anos 70

CINEMA POLICIAL É NA 2001, COM 4 COLEÇÕES DA VERSÁTIL

OS BOXES CINEMA POLICIAL VOL.1 E 2 REÚNEM, EM 2 DISCOS CADA, CLÁSSICOS DO GÊNERO COMO “CAÇADOR DE MORTE” E OS CULTS BRITÂNICOS “CARTER, O VINGADOR” E “CAÇADA NA NOITE”. E NÃO PERCA TAMBÉM OS 2 VOLUMES DE BLAXPLOITATION, SEMINAL MOVIMENTO PROTAGONIZADO POR ARTISTAS AFRO-AMERICANOS NOS ANOS 1970.

CINEMA POLICIAL

O DVD duplo reúne 4 clássicos dirigidos por nomes como Michael Mann, Walter Hill, Peter Yates e Don Siegel e estrelados por astros como Robert Mitchum, James Caan e Walter Matthau, além de uma hora de vídeos extras.

DISCO 1:

PROFISSÃO: LADRÃO (Thief, 1981, 125 min.)
De Michael Mann. Com James Caan, Tuesday Weld, Willie Nelson, James Belushi.

Decidido a mudar de vida, um ladrão especialista em roubar joias resolve participar de um último crime, aceitando a proposta de uma quadrilha. Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes, este policial neo-noir foi aclamado pela crítica e pôs no mapa de Hollywood o nome de Michael Mann.

CAÇADOR DE MORTE (Driver, 1978, 91 min.)
De Walter Hill. Com Ryan O’Neal, Bruce Dern, Isabelle Adjani.

Em clima de filme noir, detetive obcecado persegue especialista em dirigir carros para quadrilhas durante assaltos. Com ótimo roteiro e eletrizantes perseguições de carro, este policial do especialista Walter Hill (“48 Horas”) foi uma das inspirações do cult “Drive” (2011) com Ryan Gosling.

DISCO 2:

O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA (Charley Varrick, 1973, 110 min.)
De Don Siegel. Com Walter Matthau, Joe Don Baker, Felicia Farr.

Charley Varrick e seus amigos roubam um banco de uma cidadezinha e ficam surpresos com a quantidade de dinheiro. Mal imaginam que o dinheiro é da Máfia. Atmosférico e tenso policial do mestre Don Siegel (“Perseguidor Implacável”).

OS AMIGOS DE EDDIE COYLE (The Friends of Eddie Coyle, 1973, 102 min.)
De Peter Yates. Com Robert Mitchum, Peter Boyle, Richard Jordan.

Para diminuir o tempo de sua pena, um criminoso de Boston decide entregar seus comparsas. Peter Yates, o diretor de “Bullitt”, realiza um drama policial revisionista com grande atuação de Robert Mitchum (“Fuga do Passado”).

EXTRAS:
* Especiais sobre os filmes (56 min.)
* Trailers (4 min.)

CINEMA POLICIAL VOL. 2 – ED. LIMITADA COM 4 CARDs

No formato digistack, o box traz 4 filmes policiais inéditos estrelados por astros como Michael Caine, Walter Matthau, Bob Hoskins e Roy Scheider, além de quase uma hora de vídeos extras. Destaque para dois policiais ingleses: “Carter, o Vingador” e “Caçada na Noite”, que figuram em inúmeras listas de melhores filmes britânicos de todos os tempos.

DISCO 1:

CARTER, O VINGADOR (Get Carter, 1971, 112 min.)
De Mike Hodges. Com Michael Caine, Ian Hendry, Britt Ekland.

Quando seu irmão morre em circunstâncias misteriosas num acidente de carro, Jack Carter, um gângster de Londres, viaja a Newcastle para investigar. Marco do cinema inglês, o filme virou cult e imortalizou Michael Caine no papel-título.

O SEQUESTRO DO METRÔ (The Taking of Pelham 1 2 3, 1974, 104 min.)
De Joseph Sargent. Com Walter Matthau, Robert Shaw, Martin Balsam.

Em Nova York, homens armados sequestram um vagão do metrô e exigem um resgate para libertar os passageiros. Um dos pontos altos do cinema policial dos anos 1970, o filme foi refilmado com Denzel Washington em 2009, sob o título “O Sequestro do Metrô 123”.

DISCO 2:

ESQUADRÃO IMPLACÁVEL (The Seven-Ups, 1973, 103 min.)
De Philip D’Antoni. Com Roy Scheider, Tony Lo Bianco, Victor Arnold.

Ao sair no encalço de quem matou seu parceiro, detetive de um esquadrão de elite da polícia de Nova York descobre uma conspiração. Dirigido pelo produtor de Operação França, o filme merece ser conhecido, sobretudo pelas sensacionais perseguições de carro.

CAÇADA NA NOITE (The Long Good Friday, 1980, 114 min.)
De John Mackenzie. Com Bob Hoskins, Helen Mirren, Paul Freeman.

Um poderoso gângster londrino tem seu império ameaçado pelo surgimento de um rival desconhecido e poderoso. Brutal e com ecos shakespearianos, essa obra-prima do cinema inglês conta com grandes atuações de Bob Hoskins e Helen Mirren.

EXTRAS:
* Especiais sobre os filmes (38 min.)
* Trailers (11 min.)

EDIÇÃO LIMITADA COM 4 CARDs:

BLAXPLOITATION

DVD duplo com clássicos do pulsante cinema negro norte-americano dos anos 1970 em inéditas versões restauradas, além de uma hora de vídeos extras, incluindo documentário sobre o gênero e uma entrevista com a icônica Pam Grier.

Espécie de subgênero, cinema “blaxploitation” surgiu sintonizado com as transformações sociais e políticas captadas pela Nova Hollywood, tendo como publico alvo, principalmente, os negros norte-americanos. A palavra é uma junção de black (“negro”) e explotaition (“exploração”).

DISCO 1:

A MÁFIA NUNCA PERDOA (Across 110th Street, 1972, 101 min.)
De Barry Shear. Com Anthony Quinn, Yaphet Kotto, Anthony Franciosa.

Uma dupla policial de Nova York persegue dois bandidos amadores que tentam roubar a máfia e com isso gerar uma guerra entre gangues. O sensacional tema musical de Bobby Womack para o filme foi utilizado por Quentin Tarantino em “Jackie Brown”.

TRUCK TURNER (Idem, 1974, 91 min.)
De Jonathan Kaplan. Com Isaac Hayes, Yaphet Kotto, Alan Weeks.

Após uma perseguição que termina na morte de um criminoso, o caçador de recompensas Truck passa a ser perseguido pela viúva da vítima. O cantor Isaac Hayes estrela esse clássico blaxploitation super estiloso.

DISCO 2:

COFFY: EM BUSCA DA VINGANÇA (Coffy, 1973, 91 min.)
De Jack Hill. Com Pam Grier, Booker Bradshaw, Robert DoQui.

Coffy é uma enfermeira que, após presenciar a morte de sua irmã mais nova por causa das drogas, sai pelas ruas em busca de vingança, caçando traficantes, policiais corruptos e cafetões. Um dos mais icônicos filmes do movimento blaxploitation.

O CHEFÃO DO GUETO (Black Caesar, 1973, 87 min.)
De Larry Cohen. Com Fred Williamson, Gloria Hendry, Art Lund.

A trajetória de Tommy Gibbs, um jovem negro que se torna um dos mais temidos chefes do crime em Manhattan, enfrentando a máfia italiana. Um dos melhores trabalhos do talentoso Larry Cohen (“Nasce um Monstro”).

EXTRAS:
* Documentário sobre Blaxploitation (29 min.)
* Especiais e trailers (39 min.)

BLAXPLOITATION VOL.2 – ED. LIMITADA COM 4 CARDs

Os filmes blaxploitation eram protagonizados e realizados por atores e diretores negros, ao som dos melhores artistas da soul music do período (Curtis Mayfield, Isaac Hayes, Marvin Gaye). Quatro deles estão reunidos na coleção com 2 discos e 4 cards.

DISCO 1:

RIFIFI NO HARLEM (Cotton Comes to Harlem, 1970, 97 min.)
De Ossie Davies. Com Godfrey Cambridge, Raymond St. Jacques, Calvin Lockhart.

