Gérard Depardieu

NOVIDADES DO CINEMA ARGENTINO E DO EUROPEU NA 2001

INSEPARÁVEIS (2016)

Marcos Carnevale (“Elsa & Fred”) dirige esta refilmagem argentina do sucesso francês “Intocáveis” (2011), com Oscar Martínez (“Relatos Selvagens”) no papel de Felipe, um rico empresário que fica tetraplégico após acidente. À procura de um novo assistente terapêutico, ele contrata o jovem Tito (Rodrigo de la Serna, de “Diários de Motocicleta”), sem qualquer experiência para a função.

NEVE NEGRA

Ambientado nas colinas geladas da Patagônia, este thriller argentino conta com dois astros de “Relatos Selvagens”: Ricardo Darín e Leonardo Sbaraglia. Darín interpreta Salvador, um fazendeiro que vive afastado da civilização em uma fazenda na região. A visita inesperada de seu irmão Marcos (Sbaraglia), a fim de convencê-lo a vender as terras da família, reacende antigos ressentimentos e segredos.

FRANTZ

Mais um belo trabalho do francês François Ozon, indicado em três categorias do European Film Awards: escolha do público, atriz (Paula Beer) e roteiro. A história se passa logo após o fim da I Guerra Mundial e acompanha Anna (Beer, premiada em Veneza), uma jovem alemã que perde o noivo no front. Um dia, surge Adrien (Pierre Niney), um ex-soldado francês que afirma ter feito amizade com o morto.

A GAROTA DESCONHECIDA

Indicado à Palma de Ouro em 2016, o filme é mais um exemplo do humanismo social da dupla de cineastas belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (“Rosetta“). Os irmãos Dardenne mostram a crise de consciência de Jenny (Adèle Haenel), jovem médica perturbada pela morte de uma imigrante africana, que na noite anterior procurou sua clínica, mas não foi atendida, pois o expediente havia encerrado.

SAINT AMOUR – NA ROTA DO VINHO

Depois do romântico “Paris Pode Esperar” (com Diane Lane), mais um road movie percorre a França. Em ritmo de comédia de erros, “Saint Amour” explora o conflito de gerações entre Jean (Gérard Depardieu) e Bruno (Benoît Poelvoorde, também diretor e roteirista), pai e filho fazendeiros que embarcam numa turnê por vinícolas no interior francês. Juntos com seu motorista, os dois passam por várias brigas e descobertas em busca de reconciliação.

MONSIEUR E MADAME ADELMAN

Com muito lirismo e humor irônico, o drama francês aborda o relacionamento de quatro décadas entre Sarah (Doria Tillier) e Victor (Nicolas Bedos, diretor e roteirista do filme). No funeral dele, Sarah é abordada por um jornalista que deseja contar a história de seu marido, um renomado escritor. A partir daí, o espectador tem acesso às diferentes fases desse longo relacionamento – e o que é melhor, pelo olhar feminino.

ROCK N’ROLL – POR TRÁS DA FAMA

Casados na vida real, Guillaume Canet e Marion Cotillard brincam com suas personas públicas nesta comédia metalinguística dirigida e escrita pelo próprio ator. Na trama, Canet, com 43 anos, é confrontado por uma repórter, que sugere que o ator está ultrapassado e não pode concorrer com os jovens de sua geração. Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2017.

NA CAMA COM VICTORIA

Uma amalucada comédia francesa com Virginie Efira (indicada ao César de melhor atriz) no papel de Victoria, uma advogada metida em inúmeras confusões. A personagem está à beira de um ataque de nervos e, durante um casamento, encontra três homens que irão bagunçar sua vida: seu ex-marido, seu amigo Vincent – acusado de tentativa de homicídio – e Sam, um ex-traficante de drogas.

RODIN

Indicado à Palma de Ouro, o filme traz Vincent Lindon (“O Valor de um Homem“) no papel do escultor Auguste Rodin (1840- 1917). Em 1880, Rodin recebe a encomenda de ‘A Porta do Inferno’, obra composta de esculturas como O Beijo e O Pensador. Ele vive com Rose, sua eterna companheira, quando conhece a jovem Camille Claudel (1864-1943), que se torna sua aprendiz e amante.

CARTAS DA GUERRA

Esta produção de época foi escolhida por Portugal para representar o país na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2016. Baseado nas cartas reunidas no livro de memórias “D’Este Viver Aqui Neste Papel Descripto”, de António Lobo Antunes, o longa rememora as experiências do autor como médico em Angola durante a guerra colonial, na década de 1970.

FINALMENTE EM DVD, UMA DAS OBRAS-PRIMAS DE ALAIN RESNAIS

“É como um laboratório de experimentos, no qual você mistura coisas sem saber o resultado que vai obter”. Alain Resnais

O CINEASTA DO TEMPO E DA MEMÓRIA

Um dos mais influentes e inovadores diretores do cinema moderno, Alain Resnais nasceu em 3/6/1922, em Vannes (França). Fascinado desde criança pela força das imagens em movimento, aos 14 anos já fazia curtas em 8mm e, entre 1964 e 67, dirigiu uma série de curtas-metragens sobre arte, entre eles “Van Gogh” (1948) e “Guernica” (1950).

Depois de um período como editor de filmes como “La Pointe-Courte” (de Agnès Varda), começou a trabalhar em parceria com importantes escritores da época, começando com Jean Cayrol, no devastador documentário “Noite e Neblina” (1955), seguido por Marguerite Duras, roteirista de “Hiroshima, Meu Amor” (1959), considerado um marco do movimento nouvelle vague. Lírico e poético, o filme revolucionou a linguagem cinematográfica ao mesclar passado e presente por meio de inteligente exercício de montagem.

