Colin Farrell

AGORA EM DVD, O ELOGIADO “EM RITMO DE FUGA” E “O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS”, PREMIADO EM CANNES

COM GRANDES ATUAÇÕES, UM ROTEIRO ORIGINAL E TRILHA SONORA MATADORA, O CULT “EM RITMO DE FUGA” É CONSIDERADO UM DOS MELHORES FILMES DO ANO. E, POR DAR UM NOVO PONTO DE VISTA PARA UM CLÁSSICO DA LITERATURA AMERICANA, SOFIA COPPOLA RECEBEU O PRÊMIO DE MELHOR DIREÇÃO EM CANNES POR “O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS“.

EM RITMO DE FUGA

Uma das produções mais elogiadas do ano, dirigida e escrita pelo britânico Edgar Wright (“Todo Mundo Quase Morto”, “Scott Pilgrim Contra o Mundo”).

Recém-lançado em DVD e Blu-ray, “Em Ritmo de Fuga” é o primeiro longa do diretor realizado nos EUA, com ótimo elenco e sequências de perseguição de carro eletrizantes, ao som de uma trilha matadora, com canções de blues, rock e soul que ditam o ritmo da ação.

A trama acompanha o protagonista Baby (Ansel Elgort, de “A Culpa é das Estrelas”), jovem que tem uma mania curiosa: ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos organizados por Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de deixar a vida criminosa, especialmente depois de se apaixonar pela garçonete Debora (Lily James, de “Downton Abbey” e “Cinderela”).

Diretor-roteirista de sensibilidade pop, Wright sincroniza cada sequência de assalto com uma música ouvida por Baby em seu iPod, como na incrível sequência de abertura, ao som de ‘Bellbottoms’, do grupo indie rock The Jon Spencer Blues Explosion. Por isso, “Baby Driver” (título original do filme) é quase um filme de ação musical, com cenas de ação coreografadas ao ritmo do som.

Além do impressionante trabalho dos dublês nas perseguições de carro, que confere mais autenticidade e realismo às cenas, o filme vai ganhando tensão com a entrada de dois comparsas de assalto, Buddy (Jon Hamm, da série “Mad Men”) e Bats (Jamie Foxx), cada um com suas idiossincrasias e segredos.

CURIOSIDADES:

* Edgar Wright teve a ideia do filme ao ouvir a canção “Bellbottoms” do trio Jon Spencer Blues Explosion. Ele começou a trabalhar no roteiro em 1995.

* “Easy” é outra música-chave da trama e surge na versão original, gravada pelo grupo Commodores, e numa versão cover da cantora Sky Ferreira, que interpreta a mãe de Baby.

* Produções dos anos 1960 e 1970, como “Bullit”, “Operação França” e “Caçada de Morte”, estão entre as referências usadas por Wright no projeto.

* O cineasta e o jovem Elgort estiveram no Brasil em julho deste ano para divulgar o filme.

* Logan Lerman (“As Vantagens de Ser Invisível”) foi cogitado para o papel principal.

O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (2017)

Por esta adaptação do livro de Thomas P. Cullinan – levado às telas antes, com o mesmo título brasileiro, em 1971 – Sofia Coppola tornou-se a segunda mulher a ganhar o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes.

Com seu estilo contemplativo e minimalista, a cineasta adiciona camadas de subtexto e, sobretudo, um olhar feminino, à história de McBurney (Colin Farrell, no papel que foi de Clint Eastwood na versão de Don Siegel), um cabo da União que, gravemente ferido, é resgatado por um grupo de mulheres sulistas lideradas por Martha Farnsworth (Nicole Kidman).

O intruso, e ainda por cima inimigo de guerra, desperta sentimentos conflitantes e a sexualidade das duas professoras (vividas por Kidman e Kirsten Dunst) e de algumas das alunas adolescentes que vivem ali, isoladas em um casarão na Virginia. Um perigoso jogo de sedução entre elas e o homem ferido – e ao mesmo tempo algoz – toma forma, com trágicas consequências.

CURIOSIDADES:

* Antes de Sofia, a única mulher a levar o prêmio de Melhor Direção em Cannes foi a russa Yuliya Solntseva, por “A Epopéia dos Anos de Fogo”, em 1961.

* Antes de se encontrarem no set de “O Estranho que Nós Amamos“, Nicole Kidman e Colin Farrell contracenaram juntos em “The Killing of a Sacred Deer”, novo trabalho do aclamado diretor grego Yorgos Lanthimos (de “O Lagosta”).

* Segundo Sofia, o filme não é uma refilmagem do clássico homônimo de 1971, mas uma adaptação do romance de Cullinan.

