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EM EDIÇÕES ESPECIAIS COM CARDS, BUÑUEL, LANG E TARKÓVSKI

OS FÃS DE CINEMA EUROPEU NÃO PODEM PERDER UM DOS LANÇAMENTOS DO ANO: “O CINEMA DE LUIS BUÑUEL“, BOX COM 4 CLÁSSICOS DO MESTRE DO SURREALISMO. ALÉM DA RARIDADE “DR. MABUSE DE FRITZ LANG” E DO DVD DUPLO “ANDREI TARKÓVSKI“, COM 2 OBRAS-PRIMAS DO DIRETOR RUSSO. TRÊS COLEÇÕES IMPERDÍVEIS, EM BELAS EDIÇÕES COM CARDS E INÚMEROS EXTRAS.

O CINEMA DE LUIS BUÑUEL

Box com 3 DVDs que reúne 6 clássicos do diretor surrealista todos em inéditas versões restauradas e mais de duas horas de vídeos extras, incluindo um excelente documentário sobre a obra do mestre espanhol.

Luis Buñuel (1900-1983) nasceu na aldeia de Calanda (Teruel, Espanha). Em 1917, começou a estudar em Madrid, tomando conhecimento das vanguardas artísticas e literárias da época — cubismo, dadaísmo e surrealismo. Em 1925, mudou-se para Paris, onde estudou cinema e trabalhou como assistente de vários realizadores. Seu primeiro filme, “Um Cão Andaluz” (1928), feito em parceria com Salvador Dali, provocou escândalo e se tornou um marco do surrealismo no cinema.

Catherine Deneuve em A BELA DA TARDE, o filme mais famoso da carreira de Buñuel. O clássico de 1967 acaba de ser relançado em DVD na 2001.

O cineasta trabalhou depois no México e teve uma gloriosa carreira na Europa, onde rodou clássicos como o icônico “A Bela da Tarde“, “Tristana” – filme favorito de Catherine Deneuve em sua carreira – e “O Fantasma da Liberdade“, longa em segmentos escrito por seu fiel colaborador, Jean-Claude Carrière.

Edição limitada com 6 cards.

DISCO 1:

TRISTANA, UMA PAIXÃO MÓRBIDA (Tristana, 1970, 109 min.)
Com Catherine Deneuve, Fernando Rey, Franco Nero.

Após a morte da mãe, órfã é entregue aos cuidados do idoso Don Lope, que a seduz e se torna seu amante. Porém, a chegada de um jovem ameaça o relacionamento. Obra-prima subversiva indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

A VIA LÁCTEA ou O ESTRANHO CAMINHO DE SÃO TIAGO (La Voie Lactée, 1969, 101 min.)
Com Paul Frankeur, Laurent Terzieff, Alain Cuny, Pierre Clementi.

Dois peregrinos viajam em direção ao mítico caminho de Santiago de Compostela, lugar de muita religiosidade, e lá se deparam com diversos personagens bíblicos e históricos. Ácida sátira religiosa do mestre espanhol.

DISCO 2:

O FANTASMA DA LIBERDADE (Le Fantôme de la Liberté, 1974, 103 min.)
Com Jean-Claude Brialy, Adolfo Celi, Michel Piccoli.

Uma série de situações absurdas, que começa com o fantástico relato do que se passou em Toledo em 1808, com um soldado e uma morta. Um dos filmes mais surrealistas de Buñuel, que o considerava seu testamento.

A MORTE NESTE JARDIM (La Mort en ce Jardin, 1956, 104 min.)
Com Simone Signoret, Georges Marchal, Charles Vanel.

Em meio à uma revolução iniciada por garimpeiros num país da América do Sul, um grupo precisa se aventurar na floresta, para fugir da polícia. Com forte comentário político, essa é mais uma pérola da fase mexicana de Buñuel.

DISCO 3:

O DIÁRIO DE UMA CAMAREIRA (Le Journal d’une Femme de Chambre, 1964, 97 min.)
Com Jeanne Moreau, Georges Géret, Michel Piccoli.

Uma camareira consegue emprego na casa dos Monteil, uma família burguesa com certas peculiaridades, como o fetiche do patrão por sapatos femininos. Com muito humor negro, Buñuel nos apresenta sua visão sobre a luta de classes. Refilmado por Benoît Jacquot em 2015 com Léa Seydoux no papel que foi de Jeanne Moreau.

SIMÃO DO DESERTO (Simón del Desierto, 1965, 45 min.)
Com Claudio Brook, Silvia Pinal, Enrique Álvarez Félix.

Simão é um religioso que deseja se aproximar de Deus. Para isso, sobe numa coluna no deserto. Porém, o demônio quer seduzi-lo. Fascinante estudo, repleto de ironia, sobre o fanatismo religioso. Prêmio Especial do Júri em Veneza.

