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EM EDIÇÕES ESPECIAIS, EXPRESSIONISMO ALEMÃO, ALAIN DELON E UM CULT DO CINEMA INDIE

COM 3 DISCOS + CARDS, A COLEÇÃO “EXPRESSIONISMO ALEMÃO – VOL.2” REÚNE 5 CLÁSSICOS – INCLUINDO AS DUAS PARTES DE “OS NIBELUNGOS” DIRIGIDAS POR FRITZ LANG. JÁ “OS AVENTUREIROS” É UMA AVENTURA FRANCESA DOS ANOS 1960 COM ALAIN DELON E LINO VENTURA, E “UMA NOITE SOBRE A TERRA” É UM DOS CULTS DA CARREIRA DE JIM JARMUSCH, COM NOMES COMO WINONA RYDER, GENA ROWLANDS E ROBERTO BENIGNI NO ELENCO.

EXPRESSIONISMO ALEMÃO – VOL. 2

No formato digistak com 3 DVDs, o box resgata cinco clássicos do influente movimento cinematográfico alemão. Confira as novas versões restauradas de trabalhos de Fritz Lang, F.W. Murnau, G. W. Pabst, Paul Wegener e Carl Boese.

Edição especial com mais de 90 minutos de extras e 5 cards de brinde.

DISCO 1:

A ÚLTIMA GARGALHADA (Der letzte Mann, The Last Laugh, 1924, 90 min.)
Direção: Friedrich Wilhelm Murnau. Com Emil Jannings, Maly Delschaft, Max Hiller.

Um velho porteiro de hotel acaba substituído por um empregado mais jovem, e posto para trabalhar como ajudante de lavatório. Ridicularizado por seus vizinhos e amigos, ele volta ao hotel à noite em busca de seu antigo uniforme, símbolo de sua glória passada.

OS NIBELUNGOS – A MORTE DE SIEGFRIED (Die Nibelungen: Siegfried, The Nibelungs Part I: Siegfried, 1924, 150 min.)
Direção: Fritz Lang. Com Paul Richter, Margarete Schön, Theodor Loos.

Após roubar o tesouro dos Nibelungos – anões que vivem debaixo da terra -, Siegfried corteja a bela Kriemhild, irmã de Gunther, rei dos Burgúndios. O rei pede que Siegfried o ajude a seduzir a rainha virgem Brunhild que, ao desvendar a trama, pede a cabeça do herói. Primeira parte da adaptação de uma velha lenda escandinava pelo mestre alemão.

DISCO 2:

OS NIBELUNGOS – A VINGANÇA DE KRIEMHILD (Die Nibelungen: Kriemhilds Rache, The Nibelungs Part II: Kriemhild’s Revenge, 1924, 131 min.)
Direção: Fritz Lang. Com Margarete Schön, Gertrud Arnold, Theodor Loos.

Kriemhild torna-se a mulher do Rei dos Hunos, Etzel, e dá à luz um filho. Em sua sede para vingar Siegfried, ela convida seus irmãos para celebrar o nascimento da criança e ao mesmo tempo arma uma cilada. No castelo, enquanto se iniciam as festividades, os hunos atacam os nibelungos e uma batalha se desenrola a fim de matar Hagen.

O GOLEM, COMO VEIO AO MUNDO (Der Golem, wie er in die Welt kam, The Golem, 1920, 85 min.)
Direção: Paul Wegener, Carl Boese. Com Paul Wegener, Albert Steinrück, Ernst Deutsch.

Em Praga, no século XVI, uma pequena vila de judeus é posta em cheque pelo kaiser. Para defender a cidade, o velho cientista Rabbi Lowe se volta aos antigos recursos alquimistas para criar o Golem, um ser de cera de enorme força. À medida que o tempo passa, a criatura passa a ter consciência da própria existência e decidir os rumos de suas ações.

DISCO 3:

DIÁRIO DE UMA GAROTA PERDIDA (Tagebuch einer Verlorenen, Diary of a Lost Girl, 1929, 113 min.)
Direção: Georg Wilhelm Pabst. Com Louise Brooks, Josef Rovenský, Fritz Rasp.

A jovem Thymian é separada de seu filho, fruto de uma gravidez indesejada, e é enviada para um reformatório. A partir desses fatos, sua vida se transforma num pesadelo sem fim, com muitas reviravoltas, tornando-se desde uma garota de bordel até uma respeitada condessa.

EXTRAS: Mais de 90 minutos, incluindo 2 inéditos documentários que falam sobre os processos de restauração, técnicas de produção, visão de bastidores e influências na cultura dos filmes “Os Nibelungos” e “A Última Gargalhada”.

OS AVENTUREIROS

Dirigido por Robert Enrico (“O Velho Fuzil”), o filme é um dos maiores sucessos de Alain Delon nos anos 1960 e foi baseado em romance do escritor e cineasta francês José Giovanni (“Dois Homens Contra uma Cidade”).

Aventura típica do cinema europeu dos anos 1960, “Os Aventureiros” apresenta o humor leve, a explosão de cores e o senso de liberdade de outras produções do período (“Modesty Blaise“, “O Homem do Rio”), e traz Delon no papel de Manu, um piloto de corridas, e Lino Ventura como Roland, um mecânico. Amigos inseparáveis e fãs de esportes radicais, eles veem seus negócios sempre fracassarem.

Após Manu perder sua licença de piloto, a dupla resolve partir e, ao lado de Laetitia (Joanna Shimkus) – uma jovem artista em crise -, busca um tesouro afundado ao largo da costa do Congo.

EXTRAS: Making of do filme, entrevista com Joanna Shimkus.

UMA NOITE SOBRE A TERRA

Um dos principais expoentes do cinema independente norte-americano na década de 80, Jim Jarmusch exerceu várias funções atrás da câmera, incluindo assistência de produção em “Um Filme para Nick” (1980), de Wim Wenders, documentário sobre os últimos dias de Nicholas Ray.

Dirigiu seu longa de estreia, “Permanent Vacation” (1980), quando ainda era aluno de cinema na New York University, onde teve o privilégio de estudar com Ray (antes, ele já havia se formado em letras pela Columbia University). Assim como seu ídolo, Jarmusch demonstraria em sua carreira especial apreço por personagens marginais, mostrando o lado B dos Estados Unidos.

Na comédia dramática “Uma Noite Sobre a Terra” (1991), Jarmusch reuniu um elenco internacional – com nomes como Gena Rowlands, Winona Ryder, Armin Mueller-Stahl, Beatrice Dalle e Roberto Benigni – para um filme em segmentos de deslocamento urbano e angústia existencial em diferentes localizações.

São cinco histórias, cinco cidades, cinco táxis, cinco taxistas e várias viagens diferentes. Los Angeles, Helsinque, Nova Iorque, Paris e Roma servem de palco para segmentos distintos que formam um verdadeiro mosaico de histórias e situações inesperadas, divertidas, inusitadas e emocionantes.

EXTRAS: Jim Jarmusch responde perguntas de fãs, entrevista com o diretor.

BRAD PITT, MARION COTILLARD, RICARDO DARÍN, KRISTEN STEWART E MUITO MAIS NA 2001

ALIADOS

Dirigido por Robert Zemeckis (trilogia “De Volta para o Futuro“, “Forrest Gump“), o filme é um drama romântico à moda antiga, com Brad Pitt e Marion Cotillard vivendo espiões que se conhecem durante uma missão em Casablanca, no Marrocos, durante a Segunda Guerra. Anos depois, os dois reencontram-se na Inglaterra e se casam, até que informações secretas da Inteligência Britânica põem a relação em risco. Com roteiro do britânico Steven Knight (“Senhores do Crime”) e bela produção de época, “Aliados” concorreu ao Oscar de melhor figurino.

PASSAGEIROS

Mais que uma ficção-científica, este novo filme do diretor norueguês Morten Tyldum (de “O Jogo da Imitação”) é sobretudo uma grande história de amor no espaço. Chris Pratt (“Guardiões da Galáxia“) é Jim Preston, um dos 5 mil passageiros em estado de hibernação que habitam uma nave em movimento. Devido ao mau funcionamento de sua cabine, o personagem desperta 90 anos antes do tempo programado. Jennifer Lawrence e Michael Sheen completam o elenco desta sci-fi romântica, indicada ao Oscar de melhor design de produção e trilha sonora.