Dois detetives investigam um reverendo envolvido em lavagem de dinheiro e outros crimes. Baseada em obra do escritor negro Chester Himes, essa mistura de humor e ação deu origem à onda blaxploitation.

O TERRÍVEL MISTER T (Trouble Man, 1972, 99 min.)
De Ivan Dixon. Com Robert Hooks, Paul Winfield, Ralph Waite.

Mister T é um homem durão que trabalha “resolvendo os problemas” no seu bairro, fazendo o trabalho que a polícia e os advogados não conseguem realizar. Clássico com trilha sonora icônica do genial Marvin Gaye.

DISCO 2:

FOXY BROWN (Idem, 1974, 92 min.)
De Jack Hill. Com Pam Grier, Antonio Fargas, Peter Brown.

A sensual Foxy Brown começa a trabalhar como prostituta de luxo para se vingar dos mafiosos que mataram seu namorado. A estrela Pam Grier – resgatada por Quentin Tarantino em “Jackie Brown” (1997) – reúne-se novamente com o diretor Jack Hill nessa“continuação” de “Coffy” (1973).

WILLIE DYNAMITE (Idem, 1974, 102 min.)
De Gilbert Moses. Com Roscoe Orman, Diana Sands, Thalmus Rasulala.

Um cafetão enfrenta a polícia e rivais nas violentas ruas de Manhattan. Mas uma velha amiga, agora assistente social, tenta fazê-lo mudar de vida. Com forte comentário social, esse é um dos clássicos esquecidos da blaxploitation.

EXTRAS:
* Especiais sobre Blaxploitation (49 min.)
* Trailers (8 min.)

EDIÇÃO LIMITADA COM 4 CARDs:

DE VOLTA AO CATÁLOGO, UM DRAMA OSCARIZADO E UM THRILLER BASEADO EM BEST SELLER

INDICADO A 11 PRÊMIOS OSCAR E VENCEDOR NAS CATEGORIAS DE MELHOR ATRIZ COADJUVANTE (VANESSA REDGRAVE), ATOR COADJUVANTE (JASON ROBARDS) E ROTEIRO ADAPTADO, “JULIA” É UM DOS GRANDES FILMES DE FRED ZINNEMANN, DIRETOR DE CLÁSSICOS COMO “MATAR OU MORRER” E “A UM PASSO DA ETERNIDADE”.

O longa conquistou também 2 Globos de Ouro (melhor filme/drama e atriz coadjuvante), 4 Baftas (melhor filme, roteiro, fotografia e atriz – Jane Fonda) e o prêmio de melhor ator coadjuvante (Maximilian Schell) pelo Círculo de Críticos de Nova York.

Escrito por Joseph Sargent, roteirista de “Gente Como a Gente”, a partir de um dos capítulos de “Pentimento” – livro de memórias da escritora Lillian Hellman –, “Julia” acompanha a profunda amizade entre a personagem-título (vivida por Vanessa Redgrave) e Lillian (Jane Fonda), desde a infância até o seu emocionante reencontro nos anos 1930.

Então parceira do escritor Dashiel Hammett (autor de “À Beira do Abismo”), Lillian viaja para a Europa em 1934, à procura da amiga, que agora luta na resistência contra o fascismo. Sempre à sombra de Hammett, Lillian precisa enfrentar seus medos e embarcar numa perigosa missão para ajudar Julia e seus companheiros.

O filme é a história de uma idealista narrada do ponto de vista de sua melhor amiga. Por meio de fragmentos de memória, Lillian lembra a amiga com quem gostaria de ter passado mais tempo e, sobretudo, conhecido melhor. Interpretada com o mesmo engajamento político que Vanessa Redgrave empregou em sua vida pessoal, Julia permanece um símbolo, um exemplo da força das mulheres na luta contra o nazismo que crescia na Europa do período. E é também mais um dos personagens abnegados da premiada filmografia de Fred Zinnemann (“Matar ou Morrer”, “O Homem que não Vendeu sua Alma”, “Uma Cruz à Beira do Abismo”) que lutaram por seus princípios – e por sua consciência.

“Um dos [motivos] foi a história da amizade entre duas mulheres. O outro foi a tomada de consciência – o fato de uma mulher que vive confortavelmente ser confrontada de repente pela questão de vida e morte da amiga, e seguir em frente, arriscando-se a levar dinheiro para a resistência dentro da Alemanha .”  Fred Zinnemann, em entrevista à American Film em 1986, explicando porque escolheu dirigir “Julia”

CURIOSIDADES:

* Os três principais atores do elenco guardam muitas semelhanças com seus personagens: assim como Lillian Hellman, Jane Fonda também lutava para se afirmar como artista, Jason Robards também foi alcoólatra como o escritor Dashiell Hammett, e Vanessa Redgrave teve a carreira marcada pelo ativismo político.

* Na trama, Hellman consegue completar sua primeira peça, que se torna um grande sucesso. O filme não menciona o título, que na vida real da escritora chamou-se “Infâmia”, também adaptado para o cinema.

* A dramaturga e escritora aparece no início, como a sombra da personagem de Jane Fonda pescando, e o filme marca ainda a estreia de Meryl Streep no cinema.

Em cena, Jane Fonda e Meryl Streep

* Faye Dunaway (“Rede de Intrigas“) foi cogitada para interpretar Julia, mas recusou o papel, assim como a inglesa Julie Christie (“Longe Dela”).

* Jane Fonda foi escalada inicialmente no papel de Julia, mas como os produtores não conseguiam contratar a atriz que faria Lillian, ela acabou ficando com a personagem. A troca deu certo: em uma de suas melhores atuações, Jane foi premiada com o Bafta e o Globo de Ouro de melhor atriz.

* Barbra Streisand recusou o papel de Lillian e Jack Nicholson foi sondado para interpretar Dashiell Hammett.

ADAPTADO DO BEST SELLER DE KEN FOLLETT, O THRILLER “O BURACO DA AGULHA” É UM DOS MELHORES TRABALHOS DE DONALD SUTHERLAND NOS ANOS 1980. AINDA EM ATIVIDADE, AOS 82 ANOS, O GRANDE ATOR CANADENSE IRÁ RECEBER UM OSCAR HONORÁRIO PELO CONJUNTO DE SUA CARREIRA.

Logo depois de viver um pai sensível em “Gente Como a Gente”, vencedor do Oscar de melhor filme, Donald Sutherland mudou radicalmente de papel em “O Buraco da Agulha“. No suspense de 1981, ele interpreta Faber, um cruel e enigmático espião nazista de codinome “Agulha”, infiltrado na Inglaterra no final da II Guerra. Sua missão em terras inimigas é descobrir planos militares das forças aliadas, antecipando-os para o alto comando alemão.

Munido de informação que pode mudar os rumos da guerra, Faber, com determinação implacável, irá eliminar a sangue frio qualquer um em seu caminho. Desesperado em contatar seus chefes e mudar o curso da guerra, ele acaba naufragando durante violenta tempestade e tragado para uma ilha remota na Escócia. Lá, é amparado por Lucy (Kate Nelligan, indicada ao Oscar por “O Príncipe das Mares”), com quem inicia um romance proibido que pode mudar o curso da história mundial.

Esse é o enredo desta adaptação do best seller homônimo do inglês Ken Follett, autor de “Os Pilares da Terra”. Nele, um frio espião nazista balança com a presença de uma mulher que também se apaixona e, sem saber, dorme com o inimigo. A revelação da verdade mantém em suspense o destino da guerra, que antes precisa ser decidida no coração dos dois solitários protagonistas.

CURIOSIDADES:

* Publicado em 1978, o romance “O Buraco da Agulha” foi o primeiro sucesso comercial do escritor Ken Follett.

* Os caminhões e aviões falsos mostrados na trama são baseados em fatos verídicos. A Alemanha sabia da invasão do Dia D, também conhecido como “Operação Overlord”. A dúvida era se o desembarque seria na Normandia ou em Calais, ambas na França. Por isso, os aliados forjaram uma armada em Calais para atrair a atenção dos nazistas.

* Composta por Max Steiner (de “Casablanca”), a trilha sonora do filme evoca o charme das antigas tramas de espionagem dos anos 1930 e 1940.

