Amy Adams

OSCAR 2017: MAIS FILMES INDICADOS

CONFIRA NA 2001 UM DRAMA ARRASADOR, VENCEDOR DO OSCAR DE MELHOR ATOR (CASEY AFFLECK) E ROTEIRO ORIGINAL, O NOVO ÉPICO DE MARTIN SCORSESE, SOBRE FÉ E SACRIFÍCIO, E O PREMIADO SEGUNDO LONGA DE TOM FORD NA DIREÇÃO.

MANCHESTER À BEIRA MAR

Vencedor do Oscar e do Bafta de melhor ator (para Casey Affleck, também vencedor do Globo de Ouro) e roteiro original, concorreu ainda a filme, direção (Kenneth Lonergan), ator coadjuvante (Lucas Hedges) e atriz coadjuvante (Michelle Williams).

Terceiro longa dirigido pelo dramaturgo Kenneth Lonergan (“Conte Comigo”, “Margaret”), “Manchester à Beira Mar” evita cair no melodrama ou nas emoções fáceis, ao acompanhar a jornada de Lee Chandler (Casey Affleck, irmão de Ben), um homem antissocial e resignado com a vida, devastado por uma tragédia do passado. A morte de seu irmão mais velho o faz retornar a sua cidade natal. Contra sua vontade, ele se vê obrigado a cuidar de seu rebelde sobrinho adolescente, filho do falecido.

SILÊNCIO

Indicado ao Oscar de melhor fotografia, foi eleito melhor filme do ano pelo AFI – American Film Institute. Um sonho antigo de Martin Scorsese, que levou mais de 30 anos para conseguir realizar o projeto, uma adaptação do livro homônimo de Shûsaku Endô (já publicado no Brasil).

Temas como fé e sacrifício, recorrentes na filmografia do cineasta (“Kundun”, “Vivendo no Limite”), movem a jornada épica (e espiritual) de dois padres jesuítas, Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield, “Até o Último Homem”) e Francisco Garupe (Adam Driver, “Paterson”), que deixam Portugal rumo ao Japão, no século XVII. Nesse Oriente hostil, com os seguidores da fé cristã sendo severamente punidos, a dupla de missionários busca o paradeiro de seu mentor, o padre Cristóvão Ferreira (interpretado por Liam Neeson).

O título se refere ao silêncio de Deus perante a agonia dos que creem nele.

ANIMAIS NOTURNOS

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, o filme é inspirado no romance “Tony e Susan”, de Austin Wright e concorreu ao Oscar de melhor ator coadjuvante (Michael Shannon).

Depois de “Direito de Amar”, sua elogiada estreia na direção em 2009, o designer de moda Tom Ford volta atrás das câmeras com um drama metalinguístico repleto de camadas e sobreposições, em três instâncias narrativas. Na primeira, uma rica dona de galeria, Susan (Amy Adams), recebe de seu ex-marido, Edward (Jake Gyllenhaal), o manuscrito do romance que ele escreveu. Perturbadora e violenta, a obra desperta em Susan lembranças do passado, trazidas à tona em uma série de flashbacks.

Ao ler a história, Susan processa fatos e personagens ficcionais que ecoam (ou espelham) a sua própria trajetória ao lado de Edward. Enquanto isso, a ficção toma forma na tela com a entrada de um psicopata (Aaron Taylor-Johnson, premiado com o Globo de Ouro de coadjuvante) que ameaça Tony (o mesmo Gyllenhaal) e sua família durante uma viagem no interior dos EUA.

Animais Noturnos” é diferente de tudo o que você já viu, com imagens fortes desde a cena de abertura, e conta com grandes atuações de Adams, Gyllenhaal, Johnson e Shannon (no papel de um xerife). Além da bela fotografia de Seamus McGarvey, a trilha sonora de Abel Korzeniowski (“Direito de Amar”, “Penny Dreadful“) mantém o elegante clima de mistério.