Embora inicialmente associado à nouvelle vague, Resnais trilhou caminho próprio, levando ao limite suas experimentações com o tempo cinematográfico em produções como “Ano Passado em Marienbad” (1961), considerada a obra aberta por excelência; “Eu te Amo, Eu Te Amo” (1968), cerebral ficção-científica precursora de “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”; o metalinguístico “Providence” (1977), seu primeiro filme em língua inglesa; “Meu Tio da América” (1980) — que acaba de sair em DVD no Brasil –, baseado em estudos do biólogo Henri Laborit; e o “dois em um” “Smoking/No Smoking” (1993), estrelado por sua mulher, Sabine Azéma.

A partir de 1997, com o sucesso no circuito de arte de “Amores Parisienses”, Resnais  continuou a encantar e a desafiar cinéfilos com seus mosaicos de personagens – quase sempre com os amigos Sabine Azéma, André Dussollier, Pierre Arditi e Lambert Wilson no elenco: “Medos Privados em Lugares Públicos” (2006), “Ervas Daninhas” (2009), “Vocês Ainda não Viram Nada!” e “Amar, Beber e Cantar” (2014), seu filme-despedida. Pouco mais de duas semanas depois deste último ser premiado no Festival de Berlim, o gigante do cinema morreu em Paris, aos 91 anos.

MEU TIO DA AMÉRICA

Um dos títulos em DVD mais aguardados pelos cinéfilos, o filme é uma das obras-primas do diretor e levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 1980.

Com roteiro original de Jean Gruault indicado ao Oscar, é baseado nas teorias do biólogo e professor Henri Laborit sobre como o ambiente pode interferir na formação da personalidade de um indivíduo. É ele quem expõe sua teoria do comportamento humano, demonstrando suas ideias através de experimentos com ratos. Resnais substitui os objetos de investigação da experiência por dois homens e uma mulher, de cidades, origens sociais e famílias diferentes, e suas vidas são acompanhadas desde a infância até a fase adulta.

Como num jogo de espelhos, o longa – cuja estrutura mistura ficção e documentário – narra a vida dos três personagens: um gerente de empresa em crise (Gérard Depardieu), uma atriz que largou a carreira artística (Nicole Garcia) e um político em ascensão (Roger Pierre).

As teorias de Laborit sustentam que os atos do ser humano são determinados pelo seu condicionamento na infância e que cada um reage segundo pulsões primárias. Por isso, além de cinéfilos, este clássico francês é uma verdadeira aula de psicologia comportamental e pode interessar a pesquisadores e professores.

MAIS DO DIRETOR NA 2001:

Amar, Beber e Cantar (2014)
Vocês Ainda não Viram Nada (2013)
A Vida É Um Romance (1983)
Stavisky (1973)
Muriel (1963)
Ano Passado em Marienbad (1961)

3 RELANÇAMENTOS IMPERDÍVEIS DA VERSÁTIL: “LUDWIG”, “ONDAS DO DESTINO” E “BALZAC”

PARA O MÊS DE ABRIL, A DISTRIBUIDORA TRAZ UMA PRODUÇÃO SUNTUOSA DO GRANDE LUCHINO VISCONTI, UM DOS PRIMEIROS SUCESSOS DE LARS VON TRIER – INDICADO AO OSCAR DE MELHOR ATRIZ – E UMA MINISSÉRIE COM GÉRARD DEPARDIEU.

LUDWIG

Indicado ao Oscar de melhor figurino em 1974, o filme é um épico deslumbrante sobre Ludwig II (1845-1886), último rei bávaro, responsável pela criação de alguns dos mais belos castelos da Europa, como o deslumbrante Neuschwanstein.

Com ritmo lento e a atenção aos detalhes típica do mestre Luchino Visconti, “Ludwig” narra a intimidade do rei (na pele de Helmut Berger), sua amizade com o compositor Richard Wagner (Trevor Howard), do qual foi mecenas, e a relação com a prima Sissi, interpretada por uma radiante Romy Schneider. Esse trabalho integra a Trilogia Tedesca do cineasta italiano, completada por “Os Deuses Malditos” (1969) e “Morte em Veneza” (1971).

DVD duplo com a versão completa, restaurada e remasterizada no formato widescreen anamórfico, com mais de quatro horas de duração, conforme o desejo de Visconti.

EXTRAS:

DISCO 1

* Biografia de Ludwig. Texto em português.
* Galeria de fotos & imagens. 46 imagens.
* Os castelos de Ludwig:
– Vídeo sobre Ludwig e seus castelos (17′). Áudio: português. Sem legendas.
– Visite a Baviera. Informações sobre o Centro de Turismo Alemão. Texto em português.
– Neuschwanstein. Galeria de fotos. Texto introdutório em português.
– Herrenchiemsee. Galeria de fotos. Texto introdutório em português.
– Linderhof. Galeria de fotos. Texto introdutório em português.
* Ludwig & Richard Wagner:
– Depoimento de João Marcos Coelho (crítico de música) (6′). Áudio: português.
– Uma amizade polêmica. Texto em português.
– Biografia de Richard Wagner. Texto em português.
– Galeria de imagens
* Atores e personagens. Galeria de imagens comparativas.

