiro.

Scarlett Johansson interpreta uma doce Janet Leigh, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo papel de Marion em "Psicose"

Scarlett Johansson dá vida a Janet Leigh, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo papel de Marion no clássico “Psicose”

Mais do que desmembrar os bastidores das gravações de Psicose, o filme de Sacha Gervasi (roteirista de O Terminal) revela alguns dos desafios de Hitchcock, como a batalha com a Paramount e a negociação com a MPAA em torno da censura e cortes no clássico de 1960.

Considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, Psicose foi também um teste para o casamento de Hitchcock, e mais uma prova da importância, só agora devidamente valorizada, de Alma Reville. Por trás de um cineasta genial, também há uma grande mulher.

Desde 2012 o cinema e a TV americana vivem um revival de Hitchcock. Além do filme com Anthony Hopkins, a HBO produziu o telefilme "The Girl" (sobre Tippi Hedren, de "Os Pássaros" e "Marnie") e em julho estreia no Brasil a série "Bates Motel", inspirada em "Psicose"

Desde 2012 o cinema e a TV americana vivem um revival de Hitchcock. Além do filme com Anthony Hopkins, a HBO produziu o telefilme “The Girl” (sobre Tippi Hedren, de “Os Pássaros” e “Marnie”) e em julho estreia no Brasil a série “Bates Motel”, inspirada em “Psicose”

A longa (e influente) carreira de Alfred Hitchcock (1899–1980) se divide em dois períodos distintos: a fase inglesa, que vai de 1922 a 1939, ano de A Estalagem Maldita, e, a partir do vencedor do Oscar de melhor filme Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940), como diretor contratado dos principais estúdios de Hollywood. Nos EUA, Hitchcock teve os melhores técnicos e atores à disposição, e pôde experimentar diferentes gêneros: filmes de espionagem (Interlúdio), histórias policiais (Festim Diabólico, Pavor nos Bastidores, Pacto Sinistro) e até comédias (Sr. e Sra Smith – Um Casal do Barulho, O Terceiro Tiro). A partir dos anos 1950, realizaria uma série de obras-primas, obrigatórias e presentes em inúmeras listas de melhores filmes de todos os tempos: Janela Indiscreta (1954), Um Corpo que Cai (1958), Intriga Internacional (1959), Psicose (1960) e Os Pássaros (1963).

Confira no acervo das lojas da 2001 Vídeo 45 títulos em DVD para locação do diretor que melhor soube explorar sua própria imagem e persona excêntrica para divulgação de seu trabalho – quem não se lembra das clássicas aparições surpresa de Hitchcock em seus filmes?

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ALFRED HITCHCOCK EM DVD OU BLU-RAY NA 2001 VÍDEO:

Trama Macabra (1976)

Frenesi (1972)

Topázio (1969)

Cortina Rasgada (1966)

Marnie, Confissões de uma Ladra (1964)

Os Pássaros (1963)

Tippi Hedren em pôster estilizado de “Os Pássaros”

Psicose (1960)
5ª e última indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu o prêmio pela segunda vez para Billy Wilder, por Se Meu Apartamento Falasse

Janet Leigh na inesquecível sequência do chuveiro de “Psicose”

Intriga Internacional (1959)

Um Corpo Que Cai (1958)

O Homem Errado (1956)

O Homem que Sabia Demais (1956)

O Terceiro Tiro (1955)

Ladrão de Casaca (1955)

Janela Indiscreta (1954)
4ª indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu para Elia Kazan, por Sindicato de Ladrões

James Stewart e Grace Kelly no muito copiado “Janela Indiscreta”

Disque M para Matar (1954)

A Tortura do Silêncio (1953)

Pacto Sinistro (1951)

Pavor nos Bastidores (1950)

Sob o Signo de Capricórnio
(1949)

Festim Diabólico (1948)

Agonia de Amor (1947)

Interlúdio (1946)

Quando Fala o Coração (1945)
3ª indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu para Billy Wilder, por Farrapo Humano

Cena da clássica sequência de sonho criada por Salvador Dalí especialmente para “Quando Fala o Coração”

Um Barco e Nove Destinos (1944)
2ª indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu para Leo McCarey, por O Bom Pastor

A Sombra de uma Dúvida (1943)

Sabotador (1942)

Suspeita (1941)

Sr. e Sra Smith – Um Casal do Barulho (1941)

Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940)
1ª indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu para John Ford, por Vinhas da Ira

Joan Fontaine e Judith Anderson em cena de” Rebecca – A Mulher Inesquecível”, único filme de Alfred Hitchcock a conquistar o Oscar de melhor filme