* Logo depois de “O Buraco da Agulha“, Richard Marquand (1938–1987) foi contratado por George Lucas para dirigir “Star Wars – Episódio VI – O Retorno de Jedi” (1983). Antes de falecer precocemente, aos 49 anos, o cineasta inglês realizou ainda o suspense de tribunal “O Fio da Suspeita” (1985) e o drama musical “Corações de Fogo” (1987), com Bob Dylan.

DAVID BOWIE É “O HOMEM QUE CAIU NA TERRA”, CULT DOS ANOS 70

DIRIGIDO POR NICOLAS ROEG, O FILME É UMA SCI-FI PSICODÉLICA SOBRE UM EXTRATERRESTRE QUE ACABA VICIADO NOS PRAZERES (E DESVIOS) DA VIDA NA TERRA. VALORIZADO PELA PRESENÇA DE DAVID BOWIE (1947-2016) NO PAPEL-TÍTULO, “O HOMEM QUE CAIU NA TERRA” ACABA DE SAIR EM EDIÇÃO ESPECIAL, CONTENDO 2 DVDs + 2 CDs COM A TRILHA SONORA.

Cantor, compositor, guitarrista, mímico, produtor, ator de cinema e teatro. São inúmeras as facetas do camaleão do rock — inclusive no cinema. Seja como o extraterrestre de “O Homem que Caiu na Terra” (1976) — que acaba de sair em nova edição em DVD –, o soldado inglês insolente de “Furyo – Em Nome da Honra” (1983), o elegante vampiro nova-iorquino de “Fome de Viver” (1983) ou ninguém menos que Andy Warhol, na cinebiografia “Basquiat – Traços de uma Vida” (1996).

Confira a seguir “O Homem que Caiu na Terra” (1976) e mais filmes com Bowie disponíveis na 2001.

O HOMEM QUE CAIU NA TERRA (1976)

Depois de dirigir a obra-prima de horror psicológico “Inverno de Sangue em Veneza“, o britânico Nicolas Roeg soube explorar a figura andrógina de Bowie, perfeito no papel de um alienígena que chega à Terra com a missão de transportar água para seu planeta natal, que está morrendo.

O personagem adota o disfarce de Thomas Jerome Newton, um homem de negócios que, graças a suas invenções tecnológicas, enriquece rapidamente, ao mesmo tempo em que experimenta distrações terrenas como a televisão, o álcool e, é claro, o sexo. Mas o gentil Newton não está preparado para a ganância e a crueldade de seus novos colegas de negócios e rivais e logo descobre que a missão será muito mais difícil do que havia imaginado.

Adaptado do romance de Walter Tevis lançado em 1963, o longa foi filmado no Novo México e ganhou status de cult, graças à sua edição fragmentada — com várias idas e vindas no tempo sem explicação –, crítica mordaz à sociedade de consumo norte-americana, e a imagens lisérgicas de Bowie, num de seus papéis mais icônicos.

Curiosidade: Stills do filme foram usadas na arte da capa de dois discos de Bowie: “Station to Station” (1976) e “Low” (1977).

EXTRAS:
* Watching The Alien” – Documentário incluindo comentários do diretor Nicolas Roeg, do produtor executivo Si Litvinoff, da atriz Candy Clark, do desenhista de produção Brian Eatwell, da figurinista May Routh, do editor Graeme Clifford e do cenógrafo Anthony Richmond
* “The Man Who Fell to Earth: Dreams of the Hearth” – Entrevista com o escritor Paul Mayersberg
* Galeria de trailers
* Filmografias de David Bowie e Nicolas Roeg
* Galeria de Fotos

EU, CHRISTIANE F., 13 ANOS, DROGADA E PROSTITUÍDA (1981)

Dirigido por Uli Edel (“O Grupo Baader Meinhof”), o filme é baseado no livro homônimo escrito pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck a partir de depoimentos de Christiane Felscherinow. No final dos anos 1970, Christiane (interpretada por Natja Brunckhorst) mora com sua mãe e sua irmã menor em um típico apartamento na Berlim Ocidental. A fim de novas experiências, ela passa a frequentar a “Sound”, uma nova e moderna discoteca, onde conhece Detlev (Thomas Haustein), dando início a seu mergulho nas drogas. Primeiro é o álcool, depois a maconha, até chegar na heroína e na prostituição para bancar o vício.

Com cenas fortes, o filme marcou época e continua a chocar, apresentando um retrato melancólico e sem retoques do ocaso de uma jovem que sucumbe ao inferno das drogas.

Curiosidade: na trama, Christiane vai a um show de David Bowie, seu ídolo. Além de fazer uma ponta, o camaleão do rock ainda marca presença na trilha sonora, composta por várias músicas de sua fase alemã, como “Look Back in Anger”, “Boys Keep Swinging” e a inesquecível “Heroes”.

FURYO, EM NOME DA HONRA (1983)

Primeiro filme em língua inglesa dirigido pelo japonês Nagisa Ôshima (1932–2013), reunindo dois astros da música: David Bowie e Ryuichi Sakamoto, que também compôs a aclamada trilha sonora (premiada com o Bafta).

Baseado nas experiências de Sir Laurens van der Post na Segunda Guerra, em 1942, o filme – escrito por Paul Mayersberg, mesmo roteirista de “O Homem que Caiu na Terra” – traz Bowie no papel de Jack Celliers (David Bowie), oficial feito prisioneiro em um campo de concentração mantido pelos japoneses, chefiados pelo capitão Yonoi (Sakamoto), na ilha de Java. Celliers desafia a autoridade de Yonoi, dando início a uma tensa (e por vezes ambígua) guerra psicológica entre dois homens em lados opostos.

Curiosidade: Oshima escolheu Bowie para o papel principal depois de vê-lo interpretando o Homem Elefante nos palcos da Broadway.

FOME DE VIVER (1983)

“Terror-chic” dirigido por Tony Scott, irmão de Ridley Scott, o filme marcou época com sua música de abertura – “Bela Lugosi’s Dead” (da banda Bauhaus) – e uma cena de amor entre Susan Sarandon e Catherine Deneuve.

A eterna bela da tarde interpreta Miriam Blaylock, uma elegante e misteriosa vampira que vive com seu companheiro John (Bowie), seduzindo suas vítimas na noite nova-iorquina. Até que, de repente, ele percebe estar envelhecendo extremamente rápido, fazendo-o procurar uma especialista, Sarah Roberts Sarandon), que passa a investigar o caso.

Curiosidade: Em entrevista ao The Daily Beast, em julho de 2014, Susan Sarandon revelou ter tido um caso com David Bowie durante as filmagens do filme.

BASQUIAT – TRAÇOS DE UMA VIDA (1996)

Indicado ao Independent Spirit Awards (espécie de Oscar do cinema independente americano) em 1997, o filme marca a estreia do artista plástico Julian Schnabel na direção.

O longa narra a história de Jean Michel Basquiat (Jeffrey Wright), jovem que vive nas ruas de Manhattan, até ter seu talento como grafiteiro reconhecido. Em 1981, aos 20 anos, passou a vender pinturas nas galerias do Soho, tornando-se um dos principais artistas de sua geração. “Baquiat” destaca sua ascensão meteórica no mundo das artes, e sua relação com empresários, amigos e, especialmente, o mentor Andy Warhol (vivido por David Bowie).

Transposição fiel da cena cultural nova-iorquina dos anos 1980, com o crescimento da cultura hip hop e da arte de rua, “Basquiat” tem no elenco seu ponto alto, com Bowie mimetizando de forma afetuosa o amigo Warhol, Benicio Del Toro como um amigo de infância de Basquiat, além de participações de Courtney Love, Christopher Walken, Dennis Hopper e Willem Dafoe.

Curiosidade: no filme, Bowie usou as mesmas perucas usadas pelo verdadeiro Andy Warhol (1928–1987).

E, se não poderemos mais ver a lenda do rock como ator no cinema, sua música continuará a fazer parte da trilha sonora de inúmeras produções, como foi, mais recentemente, em “Frances Ha” (com a canção “Modern Love”), “Guardiões das Galáxias” (com “Moonage Daydream”) e do indicado ao Oscar “Perdido em Marte” (que resgatou “Starman”).