EXTRAS:
* Documentário sobre Buñuel (60 min.)
* Especiais sobre os filmes (90 min.)

DR. MABUSE DE FRITZ LANG

Com quatro discos, o box apresenta os filmes sobre o misterioso psicanalista Dr. Mabuse dirigidos por Fritz Lang, um dos maiores nomes do expressionismo alemão, responsável por clássicos como “M, O Vampiro de Dusseldorf” e “Metrópolis”. Além dos filmes em edições remasterizadas, a coleção traz quase duas horas de conteúdo extra, com entrevistas e documentário.

DISCOS 1 e 2:

DR. MABUSE, O JOGADOR (Dr. Mabuse, der Spieler, 1922, 271 min.)

A história de uma organização criminal liderada por Mabuse (Rudolf Klein-Rogge), um misterioso psicanalista cuja diversão é brincar com homens ricos através de técnicas de hipnose. Ele joga cartas com eles, hipnotiza-os e faz com que apostem todo o dinheiro que tem.

As duas partes desse épico criminal do cinema mudo somam quatro horas e meia de duração.

DISCO 3:

O TESTAMENTO DO DR.MABUSE (Das Testament des Dr. Mabuse, 1933, 121 min.)

Mabuse encontra-se em estado catatônico em um hospital para doentes mentais, enquanto uma rede terrorista está à solta em Berlim com o objetivo de promover caos e anarquia, utilizando-se de instruções do gênio do crime. O inspetor Lohmann é o responsável pela investigação do caso, e vai apertando o cerco com a obtenção de provas cada vez mais estranhas.

Segundo filme sonoro de Lang, foi banido da Alemanha por ordem expressa de Goebbels, sob a alegação de que poderia tirar do povo a confiança nos políticos.

DISCO 4:

OS MIL OLHOS DO DR. MABUSE (Die 1000 Augen des Dr. Mabuse, 1960, 99 min.)

Mabuse regressa para destruir o mundo de vez. Através de uma rede de televisão, ele vigia os clientes de um luxuoso hotel com o objetivo de roubá-los e matá-los. O milionário Trevors e a Interpol unem forças para captura-lo.

Último filme da saga e também da carreira de Lang.

EXTRAS:
* Entrevista com Fritz Lang (20 minutos)
* Documentário “Mabuse’s Motives (29 minutos)
* Dr. Mabuse em Mente (15 minutos)
* Entrevista com Hans Günther (10 minutos)
* A Música de Dr. Mabuse (13 minutos)
* Entrevista com Wolfgang Preiss (15 minutos)
* Final Alternativo para “Os Mil Olhos do Dr. Mabuse (1 minuto)

ANDREI TARKÓVSKI

DVD duplo com duas obras-primas em inéditas versões restauradas do russo Andrei Tarkóvski (1932-1986), um dos maiores cineastas da história do cinema.

Edição especial com 2 cards, luva e quase 1 hora de extras, incluindo making of e entrevistas com a equipe.

DISCO 1:

ANDREI RUBLEV (Idem, 1966, 182 min.)
Com Anatoliy Solonitsyn, Ivan Lapikov, Nikolay Grinko.

A vida do grande pintor de ícones da Rússia do século XV, período de intensa turbulência política e religiosa no país. Nesse cenário caótico, surgem os diversos episódios da vida de Andrei, que mais tarde abandona seu trabalho como pintor para se dedicar a Deus.

DISCO 2:

STALKER (Idem, 1979, 162 min.)
Com Alisa Freyndlikh, Aleksandr Kaydanovskiy, Anatoliy Solonitsyn.

Três viajantes do futuro atravessam uma zona proibida e encontram um lugar onde as leis da física e da geografia não se aplicam – e todos os desejos são realizados.

EXTRAS:
* Making of de “Andrei Rublev” (5 minutos)
* Entrevista com Yuriy Nazarov (4 minutos)
* Entrevista com Marina Tarkovsky (2 minutos)
* Entrevista com Alexander Knyazhinsky (5:54)
* Entrevista com Rashit Safiullin (14 minutos)
* Entrevista com Eduard Artemyev (21 minutos)

EM 5 LANÇAMENTOS, A DIVERSIDADE DE OLHARES DO CINEMA BRASILEIRO

PRODUÇÕES AUTORAIS, PREMIADAS EM FESTIVAIS NO BRASIL E NO EXTERIOR, E UM IMPORTANTE DOCUMENTÁRIO SOBRE O PAPEL TRANSFORMADOR DA LEITURA, ESTÃO ENTRE AS NOVIDADES EM DVD NA 2001.