“A CHEGADA”, PREMIADO COM O OSCAR, E MAIS LANÇAMENTOS NA 2001

VENCEDOR DA ESTATUETA DE MELHOR EDIÇÃO DE SOM NA ÚLTIMA CERIMÔNIA DO OSCAR, “A CHEGADA” CONFIRMA DENIS VILLENEUVE COMO UM DOS MELHORES CINEASTAS DA ATUALIDADE. E TRAZ AMY ADAMS VIVENDO MAIS UMA MULHER FORTE EM MEIO À ADVERSIDADE.

O filme concorreu em mais 7 categorias do Oscar: melhor filme, direção, roteiro adaptado, fotografa, montagem, design de produção e mixagem de som. Considerada o eixo emocional da trama, Amy Adams concorreu ao Bafta, ao Globo de Ouro e ao SAG Awards, mas inesperadamente ficou de fora da lista de finalistas da Academia – uma das grandes injustiças do Oscar deste ano.

Aclamado por público e crítica, “A Chegada” é uma adaptação do conto “Story of your Life”, de Ted Chiang, publicado no Brasil sob o título “História da sua vida e outros contos” (Ed. Intrínseca, 2016).

É também mais uma bem sucedida incursão de Villeneuve no cinema de gênero. Depois de ter feito sucesso no circuito de arte com o drama “Incêndios”, o cineasta canadense passou a dirigir thrillers como “Os Suspeitos” (2013), “O Homem Duplicado” (2013) e “Sicário – Terra de Ninguém” (2015) – disponível em DVD na 2001.

Em “A Chegada”, 12 misteriosas naves de formato oval pairam sobre diferentes países da Terra, imóveis no ar. Nos EUA, a linguista Louise Banks (Amy Adams) é chamada pelos militares para decodificar os sinais transmitidos pelo alienígenas e desvendar se eles representam uma ameaça. Em busca de respostas, Banks arrisca a própria vida – e o futuro da humanidade.

Em alta em Hollywood, Villeneuve dirige atualmente mais uma ficção-científica, “Blade Runner 2049″ (continuação do cult de 1982) e já foi confirmado à frente da nova versão de “Duna”, clássico sci-fi escrito Frank Herbert.

E MAIS LANÇAMENTOS NA 2001:

O MAR DE ÁRVORES

Inédito nos cinemas brasileiros, este é o mais recente longa-metragem de Gus Van Sant (“Drugstore Cowboy“, “Milk”) e concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2015. Meditativo, o drama narra a trajetória de Arthur (Matthew McConaughey), um homem que decide ir à floresta Aokigahara, localizada aos pés do Monte Fuji, para se suicidar. Naomi Watts e Ken Watanabe completam o elenco.

MICHELLE E OBAMA

Produção de baixo orçamento, o filme romantiza o início da relação do ex-presidente e da ex-primeira-dama dos EUA, no verão de 1989. Então com 27 anos, Barack Obama (Parker Sawyers) era um calouro da faculdade de Direito de Harvard e começou a trabalhar como estagiário em um escritório de advocacia de Chicago. Lá, conheceria a jovem advogada Michelle Robinson (Tika Sumpter), e o resto é história. Exibido no Sundance Film Festival do ano passado.

UMA JANELA PARA O CÉU

Indicado ao Oscar de melhor canção original em 1976, este drama comovente conquistou o público na época de seu lançamento, com uma história de superação baseada em fatos reais. Aos 18 anos, Jill Kinmont (Marilyn Hassett, premiada com o Globo de Ouro de revelação) é um dos grandes talentos americanos no esqui e todos a apontam como favorita para vencer nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1956. Mas uma tragédia muda sua vida para sempre.

CHOCOLATE (2016)

Um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês 2016 o filme resgata a história real do primeiro palhaço negro – Chocolat (interpretado por Omar Sy, de “Intocáveis”) – a ganhar fama na capital parisiense. Ex-escravo de origem cubana, ele fugiu para a França no final do século XIX e se tornou uma estrela com a ajuda de seu parceiro Tony Grice, conhecido como o palhaço Footit (James Thiérrée, neto de Charles Chaplin).

HOMENS DE CORAGEM

A verdadeira história da equipe USS Indianapolis, que está presa no mar das Filipinas por cinco dias após entregar as armas atômicas que ajudaram no fim da Segunda Guerra Mundial. Enquanto esperam o resgate, eles passam fome, sede e ataques de tubarão. Aventura de guerra ambientada em 1945, com direção de Mario Van Peebles (“Boss”, “Empire“) e Nicolas Cage encabeçando o elenco.

