Festival de Cannes

NOVIDADES DO CINEMA ARGENTINO E DO EUROPEU NA 2001

INSEPARÁVEIS (2016)

Marcos Carnevale (“Elsa & Fred”) dirige esta refilmagem argentina do sucesso francês “Intocáveis” (2011), com Oscar Martínez (“Relatos Selvagens”) no papel de Felipe, um rico empresário que fica tetraplégico após acidente. À procura de um novo assistente terapêutico, ele contrata o jovem Tito (Rodrigo de la Serna, de “Diários de Motocicleta”), sem qualquer experiência para a função.

NEVE NEGRA

Ambientado nas colinas geladas da Patagônia, este thriller argentino conta com dois astros de “Relatos Selvagens”: Ricardo Darín e Leonardo Sbaraglia. Darín interpreta Salvador, um fazendeiro que vive afastado da civilização em uma fazenda na região. A visita inesperada de seu irmão Marcos (Sbaraglia), a fim de convencê-lo a vender as terras da família, reacende antigos ressentimentos e segredos.

FRANTZ

Mais um belo trabalho do francês François Ozon, indicado em três categorias do European Film Awards: escolha do público, atriz (Paula Beer) e roteiro. A história se passa logo após o fim da I Guerra Mundial e acompanha Anna (Beer, premiada em Veneza), uma jovem alemã que perde o noivo no front. Um dia, surge Adrien (Pierre Niney), um ex-soldado francês que afirma ter feito amizade com o morto.

A GAROTA DESCONHECIDA

Indicado à Palma de Ouro em 2016, o filme é mais um exemplo do humanismo social da dupla de cineastas belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (“Rosetta“). Os irmãos Dardenne mostram a crise de consciência de Jenny (Adèle Haenel), jovem médica perturbada pela morte de uma imigrante africana, que na noite anterior procurou sua clínica, mas não foi atendida, pois o expediente havia encerrado.

SAINT AMOUR – NA ROTA DO VINHO

Depois do romântico “Paris Pode Esperar” (com Diane Lane), mais um road movie percorre a França. Em ritmo de comédia de erros, “Saint Amour” explora o conflito de gerações entre Jean (Gérard Depardieu) e Bruno (Benoît Poelvoorde, também diretor e roteirista), pai e filho fazendeiros que embarcam numa turnê por vinícolas no interior francês. Juntos com seu motorista, os dois passam por várias brigas e descobertas em busca de reconciliação.

MONSIEUR E MADAME ADELMAN

Com muito lirismo e humor irônico, o drama francês aborda o relacionamento de quatro décadas entre Sarah (Doria Tillier) e Victor (Nicolas Bedos, diretor e roteirista do filme). No funeral dele, Sarah é abordada por um jornalista que deseja contar a história de seu marido, um renomado escritor. A partir daí, o espectador tem acesso às diferentes fases desse longo relacionamento – e o que é melhor, pelo olhar feminino.

ROCK N’ROLL – POR TRÁS DA FAMA

Casados na vida real, Guillaume Canet e Marion Cotillard brincam com suas personas públicas nesta comédia metalinguística dirigida e escrita pelo próprio ator. Na trama, Canet, com 43 anos, é confrontado por uma repórter, que sugere que o ator está ultrapassado e não pode concorrer com os jovens de sua geração. Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2017.

NA CAMA COM VICTORIA

Uma amalucada comédia francesa com Virginie Efira (indicada ao César de melhor atriz) no papel de Victoria, uma advogada metida em inúmeras confusões. A personagem está à beira de um ataque de nervos e, durante um casamento, encontra três homens que irão bagunçar sua vida: seu ex-marido, seu amigo Vincent – acusado de tentativa de homicídio – e Sam, um ex-traficante de drogas.

RODIN

Indicado à Palma de Ouro, o filme traz Vincent Lindon (“O Valor de um Homem“) no papel do escultor Auguste Rodin (1840- 1917). Em 1880, Rodin recebe a encomenda de ‘A Porta do Inferno’, obra composta de esculturas como O Beijo e O Pensador. Ele vive com Rose, sua eterna companheira, quando conhece a jovem Camille Claudel (1864-1943), que se torna sua aprendiz e amante.

CARTAS DA GUERRA

Esta produção de época foi escolhida por Portugal para representar o país na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2016. Baseado nas cartas reunidas no livro de memórias “D’Este Viver Aqui Neste Papel Descripto”, de António Lobo Antunes, o longa rememora as experiências do autor como médico em Angola durante a guerra colonial, na década de 1970.

CINEMA EUROPEU CONTEMPORÂNEO EM DVD NA 2001

PERSONAL SHOPPER

Depois do estrondoso sucesso da saga “Crepúsculo“, Kristen Stewart vem se reinventando como atriz em uma série de filmes autorais, como “Certas Mulheres“, da cineasta indie Kelly Reichardt, e “Acima das Nuvens”, do francês Olivier Assayas, com quem volta a trabalhar em “Personal Shopper“. Espécie de thriller metafísico, o filme valeu a Assayas o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e traz Stewart vivendo uma jovem americana que trabalha em Paris como “personal shopper” para uma celebridade local. Ela tenta lidar com a morte recente de seu irmão gêmeo, que parece estar tentando se comunicar com o mundo dos vivos.

A ESPERA

Vencedor de três prêmios no Festival de Veneza em 2015, o filme marca a estreia do italiano Piero Messina na direção de longa. Ex-assistente de Paolo Sorrentino em “A Grande Beleza”, o jovem Messina conduz um austero drama sobre o luto, com Juliette Binoche no papel de Anna, mãe que segue inconsolável após o desaparecimento do filho, Giuseppe. Seu isolamento, em uma villa na Sicília, é quebrado pela chegada inesperada de Jeanne (Lou de Laâge, de “Agnus Dei“), simplesmente a namorada do rapaz — e cuja existência desconhecia.

NINGUÉM DESEJA A NOITE

Inspirado na história real da americana Josephine Peary, o filme tem direção da catalã Isabel Coixet (“Minha Vida Sem Mim”) e rendeu à versátil Binoche uma indicação ao Goya – o principal prêmio de cinema espanhol. Em 1908, Peary (Binoche) deixa a alta sociedade em Washington e viaja ao Polo Norte atrás de seu marido, o explorador Robert Beary (Gabriel Byrne). Durante sua jornada a um dos lugares mais inóspitos do planeta, ela conhece Allaka (Rinko Kikuchi, revelada em “Babel”), uma esquimó que vai influenciar profundamente sua vida.

O MUNDO FORA DO LUGAR

Ex-atriz de Rainer Werner Fassbinder e diretora de dramas históricos importantes como “Rosa Luxemburgo” e “Hannah Arendt”, a alemã Margarethe von Trotta retoma a parceria com Barbara Sukowa em mais uma história centrada em mulheres fortes. Na trama, o viúvo Paul (Matthias Habich) descobre, por acaso, uma fotografia da cantora de ópera americana Caterina Fabiani (Sukowa), que é fisicamente idêntica a sua mulher morta. Assim, ele e sua filha deixam a Alemanha com destino à Nova York, a fim de encontrar Caterina e entender esse mistério.

A ECONOMIA DO AMOR

Mais um trabalho sufocante do diretor belga Joachim Lafosse (“Os Cavaleiros Brancos“), que radiografa o desgaste de uma relação – e a dificuldade dos envolvidos em terminá-la e seguir com suas vidas. Situação enfrentada por Marie (Bérénice Bejo, de “O Artista“) e Boris (Cédric Kahn, “Os Anarquistas”), que decidem se separar após 15 anos juntos. No entanto, acontece um impasse na hora de dividir os bens: ela comprou a casa, mas ele realizou a reforma valorizando o imóvel. Os dois são obrigados a morar juntos enquanto decidem o que fazer com a residência.

ROMANCE À FRANCESA

Nem só de dramas difíceis vive o cinema francês, mas também de comédias leves como esta, mais uma ciranda amorosa escrita e dirigida por Emmanuel Mouret (de “A Arte de Amar”). Nela, um professor tímido (o próprio Mouret) realiza o sonho de namorar uma famosa atriz, Alicia (Virginie Efira), mas encontra Caprice (Anaïs Demoustier), uma jovem extrovertida que deseja sair com ele – sem se importar em ser sua amante. Enquanto isso, o melhor amigo dele, Thomas, começa a ficar muito interessado na atriz.

A JOVEM RAINHA

Exibido na 40ª Mostra Internacional de Cinema de SP, este drama de época dirigido pelo finlandês Mika Kaurismaki (“O Ciúme Mora ao Lado”) envereda tanto nos bastidores do poder, na Suécia do século 17, como também na sexualidade da personagem-título. À frente de seu tempo, a Rainha Cristina (Malin Buska) luta para modernizar seu país e acabar com a sangrenta Guerra dos Trinta Anos, ao mesmo tempo em que tenta entender o amor que sente por sua dama de companhia, a condessa Ebba Sparre (Sarah Gadon, de “Cosmópolis”).

MARGUERITE E JULIEN – UM AMOR PROIBIDO

Novo filme da atriz e cineasta francesa Valérie Donzelli, que ganhou inúmeros prêmios com “A Guerra Está Declarada” em 2011. Na trama, Marguerite (Anaïs Demoustier, de “Uma Nova Amiga“) e Julien de Ravalet (Jérémie Elkaïm, “Polissia“) são irmãos, filhos do Senhor de Tourlainville. Muito próximos desde a infância, os dois nobres se apaixonam, mas a sociedade a seu redor não aceita essa relação, fazendo de tudo para afastá-los um do outro.

FRANCOFONIA

Novo filme-experimento do aclamado cineasta russo Aleksandr Sokurov, sobre a relação entre arte e poder. Depois de percorrer os corredores do museu Hermitage, em São Petersburgo, no incrível plano-sequência de “Arca Russa“, Sokurov volta sua câmera para o Museu do Louvre, em Paris. Reflete sobre a história do museu como simulacro da civilização, durante sua ocupação pelos nazistas, em 1940, a partir de imagens de arquivo e encenações com atores.