A HISTÓRIA DA ETERNIDADE

Primeiro longa-metragem do pernambucano Camilo Cavalcante, um retrato poético da vida de três mulheres em diferentes fases. Três histórias de amor e desejo que revolucionam a paisagem afetiva de seus moradores, em um pequeno vilarejo no Sertão. No elenco, Irandhir Santos, Cláudio Jaborandy, Leonardo França, Maxwell Nascimento, Marcélia Cartaxo e Zezita Matos. E a trilha sonora conta com composições originais do polonês Zibgniew Preisner – autor das músicas dos filmes de Krzysztof Kieślowski – e de Dominguinhos.

* Melhor filme, direção, ator, atrizes e prêmio da crítica no Festival de Paulínia. Escolhido como melhor filme pelo público na Mostra Internacional de Cinema de SP.

ÓRFÃOS DO ELDORADO

Inspirado no mais recente romance do escritor brasileiro Milton Hatoum (autor de “Dois Irmãos”, adaptado para TV), o filme é uma história de amor, loucura e obsessão na Amazônia. Na trama, Arminto (Daniel de Oliveira) retorna para a casa do pai e logo reencontra Florita (Dira Paes), a atual amante dele, com quem teve um caso no passado. Estreia do documentarista Guilherme Coelho (de “PQD” e “Fala tu”) no cinema de ficção.

* Grande Prêmio Brasil do Cinema Brasileiro – melhor fotografia (Adrian Teijido) – em 2016.

MATE-ME POR FAVOR

Exibido na Mostra Horizontes do Festival Internacional de Veneza em 2015, o filme da cineasta Anita Rocha da Silveira parte do cinema de gênero (no caso, o thriller) para mergulhar em temas tabu – como a violência contra a mulher e a sexualidade – encarados por um grupo de adolescentes cariocas. Bia (Valentina Herszage) e suas amigas são afetadas por uma série de assassinatos de jovens mulheres que ocorrem em seu bairro, Barra da Tijuca.

* Prêmio de melhor atriz (Valentina Herszage) e direção no Festival do Rio em 2015.

JOGO DAS DECAPITAÇÕES

Mais um trabalho inquietante de Sergio Bianchi, um dos grandes iconoclastas do cinema brasileiro contemporâneo, diretor de “Cronicamente Inviável” e “Quanto Vale ou é Por Quilo?”. Em “Jogo…”, ele toca em feridas expostas na sociedade atual – corrupção, repressão policial e tensão entre classes sociais -, esmiuçando a geração que lutou contra a ditadura militar no país. Segundo Bianchi, “o filme é isso: raiva. Raiva da minha geração”.

* Menção Honrosa do Júri – ator coadjuvante – para Silvio Guindan no Festival do Rio.

GALÁXIAS

O documentarista Fabiano Maciel investiga se os livros ainda podem mudar a vida de alguém, acompanhando pessoas de diferentes lugares do Brasil que, por iniciativa própria, criaram bibliotecas abertas ao público em suas comunidades. Conhecemos as histórias individuais desses heróis anônimos da educação, além de depoimentos de personalidades do mundo literário, como o ensaísta José Miguel Wisnik, o escritor Marçal Aquino e a crítica Maria Rita Kehl.

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: CINEMA DE AUTOR (VISCONTI, BUÑUEL, ANTONIONI E RESNAIS)

Noites Brancas*
(Le Notti Bianche, ITA / FRA, 1957, P&B, 107′)
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Marcello Mastroianni, Maria Schell, Jean Marais

0001Em Livorno, numa noite de inverno, o solitário Mario conhece a ingênua Natalia, que chora à espera de seu grande amor. Nas noites seguintes, Mario apaixona-se por Natalia, sem saber o que o destino reserva para eles.

Adaptação de Suso Cecchi d’Amico e Luchino Visconti do conto homônimo do escritor Fiódor Dostoievski, o filme foi refilmado por Robert Bresson em 1971 com o título Quatre Nuits d’un Rêveur.

Extras: Entrevistas sobre o filme (vídeo de 16 min.) * Trailer de cinema * Prova dos atores * O conto de Dostoiévski * Fortuna crítica * Uma palavra do diretor * Vida e obra de Visconti * Biografias * Filmografias

* Vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza.

Viridiana*
(Idem, Espanha / México, 1961, P&B, 110′)
Direção: Luis Buñuel.
Elenco: Silvia Pinal, Fernando Rey, Francisco Rabal…

Viridiana-Brazil-Front-CoveÀs vésperas de ser ordenada freira, Viridiana passa alguns dias na mansão do seu pervertido tio, que, obcecado com sua beleza, tenta seduzi-la de todas as maneiras.