“A ARTE DE ROBERT ALTMAN”, BOX COM CLÁSSICOS DOS ANOS 70, E A VOLTA POR CIMA COM “O JOGADOR”

"Fazer filmes é ter a chance de viver muitas vidas" Robert Altman

“Fazer filmes é ter a chance de viver muitas vidas”
Robert Altman (1925-2006)

Um dos pioneiros da “Nova Hollywood” que emergiu no cinema americano no final dos anos 1960, Robert Altman fez uma transição brilhante da TV para a sétima arte, combinando inovações técnicas – como a sobreposição de diálogos numa cena, a alternância de histórias paralelas (o famoso multiplot ou filme-coral), o jogo de lentes e muita improvisação entre os atores – com conteúdo crítico e subversivo.

A comédia antibelicista “M.A.S.H.” marcou, em 1970, o seu primeiro sucesso comercial – e primeira indicação ao Oscar de melhor direção. A década prosseguiu com filmes arrojados como o western “Onde os Homens são Homens” (1971), o drama psicanalítico “Imagens” (1972), o policial neo-noir “Um Perigoso Adeus” (1973), o ambicioso filme-coral “Nashville” (1975) e o enigmático drama psicológico “Três Mulheres” (1977). A década de 1970 é considerada a mais fértil e bem-sucedida do cineasta, sendo bem representada na coleção A ARTE DE ROBERT ALTMAN, DVD duplo reunindo três clássicos desse período mais um documentário inédito.

A Arte de Robert Altman 3D

A ARTE DE ROBERT ALTMAN

DISCO 1:

TRÊS MULHERES (“3 Women”, 1977)
Com Shelley Duvall, Sissy Spacek e Janice Rule.

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Sissy Spacek e Shelley Duvall em “Três Mulheres”, um dos filmes mais autorais (e enigmáticos) de Altman

Mulher tímida e solitária começa um novo trabalho e logo se sente emocionalmente ligada a uma colega. Um acidente envolvendo as duas faz com que, inexplicavelmente, elas troquem de personalidade.

ALTMAN, UM RETRATO (“Robert Altman: giggle and give in”, 1996)
De Paul Joyce. Com Shelley Duvall, Elliott Gould e Joan Tewkesbury.

Fascinante introdução à obra do cineasta norte-americano, acompanhada de uma análise dos temas recorrentes de sua filmografia.

DISCO 2:

O PERIGOSO ADEUS (“The Long Goodbye”, 1973)
Com Elliott Gould, Nina van Pallandt e Sterling Hayden.

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Em cena. Elliott Gould em “O Perigoso Adeus”

O detetive particular Philip Marlowe tenta ajudar um amigo acusado de matar a esposa. Baseado no romance “Hard Boiled”, do genial Raymond Chandler (“À Beira do Abismo”), este policial é um dos melhores neo-noir dos anos 70.

RENEGADOS ATÉ A ÚLTIMA RAJADA (“Thieves Like Us”, 1974)
Com Keith Carradine, Shelley Duvall, John Schuck e Bert Remsen.

Na década de 1930, três assassinos condenados escapam da prisão e iniciam uma série de assaltos a banco. Baseado no mesmo romance filmado por Nicholas Ray no cult “Amarga Esperança”.

EXTRAS: Documentário sobre “O Perigoso Adeus” (25 min.), Trailers e Spots de TV de “3 Mulheres” (8 min.), Trailer de “O Perigoso Adeus” (3 min.), Spots de Rádio de “O Perigoso Adeus” (3 min.) e Trailer de “Renegados Até a Última Rajada” (2 min.)

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O JOGADOR

Depois de uma sucessão de fracassos nos anos 1980, Robert Altman deu a volta por cima na década seguinte com esta brilhante (e mordaz) comédia dramática sobre os bastidores de Hollywood. O filme recebeu prêmios de melhor ator (Tim Robbins) e diretor no Festival de Cannes e concorreu ao Oscar nas categorias de melhor direção, roteiro adaptado e montagem.

Na trama, um produtor executivo, pressionado por uma série de fracassos de bilheteria, começa a receber ameaças anônimas. Enquanto tenta desvendar o responsável, o protagonista circula em meio à máquina (e as intrigas) de um grande estúdio de Hollywood.

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Tim Robbins, premiado em Cannes, no papel do executivo de “O Jogador”

Desde o longo plano de sequência de abertura que homenageia “A Marca da Maldade”, de Orson
Welles, “O Jogador” é um brilhante exercício de metalinguagem que espelha – e satiriza de forma mordaz – a indústria de cinema.

O DVD traz o filme em versão restaurada, acompanhado de making of da produção e cenas excluídas, comentadas pelo próprio diretor.

DICAS PARA O FIM DE SEMANA

Confira a seguir as dicas da equipe 2001 Vídeo:

Um Evento Feliz
(Un Heureux Événement, FRA/BEL, 2011, Cor, 107′)
Direção: Rémi Bezançon
Elenco: Louise Bourgoin, Pio Marmaï, Josiane Balasko

08Revelada em A Garota de Mônaco e vista recentemente na refilmagem de A Religiosa, a bela Louise Bourgoin interpreta Barbara, estudante de doutorado que enfrenta a primeira gravidez em Um Evento Feliz. Na locadora que frequenta, ela é cortejada pelo atendente Nicolas (Pio Marmai, de A Delicadeza do Amor), que inicia o flerte indicando filmes com títulos sugestivos como Amor à Flor da Pele, Um Homem, Uma Mulher e Leis da Atração.

Em tom de comédia romântica, o filme acompanha os primeiros estágios do relacionamento do casal, desde o despertar da paixão, passando pelo ápice sexual, até o nascimento de seu primeiro bebê. Recebida com alegria, a descoberta muda a rotina do casal: enquanto o marido não consegue levar nada a sério, a mulher se vê numa encruzilhada profissional. Ao mesmo tempo em que é pressionada a terminar sua tese, é sobrecarregada com os afazeres da maternidade. Como a maioria dos homens, Nicolas relega a responsabilidade da criação da filha para a esposa, que começa a questionar esse arranjo.

Com uma história universal, "Um Evento Feliz" mostra os desafios da maternidade na rotina de um casal jovem. O filme é do mesmo diretor e roteirista da animação "Zarafa"

Com uma história universal, “Um Evento Feliz” mostra os desafios da maternidade na rotina de um casal jovem. Dirigido por um dos realizadores da animação “Zarafa”, o filme foi um dos destaques do último FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS 

Coescrito e dirigido por Rémi Bezançon, responsável pela ótima animação ZarafaUm Evento Feliz também brinca com a linguagem, por meio de efeitos de computação e outros recursos lúdicos que expressam os estados emocionais e físicos da protagonista. As hesitações e medos de qualquer mãe jovem são abordados com ternura e verdade, já que, como diz Barbara, “Nós não nascemos mães, nós nos tornamos”.

Qual é o Nome do Bebê?
(Le Prenom, FRA, 2012, Cor, 109′)
Direção: Alexandre de La Patellière, Matthieu Delaporte
Elenco: Patrick Bruel, Valérie Benguigui, Charles Berling, Guillaume de Tonquedec

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Vencedora de 2 prêmios César, a comédia fez sucesso na França com sua adaptação da peça teatral Le Prénom, de Mathieu Delaporte, um dos codiretores do filme. À semelhança de Deus da Carnificina, também baseado em peça teatral francesa, três amigos amigos se reúnem para um almoço no apartamento de um casal de intelectuais (Charles Berling e Valérie Benguigui).

Logo nos minutos iniciais, a sátira francesa esmiuça em detalhes as características dos personagens, o ego de cada um. Quando Vincent (Patrick Bruel, de Paris-Manhattan), 40 anos, revela ao grupo que seu futuro filho irá chamar-se Adolph, termina o clima de confraternização, com os amigos chocados com a referência que, acreditam, remete imediatamente ao famoso ditador alemão. Por baixo da superfície da discussão, emergem antigos ressentimentos que deixam a questão do nome do bebê em segundo plano.

Dono de um humor doentio, Vincent é como aquele parente que todo mundo encontra em algum momento da vida. Por meio de ironias, ele deflagra o pior em cada um, transformando o que poderia ser uma celebração em um acerto de contas no qual as palavras servem de principal arma. No caso de Qual é o Nome do Bebê?, elas expõem com sarcasmo algumas das contradições e preconceitos presentes na elite francesa.