Z NATION – 1ª TEMPORADA

A febre dos zumbis continua nesta série que vem agradando aos fãs do gênero – inclusive, bateu recordes em sua estreia nos EUA. Três anos após um vírus zumbi ter destruído os Estados Unidos, um grupo tenta transportar o único sobrevivente conhecido da praga, de Nova York para a Califórnia. O objetivo é levá-lo até o último laboratório em funcionamento, a fim de coletar seu sangue para uma possível vacina.

MR. ROBOT – 2ª TEMPORADA

Uma das séries mais inteligentes (e cult) da atualidade, “Mr. Robot” continua a história de Elliot (Rami Malek, premiado com o Emmy pelo papel em 2016 ), um hacker anti-social que odeia seu trabalho numa empresa de segurança cibernética. Indicada ao Globo de Ouro de melhor ator (Malek) e ator coadjuvante (Christian Slater) neste ano, a segunda temporada mostra as consequências do envolvimento do protagonista com Mr. Robot e seu grupo de “hacktivistas”.

O QUARTO DOS ESQUECIDOS

Diretor do suspense “Paranoia“, D.J. Caruso conduz este longa de horror psicológico baseado em fatos verídicos ocorridos em Rhode Island, nos Estados Unidos. Na ficção, Dana (Kate Beckinsale, de “Anjos da Noite – Guerras de Sangue”) e seu marido passam por uma tragédia e decidem se mudar para uma área rural junto do filho Lucas. Arquiteta, ela planeja reformar a nova casa, até que percebe a existência de um quarto escondido, que não constava na planta.

FALLEN – O FILME

Dirigido por Scott Hicks (do oscarizado “Shine – Brilhante”), o longa é baseado no primeiro livro da saga criada pela norte-americana Lauren Kate. Na trama, a jovem Lucinda Price (Addison Timlin) é acusada de ter provocado a morte do namorado e vai para um reformatório, onde se aproxima de Daniel Grigori (Jeremy Irvine, revelado em “Cavalo de Guerra“), sem saber que ele é um anjo apaixonado por ela há milênios. Em DVD e Blu-ray.

SAIU A LISTA DOS INDICADOS AO OSCAR 2017!

A ESPERA ACABOU. A ACADEMIA DE ARTES E CIÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS DE HOLLYWOOD ANUNCIOU NESTA TERÇA OS CONCORRENTES AO MAIOR PRÊMIO DA INDÚSTRIA DO CINEMA. COM 14 INDICAÇÕES, “LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES” É O GRANDE FAVORITO, SEGUIDO POR “A CHEGADA” E “MOONLIGHT”.

Como era esperado, o musical de Damien Chazelle (diretor de “Whiplash“) lidera a corrida ao Oscar, igualando o recorde de 14 indicações do clássico “A Malvada“, em 1951, e de “Titanic“, em 1998. Tributo musical a Los Angeles, o filme conquistou público e crítica, incluindo sete Globos de Ouro – o prêmio da Imprensa Estrangeira em Hollywood.

Seus maiores concorrentes são a ficção-científica “A Chegada”, dirigida pelo canadense Denis Villeneuve (de “Incêndios” e “Sicário”), e o drama indie “Moonlight – Sob a Luz do Luar”, vencedor do Globo de Ouro de melhor filme dramático. Cada um concorre em oito estatuetas, com o primeiro com boas chances nas categorias técnicas, e o segundo como favorito a melhor ator coadjuvante (Mahershala Ali).

É mesmo o ano de “La La Land”: vencedor de 7 Globos de Ouro e indicado ao Oscar em 14 categorias, o musical concorre ainda a 11 prêmios Bafta, na Inglaterra

Entre as surpresas, destaque para a ausência de Amy Adams, por sua elogiada atuação em “A Chegada”. Apesar de concorrer ao Globo de Ouro e disputar o Bafta e o Screen Actors Award, ela ficou de fora da lista de melhor atriz. Na mesma categoria, Meryl Streep conquistou a impressionante marca de 20 indicações, graças a “Florence – Quem é Essa Mulher?”, e a lendária atriz francesa Isabelle Huppert disputa o Oscar pela primeira vez por seu polêmico papel no thriller “Elle”. E, grande vencedor do European Film Awards, “Toni Erdmann” é favorito a melhor filme de língua estrangeira, representando a Alemanha.

