Eraserhead

UM DOS LANÇAMENTOS DO ANO, A COLEÇÃO TRAZ 4 FILMES DO DIRETOR, INCLUINDO O CULT “ERASERHEAD”

Um dos diretores mais cultuados pelos cinéfilos, David Lynch transcende a sétima arte. É um inquieto artista multimídia também com trabalhos nas artes plásticas, fotografia, escultura, desenho, música e até nos quadrinhos (“O Cão Mais Raivoso do Mundo”). Produtor de música eletrônica, lançou em 2001 o álbum “Crazy Clown Time”, em que continua suas experimentações sonoras no cinema.

Considerado um dos diretores mais originais e influentes do cinema, Lynch é um dos poucos a desafiar (ou mesmo subverter) as convenções da indústria, mantendo-se sempre fiel a seu estilo e experiências. Para ele, ao representar a vida, os filmes devem ser complicados, e, em alguns casos, inexplicáveis. Por isso, dificilmente o cineasta explica o enredo de suas produções; cabe ao próprio espectador estabelecer sentido e significação para aquilo que vê.

O CINEMA DE DAVID LYNCH

A coleção reúne quatro de seus filmes – três deles fora de catálogo. Anteriormente lançado pela Lume, “Eraserhead” (1977) – estreia de Lynch na direção de longa – virou item de colecionador. Indicado a 8 Oscar, “O Homem Elefante” (1980), “Coração Selvagem” (1990) – vencedor da Palma de Ouro em Cannes -, e o surreal quebra-cabeça “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer” (1992) completam o box.

ERASERHEAD

Primeiro longa-metragem do cineasta, o filme começou a ser rodado em 1971 e foi lançado apenas em 1977. Seu penoso processo de produção resultou inclusive no primeiro divórcio do diretor.

Bizarro, original, surrealista. “Eraserhead” é um pesadelo em forma de drama familiar, acompanhando Henry Spencer (Jack Nance), que luta internamente para lidar com sua raivosa namorada e os gritos de seu filho, um bebê mutante. Entre os admiradores deste cult incontornável do cinema, estão Stanley Kubrick e Mel Brooks que, impressionado, produziria o filme seguinte do diretor, “O Homem Elefante”.

O HOMEM ELEFANTE

Usado como uma atração de circo, John Merrick (John Hurt) é constantemente humilhado pela sociedade a sua volta. Frederick Treeves (Anthony Hopkins), um famoso cirurgião, o leva para o hospital em que trabalha e descobre que, a despeito de sua aparência incomum, Merrick é um ser humano sensível, inteligente e gentil.

Drama vitoriano filmado na Inglaterra, com bela fotografia em preto e branco influenciada pelo expressionismo alemão, o filme foi reconhecido pela Academia de Hollywood com oito indicações ao Oscar, incluindo a primeira das três nomeações de Lynch a melhor direção.

CORAÇÃO SELVAGEM

Lynch homenageia à sua maneira o clássico “O Mágico de Oz” por meio da bizarra jornada de Sailor (Nicolas Cage) e Marilyn (Laura Dern), que deixam sua cidade para fugir das garras da diabólica mãe dela (papel de Diane Ladd, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante).

Premiado com uma polêmica Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1990, o longa é um road movie erótico, perturbador e violento, repleto de humor negro. O elenco ainda conta com Willem Dafoe, Isabella Rossellini e Harry Dean Stanton – falecido em 15 de setembro deste ano, aos 91 anos.

TWIN PEAKS – OS ÚLTIMOS DIAS DELAURA PALMER

Cercado de expectativa, por conta do sucesso da série criada por Lynch e o roteirista Mark Frost, o filme estreou no Festival de Cannes de 1992. Duramente vaiado na Croisette e incompreendido na época de seu lançamento, é mais um surreal conto de horror lynchiano sobre a perda da inocência.

Na trama (ou anti-trama), o agente do FBI Chet Desmond (Chris Isaak) e seu parceiro Sam Stanley (Kiefer Sutherland) investigam o assassinato da garçonete Teresa, em uma pequena cidade do estado de Washington. Após descobrir uma pista, Chet desaparece a alguns quilômetros da cidade de Twin Peaks. Um ano depois, outra morte parece ter ligação com o crime: o assassinato de Laura Palmer (Sheryl Lee). Seus últimos dias de vida podem ajudar a solucionar o mistério.