O VALE DO AMOR

Escrito e dirigido por Guillaume Niclou (“A Religiosa“), este drama francês marca o reencontro entre dois gigantes do cinema: Gérard Depardieu e Isabelle Huppert. Os dois já atuaram juntos em “Corações Loucos” (1974) e “Loulou” (1980) e agora vivem personagens de fortes traços biográficos: Gérard e Isabelle, um casal separado há anos que se reencontra no “Vale da Morte”, na Califórnia, a fim de cumprir o último desejo do filho, falecido há seis meses.

MEU REI

Inspirado em experiências pessoais, o filme de Maïwenn (de “Polissia“) valeu a Emmanuelle Bercot o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Neste recorte da vida íntima de uma mulher, Bercot interpreta Marie Antoinette, que amarga um relacionamento infeliz com o sedutor Georgio Milevski (Vincent Cassel), com quem se envolve. Quando acredita finalmente ter encontrado a felicidade, ela se depara com um homem violento e possessivo.

LOUCAS DE ALEGRIA

Em ritmo de road movie, o longa celebra a amizade entre duas mulheres consideradas disfuncionais aos olhos da sociedade. Internas de uma clínica psiquiátrica, a rica e extravagante Beatrice (Valeria Bruna Tedeschi) e a tímida e misteriosa Donatella (Micaela Ramazzotti) tornam-se grandes amigas e decidem fugir da instituição. Elogiada comédia dramática escrita e dirigida pelo italiano Paolo Virzì (“Capital Humano“).

AMNÉSIA (2015)

Ator, diretor, produtor e roteirista, o franco-iraniano Barbet Schroeder (“More“, “Barfly“) revisita o passado da Alemanha por meio do contraste de gerações. Nos anos 1990, Martha (Marthe Keller, de “Maratona da Morte”), uma senhora alemã de 70 anos, vive sozinha numa casa à beira-mar em Ibiza. Sua existência solitária chama a atenção do jovem Jo (Max Riemelt, “Sense8”) e os dois tornam-se amigos através da música.

3 RELANÇAMENTOS IMPERDÍVEIS DA VERSÁTIL: “LUDWIG”, “ONDAS DO DESTINO” E “BALZAC”

PARA O MÊS DE ABRIL, A DISTRIBUIDORA TRAZ UMA PRODUÇÃO SUNTUOSA DO GRANDE LUCHINO VISCONTI, UM DOS PRIMEIROS SUCESSOS DE LARS VON TRIER – INDICADO AO OSCAR DE MELHOR ATRIZ – E UMA MINISSÉRIE COM GÉRARD DEPARDIEU.

LUDWIG

Indicado ao Oscar de melhor figurino em 1974, o filme é um épico deslumbrante sobre Ludwig II (1845-1886), último rei bávaro, responsável pela criação de alguns dos mais belos castelos da Europa, como o deslumbrante Neuschwanstein.

Com ritmo lento e a atenção aos detalhes típica do mestre Luchino Visconti, “Ludwig” narra a intimidade do rei (na pele de Helmut Berger), sua amizade com o compositor Richard Wagner (Trevor Howard), do qual foi mecenas, e a relação com a prima Sissi, interpretada por uma radiante Romy Schneider. Esse trabalho integra a Trilogia Tedesca do cineasta italiano, completada por “Os Deuses Malditos” (1969) e “Morte em Veneza” (1971).

DVD duplo com a versão completa, restaurada e remasterizada no formato widescreen anamórfico, com mais de quatro horas de duração, conforme o desejo de Visconti.

EXTRAS:

DISCO 1

* Biografia de Ludwig. Texto em português.
* Galeria de fotos & imagens. 46 imagens.
* Os castelos de Ludwig:
– Vídeo sobre Ludwig e seus castelos (17′). Áudio: português. Sem legendas.
– Visite a Baviera. Informações sobre o Centro de Turismo Alemão. Texto em português.
– Neuschwanstein. Galeria de fotos. Texto introdutório em português.
– Herrenchiemsee. Galeria de fotos. Texto introdutório em português.
– Linderhof. Galeria de fotos. Texto introdutório em português.
* Ludwig & Richard Wagner:
– Depoimento de João Marcos Coelho (crítico de música) (6′). Áudio: português.
– Uma amizade polêmica. Texto em português.
– Biografia de Richard Wagner. Texto em português.
– Galeria de imagens
* Atores e personagens. Galeria de imagens comparativas.

Visconti em um dos sets do filme, em Cinecittà (Roma, Itália)

DISCO 2

* Ludwig e sua restauração (23′). Áudio: italiano. Legenda: português.
* Homenagem a Visconti (3′). Sem diálogos.
* Entrevistas com membros da equipe de Ludwig:
– Enrico Medioli (8′). Áudio: italiano. Legenda: português.
– Piero Tosi (8′). Áudio: italiano. Legenda: português.
– Umberto Orsini (12′). Áudio: italiano. Legenda: português.
– Mario Chiari (3′). Áudio: italiano. Legenda: português.
* Apresentação de Luiz Carlos Merten (crítico de cinema) (3′). Áudio: português.
* A Trilogia Alemã (8′). Trecho do documentário Luchino Visconti, de Carlo Lizzani. Áudio: italiano. Legenda: português.
* As fontes pictóricas de Ludwig:
– Depoimento de Antonio Gonçalves Filho (crítico de arte) (6′). Áudio: português.
– Galeria de quadros. O diálogo da pintura de Friedrich. Texto introdutório em português.
* Sobre a produção:
– As diferentes versões. Texto em português.
– Uma palavra de Visconti. Texto em português.
* Vida e obra de Visconti. Texto em português.
* Fortuna crítica. Texto em português.
* Galeria de fotos e pôsteres:
– Fotos de cena por Mario Tursi (4′).
– Fotos dos bastidores
– Pôsteres
* O elenco: Helmut Berger, Trevor Howard, Romy Schneider, Silvana Mangano, Helmut Grien. Texto em português.

ONDAS DO DESTINO

Um dos primeiros sucessos internacionais do polêmico diretor dinamarquês Lars von Trier (“Ninfomaníaca”). Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Emily Watson, por sua atuação espetacular), esse cult-movie é apresentado com quase uma hora de extras, incluindo cenas inéditas e entrevistas.

Em um vilarejo no interior da Escócia, a jovem Bess (Watson) se apaixona perdidamente por Jan (Stellan Skarsgård), funcionário de uma plataforma de petróleo. Infelizmente, ele sofre um acidente que o deixa incapacitado para o resto da vida. Nesta condição, ele pressiona a mulher a procurar amantes e lhe contar detalhes de suas relações. Começa o sacrifício da protagonista, que entra em choque com a hipocrisia da comunidade local.

Dialogando com “A Paixão de Joana d’Arc” (1928), a obra-prima de seu conterrâneo Carl Theodor Dreyer, von Trier realiza um contundente drama moral sobre o amor, o sofrimento e a bondade. Sem dúvida, um dos filmes seminais dos anos 1990.

CURIOSIDADE: Com canções de Leonard Cohen, Elton John, David Bowie e Roxy Music, entre outros, o filme marca a estreia da atriz inglesa Emily Watson no cinema. Helena Bonham Carter era a escolha inicial para o papel, mas recusou em razão do conteúdo sexual da história.

EXTRAS:

* Cenas cortadas
* Lars apresenta o filme em Cannes
* Teste da atriz Emily Watson
* Entrevista com Adrian Rawlins
* Trecho de documentário sobre Lars von Trier
* Trailers

BALZAC

DVD duplo com a versão integral da minissérie europeia sobre a vida e a obra do grande escritor francês Honoré de Balzac (1799 – 1850), autor de “Pai Goriot”, “Eugênia Grandet”, “As Ilusões Perdidas”, entre outras obras-primas da Literatura Universal. Uma produção magnífica com grande elenco, incluindo Gérard Depardieu, Jeanne Moreau, Virna Lisi e Fanny Ardant.

A série acompanha a apaixonante vida de Balzac da infância até os seus últimos dias, mostrando a criação da monumental “A Comédia Humana” e de suas principais obras, a grande fama que conquistou na França e na Europa, seus muitos amores, seu relacionamento com a mãe e os vários escândalos nos quais se envolveu.

 

ENTRE OS LANÇAMENTOS DO MÊS, “O CONTADOR”, “A ASSASSINA” E MUITO MAIS!

O CONTADOR

Dirigido por Gavin O’Connor (de “Guerreiro“), este thriller policial tem o mérito de apresentar um personagem diferente: o introspectivo e misterioso Christian Wolff (Ben Affleck), o contador do título. Portador da Síndrome de Savant, ele tem dificuldade para se relacionar com as pessoas e leva uma vida dupla, trabalhando para organizações perigosas. O elenco ainda conta com Anna Kendrick (“Amor sem escalas”), J. K. Simmons (“Whiplash – Em Busca da Perfeição“) e John Lithgow (“The Crown”). Em DVD e Blu-ray.

A ASSASSINA

Vencedor do prêmio de melhor diretor para Hou Hsiao-Hsien no Festival de Cannes em 2015, “A Assassina” representou Taiwan na disputa por uma vaga na categoria de melhor filme estrangeiro do Oscar 2016. Aclamado pela crítica internacional, é um épico de artes marciais de ritmo lento e rara beleza, sobre uma assassina profissional que começa a questionar seu trabalho ao se apaixonar pelo homem que deveria matar, durante a dinastia Tang (618-907 a.C.).

AS MONTANHAS SE SEPARAM

Mais um importante trabalho do diretor e roteirista Jia Zhang-ke (“Um Toque de Pecado“), também indicado à Palma de Ouro em 2015. O cineasta chinês traça um retrato contundente (e crítico) das mudanças econômicas, políticas e sociais em seu país, a partir de uma narrativa dividida em três épocas: 1999, 2014 e 2025. A história acompanha Tao, bela jovem de província que se vê dividida entre dois pretendentes – um herdeiro abastado e um trabalhador de mina de carvão.