Correspondente Estrangeiro (1940)

A Estalagem Maldita (1939)

A Dama Oculta (1938)

Jovem e Inocente / O Vaso Sinistro (1937)

Sabotagem (1936)

Agente Secreto (1936)

Os 39 Degraus (1935)

O Homem Que Sabia Demais (1934)

O Mistério do Número 17 + Ricos e Estranhos + The Skin Game (1932/31)

Ricos e Estranhos (1931)

Chantagem e Confissão + Assassinato! (1929/30)

A Mulher do Fazendeiro + Pobre Pete (1928/29)

O Ilhéu (1929)

Vida Fácil (1928)

O Aviso + Champagne (1927/28)

O Pensionista (1927)

O Ringue (1927)

Alfred Hitchcock concorreu ao Oscar de direção cinco vezes, sem vencer o prêmio. Somente em 1968 recebeu o Oscar honorário pela carreira

CENTENÁRIO DE BERNARD HERRMANN

CRIADOR DE TRILHAS INESQUECÍVEIS PARA FILMES COMO UM CORPO QUE CAI, PSICOSE E TAXI DRIVER, O COMPOSITOR FAVORITO DE ALFRED HITCHCOCK COMPLETARIA HOJE 100 ANOS.

Nascido em 29 de junho de 1911, em Nova York, Bernard Herrmann mostrou desde cedo seu interesse pela música e começou a estudar violino ainda criança. Graduado pela Universidade de Nova York em 1931, estudou também composição e harmonia na prestigiada escola de música Juilliard. Em 1934, foi contratado como arranjador e condutor para a rádio CBS, compondo trilhas para inúmeros programas. Quatro anos depois, começou a trabalhar no programa The Mercury Theatre on the Air e, em 30 de outubro de 1938, musicou a notória adaptação de A Guerra dos Mundos narrada por Orson Welles na rádio. O realismo da transmissão foi tão grande que muitos ouvintes acreditaram mesmo que os EUA estavam sendo invadidos por marcianos. No ano seguinte, Herrmann voltou a trabalhar com Welles, dessa vez na estreia dele na direção de cinema – o clássico Cidadão Kane. Embora não tenha sido um sucesso de bilheteria, o filme adquiriu status de obra-prima com o tempo e valeu a Herrmann sua primeira indicação ao Oscar. O prêmio veio com o filme seguinte, O Homem que Vendeu a Alma (1941, ainda inédito em DVD no Brasil), mas  a má experiência de Soberba (1942), cuja trilha foi substituída à revelia pelo estúdio RKO, fez com que ele retornasse à rádio CBS.

Uma cena icônica de Cidadão Kane, de Orson Welles

Depois de trilhas esporádicas para filmes como Jane Eyre (1943) e O Fantasma Apaixonado (1947), e de sua saída da CBS, em 1951, Herrmann mudou-se para a Califórnia e passou a se dedicar mais à composição para cinema. Com O Terceiro Tiro, em 1955, iniciou sua bem-sucedida parceria com o cineasta Alfred Hitchcock, que se estenderia por mais seis filmes: O Homem Que Sabia Demais (1956), O Homem Errado (1956), Um Corpo Que Cai (1958), Intriga Internacional (1959), Psicose (1960) e Marnie, Confissões de uma Ladra (1964).

Bernard Herrmann e Alfred Hitchcock

As trilhas sonoras do compositor para os filmes do mestre de suspense influenciaram diferentes cineastas entre os anos 1960 e 70. Nomes como François Truffaut (Fahrenheit 451, A Noiva Estava de Preto), Brian De Palma (Irmãs Diabólicas, Trágica Obsessão), Larry Cohen (Nasce um Monstro) e, finalmente, Martin Scorsese (Taxi Driver) souberam tirar proveito do talento de Herrmann para criar música impactante e adequada para o clima de suspense e perigo de seus filmes.

Robert De Niro em Taxi Driver

Descrito por amigos e conhecidos como temperamental e ao mesmo tempo perfeccionista, Herrmann morreu em 24 de dezembro de 1975, de um ataque cardíaco, apenas algumas horas depois de ter gravado a trilha de Taxi Driver. Carrie, a Estranha (1976), de Brian de Palma, seria seu próximo trabalho.

Embora fosse um dos compositores de música para cinema mais inovadores dos anos 1940, 50 e 60, na verdade Herrmann rejeitava esse rótulo, preferindo ser chamado de “um compositor que as vezes escrevia trilhas de filmes”. Uma descrição coerente para o músico que, além do cinema, também trabalhava em outros formatos, como a ópera, sinfonias, comédia musical e música para concerto, compondo extensivamente para rádio e televisão. Mas, acabou mesmo conhecido do grande público pela trilha sonora de 47 longas-metragens entre 1941 e 1976. Afinal, até hoje quem ouviu não esquece os trepidantes acordes de violino da cena do chuveiro em Psicose.