Visconti em um dos sets do filme, em Cinecittà (Roma, Itália)

DISCO 2

* Ludwig e sua restauração (23′). Áudio: italiano. Legenda: português.
* Homenagem a Visconti (3′). Sem diálogos.
* Entrevistas com membros da equipe de Ludwig:
– Enrico Medioli (8′). Áudio: italiano. Legenda: português.
– Piero Tosi (8′). Áudio: italiano. Legenda: português.
– Umberto Orsini (12′). Áudio: italiano. Legenda: português.
– Mario Chiari (3′). Áudio: italiano. Legenda: português.
* Apresentação de Luiz Carlos Merten (crítico de cinema) (3′). Áudio: português.
* A Trilogia Alemã (8′). Trecho do documentário Luchino Visconti, de Carlo Lizzani. Áudio: italiano. Legenda: português.
* As fontes pictóricas de Ludwig:
– Depoimento de Antonio Gonçalves Filho (crítico de arte) (6′). Áudio: português.
– Galeria de quadros. O diálogo da pintura de Friedrich. Texto introdutório em português.
* Sobre a produção:
– As diferentes versões. Texto em português.
– Uma palavra de Visconti. Texto em português.
* Vida e obra de Visconti. Texto em português.
* Fortuna crítica. Texto em português.
* Galeria de fotos e pôsteres:
– Fotos de cena por Mario Tursi (4′).
– Fotos dos bastidores
– Pôsteres
* O elenco: Helmut Berger, Trevor Howard, Romy Schneider, Silvana Mangano, Helmut Grien. Texto em português.

ONDAS DO DESTINO

Um dos primeiros sucessos internacionais do polêmico diretor dinamarquês Lars von Trier (“Ninfomaníaca”). Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e indicado ao Oscar de Melhor Atriz (Emily Watson, por sua atuação espetacular), esse cult-movie é apresentado com quase uma hora de extras, incluindo cenas inéditas e entrevistas.

Em um vilarejo no interior da Escócia, a jovem Bess (Watson) se apaixona perdidamente por Jan (Stellan Skarsgård), funcionário de uma plataforma de petróleo. Infelizmente, ele sofre um acidente que o deixa incapacitado para o resto da vida. Nesta condição, ele pressiona a mulher a procurar amantes e lhe contar detalhes de suas relações. Começa o sacrifício da protagonista, que entra em choque com a hipocrisia da comunidade local.

Dialogando com “A Paixão de Joana d’Arc” (1928), a obra-prima de seu conterrâneo Carl Theodor Dreyer, von Trier realiza um contundente drama moral sobre o amor, o sofrimento e a bondade. Sem dúvida, um dos filmes seminais dos anos 1990.

CURIOSIDADE: Com canções de Leonard Cohen, Elton John, David Bowie e Roxy Music, entre outros, o filme marca a estreia da atriz inglesa Emily Watson no cinema. Helena Bonham Carter era a escolha inicial para o papel, mas recusou em razão do conteúdo sexual da história.

EXTRAS:

* Cenas cortadas
* Lars apresenta o filme em Cannes
* Teste da atriz Emily Watson
* Entrevista com Adrian Rawlins
* Trecho de documentário sobre Lars von Trier
* Trailers

BALZAC

DVD duplo com a versão integral da minissérie europeia sobre a vida e a obra do grande escritor francês Honoré de Balzac (1799 – 1850), autor de “Pai Goriot”, “Eugênia Grandet”, “As Ilusões Perdidas”, entre outras obras-primas da Literatura Universal. Uma produção magnífica com grande elenco, incluindo Gérard Depardieu, Jeanne Moreau, Virna Lisi e Fanny Ardant.

A série acompanha a apaixonante vida de Balzac da infância até os seus últimos dias, mostrando a criação da monumental “A Comédia Humana” e de suas principais obras, a grande fama que conquistou na França e na Europa, seus muitos amores, seu relacionamento com a mãe e os vários escândalos nos quais se envolveu.

 

VIVA LA FRANCE! EM DOIS LANÇAMENTOS DA VERSÁTIL

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CHEGOU A VEZ DO CINEMA FRANCÊS NA VERSÁTIL, COM O ANÁRQUICO “MULHERES DIABÓLICAS”, ESTRELADO PELA INSUPERÁVEL ISABELLE HUPPERT, E DOIS FILMES COM A PARTICIPAÇÃO DE GÉRARD DEPARDIEU: O CLÁSSICO “A MULHER DO LADO”, DE FRANÇOIS TRUFFAUT, E “TODAS AS MANHÃS DO MUNDO“.

O DVD duplo “Cinema Francês” apresenta, em inéditas versões restauradas, “A Mulher do Lado” (1981), clássico de François Truffaut com Depardieu e Fanny Ardant vivendo um affair extraconjugal, e “Mulheres Diabólicas” (1995), filme de Claude Chabrol com Huppert e Sandrine Bonnaire premiadas com a Copa Volpi de melhor atriz no Festival de Veneza.

Edição especial com cerca de uma hora de vídeos extras, incluindo especiais e cenas comentadas.

Já “Todas as Manhãs do Mundo“, de Alain Corneau, é um dos títulos franceses mais aguardados em DVD pelos cinéfilos.

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CINEMA FRANCÊS

DISCO 1:

A MULHER DO LADO (“La femme d’à côté”, 1981, 105 min.)
De François Truffaut
Com Gérard Depardieu, Fanny Ardant e Henri Garcin.

La femme d'à côté

Bernard vivia feliz com sua esposa Arlette e seu filho Thomas. Certo dia, o casal Philippe e Mathilde se muda para a vizinhança. Esse encontro reúne Bernard e Mathilde, que haviam sido amantes anos antes. O relacionamento dos dois reascende, complicando a vida de todos.