Agora, é aguardar o anúncio dos vencedores da 89ª cerimônia de entrega dos prêmios, marcada para 26 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles.

A seguir, a lista completa com os indicados ao OSCAR 2017:

“Lion – Uma Jornada Para Casa”, “A Qualquer Custo”, “La La Land”, “Moonlight”, “Manchester à Beira-Mar”, “Cercas”, “A Chegada” e “Estrelas Além do Tempo”, todos indicados a melhor filme do ano

MELHOR FILME
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“Estrelas Além do Tempo”
“Lion – Uma Jornada Para Casa”
“Moonlight”
“Cercas”
“A Qualquer Custo”
“La La Land – Cantando Estações”
“Manchester à Beira-Mar”

MELHOR DIREÇÃO
Denis Villeneuve -“A Chegada”
Barry Jenkins -“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
Damián Chazelle -“La La Land – Cantando Estações”
Kenneth Lonegan -“Manchester a Beira-Mar”
Mel Gibson -“Até o Último Homem”

Denis Villeneuve dirige Amy Adams no set de “A Chegada”, que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar. O diretor canadense ganhou fama no Brasil com o aclamado “Incêndios”

MELHOR ATOR
Casey Affleck – “Mancehester à Beira-Mar”
Andrew Garfield – “Até o Último Homem”
Ryan Gosling – “La La Land – Cantando Estações”
Viggo Mortensen – “Capitão Fantástico”
Denzel Washington – “Cercas”

MELHOR ATRIZ
Isabelle Huppert – “Elle”
Ruth Neggam – “Loving”
Natalie Portman – “Jackie”
Emma Stone – “La La Land – Cantando Estações”
Meryl Streep – “Florence – Quem é Essa Mulher?” (disponível em DVD na 2001)

Pelo papel-título de “Florence – Quem é Essa Mulher?”, Meryl Streep concorre ao Oscar pela vigésima vez, um feito inédito na história do prêmio

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali – “Moonlight”
Jeff Bridges -“A Qualquer Custo”
Lucas Hedges -“Manchester A Beira-Mar”
Dev Patel -“Lion”
Michael Shannon -“Animais Noturnos”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis – “Cercas”
Naomie Harris – “Moonlight”
Nicole Kidman – “Lion”
Octavia Spencer – “Estrelas Além do Tempo”
Michelle Williams – “Manchester à Beira-Mar”

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Eric Heisserer – “A Chegada”
August Wilson – “Cercas”
Allison Schroeder, Theodore Melfi – “Estrelas Além do Tempo”
Luke Davies – “Lion – Uma Jornada para Casa””
Barry Jenkins, Tarell Alvin McCraney – “Moonlight: Sob a Luz do Luar”

Estrelado por Colin Farrell e Rachel Weisz, “O Lagosta” foi merecidamente lembrado na categoria de melhor roteiro original

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Taylor Sheridan – “A Qualquer Custo”
Damien Chazelle – “La La Land – Cantando Estações”
Yorgos Lanthimos, Efthymis Filippou – “O Lagosta”
Kenneth Lonergan – “Manchester a Beira-Mar”
Mike Mills – “20th Century Woman”

MELHOR MONTAGEM
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“A Qualquer Custo”
“La La Land- Cantando Estação”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”

MELHOR FOTOGRAFIA
“A Chegada”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion”
” Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Silêncio”

Dirigido por Martin Scorsese, o épico “Silence” recebeu apenas uma indicação: melhor direção de fotografia, do mexicano Rodrigo Prieto

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
“Land of Mine”
“A Man Called Ove”
“The Salesman”
“Tana”
“Toni Erdmann”

MELHORES EFEITOS VISUAIS
“Horizonte Profundo – Desastre no Golfo”
“Doutor Estranho”
Mogli – O Menino Lobo
Kubo e as Cordas Mágicas
“Rogue One: Uma História Star Wars”