TOP 10 BERNARD HERRMANN NA 2001
Cidadão Kane (1941)
O Fantasma Apaixonado (1947)
O Dia em Que a Terra Parou (1951)
O Homem Que Sabia Demais (1956)
Um Corpo Que Cai (1958)
Intriga Internacional (1959)
Psicose (1960)
Círculo do Medo (1962)
Trágica Obsessão (1976)
Taxi Driver (1976)


Trilha sonora de Bernard Herrmann para Círculo do Medo (1962), reutilizada na refilmagem Cabo do Medo, de Martin Scorsese.

ALFRED HITCHCOCK É NA 2001

UM DOS MAIORES CINEASTAS DA HISTÓRIA DO CINEMA, O “MESTRE DO SUSPENSE” É HOMENAGEADO COM RETROSPECTIVA DE SUA OBRA NO RIO E EM SÃO PAULO.

A partir do dia 15 o CCBB em São Paulo, em conjunto com o Cinesesc, inicia mostra já em andamento no Rio de Janeiro. O evento contará com 54 longas, episódios da série televisiva Alfred Hitchcock Presents (1955-1961), três curtas-metragens e curso sobre o diretor.

A longa (e influente) carreira de Alfred Hitchcock (1899–1980) se divide em dois períodos distintos: a fase inglesa, de 1922 a 1939, terminada com A Estalagem Maldita, e a americana, que o levou a trabalhar nos principais estúdios de Hollywood desde Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940), vencedor do Oscar de melhor filme. Nos EUA, o diretor teve os melhores técnicos e atores à disposição, e pôde experimentar diferentes gêneros: filmes de espionagem (Interlúdio), histórias de crimes (Festim Diabólico, Pavor nos Bastidores, Pacto Sinistro) e até comédias (Sr. e Sra Smith – Um Casal do Barulho, O Terceiro Tiro). A partir dos anos 1950, realizaria uma série de obras-primas, obrigatórias e presentes em inúmeras listas de melhores filmes de todos os tempos: Janela Indiscreta (1954), Um Corpo que Cai (1958), Intriga Internacional (1959), Psicose (1960) e Os Pássaros (1963).

Confira no acervo das lojas da 2001 Vídeo 45 títulos em DVD para locação do diretor que melhor soube explorar sua própria imagem e persona excêntrica para divulgação de seu trabalho – quem não se lembra das clássicas aparições surpresa de Hitchcock em seus filmes?

ALFRED HITCHCOCK EM DVD NA 2001 VÍDEO:

Trama Macabra (1976)

Frenesi (1972)

Topázio (1969)

Cortina Rasgada (1966)

Marnie, Confissões de uma Ladra (1964)

Os Pássaros (1963)

Tippi Hedren em pôster estilizado de Os Pássaros

Psicose (1960)
5ª e última indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu o prêmio pela segunda vez para Billy Wilder, por Se Meu Apartamento Falasse

Janet Leigh na inesquecível sequência do chuveiro de Psicose

Intriga Internacional (1959)

Um Corpo Que Cai (1958)

O Homem Errado (1956)

O Homem que Sabia Demais (1956)

O Terceiro Tiro (1955)

Ladrão de Casaca (1955)

Janela Indiscreta (1954)
4ª indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu para Elia Kazan, por Sindicato de Ladrões

James Stewart e Grace Kelly no muito copiado Janela Indiscreta

Disque M para Matar (1954)

A Tortura do Silêncio (1953)

Pacto Sinistro (1951)

Pavor nos Bastidores (1950)

Sob o Signo de Capricórnio (1949)

Festim Diabólico (1948)

Agonia de Amor (1947)

Interlúdio (1946)

Quando Fala o Coração (1945)
3ª indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu para Billy Wilder, por Farrapo Humano

Cena da clássica sequência de sonho criada por Salvador Dalí especialmente para Quando Fala o Coração

Um Barco e Nove Destinos (1944)
2ª indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu para Leo McCarey, por O Bom Pastor

A Sombra de uma Dúvida (1943)

Sabotador (1942)

Suspeita (1941)

Sr. e Sra Smith – Um Casal do Barulho (1941)

Rebecca – A Mulher Inesquecível (1940)
1ª indicação ao Oscar de melhor direção, perdeu para John Ford, por Vinhas da Ira