TRUQUE DE MESTRE – O 2º ATO

Com quase dois milhões de espectadores no Brasil, esta continuação traz de volta quase todo o elenco principal do sucesso de 2013, acrescido agora de uma nova “cavaleira” – Lula, papel de Lizzy Caplan – e vilão, interpretado pelo eterno Harry Potter Daniel Radcliffe. Na trama, os cavaleiros Daniel (Jesse Eisenberg), Merritt (Woody Harrelson) e Jack (Dave Franco) estão foragidos. Sob a proteção de Dylan Rhodes (Mark Ruffalo), que continua trabalhando no FBI, o grupo de ilusionistas planeja um novo golpe. Em DVD e Blu-ray.

OUIJA – ORIGEM DO MAL

Inspirado no antigo tabuleiro de madeira que originou o terror “Ouija – O Jogo dos Espíritos” (2014), o filme volta no tempo, aos anos 1960, para contar outra história de horror. Filha de uma mulher que aplica golpes em clientes, fingindo se comunicar com espíritos, Doris utiliza um tabuleiro de Ouija e liberta seres malignos que passam a se apoderar do seu corpo. A direção é de Mike Flanagan, que vem ganhando força no gênero graças a filmes como “O Espelho” (2013) e “O Sono da Morte” (2016).

O CORVO

Dirigido por Alex Proyas (“Cidade das Sombras”, “Eu, Robô“), este violento conto gótico ficou marcado pela tragédia do ator Brandon Lee (1965–1993), morto com um tiro de verdade durante as filmagens. Filho de Bruce Lee, ele interpreta Eric Draven, um músico de rock que é assassinado juntamente com sua noiva por uma gangue, na noite que precede o Halloween. Um ano depois, Draven retorna da sepultura com a ajuda de um misterioso corvo, a fim de se vingar de seus assassinos.

LIFE – UM RETRATO DE JAMES DEAN

Diferentemente da maioria das cinebiografias, “Life” desconstrói o mito por meio de um recorte de sua vida. Semanas antes do lançamento de “Vidas Amargas”, em 1955, o fotógrafo Dennis Stock (Robert Pattinson) convence a revista Life para realizar um ensaio com James Dean. Após muita insistência, Stock consegue acompanhar o astro em sua viagem para a fazenda onde cresceu, em Indiana. Lá, ele irá registrar as imagens mais famosas da carreira de Dean. O filme tem direção de Anton Corbijn (de “Control”, sobre Ian Curtis).

VIDA SELVAGEM

Com enredo semelhante a “Capitão Fantástico” (com Viggo Mortensen indicado ao Oscar), esta produção franco-belga do diretor Cédric Kahn (“O Tédio”) é inspirada em fatos reais e mostra uma família que vive de forma nômade, longe das regras da sociedade. Paco (Mathieu Kassovitz) e Nora (Céline Sallette) conheceram-se numa comunidade hippie. Tempos depois, ela se cansa desse estilo de vida e foge com os dois filhos, agora com 7 e 8 anos, para viver com os pais dela. O longa venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de San Sebastián em 2014.

INCOMPREENDIDA

Dez anos depois de seu segundo longa ficcional, o seminal “Maldito Coração” (2004), Asia Argento volta a dirigir mais uma história de tintas trágicas em torno de uma família disfuncional. Aqui, a vítima de negligência é Aria (Giulia Salerno), uma menina de nove anos em busca de afeto. Em meio ao narcisismo de seu pai ator (Gabriel Garko) e de sua mãe pianista (Charlotte Gainsbourg, de “Ninfomaníaca“) e à incompreensão na escola, a resiliente Aria encontra um sopro de esperança ao lado de uma colega – e de sua imaginação.

CEGONHAS – A HISTÓRIA QUE NÃO TE CONTARAM

Esta animação para os pequenos parte da premissa de que as cegonhas costumavam distribuir bebês para os lares do mundo… e agora oferecem pacotes para a gigante global da internet Lojadaesquina.com. Só que tudo se complica quando a Máquina de Bebês é acidentalmente ativada, depois de vinte anos. Vozes originais de Andy Samberg, Jennifer Aniston, Ty Burrell e Danny Trejo, e o lançamento em DVD e Blu-ray traz como extra o clipe musical do sucesso “Hit the Sky”, de Jason Derulo.

O ACLAMADO (E POLÊMICO) “AQUARIUS” E MAIS LANÇAMENTOS DE NOVEMBRO

PRODUÇÃO NACIONAL MAIS COMENTADA DO ANO, “AQUARIUS” PROVOCOU COMOÇÃO NO ÚLTIMO FESTIVAL DE CANNES E ACABA DE SER INDICADO AO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS – CONSIDERADO O OSCAR DO CINEMA INDEPENDENTE – NA CATEGORIA DE MELHOR FILME INTERNACIONAL.

Aclamado pela crítica, “Aquarius” era apontado como favorito para representar o Brasil na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, mas foi preterido por “Pequeno Segredo”, o que provocou mais polêmica – além da já causada pelo protesto do diretor-roteirista Kleber Mendonça Filho e equipe no Festival de Cannes, em maio.

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Depois de “O Som Ao Redor” (2012), Mendonça volta a cutucar conflitos sociais e diferenças de classe no Brasil por meio do embate vivido por Clara (Sonia Braga), jornalista aposentada que mora em um apartamento do edifício Aquarius, em Recife. Ela é a última moradora do prédio e recusa-se a vender o imóvel para uma construtora, que deseja demolir o local e construir um novo empreendimento.

Coprodução entre Brasil e França, o filme constrói gradativamente a tensão sofrida por Clara, em uma disputa de Davi contra Golias a fim de preservar seu espaço e liberdade de escolha.

MÃE SÓ HA UMA

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Depois do sucesso de público e crítica de “Que Horas Ela Volta?“, Anna Muylaert quebra expectativas neste seu novo trabalho, premiado no último Festival de Berlim. Inspirado no caso real do sequestro de um jovem em Brasília (em 1986), o filme discute temas atuais – como a construção da identidade de gênero – a partir do rito de passagem de Pierre (o estreante Naomi Nero). Aos 17 anos, ele descobre que sua família não é biológica quando a polícia prende sua mãe. Confuso, ele vai atrás de seus pais verdadeiros, interpretados por Matheus Nachtergaele e Dani Nefussi.

MAIS FORTE QUE O MUNDO – A HISTÓRIA DE JOSÉ ALDO

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Após chamar a atenção do mercado internacional com “Dois Coelhos” (2012), Afonso Poyart dirigiu em Hollywood o thriller “Presságios de Um Crime” (2015). De volta ao Brasil, Poyart lançou neste ano esta cinebiografia – e incrível história de superação – do lutador amazonense que se tornou o primeiro campeão peso-pena do UFC. Com edição ágil e ritmo frenético, o filme acompanha Aldo (José Loreto) desde seus dias sem rumo em Manaus, passando por seu recomeço no Rio de Janeiro, até as primeiras vitórias que o levariam a se tornar campeão da modalidade.

CONEXÃO ESCOBAR

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Imortalizado como Walter White na série “Breaking Bad“, Bryan Cranston dá sequência à sua carreira no cinema vivendo Robert Mazur, agente federal americano infiltrado no Cartel de Medellín, nos anos 1980. Para conquistar a confiança dos criminosos, o personagem finge ser Bob Musella, rico empresário especializado em lavagem de dinheiro. Baseado nas memórias do próprio Mazur, o filme tem direção de Brad Furman (“O Poder e a Lei”) e traz a atriz Diane Kruger no papel de Kathy, agente disfarçada como esposa do protagonista.

A LENDA DE TARZAN

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Diretor dos quatro últimos longas da franquia “Harry Potter”, o inglês David Yates tem se especializado em superproduções. Antes de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, que acaba de estrear no Brasil, o cineasta esteve à frente deste nova versão de Tarzan, com o sueco Alexander Skarsgård (“Melancolia”) no papel, Margot Robbie (“O Lobo de Wall Street”) como Jane e Christoph Waltz (“007 Contra Spectre“) de vilão. Ambientado no final do século 19, o filme apresenta o herói vivendo em Londres como John Clayton III, até ser chamado de volta à selva. Em DVD, Blu-ray e BD 3D.

JASON BOURNE

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Matt Damon interpreta pela quarta vez o agente secreto criado pelo escritor Robert Ludlum – e novamente sob a direção do inglês Paul Greengrass (“A Supremacia Bourne”, “O Ultimato Bourne“). No enredo, Bourne sobrevive como lutador de rua em Atenas até ser surpreendido pela ex-agente Nicky Parsons (Julia Stiles), que lhe traz novas informações sobre o programa Treadstone. As revelações o levam de volta aos EUA para continuar a investigação, colocando-o na mira do diretor da CIA (Tommy Lee Jones). Vincent Cassel, Alicia Vikander e Riz Ahmed completam o elenco.

VEJA TAMBÉM:
Bourne – Coleção Definitiva (5 DVDS)

ÁGUAS RASAS

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Com enredo já explorado em outras produções, este “suspense de tubarão” consegue surpreender, graças sobretudo à direção do espanhol Jaume Collet-Serra, de “A Órfã” (2009) e “Sem Escalas” (2014″). Na trama, Nancy (Blake Lively, do recente “Café Society“), estudante americana de Medicina, vai surfar em uma paradisíaca praia isolada, onde acaba sendo encurralada por um enorme tubarão.

WHITE GOD

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Vencedor do prêmio principal da seção “Um Certo Olhar” (Un Certain Regard), o filme foi uma das sensações do Festival de Cannes em 2014, com sequências de tirar o fôlego – como a de um “arrastão” com dezenas de cães de verdade. Dirigido pelo húngaro Kornél Mundruczó, o longa traça uma inquietante parábola sobre a tensão racial e de classes na Europa contemporânea por meio do calvário – e eventual reação – dos personagens caninos em uma sociedade cruel e distópica.