A LEI DA NOITE

Com trama de escopo épico, esta é a segunda adaptação de uma obra de Dennis Lehane dirigida por Ben Affleck (“Medo da Verdade”), que também assina o roteiro e interpreta o papel principal, Joe Coughlin. Filho de um capitão de polícia (Brendan Gleeson), ele retorna a Boston após lutar na Primeira Guerra e logo entra no submundo do contrabando, tendo de enfrentar a máfia local. Ao longo de dez anos, acompanhamos sua ascensão como gângster e sua tentativa de virar um homem dentro da lei. Sienna Miller e Zoë Saldaña interpretam as grandes paixões do protagonista.

NEGAÇÃO

Coprodução da BBC Films baseada no livro “Negação: A História do Holocausto em Julgamento”, escrito por Deborah E. Lipstadt, sobre a batalha legal da autora contra o historiador David Irving, que pregava que o Holocausto não aconteceu como foi registrado na História. Esse caso real, julgado somente em 2000, é a base deste drama jurídico apoiado em grandes atores britânicos. Rachel Weisz encarna Lipstadt na sua luta para se defender do processo por difamação movido por Irving (papel de Timothy Spall), biógrafo de Hitler. Denso, o roteiro de David Hare (“As Horas”) utilizou os registros do julgamento em todos os diálogos das cenas de tribunal.

A LONGA CAMINHADA DE BILLY LYNN

Inédito nos cinemas brasileiros, o novo trabalho do diretor tailandês Ang Lee (“As Aventuras de Pi“) é um marco tecnológico: é o primeiro drama filmado em 3D com resolução digital 4K e versão original de 120 quadros por segundo — um feito que supera os 48 quadros por segundo de “O Hobbit – Uma Jornada Inesperada”, em 2012. Esse formato ambicioso confere mais realismo à jornada do personagem-título, um jovem soldado de 19 anos que sobrevive a um tiroteio no Iraque em 2005, e logo depois é homenageado nos EUA. Baseado no romance homônimo de Ben Fountain, o longa conta com Kristen Stewart, Joe Alwyn, Garrett Hedlund e Vin Diesel no elenco.

CERTAS MULHERES

Aclamada produção indie nomeada ao Film Independent Spirit Awards de melhor direção (Kelly Reichardt) e atriz coadjuvante (Lily Gladstone) em 2017. Um trabalho impregnado de sutileza e subtexto, sobre a vida de diferentes mulheres — interpretadas por Gladstone, Laura Dern, Michelle Williams e Kristen Stewart — em uma cidadezinha do estado de Montana. A partir de pequenas situações do cotidiano e dilemas pessoais, o filme traça diferentes perfis de mulheres em busca de afirmação pessoal e seus desejos, em meio à vastidão (e solitude) do interior dos EUA.

AMOR & AMIZADE

Adaptação do romance de Jane Austen “Lady Susan” assinada pelo diretor e roteirista americano Whit Stillman, o filme é uma farsa sofisticada, com diálogos repletos de fina ironia e grandes atuações, especialmente de Kate Beckinsale, no papel da manipuladora Lady Susan Vernon, e Tom Bennett, como o muito rico e inconveniente Sir James Martin. Século XVIII. Viúva há poucos meses, Lady Susan busca refúgio na fazenda dos antigos cunhados. Lá, reflete sobre a vida e decide arranjar um novo marido para si e um bom pretendente para a filha.

A NOITE DA REALEZA

Dirigido por Julian Jarrold, responsável por alguns episódios da série “The Crown”, esta produção inédita no Brasil gira em torno de um episódio vivido pela futura rainha da Inglaterra, Elizabeth II (papel de Sarah Gadon), em 8 de maio de 1945. Nesse dia, um grande número de pessoas se reuniu em torno do Palácio de Buckingham para comemorar o dia da Vitória contra a Alemanha nazista durante a Segunda Grande Guerra. A Princesa Margaret e Elizabeth II tiveram a permissão de deixar o palácio durante a noite, passando a se misturar anonimamente ao povo.

NERUDA

Apesar do título, o filme não é uma cinebiografia tradicional de Pablo Neruda (1904-1973), mas um recorte de período-chave de sua vida – assim como o cineasta Pablo Larraín fizera em “Jackie” (com Natalie Portman). Ambientada em 1948 no Chile, a trama acompanha um inspetor de polícia (Gael García Bernal) que persegue o poeta ganhador do Prêmio Nobel, agora um fugitivo em seu país por ter se associado ao Partido Comunista. “Neruda” concorreu ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, representando o Chile.

VERSÕES DE UM CRIME

Escrito por Nicholas Kazan, roteirista indicado ao Oscar por “O Reverso da Fortuna” em 1991, este drama de tribunal traz Keanu Reeves na pele de Ramsey, advogado encarregado de defender um adolescente acusado de matar o próprio pai. Diferentes pontos de vista sobre o que aconteceu – inclusive com a mãe do garoto (Renée Zellweger) ocultando informações essenciais -, embaralham cada vez mais o caso – e a defesa montada por Ramsey. Segundo longa-metragem da diretora Courtney Hunt, revelada em 2008 com “Rio Congelado“.

KÓBLIC

Um dos atores mais queridos pelo público da 2001, Ricardo Darín está de volta neste thriller de fundo político ambientado durante a ditadura argentina, nos anos 1970. Ele interpreta um ex-capitão das Forças Armadas, responsável por coordenar as operações aéreas conhecidas como “voos da morte”, nas quais indivíduos considerados subversivos eram arremessados de dentro dos aviões diretamente ao mar. Direção de Sebastián Borensztein (de “Um Conto Chinês).

UNA

Nesta versão da premiada peça “Blackbird” de David Harrower, Rooney Mara (“Carol“) surpreende no papel de Una, uma mulher misteriosa que confronta o homem com quem viveu uma relação proibida na adolescência. Quinze anos depois, ela vai atrás de Ray (Ben Mendelsohn, de “Rogue One – Uma História Star Wars“) em busca de respostas, ao mesmo tempo em que guarda sentimentos ambivalentes por ele. Um enredo polêmico, com ecos da obra “Lolita” de Vladimir Nabokov.

O ASSASSINO DE MOJAVE

Inédito nos cinemas brasileiros, o filme é o segundo trabalho na direção de William Monahan, roteirista premiado com o Oscar por “Os Infiltrados” (2006). Com críticas ácidas a Los Angeles e a indústria do cinema, Monahan investe no suspense psicológico, a partir da jornada de Thomas (Garrett Hedlund), cineasta em crise que decide viajar até o deserto do Mojave. Lá, conhece Jack (Oscar Isaac), andarilho de tendências suicidas que irá persegui-lo e chantageá-lo.

A ÚLTIMA RESSACA DO ANO

A típica festa de fim de ano da firma é satirizada nesta comédia besteirol protagonizada por Jennifer Aniston, Jason Bateman e Kate McKinnon (“Caça-Fantasmas“). Aniston interpreta a impiedosa CEO de uma empresa de tecnologia que planeja cancelar a festa de Natal e demitir boa parte dos funcionários, mas seu irmão – que também preside a companhia – fará de tudo para mudar seus planos.

DOIS GRANDES CINEASTAS: JEAN RENOIR E JOHN CASSAVETES

A VERSÁTIL LANÇA AS COLEÇÕES “A ARTE DE JEAN RENOIR“, DVD DUPLO COM 4 CLÁSSICOS DO DIRETOR FRANCÊS – INCLUINDO O BELO “O RIO SAGRADO” -, E “O CINEMA DE JOHN CASSAVETES“, COM TRÊS PRODUÇÕES ACOMPANHADAS DE INÚMEROS EXTRAS.

Filho do pintor impressionista Auguste Renoir, Jean Renoir nasceu em 15/9/1894, em Paris, e tornou-se um dos diretores mais influentes da história do cinema. Após servir na I Guerra Mundial, ele ficou gravemente ferido. Recuperado, estreou no cinema com “A Filha da Água”, em 1925, dando início a uma profícua carreira que atingiu seu ápice criativo nos anos 1930, com os dramas históricos “Madame Bovary” (1934), adaptação do romance de Gustave Flaubert; “A Besta Humana” (1938), baseado no clássico homônimo de Émile Zola; e “A Marselhesa” (1938), sobre a Revolução Francesa.

Jean Renoir (1894–1979)

Dois trabalhos desse período, o clássico antibelicista “A Grande Ilusão” (1937) e o mosaico de personagens “A Regra do Jogo” (1939), continuam influentes até hoje, figurando em inúmeras listas de melhores filmes de todos os tempos.

Falecido em 12/2/1979, o artista foi homenageado pela Academia de Hollywood em 1975 com o Oscar honorário.