Lovelace
(Idem, EUA, 2013, Cor, 93′)
Direção: Rob Epstein, Jeffrey Friedman
Elenco: Amanda Seyfried, Peter Sarsgaard, James Franco, Sharon Stone, Robert Patrick, Juno Temple, Adam Brody, Chris Noth

05Acostumada a atuar em comédias românticas, Amanda Seyfried arrisca no papel mais ousado de sua carreira: Linda Lovelace (1949–2002), que ficou famosa nos anos 1970 ao estrelar o pornô Gargante Profunda.

Fragmentada, a narrativa é entrecortada por entrevistas de Linda Boreman, que relembra sua trajetória desde 1970, na Flórida,  quando ainda era uma jovem de 21 anos vivendo sufocada pela mãe (Sharon Stone, irreconhecível). Inocente e sem perspectivas profissionais, ela é seduzida por Chuck Traynor (Peter Sarsgaard, ameaçador) e sai de casa. Não demora para Linda mergulhar no modo de vida hedonista do namorado controlador, que a ensina até como fazer sexo oral. E é justamente a sua habilidade nessa área que a leva a estrelar o primeiro filme pornô de sua vida, Gargante Profunda(1972), e a ganhar o nome artístico de Linda “Lovelace”. Dirigido  e escrito por Gerard Damiano, o filme virou cult e um sucesso estrondoso de público, alcançando a marca de mais de US$ 600 milhões (em valores atualizados de hoje).

Apesar de ter virado uma estrela da noite para o dia, e um símbolo da revolução sexual que eclodia na conservadora América de Richard Nixon, Linda recebeu apenas 1.250 dólares de cachê. E tudo o que ganhava em merchandising ou participações especiais, ficava para Chuck, que, ciumento do sucesso da esposa, frequentemente a humilhava e violentava, chegando a prostitui-la. Os dois mantinham uma relação doentia, com ecos de Star 80 (1983), drama de Bob Fosse baseado na trágica morte de Dorothy Stratten, ex-playmate da Playboy, A revista não poderia faltar também em Lovelace e surge na figura de seu criador, Hugh Hefner (James Franco), que também se encanta pela protagonista.

Os bastidores da indústria pornô, nos anos 70, com a ex-estrela pornô Linda Lovelace (Amanda Seyfried) e o magnata Hugh Hefner (James Franco), dono da marca Playboy. Ela atuaria em apenas mais um longa pornô, "Deep Throat Part II" (1974)

Os bastidores da indústria pornô, nos anos 70, com a ex-estrela pornô Linda Lovelace (Amanda Seyfried) e o magnata Hugh Hefner (James Franco), dono da marca Playboy. Ela atuaria em apenas mais um longa pornô, “Deep Throat Part II” (1974)

Após tanto sofrimento, canalizado na autobiografia Provação, no final é a própria Linda quem resume sua via-crúcis, ao afirmar que foram no total 17 dias na indústria pornográfica. 17 dias que a definiram aos olhos  do mundo.

VEJA TAMBÉM SOBRE O MESMO TEMA:

Hugh Hefner – Playboy, Ativista e Rebelde
(Hugh Hefner – Playboy, Activist and Rebel, CAN, 2009, Cor, 124′)
Direção: Brigitte Berman
Depoimentos de: Hugh M. Hefner, Tony Bennett, Tony Curtis, James Caan, Gene Simmons

01A história do fundador do império “Playboy” e as batalhas de um ícone da cultura pop mundial contra o governo, a direita religiosa e as militantes feministas.

Amiga pessoal de seu biografado, a documentarista Brigitte Berman explora o paradoxo de um homem que era, de um lado, símbolo de um estilo de vida hedonista que se tornou a fantasia de milhares de homens do mundo inteiro; e, de outro, um progressista a favor de causas humanitárias como a igualdade racial, a legalização do aborto, a liberdade sexual e o fim da censura e da injustiça social.

 

Intermediário.com
(Middle Men, EUA, 2009, Cor, 112′)
Direção: George Gallo
Elenco: Luke Wilson, Giovanni Ribisi, Gabriel Macht, James Caan

02Administrador de crises em negócios de terceiros, Jack Harris precisa ajudar dois gênios problemáticos que desenvolveram um negócio milionário na internet: a pornografia virtual.

Inspirado por pessoas e fatos verídicos, e inédito nos cinemas brasileiros, o filme é um drama com toques de humor negro sobre a explosão da pornografia na internet e alguns dos tipos excêntricos que povoaram esse negócio na década de 1990.

A partir da ascensão de dois sonhadores que desenvolveram o programa padrão para as atuais transações on line com cartões de crédito, e da trajetória de um íntegro executivo envolvido nos negócios (e problemas) dos dois, Intermediário.com recria uma inusitada história de empreendedorismo, relações comerciais perigosas, ressentimento e, claro, desejo e ego masculinos.

Crimes em Wonderland
(Wonderland, EUA/CAN, 2003, Cor, 104’)
Direção: James Cox
Elenco: Val Kilmer, Kate Bosworth, Lisa Kudrow, Josh Lucas, Dylan McDermott, Tim Blake Nelson, Christina Applegate, Eric Bogosian, Carrie Fisher, Janeane Garofalo

03Na tarde de 1º de julho de 1981, a polícia recebeu um chamado da Avenida Wonderland, onde havia ocorrido uma chacina. As investigações levaram a duas versões contraditórias, ambas envolvendo o astro pornô John Holmes.

A vida de John Holmes inspirou o roteirista e diretor Paul Thomas Anderson na criação do personagem Dirk Diggler (Mark Wahlberg) em Boogie Nights (1997). Só que, diferentemente deste, o filme de James Cox (Herói Corrompido) traz o astro pornô em fase de decadência; já enfrentava a dependência de drogas pesadas, anos antes de morrer de AIDS, em 1988. A trama de Crimes em Wonderland se centra na investigação de um acerto de contas entre traficantes, com o astro pornô no centro da ação.

Extras: Entrevistas * Cenas deletadas * Cenas reais do local do crime

Wadd – A Vida e Época de John C. Holmes
(Wadd – The Life & Times of John C. Holmes, EUA, 1999, Cor/P&B, 105′)
Direção: Wesley Emerson, Alan Smithee

04A trajetória do ator pornô mais famoso da história, destacando seu auge na indústria do sexo e o vício em cocaína, até sua morte, de complicações causadas pelo vírus da Aids, em 1988. “Alan Smithee” é o pseudônimo usado por diretores norte-americanos que não querem assinar o trabalho.

 

ASSISTA TAMBÉM:
O Povo Contra Larry Flynt (1996)
Boogie Nights – Prazer Sem Limites (1997)

“SOB O DOMÍNIO DO MEDO”, O POLÊMICO FILME DE SAM PECKINPAH, “O POETA DA VIOLÊNCIA”

Sob o Domínio do Medo – Edição Especial
(Straw Dogs, EUA/ING, 1971, Cor, 118′)
Versátil – Suspense – 18 anos
Direção: Sam Peckinpah
Elenco: Dustin Hoffman, Susan George, Peter Vaughan, T.P.McKenna, David Warner

Sinopse: Em busca de uma vida mais tranquila, um tímido matemático americano e sua esposa se mudam para uma cidadezinha no interior da Inglaterra. No entanto, o casal acaba encontrando apenas o medo e a violência. Acuado por moradores locais, o inseguro matemático terá que se transformar num vingador para sobreviver.


Dustin Hoffman (A Maratona da Morte, Rain Man) interpreta David, matemático e professor americano casado com Amy (Susan George), uma jovem e extrovertida inglesa. Com o objetivo de fugir da violência nos EUA, o casal muda para uma casa de campo na Inglaterra, mas acaba enfrentando diferente forma de barbárie.

De volta à sua terra natal, Amy reencontra um antigo pretendente que, junto com outros jovens arruaceiros, começa a trabalhar na reforma de sua nova casa. O seu comportamento lascivo a transforma em troféu sexual para os quatro trabalhadores da obra, além de naturalmente despertar ciúme em David.

Dustin Hoffman interpreta um pacato matemático que sofre literalmente um bullying violento de jovens moradores locais que cobiçam sua esposa. Confira no DVD da Versátil entrevista com o ator, na qual ele revela ter feito o filme por dinheiro

Dustin Hoffman interpreta um pacato matemático que sofre literalmente um bullying violento de jovens moradores locais que cobiçam sua esposa. Confira no DVD da Versátil entrevista com o ator, na qual ele revela ter feito o filme por dinheiro

Numa típica cidadezinha onde todo mundo se conhece, e cuida de seus pares, o comportamento provinciano de alguns moradores locais torna-se cruel e perverso. A tensão toma conta da interação entre David, Amy e os quatro jovens que trabalham para o casal.

