grande prêmio do cinema brasileiro

“ELIS” E “AQUARIUS” SÃO OS GRANDES VENCEDORES DO GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO

EM CERIMÔNIA REALIZADA ONTEM À NOITE, NO THEATRO MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO, O “OSCAR DO CINEMA NACIONAL” CELEBROU OS MELHORES TRABALHOS E PROFISSIONAIS DA ÁREA, DIVIDINDO A MAIORIA DOS PRÊMIOS ENTRE A CINEBIOGRAFIA “ELIS“, COM OITO TROFÉUS, E O ACLAMADO “AQUARIUS“, VENCEDOR DAS CATEGORIAS DE MELHOR FILME, DIREÇÃO E TRILHA SONORA.

“Elis” levou 8 troféus: atriz (Andréia Horta), montagem, fotografia, trilha sonora original, maquiagem, som, direção de arte e figurino.

Escrito por Luiz Bolognesi, Vera Egito e pelo diretor Hugo Prata, “Elis” condensa a trajetória singular da artista que passou como um furacão pela música brasileira nos anos 1960 e 70, participando ativamente de alguns dos mais importantes momentos da cultura popular do período.

Com primorosa reconstituição de época, o filme faz um recorte da carreira e da vida pessoal da cantora gaúcha, desde sua chegada com o pai ao Rio de Janeiro, em 1º de abril de 1964, quando eclodiu o Golpe Militar. Aos 19 anos, ainda desconhecida, ela conheceu Luiz Carlos Miéle e o sedutor Ronaldo Bôscoli, que se tornaria seu primeiro marido. Outras passagens importantes foram a parceria amorosa e artística com o pianista César Camargo Mariano – que rendeu espetáculos históricos como “Falso Brilhante” -, a maternidade, sua relação conturbada com os militares, e seu trágico final.

Andréia Horta no filme e Elis Regina na capa do disco “Em Pleno Verão”, de 1970

Rodada no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Paris entre agosto e setembro de 2015, a cinebiografia marca a estreia de Prata na direção de longa-metragem. Além de Andréia Horta (da minissérie “Liberdade, Liberdade”) –radiante no papel-título–, o elenco conta com Lucio Mauro Filho (na pele de Miéle), Caco Ciocler (no papel de César Camargo Mariano), Gustavo Machado (Ronaldo Bôscoli), Julio Andrade (o dzi croquette Lennie Dale) e Zécarlos Machado (como Romeu, pai de Elis).

“Intensa, ela foi tragada pela própria labareda”, assim Horta descreve a icônica “Pimentinha” que, passados 35 anos desde sua morte, ainda deixa saudades.

Aclamado pela crítica, “Aquarius” levou os dois prêmios mais importantes – melhor filme e direção (para Kleber Mendonça Filho) — mais trilha sonora.

Um dos trabalhos mais elogiados – e controversos do cinema em 2016 -, “Aquarius” fez sua estreia no Festival de Cannes e concorreu ao César e ao Independent Spirit Awards de melhor filme estrangeiro.

Depois de “O Som Ao Redor” (2012), o diretor e roteirista Kleber Mendonça Filho volta a cutucar conflitos sociais e diferenças de classe no Brasil, por meio do embate vivido por Clara (Sonia Braga), jornalista aposentada que mora em um apartamento do edifício Aquarius, em Recife. Ela é a última moradora do prédio e recusa-se a vender o imóvel para uma construtora, que deseja demolir o local e construir um novo empreendimento.

Coprodução entre Brasil e França, o filme gradativamente constrói a tensão sofrida por Clara, em uma disputa de Davi contra Golias a fim de preservar seu espaço e liberdade de escolha.

Confira a lista completa dos vencedores do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro:

MELHOR FILME
Aquarius

MELHOR FILME – JÚRI POPULAR
Boi Neon

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Cinema Novo / Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil

MELHOR DOCUMENTÁRIO – JÚRI POPULAR
Menino 23 – Infâncias Perdidas no Brasil

MELHOR COMÉDIA
O Shaolin do Sertão

MELHOR DIREÇÃO
Kleber Mendonça Filho (Aquarius)

MELHOR ATOR
Juliano Cazarré (Boi Neon)

MELHOR ATRIZ
Andréia Horta (Elis)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Flávio Bauraqui (Nise – O Coração da Loucura)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Cardoso (De Onde Eu Te Vejo)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
BR 716 / Boi Neon

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Minha Mãe é uma Peça 2 / Big Jato