A ARTE DE JEAN RENOIR

A coleção reúne 4 clássicos em inéditas versões restauradas, mais uma hora de extras.

DISCO 1:

A BESTA HUMANA (La Bête Humaine, 1938, 99 min.)
Com Jean Gabin, Julien Carette, Simone Simon.

Séverine, a mulher do chefe de uma estação ferroviária, se relaciona com um maquinista a fim de esconder seu envolvimento em um assassinato. Baseado no romance de Émile Zola, este é um dos maiores clássicos do cinema francês.

O RIO SAGRADO (The River, 1951, 99 min.)
Com Patricia Walters, Nora Swinburne, Esmond Knight.

Três garotas inglesas vivem em Bengala, perto de um grande rio na Índia. Elas se apaixonam por um oficial americano que perdeu uma perna. Um dos filmes mais belos de Renoir, vencedor do Prêmio Internacional no Festival de Cinema de Veneza.

DISCO 2:

A CADELA (La Chienne, 1931, 96 min.)
Com Michel Simon, Georges Flamant, Janie Marèse.

Pintor nas horas vagas, homem infeliz no casamento é explorado por uma prostituta e seu cafetão. Uma dasobras absolutas de Renoir que depois seria refilmada por Fritz Lang em “Almas Perversas” (1945).

AMOR À TERRA (The Southerner, 1945, 92 min.)
Com Zachary Scott, Betty Field, J. Carrol Naish.

A vida da pobre família Tucker, que trabalha na colheita de algodão e decidiu desenvolver seu próprio terreno, mesmo em condições adversas. Premiado no Festival de Veneza, o filme concorreu a Renoir sua única indicação ao Oscar de melhor direção, em 1946.

EXTRAS:
* Apresentações De Jean Renoir (17 Min.)
* Especiais (36 Min.)
* Trailers (6 Min.)

MAIS JEAN RENOIR EM DVD NA 2001:
O Cabo Ardiloso (1962)
O Testamento do Dr. Cordelier (1959)
As Estranhas Coisas de Paris (1956)
French Cancan (1955)
A Mulher Desejada (1947)
Esta Terra é Minha (1943)
A Grande Ilusão (1937)
Boudu – Salvo das Águas (1932)
Nana (1926)
A Filha da Água (1925)
Catherine – Uma Vida Sem Alegria (1924)

O CINEMA DE JOHN CASSAVETES

A Versátil completa a filmografia de Cassavetes com mais uma coleção, composta por três de seus melhores trabalhos entre os anos 1960 e 1970, em versões restauradas. O box traz, nos extras, o documentário “Cineastas de nosso tempo: John Cassavetes” (49 min.) e o making of de “Faces”.

John Cassavetes (1929–1989)

Em paralelo a seu trabalho como ator em Hollywood (“Os Doze Condenados”, “O Bebê de Rosemary” etc), Cassavetes desafiou o sistema dos estúdios financiando com recursos próprios produções autorais. Recusando fórmulas fáceis, se firmou como diretor e roteirista de filmes verdadeiramente independentes, de baixo orçamento, sempre com a mesma equipe técnica – além da presença de amigos como Ben Gazzara, Peter Falk, Seymour Cassel e, é claro, a esposa Gena Rowlands no elenco.

DISCO 1:

FACES (Idem, 1968, 130 min.)
Com Gena Rowlands, Seymour Cassel, Lynn Carlin, John Marley.

O desmoronamento de um casamento da classe média alta. Richard deixa sua esposa, Maria, para se encontrar com a jovem Jeannie, que acabara de conhecer num bar. Maria, por sua vez, vai a uma boate e deixa-se envolver por um garoto de programa. Vencedor dos prêmios de Melhor Filme e indicado ao Oscar de melhor roteiro original, ator coadjuvante (Seymour Cassel) e atriz coadjuvante (Lynn Carlin).

DISCO 2:

A MORTE DE UM BOOKMAKER CHINÊS (The Killing of a Chinese Bookie, 1976, 135 min.)
Com Ben Gazzara, Timothy Carey, Seymour Cassel.

Cosmo Vittelli, proprietário de uma boate em Los Angeles, não tem dinheiro para quitar uma alta dívida de pôquer. A máfia exige que ele mate um bookmaker chinês para saldar a dívida. O disco traz as duas versões do filme: a de 1976, com 136 minutos, e a do relançamento em 1978, com 109 min.

DISCO 3:

NOITE DE ESTREIA (Opening Night, 1977, 144 min.)
Com Gena Rowlands, John Cassavetes, Ben Gazzara.

Myrtle Gordon, célebre atriz de meia-idade, enfrenta uma crise de identidade ao sentir-se culpada pela morte de uma ardorosa fã na noite de estreia de sua nova peça. Ela vê a moça em alucinações e recusa-se a representar o papel de uma mulher que envelhece. Premiado com o Urso de Prata de melhor atriz (Gena Rowlands) no Festival de Berlim.

EXTRAS:
* Cineastas de nosso tempo: John Cassavetes (49 min.)
* Making of de “Faces” (42 min.)
* Abertura alternativa de “Faces” (18 min.)
* A fotografia de “Faces” (8 min.)
* Entrevistas com Ben Gazzara, Al Ruban e Gena Rowlands (50 min.)
* Trailers (7 min.)

E VEJA TAMBÉM, DO MESMO DIRETOR:
Cassavetes e a Nova Hollywood
Minha Esperança é Você

ÚLTIMAS PEÇAS: CLÁSSICOS, CULTS E FILMES DE FESTIVAIS

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Entre os cineastas selecionados, destaque para RAINER WERNER FASSBINDER (1945–1982), lembrado com os clássicos “Whity“, O Medo Consome a Alma” e “A Terceira Geração“; CLAUDE CHABROL (1930-2010), diretor de “Alice”, “Nas Garras do Vício” e “Trágica Separação“, e o polonês ANDRZEJ ZULAWSKI (1940–2016), resgatado pela distribuidora Lume com os seminais “A Revolta do Amor“, “Diabel“, “Globo de Prata” e “O Importante é Amar“. E tem muito mais, de grandes diretores:

Marguerite Duras * Jean Pierre Melville * Andrzej Wajda * Sergei Parajanov * Michael Cacoyannis * Joseph Losey * Ken Russell * Mauro Bolognini * Brian De Palma * Francis Ford Coppola * James Foley * Monte Hellman * David Cronenberg * Carlos Reichenbach * Suzana Amaral * Sergio Bianchi * Thomas Vinterberg * Joachim Trier * Elia Kazan * John Huston * Edward Dmytryk * Theo Angelopoulos * Maurice Pialat * Sam Peckinpah * Robert Altman * Carlos Saura * Victor Erice * Francesco Rosi * Claude Sautet * Joseph L. Mankiewicz * John Frankenheimer * Patrice Chéreau * Bertrand Tavernier * Yasujiro Ozu * Stephen Frears * Jane Campion * André Téchine * Agnès Varda * Miklós Jancsó * Emir Kusturica * Claude Chabrol * Peter Ustnov * James Ivory

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VISÕES DE CRIANÇA

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Uma raridade: um clássico do cinema mudo realizado na década de 1920 por Jacques Feyder (1885–1948), diretor de “Anna Christie” (com Greta Garbo). Filmado em belas locações na Suíça, “Visões de Criança” mergulha na psicologia infantil ao tratar dos efeitos do luto sobre duas crianças que perdem a mãe. O pai viúvo decide se casar novamente, despertando sentimentos contraditórios nas crianças.

JOHN & MARY

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À frente de seu tempo, este cult de Peter Yates, lançado originalmente em 1969, traz Dustin Hoffman e Mia Farrow – indicados ao Globo de Ouro – como dois estranhos à procura de um relacionamento significativo em Nova York. Eles se conhecem em um bar e passam a noite juntos, sem saber o nome um do outro. Na manhã seguinte, discutem e tentam se conhecer melhor, analisando suas próprias vidas.

O SEGUNDO ROSTO

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Indicado ao Oscar em 1967, este thriller de John Frankenheimer (O Trem”, “Sob o Domínio do Mal”) apresenta a melhor atuação do eterno galã Rock Hudson. Na trama, um homem de meia idade, vice-presidente de um banco, contrata uma empresa especializada em “renascimentos”. A organização forja a sua morte, e ele renasce na pele de um pintor de sucesso.

CIDADE DAS ILUSÕES

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Abandonado pela esposa, um boxeador alcoólatra (Stacy Keach) decide voltar a lutar, o que faz com que ele se aproxime de um jovem (Jeff Bridges) ascendente no esporte. Considerado um dos melhores trabalhos de John Huston nos anos 1970 – e uma reflexão sobre fracasso e sobrevivência no mundo do boxe – , o filme concorreu ao Oscar de melhor atriz coadjuvante (Susan Tyrrell).

