cinema alemão

EM EDIÇÕES ESPECIAIS, EXPRESSIONISMO ALEMÃO, ALAIN DELON E UM CULT DO CINEMA INDIE

COM 3 DISCOS + CARDS, A COLEÇÃO “EXPRESSIONISMO ALEMÃO – VOL.2” REÚNE 5 CLÁSSICOS – INCLUINDO AS DUAS PARTES DE “OS NIBELUNGOS” DIRIGIDAS POR FRITZ LANG. JÁ “OS AVENTUREIROS” É UMA AVENTURA FRANCESA DOS ANOS 1960 COM ALAIN DELON E LINO VENTURA, E “UMA NOITE SOBRE A TERRA” É UM DOS CULTS DA CARREIRA DE JIM JARMUSCH, COM NOMES COMO WINONA RYDER, GENA ROWLANDS E ROBERTO BENIGNI NO ELENCO.

EXPRESSIONISMO ALEMÃO – VOL. 2

No formato digistak com 3 DVDs, o box resgata cinco clássicos do influente movimento cinematográfico alemão. Confira as novas versões restauradas de trabalhos de Fritz Lang, F.W. Murnau, G. W. Pabst, Paul Wegener e Carl Boese.

Edição especial com mais de 90 minutos de extras e 5 cards de brinde.

DISCO 1:

A ÚLTIMA GARGALHADA (Der letzte Mann, The Last Laugh, 1924, 90 min.)
Direção: Friedrich Wilhelm Murnau. Com Emil Jannings, Maly Delschaft, Max Hiller.

Um velho porteiro de hotel acaba substituído por um empregado mais jovem, e posto para trabalhar como ajudante de lavatório. Ridicularizado por seus vizinhos e amigos, ele volta ao hotel à noite em busca de seu antigo uniforme, símbolo de sua glória passada.

OS NIBELUNGOS – A MORTE DE SIEGFRIED (Die Nibelungen: Siegfried, The Nibelungs Part I: Siegfried, 1924, 150 min.)
Direção: Fritz Lang. Com Paul Richter, Margarete Schön, Theodor Loos.

Após roubar o tesouro dos Nibelungos – anões que vivem debaixo da terra -, Siegfried corteja a bela Kriemhild, irmã de Gunther, rei dos Burgúndios. O rei pede que Siegfried o ajude a seduzir a rainha virgem Brunhild que, ao desvendar a trama, pede a cabeça do herói. Primeira parte da adaptação de uma velha lenda escandinava pelo mestre alemão.

DISCO 2:

OS NIBELUNGOS – A VINGANÇA DE KRIEMHILD (Die Nibelungen: Kriemhilds Rache, The Nibelungs Part II: Kriemhild’s Revenge, 1924, 131 min.)
Direção: Fritz Lang. Com Margarete Schön, Gertrud Arnold, Theodor Loos.

Kriemhild torna-se a mulher do Rei dos Hunos, Etzel, e dá à luz um filho. Em sua sede para vingar Siegfried, ela convida seus irmãos para celebrar o nascimento da criança e ao mesmo tempo arma uma cilada. No castelo, enquanto se iniciam as festividades, os hunos atacam os nibelungos e uma batalha se desenrola a fim de matar Hagen.

O GOLEM, COMO VEIO AO MUNDO (Der Golem, wie er in die Welt kam, The Golem, 1920, 85 min.)
Direção: Paul Wegener, Carl Boese. Com Paul Wegener, Albert Steinrück, Ernst Deutsch.

Em Praga, no século XVI, uma pequena vila de judeus é posta em cheque pelo kaiser. Para defender a cidade, o velho cientista Rabbi Lowe se volta aos antigos recursos alquimistas para criar o Golem, um ser de cera de enorme força. À medida que o tempo passa, a criatura passa a ter consciência da própria existência e decidir os rumos de suas ações.

DISCO 3:

DIÁRIO DE UMA GAROTA PERDIDA (Tagebuch einer Verlorenen, Diary of a Lost Girl, 1929, 113 min.)
Direção: Georg Wilhelm Pabst. Com Louise Brooks, Josef Rovenský, Fritz Rasp.

A jovem Thymian é separada de seu filho, fruto de uma gravidez indesejada, e é enviada para um reformatório. A partir desses fatos, sua vida se transforma num pesadelo sem fim, com muitas reviravoltas, tornando-se desde uma garota de bordel até uma respeitada condessa.

EXTRAS: Mais de 90 minutos, incluindo 2 inéditos documentários que falam sobre os processos de restauração, técnicas de produção, visão de bastidores e influências na cultura dos filmes “Os Nibelungos” e “A Última Gargalhada”.

OS AVENTUREIROS

Dirigido por Robert Enrico (“O Velho Fuzil”), o filme é um dos maiores sucessos de Alain Delon nos anos 1960 e foi baseado em romance do escritor e cineasta francês José Giovanni (“Dois Homens Contra uma Cidade”).

Aventura típica do cinema europeu dos anos 1960, “Os Aventureiros” apresenta o humor leve, a explosão de cores e o senso de liberdade de outras produções do período (“Modesty Blaise“, “O Homem do Rio”), e traz Delon no papel de Manu, um piloto de corridas, e Lino Ventura como Roland, um mecânico. Amigos inseparáveis e fãs de esportes radicais, eles veem seus negócios sempre fracassarem.

Após Manu perder sua licença de piloto, a dupla resolve partir e, ao lado de Laetitia (Joanna Shimkus) – uma jovem artista em crise -, busca um tesouro afundado ao largo da costa do Congo.