NOSSA IRMÃ MAIS NOVA

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Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2015, este é mais um delicado trabalho do cineasta japonês Hirokazu Koreeda (em cartaz com “Depois da Tempestade”). Baseado no mangá de Akimi Yoshida, o filme mostra a ciranda de sentimentos entre três irmãs: Sachi (Haruka Ayase), Yoshino (Masami Nagasawa) e Chika (Kaho), que moram juntas em Kamakura, Japão. Quando o pai delas morre, elas viajam para o funeral e conhecem Suzu, sua meia-irmã adolescente.

AMOR POR DIREITO

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Em tempos de intolerância, ganha força esta história comovente baseada no caso real de Laurel Hester (interpretada por Julianne Moore) contra a cidade de Ocean County, Nova Jersey. Em 2005, Hester, detetive de polícia com 23 anos de experiência, foi diagnosticada com câncer terminal e teve de lutar na justiça para deixar sua pensão à companheira, Stacie Andree (Ellen Page, de “A Origem“). Drama baseado no documentário de curta-metragem “Freeheld”, premiado com o Oscar em 2008.

A OVELHA NEGRA

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Mais um vencedor da mostra Um Certo Olhar em Cannes, este longa islandês trata da rivalidade de dois irmãos que competem para saber quem tem o melhor rebanho de ovelhas. Eles não se falam há 40 anos e precisam se unir quando uma doença fatal e contagiosa atinge os animais. Para complicar ainda mais a situação, o governo quer sacrificar os rebanhos da região.

A CHEFA

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Sucesso nos EUA, o filme é mais um veículo para a comediante Melissa McCarthy (também produtora e corroteirista), novamente dirigida pelo marido Ben Falcone, depois de “Tammy“. Ela encarna Michelle Darnell, antiga empresária de sucesso que deixa a prisão e tenta recomeçara vida. No elenco, Peter Dinklage (“Game of Thrones“), Kristen Bell (“Perfeita é a Mãe!) e Kathy Bates (“American Horror Story – Hotel“).

UM ESPIÃO E MEIO

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Antes de se tornar agente da CIA, Bob (Dwayne Johnson, o “The Rock”) era um nerd vítima de bullying. Agora adulto, ele é um espião forte e incansável que recorre a um antigo colega dos tempos da escola, Calvin (o comediante Kevin Hart), hoje contador, para resolver um caso ultrassecreto. Do mesmo diretor de “Família do Bagulho”.

VENCEDORES DO FESTIVAL DE CANNES 2016

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PRESIDIDO PELO AUSTRALIANO GEORGE MILLER, DIRETOR DE “MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA”, O JÚRI DO 69º FESTIVAL DE CANNES ANUNCIOU ONTEM OS VENCEDORES DESTE ANO. A PALMA DE OURO FICOU COM “I, DANIEL BLAKE”, DIRIGIDO PELO CINEASTA BRITÂNICO KEN LOACH

Acostumado a retratar de maneira realista os desafios da classe trabalhadora e dos excluídos, Loach conquistou a sua primeira Palma de Ouro com “Ventos da Liberdade”, em 2006. Fiel a suas convicções políticas, ele repetiu o feito, aos 79 anos, levando o prêmio com “I, Daniel Blake”, história de um operário doente que luta contra a burocracia do Estado a fim de receber o seguro social a que tem direito.

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“I, Daniel Blake”, drama social dirigido por Ken Loach e escrito por seu fiel colaborador, Paul Laverty

Se a Palma já era esperada desde a exibição do filme, na semana passada, o júri surpreendeu a imprensa especializada com decisões polêmicas, como o Grand Prix – espécie de segundo lugar do festival – para “Juste la Fin du Monde” (Apenas o Fim do Mundo), novo trabalho de Xavier Dolan. Aos 27 anos, o jovem prodígio canadense tem no currículo mais quatro longas premiados em Cannes: “Eu Matei Minha Mãe”, “Amores Imaginários”, “Laurence Anyways” e “Mommy”.

Na categoria de melhor direção houve um empate entre o francês Olivier Assayas, do vaiado “Personal Shopper” (estrelado por Kristen Stewart) e o romeno Cristian Mungiu, por “Graduation”. Mingu ganhou a Palma em 2007 com “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”.

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No palco, os principais premiados do 69º Festival de Cannes

Uma das maiores surpresas da cerimônia foi o anúncio da filipina Jaclyn Jose como melhor atriz, por seu papel em “Ma’ Rosa”, de Brillante Mendoza (diretor de “Lola“). Ela desbancou as favoritas Sandra Hüller, de “Toni Erdmann”, Ruth Negga, em “Loving”, e Sonia Braga, elogiadíssima por “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. Embora aclamado pela crítica, o segundo longa do diretor de “O Som ao Redor” ficou de mãos abanando, mas o Brasil pode comemorar a Menção Honrosa recebida pelo curta-metragem “A Moça Que Dançou com o Diabo”, de João Paulo Maria Miranda, e o troféu L’Oeil d’Or de melhor documentário para “Cinema Novo”, de Eryk Rocha.

E, escrito e dirigido por Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por “A Separação” em 2012, “The Salesman” levou os prêmios de roteiro e ator (Shahab Hosseini).

Agora, é só aguardar o lançamento em DVD dos filmes premiados.

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PALMA DE OURO
“I, Daniel Blake”, de Ken Loach (Reino Unido)

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Ken Loach com a Palma de Ouro em Cannes

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
Jimmy’s Hall (2014)
Rota Irlandesa (2010)

GRAND PRIX (GRANDE PRÊMIO DO JÚRI)
“Juste la Fin du Monde” (Apenas o Fim do Mundo), de Xavier Dolan (Canadá/França)

MELHOR DIRETOR
Empate: Olivier Assayas, por “Personal Shopper” (França), e Cristian Mungiu, por “Graduation” (Romênia)

DE OLIVIER ASSAYAS NA 2001:
Acima das Nuvens (2014)

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MELHOR ATRIZ
Jaclyn Jose, por “Ma’ Rosa”, de Brillante Mendoza (Filipinas)

MELHOR ATOR
Shahab Hosseini, por “The Salesman”, de Ashgar Farhadi (Irã)

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Nascido em Teerã, o ator Shahab Hosseini superou o favorito Adam Driver, de “Paterson”

MELHOR ROTEIRO
Asghar Farhadi, por “The Salesman” (Irã)

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
O Passado (2012)

PRÊMIO DO JÚRI
“American Honey”, de Andrea Arnold (Reino Unido/EUA)

PALMA DE OURO – MELHOR CURTA-METRAGEM
“Time Code”, de Juanjo Gimenez (Espanha)

PALMA DE OURO HONORÁRIA
Jean-Pierre Léaud

Imortalizado como intérprete de Antoine Doinel nos filmes de François Truffaut, Jean-Pierre Léaud recebeu a Palma honorária por sua carreira. Ele recebeu o prêmio do cineasta Arnaud Desplechin

Ao lado de Arnaud Desplechin, Jean-Pierre Léaud recebe a Palma de Ouro honorária. Ele ficou imortalizado no papel de Antoine Doinel nos filmes de François Truffaut, entre outros trabalhos

CAMÉRA D´OR (MELHOR PRIMEIRO FILME)
“Divines”, de Houda Benyamina (Afeganistão)

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MELHOR FILME
“The Happiest Day in the Life of Olli Mäki”, de Juho Kuosmanen (Finlândia, Alemanha, Suécia)

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“The Happiest Day in the Life of Olli Mäki”, do finlandês Juho Kuosmanen

PRÊMIO DO JÚRI
“Harmonium”, de Fukada Kôji (Japão/ França)

MELHOR DIRETOR
Matt Ross, por “Captain Fantastic” (EUA)

MELHOR ARGUMENTO
Delphine Coulin e Muriel Coulin, por “Voir Du Pays” (França/Grécia)

PRÊMIO ESPECIAL
The Red Turtle, de Michael Dudok de Wit (França/Bélgica)

CANNES NA 2001, EM VINTE CONCORRENTES À PALMA DE OURO, DE 2013 A 2015

4

A 69ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES CHEGA AO FIM NO PRÓXIMO DOMINGO. ENQUANTO OS VENCEDORES NÃO SÃO ANUNCIADOS, CONFIRA NO ACERVO DA 2001 VINTE FILMES QUE PARTICIPARAM DA SELEÇÃO OFICIAL NOS ÚLTIMOS ANOS.

UM DELES,  “AZUL É A COR MAIS QUENTE“, CONQUISTOU O PRÊMIO MÁXIMO, A COBIÇADA PALMA DE OURO.

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2015

CAROL

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Dirigido por Todd Haynes (“Longe do Paraíso”, “Não Estou Lá”), o filme foi aplaudido de pé na sua estreia no festival, de onde Rooney Mara saiu com o prêmio de melhor atriz (dividido com Emmanuelle Bercot por “Mon Roi”). Visualmente inspirado no trabalho dos fotógrafos Saul Leiter e Vivian Maier. Na trama, a jovem Therese Belivet (Mara) leva uma rotina entendiante como vendedora até conhecer a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), em processo de separação do marido. De classes sociais diferentes, as duas se aproximam cada vez mais, afetiva e sexualmente, desafiando as regras de conduta estabelecidas pela sociedade da época.

MACBETH – AMBIÇÃO E GUERRA

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Versão sóbria e estilizada de uma das peças mais sangrentas de William Shakespeare, adaptada antes por, entre outros, Orson Welles, Roman Polanski e Akira Kurosawa. O elenco é o grande destaque, com Marion Cotillard (vencedora do Oscar por “Piaf”) como a manipuladora Lady Macbeth e Michael Fassbender no papel-título do ambicioso usurpador que não medirá esforços para assumir o trono do reino. A direção é de Justin Kurzel, que volta a trabalhar com Fassbender e Cotillard na adaptação para o cinema do game “Assassin’s Creed”, ainda sem previsão de estreia no Brasil.