O MATADOR DE OVELHAS

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Um marco do cinema independente norte-americano, o filme é um seminal drama de baixo orçamento realizado por Charles Burnett na vizinhança de seu bairro, na periferia de Los Angeles. Com elenco amador, o longa de 1979 acompanha o duro cotidiano de Stan, afroamericano que trabalha num abatedouro e luta por uma vida mais digna para sua família, em meio à desilusão e a problemas financeiros.

TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA

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Alfredo Garcia engravida a filha de um latifundiário mexicano. Revoltado, o pai da moça oferece um milhão de dólares pela cabeça de Garcia. Fiel ao universo de Sam Peckinpah (“Meu Ódio Será Sua Herança”, “Os Implacáveis”), o filme – com sua violência estilizada e tipos do submundo – adquiriu com o tempo status de cult e influenciou cineastas como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

TRÊS IRMÃOS

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O grande cineasta italiano Francesco Rossi (1922–2015) concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro por este sensível relato do retorno de três irmãos à sua cidade de infância. Com estilos de vida – e posições políticas – bem diferentes, eles se reencontram para o funeral da mãe. No elenco, destaque para Philippe Noiret (1930–2006), o Alfredo de “Cinema Paradiso”.

O ESPÍRITO DA COLMEIA

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Dirigido pelo espanhol Víctor Erice, este clássico do cinema espanhol foi um dos destaques da programação da 38ª Mostra de Cinema de São Paulo, em 2014. Na trama, ambientada na Espanha dos anos 1940, uma menina de 7 anos, Ana, assiste ao filme “Frankenstein”, experiência que irá marcá-la para sempre. Até que ela desaparece  misteriosamente, imersa em seu mundo de fantasia.

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Considerado pelo jornal The New York Times “a primeira obra-prima do feminismo na história do cinema”, o filme acompanha, ao longo de três dias, a rotina sufocante e automatizada da personagem-título, uma viúva cuja existência é consumida pelos afazeres domésticos. Nela, atividades pejorativamente consideradas banais como cozinhar, comer e limpar a casa ganham efeito dramático inédito no cinema narrativo moderno.

A REVOLTA DO AMOR

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Mais um trabalho seminal de um dos mais controversos (e incompreendidos) cineastas da Europa, o franco-polonês Andrzej Zulawski (“O Importante é Amar“, “Diabel“), falecido em 17 de fevereiro deste ano. Livremente inspirado em “O Idiota” (de Dostoiévski), o longa é um drama policial pós-moderno, com sua anárquica quadrilha de bandidos e um triângulo amoroso que transformou a bela Sophie Marceau em estrela na França.

GLOBO DE PRATA

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Um dos mais controversos (e incompreendidos) cineastas da Europa, Zulawski iniciou a única ficção-científica de sua carreira em 1976, concluindo “Globo de Prata” apenas em 1988. Com imagens fortes e cenas cheias de simbolismo, o filme traz elementos religiosos ao universo da sci-fi, mostrando um grupo de exploradores cósmicos que deixa a Terra para começar uma nova civilização em outro planeta.

A LENDA DO SANTO BEBERRÃO

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Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, o filme de Ermanno Olmi –cineasta premiado com a Palma de Ouro por “A Árvore dos Tamancos”– é uma lição de esperança ao narrar em tom de fábula singela os pequenos milagres vividos por um mendigo alcoólatra (Rutger Hauer, de “Blade Runner”) que recebe de um senhor desconhecido uma grande quantia em dinheiro, sob a condição de devovler tudo na semana seguinte.

UM AMOR TÃO FRÁGIL

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Vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Cannes em 1977, este sensível drama romântico, dirigido por Claude Goretta, transformou Isabelle Huppert em estrela na França. Ela interpreta Béatrice, tímida funcionária de um salão de beleza que, em uma viagem à Normandia, conhece François, um estudante da Sorbonne por quem se apaixona. Uma das performances icônicas da atriz francesa, cotada para uma indicação ao Globo de Ouro por “Elle”.

SEM TETO SEM LEI

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Um dos grandes filmes de Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7”), narrando a trajetória cheia de percalços de uma andarilha (vivida por Sandrine Bonnaire) por meio das diferentes pessoas que cruzam o seu caminho. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza e do César de melhor atriz. Confira também em promoção na 2001 “As Duas Faces da Felicidade” (1965), uma pequena (e solar) obra-prima da cineasta.

UM OLHAR A CADA DIA

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Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, este road movie acompanha um cineasta (Harvey Keitel) que empreende longa viagem em busca de antigos rolos de filmes, levando-o a descobrir um mundo dividido por guerras e ideologias. Direção do grego Theo Angelopoulos (1935–2012) – de “A Viagem dos Comediantes”, também em promoção.

INTIMIDADE

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Bem antes de conquistar o Oscar de melhor ator coadjuvante por “Ponte dos Espiões” em fevereiro, o inglês mark Rylance protagonizou este drama visceral de Patrice Chéreau (“A Rainha Margot”) baseado em contos de Hanif Kureishi, autor de “Minha Adorável Lavandeira”. O filme radiografa a relação carnal e silenciosa de um casal de estranhos, de forma crua — notadamente em inúmeras cenas de sexo. Urso de Ouro no Festival de Berlim.

O FUNDO DO CORAÇÃO

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Em Las Vegas, Hank e Frannie decidem que seu casamento chegou ao fim e se separam. Projeto pessoal de Francis Ford Coppola, que transformou uma história simples — a separação de um casal e sua busca por novos parceiros — em um exuberante musical, cujo visual estilizado impressiona até hoje. Além da bela fotografia do mestre Vittorio Storaro (“Café Society”), destaque também para a trilha jazzística (indicada ao Oscar) composta por Tom Waits.

OS IMORAIS

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Martin Scorsese produz esta adaptação do livro homônimo de Jim Thompson, sobre um triângulo incestuoso entre um golpista barato, sua mãe bookmaker de apostas e uma ambiciosa femme fatale. Quatro indicações ao Oscar: melhor diretor (Stephen Frears), roteiro adaptado, atriz (Anjelica Huston) e atriz coadjuvante (Annette Bening). E vencedor do Independent Spirit Awards de melhor filme e atriz.

E NA PROMOÇÃO DA LUME NÃO TEM SÓ FILME ANTIGO.

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CHANTAL ACKERMAN, DE CÁ

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No documentário dirigido por Gustavo Beck, o jornalista Leonardo Luiz Ferreira conduz entrevista com a realizadora belga, na qual ela reflete sobre o cinema, a vida e sua obra. A ideia de realizar o filme surgiu da admiração dos dois brasileiros pelo trabalho da cineasta, que esteve por aqui para participar de mostra sobre sua carreira, no Centro Cultural Banco do Brasil em 2009.

SUBMARINO

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Drama familiar dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterberg, antes do sucesso de “A Caça”, sobre dois irmãos que tentam reconstruir suas vidas após uma tragédia na infância. Na trama, Nick (Jakob Cedergren) deixa a prisão após cumprir pena e passa a morar num abrigo. Um dia ele recebe a notícia de que sua mãe morreu e, no funeral, reencontra o irmão que não via há anos. Exibido no Festival de Berlim em 2010.

PLANETA SOLITÁRIO

4

Longa independente estrelado por Gael García Bernal em torno de um jovem casal viajando pelas montanhas do Cáucaso, na Geórgia. Um gesto desesperado do protagonista vai colocar à prova o papel do homem no relacionamento. Drama intimista vencedor do Grande Prêmio do Júri do American Film Institute, e indicado ao Independent Spirit Awards de melhor direção (Julia Loktev). Exibido nos festivais de Istambul, Locarno e Sarasota.

AZUL PROFUNDO

5

Raro filme grego a estrear comercialmente no Brasil (no caso, em 2012), o longa de Aris Bafaloukas mistura drama, romance e suspense para narrar a história de Dmitris, um nadador profissional que dedica a vida aos treinos e namora Elsa, ativista ambiental que desaparece misteriosamente. Em belas imagens aquáticas, “Apnéia” (título original do filme) aborda o conflito de um atleta dividido entre suas ambições no esporte e seu envolvimento afetivo.