DISCO 2:

MULHERES DIABÓLICAS (“La Cérémonie”, 1995, 115 min.)
De Claude Chabrol
Com Isabelle Huppert, Sandrine Bonnaire e Jacqueline Bisset.

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Sophie é contratada para ser governanta de uma família rica. Com o passar do tempo, seu comportamento se torna frio e ela faz amizade com a misteriosa Jeanne, o que trará consequências inesperadas. Com forte comentário social, esse suspense dirigido rigorosamente por Chabrol tem atuações memoráveis de Bonnaire e Huppert, que foi premiada com o César de melhor atriz.

EXTRAS:

* Apresentações (6 min.)
* Especiais (50 min.)
* Trailers (3 min.)

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TODAS AS MANHÃS DO MUNDO – ED. ESPECIAL

Vencedor de 7 prêmios César, incluindo melhor filme e diretor, este drama de época de Alain Corneau (“Noturno Indiano”) mergulha no mundo da música erudita, no final do século XVII

Na trama, o Monsieur de Sainte Colombe (Jean-Pierre Marielle), mestre de viola de gamba, regressa a seu lar e descobre que sua mulher faleceu enquanto esteve ausente. Na sua dor, ele constrói uma pequena casa no jardim, na qual viverá para dedicar a sua vida à música e às suas duas filhas, evitando o mundo exterior. Os rumores sobre ele e a sua música chegam à corte de Luís XIV, que o quer tocando na corte, mas ele se recusa. Um dia, um jovem, Marin Marais (Guillaume Depardieu, filho de Gérard) vem vê-lo com um pedido: quer aprender a tocar.

Gérard Diepardieu e seu filho Guillaume (precocemente falecido em ) interpretam o mesmo personagem, ocompositor e celista Marin Marais

Gérard Diepardieu e seu filho Guillaume (1971-2008) interpretam o mesmo personagem, o compositor francês Marin Marais

Desde o longo e emocionante plano-sequência inicial, “Todas as Manhãs do Mundo” é uma linda declaração de amor à música, no estilo de “Amadeus”.

Nos extras, confira o making of da produção.

INÉDITOS NOS CINEMAS, DIRETO PARA A 2001: O SUSPENSE DINAMARQUÊS “ID:A” E MAIS UMA ADAPTAÇÃO DE “ASTÉRIX”

O "thriller nórdico" vem se tornando cada vez mais popular desde o sucesso da trilogia "Millennium" sueca e longas como "Headhunters". "ID:A" é mais um suspense do tipo, prendendo a atenção do espectador com suas reviravoltas e cenas tensas

O “thriller nórdico” vem se tornando cada vez mais popular desde o sucesso da trilogia “Millennium” sueca e longas como “Headhunters”. “ID:A” é mais um suspense do tipo, prendendo a atenção do espectador com suas reviravoltas e cenas tensas

ID:A – Identidade Anônima
(ID:A, DIN, 2012, Cor, 100′)
Paramount – Cinema Europeu – 14 anos
Direção: Christian E. Christiansen
Elenco: Tuva Novotny, Flemming Enevold, Carsten Bjørnlund, Arnaud Binard

Sinopse: Aliena acorda em um rio na França, sem memória e com uma bolsa com 2 milhões de euros. Ela descobre que seu sotaque é dinamarquês e que homens misteriosos a perseguem.

 
Uma mulher dinamarquesa (a sueca Tuva Novotny, de Jalla! Jalla!) acorda sobre as pedras de um riacho francês, apresentando um corte na cabeça. Ela abre a mochila e descobre vários maços de dinheiro, uma arma e o retrato falado de um homem. Essas são as peças que ela, sofrendo de amnésia, e o espectador, terão para elucidar o mistério de ID:A – Identidade Anônima, mais um thriller em voga no cinema nórdico após o sucesso da trilogia Millennium original.

A protagonista fala e pensa em francês, mas tem sotaque dinamarquês. Fragemtnos de memórias de seu passado revelam um crime no qual ela não sabe se está ou não envolvida. Como outra mulher traumatizada após um evento trágico, a Rita de Cidade dos Sonhos, a Ida de ID:A assume a identidade de Aliena, mudando radicalmente o visual.

Ida/Aliena faz um novo amigo em um pequeno vilarejo francês onde se esconde

Ida/Aliena faz um novo amigo (e interesse amoroso) em um pequeno vilarejo francês, onde se esconde

A narrativa é como um quebra-cabeça montado dentro da mente fragmentada de Ida/Aliena, que tem dificuldade em colocar tanta informação num contexto. A ela só resta adaptar-se rapidamente a cada situação, mantendo ainda maior o suspense que envolve ainda alguém muito próximo e um grupo político radical.

Dos mesmos produtores de Melancolia e O Amante da Rainha (previsto para julho na 2001 Vídeo), o filme é um suspense movimentado, com muitas perseguições, reviravoltas, alguns sustos e a violência característica de thrillers como Headhunters.

Superprodução francesa de 61 milhões de euros, o quarto filme da franquia com Gérard depardieu no papel de Obélix diverte jovens e adultos com referências culturais da modernidade em um mundod e fantasia

Superprodução francesa de 61 milhões de euros, o quarto filme da franquia com Gérard depardieu no papel de Obélix é diversão crianças e adultos, trazendo referências culturais da modernidade em um mundo de fantasia

Astérix e Obélix a Serviço de Sua Majestade
(Astérix et Obélix – Au service de Sa Majesté, FRA/ESP/HUN/ITA, 2012, Cor, 110′))
Paris – Cinema Europeu – Verifique a classificação indicativa
Direção: Laurent Tirard
Elenco: Gérard Depardieu, Edouard Baer, Guillaume Gallienne, Vincent Lacoste, Valérie Lemercier, Fabrice Luchini, Catherine Deneuve

Sinopse: 50 anos antes de Cristo, Julio César tem um enorme desejo de conquista. À frente de suas legiões gloriosas, ele decide invadir a Grã-Bretanha. Em pouco tempo, domina todo o território, mas falta a pequena aldeia de Bréton. Seus líderes decidem pedir ajuda a Astérix e Obélix, que irão levar um barril de poção mágica para a aldeia atacada.