SICARIO – TERRA DE NINGUÉM

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Considerado pela crítica internacional um dos melhores filmes de 2015 e indicado ao Oscar de melhor fotografia (do veterano Roger Deakins, nomeado 12 vezes ao prêmio), trilha sonora e edição de som. Com cenas de tensão sufocante, “Sicario” mergulha no inferno do tráfico de drogas dos cartéis mexicanos na fronteira com os EUA. Policial do FBI, Kate Macy (Emily Blunt) entra para uma audaciosa operação da CIA, ao lado de Matt (Josh Brolin) e Alejandro (Benicio Del Toro). Ela irá testar todos os seus limites morais e éticos, em meio à violência e inimigos indefinidos. De Denis Villeneuve, o aclamado diretor canadense de “Incêndios” e “Os Suspeitos”.

2014

RELATOS SELVAGENS

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Um dos maiores sucessos argentinos desde “O Segredo dos Seus Olhos”, o longa abriu a 38ª Mostra de Cinema de São Paulo em 2014, e concorreu ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. Escrita e dirigida por Damián Szifrón, um dos roteiristas da série de TV “Os Simuladores”, a comédia é narrada em episódios: seis histórias que têm em comum personagens (um deles interpretado por Ricardo Darín) fora de controle, compelidos a fazer justiça com as próprias mãos como forma de vingança.

ACIMA DAS NUVENS

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Um dos grandes sucessos da Mostra de Cinema de SP de 2014, o filme marca a segunda parceria entre o diretor Olivier Assayas e a atriz Juliette Binoche, de “Horas de Verão”. Na trama repleta de metalinguagem, Binoche brilha no papel de Maria Enders, atriz de sucesso convidada para fazer uma nova montagem da peça que a lançou, e Kristen Stewart (premiada com o César de atriz coadjuvante) interpreta sua fiel assistente. Stewart estrela o novo trabalho de Assayas, “Personal Chopper”, em disputa pela Palma de Ouro deste ano.

SAINT LAURENT

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Vencedor da “Palm Dog” em Cannes, o longa também concorreu em 10 categorias do César 2015, incluindo melhor filme, direção (Bertrand Bonello) e ator (Gaspard Ulliel). Escolhido pela França para disputar o Oscar de melhor filme estrangeiro, “Saint Laurent” é um recorte estilizado da vida do estilista francês, cobrindo o período entre 1967 e 1976. Jérémie Renier interpreta seu parceiro, Pierre Bergé, e Louis Garrel um de seus amantes, Jacques de Bascher.

MAPAS PARA AS ESTRELAS

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Vencedor do prêmio de melhor atriz (Julianne Moore) no festival, o filme de David Cronenberg mergulha na frivolidade da fama, a partir de diferentes personagens vivendo em Los Angeles. No centro da trama, Havana Segrand (Moore), uma atriz decadente, desesperada para conseguir o papel principal da refilmagem de um sucesso estrelado por sua mãe, décadas atrás. Ainda no elenco, Mia Wasikowska, John Cusack e Robert Pattinson.

ADEUS À LINGUAGEM

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Mais um elaborado filme-ensaio da fase recente de Jean-Luc Godard (“Nossa Música”, “Film Socialisme”) que continua as investigações do cineasta francês em torno da sétima arte e suas inter-relações com a História da humanidade. Visualmente um dos trabalhos mais inventivos do cineasta – e o seu primeiro no formato 3D -, conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes e levou também a “Palm Dog”. Confira outros trabalhos de Godard em DVD na 2001.

JIMMY’S HALL

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Antes de causar sensação no atual Festival de Cannes com “I, Daniel Blake” – considerado um dos favoritos à Palma de Ouro 2016 -, o britânico Ken Loach (“Kes”, “Terra e Liberdade”) disputou a seleção oficial com “Jimmy’s Hall”, que conta a história de Jimmy Gralton (Barry Ward), líder comunista irlandês que desafiou a Igreja Católica ao questionar sua censura à liberdade de expressão. Gralton gerou discórdia ao inaugurar um espaço de debate e lazer para a classe trabalhadora no Condado de Leitrim, no noroeste da Irlanda.

DOIS DIAS, UMA NOITE

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Antes de disputarem a Palma de Ouro deste ano com “A Garota Desconhecida”, os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (“Rosetta”, “A Criança”) dirigiram este dilacerante relato da luta de uma operária (Marion Cottilard, de “Era uma Vez em Nova York”) para reverter, em apenas um final de semana, votação na qual seus colegas decidiram optar por um bônus salarial em troca de sua demissão. Indicado ao Oscar 2015 de melhor atriz (Cotillard).

TIMBUKTU

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Vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico em Cannes e grande vencedor do César (o Oscar francês), em sete categorias, entre elas melhor filme e direção (Abderrahmane Sissako). “Timbuktu” acompanha a tragédia de uma família afetada pelo radicalismo de rebeldes islâmicos que tomaram o poder da cidade histórica do Mali. Coprodução entre França e Mauritânia indicada ainda ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

O SEGREDO DAS ÁGUAS

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Um dos destaques da 38ª Mostra de Cinema de SP, o aclamado longa da japonesa Naomi Kawase narra, com grande beleza estética, o processo de amadurecimento de dois adolescentes, na ilha de Amami. Durante uma noite de danças tradicionais, Kaito, de 16 anos, encontra um cadáver flutuando no mar e sua namorada tenta ajudá-lo a compreender os mistérios da descoberta. A partir daí, os dois aprenderão juntos o que é ser adulto.

À PROCURA

Ryan Reynolds in The Captive

Dirigido pelo aclamado cineasta canadense de origem egípcia Atom Egoyan (“O Doce Amanhã”, “Verdade Nua”), o longa acompanha a luta de um casal para encontrar a sua filha. Seis anos após o desaparecimento da jovem, novas provas indicam que ela pode ainda estar viva, quando os mesmos policiais que investigaram o caso descobrem uma grande rede de pedofilia. No elenco, Ryan Reynolds, Scott Speedman e Rosario Dawson.

2013

AZUL É A COR MAIS QUENTE

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Livremente baseado na HQ homônima, o filme tem direção de Abdellatif Kechiche (“O Segredo do Grão”) e acompanha o rito de passagem da jovem Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Emma (Léa Seydoux, de “Adeus, Minha Rainha”). Com uma longa sequência de sexo explícito entre as protagonistas, o longa causou furor e polêmica no Festival de Cannes e venceu a PALMA DE OURO – dividida, pela primeira vez na história, entre o diretor e suas duas atrizes principais.

O PASSADO

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Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por “A Separação”, o diretor-roteirista Asghar Farhadi mais uma vez explora as nuances de um núcleo familiar em reconstrução, a partir do divórcio de um iraniano e sua esposa francesa, interpretada por Bérénice Bejo, laureada com o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Marie espera formalizar a separação, a fim de casar com seu namorado Samir (Tahar Rahim, de “O Profeta”), mas antigas feridas do passado e novas revelações  dificultam o entendimento, tornando a visita de Ahmad cada vez mais desconfortável.

ERA UMA VEZ EM NOVA YORK

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Considerado pela crítica brasileira um dos melhores de 2014, o filme marca a quarta colaboração entre o diretor James Gray e o ator Joaquin Phoenix, de “Amantes”, “Os Donos da Noite” e “Caminho Sem Volta”. Ambientado em 1921, este drama austero narra a história de Ewa (Marion Cotillard), uma imigrante polonesa que chega a Nova York e sofre um bocado para sobreviver, caindo nas mãos do cafetão Bruno (Phoenix), que a explora em uma rede de prostituição.

JOVEM E BELA

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Diretor de “Potiche” e “Dentro da Casa”, François Ozon conduz, com sua habitual elegância, a jornada de Isabelle (a ex-modelo Marine Vacth), uma estudante de 17 anos que começa a trabalhar como prostituta de luxo em Paris. Com pontos de contato com “Ninfomaníaca” de Lars von Trier, a personagem não consegue estabelecer laços emocionais nem compartilhar seus sentimentos com ninguém, até que uma reviravolta pode expor seu segredo.

A PELE DE VÊNUS

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Vencedor do César (o “Oscar francês”) de melhor direção para Roman Polanski , o filme apresenta Vanda (Emmanuelle Seigner, de “Lua de Fel”), atriz que se esforça para convencer o diretor Thomas (Mathieu Amalric) de que ela é a pessoa certa para interpretar a protagonista de sua mais nova peça. Um irônico jogo de sedução e poder adaptado da premiada peça teatral de David Ives – por sua vez baseada no clássico da literatura erótica “A Vênus das Peles”, do escritor Leopold von Sacher-Masoch.

A GRANDE BELEZA

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Aclamado por público e crítica, o longa conquistou, entre outros prêmios, o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, posicionando o nome de Paolo Sorrentino (em cartaz com “Juventude”) entre os cineastas mais quentes da Europa. Permeada por fina ironia, a narrativa acompanha o escritor Jap (Toni Servillo, de “Gomorra”) em suas divagações sobre a sociedade a sua volta. Aos 65 anos de idade, ele começa a refletir sobre o hedonismo ao seu redor e, em especial, o sentido de sua própria existência.

NEBRASKA

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Indicado em seis categorias do Oscar 2014, incluindo melhor filme e direção, “Nebraska” é mais um retrato espirituoso da vida cotidiana por Alexander Payne, diretor de “Sideways” e “Os Descendentes”. Vencedor do prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, Buce Dern dá vida a Woody Grant, senhor com problemas de memória que acredita ter ganho uma fortuna. Começa então, ao lado de David, seu filho mais novo, uma pitoresca viagem até a distante cidade de Lincoln, em Nebraska, a fim de receber o prêmio.

CINEMA EUROPEU É NA 2001, INCLUINDO O ÚLTIMO LONGA DE GODARD, PREMIADO EM CANNES

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ADEUS À LINGUAGEM

Mais um elaborado filme-ensaio da fase recente de Jean-Luc Godard (“Nossa Música”, “Film Socialisme”) que continua as investigações do cineasta francês em torno da sétima arte e suas inter-relações com a História da humanidade.

Visualmente um dos trabalhos mais inventivos do cineasta – e o seu primeiro no formato 3D -, “Adeus à Linguagem” reflete, entre outros temas, sobre a falta de comunicação de um casal, a partir de um homem e uma mulher que dividem a intimidade numa casa, onde mora também um cachorro. Os dois conversam sobre a questão da linguagem sob o ponto de vista filosófico, enquanto o cão a tudo observa.