Reavaliado com o passar do tempo, o filme adquiriu status de cult e ganha mais relevância agora com o retorno – 25 anos depois – da série, com a qual estabelece conexões importantes.

CLÁSSICOS E CULTS PARA TODOS OS GOSTOS NA 2001

ERASERHEAD

Primeiro longa-metragem de David Lynch, o filme começou a ser rodado em 1971 e foi lançado apenas em 1977. Seu penoso processo de produção resultou inclusive no primeiro divórcio do diretor. Bizarro, original, surrealista. “Eraserhead” é um pesadelo em forma de drama familiar, acompanhando Henry Spencer (Jack Nance), que tenta sobreviver da indústria de vírus, de sua raivosa namorada e dos gritos de seu filho, um bebê mutante.

CONSELHO DE FAMÍLIA

Diretor de thrillers engajados como “Z”, “A Confissão” e “Desaparecido – Um Grande Mistério”, o grego Costa- Gavras deixa a política de lado nesta comédia dramática estrelada por Johnny Hallyday, Fanny Ardant e Guy Marchand. Na trama, um ladrão profissional (o roqueiro Hallyday) sai da prisão e retoma suas atividades criminosas, fazendo sua família prosperar. Só que, com o passar dos anos, ele coloca o filho para trabalhar junto com a quadrilha, provocando então uma reunião de família.

LOLITA

O romance homônimo de Vladimir Nabokov escandalizou o público em seu lançamento, nos anos 1950. Banido em vários países, ganhou sua primeira versão para o cinema em 1962, dirigida por Stanley Kubrick. Trinta e cinco anos depois, o diretor Adrian Lyne (“Atração Fatal“) e o roteirista Stephen Schiff encararam o desafio de adaptar o livro, explicitando o que era apenas sugerido na versão de Kubrick. Com bela trilha sonora do mestre Ennio Morricone, o filme conta com Jeremy Irons no papel que foi de James Mason no clássico.

OS DEUSES MALDITOS

Início da chamada “trilogia alemã” do italiano Luchino Visconti, completada por “Morte em Veneza” (1971) e “Ludwig” (1972), este ousado clássico de 1969 era o filme favorito de Rainer Werner Fassbinder. Como em “Macbeth” de William Shakespeare, seus personagens arriscam tudo (ética, honra, vidas) para ascender social e materialmente. Cenas de incesto, pedofilia e um massacre durante orgia militar refletem a decadência moral dos Von Essenbecks, paralelamente à ascensão do nazismo entre 1933 e 1934.

A MULHER DO CHEFE DA ESTAÇÃO

Mais um trabalho de Werner Rainer Fassbinder até então inédito em DVD no Brasil, agora na 2001. Idealizado para exibição televisão da Alemanha Ocidental em 1977, o longa traz ecos de “Madame Bovary” na história da esposa insatisfeita do título. Só que na trama, adaptada do clássico alemão de Oskar Maria Graf, Fassbinder potencializa as relações de poder, sobretudo em relação à posição masoquista do marido.

FITZCARRALDO

Na virada do século XX, o ciclo da borracha na Amazônia prometia fortuna rápida para quem tivesse ousadia. Brian Sweeney Fitzgerald (Klaus Kinski) tem a obsessão de trazer a ópera para a pequena cidade de Iquitos, na Amazônia peruana. Um dos maiores nomes do Novo Cinema Alemão, Werner Herzog recebeu o prêmio de melhor diretor por este ambicioso trabalho, cujas filmagens no Amazonas e no Peru constituem uma aventura à parte.

WATERLOO

Produzido por Dino de Laurentiis, este épico histórico é uma coprodução ítalo-russa-americana com fotografia de Armando Nannuzzi (“Os Deuses Malditos“, “Ludwig”) e direção de Sergey Bondarchuk (“Guerra e Paz“, 1966). Rod Steiger vive o papel de Napoleão Bonaparte que, em 1815, após escapar da Ilha de Elba, organiza seu exército para participar da luta decisiva na Bélgica contra os exércitos da Inglaterra e da Prússia – a mítica Batalha de Waterloo.