 
Quarta adaptação cinematográfica live action com a dupla criada pelos quadrinistas Rene Goscinny e Albert Uderzo, apresentando Edouard Baer no papel de Astérix e, mais uma vez, Gérard Depardieu como o adorável gigante Obélix.

Adaptado das HQs Astérix entre os Bretões (1965) e Astérix e os Normandos (1966), A Serviço de Sua Majestade compila uma série de esquetes cômicos em torno da viagem dos heróis da Gália (antiga França) à Bretanha, o que permite ao roteiro brincar com as diferenças culturais entre franceses e ingleses, cuja rivalidade atravessa séculos de história.

Astérix (Edouard Baer, de "Ervas Daninhas") e Obélix (Gérard Depardieu), em cena com seu cãozinho Ideiafix

Astérix (Edouard Baer, de “Ervas Daninhas”) e Obélix (Gérard Depardieu), em cena com seu cãozinho Ideiafix

Munidos de um barril com sua poção mágica, Astérix e Obélix são a única esperança para os bretões acuados pelo temido exército romano, que estrategicamente ataca sempre às cinco horas da tarde, horário do típico chá inglês. No papel de um megalomaníaco César que faz até terapia, o ator Fabrice Luchini (Potiche) rouba a cena com seus ataques histéricos, enquanto Catherine Deneuve confere sua majestade à Rainha da Bretanha.

Intérprete do marido machista e infiel de Catherine Deneuve em "Potiche", o francês Fabrice Luchini interpreta mais um personagem dominador e extravagente: ninguém menos do que César

Intérprete do marido machista e infiel de Catherine Deneuve em “Potiche”, o francês Fabrice Luchini interpreta mais um personagem dominador e extravagente: ninguém menos do que César, na nova aventura da dupla gaulesa

Muito do humor dessa superprodução provém de preciosos anacronismos que conferem modernidade à fantasia. De referências a questões contemporâneas como a união homoafetiva, ônibus de dois andares e até um sobrinho (para quem o “cabelo penteado não pode parecer penteado”) de Astérix com os maneirismos dos adolescentes de hoje, não faltam piadas de duplos sentido, gags visuais – a violência é de desenho animado, totalmente estilizada – e até clássicos de bandas como Ramones na trilha sonora. Tudo isso 50 anos antes do nascimento de Cristo.

MAIS ASTÉRIX E OBÉLIX NA 2001:

Asterix++ObelixAsterix nos Jogos Olímpicos (2008)
Asterix e os Vikings (2006)
Asterix e Obelix – Missão Cleópatra (2002)
Astérix e Obélix Contra Cesar (1999)
Asterix Conquista a América (1994)
Asterix e a Grande Luta (1989)
Os Doze Trabalhos de Asterix (1976)
Asterix e Cleópatra (1968)
Asterix – O Gaulês (1967)

LANÇAMENTOS DO CINEMA FRANCÊS

ACABAM DE CHEGAR PARA LOCAÇÃO NAS LOJAS DA 2001 VÍDEO DOIS GRANDES SUCESSOS DO CINEMA FRANCÊS: POTICHE – ESPOSA TROFÉU E MINHAS TARDES COM MARGUERITTE, AMBOS ESTRELADOS POR GÉRARD DEPARDIEU.

Mais um reencontro de Catherine Deneuve e Gérard Depardieu no cinema, dessa vez em Potiche, agora disponível em DVD para locação na 2001

Potiche – Esposa Troféu
(Potiche, FRA, 2010, Cor, 102′)
Imovision – Cinema Europeu – 12 anos
De: François Ozon
Com: Catherine Deneuve, Gérard Depardieu, Fabrice Luchini, Jérémie Renier

Sinopse: Suzanne é esposa de Robert Pujol, rico e prepotente dono de uma indústria de guarda-chuvas. Quando os trabalhadores resolvem entrar em greve, ela entra em cena para administrar a situação e, posteriormente, a fábrica.

 

François Ozon (O Amor em 5 Tempos, O Refúgio) transpõe mais uma peça teatral para o cinema após seu 8 Mulheres: Potiche, farsa sobre as mudanças comportamentais dos últimos 30 anos, encenada pela primeira vez em Paris no anos 1980. Ambientado em 1977, Potiche – Esposa Troféu atualiza a peça, transformando sua protagonista em um símbolo feminista relevante ainda hoje.

Visualmente estilizado, com atuações teatrais e ritmo moderno, o filme critica de forma bem humorada o machismo não só no âmbito profissional, mas também no pessoal, e oferece a Catherine Deneuve seu melhor papel em anos. Mais uma vez atuando ao lado de Gérard Depardieu, a eterna “Bela da Tarde” dança e ainda relembra os tempos de Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) e Duas Garotas Românticas (1967), cantando no final.

Catherine Deneuve, a eterna "Bela da Tarde" do cinema

CATHERINE DENEUVE
Musa de alguns dos maiores diretores do cinema europeu, a diva francesa esteve no Brasil em junho desse ano para divulgar a estreia do filme. A seguir, algumas reflexões da atriz, que recusa o carimbo de mito.