Clint Eastwood no clássico de 1971, dirigido por Don Siegel

* Intérprete de uma das jovens do internato sulista, Elle Fanning já trabalhou com a cineasta em “Um Lugar Qualquer” (2010)

* Algumas das cenas foram filmadas dentro da casa da atriz Jennifer Coolidge, em New Orleans.

NOVA YORK SERVE DE CENÁRIO PARA MUITA AÇÃO – E SUSPENSE – EM DOIS LANÇAMENTOS INÉDITOS NOS CINEMAS BRASILEIROS

Diretor da versão original de "Os Homens que não Amavam as Mulheres", o dinamarquês Niels Arden Oplev faz sua estreia no cinema americano com "Sem Perdão", thriller lançado direto em DVD e Blu-ray no Brasil. Ambientado em Nova York, o filme é uma forte história de vingança com Colin Farrell e Noomi Rapace, atriz sueca que deu vida a Lisbeth Salander na trilogia "Millennium"

Diretor da versão original de “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, o dinamarquês Niels Arden Oplev faz sua estreia no cinema americano com “Sem Perdão”, thriller lançado direto em DVD e Blu-ray no Brasil. Ambientado em Nova York, o filme é uma forte história de vingança com Colin Farrell e Noomi Rapace, atriz sueca que deu vida a Lisbeth Salander na trilogia “Millennium”

Sem Perdão
(Dead Man Down, EUA, 2013, Cor, 118′)
California – Suspense – 14 anos
Direção: Niels Arden Oplev
Elenco: Colin Farrell, Noomi Rapace, Terrence Howard, Dominic Cooper, Isabelle Huppert

Sinopse: Membro de uma gangue de criminosos, Victor é seduzido e chantageado por Beatrice, que busca vingança após um acidente de carro que a deixou desfigurada. Em troca do silêncio dela, ele precisa matar o motorista que a atropelou.

 
Com vários trabalhos realizados para a TV nórdica, o dinamarquês Niels Arden Oplev ganhou projeção internacional ao dirigir a versão sueca de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, depois refilmada por David Fincher em 2011. Depois da série Unforgettable, ele estreia no cinema americano com Sem Perdão, thriller de vingança estrelado por Colin Farrell e Noomi Rapace, a inesquecível Lisbeth Salander da trilogia Millennium original.

Na bem sucedida cinessérie adaptada da obra de Stieg Larsson, os protagonistas são encurralados pelas circunstâncias, levados a cometer atos questionáveis que tornam sua trajetória imprevisível e quase sempre fadada à tragédia. A vida não é muito diferente para Victor (Farrell), um imigrante de origem húngara cuja família foi assassinada na sombria e perigosa Nova York retratada no filme.

O irlandês Colin Farrell e a sueca Noomi rapace exibem boa química em cena; seus personagens vivem uma ambígua e perigosa relação que domina o filme, deixando em segundo plano a intriga envolvendo a gangue liderada pelo mafioso vivido por Terence Howard

O irlandês Colin Farrell e a sueca Noomi Rapace exibem boa química em cena; seus personagens vivem uma ambígua e perigosa relação que domina o filme, deixando em segundo plano a intriga envolvendo a gangue liderada pelo mafioso interpretado por Terence Howard. O elenco conta ainda com Dominic Cooper (de “Dublê do Diabo”) e a musa francesa Isabelle Huppert, em uma pequena participação como a mãe da personagem de Noomi 

Capanga de um estiloso mafioso de nome Alphonse (Terence Howard, de Crash – No Limite), ele conhece uma vizinha com o rosto parcialmente desfigurado, Beatrice (Noomi). Logo no primeiro encontro romântico dos dois, surge a revelação: Beatrice gravou Victor cometer um crime e, para manter o segredo, exige que ele mate o homem responsável por tê-la atropelado há um ano.

Em busca de vingança, os dois desenvolvem uma estranha e por vezes doentia relação, que desperta o pior em cada um e culmina em ainda mais violência, com algumas perseguições e tiroteios pelo caminho. Para terminar a sua vingança, ele precisa finalizar a dela.