A ÚLTIMA CANÇÃO

Musical espanhol com a estrela Sarita Montiel, aqui dirigida por Juan de Orduña, o homem que 10 anos antes reconheceu seu potencial. Na Barcelona dos anos 1950, Montiel interpreta Maria Luján, uma ex-cantora de palco famosa, mas agora esquecida, sem dinheiro e sozinha. Ao reencontrar Juan Contreras, seu ex- empresário, ela relembra seu passado glorioso e turbulento, sua ascensão e seu grande amor.

OS VIÚVOS TAMBÉM SONHAM

Cinéfilos não podem perder este lançamento, um clássico de Frank Capra até então inédito em DVD no Brasil. Premiada com o Oscar de melhor canção original (“High Hopes”), esta comédia de 1959 traz Frank Sinatra no papel de um viúvo mulherengo, dono de um hotel decadente em Miami. Afundado em dívidas, ele recebe ajuda de seu filho de 12 anos, o único capaz de colocá-lo na linha.

LEGIÃO NEGRA

Em tempos de intolerância crescente, este clássico filme noir de 1937 ganha ainda mais relevância. Inspirado em caso real ocorrido em Michigan, o longa – indicado ao Oscar de melhor roteiro original – apresenta Humphrey Bogart no papel de operário abordado por uma organização secreta chamada Legião Negra. Seus membros acreditam que a América é para os americanos brancos, e que imigrantes e minorias raciais devem ser combatidos por meios violentos.

RIO VERMELHO

Indicado ao Oscar de melhor roteiro e montagem, o filme é um dos grandes faroestes da história do cinema – e o primeiro trabalho no gênero dirigido por Howard Hawks – que dez anos depois faria outro western de peso, “Onde Começa o Inferno”. Em “Rio Vermelho”, John Wayne veste a pele de Tom Dunson, um rude rancheiro do Texas que precisa transportar seu gado pela trilha de Chisholm, onde enfrentará diversos perigos.

BALAS QUE NÃO ERRAM

Um dos grandes astros do western, Audie Murphy deixou de lado o papel de mocinho neste faroeste de 1959, dirigido por Jack Arnold. Seu personagem é um temido pistoleiro profissional que se instala no hotel de uma pequena cidade do Velho Oeste. Sua presença assusta a população, que tem dúvidas sobre quem realmente ele persegue.

TOBRUK

Neste clássico de guerra ambientado em setembro de 1942, uma unidade da Força Especial, composta em sua maioria por judeus foragidos da Alemanha, rapta o Major Donald Craig (Rock Hudson), oficial canadense especializado em topografia. Ele terá de comandar o grupo por 800 milhas através do deserto do Saara, a fim de ajudar uma ambiciosa missão de ataque contra base de combustíveis nazista em Tobruk.

O INFERNO É PARA OS HERÓIS

Depois de estrelar o sucesso “Sete Homens e um Destino” (1960), Steve McQueen voltou a trabalhar com o ator James Coburn este longa de guerra dirigido por Don Siegel. Os dois e o cantor Bobby Darin integram um batalhão recém-formado que, no outono de 1944, precisa lutar e convencer os alemães de que o grupo faz parte de uma grande força-tarefa dos Aliados.

OS IMPLACÁVEIS

Sam Peckinpah (1925–1984), o “poeta da violência” do cinema americanos dos anos 1960 e 70, assina este eletrizante policial estrelado por Steve McQueen e Ali MacGraw. Escrito por Walter Hill, a partir de um romance de Jim Thompson, o longa acompanha os preparativos de um assalto, sua execução e o que ocorre depois dele. À frente do golpe estão o ex-presidiário Doc McCoy (McQueen) e sua esposa Carol (MacGraw), contratados por Jack Beynon (Ben Johnson).

DAVID LYNCH EM PARIS, MOSTRA DE CINEMA E NA 2001

“É absurdo um cineasta dizer com palavras o que significa um filme em particular.”  David Lynch

AUSENTE DA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM DESDE IMPÉRIO DOS SONHOS, DE 2006, DAVID LYNCH TEM SE DEDICADO A INÚMERAS ÁREAS DE ATUAÇÃO: A MEDITAÇÃO TRANSCENDENTAL, CURTAS PUBLICITÁRIOS, UMA CASA NOTURNA INSPIRADA EM CIDADE DOS SONHOS O CLUB SILENCIO, EM PARIS – E A MÚSICA.
DE HOJE A 28/4, A CAIXA CULTURAL, EM SÃO PAULO, REALIZA A MOSTRA “DAVID LYNCH – O LADO SOMBRIO DA ALMA”, DEDICADA AO MULTIARTISTA.