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
A Chegada

MELHOR FILME ESTRANGEIRO – JÚRI POPULAR
A Garota Dinamarquesa

MELHOR MONTAGEM – FICÇÃO
Elis

MELHOR MONTAGEM – DOCUMENTÁRIO
Cinema Novo

MELHOR FOTOGRAFIA
Boi Neon / Elis

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Elis

MELHOR TRILHA SONORA
Aquarius

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Elis

MELHOR SOM
Elis

MELHOR FIGURINO
Elis

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Pequeno Segredo

MELHOR MAQUIAGEM
Elis

MELHOR CURTA – FICÇÃO
O Melhor Som do Mundo

MELHOR CURTA – DOCUMENTÁRIO
Buscando Helena

MELHOR CURTA – ANIMAÇÃO
Vida de Boneco

MENÇÃO HONROSA – CINEMA INFANTIL
Carrossel 2 – O Sumiço de Maria Joaquina

MAQUIADORA DE HOLLYWOOD, BRUNA NOGUEIRA É ENTREVISTADA PELA 2001

COM QUASE 50 CRÉDITOS NO CURRÍCULO, ENTRE PRODUÇÕES PARA CINEMA (“JOGOS VORAZES – EM CHAMAS“) E TV (“TEEN WOLF”, “CSI NOVA YORK”), A MAQUIADORA BRASILEIRA CONCORRE AO GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO POR “MEU AMIGO HINDU”, ÚLTIMO FILME DIRIGIDO POR HECTOR BABENCO. AUTORA DE “HOLLYWOOD MAKEUP LAB“, LIVRO NO QUAL REVELA DESAFIOS E TÉCNICAS DE SEU OFÍCIO, BRUNA CONCEDEU ENTREVISTA EXCLUSIVA PARA A 2001.

HOLLYWOOD MAKEUP LAB

Atenção: livro em inglês, inédito no Brasil. Edição importada dos EUA.

Você já viu um filme e se perguntou como os magos da maquiagem fazem os personagens parecerem tão autênticos e realistas? Para a artista e chefe de maquiadores Bruna Nogueira, tudo isso faz parte de um dia de trabalho. Neste manual para aspirantes e profissionais da área, a maquiadora brasileira demonstra alguns de seus truques, com muitas dicas e detalhes de bastidores, vivenciados em dez anos de trabalho em sets de filmagem nos EUA.

Coescrito pela cineasta e roteirista Diane Namm, o livro preenche uma lacuna na bibliografia relacionada à sétima arte, dando a chance de conhecermos mais sobre as técnicas – mostradas de forma didática em uma infinidade de fotos – e a importância de um departamento fundamental em qualquer processo de produção audiovisual.

Índice de capítulos do livro

ENTREVISTA COM BRUNA NOGUEIRA

1) Como foi sua trajetória, desde sua formação no Brasil até se tornar maquiadora artística em Los Angeles?

Bruna Nogueira: O Brasil me deu uma grande base para me tornar o que sou hoje nos Estados Unidos: frequentei a Escola Panamericana de Arte, trabalhei no MIS, em produções nacionais. Tudo isso agregou muito quando cheguei nos EUA, onde ingressei de verdade no universo cinematográfico. Ganhei confiança para entender a visão de um diretor, participar da criação de um personagem, foi um upgrade na minha realidade, no meu aprendizado. Hoje sei produzir, conheço a fotografia.

2) A atuação na sua área é mais abrangente do que a maioria das pessoas pensa, vai muito além de ser apenas “maquiadora”. 

BN: A maquiagem vai muito além, é como você cria um personagem, é entendê-lo, suas cores e como iluminá-lo num grande “espelho” que é a tela de cinema. É preciso ter um conhecimento incrível de cores e luzes, nisso a faculdade de cinema que fiz no Brasil me ajudou muito. A gente cria uma ilusão para uma luz, para ficar bonito no cinema. Não é só maquiagem, criamos um personagem com a visão do diretor – e como refletir essa visão é um trabalho muito mais intenso, tem que ser delicado e limpo, com a realidade do personagem refletida ali. Muitas vezes vemos uma maquiagem pesada, e ali não tem uma historia. No cinema temos a maquiagem clean, mais realista, e temos a maquiagem “suja”, de efeito, com sangue, sujeira. Em ambas, tudo ali tem um sentido, uma razão de ser.

3) O que te inspira no seu trabalho?