O conflito de classes – e o preconceito mútuo – entre o intelectual americano e os quatro ingleses pobres é o estopim para uma disputa em torno de Amy. Possuí-la é tudo o que importa, até esse exercício de afirmação da masculinidade culminar na famosa (e brutal) cena do estupro da protagonista.

Susan George na fatídica cena que causa controvérsia até hoje. Sensacionalista para uns, memorável para outros, a cena não dá trégua ao espectador, que experimenta sentimentos ambivalentes em testemunha o comportamento ambivalente da vítima

Susan George na fatídica cena que causa controvérsia até hoje. Sensacionalista para uns, memorável para outros, a terrível sequência de violência sexual contra a mulher não dá trégua ao espectador, que testemunha o comportamento ambivalente da vítima

A ostensiva violência sexual contra Amy causou reações de protesto em grupos feministas quando o filme – primeira incursão de Sam Peckinpah (Meu Ódio Será Sua Herança) fora do western – estreou.

Editada na época, a cena do estupro ganhou ainda mais controvérsia em razão do comportamento ambíguo da vítima que, após ser violentamente violentada, demonstra prazer. A trama intercala depois flashes do estupro nas sequências seguintes, contribuindo para o angustiante clima de mal-estar que permanece, quarenta anos depois.

Uma refilmagem de "Sob o Domínio do Medo" estreou em 2011, com James Marsden ("X-Men)", Kate Bosworth ("Para Maiores" e Alexander Skarsgård ("True Blood") no elenco. A ação foi transposta para o sul dos EUA, mas com o mesmo enredo

Uma refilmagem de “Sob o Domínio do Medo” estreou em 2011, com James Marsden (“X-Men)”, Kate Bosworth (“Para Maiores” e Alexander Skarsgård (“True Blood”) no elenco. A ação foi transposta para o sul dos EUA, mas com o mesmo enredo

No final, David toma a justiça com as próprias mãos e parte para a desforra na defesa de seu lar, sitiado pelos molestadores numa longa sequência de ação com os tradicionais planos em câmera lenta de Peckinpah. Ironicamente, o macho-provedor vivido por Hoffman afirma que não vai permitir violência em sua casa. O que se vê a seguir é bem diferente: angustia, incomoda, não deixa ninguém indiferente. Tanto em 1971, quando Sob o Domínio do Medo foi lançado e banido na Inglaterra, como hoje.

SAM PECKINPAH
O Poeta da Violência

“Sempre me criticam por incluir violência nos meus filmes. Mas, quando a abandono, ninguém sequer assiste ao filme”.  Sam Peckinpah

“Sempre me criticam por incluir violência nos meus filmes. Mas, quando a abandono, ninguém sequer assiste ao filme”. Sam Peckinpah

Apelidado pela crítica americana de “Bloody Sam” (em tradução livre, “Sam Sangrento”), devido ao excesso de violência em seus filmes, Sam Peckinpah nasceu em 21/2/1925, em Fresno (Califórnia, EUA). Após se alistar na Marinha em 1943, retornou à sua terra natal, formando-se em Drama na Fresno State College. O curso criou nele o desejo de dirigir, fazendo-o mudar para Los Angeles, onde começou a trabalhar na TV, principalmente como assistente de direção na CBS, entre 1951 e 1953. No ano seguinte, passou a assistente e dialoguista de Don Siegel e, no final da década de 1950, já escrevia e dirigia episódios de O Homem do Rifle, entre outras séries de faroeste para TV.

Sam Peckinpah recebeu a única indicação ao Oscar de sua carreira pelo roteiro original de "Meu Ódio Será Sua Herança", simplesmente um dos 10 melhores faorestes da história do cinema

Sam Peckinpah foi indicado ao Oscar de melhor roteiro original por “Meu Ódio Será Sua Herança”, considerado um dos 10 melhores faroestes da história do cinema

Em 1961, Peckinpah estreou finalmente como diretor de longa-metragem com o western psicológico Parceiros do Crime, seguido pelo elogiado Pistoleiros do Entardecer (1962) – estrelado por Randolph Scott e Joel McCrea – e o tremendo fracasso comercial de Juramento da Vingança (1965), com Charlton Heston. Após ser demitido do filme A Mesa do Diabo (1965), ele daria a volta por cima com Meu Ódio Será Sua Herança (1969), reinventando o gênero western com realismo sem precedentes e cenas de violência em câmera lenta que marcariam para sempre sua carreira. Em seu cinema, não há mais mocinhos nem vilões, apenas personagens à beira do abismo, lutando contra o sistema e sua época.

A fronteira do Texas com o México tornou-se o palco favorito de Peckinpah e, depois de mais um faroeste (o atípico A Morte não Manda Recado, 1970), o “poeta da violência” passou a transitar entre outros gêneros, dividindo a crítica. Para alguns críticos, o diretor transformava a violência em arte; para outros, Peckinpah fazia apologia da barbárie. Alvo também das feministas, que o acusavam de misoginia em produções polêmicas como Sob o Domínio do Medo (1971), o diretor expressava sua visão dos tumultuados anos 1970 e a compulsão do homem pela violência.

Famoso por suas bebedeiras, e brigas com oes estúdios, Sam Peckinpah dirige Dustin Hoffman em "Sob o Domínio do Medo", filme de 1971 que acaba de ser relançado em DVD no Brasil

Famoso por suas bebedeiras e brigas com os estúdios, Sam Peckinpah posa ao lado de Dustin Hoffman em foto de divulgação de “Sob o Domínio do Medo”, filme de 1971 que acaba de ser relançado em DVD no Brasil

Segundo Elvis Mitchell, crítico do jornal The New York Times, “Peckinpah fazia épicos sobre o fracasso”, com personagens lidando com suas falhas assim como o próprio cineasta na sua vida pessoal e profissional. Em seus filmes, não há final feliz ou redentor, apenas o gosto amargo do fim.

Falecido em 28/12/1984, de ataque cardíaco, o diretor era alcoólatra e viciado em drogas. Em quase toda a carreira, enfrentou problemas com produtores, que impunham cortes significativos na montagem final de seus filmes. Homem de excessos, na tela e fora dela, Peckinpah viveu intensamente, como seus personagens, e conservou até o fim sua paixão pelo México e pelas raízes da cultura norte-americana.

SAM PECKINPAH EM DVD NA 2001:
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O Casal Osterman (1983)
Comboio (1978)
A Cruz de Ferro (1977)
Assassinos de Elite (1975)
Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974)
Pat Garret e Billy The Kid (1973)
Os Implacáveis (1972)
Sob o Domínio do Medo (1971)
A Morte não Manda Recado (1970)
Meu Ódio Será Sua Herança (1969)
Parceiros da Morte (1962)
O Homem do Rifle (1958) episódios

PREMIADO NO FESTIVAL DE VENEZA, “DEPOIS DE MAIO” MERGULHA NAS MEMÓRIAS DE UMA REVOLUÇÃO SEM FIM

Vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza em 2012, o filme é um emaranhado de reminiscências semi-autobiográficas do diretor Olivier Assayas (“Horas de Verão”, “Carlos”), que relembra a efervescência cultural e política dos movimentos estudantis pós-Maio de 68. No início dos anos 1970, um grupo de amigos divide-se entre a luta revolucionária, a vida pessoal e os anseios profissionais.

Vencedor do prêmio de melhor roteiro no Festival de Veneza em 2012, o filme é um emaranhado de reminiscências semi-autobiográficas do diretor Olivier Assayas (“Horas de Verão”, “Carlos”), que relembra a efervescência cultural e política dos movimentos estudantis pós-Maio de 68

Depois de Maio
(Aprés Mai, FRA, 2012, Cor, 122′)
Imovision – Cinema Europeu – 16 anos
Direção: Olivier Assayas
Elenco: Clément Métayer, Lola Créton, Felix Armand, Carole Combes, India Menuez, Hugo Conzelmann

Sinopse: Paris, 1971. Depois de uma série de enfrentamentos e protestos violentos, jovens anarquistas de um grupo organizado precisam se esconder da polícia. A luta armada é provisoriamente deixada de lado enquanto cada um repensa a vida pessoal e seus anseios profissionais.