EXTRAS: Making of do filme, entrevista com Joanna Shimkus.

UMA NOITE SOBRE A TERRA

Um dos principais expoentes do cinema independente norte-americano na década de 80, Jim Jarmusch exerceu várias funções atrás da câmera, incluindo assistência de produção em “Um Filme para Nick” (1980), de Wim Wenders, documentário sobre os últimos dias de Nicholas Ray.

Dirigiu seu longa de estreia, “Permanent Vacation” (1980), quando ainda era aluno de cinema na New York University, onde teve o privilégio de estudar com Ray (antes, ele já havia se formado em letras pela Columbia University). Assim como seu ídolo, Jarmusch demonstraria em sua carreira especial apreço por personagens marginais, mostrando o lado B dos Estados Unidos.

Na comédia dramática “Uma Noite Sobre a Terra” (1991), Jarmusch reuniu um elenco internacional – com nomes como Gena Rowlands, Winona Ryder, Armin Mueller-Stahl, Beatrice Dalle e Roberto Benigni – para um filme em segmentos de deslocamento urbano e angústia existencial em diferentes localizações.

São cinco histórias, cinco cidades, cinco táxis, cinco taxistas e várias viagens diferentes. Los Angeles, Helsinque, Nova Iorque, Paris e Roma servem de palco para segmentos distintos que formam um verdadeiro mosaico de histórias e situações inesperadas, divertidas, inusitadas e emocionantes.

EXTRAS: Jim Jarmusch responde perguntas de fãs, entrevista com o diretor.

DE SICA, FASSBINDER, LUMET, VON TROTTA E KEN RUSSELL NA 2001

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SÓ NA 2001 VOCÊ ENCONTRA RARIDADES COMO UMA COMÉDIA DE VITTORIO DE SICA COM PETER SELLERS, DOIS CLÁSSICOS DE RAINER WERNER FASSBINDER, UM DRAMA POLÍTICO DE SIDNEY LUMET BASEADO EM FATOS REAIS, A HISTÓRIA DE ROSA LUXEMBURGO, E DOIS TRABALHOS DO CINEASTA KEN RUSSELL NOS ANOS 80.

O FINO DA VIGARICE

7

Escrito por Cesare Zavattini (“Ontem, Hoje e Amanhã”) e Neil Simon (“A Garota do Adeus”), o filme é mais uma divertida comédia do mestre Vittorio De Sica, que desta vez satiriza os bastidores do cinema. Na trama, Aldo Vanucci (Peter Sellers), ladrão e mestre dos disfarces, finge ser um diretor de cinema num vilarejo no interior da Itália, onde a produção de um filme é mero pretexto para a execução de um roubo milionário. Victor Mature, Britt Ekland, Martin Balsam e Akim Tamiroff completam o elenco.

EFFI BRIEST – AMOR E PRECONCEITO

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Uma raridade do mestre Rainer Werner Fassbinder (1945-1982) – e prova do romantismo por trás do genial cineasta alemão. No século XIX, uma jovem de 17 anos, Effi Briest (Hanna Schygulla) é casada com um homem mais velho que não ama, o Barão von Instetten (Wolfgang Schenck). Enquanto o marido se preocupa com os negócios, Effi passa o seu tempo andando pela cidade com Crampas. Adaptado do romance homônimo de 1898, escrito pelo alemão Theodor Fontane, “Effi Briest” marca o 16º longa do prolífico Fassbinder em cinco anos de carreira.

A VIAGEM DE MÃE KUSTERS PARA O CÉU

2

Lançado originalmente em 1975, o filme é um complexo estudo das consequências sociais e emocionais da exploração pública de uma tragédia pessoal. Sufocada pela rotina doméstica e explorada pela família, Emma Küsters (Brigitte Mira) vê seu mundo desmoronar a partir do suicídio de seu marido, que antes ainda matou o supervisor da fábrica onde trabalha. Assim que a imprensa fica sabendo da história, Kürsters vira celebridade e é perseguida pela mídia sensacionalista. Para complicar, um casal comunista quer associar a tragédia a um ato político.

DANIEL

3

O grande Sidney Lumet (“Um Dia de Cão”, “Rede de Intrigas”) dirige Timothy Hutton neste austero drama político baseado em fatos do Caso Rosenberg. Nele, Julius e Ethel Rosenberg foram executados após terem sido confundidos com espiões soviéticos, em plena paranoia anti-comunista dos anos 1950. “Daniel” narra, de forma romanceada, a vida do filho desse casal, agora adulto, durante a revolução social da década de 1960 tentando entender a verdade em torno da tragédia de seus pais. Baseado no romance “The Book of Daniel”, escrito pelo aclamado E.L. Doctorow, também autor do roteiro do longa, é um dos trabalhos menos conhecidos (mas não menos importantes) de Lumet.

ROSA LUXEMBURGO

4

Barbara Sukowa recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por sua brilhante atuação no papel título. Com direção e roteiro de Margarethe von Trotta (“Hannah Arendt”), o filme é uma cinebiografia apaixonada da oradora e teórica marxista Rosa Luxemburgo (1871-1919), representante do pensamento e da ação social-democrata na Europa. Ao lado de Karl Liebknecht e outros colegas, ela tentou arduamente impedir a Primeira Guerra Mundial, que eclodiu em 1914 e terminou em 1918.