Com a morte repentina do tio, ela desiste da vida religiosa, indo morar no casarão do falecido. Movida pelo espírito de caridade cristã, ela abriga e alimenta todos os mendigos da região. Porém, os necessitados não se comportam do jeito que ela esperava…

Uma das obras-primas do mestre Luis Buñuel (A Bela da Tarde), Viridiana traz uma das cenas mais famosas da história do cinema: a Santa Ceia dos mendigos, uma sátira genial à pintura de Leonardo Da Vinci.

Extras: Viridiana em Cannes * Os Pôsteres de Buñuel * Vida e Obra de Buñuel * Biografias * Filmografias.

* Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Morte em Veneza*
(Death in Venice, ITA / FRA, 1971, Cor, 130’)
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Dirk Bogarde, Bjorn Andresen, Silvana Mangano, Marisa Berenson

capaOutra grande adaptação literária de Luchino Visconti a partir da novela homônima de Thomas Mann, com roteiro escrito por ele e Nicola Badalucco. Visconti inseriu em sua trilha a música de Gustav Mahler (admirado por Mann), que inspirou a criação do personagem principal (que no livro é um escritor), o compositor Gustav Aschenbach. Na história, o atormentado protagonista passa férias em Veneza e fica ofuscado pela beleza do jovem Tadzio.

Extras: Veneza de Visconti * Um passeio por Veneza * Trailer de cinema
* Indicado ao Oscar® de melhor figurino. Prêmio do 25º aniversário no Festival de Cannes. Prêmio da Academia Britânica de direção de arte, fotografia, figurino e trilha sonora

Depois Daquele Beijo*
(Blow-Up, ING / ITA, 1966, Cor, 102’)
Direção: Michelangelo Antonioni
Elenco: David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, Peter Bowles, John Castle, Jane Birkin

dvd-depois-daquele-beijo_MLB-F-1207015648_092011Obra-prima de Michelangelo Antonioni, com roteiro escrito por ele e Tonino Guerra (de Kaos e Amarcord), inspirado em Las Babas Del Diablo, de Julio Cortazar.

Se na superfície Blow-Up é o registro de uma época, com seus figurinos, maquiagens e música (composta e interpretada por Herbie Hancock, com participação da banda The Yardbirds numa cena), é na essência que sua atualidade reside. O diretor apresentou seus personagens como indivíduos em constante busca de prazer – no caso de Thomas (David Hemmings), mulheres lindas (entre elas a top model Veruschka e uma enigmática Vanessa Redgrave), drogas e trabalho – como forma de apaziguar o vazio existencial de suas vidas, tema explorado em filmes anteriores do diretor (Deserto Vermelho, por exemplo).

A riqueza de Blow-Up está nas diversas formas pelas quais você pode analisá-lo; é uma obra que nunca se esgota. Na equipe técnica, destacam-se ainda os trabalhos de dois profissionais falecidos em 2004: a produção de Carlo Ponti e a primorosa direção de fotografia de Carlo Di Palma.

Uma das cenas icônicas de "Blow up"

Uma das cenas icônicas do clássico “Blow up”, um dos filmes mais influentes dos anos 1960

* Palma de Ouro no Festival de Cannes. Indicado ao Oscar® de melhor roteiro e diretor

E, APROVEITANDO O LANÇAMENTO DE VOCÊS AINDA NÃO VIRAM NADA EM DVD, SUGERIMOS MAIS QUATRO FILMES DO GRANDE CINEASTA FRANCÊS ALAIN RESNAIS:

Eu Te Amo, Eu Te Amo
(Je t’aime, Je t’aime, FRA, 1968, Cor, 91′)
Elenco: Claude Rich, Olga Georges-Picot

111222Recuperando-se de uma tentativa de suicídio, um homem é selecionado para participar de viagem experimental pelo tempo. Um defeito no experimento faz com que ele vivencie momentos do passado.

Fracasso em seu lançamento, a difícil ficção-científica de Alain Resnais antecipa em décadas algumas ideias de Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, mostrando o experimento de uma agência do governo com suicida que irá reviver momento especial de seu passado – suas férias na Riviera francesa, um ano antes. Ao dar errado, a experiência passa a contar, de forma fragmentada, um pouco da história pessoal do personagem central.

Amores Parisienses
(On Connait La Chanson, França, 1997, Cor, 120’)
Elenco: Lambert Wilson, Jean-Pierre Bacri, Pierre Arditi, Sabine Azéma, Agnes Jaoui

22222Em Paris, o cotidiano de um grupo de amigos e amantes, vivendo situações inusitadas de relacionamento.

Diretor de clássicos da Nouvelle Vague como Hiroshima Mon Amour e O Ano Passado em Marienbad, Resnais realizou uma comédia romântica musical singular, homenageando a obra do dramaturgo inglês Dennis Potter, recheada de canções francesas populares.