Filmado em locações de Nova York, como os arredores da Universidade de Columbia e o Central Park, "Perigo por Encomenda" é uma aventura "descolada", com alucinantes  perseguições, edição ágil e um incrível trabalho dos dublês

Filmado em locações de Nova York, como a Universidade de Columbia e o Central Park, “Perigo por Encomenda” é uma aventura “moderninha”, com alucinantes perseguições, edição ágil e um jovem ator em ascensão – Joseph Gordon Levitt (“A Origem”, “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”)

Perigo por Encomenda
(Premium Rush, EUA, 2012, Cor, 91′)
Sony – Aventura – 12 anos
Direção: David Koepp
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Michael Shannon, Dania Ramirez, Sean Kennedy

Sinopse: Desviar de carros acelerados, táxis enlouquecidos e oito milhões de pedestres mal-humorados é a rotina diária de Wilee, o melhor mensageiro ciclista de Nova York. Só que o último envelope do dia – uma entrega “urgente” rotineira – se torna uma perseguição de vida ou morte pelas ruas de Manhattan.

 
Coescrito e dirigido por um colaborador frequente de Steven Spielberg – David Koepp, roteirista de Jurassic Park, Guerra dos Mundos e de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal -, Perigo por Encomenda transforma o trabalho do bike courier – o entregador de bicicleta – numa eletrizante corrida contra o tempo. E não só contra o tempo: no estressante dia a dia de uma das maiores cidades do mundo, carros, faróis, policiais e até pedestres tornam-se obstáculos para Wilee (o ascendente Joseph Gordon-Levitt, de A Origem), quase um “mensageiro-ninja”, dada a sua inacreditável habilidade com a bicicleta.

Logo após Wilee sofrer uma pequena queda, ao som do clássico do The Who Baba O’Riley, o enredo retrocede no tempo e o ciclista tem cerca de 5 horas e meia para entregar um misterioso envelope no bairro de Chinatown. O conflito surge com a entrada em cena de Michael Shannon (O Abrigo, O Homem de Aço), mais uma vez interpretando um personagem desequilibrado, desta vez um detetive que intercepta o nosso herói e exige o envelope.

Novo astro de Hollywood, Joseph Gordon-Levitt sofreu vários ferimentos durante as filmagens. Numa das gravações, por exemplo, ele bateu de bicicleta em um táxi e sofreu vários pontos em um dos braços. Algumas imagens do ator após o acidente aparecem nos créditos finais do filme

Novo astro de Hollywood, Joseph Gordon-Levitt sofreu vários ferimentos durante as filmagens. Numa das gravações, por exemplo, ele bateu de bicicleta em um táxi e sofreu vários pontos em um dos braços. Algumas imagens do ator após o acidente aparecem nos créditos finais do filme

Com o vilão em seu encalço, Wilee desafia todas as leis de trânsito em acrobacias alucinantes dos dublês, e perseguições em alta velocidade que incluem uma corrida entre o protagonista e um ciclista rival, passando pelo Central Park.

Para tornar a narrativa mais ágil e “moderninha”, o diretor e roteirista Koepp usa e abusa de flashbacks, e da computação gráfica em sequências que lembram o filme Sem Limites. O tempo é suspenso para demonstrar as inúmeras possibilidades do herói em fuga: os riscos de ir por uma ou outra direção, e suas consequências numa espécie de GPS mental.

Andar de bicicleta em Nova York nunca foi tão perigoso – e ao mesmo tempo divertido.

“SETE PSICOPATAS E UM SHIH TZU”: HUMOR NEGRO, METALINGUAGEM E VIOLÊNCIA

Segundo longa de Martin McDonagh ("Na Mira do Chefe"), "7 Psicopatas e um Shih Tzu" recebeu muitos elogios para sua mistura surreal de comédia, drama e policial com ecos de Jim Jarmusch e Takeshi Kitano, referências assumidas pelo diretor-roteirista

Segundo longa de Martin McDonagh (“Na Mira do Chefe”), “7 Psicopatas e um Shih Tzu” recebeu muitos elogios para sua mistura surreal de comédia, drama e policial descolado com ecos de Jim Jarmusch e Takeshi Kitano, referências assumidas pelo diretor-roteirista

Sete Psicopatas e um Shih Tzu
(Seven Psychopaths, ING, 2012, Cor, 110′)
Paris – Policial – 16 anos
Direção: Martin McDonagh
Elenco: Colin Farrell, Woody Harrelson, Sam Rockwell, Abbie Cornish, Harry Dean Stanton, Tom Waits

Sinopse: Em Los Angeles, Marty, um roteirista irlandês, tenta encontrar inspiração para seu novo roteiro, “Sete Psicopatas”. Seu amigo Billy, um ator fracassado envolvido em sequestros de cachorros, o ajuda a desenvolver o roteiro, além de envolvê-lo em inúmeras confusões.

 
Vencedor do Oscar de melhor curta-metragem por Six Shooter (2004), o dramaturgo e roteirista britânico Martin McDonagh estreou na direção de longa em 2007 com o inusitado Na Mira do Chefe, policial marcado pela ironia. Em seu mais recente trabalho, Sete Psicopatas e um Shih Tzu, McDonaugh eleva à enésima potência seu humor negro, parodiando de maneira metalinguística a indústria de Hollywood.