VIAGENS ALUCINANTES

5

Indicado a dois prêmios Oscar (melhor som e trilha sonora original), o filme é uma das maiores extravagâncias visuais de Ken Russell (1927–2011) e marca a estreia de William Hurt no cinema. Adaptado por Paddy Chayefsky (“Rede de Intrigas”) a partir de seu romance homônimo, o roteiro acompanha – por meio de imagens lisérgicas típicas do diretor  – os experimentos de Eddie Jessup (Hurt), cientista que acredita na existência de outros estados de consciência. Para provar sua tese, ele usa a si mesmo como cobaia numa série de experiências usando alucinógenos e uma câmara de isolamento que pode alterar a própria evolução humana.

O DESPERTAR DE UMA MULHER APAIXONADA

6

Espécie de prequel (“pré-sequência”) do clássico “Mulheres Apaixonadas” (1969) dirigida pelo mesmo diretor, o enfant terrible Ken Russell. Quase 20 anos depois, o diretor inglês voltou a adaptar D.H. Lawrence, mostrando as irmãs Brangwen ainda garotas, na Inglaterra pastoral dos anos 1920. Na escola, a jovem Ursula (Sammi Davis) envolve-se com sua professora de natação e tem um caso com um jovem oficial do exército, que quer se casar com ela. Glenda Jackson interpreta a mãe de Gudrun, que foi sua personagem em “Mulheres Apaixonadas”.

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: CINEMA EUROPEU

Therese D.
(Thérèse Desqueyroux, FRA
Direção: Claude Miller
Elenco: Audrey Tautou, Gilles Lellouche, Anaïs Demoustier, Catherine Arditi

Therese-dBaseado no romance de François Mauriac, Thérèse Desqueyroux, o filme marca o último trabalho do veterano cineasta francês Claude Miller (Feliz que Minha Mãe Esteja Viva) antes de sua morte, em 4 de abril de 2012.

“Você nunca vai precisar trabalhar”, Bernard (Gilles Lellouche, de Até a Eternidade) promete à esposa Thérèse (Audrey Tautou), logo no início da trama. Os dois são unidos por um grande arranjo financeiro entre suas famílias, ou seja, casam por conveniência. Só que a inconformista Thérèse não consegue conter suas inquietações, principalmente intelectuais, em meio aos modos rudes e a falta de sensibilidade do marido. Dona de ideias progressistas, ela vive entediada e infeliz como uma Anna Karenina francesa em plena década de 1920.

Ao invés de lutar pela própria felicidade, Thérèse refugia-se na negação, interiorizando seus sentimentos, sempre sufocada pela proteção de seu marido e as pressões familiares. Mas, em uma tentativa desesperada de desvencilhar-se das amarras de sua vida, a heroína inicia medidas tão desesperadas quanto condenáveis, que contribuem para a sua difícil empatia com o público. Interpretada com a frieza necessária por Audrey Tautou, a personagem permanece um mistério, com suas emoções contraditórias e postura distante.

Audrey Tautou em "Therese D": atuação cheia de nuances, e distanciamento emocional

A eterna “Amélie Poulain” Audrey Tautou em “Therese D”: atuação cheia de nuances, e distanciamento emocional de uma personagem altamente interiorizada

No romance que deu origem ao filme, a história começa com o julgamento de Thérèse, e sua trajetória até ali é revelada em flashbacks. Diferentemente do livro, e da adaptação cinematográfica de Georges Franju em 1962, Therese D. acompanha em tempo linear a trajetória de uma mulher de espírito livre enclausurada pelos códigos sociais de uma sociedade obcecada com religião, reputação e bens materiais.

 
Camille Outra Vez
(Camille Redouble, FRA, 2011, Cor, 115′)
Direção: Noémie Lvovsky
Elenco: Noémie Lvovsky, Samir Guesmi, Judith Chemla, Yolande Moreau, Jean-Pierre Léaud

72147_f1Camille (Naémie Lvovsky, de Adeus, Minha Rainha) tinha 16 anos quando conheceu Eric. Infelizmente, como a maioria dos casamentos modernos, o amor terminou e o marido a trocou por uma mulher mais jovem. Atriz desempregada, ela afoga as mágoas no álcool e desabafa suas frustrações com seu gatinho de estimação e confidente.

À semelhança de Kathleen Turner em Peggy Sue (1986), Camille desmaia em uma festa e acorda no passado, prestes a completar 16 anos. Como num passe de mágica, ela reencontra seus pais, seus amigos e o ex – justamente na época em que se conheceram. Será que ela vai tentar escapar de seu destino e mudar a vida dos dois? Ou vai amar de novo, colocando em risco a existência de sua filha de 23 anos?

Na casa de sua infância, a outrora quarentona volta a conviver com a mãe – que faleceria exatamente dentro de 40 dias – e o pai amoroso. Boa parte do humor nonsense e por vezes sentimental de Camille Outra Vez reside no fato da protagonista continuar sendo interpretada por Naémi, mas ser vista como uma adolescente por aqueles a sua volta. Ou seja, o espectador vê a mulher de meia idade do início interagindo naturalmente com os jovens no seu passado.

Camille, na pele da atriz francesa Noemie Lvovsky, volta aos tempos de colégio na típica comédia centrada numa viagem no tempo para ajustar, por meio do passado, o próprio presente

Camille, na pele da atriz francesa Noemie Lvovsky, volta aos tempos de colégio na típica comédia centrada numa viagem no tempo para ajustar, por meio do passado, o próprio presente. O filme traz ainda no elenco Mathieu Amalric (“Turnê), na pele de um professor, e o veterano Jean Pierre-Léaud, o célebre ator de “Os Incompreendidos”

Fisicamente, Camille não causa estranhamento para seus pares em 1985, mas sim para o espectador, que testemunha o choque cultural de alguém de 40 anos, muito mais experiente, trocando experiências com jovens no colegial. O que poderia se tornar uma comédia adolescente ganha humanidade pelo olhar maduro da atriz Naémie Lvovsky, que ainda coescreveu e dirigiu o filme premiado no Festival de Cannes em 2012. Não é todo mundo que tem a chance de reviver a adolescência e, o que é melhor, dividir alguns de seus melhores momentos com seus pais, tendo a maturidade de hoje.