Nascido numa pequena cidade do interior de Montana (EUA), em 20/1/1946, Lynch frequentou diversas escolas de arte após o secundário, além de estudar brevemente na Europa. Em 1967, se casou com uma colega de pintura, Peggy Reavey, e teve sua primeira filha – Jennifer Chambers Lynch, que mais tarde seguiria os passos do pai ao dirigir o bizarro Encaixotando Helena (Boxing Helena, 1993). Essa primeira experiência paterna exerceu enorme influência em Eraserhead (1977), sua estreia na direção de longa-metragem. O filme levou cinco anos para ser realizado e, embora tenha sido mal recebido pela crítica, adquiriu status de cult com o tempo, além de conquistar admiradores como o cineasta Stanley Kubrick.

O personagem-título de “Eraserhead”, filme que chamou a atenção de Mel Brooks e Stanley Kubrick

Eraserhead impressionou também o ator e diretor Mel Brooks (A História do Mundo – Parte I, Alta Ansiedade), que contratou Lynch para dirigir O Homem Elefante (The Elephant Man, 1980), drama vitoriano filmado na Inglaterra, com fotografia em preto e branco e influência do expressionismo alemão. O filme foi reconhecido pela Academia de Hollywood com oito indicações ao Oscar, incluindo a primeira das três nomeações de Lynch a melhor direção. Ele ainda seria convidado por George Lucas para dirigir O Retorno de Jedi (Star Wars – Episode VI – Return of the Jedi, 1983), oportunidade que recusou.

Se O Homem Elefante foi um sucesso, o passo seguinte do cineasta — Duna (Dune, 1984), primeira adaptação do best seller de ficção-científica escrito por Frank Herbert — foi um total desastre: custou 47 milhões de dólares, arrecadou apenas 4 e ainda foi massacrado pela crítica. Em entrevista a Chris Rodley (Ler Lynch on Lynch, da editora Faber & Faber), Lynch confessou que após o fracasso do filme sentia-se morto como cineasta.

David Lynch em 1984

Num período de desencanto com os grandes estúdios, ele passou a se dedicar mais à fotografia e à pintura, até retornar com força total com o inesperado êxito de Veludo Azul (Blue Velvet, 1986). Perturbador, o thriller marcou o início de sua parceria com o compositor Angelo Badalamenti e estabeleceu algumas das marcas da mise-en-scène lynchiana: imagens que distorcem a realidade, canções pop (principalmente de Roy Orbison), sequências surrealistas de sonho, e o uso inventivo do som – Lynch é sound designer de vários de seus filmes – na construção da atmosfera. O filme causou polêmica pela violência e sexualidade bizarra de seus personagens, valendo a Lynch nova indicação ao Oscar de direção.

Lynch dirige a então namorada Isabella Rossellini em “Veludo Azul”, filme que chocou o público com seus tipos bizarros e sexo sadomasoquista. Isabella é filha de Ingrid Bergman e Roberto Rossellini, abordados no documentário “Bergman & Magnani”, disponível na 2001

1990 foi um grande ano: vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes por Coração Selvagem (Wild at Heart), ele alcançaria o maior sucesso comercial de sua carreira com a série televisiva Twin Peaks, verdadeiro fenômeno cultural que se tornou objeto de culto. No mesmo período, dirigiu inúmeros comerciais, principalmente para fragrâncias de Yves Saint Laurent, Calvin Klein e Giorgio Armani.

Exemplo do furor causado por “Twin Peaks”: capa da revista Rolling Stone de outubro de 1990 com as beldades da série: Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn e Madchen Amick

Considerado um esforço oportunista para explorar comercialmente a série, o longa-metragem Twin Peaks – Os Últimos Dias de Laura Palmer (Twin Peaks – Fire With Me, 1992) fracassou crítica e comercialmente, mas Lynch voltaria a desconcertar crítica e público com A Estrada Perdida (Lost Highway, inédito em DVD no Brasil) em 1997. Espécie de noir surrealista, o filme intensifica as experiências visuais e sonoras do diretor, tirando proveito da climática trilha sonora de Trent Reznor (da banda Nine Inch Nails e vencedor do Oscar por A Rede Social), que contou com uma colaboração de David Bowie.