Catherine Deneuve durante coletiva de imprensa em São Paulo

SOBRE TRABALHAR COM FRANÇOIS OZON NOVAMENTE
“Primeiramente, já fiz 8 Mulheres com ele. Ele propôs essa peça [Potiche, escrita por Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy] e me contou a história. Achei muito engraçada e aceitei o projeto.”

O REENCONTRO COM GÉRARD DEPARDIEU
“Foi um reencontro para o espectador, mas já fiz vários filmes com ele. Ozon foi muito hábil em usar o nosso passado cinematográfico… Gérard chegou duas semanas após o início das filmagens e já era o personagem, com toda a sua cólera e ao mesmo tempo doçura.”

Catherine e Gérard dançando juntos em cena do filme

POTICHE = OBJETO DE DECORAÇÃO
É verdade que Potiche é um termo irônico que pode se referir a um objeto decorativo. Todos em sua vida já tiveram a oportunidade de ser um objeto, estar ao lado de alguém sem poder expressar suas ideias, opiniões. Homens, inclusive – existem muitos homens-objeto por aí, que só servem de decoração para suas mulheres.”

SOBRE O PAPEL DA MULHER HOJE
“Há mulheres no mundo que trabalham muito mais do que os homens e não ganham salários iguais, uma injustiça. Muita coisa ainda precisa mudar.”

Com seu humor farsesco, Potiche mostra que o machismo - tanto no ambiente de trabalho como no familiar - na década de 1970 continua, infelizmente, muito atual

Minhas Tardes com Margueritte
(La Tête en Friche, FRA, 2010, Cor, 78′)
Imovision – Cinema Europeu – 12 anos
De: Jean Becker
Com: Gérard Depardieu, Gisèle Casadesus, Sophie Guillemin

Sinopse: Cinquentão quase analfabeto, Germain se senta por acaso ao lado de Margueritte em um banco de praça. Aos 95 anos, ela transforma a vida desse homem rústico por meio da magia da literatura.

 

Diretor de Conversas com Meu Jardineiro, o francês Jean Becker sabe como extrair beleza e momentos singelos da simples convivência entre pessoas culturalmente diferentes. Em Margueritte, mais um conto intergeracional toma forma a partir da amizade entre um semianalfabeto (Gérard Depardieu) e a personagem-título, que começa a ler para ele clássicos da literatura como O Velho que Lia Romances de Amor, do chileno Luís Sepúlveda. A troca de afeto e conhecimento entre eles confirma o caráter humanista de um filme que ressalta a importância da leitura para o desenvolvimento humano.

Lições de Vida: Gérard Depardieu e Gisèle Casadesus trocando experiências na praça

+ LANÇAMENTOS COM GÉRARD DEPARDIEU NA 2001:
Ciao Maschio (1978)
Fort Saganne – O Herói do Deserto (1984)
Jean de Florette (1986)
Meu Marido de Batom (1986)

GÉRARD DEPARDIEU

TAMANHO É DOCUMENTO – E TALENTO

Gérard Depardieu nasceu em 27 de dezembro de 1948, na pequena província de Châteauroux (Indre, França), onde teve uma infância extremamente humilde ao lado dos cinco irmãos. Sem perspectivas, largou a escola aos 12 anos de idade, deixou sua família e passou a viver em meio a marginais, prostitutas e contrabandistas. Um amigo lhe mostrou os caminhos da atuação, levando-o a estudar no Teatro Nacional Popular em Paris. O jovem Depardieu começou sua carreira de ator numa pequena companhia de teatro itinerante, ao lado de Patrick Dewaere e Miou-Miou. Em 1965, estreou no cinema francês com o curta-metragem Le Beatnik et le Minet, além de aparecer ocasionalmente em produções de TV. Entre 1972 e 1973, atuou em cerca de dez filmes, sem muita repercussão, até obter notoriedade com o papel de um vagabundo misógino em Corações Loucos, de 1974.

Gérard Depardieu em uma das ousadas cenas de Amores Loucos (disponível na 2001), ao lado de Patrick Dewaere e Brigitte Fossey

O filme provocou escândalo com suas inúmeras cenas de sexo, ajudando a estabelecer um novo tipo de anti-herói no cinema francês: o malandro rústico e sedutor representado pela persona corpulenta do ator.

Versátil, Depardieu trabalhou com alguns dos maiores cineastas da Europa, como Alain Resnais (Stavisky, 1974), Barbet Schroeder (Maîtresse, 1975), Bernardo Bertolucci (1900, 1976), André Téchiné (Barocco, 1976) e Marco Ferreri, cujo Ciao Maschio (1978) acaba de sair em DVD no Brasil.

Gérard Depardieu e Catherine Deneuve em O Último Metrô, que lhe valeu seu primeiro prêmio César de melhor ator

Depois de Meu Tio da América (1980), o cerebral filme-tese de Alain Resnais, Depardieu começou uma nova fase, de prestígio e aclamação crítica por seu trabalho em filmes como O Último Metrô (1980), de François Truffaut, pelo qual conquistou o prêmio César (o Oscar francês), Danton – O Processo da Revolução (1983), de Andrzej Wajda, Sob o Sol de Satã (1987), vencedor da Palma de Ouro em Cannes, e Cyrano de Bergerac (1990), pelo qual recebeu novamente o César, além de sua primeira (e única) indicação ao Oscar de melhor ator.