BRANCO COMO A NEVE

6

Premiada no Moscow International Film Festival em 2011, esta produção turca mostra a perda da inocência em um meio inóspito. Nas montanhas da Turquia, Hasan, de nove anos, cuida de seus dois irmãos mais novos, enquanto sua mãe trabalha numa cidade distante. Com seu pai preso, ele precisa ajudar na renda da família e e logo irá passar por uma grande provação.

CAMINHO PARA O NADA

2

Realizador do road movie “Corrida Sem Fim” (incluído na coleção “O Cinema da Nova Hollywood“), Monte Hellman voltou à direção de longa, depois de 21 anos, com o metalinguístico “Caminho para o Nada“, premiado no Festival de Veneza. Na trama, um jovem cineasta começa a rodar seu novo filme e conhece a atriz perfeita (Shannyn Sossamon). A partir daí, desenrola-se uma trama de suspense envolvendo a vida real do realizador e a mulher misteriosa.

HOTEL ATLÂNTICO

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Um ator desempregado (Júlio Andrade, em cartaz nos cinemas com “Maresia” e “Elis”) parte de cidade a cidade, sem bagagem ou planos, em direção ao interior do país. Durante sua jornada, se depara com situações absurdas, contraditórias e inesperadas. Sensorial e inesperado, este é o terceiro longa-metragem da cineasta Suzana Amaral (“A Hora da Estrela”, “Uma Vida em Segredo”), uma adaptação do romance homônimo de João Gilberto Noll.

O CÉU SOBRE OS OMBROS

6

A dualidade entre o real e o ficcional marca este interessante longa de Sérgio Borges premiado no Festival de Brasília em 2010. O cineasta se apropria de personagens reais para interferir em seu cotidiano e explorar novas possibilidades dramáticas, criando situações deliberadamente encenadas.

ELEVADO 3.5

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Um filme sobre o mundo de pessoas que se cruzam ao longo dos 3.5 km do Minhocão, via expressa construída na região central de São Paulo, durante a ditadura militar. Do nível da rua ao último andar, o espectador é conduzido por diferentes pontos de vista, mergulhando nas histórias dos personagens que ali vivem e/ou trabalham. Prêmio ‘Janela para o Contemporâneo’ de melhor documentário no Festival É TUDO VERDADE.

HERMANO

8

Premiado como melhor filme de estreia no Havana Film Festival, “Hermano”, dirigido por Marcel Rasquin, acompanha a dura realidade de dois irmãos que encontram no futebol a única chance de melhorar de vida. Os dois jogam juntos no La Ceniza, time de uma favela venezuelana onde moram. Pré-candidato da Venezuela na disputa por uma das vagas do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011.

OSLO, 31 DE AGOSTO

10

Livremente inspirado no romance francês “Le feu follet” de Pierr Drieu La Rochelle, levado às telas antes em “Trinta Anos Esta Noite”, o filme consagrou mundialmente o dinamarquês Joachim Trier, diretor do recente “Mais Forte que Bombas”. “Oslo” segue Anders, jovem em tratamento para desintoxicação, no dia em que é liberado para uma entrevista de emprego na capital norueguesa. Exibido no Festival de Cannes.

OLIVER SHERMAN

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Estudo de personagem, este drama canadense apresenta Sherman (Garret Dillahunt), um militar solitário e desconectado do mundo. Ele procura pelo soldado que salvou sua vida durante a guerra, Franklin (Donal Logue, da série “Gotham”), e encontra-o vivendo numa pacata cidade rural, casado com Irene (a ótima Molly Parker, de “House of Cards”), com dois filhos e com um emprego seguro. Exibido no Festival Internacional Lume de Cinema.

ESTOQUES LIMITADOS

JOHN CASSAVETES: ATOR, DIRETOR – E ÍCONE DO CINEMA INDEPENDENTE

“Ele foi o mais independente de todos. Para mim, ele foi e continua sendo um guia e um professor. Sem sua ajuda e conselhos, eu não sei o que teria sido de mim como cineasta.” Martin Scorsese, sobre John Cassavetes

“Ele foi o mais independente de todos. Para mim, ele foi e continua sendo um guia e um professor. Sem sua ajuda e conselhos, eu não sei o que teria sido de mim como cineasta.”
Martin Scorsese, sobre John Cassavetes

A VERSÁTIL RESGATA A FILMOGRAFIA DE JOHN CASSAVETES, UM DOS PRECURSORES DO CINEMA INDEPENDENTE AMERICANO, EM DOIS LANÇAMENTOS: “GLORIA“, INDICADO AO OSCAR DE MELHOR ATRIZ, E “A ARTE DE JOHN CASSAVETES“, DVD DUPLO REUNINDO TRÊS CLÁSSICOS DO CINEASTA + DOCUMENTÁRIO.

Nascido em 9/12/1929, em Nova York (EUA), Cassavetes morreu em 3/2/1989, de cirrose hepática. Filho de imigrantes gregos, se formou em Arte Dramática em 1950, e passou a interpretar pequenos papéis no teatro e na televisão. Nessa época, conheceu a atriz Gena Rowlands, com quem se casou e teve três filhos – entre eles, Nick Cassavetes, diretor de “Prova de Amor”.

Como ator, Cassavetes personificou o típico desajustado ou vilão em filmes como “Os Doze Condenados” (1967), pelo qual concorreu ao Oscar de melhor ator coadjuvante, “O Bebê de Rosemary” (1968) e “A Fúria” (1978). Ele participou do jogo de Hollywood, mas, paralelamente à atuação, desafiou a indústria cinematográfica como cineasta autoral. Recusando fórmulas fáceis, se firmou como diretor de produções verdadeiramente independentes, de baixo orçamento, sempre com a mesma equipe técnica – além da presença de amigos como Ben Gazzara, Peter Falk, Seymour Cassel e, é claro, a esposa Gena no elenco.

Confira o melhor de seu trabalho em dois lançamentos que revelam um cineasta simplesmente atraído pela necessidade humana de amar.

dvd_gloriaGLORIA
(Idem, EUA, 1980, 123 min.)
Com Gena Rowlands, John Adames, Buck Henry, Julie Carmen

Premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza, o filme traz no papel principal Gena Rowlands (“Uma Mulher Sob Influência”), indicada ao Oscar de melhor atriz por sua atuação. Na trama, Gloria, ex¬namorada de um gângster, deve cuidar do filho de seus vizinhos, que foram assassinados a sangue frio pela máfia. Gloria e o menino, que possui uma valiosa informação em seu poder, se tornam alvo dos bandidos e são obrigados a fugir pelas ruas de Nova York.

dvd_cassaA ARTE DE JOHN CASSAVETES (DVD DUPLO)

No formato digistack, o box apresenta três obras-primas inéditas – em versões restauradas – do ator e cineasta, além do ótimo documentário “Cassavetes: o homem e sua obra (1984)”, de Michael Ventura. Nos extras, um especial sobre a esposa e musa do diretor, a atriz Gena Rowlands.

DISCO 1:

A CANÇÃO DA ESPERANÇA (“Too Late Blues”, 1961, 103 min.)
Com Bobby Darin e Stella Stevens.

Líder de uma banda de Jazz se apaixona perdidamente por uma cantora, e acabando entrando em crise. O segundo filme de Cassavetes, e seu primeiro para um grande estúdio de Hollywood.

ASSIM FALOU O AMOR (“Minnie and Moskowitz”, 1971, 113 min.)
Com Gena Rowlands e Seymour Cassel.

Quando acha que nunca mais vai se apaixonar de novo, a curadora de arte Minnie conhece Seymour Moskowitz, um manobrista maluco, e os dois iniciam um inusitado relacionamento.

DISCO 2:

AMANTES (“Love Streams”, 1984, 141 min.)
Com John Cassavetes e Gena Rowlands.

Um escritor hospeda sua irmã depois de ela ter se divorciado. Os conceitos de ambos sobre o amor entram em discussão enquanto tentam acertar suas vidas. Urso de Ouro e Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Berlim.

CASSAVETES: O HOMEM E SUA OBRA (“I’m almost not crazy”, 1984, 60 min.)
De Michael Ventura. Com John Cassavetes, Seymour Cassel e Gena Rowlands.

Michael Ventura acompanha Cassavetes durante as filmagens de “Amantes”, procurando compreender o fascinante processo de criação do diretor e sua relação com os atores.