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas” (disponível em DVD na 2001)
“Moana”
“My Life as a Zucchini”
“The Red Turtle”
Zootopia” (disponível em DVD e Blu-ray na 2001)

Vencedor do Globo de Ouro de melhor animação, “Zootopia” é favorito ao Oscar da categoria, com “Kubo e as Cordas Mágicas” correndo por fora

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“Jackie”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion – Uma Jornada Para Casa”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Passageiros”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Can’t Stop the Feelings” (“Trolls”)
“The Empty Chair” (“Jim: The James Foley Story”)
” How Far I’ll Go” (“Moana”)
“City of Stars” (“La La Land – Cantando Estações”)
“Audition” (“La La Land – Cantando Estações”)

MELHOR FIGURINO
“Aliados”
” Animais Fantásticos e onde Habitam”
Florence – Quem é Essa Mulher?
“Jackie”
“La La Land – Cantando Estações”

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
“Um Homem Chamado Ove”
Star Trek: Sem Fronteiras” (disponível em DVD na 2001)
Esquadrão Suicida” (disponível em DVD e Blu-ray na 2001)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
“A Chegada”
“Animais Fantásticos e onde Habitam”
Ave, César!
“La La Land – Cantando Estações”
“Passeiros”

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE LONGA-METRAGEM
Fogo no Mar” (disponível em DVD na 2001)
“I Am Not Your Negro”
“Life, Animated”
“O.J.: Made in America”
“A 13ª Emenda”

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2016, o documentário italiano “Fogo no Mar” trata do importante tema da imigração em massa e foi lembrado com uma indicação ao Oscar

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM
“The White Helmets”
“Watani: My Homeland”
“Joe’s Violin”
“4.1 Miles”
“Extremis”

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
“A Chegada”
“Horizonte Profundo – Desastre no Golfo”
“Até o Último Homem”
“La La Land – Cantando Estações”
“Sully – O Herói do Rio Hudson”

MELHOR MIXAGEM DE SOM
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“La La Land – Cantando Estações”
“Rogue One: Uma História Star Wars”
13 Horas – Os Soldados Secretos de Benghazi” (disponível em DVD na 2001)

Dirigido por Michael Bay, “13 Horas…” é baseado em fatos reais e está disponível no acervo da 2001

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Ennemis Intérieurs”
“La Femme et le TGV”
“Silent Nights”
“Sing (Mindenki)”
“Timecode”

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
“Blind Vaysha”
“Borrowed Time”
“Pear Cider and Cigarettes”
“Pearl”
“Piper”

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “CURVAS DA VIDA”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Desde "Na Linha de Fogo" que Clint Eastwood não atuava sob a batuta de outro diretor que não ele mesmo. Ela abre uma exceção para o amigo e produtor Robert Lorenz, que estreia na direção de longa com o bom drama "Curvas da Vida", coestrelado por Amy Adams

Desde “Na Linha de Fogo” que Clint Eastwood não atuava sob a batuta de outro diretor que não ele mesmo. Ele abre uma exceção para seu fiel produtor Robert Lorenz, que estreia na direção de longa com o bom drama “Curvas da Vida”, coestrelado por Amy Adams e já disponível para locação e venda na 2001 Vídeo

Quando Clint Eastwood dirigiu Gran Torino e fez o papel do senhor carrancudo, mau humorado e frustrado no filme, declarou que seria sua última participação como ator no cinema. Depois disso ainda dirigiu J. Edgar, Além da Vida e Invictus. Antes disso, uma infinidade. Só para citar alguns: Sobre Meninos e Lobos, Menina de Ouro, A Conquista da Honra, Cartas de Iwo Jima, A Troca. Fato é que voltou atrás e abriu uma exceção para Robert Lorenz, produtor de todos esses filmes citados acima. Ou seja, não foi para qualquer um que a intimidade dos 82 anos foi escancarada.