 
Em 1999, nova surpresa com o trabalho mais terno e atípico – no caso, leia-se convencional – de sua carreira: História Real (The Straight Story).

Lynch entre suas duas musas de Cidade dos Sonhos: Laura Harring e Naomi Watts

O filme seguinte, Cidade dos Sonhos (Mulholand Dr., 2001), foi criado como um episódio-teste para a rede televisiva ABC. Contudo, a emissora não aprovou o piloto de pouco mais de duas horas criado por Lynch, suspendendo a produção da série. Executivos da produtora francesa Studio Canal + tiveram acesso ao material, adoraram o que viram e decidiram comprar seus direitos autorais da ABC. Lynch pôde então dirigir mais cenas adicionais e reeditar tudo como um longa. Resultado: um inesperado sucesso de público e crítica que valeu a Lynch mais uma indicação ao Oscar e o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes. Inspirado pelo trabalho, considerado um dos melhores filmes dos anos 2000, Lynch e seu sócio Arnaud Frisch criaram, no final de 2011, uma nova casa noturna na Rua Montmartre, em Paris: o Club Silencio, complexo que inclui ainda sala de shows, restaurante, cinema e biblioteca.

Sala de shows inspirada no Club Silencio de "Cidade dos Sonhos". A grande diferença é que na sala real há sim música. A entrada no Club Silencio para não-associados se dá apenas após a meia-noite; sócios podem frequentar o espaço mais cedo e pagam uma anuidade que varia entre 780 e 1500 euros (premium)

Sala de shows inspirada no Club Silencio de “Cidade dos Sonhos”. A grande diferença é que na sala real há sim música. Não-associados entram apenas após a meia-noite; sócios podem frequentar a casa noturna mais cedo e pagam uma anuidade que varia entre 780 e 1500 euros (premium)

Imagem de um dos banheiros do Club Silencio. David Lynch criou o conceito do espaço e o design do mobiliário do interior do clube, que conta com uma série de salas íntimas

Imagem de um dos banheiros do Club Silencio. David Lynch criou o conceito do espaço e o design do mobiliário do interior do clube, que conta com uma série de salas íntimas

Em 2006, lançaria ainda Império dos Sonhos (Inland Empire), seu filme mais radical e experimental, sem qualquer compromisso com a lógica e a narrativa linear.

Laura Dern na descida ao inferno em forma de pesadelo abstrato de “Império dos Sonhos”

Divulgação alternativa: Para promover o filme, Lynch acampou numa rua de Los Angeles pedindo aos membros da Academia para lembrarem da atriz Laura Dern nas indicações ao Oscar

Lynch não é apenas diretor de cinema, mas um inquieto artista multimídia com trabalhos nas artes plásticas, fotografia, escultura, desenho, música e até mesmo nos quadrinhos (O Cão Mais Raivoso do Mundo). Produtor de música eletrônica, lançou em 2001 o álbum Crazy Clown Time, em que dá continuidade às suas experimentações sonoras no cinema.

 
Além disso, assina ainda a marca de café David Lynch Signature Cup Organic Coffee, composta por grãos orgânicos. E, em 2008, esteve no Brasil para divulgar o livro Em Águas Profundas – Criatividade e Meditação, em que expõe suas ideias sobre a meditação transcendental e o processo criativo. No ano passado, dirigiu um documentário, ainda inédito, sobre o tema: Meditation, Creativity, Peace.

David Lynch no Rio de Janeiro em agosto de 2008 para divulgação de seu livro “Em Águas Profundas”

Considerado um dos mais originais diretores da atualidade, Lynch é um dos poucos a desafiar (ou mesmo subverter) as convenções da indústria cinematográfica, mantendo-se sempre fiel a seu estilo e experiências. Para ele, ao representar a vida, os filmes devem ser complicados, e, em alguns casos, inexplicáveis. Por isso, o cineasta nunca irá explicar o enredo de suas produções; cabe ao próprio espectador estabelecer sentido e significação para aquilo que vê.

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Seus filmes fogem do realismo e são uma representação do que é a vida: uma série confusa e irracional de eventos aleatórios que fazem pouco sentido. O espectador interpreta as imagens inebriantes desse verdadeiro pintor abstrato do cinema e estabelece seu sentido pessoal.

Aqueles que não puderem dar um pulo em Paris para conferir a nova empreitada sensorial de Lynch podem ver (ou rever) o Club Silencio original em Cidade dos Sonhos. Confira na 2001 Vídeo essa e outras produções desse artista inovador.