 
Os Amantes Passageiros
(Los Amantes Pasajeros, ESP, 2013, Cor, 90′)
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Carlos Areces, Javier Cámara, Raúl Arévalo, Lola Dueñas, Hugo Silva, Antonio de la Torre

Os-Amantes-PassageirosEm Amantes Passageiros, Pedro Almodóvar deixa de lado a introspecção dramática de seus últimos filmes (Abraços Partidos, A Pele que Habito) e resgata a veia cômica das transgressoras comédias do início de sua carreira.

No filme, um trio de comissários de bordo gay quebra todas as regras ao saber que o avião em que estão enfrenta problemas, levando a tripulação à loucura. Em virtude uma falha técnica, o avião que segue da Espanha para o México voa em círculos, mantendo o desfecho em suspense.

Para evitar o pânico geral, os comissários servem um relaxante muscular para os passageiros e tentam desviar a atenção daqueles que restaram insones, entre elas uma sensitiva virgem e a veterana atriz pornô interpretada por Cecilia Roth (Tudo Sobre Minha Mãe).

"Gaiola das Loucas" encontra "Apertem os Cintos... o Piloto Sumiu" na nova comédia de Pedro Almodóvar, a anárquica "Os Amantes Passageiros"

“Gaiola das Loucas” encontra “Apertem os Cintos… o Piloto Sumiu” na nova comédia de Pedro Almodóvar, a anárquica (e sexualmente ousada) “Os Amantes Passageiros”

Com participações especiais de Antonio Banderas, Penélope Cruz e Paz Vega (Lúcia e o Sexo), o longa é uma despretensiosa comédia ambientada quase todo o tempo no avião, que serve de verdadeiro palco para as maluquices dos comissários vividos por Javier Cámara (o enfermeiro de Fale com Ela), Raúl Arévalo e Carlos Areces. Espécie de alter-egos de Almodóvar, os três entretêm a tripulação com comentários cheios de malícia sexual, piadas ultrajantes e uma apresentação musical ao som de I’m So Excited, das The Pointer Sisters.

 
A Alegria de Emma
(Emmas Glück, ALE, 2006, Cor, 99′)
Direção: Sven Taddicken
Elenco: Jördis Triebel, Jürgen Vogel, Maik Solbach, Martin Feifel

71310_f1Os modos de vida rural e urbano colidem no simpático drama romântico alemão A Alegria de Emma quando um paciente terminal sofre um acidente de carro quase fatal, e é resgatado por uma jovem fazendeira.

Contador de uma loja de carros de luxo, Max descobre ter pouco tempo de vida, pois sofre de câncer no pâncreas. Ele tenta seguir adiante, mas não consegue: decide abandonar tudo. Para isso, rouba o dinheiro e um carro da firma, só que, durante a fuga, capota violentamente.

Em vias de perder a fazenda que administra sozinha, a jovem Emma do título ouve a colisão perto dali e tira Max de dentro do carro antes de sua explosão. Ela salva o rapaz da morte, mas não conta que pegou o dinheiro do roubo para si.

Começa entre os dois um jogo de poder, já que a polícia aparece e Emma não revela o paradeiro de Max que, por sua vez, encontra abrigo na fazenda e passa por um processo de humanização, tentando recomeçar a vida ao lado de uma desconhecida num meio rural que lhe é totalmente estranho. É desse contraste que o premiado filme alemão tira proveito, valorizando a dinâmica entre indivíduos de formações diferentes, mas que compartilham do mesmo sentimento de inadequação.

"A Alegria de Emma" é uma bela história de amor - e superação - entre duas pessoas completamente diferentes. À beira da morte em virtude de um câncer, Max encontra forças no romance inesperado com a personagem-título

“A Alegria de Emma” é uma bela história de amor – e superação – entre duas pessoas completamente diferentes. À beira da morte em virtude de um câncer, Max encontra forças no romance inesperado com a personagem-título

Independente e ao mesmo tempo emocionalmente infantilizada, Emma vive isolada da comunidade. Questionada no primeiro encontro com Max se mora sozinha, responde que não. “Moro com 21 porcos, 3 porcas e 17 leitões”. Os dois têm mais em comum do que pensam: enquanto a cativante Emma pode ficar sem sua propriedade, Max pode perder a vida – ou ser preso antes. O amor entre seres tão distintos surge quando menos se espera: da adversidade.

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: CINEMA EUROPEU

Confira a seguir as sugestões da equipe 2001 Vídeo:

Juliette Binoche brilha mais uma vez, no papel de uma mulher de 25 anos que acorda com 41 em "A Vida de Outra Mulher", comédia dramática que reflete sobre as escolhas de uma vida

Juliette Binoche brilha no papel de uma mulher de 25 anos que acorda com 41 em “A Vida de Outra Mulher”, comédia dramática que reflete sobre as escolhas de uma vida

A Vida de Outra Mulher
(La Vie d’une Autre, FRA/BEL/LUX, 2012, Cor, 97′)
Imovision – Cinema Europeu – 12 anos
Direção: Sylvie Testud
Elenco: Juliette Binoche, Mathieu Kassovitz, Aure Atika, François Berléand

Sinopse: Ao completar 25 anos, Marie consegue o emprego dos sonhos e também conhece o grande amor de sua vida, Paul. Ao acordar na manhã seguinte, descobre que é o dia em que completa 41 anos, e que esqueceu tudo o que ocorreu nesse intervalo de tempo.