Atenção: Embora lançado originalmente em 3D nos cinemas, o filme sai apenas em DVD no Brasil

Atenção: Embora lançado originalmente em 3D nos cinemas, o filme sai apenas em DVD no Brasil

Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes em 2014, levou também a “Palm Dog”, para o cãozinho que faz parte da história.

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JIMMY’S HALL

Antes de causar sensação no atual Festival de Cannes com “I, Daniel Blake” – considerado um dos favoritos à Palma de Ouro 2016 -, o britânico Ken Loach (“Kes”, “Terra e Liberdade”) disputou a seleção oficial com “Jimmy’s Hall” em 2014.

O filme conta a história de Jimmy Gralton (Barry Ward), líder comunista irlandês que desafiou a Igreja Católica questionando sua censura à liberdade de expressão. Gralton gerou discórdia ao inaugurar um espaço de debate e lazer para a classe trabalhadora no Condado de Leitrim, no noroeste da Irlanda. A trama retoma o período em que Gralton volta a sua terra natal, em 1932, após ter passado dez anos em Nova York.

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Escrito pelo fiel colaborador de Loach, o escritor Paul Laverty (“Ventos da Liberdade”, “A Parte dos Anjos”), “Jimmy’s Hall” retoma ideias de esquerda e a luta de classes presentes em outros trabalhos do diretor, sem deixar de lado a esperança e o romantismo.

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GERONIMO

Vencedor do Prêmio de Direção no Festival de Cannes por “Exílios” em 2004, o franco-argelino Tony Gatlif volta a tratar de conflitos étnicos – em especial a inserção social dos ciganos na sociedade – em “Geronimo“.

A história gira em torno da fuga de uma jovem noiva turca, Nil (Nailia Harzoune), que recusa seu casamento arranjado com um turco mais velho, conforme o costume local, no sul da França. Em meio ao racha familiar está Geronimo (Céline Salette, de “Os Amores da Casa de Tolerância”), educadora que tenta apaziguar a rivalidade entre turcos e ciganos na região.

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FESTIVAL DE CANNES NA 2001: “AZUL É A COR MAIS QUENTE”, “MOMMY” E MAIS PREMIADOS DE 2013 E 2014 EM DVD

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A 68ª edição do Festival de Cannes prossegue até o próximo domingo (24/5), apresentando novos trabalhos de cineastas consagrados como Jacques Audiard (de “O Profeta” e “Ferrugem e Osso”), Denis Villeneuve (“Incêndios”), Hirokazu Koreeda (“Pais e Filhos”), Apichatpong Weerasethakul (“Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas”) e Paolo Sorrentino (“A Grande Beleza”).

Enquanto os filmes do maior festival de cinema do mundo não chegam ao Brasil, selecionamos 12 longas laureados nas edições de 2013 e 2014, incluindo “Azul é a Cor mais Quente“, premiado com a Palma de Ouro, “Mommy“, Grande Prêmio do Júri, e “Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo“, vencedor do prêmio de melhor direção no ano passado – e que acaba de sair em DVD e Blu-ray na 2001.

Bom festival!

Equipe 2001

Logo TV Festival 2011 BLANC

2013

AZUL É A COR MAIS QUENTE

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* PALMA DE OURO E  PRÊMIO FIPRESCI

Livremente baseado na HQ homônima, o filme tem direção de Abdellatif Kechiche (“O Segredo do Grão”) e acompanha o rito de passagem da jovem Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Emma (Léa Seydoux, de “Adeus, Minha Rainha”). Com uma longa sequência de sexo explícito, o longa causou furor, polêmica e ainda levou a Palma de Ouro – dividida, pela primeira vez na história, entre o diretor e suas duas atrizes principais.

INSIDE LLEWYN DAVIS – BALADA DE UM HOMEM COMUM

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* GRANDE PRÊMIO DO JÚRI

Indicado ao Oscar de melhor fotografia e mixagem de som, o filme dos irmãos Joel e Ethan Coen é um estudo de personagem centrado na trajetória de um músico folk, autodestrutivo, que luta para sobreviver em meio à cena folk do bairro de Greenwich Village, na Nova York do começo dos anos 1960. Llewyn Davis (Oscar Isaac) tem problemas para lidar com o sucesso, sabotando a si próprio – tanto na vida artística quanto na pessoal.

SALVO – UMA HISTÓRIA DE AMOR

5
* GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA E TROFÉU REVELAÇÃO

Elogiado pela crítica, o drama dos italianos Fabio Grassadonia e Antonio Piazza  segue os passos de Salvo, implacável assassino encarregado de matar um desafeto da máfia siciliana. Prestes a executar seu alvo, ele se depara com a irmã da vítima, uma jovem cega, e uma estranha relação se estabelece entre eles. Sem soluções fáceis, o filme se vale do silêncio da protagonista e de um inteligente design de som para construir uma atmosfera de desolação e mistério.

PAIS E FILHOS

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* PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI

Exibido na 37ª Mostra de Cinema de SP, o filme tem direção e roteiro do grande cineasta japonês Hirokazu Koreeda (de “Depois da Vida” e “O que eu mais Desejo”), que volta a disputar a Palma de Ouro neste ano com “Umimachi Diary”. Com os direitos adquiridos por Steven Spielberg, “Pais e Filhos” explora com delicadeza a troca de bebês, com dois casais que descobrem que seus filhos de 6 anos foram trocados na maternidade.

NEBRASKA

6
* MELHOR ATOR (BRUCE DERN)

Indicado em seis categorias do Oscar 2014, incluindo melhor filme e direção, “Nebraska” é mais um retrato espirituoso da vida cotidiana por Alexander Payne, o aclamado diretor de “Sideways” e “Os Descendentes”. Buce Dern dá vida a Woody Grant, um senhor com problemas de memória que acredita ter ganho uma fortuna. Ao lado de David, seu filho mais novo, ele inicia uma pitoresca viagem até a distante cidade de Lincoln, em Nebraska, a fim de receber o prêmio.

O PASSADO

Film still from The Past by Asghar Farhadi
* MELHOR ATRIZ (BÉRÉNICE BEJO) E PRÊMIO DO JÚRI ECUMÊNICO

Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês em 2014, o longa é o mais recente trabalho do cineasta iraniano Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por “A Separação”, grande sucesso de locação na 2001. O diretor-roteirista explora as nuances de um núcleo familiar desfeito, a partir do divórcio de um iraniano e sua esposa francesa, interpretada por Bérénice Bejo – premiada em Cannes.

THE LUNCHBOX

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* GRAND GOLDEN RAIL

Coprodução entre Índia, Alemanha, França e EUA, o filme narra a história de amor entre duas pessoas que se comunicam através de bilhetes escondidos numa marmita. Assim, um viúvo prestes a se aposentar (Irrfan Khan, de “As Aventuras de Pi”) e uma mulher em crise no casamento passam a se corresponder à distância, trocando confidências sobre amor, amizade e família. Sensível retrato das relações humanas na Índia moderna, com ecos do clássico “Nunca Te Vi, Sempre Te Amei” (disponível no acervo da 2001).

Logo TV Festival 2011 BLANC

2014

MOMMY

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* GRANDE PRÊMIO DO JÚRI

Escolhido pelo Canadá para disputar uma das cinco vagas do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2015, é o quinto longa-metragem de Xavier Dolan, cineasta-prodígio de apenas 26 anos, com mais três trabalhos em DVD na 2001: “Eu Matei Minha Mãe”, “Amores Imaginários” e “Laurence Anyways”. Curiosidade: o longa é em formato 1 por 1, ou seja, quadrado, semelhante ao Instagram.

FOXCATCHER – UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO

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* MELHOR DIREÇÃO (BENNETT MILLER)

Baseada em fatos reais, a trama acompanha o campeão olímpico de luta greco-romana Mark Schultz (Channing Tatum), seu irmão Dave (Mark Ruffalo), também medalhista em Olimpíadas e seu treinador, e o excêntrico milionário que os apadrinha, John du Pont (interpretado por um surpreendente Steve Carell). Indicado ao Oscar nas categorias de melhor direção, ator (Carell), ator coadjuvante (Ruffalo), roteiro original e maquiagem.

LEVIATÃ

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* MELHOR ROTEIRO

Vencedor do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro neste ano, o longa russo concorreu ao Oscar na mesma categoria, perdendo para o polonês “Ida”. Dirigido e coescrito por Andrei Zvyagintsev (de “O Retorno”, disponível no acervo da 2001), “Leviatã” reflete sobre a corrupção na Rússia de Vladimir Putin, a partir da luta de um mecânico contra um prefeito inescrupuloso.

FORÇA MAIOR

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* PRÊMIO DO JÚRI NA MOSTRA ‘UN CERTAIN REGARD’

Considerado um dos melhores europeus do ano, concorreu ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, representando a Suécia. A história gira em torno de Tomas e Ebba, que resolvem passar as férias com os dois filhos pequenos numa luxuosa estação de esqui. Tudo corre bem até que uma avalanche pega todos de surpresa na sacada de um restaurante. A primeira atitude de Ebba é proteger seus filhos, mas Tomas corre imediatamente para longe, deixando a família.

TIMBUKTU

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* PRÊMIO DO JÚRI ECUMÊNICO E FRANÇOIS CHALAIS AWARD

Grande vencedor do César 2015 (o Oscar francês), com sete prêmios, entre eles melhor filme, direção (Abderrahmane Sissako) e roteiro original, “Timbuktu” acompanha a tragédia de uma família afetada pelo radicalismo de rebeldes islâmicos que tomaram o poder da cidade histórica do Mali. Em face à humilhação e aos maus tratos perpetuados pelos invasores, o longa narra o combate silencioso de homens e mulheres e sua luta pela vida. Coprodução entre França e Mauritânia indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

O CINEMA EM PROL DA DIVERSIDADE SEXUAL

COMEÇA HOJE, EM SÃO PAULO, A 22ª EDIÇÃO DO FESTIVAL MIX BRASIL, COM FILMES QUE ABORDAM, SOB DIFERENTES ÂNGULOS E POR MEIO DE LINGUAGENS INOVADORAS, A QUESTÃO DA DIVERSIDADE SEXUAL.