O filme marca o retorno do mestre francês às telas desde Smoking e No Smoking, realizados em 1993. Em Amores Parisienses, o diretor trabalhou com a mesma dupla de roteiristas de seu filme anterior, o casal na vida real, Jean-Pierre Bacri e Agnes Jaoui, e tem Sabine Azéma novamente interpretando a esposa de Pierre Arditi.

Extras: Documentário L’Atelier d’Alain Resnais * Biografias

Medos Privados em Lugares Públicos*
(Coeurs, FRA/ITA, 2006, Cor, 84’)
Elenco: Lambert Wilson, Pierre Arditi, André Dussollier, Sabine Azéma, Laura Morante

333Seis solitários com diferentes carências em busca de amor e companhia no mesmo bairro de Paris, em meio a encontros e desencontros do destino.

Repetindo a fórmula de alguns de seus filmes anteriores, Resnais compõe mais um mosaico terno e elegante de diferentes personagens em Paris, ressaltando as dificuldades de comunicação entre homens e mulheres à procura de companhia e amor. Aos 91 anos completados neste ano, o cineasta continua ativo na direção, sempre trabalhando com seu elenco habitual de colaboradores.

Em tempo: o título Medos Privados em Lugares Públicos é o mesmo da peça escrita por Alan Ayckbourn em que se baseia o filme, considerado por Resnais o único sucesso comercial de sua carreira.

* Leão de Prata de melhor diretor no Festival de Veneza

Ervas Daninhas
(Les Herbes Folles, FRA/ITA, 2009, Cor, 104′)
Elenco: André Dussollier, Sabine Azéma, Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric

capa (1)Casado há trinta anos, Georges encontra a carteira roubada de Marguerite Muir, e fica obcecado por ela.

Assim como em Smoking/No Smoking (1993), um evento banal desencadeia diferentes situações em Ervas Daninhas, mais uma romântica crônica pequeno-burguesa de Alain Resnais, adaptada do romance L’Incident, de Christian Gailly. O diretor continua percorrendo os mistérios do comportamento humano em mais uma farsa sofisticada, com o acréscimo de Mathieu Amalric e Emmanuelle Devos à sua trupe de atores. Os dois atuaram juntos antes em Reis e Rainhas (2004) e Um Conto de Natal (2008), dirigidos por Arnaud Desplechin.

ENTREVISTA EXCLUSIVA: MARCELO GOMES (“ERA UMA VEZ EU, VERÔNICA”)

EM MEIO ÀS INCERTEZAS DA VIDA, A BUSCA FEMININA POR AFETO, PRAZER E UM LUGAR NO MUNDO

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Em entrevista exclusiva para a 2001, o premiado cineasta pernambucano Marcelo Gomes discute sua carreira, os desafios da juventude atual e Era uma Vez Eu, Verônica, recém-lançado em DVD para locação.

Por Eduardo Lucena

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2001: Marcelo, poderíamos dizer que a chama que despertou o seu desejo de fazer cinema começou no cineclube que você mantinha em Recife? Conte um pouco dessa história.

Marcelo Gomes: No início dos anos 1990, em Recife, havia poucos cinemas e quase nenhuma opção de programação alternativa. Junto a outros amigos cinéfilos, montei um cineclube onde exibíamos mostras com o melhor do cinema europeu, o cinema independente americano, o Novo Cinema Alemão, a Nouvelle Vague… Destacamos também autores como Godard, Almodóvar e muitos outros, tudo isso fez parte de minha grande formação em cinema.

A partir daí surgiu o desejo de estudar cinema e ganhei uma bolsa do Conselho Britânico para estudar na Universidade de Bristol, onde passei 2 anos. Na volta, abri uma produtora [a Parabólica Brasil] ao lado de Cláudio Assis [diretor de Amarelo Manga, Baixio das Bestas, Febre do Rato] e a Adelina Pontual [Cachaça, Rio Doce – CDU], e começamos a fazer nossos curtas. Depois, a evolução dos curtas para os longas foi natural.

O cineclube tem uma ligação direta com o Era uma Vez Eu, Verônica porque quando vi todos aqueles filmes, com seus personagens refletindo sobre a própria existência, comecei a imaginar como eles seriam se fossem de Recife. Assim surgiu o desejo de  fazer um filme ambientado na cidade. Conheço todas as suas curvas, sua luz, seus cheiros, todos os seus becos e esquinas.

002001: Depois do sucesso de crítica e público de Cinema, Aspirinas e Urubus em 2005, você seguiu um caminho todo particular, fugindo de fórmulas, sempre maturando com calma seus projetos. Qual o papel do deslocamento, de sua viagem pessoal prévia dentro do universo proposto pelo filme?