 
Depois do sucesso da ambiciosa minissérie Carlos (ainda inédita em DVD no Brasil), baseada na vida do famoso terrorista apelidado de Chacal, Olivier Assayas (Clean, Horas de Verão) acompanha a trajetória de um grupo de jovens revolucionários em Depois de Maio, longa inspirado em suas experiências pessoais na década de 1970.

A partir de A Adolescência Depois de Maio, ensaio que publicou em 2005, o cineasta e roteirista francês desenvolveu o longa que faz um recorte multifacetado das ambições e anseios de uma geração que recorreu à luta armada, em meio à efervescência da contracultura no período.

Espetacularmente tensa, a cena de abertura estabelece o clima de enfrentamento entre os estudantes e a polícia, em 1971. No centro, a jovem atriz Lola Créton, de "Adeus, Primeiro Amor"

Espetacularmente tensa, a cena de abertura estabelece o clima de enfrentamento entre os estudantes e a polícia francesa, em 1971. No centro, a jovem atriz Lola Créton, de “Adeus, Primeiro Amor”, também disponível em DVD na 2001

A história começa a todo vapor, sob o clima de tensão de uma manifestação estudantil violentamente reprimida pela polícia, nos arredores de Paris, em 1971. Entre os manifestantes, destacam-se Gilles (o estreante Clément Métayer) e Christine (Lola Créton, de Adeus, Primeiro Amor), estudantes fortemente influenciados pela revolução de Mao na China e pelos movimentos de protesto que eclodiram em Maio de 1968.

Alter ego de Assayas, o protagonista Gilles divide o seu tempo entre passeatas, pichações de protesto e amores – primeiro com uma atriz que o larga para viver o lema “sexo, drogas e rock and roll” em Londres, e depois por sua companheira de guerrilha, a revolucionária Christine.

Olivier Assayas dirige seus dois atores principais: o estreante (Gilles) e a ascendente

Olivier Assayas dirige seus dois atores principais: o estreante Clément Métayer (Gilles) e a ascendente Lola Créton (Christine), atualmente nos cinemas brasileiros no forte “Bastardos”

Gilles demonstra talento para a pintura e, sendo o menos radical do grupo, fica dividido entre sua arte e a política, começando a sentir o peso de seu envolvimento na luta armada. O peso de suas escolhas. “Eu não estou satisfeito comigo mesmo”, afirma, à procura de um caminho.

Em férias na Itália junto com outros “companheiros”, ele entra em contato com realizadores de filmes de propaganda revolucionária e, de volta à França, passa a trabalhar com o pai, um executivo de TV. É um passo para o jovem artista ingressar no cinema, como assistente de direção. Assim como Olivier Assayas iniciou sua carreira.

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Com bela reconstituição de época, elenco talentoso e canções de nomes como Captain Beefheart e Nick Drake, Depois de Maio evoca a atmosfera, o frenesi e o ardor idealista de uma geração que sonhava mudar o mundo, mesmo adotando, por vezes, meios questionáveis, com ecos – e paralelos – presentes até hoje.

VEJA TAMBÉM NA 2001:
Os Sonhadores (2003)
Amantes Constantes (2005)

EM “SEM PROTEÇÃO”, ROBERT REDFORD EXPÕE AS CONTRADIÇÕES DO GRUPO RADICAL DE ESQUERDA WEATHER UNDERGROUND

Considerado o melhor trabalho de Robert redford na direção desde o aclamado "Quiz Show", "Sem Proteção" traz o astro em um forte drama político sobre ex-integrantes do grupo radical de esquerda "Weather Underground". Trinta  anos depois, ex-membros do movimento precisam lidar com a culpa - e a punição - por um crime do passado

Considerado o melhor trabalho de Robert Redford na direção desde o aclamado “Quiz Show”, “Sem Proteção” traz o astro em um forte drama político sobre ex-integrantes do grupo radical de esquerda “Weather Underground”. Na trama, ex-membros do movimento precisam lidar com a culpa – e a punição – por um crime do passado

Sem Proteção
(The Company You Keep, EUA, 2012, Cor, 121′)
Imagem – Drama – 12 anos
Direção: Robert Redford
Elenco: Robert Redford, Shia LaBeouf, Julie Christie, Susan Sarandon, Nick Nolte, Chris Cooper, Terrence Howard, Stanley Tucci, Richard Jenkins, Anna Kendrick, Brendan Gleeson

Sinopse: Acusado de envolvimento em um assalto que resultou na morte de um segurança há 30 anos, um ex-militante do grupo radical de esquerda Weather Underground tem sua identidade descoberta por um jovem jornalista.

 
Um dos maiores astros do cinema, Robert Redford tem se mantido tanto à frente quanto atrás das câmeras, volta e meia envolvido em projetos com algum tipo de questionamento sóciopolítico. Seja em filmes nos quais atuou (O Candidato, O Cavaleiro Elétrico, Mais Forte que a Vingança, Todos os Homens do Presidente) ou dirigiu (Nada É para Sempre, Leões e Cordeiros, Conspiração Americana), o criador do Festival de Sundance conseguiu de alguma maneira expressar seu interesse em causas ambientais, ou seu descontentamento com as instituições americanas.

Adaptado do romance homônimo de Neil Gordon, Sem Proteção é o nono trabalho de Redford na direção, no qual se vale do modelo de thriller político para abordar o alto preço pago por indivíduos que sacrificaram tudo em nome de um ideal durante os atribulados anos 1970. Junto com os movimentos de contestação que abalaram os EUA pós Guerra do Vietnã, vieram também os inevitáveis efeitos colaterais da luta armada contra o governo.

O acervo da 2001 Vídeo conta comdois ótimos complementos sobre o filme de Redford: o sensível drama ficcional "O Peso de um Passado", dirigido por Sidney Lumet sobre o mesmo assunto, e o contundente documentário "The Weatherman - Terrorismo ou Engajamento Político", indicado ao Oscar

O acervo da 2001 Vídeo conta ainda com dois ótimos complementos para o filme de Redford: o sensível drama ficcional “O Peso de um Passado”, dirigido por Sidney Lumet sobre o mesmo assunto, e o contundente documentário “The Weatherman – Terrorismo ou Engajamento Político”, indicado ao Oscar em 2004

O ator-diretor interpreta Jim Grant, um advogado de causas públicas que guarda um terrível segredo: seu nome verdadeiro é Nick Sloan, um ex-militante do Weather Underground. Surgido nos anos 1960 como um movimento estudantil, o grupo anti-guerra se radicalizou, tornando-se responsável por atentados que atingiram o Pentágono, o Capitólio e o edifício do Departamento de Estado americanos durante a década de 1970.

Foragido da justiça americana, o anti-herói de Redford foi um dos “Weathermen”, como eram chamados os integrantes do grupo, e foi condenado por participar do assalto a banco que resultou na morte de um segurança em 1971.

Famosa nos EUA por lutar pelos direitos humanos, Susan Sarandon confere autoridade e força à sua personagem, uma ex-guerrilheira sufocada pela culpa, mas que ainda sim defende suas escolhas numa das melhores cenas do filme - a do interrogatório  na prisão

Famosa nos EUA por lutar pelos direitos humanos, Susan Sarandon confere autoridade e força à sua personagem, uma ex-guerrilheira sufocada pela culpa, mas que ainda sim defende suas escolhas numa das melhores cenas do filme – a do interrogatório na prisão

Famosa por seu engajamento político, Susan Sarandon é a escolha perfeita para dar vida à Sharon Solarz, ex-guerrilheira indiciada pelo fatídico assalto. Sufocada pela culpa, e também vivendo sob falsa identidade, a personagem se entrega ao FBI, trazendo à tona informações que podem levar as autoridades a seu antigo comparsa. Um repórter ambicioso (Shia LaBeouf) expõe o segredo de Jim/Nick, dando início a uma corrida contra o tempo para ele conseguir escapar do FBI, proteger sua filha e, acima de tudo, investigar a verdade.