 
Atriz de Piaf – Um Hino ao Amor, Sylvie Testud estreia na direção de longa-metragem com A Vida de Outra Mulher, comédia dramática que parte de premissas hollywoodianas. A perda da memória, o pulo no tempo e a reconquista do amor presentes em, por exemplo, De Repente 30 e Para Sempre, ecoam na história de Marie, que esqueceu os últimos 16 anos de sua vida.

Juliette Binoche empresta seu inegável carisma à protagonista, em seus 25 anos, logo no início do filme, e aos 41, acordando após sua primeira noite de amor com Paul (Mathieu Kassovitz, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain). Como num passe de mágica, a trama avança no tempo, acompanhando o desespero de Marie ao acordar quarentona, casada com Paul, mãe de um menino de 7 anos e ainda por cima dona de alto cargo no mercado financeiro. Nada lhe é familiar, não há lembranças de como chegou até ali, apenas indícios de tudo o que sempre sonhou, como a estabilidade econômica e o homem de seus sonhos.

Juliette Binoche faz dupla com Mathieu Kassovitz, ator ("O Fabuloso Destino de Amélie Poulain") que se tornou diretor de filmes como "O Ódio" e "A Rebelião"

Em boa fase, Juliette Binoche faz dupla com Mathieu Kassovitz (“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”), ator  que virou um respeitado diretor de filmes como “O Ódio” e “A Rebelião”

Tudo parece perfeito, só que Marie não está em um sonho. A realidade nunca é tão simples e por trás de sua imagem de sucesso escondem-se vários problemas. O que deu errado no meio do caminho? Sem saber o que aconteceu, só resta à personagem juntar as pontas soltas, tentar consertar seus erros e redescobrir quem era para melhorar a mulher na qual se tornou.

Versátil, Juliette se equilibra com energia entre o humor tragicômico da sucessão de descobertas iniciais, e o drama advindo da percepção que sucesso material não equivale necessariamente a felicidade.

Quantos de nós nos tornamos o que sonhamos para o curso de nossas vidas? Marie tem a chance de perceber, a partir de uma circunstância temporal inusitada, o que precisa mudar para tornar-se realmente quem é.

Comédia de humor negro em esquetes, o filme tem episódio dirigido por Michel Hazanavicius com a estrela de seu "O Artista", Jean Dujardin

Comédia de humor negro em esquetes em torno da infidelidade masculina, o filme tem episódio dirigido por Michel Hazanavicius com a estrela de seu “O Artista”, Jean Dujardin

Os Infiéis
(Les infidèles, FRA, 2012, Cor, 109′)
Imovision – Cinema Europeu – 16 anos
Direção: Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alexandre Courtès, Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Jan Kounen, Eric Lartigau, Gilles Lellouche
Elenco: Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Guillaume Canet, Mathilda May, Clara Ponsot

Sinopse: Os triunfos e desastres de homens infiéis em diferentes histórias retratando o comportamento masculino.

 
Lançado na França dias depois do triunfo de O Artista no Oscar, Os Infiéis atraiu atenção por trazer Jean Dujardin em uma ousada comédia de humor negro com referências sexuais explícitas. Projeto pessoal do ator francês, o filme é um emaranhado de esquetes temáticos, todos com a sua presença e a de Gilles Lellouch (Até a Eternidade). Interpretando diferentes papéis em histórias sem ligação direta, com exceção da dupla de amigos do primeiro segmento, os dois representam o estereótipo do machão conquistador. Deixam suas mulheres em casa para sair à noite em busca de sexo fácil, em um exercício de autoafirmação.

A vitória de "O Artista" no Oscar 2012 atraiu muita atenção para "Os Infiéis", que traz o mesmo ator, Jean Dujardin, no elenco. Mas o conteúdo provocador da comédia causou polêmica na França, assim como os pôsteres sugestivos, banidos no país

A vitória de “O Artista” no Oscar 2012 atraiu muita atenção para “Os Infiéis”, que traz o mesmo ator, Jean Dujardin, no elenco. Mas o conteúdo provocador da comédia causou polêmica na França, assim como os pôsteres sugestivos, banidos no país

Em episódios dirigidos por nomes como Michel Hazanavicius, o próprio Dujardin e Lellouche, a comédia narra diferentes histórias sobre as tentações do homem moderno, brincando com as fantasias sexuais de figuras patéticas como o “tiozão” que se deixa seduzir por uma “lolita” e os membros do grupo de terapia a maridos adúlteros, o “Infiéis Anônimos”.

Pode parecer machista, mas o final – um dos mais desconcertantes do cinema recente – põe à prova essa leitura, mudando totalmente a perspectiva do espectador sobre o filme.

"À Espera de Turistas" mostra a importância de relembrar o Holocausto para as novas gerações, desenvolvendo a difícil convivência entre um jovem alemão e um sobrevivente de Auschwitz, na Polônia

De forma original e sem maniqueísmos, “À Espera de Turistas” mostra a importância de relembrar o Holocausto para as novas gerações, desenvolvendo a difícil convivência entre um jovem alemão e um sobrevivente de Auschwitz, na Polônia

À Espera de Turistas
(Am Ende Kommen Touristen, ALE, 2012, Cor, 85′)
Europa – Cinema Europeu – 12 anos
Direção: Robert Thalheim
Elenco: Alexander Fehling, Ryszard Ronczewski, Barbara Wysocka

Sinopse: Um jovem alemão é enviado para prestar serviço comunitário em Auschwitz, na Polônia, e passa a cuidar de um sobrevivente do Holocausto, Krzeminski.