DAVID LYNCH EM DVD NA 2001 VÍDEO:

Eraserhead
(Idem, EUA, 1977, P&B, 89′)
Com: Jack Nance, Charlotte Stewart, Jeanne Bates
Henry Spencer tenta sobreviver à indústria de vírus, à sua raivosa namorada e aos gritos de seu filho, um bebê mutante.

O Homem Elefante
(The Elephant Man, EUA/ING, 1980, P&B, 124′)
Com: John Hurt, Anthony Hopkins, Anne Bancroft, John Gielgud
Uma assustadora aberração de circo, John Merrick é constantemente humilhado por seu mestre Bytes. Mas Frederick Treeves, um famoso cirurgião, o leva para o hospital em que trabalha. Fora daquele ambiente hostil, o médico vai descobrir que, a despeito de sua aparência incomum, Merrick é um ser humano sensível, inteligente e gentil.

Duna
(Dune, EUA, 1984, Cor, 176′)
Com: Kyle MacLachlan, Francesca Annis, Max Von Sydow, Sting
Em um futuro distante no meio de um império intergaláctico feudal em expansão, surge um messias-guerreiro predestinado a mudar a vida de todos.

Veludo Azul
(Blue Velvet, EUA, 1986, Cor, 121′)
Com: Kyle MacLachlan, Isabella Rossellini, Dennis Hopper, Laura Dern
O inocente Jeffrey Beaumont percebe que sua perfeita cidade natal não é tão normal assim, quando descobre uma orelha humana em terreno baldio. Sua investigação o leva a uma perturbada cantora de boate e um sádico viciado.

Coração Selvagem
(Wild at Heart, EUA, 1990, Cor, 128′)
Com: Nicolas Cage, Laura Dern, Diane Ladd
David Lynch homenageia à sua maneira o clássico O Mágico de Oz por meio da bizarra jornada de Elvis e Marilyn, que deixam sua cidade para fugir das garras da diabólica mãe dela.

Twin Peaks – 1ª Temporada
(Twin Peaks – The First Season, EUA, 1990, Cor, 429′)
Com: Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Mädchen Amick, Dana Ashbrook, Richard Beymer, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn
Encarregado de investigar o brutal assassinato de Laura Palmer, o agente federal Dale Cooper descobre que a pequena cidade está repleta de terríveis segredos.

Twin Peaks – 2ª Temporada
(Twin Peaks – The First Season, EUA, 1991, Cor, 1.080′)
Com: Kyle MacLachlan, Michael Ontkean, Mädchen Amick, Dana Ashbrook, Richard Beymer, Lara Flynn Boyle, Sherilyn Fenn
Segunda e última temporada que irá solucionar o mistério “Quem matou Laura Palmer?”.

História Real
(The Straight Story, EUA/FRA, 1999, Cor, 111′)
Com: Richard Farnsworth, Sissy Spacek, Jane Galloway Heitz
O viúvo Alvin Straight vive numa comunidade rural no estado de Iowa com sua filha Rose. Ao receber a notícia de que Lyle, seu irmão mais velho, sofreu um derrame, decide visitá-lo antes que seja tarde demais.

Cidade dos Sonhos
(Mulholland Drive, EUA, 2001, Cor, 140′)
Com: Justin Theroux, Naomi Watts, Laura Elena Harring, Ann Miller
Em torno da indústria do cinema em Los Angeles, personagens vivem suas fantasias, desejos e esperanças frustradas – como a ingênua Betty, que chega do Canadá para se tornar atriz. Ela cruza com Rita, que acaba de sofrer um acidente e sequer se lembra do próprio nome. Betty tenta ajudá-la a descobrir quem é.

Império dos Sonhos
(Inland Empire, EUA, 2006, Cor, 180′)
Com: Laura Dern, Jeremy Irons, Justin Theroux
Nick Grace é uma atriz casada que é convidada para fazer um filme dirigido por Kingsley Stewart. Será a refilmagem de uma produção polonesa cujos protagonistas morreram durante as gravações. Aos poucos, ela vai se envolvendo com o ator principal do filme e inicia-se então trama em que a realidade e a ficção se misturam.

Cada um com seu Cinema
(Chacun Son Cinema, FRA, 2007, Cor, 119′)
Curta-metragem Absurda