POR ISSO, SELECIONAMOS 13 FILMES QUE TRATAM DOS CONFLITOS E DILEMAS ENFRENTADOS PELA COMUNIDADE LGBT EM DIFERENTES CONTEXTOS.

Grande vencedor do Festival de Cannes em 2013, "A Vida de Adele" foi dirigido por Abdellatif Kechiche e narra a intensa história de amor entre duas jovens, interpretadas por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux

Grande vencedor do Festival de Cannes em 2013, “A Vida de Adele” foi dirigido por Abdellatif Kechiche e narra a intensa história de amor entre duas jovens, interpretadas por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux

Azul é a Cor Mais Quente
(La vie d’Adèle – Chapitres 1 et 2, FRA/ESP/BEL, 2013, Cor, 179′)
Direção: Abdellatif Kechiche
Elenco: Lea Seydoux, Adele Exarchopoulos, Salim Kechiouche

Logo no início de Azul é a Cor Mais Quente, o professor de uma escola no norte da França reflete com seus alunos sobre o romance A Vida de Marianne, escrito no século 18 por Pierre de Marivaux. A obra retrata o rito de passagem de uma jovem que aprende a amar e ser amada, em meios às convenções – e aparências – da sociedade da época. O professor fala também do papel decisivo da predestinação no curso de uma relação amorosa.

Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos) acompanha atentamente a aula. Aos 15 anos, ela experimenta a incrível fase de descobertas da adolescência, assim como suas inseguranças. Estimulada pelas amigas, começa a sair com um colega do colégio, ainda sem saber o que esperar ou querer. O que a bela Adèle sabe é que sente um grande vazio. Algo lhe falta e infelizmente não é preenchido por seu primeiro namoradinho.

Capa da HQ (já publicada no Brasil) que originou o filme

Capa da HQ (já publicada no Brasil) que originou o filme

A resposta vem justamente na forma da predestinação. Certo dia, Adèle caminha na rua quando é cativada pela presença de uma estranha com visual andrógino e inconfundível cabelo tingido de azul. Seus olhares se cruzam numa fração de segundo, um momento aparentemente banal que não sai de sua cabeça. Define o seu desejo, mesmo sem se dar conta disso. Até que o destino cumpre seu papel e Adèle encontra por acaso Emma (Léa Seydoux, de Meia-Noite em Paris e Adeus, Minha Rainha), estudante de artes plásticas, independente e que já assumiu sua homossexualidade.

Emma abre o mundo então limitado de Adèle, ao mesmo tempo em que a expõe ao preconceito no colégio. Após ser vista com Emma, ela é agredida verbalmente pelas “amigas” que a rotulam pejorativamente. Rótulos que Adèle recusa, já que não sabe ainda qual é a sua opção sexual, nem se quer assumir uma. Livremente baseado na HQ homônima escrita por Julie Maroh, o filme não cai na estereotipagem do homossexual no cinema, e passa a enfocar o relacionamento das duas personagens centrais ao longo de vários anos, desde o encantamento inicial até as dificuldades inerentes a qualquer relacionamento.

Filha de pais de classe média baixa e sem a cultura elitizada de Emma, Adèle estabelece uma forte conexão sexual com a parceira, a deixa para Azul é a Cor Mais Quente não economizar na carga erótica, incluindo uma longa sequência de sexo explícito entre as amantes. Consideradas pornográficas, as cenas de sexo causaram furor e polêmica no último Festival de Cannes, de onde o filme saiu com a Palma de Ouro. Numa decisão inédita, o prêmio foi dividido entre o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche (de O Segredo do Grão, Vênus Negra) e, por suas atuações corajosas, Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. Pela primeira vez na história do festival, duas atrizes levaram a Palma e, ao lado de Jane Campion (O Piano), são as únicas mulheres donas de tal honraria.

Laurence Anyways*
(Idem, CAN/FRA, 2012, Cor, 168′)
Direção: Xavier Dolan
Elenco: Melvil Poupaud, Suzanne Clément, Nathalie Baye, Monia Chokri

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Exibido na 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no ano passado, Laurence Anyways é a terceira incursão do franco-canadense Xavier Dolan na direção.

Nascido em Montreal (Québec, Canadá) e homossexual assumido, dirigiu seu primeiro filme, Eu Matei Minha Mãe (2009), aos 19 anos de idade, e o segundo, Amores Imaginários (2010), aos 20.

Em trabalhos extremamente pessoais, Dolan projeta sua sensibilidade e paixão pelas minorias sexuais e excluídos, reafirmando sua luta contra a intolerância. Em Laurence Anyways não é diferente. Logo no início, uma série de closes revela as reações de desconhecidos a uma misteriosa figura andando na rua. É o personagem-título, cuja trajetória é narrada em flashbacks que perfazem cerca de dez anos de sua vida.

Laurence Alia (Melvil Poupaud, substituindo Louis Garrel) completa 35 anos em 1989, tem um emprego estável como professor e uma namorada que o ama, Fred Belair (Suzanne Clément, de Eu Matei Minha Mãe). O equilíbrio do casal é quebrado quando ele revela seu desejo de tornar-se uma mulher. Fred o indaga sobre uma possível homossexualidade, que ele nega, afirmando apenas estar no corpo errado, e ter vivido uma mentira por tanto tempo. É o ponto de virada na vida do protagonista à procura de uma nova identidade, identidade intimamente ligada à definição de sua sexualidade.

Melvil Poupaud ("O Tempo que Resta") assumiu o papel de Laurence após desistência do galã francês Louis Garrel ("Bem Amadas"), e Suzanne Clément trabalhou antes com Xavier Dolan em "Eu Matei Minha Mãe". "Laurence Anyways" conta ainda com uma ótima participação da veterana Nathalie Baye ("Uma Doce Mentira"), no papel da mãe do protagonista. Ator principal em seus dois primeiros filmes, Dolan faz aqui apenas uma ponta no filme

Melvil Poupaud (“O Tempo que Resta”) assumiu o papel de Laurence após desistência do galã francês Louis Garrel (“Bem Amadas”), e Suzanne Clément trabalhou antes com Xavier Dolan em “Eu Matei Minha Mãe”. “Laurence Anyways” conta ainda com uma ótima participação da veterana Nathalie Baye (“Uma Doce Mentira”), no papel da mãe do protagonista. E, ator principal em seus dois primeiros filmes, Dolan faz aqui apenas uma ponta

Em um mundo cada vez mais violento e pródigo em agredir minorias, Dolan quer incutir o contrário, mostrando com naturalidade relações e papéis sexuais atípicos. Ambicioso e fiel à persona de seu diretor, Laurence Anyways prova que um grande amor transcende convenções, gêneros sexuais e, sobretudo, preconceitos.

* Prêmio de melhor atriz (Suzanne Clément) na mostra Un Certain Regard e vencedor da “Queer Palm” no Festival de Cannes. Eleito melhor longa canadense no Festival de Toronto

Kaboom
(Idem,  EUA/FRA, 2010, Cor, 86′)
Direção: Gregg Araki
Elenco: Thomas Dekker, Haley Bennett, Chris Zylka, Juno Temple

2Nascido em Los Angeles, Gregg Araki tornou-se um dos principais nomes da cena independente graças a filmes tematicamente ousados e carregados de homoerotismo como Geração Maldita (1995) e Mistérios da Carne (2004).

A confusão sexual, o desejo em ebulição e os distúrbios emocionais dos jovens retratados em sua perturbadora “trilogia adolescente do apocalipse” (formada por Totally F***ed Up, Geração Maldita e Nowhere) retornam em Kaboom (ou Ka-Boom, como descrito na capa do DVD).

Comédia teen com toques surreais de ficção-científica que lembram, por vezes, a atmosfera de Donnie Darko, o filme transcorre em um campus universitário no sul da Califórnia, onde o jovem Smith, dividido entre seu colega de quarto surfista e sua melhor amiga lésbica, experimenta os prazeres do sexo e uma série de inquietações. Sob influência de cookies alucinógenos, o estudante de cinema começa a sofrer delírios com assassinos usando máscaras de animais, uma seita de bruxas e até mesmo o fim do mundo.

No elenco, destaque para Juno Temple (à esquerda), jovem atriz inglesa que não tem medo de se expor em filmes transgressores - e que exploram a sexualidade - como "Killer Joe" e "Lovelace" (ainda inédito no Brasil). Ainda este ano, ela poderá ser vista em mais uma produção contra-indicada para estômagos mais sensíveis: a continuação de "Sin City".

No elenco, destaque para Juno Temple (à esquerda), jovem atriz inglesa que não tem medo de se expor em filmes transgressores – e que exploram a sexualidade – como “Killer Joe” e “Lovelace” (ainda inédito no Brasil). Ainda este ano, ela poderá ser vista em mais uma produção que promete carregar no sexo e na violência: a continuação de “Sin City”

As coisas se complicam a partir do momento em que o jovem – assim como o espectador – não consegue mais distinguir o que é real e o que é imaginado, pretexto para um caleidoscópio de personagens bizarros, imagens desconcertantes e cenas de sexo bem ao gosto do diretor.

Elvis e Madona*
(Idem, BRA, 2010, Cor, 105′)
Direção: Marcelo Laffitte
Elenco: Simone Spoladore, Igor Cotrim, Sérgio Bezerra

15Fotógrafa obrigada a trabalhar como entregadora de pizzas para pagar as contas, Elvis se apaixona por Madona, travesti que sonha produzir e estrelar um espetáculo de revista.

Marcelo Laffitte coescreveu, produziu, dirigiu e ainda distribuiu por conta própria este inusitado romance entre dois personagens à margem dos modelos impostos pela sociedade. Com uma subtrama policial como pano de fundo, Elvis e Madona humaniza seu casal de protagonistas, criando uma relação terna e inédita no cinema brasileiro.