 
Os horrores do nazismo e os traumas por ele provocados nunca deixarão de servir de tema para o cinema. O grande mérito de À Espera de Turistas é tratar desse passado trágico pela perspectiva da geração atual, com seu distanciamento — e desconhecimento — habituais. À semelhança de Uma Cidade Sem Passado (1990, ainda inédito em DVD no Brasil), cabe a um jovem alemão questionar aqueles a sua volta sobre a importância das memórias desse período.

Entre servir o exército na Alemanha ou prestar serviço comunitário, Sven (Alexander Fehling, de Bastardos Inglórios) opta pela segunda opção, sendo enviado para trabalhar em um albergue da juventude na cidade de Auschwitz. Uma de suas principais atividades é servir de cuidador para o senhor Krzeminski, ex-prisioneiro de um dos campos de concentração que haviam na região.

Krzeminski e Sven em cena: a difícil troca de experiências entre gerações diferentes permeia o sóbrio drama alemão sobre a importância da memória de uma grande tragédia

Krzeminski e Sven em cena: a difícil troca de experiências entre gerações diferentes permeia o sóbrio drama alemão sobre a importância da memória de sobreviventes da guerra

A convivência entre os dois náo é fácil, com o velhinho reticente a receber ajuda de Sven, que aceita a rotina de trabalho com humildade e extremo respeito. Com sutileza, o filme constrói a aproximação entre os dois e manifesta pelo não dito a sensação de estranhamento de um jovem sem objetivos ou sonhos, longe de casa.

Veterano do cinema polonês, com uma participação no clássico surrealista O Manuscrito de Saragoça (1965), Ryszard Ronczewski transfere toda a sua dignidade para o papel do octogenário Krzeminski. Símbolo de sobrevivência, o personagem tem consciência de seu valor, ao mesmo tempo em que é usado pelas autoridades em cerimoniais para cumprir tabela. Sua falta de paciência é resultado direto da falta de sensibilidade daqueles a sua volta. “Mostra a Lista de Schindler pra eles. Vai causar mais impacto”, conclui ao tentar explicar suas experiências para um grupo de jovens incapazes de formular uma só pergunta relevante.

Não se remove uma árvore velha, nem aqueles que nos lembram do passado. São suas memórias e reminiscências que alimentam o presente.

HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR

COM A APROXIMAÇÃO DO FIM DO MUNDO – SEGUNDO O CALENDÁRIO MAIA -, QUE TAL UMA BELA REFLEXÃO SOBRE AMOR, VIDA E MORTE PARA O SEU PACOTE DE FERIADO?

Incrível sucesso boca-a-boca no circuito de arte em São Paulo, Hanami é uma ótima opção de catálogo para os clientes da 2001 que optarem pelo pacote de feriado

Incrível sucesso no circuito de arte em São Paulo, Hanami é uma ótima opção de catálogo para os clientes da 2001 que optarem pelo pacote de locação de Natal

Hanami – Cerejeiras em Flor
(Kirschblüten, ALE/FRA, 2008, Cor, 127′)
Direção: Doris Dörrie
Elenco: Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki

Sinopse: Apenas Trudi sabe que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal. Sem conhecer o próprio estado de saúde, ele viaja com a esposa para rever seus filhos e netos em Berlim.

 

Reflexão sobre a velhice e a busca de um sentido para a vida em seu crepúsculo, Hanami tornou-se um sucesso boca-a-boca entre os amantes do cinema europeu. Com momentos de grande candura e lirismo, o drama escrito e dirigido pela alemã Doris Dörrie surpreende com uma reviravolta inicial que quebra todas as expectativas do espectador, mudando o ponto de vista da narrativa.

O casal alemão, em visita aos filhos já adultos, sempre ocupados com algo e incapazes de passar um tempo de qualidade com os pais. Um reflexo da correria cotidiana e da falta de atenção dos jovens com os mais velhos

O casal alemão, em visita aos filhos já adultos, sempre ocupados com algo e incapazes de passar um tempo de qualidade com os pais. Um reflexo da correria cotidiana, que inibe um olhar mais humano para aqueles à nossa volta

Depois da melancólica visita de Trudi e Rudi a seus filhos já adultos, o filme se desloca para o Oriente, estabelecendo a aproximação entre duas culturas distintas: a alemã e a japonesa, representada pelo teatro butô, o Monte Fuji e as flores das cerejeiras. Além de darem título ao filme, elas representam a natureza transitória do destino.

O senhor Rudi com a sem teto com quem faz no Japão: imersão em outra cultura e, ao mesmo tempo, uma forma de se reconectar com a esposa

Ao lado da artista kabuki (e sem teto) com quem faz amizade no Japão, Rudi contempla as flores do título [por isso a expressão hanami, que no Japão significa a tradição de apreciar as flores de cerejeira]: imersão em outra cultura e, ao mesmo tempo, uma forma de se reconectar com a esposa

Para lidar com a dor da perda, um dos personagens parte em uma busca quase espiritual por algo que não sabe ao certo o que é, na tentativa de entender a pessoa amada por meio da cultura japonesa.

03Nesse processo de imersão cultural em outro habitat, o estranhamento do estrangeiro em uma terra distante vai diminuindo – e uma importante relação de solidariedade toma forma. Como se alguém que já partiu guiasse os passos dos vivos, e os vivos assumissem os desejos mais íntimos daqueles que se foram.