Mais do que uma caçada humana à la O Fugitivo, a narrativa segue um ex-revolucionário atormentado, que não se orgulha do que fez e que ao mesmo tempo tenta revisitar o passado, procurando antigos “companheiros de luta” – interpretados por nomes como Richard Jenkins (O Visitante), Nick Nolte (Guerreiro) e Julie Christie (a eterna Lara de Doutor Jivago). Cada um desses personagens secundários estabelece um perfil e visão ideológica distinta que torna o roteiro mais multifacetado, sem tomar um partido definido.

Além de Susan Sarandon, outro destaque do elenco estelar é a presença eletrizante da atriz inglesa Julie Christie. Vencedora do Oscar por "Darling" nos anos 1960 e famosa por "Doutor Jivago", ela interpreta uma militante radical do grupo Weather Underground - e a chave do mistério

Além de Susan Sarandon, outro destaque do elenco estelar é a presença eletrizante da atriz inglesa Julie Christie. Vencedora do Oscar por “Darling” nos anos 1960 e famosa por “Doutor Jivago”, ela interpreta uma militante radical do grupo Weather Underground – e a chave do mistério

Tanto o governo americano quanto os ex-membros do Weather Underground têm a sua parcela de culpa. Não existem heróis ou vilões quando o idealismo é corrompido pela injustiça ou pela violência

O filme aborda ainda os dilemas da imprensa, presentes no eletrizante interrogatório entre Susan Sarandon e Shia LaBeouf na prisão, ou nos diálogos do repórter com seu editor (o sempre preciso Stanley Tucci). E não faltam alusões pontuais sobre a nossa realidade, como na frase de um ex-militante: “É para isso que eu pago imposto? Para o governo grampear o meu telefone?”. Mais atual, impossível.

The Weatherman – Terrorismo ou Engajamento Político*
(The Weather Underground, EUA, 2002, Cor/P&B, 90’)
Direção: Sam Green, Bill Siegel

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Surgido no final dos anos 1960 em oposição à Guerra do Vietnã, The Weathermen (depois chamado The Weather Underground) foi um controverso grupo de jovens revolucionários que se utilizava de atentados violentos, incluindo explosões à bomba, para protestar contra o governo americano e suas instituições.

 

* Indicado ao Oscar de melhor documentário

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “INFÂNCIA CLANDESTINA”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Selecionado pela Argentina para disputar uma das indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano, "Infância Clandestina" ficou de fora, mas não deixa de ser um grande filme, tratando de maneira singela um tema sério - a luta contra a ditadura

Selecionado pela Argentina para disputar uma das indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro neste ano, “Infância Clandestina” ficou de fora da categoria (ven cida por “Amor”), mas não deixa de ser um belo trabalho, tratando de maneira singela um tema sério – a luta contra a ditadura

Que fique bem claro: a produção escolhida pela Argentina para concorrer à indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2013, disputando vaga com O Palhaço, também é brasileira. O próprio Benjamín Ávila, diretor do filme, não mediu palavras – e elogios – ao roteirista brasileiro Marcelo Müller, com quem dividiu o difícil trabalho de escrever um roteiro que conseguisse misturar, de forma harmônica, ficção e realidade. O resultado foi o belo trabalho que é Infância Clandestina, agora disponível na 2001 Video.

Na conversa com jornalistas após a exibição do filme, fiquei sabendo que o personagem Juan (Teo Gutiérrez Romero), um garoto de 12 anos, em parte encena a experiência do próprio diretor argentino. “O filme está baseado na minha infância, no que eu e meus irmãos vivemos. Não é autobiográfico, mas a partir dela criamos elementos fictícios para construir a história”, revela Benjamín Ávila. “Rodamos com o filme por festivais em todo o mundo e fiquei emocionado quando várias pessoas se manifestaram dizendo que também se sentiam como Juan. Um senhor de 75 anos da África do Sul que sofreu no Apartheid, uma mulher de 30 da Ucrânia que foi perseguida em seu país e uma iraniana de 24, que viveu a falta de liberdade.”

Além de tratar a luta armada contra a repressão na Argentina, nos anos 1970, o filme acompanha o rito de passagem do menino Juan (Teo Gutiérrez Romero), que descobre o amor

Além de mostrar a luta armada na Argentina dos anos 1970, o filme acompanha o rito de passagem do menino Juan (Teo Gutiérrez Romero), que descobre o amor. “Infância Clandestina” é narrado de seu ponto de vista

E é verdade. O filme fala da Argentina, mas tem o tema universal da repressão, do confisco da liberdade, da ruptura forçada das famílias. E, convenhamos, o cinema argentino sabe falar do assunto com muita competência. “O debate está muito mais vivo na Argentina do que aqui”, analisa Müller. “O argentino está mais debruçado, porque lá as violações aos direitos humanos ainda continuam. Há cerca de 400 crianças desaparecidas, que são hoje homens e mulheres que vivem em alguma parte do mundo e que não sabem sua história.” Aqui a recente Comissão da Verdade reativou o assunto; na Argentina, nunca foi apagado. “O filme seria diferente se o roteirista fosse argentino. Sendo brasileiro, ajudou para que a história fosse universal. Acredito muito mais nessa ideia de coprodução, do que quando ela é puramente econômica”, arremata.

Além de ter sido coescrito por um brasileiro (Marcelo Müller), o filme conta ainda com os atores Mayana Neiva e Douglas Simon, que interpretam parentes brasileiros de Juan

Além de ter sido coescrito por um brasileiro (Marcelo Müller), o filme ainda conta com os atores Douglas Simon e Mayana Neiva, nos papéis de parentes brasileiros de Juan

O ponto central do filme é Juan, que tem 12 anos e transmite, em todas as cenas, sem exceção, sua visão do que está acontecendo com seus pais guerrilheiros, perseguidos pelos militares nos anos 1970. A vida familiar, cotidiana e afetiva é totalmente integrada à vida clandestina, ao nome falso, ao esconderijo. Isso é tão forte no filme que até pareceu que o ator Teo Gutiérrez Romero já tivesse alguma experiência. Ávila me respondeu que não, que foi feito um trabalho de casting fortíssimo e que, de fato, Teo conseguiu transmitir a força, antagonismo e a luta pelo ideal da época, sem que seu lado emotivo, infantil, da descoberta do primeiro amor fossem deixados de lado.

Não pude deixar de lembrar outros filmes que também retratam a realidade dos anos de chumbo através do olhar infantil. O brasileiro O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, o chileno Machuca, o argentino Kamtchaca (ainda inédito em DVD no Brasil), e ainda o francês A Culpa é do Fidel. Mas Infância Clandestina usa uma ferramenta interessante e que foi muito bem ponderada no contexto da passagem da infância para a vida adulta – o próprio título já transmite esse antagonismo. Apesar de ter sido um movimento arriscado, decidiram usar a animação para retratar as cenas de violência contra os membros da família. O uso do traço adulto, quase um mangá, mistura fantasia e realidade, num desenho maduro e intenso. “Resolvemos fazer a animação nas cenas de agressão física, porque se filmássemos não seria novidade para ninguém”, diz Ávila. E funcionou, chama a atenção de todos e dá o tom dramático e lúdico que se pretendia. Afinal, segundo ele, é um filme para gerar perguntas, e não fornecer respostas.

 

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

OPINIÃO: CINEMA VERITE

Produção original da HBO, Cinema Verite é um contundente retrato das mudanças comportamentais em voga nos anos 1970

Ao transitar entre a ficção e cenas reais, Cinema Verite, dos diretores Shari Springer Berman e Robert Pulcini (O Anti-Herói Americano), retrata os bastidores do primeiro reality show televisivo nos EUA, produzido pela rede PBS nos anos 1970.

O cotidiano de uma família de classe média norte-americana, que revela todos os seus conflitos e dramas na frente das câmeras, torna-se ainda mais interessante ao discutir ética profissional, exploração de imagem, divórcio e homossexualidade.

James Gandolfini interpreta o produtor do programa, e Diane Lane e Tim Robbins, o casal que decide abrir a intimidade da família em rede nacional

A desmistificação da família que vive o ideal do american way of life (o sonho americano), assim como a exploração comercial em cima das nuances de seus dramas pessoais, faz do filme não apenas uma ferramenta de entretenimento, mas também uma reflexão sobre a sociedade na qual vivemos.

 

Comentário de
Patrícia Simões
Colaboradora da 2001 Vídeo Jardins
Rua Estados Unidos, 1324, Jd. América – São Paulo – SP