O personagem central é Marty, um roteirista alcoólatra – e irlandês, mas não necessariamente nessa ordem – que vive um bloqueio criativo e começa a escrever sobre… si mesmo. O roteiro, que ele chama de “um filme de ação budista com mensagem pacifista”, passa a se chamar “Sete Psicopatas” e o primeiro maluco na lista é um fictício vietnamita à procura de vingança. Quem serão os outros seis?

A inspiração surge na excêntrica fauna de desajustados de Los Angeles, com amigos como o imprevisível Billy (Sam Rockwell, roubando a cena) e o veterano Hans (Christopher Walken, tocante), envolvidos em um esquema de sequestro de “cachorros de madame” em troca de gratificação. Os dois roubam um shih-tzu (raça de cães originária da China), sem saber que o animal de estimação pertence a um perigoso gângster (e psicopata) chamado Charlie (Woody Harrelson, sempre divertido), que não vai poupar esforços (e mortes) para encontrá-los.

Citado no título do filme, o motivo real de tanta confusão: o adorável cachorro da raça shih tzu (na foto, com Colin Farell) sequestrado pelos personagens de Sam Rockwell e Christopher Walken

Citado no título do filme, o motivo real de tanta confusão: o adorável cachorro da raça shih tzu (na foto, com Colin Farell) sequestrado pelos personagens de Sam Rockwell e Christopher Walken

O protagonista encontra nos diferentes personagens que encontra pelo caminho – incluindo um assassino em série de criminosos, vivido pelo ator e cantor Tom Waits – elementos para os psicopatas de sua história. Divertido (para quem aprecia humor negro) exercício de metalinguagem com ecos de Charlie Kaufman (Adaptação), o filme se beneficia da presença do elenco estelar e dos diálogos anárquicos e propositalmente absurdos de McDonagh, que incorpora as experiências da realidade do personagem de Farrell à ficção que o mesmo desenvolve na escrita.

Apaixonado por Akira Kurosawa, cujo Sete Samurais serviu de inspiração para o título, o diretor-roteirista de Na Mira do Chefe tem um senso de humor cruel e muito particular, que torna difícil rotular seus filmes. Sua escrita se equilibra sobre uma linha tênue entre a comédia de humor negro e a tragédia, ironizando, em rompantes de violência desconcertante e inesperada, as soluções narrativas empregadas pelo cinema para atrair o público. Com sua mistura de gêneros, a trama de Sete Psicopatas se confunde com o processo criativo que, em grupo, toma as mais variadas formas. Tão surreal que, em certo ponto, Marty pergunta aos amigos: “E o que deveríamos fazer na vida real?”.

Oficina de roteiro: em cena, Marty, Billy e Hans discutem o final do filme fictício baseado em suas experiências reais

Oficina de roteiro: em cena, Marty, Billy e Hans discutem o final do filme fictício baseado em suas experiências reais. O filme real, disponível em DVD e Blu-ray na 2001, concorreu ao Bafta de melhor filme britânico e ao Independent Spirit Awards de melhor roteiro e ator coadjuvante (Sam Rockwell)

ALUGUE TAMBÉM NA 2001:

Na Mira do Chefe*
(In Bruges, ING/EUA, 2008, Cor, 107′)
Direção: Martin McDonagh
Elenco: Colin Farrell, Brendan Gleeson, Ralph Fiennes, Jérémie Renner, Zeljko Ivanek

05Depois de um trabalho mal feito, os matadores Ray e Ken são mandados por seu chefe Harry para a Bélgica. Enquanto Ken aproveita a oportunidade para apreciar a paisagem, o acelerado Ray vai atrás de aventura.

Com essa trama inicial, o dramaturgo inglês Martin mcDonagh procura humanizar seus dois personagens centrais, ambos em conflito existencial: os matadores profissionais interpretados por Brendan Gleeson (O Guarda) e Colin Farrell (O Vingador do Futuro). Depois de O Sonho de Cassandra (2007), o jovem galã irlandês interpreta aqui mais um homem atormentado pela culpa. E, além da presença de Ralph Fiennes (O Paciente Inglês) no papel do vilão, outro destaque fica por conta da própria cidade de Bruges, com suas belas locações.

* Indicado ao Globo de Ouro de melhor filme e melhor ator (Brendan Gleeson e Colin Farrell) em comédia ou musical

CHEFES MALVADOS NO CINEMA

Quem em algum momento da vida não teve um chefe mal-humorado, tirânico, tenso, incompetente ou simplesmente idiota?