6

MAIS FILMES DO CINEASTA EM DVD NA 2001:
Noite de Estreia (1977)
A Morte de um Bookmaker Chinês (1976)
Uma Mulher Sob Influência (1974)
Faces (1968)
Minha Esperança é Você (1963)
Sombras (1959)

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DICAS PARA O FIM DE SEMANA: INÉDITOS NOS CINEMAS, AGORA NA 2001

Confira a seguir as dicas da equipe 2001 Vídeo:

Frank e o Robô
(Robot & Frank, EUA, 2012, Cor, 89′)
Sony – Drama – 12 anos
Direção: Jake Schreier
Elenco: Frank Langella, James Marsden, Liv Tyler, Peter Sarsgaard, Susan Sarandon, Jeremy Sisto

frank-e-o-robo-dvd

Ambientado “em um futuro próximo”, numa bucólica cidade nos arredores de Nova York, o filme é um singelo conto em torno de Frank (Frank Langella, indicado ao Oscar por “Frost/Nixon“). Aos 70 anos, já aposentado, o personagem vive solitário numa casa afastada da cidade ou vizinhos, e começa a demonstrar sinais de perda da memória. Ele fala com Hunter (James Marsden), o filho mais velho, como se este ainda estivesse na universidade e esquece que seu restaurante favorito fechou há anos. Preocupado, Hunter presenteia o pai com um robô “coordenador de saúde”, uma espécie de mordomo que irá ajudar nas tarefas domésticas e lhe fazer companhia.

Avesso a novas tecnologias, Frank desdenha do presente e custa a aceitar a ajuda do robô (dublado por Peter Sarsgaard), mas com o tempo começa a aceitá-lo, já que a máquina revela-se mais versátil do que ele pensava. Não só versátil, mas confidente e até colaborativa, a partir do momento em que a trama revela que o pacato protagonista cumpriu, no passado, pena na prisão por assalto e evasão fiscal. O robô começa a aprender os truques e a ajudar o ladrão, que planeja a volta à ativa com um novo golpe.

Premiado nos EUA, e inédito no Brasil, o filme conta ainda com a presença sempre marcante de Susan Sarandon, no papel de uma amiga (e interesse amoroso) de Frank

Premiado nos EUA, e inédito no Brasil, o filme conta ainda com a presença sempre marcante de Susan Sarandon, no papel de uma amiga (e interesse amoroso) de Frank

Vencedor do prêmio Alfred P. Sloan no Festival de Sundance em 2012, “Frank e o Robô” toma caminhos inesperados com a subtrama de assalto, mas prende mesmo a atenção é com a espirituosa (e por vezes inusitada) interação entre o grande ator Frank Langella e seu comparsa cibernético.

 
Temple Grandin*
(Idem, EUA, 2010, Cor, 107′)
Warner – Drama – 10 anos
Direção: Mick Jackson
Elenco: Claire Danes, Julia Ormond, David Strathairn, Catherine O’Hara

02Alçada à fama com “Romeu + Julieta” (1996), no qual atuou ao lado de Leonardo DiCaprio, Claire Danes reinventou-se como atriz ao protagonizar, em 2010, o telefilme “Temple Grandin”. Consolidada na TV americana, logo depois ela brilharia também na aclamada série “Homeland“.

Parcialmente narrado em flashbacks, o premiado telefilme da HBO é baseado na história real da personagem-título, uma autista que revolucionou o tratamento do gado para abate na América, além de lutar contra o estigma de uma doença pouco compreendida na época.

Temple lutou a vida inteira para superar os desafios impostos pelo autismo e conseguiu tirar proveito de sua excepcional habilidade de pensar e ver o mundo em imagens. Sua trajetória começa nos anos 1960, com a entrada numa escola especial, onde conhece um professor (David Strathairn, de “Boa Noite e Boa Sorte”) que acredita em seu potencial. Sem jamais desistir, ela consegue ingressar na universidade e trabalhar na indústria do gado.

Claire Danes, com o Emmy recebido pelo telefilme, posa ao lado da verdadeira Temple Grandin. Antes de ser consagrada pelo papel  de Carrie na série "Homeland", a atriz reinventou a sua carreira ao estrelar o premiado telefilme da HBO, agora disponível para locação na 2001

Claire Danes (com o prêmio Emmy) posa ao lado da verdadeira Temple Grandin [confira no video abaixo um depoimento dela sobre o autismo]. Antes de se consagrar com o papel de Carrie na série “Homeland”, a atriz reinventou a sua carreira ao estrelar o premiado telefilme da HBO, agora disponível para locação na 2001

Vencedora dos principais prêmios da TV, como o Emmy e o Globo de Ouro de melhor atriz, Claire vive um grande arco dramático de Temple, da adolescência até o período pós-faculdade, sem cair na caricatura de uma autista. É uma atuação emocionante, e o principal motivo para o sucesso da cinebiografia, que acerta ainda ao materializar em imagens o fascinante processo mental de Temple.

* Emmy de melhor telefilme, direção, atriz (Claire Danes), atriz coadjuvante (Julia Ormond), ator coadjuvante (David Strathairn), trilha sonora e montagem

Música da Alma
(The Sapphires, AUS, 2012, Cor, 103′)
Paris – Drama – Verifique a classificação indicativa
Direção: Wayne Blair
Elenco: Chris O’Dowd, Deborah Mailman, Jessica Mauboy, Kylie Belling, Lynette Narkle

03Diferentemente do que o pôster possa sugerir, “Música da Alma” não é uma variação australiana de “Dreamgirls“, e sim um recorte da trajetória de um grupo de soul formado por quatro mulheres aborígenes, que lutam contra a discriminação racial nos anos 1960.

Tony Briggs transformou a história de sua mãe – integrante do quarteto The Sapphires (As Safiras) original – num espetáculo musical em 2004 e transpôs a peça para o cinema em 2012. O filme retrata o abismo social enfrentado pelos povos indígenas na Austrália e apresenta, nesse cenário, um trio de irmãs aborígenes, com incrível talento para o canto, que acaba descoberto por Dave Lovelace (Chris O’Dowd, de “Missão Madrinha de Casamento”).

Músico irlandês fracassado que trabalha como DJ, Dave torna-se empresário das jovens e as estimula a trocar o estilo country/música de raiz pelo soul. Com a adição de uma quarta integrante, surge o grupo The Sapphires, assim batizado em menção ao sucesso das Supremes nos EUA.

 
Intérpretes de clássicos da Motown, as cantoras irão enfrentar o desafio de entreter as tropas americanas durante a Guerra do Vietnã, em 1968. Expostas aos horrores do conflito, “as Safiras” começam a refletir sobre a sua identidade, ao servir de atração a outro tipo de colonizador.

O Sistema
(The East, EUA/ING, 2013, Cor, 116′)
Fox – Drama – 14 anos
Direção: Zal Batmanglij
Elenco: Brit Marling, Alexander Skarsgård, Ellen Page, Toby Kebbell, Patricia Clarkson, Julia Ormond

04Revelada na ficção-científica indie “A Outra Terra“, a atriz Brit Marling coescreveu – ao lado do diretor Zal Batmanglij – o explosivo drama “O Sistema”, exibido no Festival de Sundance em 2012. Produzidos pelos irmãos Ridley (de “O Conselheiro do Crime”, que acaba de estrear no Brasil) e Tony Scott (falecido em 2012), o longa acompanha a jornada de Sarah (Brit), funcionária de uma empresa de segurança privada. Ambiciosa, ela é escolhida para atuar como agente infiltrada num grupo de ativistas radicais denominado “O Leste” (The East, título original do filme).

“Somos o Leste e este é apenas o começo”, informa em voz off na abertura Izzy (Ellen Page, de “Juno”), uma das militantes do grupo “eco-terrorista” que planeja, nos próximos seis meses, contra-atacar três grandes empresas supostamente responsáveis por comercializar produtos nocivos à saúde ou à natureza. Sarah consegue entrar nessa espécie de coletivo anarquista, formado por jovens bem nascidos que optaram por viver idealisticamente, escondidos numa fazenda.

Inédito no Brasil, "O Sistema" traz no elenco Brit Marling ("A Negociação"), Alexander Skarsgård ("Melancolia"), Ellen Page ("A Origem) e Toby Kebbell ("Rocknrolla"). Dotado de relevância assustadora hoje, o roteiro do filme serve de alerta para os perigos do ativismo que desemboca na violência

Inédito no Brasil, e assustadoramente relevante hoje, “O Sistema” traz no elenco Brit Marling (“A Negociação”), Alexander Skarsgård (“Melancolia”), Ellen Page (“A Origem”) e Toby Kebbell (“Rocknrolla”)

Não demora para a agente disfarçada ganhar a confiança de seu alvo, e ao mesmo tempo simpatizar cada vez mais com seus ideais, além de se deixar envolver por seu líder – o misterioso e sedutor Benji. Interpretado por Alexander Skarsgaard (um dos vampiros de “True Blood“), o personagem, de aura messiânica, confere conotação de culto à organização “ativista”, que comete atos extremos como envenenar os funcionários de uma empresa farmacêutica com o mesmo remédio por ela fabricado e que custou a vida de pacientes inocentes.