Depardieu como Cyrano de Bergerac, papel que lhe valeu seu segundo César (França) e o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, além de sua primeira indicação ao Oscar

A delicada comédia dramática Green Card – Passaporte para o Amor (1990), dirigida por Peter Weir, marcou sua primeira incursão no cinema americano, repetida em produções mais comerciais como Meu Pai Herói (1994), Bogus – Meu Amigo Secreto (1996), O Homem da Máscara de Ferro (1998) e 102 Dálmatas (2000).

Depardieu e Yves Montand em Jean de Florette, recém-lançado em DVD no Brasil juntamente com sua continuação, A Vingança de Manon

Em 1996, divorciou-se de Elisabeth Guignot, sua coestrela em Jean de Florette e mãe de seus dois filhos – Julie e Guillaume (1971-2008), também atores. Protagonista de Todas as Manhãs do Mundo (1991), interpretando o mesmo personagem de Gérard na juventude, e, mais recentemente, Stella (2008), Guillaume tinha uma péssima relação com o pai, chegando a ameaçá-lo com uma arma. Os dois trabalharam juntos em Meu Pai, Meu Filho (2002), espécie de expiação de seus problemas afetivos na ficção. Infelizmente, em 13/10/2008, o jovem (e atormentado) ator faleceu, aos 37 anos, em decorrência de uma infecção na perna.

Guillaume Depardieu (1971-2008)

Além de dois restaurantes, Depardieu mantém um vinhedo no Vale do Loire (na França), negócios na Romênia e em Cuba, e já escreveu um livro de culinária. Em 2005, aos 56 anos, anunciou que iria se aposentar – promessa obviamente quebrada. Atuando tanto na Europa quanto nos EUA, Depardieu tem mantido a média de quatro ou cinco filmes por ano, tornando-se um dos atores mais prolíferos do cinema atual. Por isso, a sensação de sempre haver um filme com ele em cartaz. Só neste ano, por exemplo, estrelou três filmes exibidos nos cinemas brasileiros: Minhas Tardes com Margueritte, Potiche – Esposa Troféu e Mamute.

Com Gisèle Casadesus em Minhas Tardes com Margueritte. Grande sucesso de público no circuito de arte em São Paulo, o filme sai para locação em DVD em novembro nas lojas da 2001

e Catherine Deneuve, sua parceira em inúmeros filmes, em Potiche - Esposa Troféu, que também sai para locação na 2001 em novembro

 

Sua versatilidade pode ser atestada ainda em quatro lançamentos em DVD com o ator no auge da carreira nos anos 1970 e 1980: Ciao Maschio (1978), Fort Saganne – O Herói do Deserto (1984), Meu Marido de Batom (1986) e Jean de Florette (1986).

O ator em Jean de Florette

À vontade tanto no drama sério como na comédia de costumes, Gérard Depardieu permanece (sem trocadilho) um dos gigantes do cinema francês.

TOP 10 GÉRARD DEPARDIEU NA 2001

Corações Loucos (1974)
1900 (1976)
O Último Metrô (1980)
A Mulher do Lado (1981)
Danton – O Processo da Revolução (1983)
Jean de Florette (1986)
Cyrano (1990)
Green Card – Passaporte para o Amor (1990)
Balzac (1999)
Quando Estou Amando (2006)

CATHERINE DENEUVE NO BRASIL

Um dos maiores símbolos da França, a musa do cinema europeu participou hoje de coletiva de imprensa em São Paulo para divulgação de Potiche - Esposa Troféu

O Festival Varilux de Cinema Francês foi aberto oficialmente com uma coletiva de imprensa mediada pelo jornalista Luiz Carlos Merten no Hotel Tivoli São Paulo Mofarrej, no início dessa tarde. A 2001 Vídeo esteve presente ao evento, que contou com a presença das atrizes Yahima Torres (Vênus Negra), Sandrine Bonnaire (Xeque-Mate) e a veterana Catherine Deneuve (Potiche – Esposa Troféu).

Aos 67 anos, a estrela de clássicos como Repulsa ao Sexo, A Bela da Tarde e O Último Metrô apareceu em um belo vestido branco estampado com detalhes em azul, bem-humorada e sagaz em suas respostas para a imprensa sobre Potiche – Esposa Troféu. Na nova (e encantadora) comédia de François Ozon (8 Mulheres, Amor em 5 Tempos), a atriz interpreta Suzanne, dona de casa submissa ao misógino marido empresário,  em 1977. Após uma greve sindical e o infarto dele, a personagem assume a administração da empresa, iniciando uma virada pessoal que simboliza a luta atemporal da mulher por respeito e direitos iguais em um universo machista. Como bem colocou Régine Hatchondo, presidente da Unifrance, durante a coletiva: “Podemos concluir que a mulher é o futuro do homem”. Esse é o espírito libertário (e feminista) do filme que faz parte da programação do festival.

Com a presença de Gérard Depardieu, no papel de um antigo amor da personagem de Catherine, e uma cena já clássica com os dois dançando numa boate, Potiche tem tudo para conquistar o público brasileiro e se tornar o novo hit do cinema francês.

Além de cantar, Catherine ainda dança com Gérard Depardieu em Potiche

Mademoiselle Deneuve continua a fascinar diferentes gerações de cinéfilos – e importantes cineastas do cinema europeu como Lars von Trier (Dançando no Escuro), Arnaud Desplechin (Reis e Rainha, Um Conto de Natal), Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi (Persépolis) e agora, pela segunda vez, Ozon, com quem a atriz trabalhou em 8 Mulheres, de 2002.