Em Curvas da Vida, Clint faz o papel de um senhor que não quer assumir, perante os colegas de trabalho e a filha, que precisa se aposentar. Não quer assumir para si mesmo que já não enxerga tão bem para continuar sendo olheiro de beisebol e que os computadores estão tomando conta da situação – também nessa área. Mantendo algumas das características de seus personagens anteriores como a teimosia, não abre mão da sensibilidade como fator essencial para encontrar um jogador completo. Curvas da Vida, traduzido do original Trouble with the Curve, faz alusão à bola com efeito arremessada no beisebol. É preciso um bom rebatedor para conseguir pegar essa bola que faz curvas, assim como é preciso jogo de cintura para se adequar às mudanças da vida.

Amy interpreta a filha que tenta se reaproximar do pai (Clint) ausente na infância. Os dois vão unir forças para fazer o peso da experiência profissional de décadas de um veterano olheiro de beisebol

Em breve na pele de Lois Lane em “Homem de Aço”, Amy interpreta a filha que tenta se reaproximar do pai (Clint) ausente. Ela vai ajudá-lo a provar que décadas de experiência como olheiro de beisebol fazem sim a diferença

Gus (Clint Eastwood) tem uma vida repleta de rancores, situações mal resolvidas com a filha, perdas irreparáveis. E uma capacidade incrível de romper qualquer tentativa de melhoria. Sua filha Mickey (Amy Adams, também em Na Estrada, O Vencedor, Julie & Julia, Dúvida) é uma promissora advogada com talento também para o beisebol, que não desiste do pai. Isso, o forte aqui é a persistência. A teimosia atuando para reverter os danos causados durante tanto tempo.

Curvas da Vida é um filme sobre família e suas tortuosas e complexas relações. Tem seus momentos sensíveis, mas não consegue escapar dos clichês do sentimentalismo. Mas acho que tem algumas coisas que são assim mesmo. As relações familiares são verdadeiros clichês do melodrama. Quem vive sabe disso. Sob esse prisma, o filme é um ensaio sobre uma filha que quer o afeto do pai, e sobre um pai que não sabe como demonstrar o amor reprimido pelas mazelas da vida. Novidade? Nenhuma. Mas adoro Clint Eastwood e isso é suficiente para gostar de vê-lo na tela no auge dos seus 82 anos.

 

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

“O MESTRE”: ACLAMADO PELA CRÍTICA E INDICADO AO OSCAR 2013

Premiado no Festival de Veneza e indicado ao oscar em três categorias de atuação, "O Mestre" foi considerado por diversas associações de críticos um dos melhores filmes de 2012. Com atuações brilhantes e trama aberta a diferentes interpretações, o filme convida o espectador à reflexão, com imagens cheias de simbolismos, elipses e o escopo épico do aclamado diretor de "Magnólia" e "Sangue Negro", Paul Thomas Anderson

Premiado no Festival de Veneza e indicado ao Oscar em três categorias de atuação, “O Mestre” foi considerado por diversas associações de críticos um dos melhores filmes de 2012. Com atuações brilhantes e trama aberta a diversas interpretações, o longa convida o espectador à reflexão, com imagens cheias de simbolismos, elipses e o escopo épico característicos do aclamado diretor de “Magnólia” e “Sangue Negro”, Paul Thomas Anderson

O Mestre*
(The Master, EUA, 2012, Cor, 144′)
Paris – Drama – 14 anos
Direção: Paul Thomas Anderson
Elenco: Joaquin Phoenix, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Jesse Plemons

Sinopse: Ex-fuzileiro naval, Freddie Quell sofre de stress pós-traumático e tem dificuldade em se estabelecer num emprego após o final da II Guerra Mundial. De temperamento explosivo, o rapaz segue sem rumo ou qualquer aspiração na vida até conhecer Lancaster Dodd, líder de uma espécie de culto chamado “A Causa”.

* Indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro de melhor ator (Joaquin Phoenix), ator coadjuvante (Philip Seymour Hoffman) e atriz coadjuvante (Amy Adams). Vencedor do Leão de Prata de melhor diretor (Paul Thomas Anderson) e Copa Volpi de melhor ator (Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman) no Festival de Veneza

Escrito e dirigido pelo talentoso Paul Thomas Anderson (Boogie Nights, Magnólia, Sangue Negro), O Mestre é a história de Freddie (Joaquin Phoenix, eletrizante), um homem destrutivo, à deriva como um barco sem “comandante”. Sofrendo de stress pós-traumático, o ex-fuzileiro naval encontra na figura de Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman, carismático como o papel pede) um guia espiritual que consegue tirá-lo de seu estado de alienação.