Com seu grupo de anarquistas/terroristas dotados de consciência social, o filme entra em um terreno perigoso, ainda mais nos dias atuais com a eclosão de violentas manifestações populares ao redor do mundo. As motivações dos personagens de “O Sistema” partem de causas legítimas, mas seus atos incorrem na velha justiça com as próprias mãos.

 
Spring Breakers – Garotas Perigosas
(Spring Breakers, EUA, 2012, Cor, 94′)
Universal – Drama – 18 anos
Direção: Harmony Korine
Elenco: Vanessa Hudgens, Selena Gomez, Ashley Benson, Ashley Benson, Rachel Korine

05Corroteirista de “Kids” e diretor de “Gummo – Vidas sem Rumo”, Harmony Korine volta a causar polêmica com “Spring Breakers”, filme que atingiu inesperado sucesso de bilheteria nos EUA, apresentando um retrato nada lisonjeiro da juventude atual.

O longa acompanha a busca incessante por novas sensações e, acima de tudo, prazer, que preenche o vazio de quatro amigas que vão passar, no calor da Flórida, as tais férias de primavera do título. Sob o olhar crítico e ao mesmo tempo fetichista de Korine, as personagens interpretadas por Selena Gomez (“Ramona e Beezus”), Ashley Benson (“The OC”), Vanessa Hudgens (de “High School Musical”!) e Rachel Korine (esposa do diretor) entram numa espiral de sexo e drogas que culmina com a sua prisão.

A liberdade, mediante o pagamento de fiança, vem na figura de um extravagante traficante chamado Al (ou “Alien”), interpretado por James Franco, que compõe uma caricatura dos “gangsta rappers”. Fã de “Scarface”, o bandido simboliza a ostentação material do “sonho americano” levado às últimas consequências, com seus carros de luxo, roupas de marca e vocabulário limitado.

 
Imagens de farras sexuais adolescentes à la, por exemplo, “Jersey Shore” (da MTV) ou “Wild On” (do canal “E”) pontuam a narrativa como um contraponto irônico à realidade fantasiosa das protagonistas. “Você tem que fingir que é um jogo de videogame”, afirma, despreocupadamente, uma das jovens em determinado momento. À semelhança de um longo videoclipe lisérgico – pense em, por exemplo, “Smack My Bitch” da banda Prodigy -, o filme, goste ou não, recria o estado de letargia mental de jovens que confundem diversão com transgressão, ou até mesmo violência. A pergunta é: a troco de quê?

Butter – Deslizando na Trapaça
(Butter, EUA, 2011, Cor, 90′)
Europa – Comédia – Verifique a classificação indicativa
Direção: Jim Field Smith
Elenco: Jennifer Garner, Yara Shahidi, Ty Burrell, Hugh Jackman, Olivia Wilde, Alicia Silverstone

06Sem chamar a atenção no cinema desde o o escândalo que causou em “O Último Tango em Paris“, a manteiga ganha destaque na comédia de humor negro apropriadamente chamada “Butter”. Caricatura da classe média estadunidense, a produção explora as idiossincrasias de uma competição de “escultura de manteiga” que, por mais incrível que possa parecer para nós do sul do Equador, é uma prática comum no norte dos EUA.

Considerado o “Michelangelo da margarina”, por vencer o campeonato anual 15 vezes, Bob Pickler (Ty Burrell, de “Modern Family”) sai da disputa para dar lugar a sua ambiciosa esposa Laura (Jennifer Garner, “De Repente 30”).

Alpinista social, conservadora e neurótica, a madame fará de tudo para vencer, mas encontra uma adversária mais talentosa: uma menina afro-americana de apenas 11 anos. Em busca de reconhecimento social em seu mundinho de aparências, a personagem de Jennifer entra num crescendo de insanidade com a simples possibilidade de perder, lembrando outra obsessiva do cinema, a protagonista de “Eleição” (1999). A trama de enganos e intrigas se complica com a entrada de uma stripper (a bela Olivia Wilde, de “House“) e de um vendedor de carros, vivido pelo Wolverine (e galã) Hugh Jackman.

“CELESTE E JESSE PARA SEMPRE”: MELHORES AMIGOS E APAIXONADOS

Indicado ao Independent Spirit Awards de melhor roteiro de estreia, escrito pela atriz Rashida Jones e Will McCormack,  "Celeste e Jesse para Sempre" acompanhas as idas e vindas de dois personagens que se separaram, mas não conseguem ficar longe um do outro

Indicado ao Independent Spirit Awards de melhor roteiro de estreia, escrito pela atriz Rashida Jones e Will McCormack, “Celeste e Jesse para Sempre” acompanha as idas e vindas de dois personagens que se separaram, mas não conseguem ficar longe um do outro

Celeste e Jesse para Sempre
(eleste & Jesse Forever, EUA, 2012, Cor, 92′)
Sony – Comédia Romântica – 14 anos
Direção: Lee Toland Krieger
Elenco: Rashida Jones, Andy Samberg, Elijah Wood, Chris Messina, Emma Roberts

Sinopse: Celeste e Jesse se conheceram no colégio e logo resolveram se casar. Agora, aos 30 anos e poucos anos, decidem se separar e continuar amigos, tarefa nada fácil já que não conseguem viver longe um do outro.

 
Pouca conhecida no Brasil, Rashida Jones atuou em produções para a TV americana no início dos anos 2000 até conseguir papéis coadjuvantes em filmes como Eu Te Amo, Cara (2009), A Rede Social (2010) e O Idiota do Meu irmão (2011). Estrelado e coescrito pela atriz, Celeste e Jesse para Sempre é um ponto de virada em sua carreira.

Finalmente em um papel protagonista, Rashida interpreta a Celeste do título, escritora e bem sucedida profissional de marketing que decide se separar do marido Jesse (o comediante Andy Samberg), um artista gráfico desempregado que não faz muito da própria vida. O desequilíbrio entre as aspirações dos dois põe fim ao que parecia um casal perfeito.

Seis meses depois, os “descolados” Celeste e Jesse já estão divorciados, mas não desgrudam um do outro, apesar dos conselhos de amigos. A pretensa modernidade do “casal descasado” sofre uma reviravolta quando Jesse começa a sair com outra mulher, provocando sentimentos conflitantes em Celeste, que não consegue esquecer dele. O amor que um nutre pelo outro é inegável, mas a separação tornou difícil manter a amizade.

Celeste (Rashida) e Jesse (Andy) pareciam feitos um para o outro, mas aspirações pessoais e profissionais diferentes os coloca em caminhos opostos.

Celeste (Rashida) e Jesse (Andy) pareciam feitos um para o outro, mas aspirações pessoais e profissionais diferentes os coloca em caminhos opostos. É possível permanecerem como “melhores amigos” após a separação?

A incapacidade dos dois, sobretudo Celeste, em seguir em frente após a separação é o que move a trama que retrata toda uma geração de profissionais liberais – na faixa dos trinta anos – em busca de sucesso, muitas vezes sacrificando sua vida amorosa.

Exibido no Festival de Sundance, Celeste e Jesse é uma produção independente que evita alguns dos clichês das típicas comédias românticas, equilibrando-se entre o sarcasmo inteligente e a melancolia do fracasso, com vários insights irônicos sobre a indústria de entretenimento que move a cidade de Los Angeles e seus habitantes.

Além dos dilemas amorosos de Celeste, o filme expõe de forma irônica o estilo de vida dos moradores de Los Angeles às voltas com fama e status. Por isso, as participações de Emma Roberts ("A Arte da Conquista) como uma cantora pop, Chris Messina ("Argo") como um paquerador de mulheres na ioga, e Elijah Wood (o Frodo de "O Senhor dos Anéis") no papel do sócio gay de Celeste

Além dos dilemas amorosos de Celeste, o filme expõe de forma irônica o estilo de vida dos moradores de Los Angeles às voltas com fama e status. Por isso, as participações de Emma Roberts (“A Arte da Conquista”) como uma cantora pop, Chris Messina (“Argo”) no papel de um sedutor de mulheres em aulas de ioga, e Elijah Wood (o Frodo de “O Senhor dos Anéis”interpreta o sócio gay de Celeste

Em busca de sua “cara metade”, Celeste vai viver encontros desastrosos para, ao final, aprender porque é tão difícil manter uma amizade significativa – e dissociada do sexo – entre homens e mulheres com muito em comum.