MG: No meu caso, não é nada planejado. Faço cinema para tentar entender as coisas que não compreendo muito bem. O cinema surge como um processo de autoconhecimento para mim e para o espectador. O que eu faço é um cinema de personagens,  sou profundamente contaminado por eles. Busco personagens que me interessam, seus dilemas, suas contradições, as questões que os cercam. Meus filmes não dão respostas fáceis para o espectador, eles levantam elementos para reflexão.

Outra coisa em comum nos meus três filmes, algo que eu investigo, é a linguagem cinematográfica. Acho bacana não apenas contar uma história, mas descobrir caminhos diferentes para contá-la, caminhos que têm a ver com duas questões. A primeira é que eu não revelo tudo, pois há elementos fora da imagem que não são revelados e que o espectador precisa construir. Além disso, é um cinema feito de silêncios para que cada um possa refletir sobre si mesmo dentro dessas pausas. A narrativa instiga a memória e a imaginação do espectador. Desde a época do meu cineclube, eram filmes assim que mais me interessavam.

2001: Você coescreveu roteiros para cineastas como Chico Teixeira (A Casa de Alice) e Paulo Caldas (Deserto Feliz), além de dividir a direção com Karim Aïnouz em Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo, seu segundo longa. O que o atrai em tantas colaborações?

MG: Saio enriquecido dessas parcerias, cada ser humano é um pensamento único. O homem não é uma ilha. Parcerias são muito importantes, pois o processo de criação cinematográfica – tanto o roteiro quanto a direção – é um processo muito solitário, o diretor passa muito tempo sozinho.

Compartilhar ideias é muito importante, e dividi-las com pessoas com o mesmo gosto, pensamento sobre cinema como o seu, é excitante e muito positivo. Profissionalmente, você cresce muito. Não é à toa que trabalhei com o Karim e o Cao Guimarães [com quem finaliza atualmente o longa O Homem das Multidões], que pensam o cinema de maneira muito parecida com a minha.

11111111112001: Viajo Porque Preciso… estreitou de maneira poética e original as fronteiras entre documentário, ficção e registro pessoal, mas até agora não foi lançado em DVD no Brasil. Por quê?

MG: Vamos fazer uma edição especial com um livro sobre o filme mais o DVD, porque achamos que o “Viajo” parece, de uma forma ou de outra, a uma obra impressa. Você escuta as palavras do protagonista, mas nunca vê o personagem, é seu diário de viagem. Então decidimos lançar um livro e, dentro dele, o DVD [ainda sem previsão de lançamento].

2001: Finalmente, surge em 2012 seu terceiro longa, Era uma Vez Eu, Verônica. Qual a origem desse trabalho?

MG: Do meu desejo de fazer um filme em Recife e retratar a realidade urbana, contemporânea, dos jovens na cidade. Quis também construir um personagem feminino. Sou apaixonado por personagens como a Cabíria de Noites de Cabíria, a Monika de Monika e o Desejo, a Julieta de Julieta dos Espíritos ou a Blanche DuBois de Uma Rua Chamada Pecado, todas são inspiradoras. Eu tinha esse sonho e um sonho ainda maior de trabalhar com a Hermila Guedes [de O Céu de Suely].

A partir desses grandes sonhos e desejos veio a inspiração inicial para um conto, que escrevi em forma de prosa para mostrar o cotidiano de uma personagem absolutamente comum – que trabalha, fica em casa, sai com as amigas, tem um namorado e reflete sobre a vida. Comecei a transformar o conto e desenvolvi o roteiro.

Hermila Guedes como Verônica: uma personagem comum mostrada de forma incomum no cinema. Crédito da foto: Flávio Gusmão

Hermila Guedes como Verônica: uma personagem comum mostrada de forma incomum no cinema. Crédito da foto: Flávio Gusmão

2001: Você realizou uma grande imersão nos desejos e frustrações dos jovens de Recife por meio de entrevistas.

MG: Próximo de filmar, cheguei à conclusão que já não sou tão jovem e que algumas questões da minha juventude mudaram em relação à modernidade atual. Decidi fazer uma série de entrevistas com jovens mulheres entre 24 e 25 anos, vivendo essa passagem da juventude para a fase adulta. Um momento delicado em que a jovem começa a absorver uma série de responsabilidades: acabou a faculdade e é preciso encarar os dilemas da vida profissional. Surgem outros dilemas: o que eu quero da vida, do amor, do sexo, o que eu quero do futuro?

Fiz 25 entrevistas que pareciam sessões de psicanálise, duravam entre duas e duas horas e meia, onde essas mulheres revelavam várias histórias sobre suas vidas. Entrevistas profundas que foram uma base muito importante para o filme – e para várias conclusões. Uma é que o mundo ficou mais capitalista e, consequentemente, mais individualista e competitivo.