Ao final, só a arte pode transcender o imobilismo da realidade cotidiana.

OPINIÃO: HANAMI – CEREJEIRAS EM FLOR

Grande sucesso boca-a-boca entre os amantes do cinema europeu, o filme já está disponível para locação nas lojas da 2001

Trudi é uma esposa dedicada, que vê em seu marido Rudi um companheiro para todos os momentos. Com a descoberta de que não resta a ele muito tempo de vida, ela propõe que juntos façam novas descobertas e viajem para visitar seus filhos.

Para Rudi, o que poderia ser uma simples viagem, vai aos poucos se tornando uma necessidade de entender melhor a esposa. Através dessa busca, o espectador é deslocado para a cultura japonesa, com suas características marcantes e atemporais, como o teatro Butô.

 

A diretora Doris Dörrie mostra de maneira realista a relação distante entre pais e filhos, além de ressaltar a importância da amizade, que é capaz de transpor fronteiras, mesmo entre culturas tão distintas.

Hanami é um filme sobre o amor e a dificuldade natural do ser humano em lidar com a perda. Filmado na Alemanha e no Japão, o filme é bem representado pelas imagens do Monte Fuji e das cerejeiras, que dão título ao filme.

Comentário de
Isabel Araújo
Subgerente da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

OPINIÃO: O MEDO DEVORA A ALMA

Premonitório, o clássico de Rainer Werner Fassbinder antecipou em décadas a discussão sobre a presença de imigrantes muçulmanos na Europa

Em O Medo Devora a Alma (1974), o cineasta Rainer Werner Fassbinder (Roleta Chinesa, Berlin Alexanderplatz) aborda várias questões polêmicas: o preconceito com que a sociedade européia – no caso, a alemã – lida com imigrantes em geral, muçulmanos, machismo e relacionamentos entre pessoas com grande diferença de idade. Zeladora viúva sexagenária, Emmi (Brigitte Mira) se apaixona e decide assumir o namoro com Ali (El Hedi ben Salem), jovem imigrante marroquino que trabalha em uma humilde oficina de carros. Devido às diferenças sociais, culturais e religiosas, o casal sofre para manter sadio este amor incomum já que os amigos e a família não lhe dão apoio. Ali se pergunta até que ponto vale a pena ser humilhado, talvez pela condição financeira melhor de Emmi? Diante deste dilema, o rapaz busca satisfação sexual nos braços de Barbara (Barbara Valentin), dona e garçonete de um restaurante frequentado, em sua maioria, por “Alis”, forma depreciativa que o europeu usa para estereotipar árabes muçulmanos. O mais curioso é que Fassbinder buscou inspiração no próprio relacionamento que mantinha na época com El Hedi ben Salem para retratar esse romance nada convencional.

 

Obs. Preste atenção, em 1 minuto e 32 segundos da exibição do trailer acima, na presença de  Rainer Werner Fassbinder no elenco. P.S. Trailer contém nudez frontal.

Comentário de
Luiz Hashim
Gerente da 2001 Paulista
Av. Paulista, 726, Bela Vista – São Paulo – SP

WERNER HERZOG

Considerado um dos maiores nomes do Novo Cinema Alemão, ao lado de Rainer Werner Fassbinder (1945–1982) e Wim Wenders, Werner Herzog é um explorador do desconhecido, notório por sua necessidade quase orgânica de confrontar o perigo durante a realização de seus trabalhos.

O barco a vapor e o megalomaníaco personagem de Klaus Kinski.

Enfrentar a erupção de um vulcão em La Soufrière (1977), deslocar um navio em plena montanha durante a produção de Fitzcarraldo (1981), e até mesmo hipnotizar o elenco inteiro de Coração de Cristal (1976), são apenas alguns dos desafios encarados por Herzog em sua obra, marcada por personagens solitários, oprimidos e à beira da loucura em meio à imensidão e força da natureza.

Nascido 5 de setembro de 1942, em Sachrang (Alemanha), mudou-se, aos treze anos, com a família para Munique, onde dividiu a casa com ninguém mais do que o ator Klaus Kinski (1926–1991), dando início a uma das maiores parcerias do cinema europeu. Herzog escreveu seu primeiro roteiro aos quinze anos e dirigiu o primeiro filme caseiro aos dezessete, até ganhar uma bolsa para estudar cinema e TV na Universidade de Pittsburgh, nos EUA. Espírito inquieto desde cedo, ele deixou o curso para participar de um rodeio no México e, de volta à Alemanha, passou a trabalhar em fábricas para custear seus projetos no cinema. Em 1964, ganhou o prêmio Carl Meyer pelo roteiro que viria a se tornar sua estreia na direção de longa-metragem – o documentário Sinais de Vida (Lebenszeichen, 1968).

Kinski em Aguirre - A Cólera dos Deuses: mais um de seus personagens insanos. Herzog sobre o ator: "Cada fio branco na minha cabeça é por causa de Kinski".

Filmado nas selvas do Peru em condições extremamente complicadas, Aguirre – A Cólera dos Deuses (1972) estabeleceu o romantismo utópico e desbravador do diretor – com imponentes imagens da natureza em oposição ao elemento humano – e o início da parceria com Kinski, repetida em Stroszek (1977), Nosferatu – O Vampiro da Noite (1979), Woyzeck (1979), Fitzcarraldo (1982), filmado na Amazônia com parte do elenco (José Lewgoy, Grande Otelo, Milton Nascimento, entre outros) brasileiro, e Cobra Verde (1987).