KABOOM! MAIS UMA CELEBRAÇÃO DA DIVERSIDADE SEXUAL E DA TRANSGRESSÃO POR GREGG ARAKI

Homossexual assumido, o cineasta norte-americano Gregg Araki fez sucesso junto a cinéfilos mais alternativos com o perturbador "Mistérios da Carne". Seus filmes são presença constante em festivais voltados ao público LGBT. "Kaboom" é mais um filme independente do cineasta - e uma orgia de sexo e drogas que faz o protagonista não distinguir mais a alucinação da realidade

Homossexual assumido, o cineasta norte-americano Gregg Araki fez sucesso junto a cinéfilos mais alternativos com o perturbador “Mistérios da Carne”, de 2004. Seus filmes são presença constante em festivais voltados ao público LGBT e “Kaboom” (disponível para locação e venda na 2001) é mais um trabalho independente. Nele, uma orgia de sexo e drogas faz o protagonista não distinguir mais alucinação da realidade

Kaboom
(Idem,  EUA/FRA, 2010, Cor, 86′)Vinny – Drama – 16 anos
Direção: Gregg Araki
Elenco: Thomas Dekker, Haley Bennett, Chris Zylka, Juno Temple

Sinopse: Smith passa seus dias na universidade à toa com sua melhor amiga, Stella. Depois de experimentar um biscoito temperado com alucinógenos, o rapaz começa a ter longas e estranhas viagens e, durante um de seus sonhos, vê uma garota ruiva ser assassinada. Sem saber se o que ele viu é real ou imaginário, ele decide descobrir a verdade por trás dessa alucinação.

 
Nascido em Los Angeles, Gregg Araki tornou-se um dos principais nomes da cena independente graças a filmes tematicamente ousados e carregados de homoerotismo como Geração Maldita (1995) e Mistérios da Carne (2004).

A confusão sexual, o desejo em ebulição e os distúrbios emocionais dos jovens retratados em sua perturbadora “trilogia adolescente do apocalipse” (formada por Totally F***ed Up, Geração Maldita e Nowhere) retornam em Kaboom (ou Ka-Boom, como descrito na capa do DVD).

Comédia teen com toques surreais de ficção-científica que lembram, por vezes, a atmosfera de Donnie Darko, o filme transcorre em um campus universitário no sul da Califórnia, onde o jovem Smith, dividido entre seu colega de quarto surfista e sua melhor amiga lésbica, experimenta os prazeres do sexo e uma série de inquietações. Sob influência de cookies alucinógenos, o estudante de cinema começa a sofrer delírios com assassinos usando máscaras de animais, uma seita de bruxas e até mesmo o fim do mundo.

No elenco, destaque para Juno Temple (à esquerda), jovem atriz inglesa que não tem medo de se expor em filmes transgressores - e que exploram a sexualidade - como "Killer Joe" e "Lovelace" (ainda inédito no Brasil). Ainda este ano, ela poderá ser vista em mais uma produção contra-indicada para estômagos mais sensíveis: a continuação de "Sin City".

No elenco, destaque para Juno Temple (à esquerda), jovem atriz inglesa que não tem medo de se expor em filmes transgressores – e que exploram a sexualidade – como “Killer Joe” e “Lovelace” (ainda inédito no Brasil). Ainda este ano, ela poderá ser vista em mais uma produção que promete carregar no sexo e na violência: a continuação de “Sin City”

As coisas se complicam a partir do momento em que o jovem – assim como o espectador – não consegue mais distinguir o que é real e o que é imaginado, pretexto para um caleidoscópio de personagens bizarros, imagens desconcertantes e cenas de sexo bem ao gosto do diretor.

“A ARTE DA CONQUISTA”

O rito de passagem de um jovem inconformista é  desenvolvido com sensibilidade em "A Arte da Conquista", drama

O rito de passagem de um jovem inconformista é desenvolvido com sensibilidade em “A Arte da Conquista”, elogiado drama adolescente exibido no Sundance Festival

A Arte da Conquista
(The Art of Getting By, EUA, 2011, Cor, 83′)
Vinny – Drama – 12 anos
Direção: Gavin Wiesen
Elenco: Freddie Highmore, Emma Roberts, Michael Angarano, Rita Wilson

Sinopse: George Zinavoy é um jovem amargurado que acredita que o ser humano nasce e morre sozinho. Com este pensamento, é difícil para ele ir à escola ou fazer os deveres de casa, tarefas que despreza. Mergulhado em sua amargura, conhece a bela Sally e começa a sentir novas sensações.

 

O filme é estrelado por

Freddie Highmore e Emma Roberts: romance teen

Exibido no Sundance Festival de 2011, o filme é, diferentemente do que o título sugere, uma produção independente sobre o rito de passagem de um jovem inconformista (Freddie Highmore, o menino de A Fantástica Fábrica de Chocolate) tentando encontrar seu lugar no mundo. Desligado de tudo, ele tem talento para desenhar e, com a ajuda de uma nova colega na escola, começa a ver o lado bom das coisas.

Ao som de bandas indie e do cantor Leonard Cohen, o protagonista encontra no amor que nutre pela amiga a motivação para seguir em frente. Além do clichê romântico de amar alguém que só o quer (aparentemente) como melhor amigo.

“4:44: O FIM DO MUNDO”

Nome importante do cinema independente americano, o ítalo-americano Abel Ferrara também refletiu sobre um hipotético fim do mundo em seu último trabalho, 4:44. Diretor de filmes radicais como O Assassino da Furadeira e Olhos de Serpente, Ferrara adota registro intimista, situando quase toda a trama entre o apartamento em que se encontra o casal de protaonistas

Nome importante no cinema independente americano, o ítalo-americano Abel Ferrara também refletiu sobre um hipotético fim do mundo em seu último trabalho, 4:44. Diretor de filmes radicais como O Assassino da Furadeira e Olhos de Serpente, Ferrara adota aqui registro intimista, situando quase toda a trama dentro do apartamento em que se encontra o casal de protagonistas

4:44 – O Fim do Mundo
(4:44 Last Day on Earth, EUA/FRA/SUI, 2011, Cor, 82′)
Paris – Drama – Verifique a classificação indicativa
Direção: Abel Ferrara
Elenco: Willem Dafoe, Shanyn Leigh, Natasha Lyonne, Anita Pallenberg

Sinopse: Cisco e Skye são um apaixonado casal nova-iorquino, com vários projetos pela frente. Hoje, vivem o penúltimo dia das suas vidas, pois às 4h44 da próxima madrugada todo o planeta Terra entrará em colapso. Nas próximas horas, a humanidade aguarda pela extinção total da vida no planeta.

 

Coproduzido pelo chileno Pablo Larraín (em cartaz nos cinemas brasileiros com o elogiado No), o filme se inscreve na onda de produções surgidas antes da apocalíptica data de 21 de dezembro de 2012. Bem, o mundo não acabou, mas está prestes a terminar na trama de 4:44, cujo início deixa claro faltarem somente 14 horas e 44 minutos para o fim do planeta Terra.

Willem Dafoe e Shanyn Leigh em cena: nos últimos momentos da humanidade,  seus personagens só tem um ao outro. Seguem-se horas de angústia, medo, decepção e, acima de tudo, reflexão sobre suas vidas

Willem Dafoe e Shanyn Leigh em cena: nos últimos momentos da humanidade, seus personagens só tem um ao outro. Seguem-se horas de angústia, medo, decepção e, acima de tudo, reflexão sobre suas vidas

Nesse curto período, o casal interpretado por Willem Dafoe e a novata Shanyn Leigh passa seus últimos momentos no apartamento – ele, acompanhando o noticiário, e ela pintando. Como lidar com o tempo que nos resta se nada mais na existência tem sentido? Em quase todos os filmes do diretor “maldito” Abel Ferrara (Vício Frenético, Maria), religião e dependência química são discutidas e não é diferente neste recorte intimista do estado de inércia e desolação da humanidade em seus momentos finais.

4:44 foi apontado pela influente revista francesa Cahiers du Cinéma um dos melhores filmes de 2012, ficando em quarto lugar.

MAIS ABEL FERRARA EM DVD NA 2001:

05
Napoli Napoli Napoli (2009)
Maria (2005)
Blackout (1997)
Os Chefões (1996)
Olhos de Serpente (1993)
Os Invasores de Corpos – A Invasão Continua (1993)
O Assassino da Furadeira (1979)