Ainda em cartaz nos cinemas brasileiros, a comédia Quero Matar Meu Chefe faz sucesso com seu humor politicamente incorreto e três terríveis patrões: Dave Arbus (Kevi Spacey, de Beleza Americana), empresário controlador, cínico e egocêntrico – um verdadeiro psicopata corporativo; Julia Harris (Jennifer Aniston, a eterna Rachel), dentista ninfomaníaca e boca suja; e Bobby Pellitt (Colin Farrell, bem diferente da imagem de galã), um maluco viciado em drogas que assume o negócio do pai que faleceu. Os três aterrorizam seus empregados mais próximos, que irão se unir num plano que remete ao clássico Pacto Sinistro (1951), de Alfred Hitchcock. Mas a vingança não vai tão longe assim e acaba sendo mesmo uma versão mais moderna e besteirol do filme Como Eliminar seu Chefe (1980), estrelado por Dolly Parton, Lily Tomlin e Jane Fonda e ainda inédito em DVD no Brasil.

Exemplos de chefes ruins no cinema não faltam, do tirânico capitão de O Grande Motim (1935), passando pelo sádico Sargento Hartman de Nascido para Matar (1988), até a inesquecível Miranda Priestly imortalizada por Meryl Streep em O Diabo Veste Prada (2006).

Alec Baldwin interpreta Blane, executivo de vendas que humilha a equipe de vendedores de O Sucesso a Qualquer Preço, adaptação da premiada peça Glengarry Glen Ross, de David Mamet

David Mamet, autor da peça que deu origem ao filme O Sucesso a Qualquer Preço (1992), é um especialista na difícil relação de poder e controle estabelecida no ambiente de trabalho. Além do terrível chefe interpretado por Alec Baldwin em O Sucesso… e do jogo de gato e rato entre patrão e empregado em A Trapaça (1997), Mamet mergulhou ainda no tenso embate entre professor e aluna – e a dúvida sobre a ocorrência de assédio sexual – em Oleanna (1994), adaptação de sua premiada peça teatral.

A seguir, algumas sugestões em DVD de filmes sobre a difícil relação entre chefias e subordinados:

O Grande Motim (1935)

Charles Laughton interpreta um tirânico capitão de navio no clássico vencedor do Oscar em 1936, refilmado depois em 1962, com Marlon Brando

Nascido para Matar (1987)

Os personagens do filme de Stanley Kubrick comem o pão que o diabo amassou sob as ordens de um sargento sádico

Wall Street – Poder e Cobiça (1987)

Michael Douglas ganhou o Oscar de melhor ator pelo papel de Gordon Gekko, um implacável executivo da Bolsa de Valores que manipula o jovem pupilo vivido por Charlie Sheen

Uma Secretária de Futuro (1988)

Sigourney Weaver interpreta a chefe egoísta e esnobe que rouba as melhores ideias da secretária interpretada por Melanie Griffith

Os Simpsons (1989-2009)

O terrível Mr. Burns da série Os Simpsons poderia encabeçar qualquer lista de piores chefes

O Sucesso a Qualquer Preço (1992)

No papel de chefe de um grupo de vendedores, Alec Baldwin faz um dos discursos mais humilhantes que um funcionário já ouviu no cinema

A Firma (1993)

Gene Hackman interpreta um "chefe do mal" que seduz o ambicioso advogado de Tom Cruise com inúmeras promessas de enriquecimento e status

Advogado do Diabo (1997)

Nessa parábola moral estrelada por Al Pacino e Keanu Reeves, o chefão de um escritório de advocacia é nada mais nada menos do que o próprio "demo"...

Como Enlouquecer seu Chefe (1999)

Insatisfeito, funcionário de uma empresa especializada em softwares começa a sabotar o trabalho com o intuito de ser demitido, mas acaba sendo promovido pelo chefe idiota

Amor à Segunda Vista (2002)

Ao invés de chefiar o setor jurídico da empresa de Hugh Grant, a advogada vivida por Sandra Bullock é subutilizada como secretária e babá dele

The Office – A Série Original Completa (BBC) – 1ª e 2ª Temporadas (2001-2003)

O controverso comediante inglês Ricky Gervais estrela a série original que sintetiza o clima por vezes surreal de chefes bossais e processos empresariais ridículos

The Office (2005 – 2010)

Steve Carell assumiu o personagem de Ricky Gervais na versão norte-americana de The Office

A Proposta (2009)

Sandra Bullock é a chefe implacável de Ryan Reynolds, que ainda é obrigado a fingir um noivado com a megera...