Existe uma competição muito grande entre os jovens, que são obrigados a construir uma maturidade profissional muito rápido sem, no entanto, amadurecer emocionalmente. Os jovens demoram cada vez mais tempo para amadurecer, para sair da adolescência e, quando adultos, tentam prolongar a juventude.

Acho que existe hoje um processo de infantilização da juventude, que às vezes não assume decisões emocionais mais fortes e contundentes. Esses jovens têm uma liberdade individual muito maior do que há 15 anos, mas o que é interessante é que as relações sociais ficam cada dia mais horizontalizadas, e não verticalizadas. Por exemplo, uma pessoa entra no Facebook e faz 500 amigos em um mês, mas leva 95 anos para fazer 10 amigos de verdade.

Crédito da foto: Mauro Pinheiro Jr

Crédito da foto: Mauro Pinheiro Jr

2001: Como foi sua passagem pela cidade antes das filmagens?

MG: Dois anos antes de rodar o “Verônica” já estava morando em Recife. Aluguei um apartamento de frente para o mar, participei de varias conversas com jovens locais, saí com eles e, quando decidi o elenco, fiz os atores se entrosarem e dividirem experiências na cidade, foi uma completa imersão nesse universo. O filme estreou mundialmente no Festival de Toronto e muitos jovens na plateia me disseram que a vida de Verônica parecia muito com a deles. Fiquei muito feliz, pois ao mesmo tempo em que falei da minha “aldeia”, consegui ser universal.

Quanto mais fundo você mergulha em seu universo, mais você verticaliza sua relação com as pessoas e se torna universal.

Nos bastidores das gravações com Marcelo Gomes e Hermila Guedes. Crédito da foto: Mauro Pinheiro Jr.

Nos bastidores das gravações com Marcelo Gomes e Hermila Guedes. Crédito da foto: Mauro Pinheiro Jr.

2001: Houve uma pesquisa especial, por parte de sua equipe ou da atriz Hermila Guedes, em hospitais da região?

MG: Eu queria que a personagem fosse uma psiquiatra para que o consultório e os pacientes fossem um espelho da vida dela. Há uma dicotomia aí: ela tenta resolver seus problemas enquanto um monte de gente fala dos seus. Consultamos psiquiatras, visitamos consultórios e presenciamos a realidade dos ambulatórios de psiquiatria nos hospitais públicos. A Hermila, por exemplo, conheceu psiquiatras e seus pacientes.

Quando fomos filmar essa realidade, que é muito cruel, decidimos filmar em um hospital público. Usamos uma das alas desativadas de um hospital para mimetizar, misturar realidade e ficção: pacientes que estavam lá no momento das filmagens foram convidados para participar e a Hermila, usando uniforme, chegou a ser abordada por pacientes. Ou seja, a ficção e a realidade estavam entrelaçadas o tempo inteiro.

Verônica com uma de suas pacientes. Crédito da foto: Divulgação

Verônica com uma de suas pacientes. Crédito da foto: Divulgação

2001: Qual o papel dos atores, em especial Hermila e João Miguel — que você já dirigira em Cinema, Aspirinas e Urubus –, no seu processo criativo?

MG: A Hermila Guedes e o João Miguel trabalharam comigo em mais de um filme, e agora eu entendo porque cineastas como Fellini e Woody Allen usaram tantas vezes os mesmos atores. Existe um processo de confiabilidade muito interessante, e a comunicação é muito mais rápida.

Por exemplo, as cenas de sexo entre a Hermila e o João no filme são muito fortes e ousadas, mas foram construídas com extrema naturalidade, tudo filmado com carinho, respeito e tranquilidade. Essas cenas são muito naturais, e isso só se consegue com uma parceria de muitos anos. E também por eu acreditar muito no talento dos meus atores.

Verônica (Hermila) e Gustavo (João Miguel). Crédito da foto: Divulgação

Verônica (Hermila) e Gustavo (João Miguel). Crédito da foto: Divulgação

2001: A personagem-título apresenta característica tradicionalmente atribuída ao homem na dramaturgia: a capacidade de separar o sexo do amor. Quais os seus cuidados na construção da personagem?

MG: O primeiro cuidado foi evitar a caracterização de “piriguete”, aquela menininha que só está a fim de sexo, por isso a nossa preocupação em apresentar o lado profissional dela, e depois o afetivo com a família. Não é que ela não ame ninguém, ela ama o pai profundamente. Agora, a Verônica tem uma profunda liberdade, tão grande quanto a que os homens têm hoje em dia. E com tanta liberdade às vezes a gente não sabe o que quer com o sexo, não sabe o que quer com o amor, com o romance, e isso requer maturidade emocional.