Catherine Deneuve no meio do belo elenco (Isabelle Huppert, Fanny Ardant) de 8 Mulheres (2002), de François Ozon

Confira abaixo alguns trechos e reflexões da atriz que recusa o carimbo de mito.

Só a diva do cinema francês para fumar despreocupadamente numa sala fechada sem ser importunada

“ícone é uma palavra muito perigosa, pesada para se carregar.”
Catherine Deneuve

SOBRE TRABALHAR COM FRANÇOIS OZON NOVAMENTE
“Primeiramente, já fiz 8 Mulheres com ele. Ele propôs essa peça [Potiche, escrita por Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy] e me contou a história. Achei muito engraçada e aceitei o projeto. Filmamos na Bélgica, foi uma filmagem muito alegre e feliz.”

Duelo de gigantes: Gérard Depardieu e Catherine Deneuve já atuaram em filmes como O Último Metrô (1980), Forte Saganne (1984) e agora se reencontram, para o deleite dos cinéfilos, em Potiche - Esposa Troféu

O REENCONTRO COM GÉRARD DEPARDIEU
“Foi um reencontro para o espectador, mas já fiz vários filmes com ele. Ozon foi muito hábil em usar o nosso passado cinematográfico… Gérard chegou duas semanas após o início das filmagens e já era o personagem, com toda a sua cólera e ao mesmo tempo doçura.”

SOBRE O PAPEL DA MULHER HOJE
“Há mulheres no mundo que trabalham muito mais do que os homens e não ganham salários iguais, uma injustiça. Muita coisa ainda precisa mudar.”

Cena de Potiche: Catherine e Fabrice Luchini (A Garota de Mônaco), impagável como o machista (e histriônico) marido-vilão do filme

DILMA, A PRIMEIRA PRESIDENTE BRASILEIRA
“Sabemos disso e ficamos muito contentes. Quase tivemos uma na França [A socialista Ségolène Royal perdeu as eleições presidenciais de 2007 para Nicolas Sarkozy], mas ainda é muito difícil. Existe um pouco de machismo em todos os homens…”

COMO É APRESENTAR POTICHE EM UM PAÍS DOMINADO POR BLOCKBUSTERS E QUE LUTA PARA EMPLACAR SEUS PRÓPRIOS FILMES
“Há países em que é muito difícil escapar do domínio americano, mas felizmente há distribuidoras que ainda se interessam em lançar produções menos comerciais. Há uma situação de força desproporcional, que é preciso lutar.”

POTICHE = OBJETO DE DECORAÇÃO
É verdade que Potiche é um termo irônico que pode se referir a um objeto decorativo. Todos em sua vida já tiveram a oportunidade de ser um objeto, estar ao lado de alguém sem poder expressar suas ideias, opiniões. Homens, inclusive – existem muitos homens-objeto por aí, que só servem de decoração para suas mulheres.”

SUPOSTAS EXIGÊNCIAS DA ESTRELA
(Sem dúvida, a parte mais descontraída da coletiva)
Questionada sobre boatos de que teria pedido 400 toalhas brancas e cozinheiro particular durante sua estadia no hotel, a diva respondeu:
“400 toalhas brancas? Essa é Sharon Stone, não sou eu. Ah, sim, devo ter pedido 400 toalhas para fazer um colchão bem macio… Minhas extravagâncias eu levo para bem longe daqui.”

RELAÇÃO COM A FILHA [Chiara Mastroianni, de seu relacionamento com Marcello Mastroianni]
“Temos uma relação muito próxima. Sempre quis filhos – tive meu primeiro [Christian Vadim] muito jovem. Lógico que com uma filha a relação é muito mais íntima.

Mãe e filha em cena do musical Les Bien-Aimés, ainda sem previsão de lançamento no Brasil

As duas atuaram juntas em filmes como A Carta, Um Conto de Natal e em breve poderão ser vistas no novo musical de Christophe Honoré (Em Paris, Canções de Amor) – Les Bien-Aimés, exibido no último Festival de Cannes

SEUS SEGREDOS DE BELEZA
“Não me pergunto muito sobre isso. Minha mãe é muito idosa e continua bonita. Acho que existe o elemento genético, também me protejo do sol, bebo muita água, mas não sou uma penitente. Gosto da natureza e das coisas simples.

Merci Deneuve: a atriz em mais uma cena de Potiche, ainda como esposa-troféu

E AQUELES QUE QUISEREM CONHECER UM POUCO MAIS SOBRE A CARREIRA DA ATRIZ PODEM CONFERIR O ACERVO DE LOCAÇÃO DAS LOJAS DA 2001 COM OS FILMES:

Os Guarda-Chuvas do Amor (1964)
Repulsa ao Sexo (1965)
A Bela da Tarde (1967)
Mayerling (1968)
Manon 70 (1968)
A Sereia do Mississipi (1969)
Pele de Asno (1970)
Tristana – Uma Paixão Mórbida (1970)
Dinheiro Sujo / Expresso para Bordeaux (1972)
Não Toque na Mulher Branca (1974)
Marche ou Morra (1977)
O Último Metrô (1980)
Fome de Viver (1983)
Indochina (1992)
Place Vendôme (1998)
O Tempo Redescoberto (1999)
Pola X (1999)
Dançando no Escuro (2000)
A Vingança do Mosqueteiro (2001)
8 Mulheres (2002)
Um Filme Falado (2003)
Reis e Rainha (2004)
Tempos que Mudam (2004)
Marcello – Uma Vida Doce (2006) documentário
Segredos de Cabaré (2006)
Persépolis (2007) voz
Um Conto de Natal (2008)
Diário Perdido (2009)