Berlin Alexanderplatz

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: ARTE E CINEMA EUROPEU

Confira a seguir as dicas da equipe 2001 Vídeo:

Nathalie Granger
(Idem, FRA, 1972, Cor, 83′)
Direção: Marguerite Duras
Elenco: Lucia Bosé, Jeanne Moreau, Gérard Depardieu

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Uma das mais importantes escritoras francesas do pós-guerra, Marguerite Duras (1914-1996) escreveu o clássico Hiroshima, Meu Amor (1959), de Alain Resnais. O sucesso do filme a estimulou a dirigir seus próprios roteiros, como Nathalie Granger. Nele, Duras lança, antes de Chantal Akerman em Jeanne Dielman (1975), um olhar minimalista sobre a rotina doméstica e os tempos mortos que inevitavelmente compõem a existência humana.

A trama acompanha uma tarde na vida de duas mulheres, fechadas silenciosamente em casa. Uma delas, Isabelle Granger, está preocupada com o comportamento violento da filha, Nathalie.

Os Deuses Malditos*
(La Caduta Degli Dei, ITA/ALE, 1969, Cor, 157′)
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Dirk Bogarde, Ingrid Thulin, Helmut Berger, Helmut Griem, Charlotte Rampling, Florinda Bolkan

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Alemanha, 1933. Após o assassinato de seu patriarca, o barão Joachim Von Essenbeck, uma poderosa família de industriais é corroída por uma violenta luta pelo poder entre seus membros.

Início da chamada “trilogia alemã” do italiano Luchino Visconti, completada por Morte em Veneza (1971) e Ludwig (1972), esse clássico chocou o público na época de seu lançamento. Filme favorito de Rainer Werner Fassbinder (Berlin Alexanderplatz, Querelle), o drama épico do diretor de O Leopardo se assemelha ao Macbeth de William Shakespeare, com seus personagens arriscando tudo (ética, honra, vidas) para ascender social e materialmente. Cenas de incesto, pedofilia e um massacre durante orgia militar refletem a decadência moral dos Von Essenbecks, paralelamente à ascensão do nazismo entre 1933 e 1934. Em jogo, a fábrica da família, o poder que a todos corrompe, assim como o nazismo fazia com a Alemanha.

* Indicado ao Oscar de melhor roteiro original

Berlin Alexanderplatz
(Idem, ALE/ITA, 1980, Cor, 941′)
Direção: Rainer Werner Fassbinder
Elenco: Günter Lamprecht, Karlheinz Braun, Hanna Schygulla, Claus Holm

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Baseando-se no grande romance expressionista de Alfred Döblin, Rainer Werner Fassbinder narra a história de Franz Biberkopf. Após cumprir quatro anos de prisão, ele decide começar uma vida nova na Berlim do final dos anos 20. Será que Franz conseguirá se tornar um “homem decente” na corrosiva paisagem urbana da República de Weimar?

A busca pela “vida autêntica” era a intenção primordial também do romance homônimo de Döblin, médico especializado em tratamento de distúrbios psíquicos, cujo consultório ficava nas imediações da Praça Alexander, em Berlim. O cineasta alemão era fascinado por essa obra, que já o inspirara a realizar Deuses da Peste (1970), sobre um homem, também chamado Franz, que saía da prisão.

“Eu quero ver o que se passa nas pessoas, e isso é preciso ver nos rostos delas. Por isso, não preciso de nenhum detalhe no segundo plano. Eu acho mais certo é que as figuras se movam aqui dentro no escuro – como acontece também na vida autêntica” – Rainer Werner Fassbinder (1945-1982), sobre "Berlin Alexanderplatz"

“Eu quero ver o que se passa nas pessoas, e isso é preciso ver nos rostos delas. Por isso, não preciso de nenhum detalhe no segundo plano. Eu acho mais certo é que as figuras se movam aqui dentro no escuro – como acontece também na vida autêntica” – Rainer Werner Fassbinder (1945-1982) sobre “Berlin Alexanderplatz”

Minissérie coproduzida pela televisão estatal alemã WDR, dividida em 13 episódios mais um epílogo, todos incluídos na bela edição lançada no Brasil pela Versátil.

Bom Dia, Noite
(Buongiorno, Notte, ITA, 2003, Cor, 103′)
Direção: Marco Bellocchio
Elenco: Luigi Lo Cascio, Maya Sansa, Roberto Herlitzka

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Marco Bellocchio (De Punhos Cerrados e Vincere) revisita um dos fatos políticos mais importantes da Itália: o brutal sequestro que culminou na execução de Aldo Moro (1916-1978), então presidente da Democracia Cristã (partido político italiano). Em 1978, ele ficou 55 dias em poder das Brigadas Vermelhas e foi encontrado morto com 11 tiros num carro em Roma.

Segundo o cineasta, a Itália nunca mais foi a mesma depois da morte de Moro. Mas, diferentemente de produções italianas anteriores, como O Caso Aldo Moro (1986), de Giuseppe Ferrara, Bellocchio não pretendeu fazer uma reconstituição fiel dos fatos. “O meu filme é, antes de mais nada, uma obra de ficção, necessariamente infiel”, explicou.

O caso é narrado a partir do ponto de vista de uma personagem ficcional, Chiara (Maya Sansa), jovem brigadista cujos pais lutaram contra Mussolini. No release para a imprensa, há uma nota sobre a escolha da clássica The Great Gip in the Sky, do álbum Dark Side of the Moon, do Pink Floyd: “A canção simboliza, segundo o diretor, revolta e desespero”.

Além de O Caso Aldo Moro, alugue na 2001 outro filme sobre essa tragédia italiana, o ótimo policial Ligações Criminosas.

* European Film Award: melhor filme europeu do ano pela crítica

O Mahabharata
(The Mahabharata, AUS/BEL/DIN/EUA/FIN/FRA/ING/IRL, 1989, Cor, 325′)
Direção: Peter Brook
Elenco: Erika Alexander, Maurice Bénichou, Amba Bihler, Lou Bihler, Urs Bihler, Ryszard Cieslak, Georges Corraface

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O lendário diretor teatral Peter Brook (Marat/Sade) e o roteirista Jean-Claude Carrière (A Insustentável Leveza do Ser), fiel colaborador de Luis Buñuel, ousaram ao transformar em filme O Mahabharata, o maior poema de todos os tempos (maior volume de texto numa única obra humana).

Em pouco mais de quatro horas, eles resumem de maneira brilhante os quase 90 mil versos e 1,8 milhões de palavras desta que é a principal obra do hinduísmo. Destaque também para o elenco heterogêneo, com atores e atrizes de mais de 42 países. Confira o box na prateleira de Arte das lojas da 2001 e, nos extras do terceiro disco, um making of sobre a produção.