Indicado ao Oscar de melhor ator, Joaquin Phoenix impressiona com um papel de difícil identificação pelo espectador: Freddie. Ex-fuzileiro naval na II Guerra,  o rapaz age como um adolescente irrequieto, bebendo e masturbando-se sem parar, sempre pronto a causar confusão

Indicado ao Oscar de melhor ator, Joaquin Phoenix impressiona com um papel de difícil identificação pelo espectador – Freddie. Ex-fuzileiro naval na II Guerra, o rapaz age como um adolescente irrequieto, bebendo e masturbando-se sem parar, sempre pronto a causar confusão

Freddie torna-se um experimento para “A Causa”, movimento “científico-religioso” criado por Dodd para tratar traumas do passado por meio de exercícios de psicoterapia. Em um período de incerteza nos EUA, os anos 1950, a seita parece a resposta perfeita para as aflições do rapaz que lutou na Segunda Guerra e agora não para em emprego algum. Anti-social, impulsivo e por vezes violento, Freddie encontra alívio apenas no álcool e no orgasmo propiciado por relações casuais. Na era da geração “beat”, ele é um inconformista que não passa de um rebelde sem causa.

Embora livremente inspirada na Cientologia, controverso movimento criado por L.Ron Hubbard também nos anos 1950, “A Causa” simboliza não só a filosofia religiosa seguida por astros como Tom Cruise e John Travolta, mas toda a dinâmica estabelecida entre um líder carismático e seu(s) discípulo(s) até atingir a perigosa fronteira entre fé e fanatismo.

Em breve no papel de Lois Lane em "Homem de Aço", Amy Adams foi indicada pela terceira vez ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, pelo papel da leal esposa do "mestre" Lancaster Dodd

Em breve no papel de Lois Lane em “Homem de Aço”, Amy Adams foi indicada pela terceira vez ao Oscar de melhor atriz coadjuvante, pelo papel da leal esposa do “mestre” Lancaster Dodd

Fascinado pelo mestre do título, mas sem necessariamente acreditar em suas teorias – o que não fica claro na trama -, Freddie encontra no guru uma figura paterna. Já Dodd acredita, com sua cativante retórica de autoajuda (“Liberte-se de seu passado, liberte-se de suas crenças”), realmente poder ajudá-lo através de terapias alternativas. O rapaz impulsivo torna-se seu experimento, parte de sua obra.

Quem está se aproveita do outro, o mestre ou o aprendiz? Essa relação entre mentor e aluno é marcada pela ambiguidade típica do cinema cada vez mais sem respostas de Anderson, que evita a saída fácil de estereotipar o mestre de Hoffman como vilão, ou criar qualquer simpatia pelo irascível personagem de Phoenix. Interpretado com entrega avassaladora pelo ator, Freddie, com seu comportamento imprevisível e por vezes desagradável, não desperta empatia no espectador, tornando o filme menos palatável para o grande público.

Filmado em 65 mm, "O Mestre" conta com belas imagens do diretor de fotografiaMihai Malaimare Jr. e trilha de Jonny Greenwood, integrante da banda Radiohead e parceiro do cineasta paul Thomas Anderson em "Sangue Negro"

Rebelde sem causa: Filmado em 65 mm, “O Mestre” conta com belas imagens do diretor de fotografia Mihai Malaimare Jr. (“Tetro”) e trilha de Jonny Greenwood, integrante da banda Radiohead e também parceiro do cineasta Paul Thomas Anderson em “Sangue Negro”

Filmado com o virtuosismo técnico do diretor de Sangue Negro, O Mestre é uma jornada complexa, fascinante e metafórica dentro da psique humana, deixando para quem assiste definir o seu diagnóstico.

MAIS PAUL THOMAS ANDERSON EM DVD NA 2001:

paul-thomas-anderson-profileSangue Negro (2007)

Embriagado de Amor (2002)

Magnólia (1999)

Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997)