* Melhor filme (Júri Popular) do 12º Festival de Cinema Brasileiro em Paris e prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio

Minhas Mães e Meu Pai
(The Kids Are All Right, EUA, 2010, Cor, 106′)
Direção: Lisa Cholodenko
Elenco: Julianne Moore, Annette Bening, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson

4

Indicado ao Oscar de melhor atriz (Annette Bening), ator coadjuvante (Mark Ruffalo) e roteiro original em 2011, Minhas Mães e Meu Pai não ganhou nenhuma estatueta, mas merece ser descoberto (ou assistido pela segunda vez) em tempos de discussão em torno da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Com leveza e sem estereótipos, o filme aborda as dificuldades de um casal de lésbicas que tem de lidar com o surgimento do pai biológico de seus dois filhos adolescentes.

Roteirista (em parceria com Stuart Blumberg) e diretora do filme, Lisa Cholodenko imprime sua própria experiência de vida e sensibilidade ao projeto mais pessoal de sua carreira. Ausente da direção de longa desde Laurel Canyon, Cholodenko passou a trabalhar, esporadicamente, na TV americana, dirigindo episódios para A Sete PalmosThe L Word, séries que também trazem personagens homossexuais tendo de lidar com as consequências do desejo. Vivendo há anos com a música Wendy Melvoin , ela aproveitou esse hiato no cinema para tornar-se mãe através de inseminação artificial e doador desconhecido, em 2006.

Com vários traços autobiográficos, Minhas Mães e Meu Pai marca o retorno da cineasta ao cinema em trama semelhante à experiência vivida na vida pessoal: Nic (Annette) e Jules (Julianne Moore, esquecida pelos votantes do Oscar) criam seus dois filhos – Laser, com 15 anos, e Joni, 18 – em Los Angeles; cada uma das mães ficou grávida de um dos filhos depois de ser inseminada artificialmente com o sêmen do mesmo doador anônimo – Paul (Ruffalo). Após completar 18 anos, Joni decide contactar seu pai biológico, o que irá mudar a dinâmica de toda a família.

Ao apresentar um casal fora dos padrões moralistas vigentes, o filme reacendeu a discussão nos EUA em torno da legalização da união civil entre homossexuais, mas nada mais é do que o relato singelo de um casamento maduro tentando sobreviver à passagem do tempo e a elementos externos. Em entrevista à imprensa americana, Cholodenko explica suas escolhas: “Não quis fazer um filme de agenda social. Não queria que fosse sobre direitos gay. Queria apenas começar uma história a partir do ponto de que isso é normal e é o que é, e ir mais fundo numa história mais rica e universal”.

Patrik 1.5
(Patrik 1,5, SUE, 2008, Cor, 103′)
Direção: Ella Lemhagen
Elenco: Gustaf Skarsgård, Torkel Petersson, Tom Ljungman

Um casal homossexual consegue permissão para adotar Patrik, órfão sueco que acreditavam ter apenas um ano e meio. Porém, por um erro de digitação, os dois recebem um jovem homofóbico de 15 anos.

Questão polêmica bastante em voga na atualidade, a união civil entre pessoas do mesmo sexo suscita todo tipo de reação. A produção sueca Patrick 1.5 toma partido, discutindo preconceito com humanidade, sem apelar para clichês. Apesar de parecer uma comédia rasgada, o filme é mais um drama familiar sobre a superação das diferenças, mostrando o preconceito arraigado, infelizmente, não só nos adultos, mas também entre crianças e adolescentes.

Como Esquecer
(Idem, BRA, 2010, Cor, 100′)
Direção: Malu De Martino
Elenco: Ana Paula Arósio, Murilo Rosa, Natália Lage

9

Com diálogos cortantes e belas reflexões na primeira pessoa, Como Esquecer narra a angústia emocional de Júlia, uma professora universitária reservada e por vezes irascível, que sofre para superar o fim de uma intensa e duradoura relação amorosa.

Premiada como melhor atriz pela APCA, Ana Paula Arósio interpreta um contraponto feminino ao deprimido professor de Colin Firth em Direito de Amar (2010), construindo uma personagem contraditória, sem apelar para a simpatia do espectador.

 

Toda Forma de Amor
(Beginners, EUA, 2010, Cor, 105’)
Direção: Mike Mills
Elenco: Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent, Goran Visnjic

Aos 38 anos, o artista gráfico Oliver relembra os últimos anos ao lado de seu pai. Aos 75 anos, ele revelou ao filho, logo após a morte da esposa, ser homossexual.

Inédito nos cinemas brasileiros, o segundo filme de Mike Mills (Impulsividade) valeu ao veterano Christopher Plummer (A Noviça Rebelde, A Última Estação), o Oscar de melhor ator coadjuvante no ano passado. Com dignidade, ele interpreta um pai de família que “sai do armário” nessa comédia dramática centrada em sua relação com o filho (Ewan McGregor). Com sensibilidade, respeito à diversidade sexual e com toques surreais – um cachorro “fala” por meio de legendas com McGregor –, o filme é um olhar apaixonado para dois homens em busca de um relacionamento afetivo significativo na vida.

 

Um Quarto em Roma
(Habitación en Roma, ESP, 2010, Cor, 107′)
Direção: Julio Medem
Elenco: Elena Anaya, Natasha Yarovenko

5

Depois do incompreendido Caótica Ana (2007), o espanhol Julio Medem prossegue com mais um trabalho pessoal e controverso. Com inúmeras cenas de sexo entre suas duas protagonistas, o filme acompanha, de modo intimista (e por vezes, voyeurístico) e por quase toda a sua duração, a longa noite de descobertas e prazeres carnais de duas mulheres.

Alba (a misteriosa Vera de A Pele que Habito) e Natasha (a ucraniana Natasha Yarovenko, de Diário Proibido) se encontram em Roma e, no quarto da primeira, passam uma longa noite de sedução, com o erotismo que se tornou marca do diretor de Lucia e o Sexo.

 

O Primeiro que Disse
(Mine Vaganti, ITA, 2010, Cor, 108′)
Direção: Ferzan Ozpetek
Elenco: Riccardo Scamarcio, Nicole Grimaudo, Alessandro Preziosi

6

O filme mais bem sucedido do turco (radicado na Itália) Ferzan Ozpetek resgata a velha comédia de costumes sem perder a crítica social humanista. Como em seus outros trabalhos, o diretor expõe as dificuldades da nova geração para se adaptar às expectativas e anseios dos pais, colocando em risco a própria identidade.

Em O Primeiro que Disse, dois irmãos precisam vencer o dilema de seguir com suas vidas, revelando sua homossexualidade, ou escondê-la a fim de administrar os negócios da família conservadora.

Comparado a Pedro Almodóvar por alguns críticos, Ozpetek é um cronista sensível das mudanças comportamentais na Itália. Respeitoso aos valores tradicionais da unidade familiar, o filme equilibra drama e humor numa narrativa em dois tempos, passado e presente, interligados por meio da memorável personagem de Ilaria Occhini. Veterana atriz de teatro e TV, ela interpreta a avó dos irmãos e a primeira “bala perdida” (tradução do título original) da família. Com sua experiência e sabedoria, ela é o elemento nostálgico que aproxima diferentes gerações – sem preconceito.

A Viagem de Lucia
(La Llamada/Il Richiamo, ARG/ ITA, 2009, Cor, 93′)
Direção: Stefano Pasetto
Elenco: Sandra Ceccarelli, Francesca Inaudi, César Bordón

8

Infeliz no casamento, Lucía redescobre a alegria de viver ao conhecer Lea, jovem extrovertida com quem inicia um romance.

A relação amorosa entre duas mulheres bem diferentes é tratada de maneira discreta e com muita sensibilidade nesta coprodução ítalo-argentina, filmada em Buenos Aires e na Patagônia. Cansada da insensibilidade do marido, a personagem-título se reinventa por meio do turbilhão de emoções proporcionado por uma mulher mais nova, e mergulha de cabeça em um relacionamento carnal (e instável) que lhe traz uma segunda chance na vida.

 

Contracorrente
(Contracorriente, PER/COL/FRA, 2009, Cor, 100′)
Direção: Javier Fuentes-León
Elenco: Cristian Mercado, Tatiana Astengo

6

Poucos títulos da produção cinematográfica peruana chegam ao mercado brasileiro. Depois de A Teta Assustada, Contracorrente é o segundo filme a ser lançado em DVD por aqui. História de um triângulo amoroso à la O Segredo de Brokeback Mountain, o drama peruano com toques de realismo mágico narra a jornada interior de um homem casado aprendendo a aceitar quem é – e não a imagem que a comunidade faz dele.

Na trama, Miguel trabalha como pescador em um tradicional vilarejo à beira-mar, mas guarda um segredo: um amante chamado Santiago, pintor homossexual estigmatizado pela sociedade local.

 

Paixão Selvagem
(Je t’aime moi non plus, FRA, 1976, Cor, 83′)
Direção: Serge Gainsbourg
Elenco: Jane Birkin, Joe Dallesandro, Hugues Quester

3Estreia na direção do compositor e cantor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), a ousada história de amor entre o personagem homossexual de Joe Dallesandro (ator-fetiche de Andy Warhol e Paul Morrissey) e uma misógina Jane Birkin provocou escândalo e eternizou a música Je T’Aime Moi Non Plus.

Composta originalmente para Brigitte Bardot, a escandalosa canção encontrou na inglesa Jane o par perfeito para Serge. Os dois foram casados e tiveram uma filha, Charlotte Gainsbourg, que recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por sua corajosa interpretação em Anticristo, de Lars von Trier.

Jane Birkin e o objeto do desejo de Warhol e Paul Morrissey, Joe Dallessandro, em "Paixão Selvagem", filme causou furor nos anos 1970 graças à música-tema de Serge Gainsbourg e a cenas de sexo que desafiam as convenções sexuais

Jane Birkin e o objeto do desejo de Warhol e Paul Morrissey, Joe Dallessandro, em “Paixão Selvagem”. O filme causou furor nos anos 1970 graças à música-tema de Serge Gainsbourg e a cenas de sexo que desafiam convenções