O que eu quero estabelecer é que ela é uma personagem que tem dúvidas – em relação ao sexo, ao amor e ao relacionamento, como qualquer homem ou mulher pode ter. O cinema dificilmente representa as mulheres que têm duvidas, preferindo apostar em personagens assertivos.

Mas minha preocupação foi não vulgarizá-la, por isso que é tão presente a relação de afeto com o pai, e o lado profissional dela. Muitas pessoas dizem que o único problema da Verônica é que talvez ela seja incompreendida por ser uma mulher do futuro, pois assume relações afetivas diferentes das que existem hoje.

Momento de ternura ao lado do pai, interpretado pelo ótimo W.J. Solha, também premiado no Festival de Brasília

Momento de ternura ao lado do pai, interpretado pelo ótimo W.J. Solha, também premiado no Festival de Brasília. Foto: Mauro Pinheiro Jr

2001: O filme é uma crônica da vida comum, sufocada pela rotina cotidiana e pelas circunstâncias. Além da pesquisa e entrevistas, houve outras referências?

MG: Monika e o Desejo foi muito importante na construção da Verônica. O Bergman e o Jean-Paul Sartre são duas influências grandes. Muita gente pensa que se você mora numa cidade tropical, de frente para o mar, onde existe calor, você não tem crise existencial. Você pode ter crise existencial em qualquer lugar do mundo. A questão sartriana está presente, assim como a Monika, no sentido de Verônica ir à procura de algo (talvez até errado) que não sabe bem o que é, e se expor nessa busca. O filme é uma fratura exposta da personagem. É um diário escrito em primeira pessoa, e fechado a sete chaves, que de repente é aberto para o espectador entrar na alma e na intimidade da protagonista.

 
MARCELO GOMES EM DVD NA 2001:

Crédito da foto: Divulgação

Crédito da foto: Divulgação

Era uma Vez Eu, Verônica (2012)  Produtor, diretor e roteirista

A Casa de Alice (2007)  Corroteirista

Cinema, Aspirinas e Urubus (2005)  Diretor e roteirista

Madame Satã (2002)  Corroteirista

OPINIÃO: “FEBRE DO RATO”, DE CLÁUDIO ASSIS

Grande vencedor do Festival de Paulínia 2011, “Febre do Rato” é mais um bom filme da recente safra pernambucana. Disponível para locação nas lojas da 2001, acaba de sair também para venda

Grande vencedor do Festival de Paulínia 2011, “Febre do Rato” é mais um bom filme da recente safra pernambucana. Disponível para locação nas lojas da 2001, acaba de sair também para venda

DEPOIS DOS PREMIADOS AMARELO MANGA E BAIXIO DAS BESTAS, CLÁUDIO ASSIS VOLTA À DIREÇÃO COM FEBRE DO RATO

Polêmico e “forte” para alguns, o pernambucano Cláudio Assis tem uma reputação controversa. É um diretor que expressa bem suas ideias, sem medo de desagradar. É evidente essa postura em Febre do Rato, filme de forte crítica social, mesmo sendo menos chocante que Baixio das Bestas.

A “Febre do Rato” do título, além de ser uma expressão regional para alguém fora de controle, é o título da publicação independente do protagonista Zizo (Irandhir Santos, de Tropa de Elite 2), um inconformado poeta de ideias anarquistas. Sua vida é movida pelo sexo, para ele algo comum e ordinário.

Zizo corteja , interpretada por Nanda Costa antes de estrelar a novela das 8 globa. A jovem atriz já teve papéis de destaque em "Sonhos Roubados" e "Gonzaga - De Pai pra Filho"

Zizo corteja Eneida, interpretada por Nanda Costa antes de estrelar a novela das 8 global. A jovem atriz teve papéis de destaque em “Sonhos Roubados” e “Gonzaga – De Pai pra Filho”

Tudo vai “bem” até que conhece Eneida (Nanda Costa, da novela Salve Jorge), por quem sente forte desejo. Apesar dos muitos pedidos, ela se recusa a transar com Zizo que, rejeitado, tem a vida transformada.

O sintonizado elenco também conta com Matheus Nachtergaele. O ator, que atuou em todos os filmes de Assis até então, interpreta Pazinho, o coveiro da cidade.

A opção pelo uso do preto e branco na fotografia assinada pelo veterano Walter Carvalho (Lavoura Arcaica) favorece o tom poético do filme — um bom exemplo do que o cinema pernambucano recente tem a oferecer.

 

Cliente da 2001, LUIZ OCTAVIO LANG é cinéfilo e estuda cinema na FAAP