Joan Fontaine e Judith Anderson em cena de Rebecca - A Mulher Inesquecível, único filme de Alfred Hitchcock a conquistar o Oscar de melhor filme

Correspondente Estrangeiro (1940)

A Estalagem Maldita (1939)

A Dama Oculta (1938)

Jovem e Inocente / O Vaso Sinistro (1937)

Sabotagem (1936)

Agente Secreto (1936)

Os 39 Degraus (1935)

O Homem Que Sabia Demais (1934)

O Mistério do Número 17 + Ricos e Estranhos + The Skin Game (1932/31)

Ricos e Estranhos (1931)

Chantagem e Confissão + Assassinato! (1929/30)

A Mulher do Fazendeiro + Pobre Pete (1928/29)

O Ilhéu (1929)

Vida Fácil (1928)

O Aviso + Champagne (1927/28)

O Pensionista (1927)

O Ringue (1927)

Alfred Hitchcock concorreu ao Oscar de direção cinco vezes, sem vencer o prêmio. Somente em 1968 recebeu o Oscar honorário pela carreira.

FARLEY GRANGER (1925-2011)

O ator no clássico Pacto Sinistro (1951), de Alfred Hitchcock

CINEMA PERDE GALÃ QUE TRABALHOU COM HITCHCOCK E VISCONTI

Mais conhecido por seus papéis em dois filmes de Alfred Hitchcock – Festim Diabólico e Pacto Sinistro -, Farley Granger faleceu no último domingo, de causas naturais. Ele tinha 85 anos e sua morte foi divulgada somente ontem à tarde.

O galã de Hollywood nasceu em San Jose, Califórnia, em 1/7/1925, e, ainda no colegial, participou de uma peça local que chamou a atenção do produtor Samuel Goldwyn, que o escalou para um pequeno papel em The North Star, em 1943. Um dos fundadores da Paramount, nos anos 1910, e da Metro-Goldwyn-Mayer, em 1924, Goldwyn reconheceu o potencial comercial de Granger e começou a promover a imagem do ator em revistas de celebridades e anúncios da época.

Granger em Amarga Esperança (1948), filme de estreia de Nicholas Ray

Teve sua primeira grande chance ao participar de Amarga Esperança (1948), estreia de Nicholas Ray na direção. Em seguida, interpretou um dos dois amigos que cometem assassinato por diversão em Festim Diabólico (1948), repetindo a parceria com Hitchcock em Pacto Sinistro, de 1951, em mais um personagem envolvido num crime. Adaptação do romance homônimo de Patricia Highsmith, o filme traz um dos melhores momentos do ator no cinema – a emocionante cena da partida de tênis perto do final.

Granger, James Stewart e John Dall em Festim Diabólico (1948)


Trailer de Pacto Sinistro (1951)

Considerado apenas mais um galã pela crítica especializada, Granger sempre se esforçou para ser um ator melhor, chegando a estudar com dois renomados professores do Actors Studio, Stella Adler e Lee Strasberg. Insatisfeito com os papéis que lhe eram oferecidos, comprou de volta o contrato de exclusividade que tinha com Goldwyn e passou a atuar com frequência na Itália, onde trabalhou com o mestre Luchino Visconti no clássico Sedução da Carne (Senso), em 1954. No video abaixo, é possível ver depoimentos de Franco Zeffirelli e de Granger alguns anos antes de falecer, comentando a experiência de trabalhar com o renomado diretor.

Alida Valli e Farley Granger em Sedução da Carne, primeiro filme colorido de Luchino Visconti

Com menos oportunidades no cinema, estreou na Broadway em 1960 com a peça First Impressions, versão musical de Orgulho e Preconceito, e começou a trabalhar na TV, participando de séries como Agente 86 e Hawaii Five-O. Granger estava afastado do cinema há quase duas décadas quando decidiu lançar em 2007 a autobiografia Include Me Out – My Life From Goldwyn to Broadway, escrita em parceria com Robert Calhoun, seu companheiro de longa data. No livro, o ator enfoca os bastidores de sua vida pública e privada, detalhando seus romances com homens, entre eles o maestro Leonard Bernstein, e mulheres como Shelley Winters e Ava Gardner.

Seja lembrado como galã nos tempos áureos de Hollywood, ator limitado ou astro de Hitchcock, o que importa é que Granger parece ter vivido à sua maneira, como demonstra em entrevista de 2007:

“Foi apenas sorte. E teimosia. Eu não ia ouvir ninguém dizendo que você não pode fazer isso, ou aquilo. Não me importava com isso. Eu só queria seguir meu próprio caminho. Estava determinado a viver a minha própria vida.”
Farley Granger