Kinski e Herzog no set de Cobra Verde, última parceria dos dois. Palavras do cineasta sobre o aotr: "Eu tinha de domesticar a besta selvagem".

Obcecado pelo caráter quase místico da natureza selvagem e suas paisagens, Herzog vem se destacando na direção de documentários, participando ativamente como sujeito da ação em trabalhos como Meu Melhor Inimigo (1999), sobre sua tensa relação com Klaus Kinski, o premiado O Homem Urso e Encontros no Fim do Mundo (2007), registro do diretor na imensidão da Antártica.

Herzog e seu ameaçador objeto de estudo em O Homem Urso

O Instituto Goethe, em São Paulo, começou hoje a mostra Werner Herzog – Sou o que são Meus Filmes, com curtas, médias e longas-metragens documentais do diretor alemão, que já está no Brasil para participar de conversa aberta ao público no instituto hoje às 19hs – e do 3º Congresso Internacional de Jornalismo Cultural, promovido pela revista Cult.


Trailer de Encontros no Fim do Mundo, documentário ainda inédito em DVD no Brasil

WERNER HERZOG EM DVD NA 2001 VÍDEO:

Os Anões Também Começaram Pequenos
(Auch Zwerge haben klein angefangen, ALE, 1970, P&B, 96′)
Com: Helmut Döring, Paul Glauer
Num reformatório destinado apenas a anões, os internos (delinquentes ou com problemas sociais e mentais) se rebelam contra o pedagogo e provocam uma situação tensa e violenta.

Aguirre – A Cólera dos Deuses
(Aguirre, der Zorn Gottes, ALE/PERU, 1972, Cor, 100′)
Com: Klaus Kinski, Cecilia Rivera, Ruy Guerra
Em meados do século XVI, o conquistador espanhol Gonzalo Pizarro lidera uma expedição ao Peru, em busca de Eldorado, a mítica cidade do ouro. Um dos seus homens, Dom Lope de Aguirre, consumido pela loucura, sonha em conquistar toda a América do Sul.

O Enigma de Kaspar Hauser
(Jeder Für Sich und Gott Gegen Alle, ALE, 1975, Cor, 109′)
Com: Bruno S., Brigitte Mira, Walter Ladengast
O estranho caso de Kaspar Hauser, jovem encontrado perdido numa praça em 1828. Ele não falava e não conseguia ficar em pé. Passara a vida inteira trancado num porão. Seria possível civilizá-lo?

Stroszek
(Idem, ALE, 1977, Cor, 115′)
Com: Eva Mattes, Bruno S., Clemens Scheitz
A história de um músico de rua alcoólatra, Bruno Stroszek, que conhece uma prostituta, Eva, pouco depois de ser libertado da prisão. Juntamente com o vizinho idoso e excêntrico, os dois decidem viajar para os EUA, terra dos sonhos, em busca de um futuro melhor.

Nosferatu – O Vampiro da Noite
(Nosferatu – Phantom Der Nacht, ALE/FRA, 1979, Cor, 107′)
Com: Klaus Kinski, Isabelle Adjani, Bruno Ganz
Baseando no clássico Drácula, de Bram Stoker, o filme conta a jornada de Jonathan Harker pelo reino de horror do Conde Drácula, um maligno vampiro obcecado pela esposa de Harker, a bela Lucy.

Fitzcarraldo
(Idem, ALE, 1982, Cor, 157′)
Com: Klaus Kinski, Jose Lewgoy, Miguel Angel Fuentes, Claudia Cardinale
Na virada do século XX, o ciclo da borracha na Amazônia prometia fortuna rápida para quem tivesse ousadia. Ou também um sonho. Brian Sweeney Fitzgerald tinha os dois. Chamado de Fitzcarraldo pelos nativos que não conseguiam pronunciar seu nome, ele tem a obsessão de trazer a ópera para a pequena cidade de Iquitos, na Amazônia peruana.

Cobra Verde
(Idem, ALE, 1987, Cor, 111′)
Com: Klaus Kinski, King Ampaw, Jose Lewgoy, Salvatore Basile
O proprietário de uma plantação de açúcar contrata o insano e perigoso ladrão Cobra Verde, que, em pouco tempo, engravida todas as suas filhas. Para se vingar, ele o envia para a África com uma missão impossível e mortal: reabrir o comércio de escravos.

O Homem Urso
(Grizzly Man, CAN/EUA, 2005, Cor, 94′)
A vida e a morte de Timothy Treadwell, ecologista e especialista em ursos. Por 13 verões consecutivos Treadwell foi para o Alasca viver desarmado entre animais selvagens. Em outubro de 2003, os restos mortais de Treadwell e de sua namorada foram encontrados pelo piloto que deveria trazê-los de volta. O casal fora devorado por um urso, o primeiro ataque do tipo registrado naquele campo.

O Sobrevivente
(Rescue Dawn, EUA, 2006, Cor, 125′)
Com: Christian Bale, Steve Zahn, Jeremy Davies
A saga real de Dieter Dengler, piloto germano-americano abatido e capturado no Laos durante a Guerra do Vietnã. Dengler organiza a fuga suicida de um pequeno grupo de prisioneiros.

Vício Frenético
(The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans, EUA, 2009, Cor, 121′)
Com: Nicolas Cage, Eva Mendes, Val Kilmer
Desonesto e viciado, Terence acaba sendo promovido na polícia, mas a corrupção e as drogas tornarão difícil uma importante investigação liderada por ele.

Nicolas Cage interpreta um dos personagens mais excêntricos de sua carreira na refilmagem de Vício Frenético, dirigida por Werner Herzog