BN: Usamos as imperfeições para que a maquiagem seja realizada, o olho tem que ser claro, limpo. Enfim, o maquiador no cinema tem que estudar e estar aberto pras novidades, dando continuidade a seu aprendizado. Tem que ser visionário, enxergar além do óbvio, com o olhar das lentes como sua prioridade. Maquiagem eu aprendo todos os dias, e digo que não faço somente a maquiagem, eu faço efeitos especiais, cabelo e estudo muito a luz e as cores. Estou sempre aprendendo a pintar ou esculpir, pois quem faz maquiagem para cinema tem que ter um histórico de vida e muitas experiências.

Quando um diretor te propõe um tipo de trabalho, você precisa ter muita confiança e bagagem para assumir uma responsabilidade que vai muito além do que você imagina, e ter consciência do que o diretor espera, assim como sobre o investimento naquele filme. É a pratica e o estudo que vão determinar seu sucesso e é assim que se chega à perfeição. Enfim, o que te faz um maquiador de verdade, nessa área, é sempre estar aberto às novidades, praticar muito, saber ouvir e não achar que sabe demais.

Passei por uma fase em minha vida em que tive vários maquiadores que admirava e achava incríveis, mas cada um tem sua arte. Por exemplo, não é minha especialidade fazer body paint. Me inspiro em todas as pessoas que vieram antes de mim, em quem faz uma careca maravilhosa ou uma barba realista, ou que cria um monstro maravilhoso. Me inspiro em todos eles, mas no final é sua história, tem algo de mim ali? Sou o reflexo de todos eles, o céu é o limite e a perfeição vem com a prática. Ao mesmo tempo em que nos inspiramos nesses profissionais incríveis, precisamos olhar dentro de nós e encontrar essa luzinha que nos inspira a realizar o nosso melhor.

4) De onde surgiu a ideia de escrever “Hollywood Makeup Lab“? 

BN: Foi uma coisa incrível. As portas do cinema se abriram para mim através da maquiagem, e em 3 anos e meio passei a fazer parte da MPAA (Motion Picture Association of America), que é algo muito difícil de conseguir nesse meio – ainda mais em tão pouco tempo. Então, ao invés de investir em fotografia e ganhar dinheiro com capas de revista ou casamentos, investi meu trabalho em filmes de estudantes que ganharam visibilidade e me levaram ao time de maquiadores da ‘Union Local 706’. Eu era muito jovem, ainda não falava bem inglês e tinha de competir só com feras da área, e então veio a ideia de criar o “Hollywood Makeup Lab”, composto por 10 dias intensivos de workshops com os melhores do meu ofício. Em um dia, por exemplo, vinha o Ed France, o melhor maquiador de careca, noutro o Don Blake para cabelo, e participavam alguns dos melhores maquiadores para ensinar sua arte a pessoas de todo o mundo. Os maquiadores precisavam passar por um teste que exige conhecimentos de cabelo, cicatrizes, etc, passei e tive a ideia do livro. Por que não ensinar a profissionais sem experiência com efeitos o trabalho em séries de TV como “Teen Wolf” ou “CSI”?

O projeto cresceu de uma forma tão grande que fui procurada por uma publicitária de Nova York querendo escrever um livro sobre maquiagem baseado nos workshops. Falei: olha, vocês escolheram a pessoa errada, porque eu não sei falar inglês direito e muito menos escrever um livro. Encontraram então a Diane Hamm para escrever o texto final e fizemos o livro em 1 ano e meio. O mais engraçado foi que disseram “Bruna, achávamos que íamos fazer um livro e não um filme inteiro”, e foi assim que nasceu o “Hollywood Makeup Lab”, e sou muito agradecida por isso.

5) O livro faz parte de uma faceta importante de sua carreira, que é dividir conhecimento, suas experiências, também por meio de cursos… 

BN: Acredito que é muito válido ter um curso de cosmetologia, aprender cabelo, aprender a “fundação” de todo o corpo primeiro. A maquiagem é só um complemento de quem faz cabelo. Na verdade, fazer só maquiagem ou entrar num curso específico de maquiagem não vale tanto à pena se você não souber fazer cabelo. Vai muito além disso e para quem quer aprender efeitos especiais não precisa investir muito dinheiro, pode ser um curso rápido, entende? Pois se você aprender a fazer careca um dia e depois praticar, com o dinheiro que ganhar para fazer uma maquiagem de efeito é possível investir em um LAB. Quem investe muito dinheiro, uma fortuna, para estudar numa escola de efeitos, pode acabar desperdiçando suas economias, porque na verdade você não aprende, guarde seu dinheiro para investir em tua carreira, arrumar emprego nos laboratórios onde se criam as ideias e projetos… e praticar muito.

Aprender com pessoas diferentes todos os dias, com ideias diferentes. Informações de fontes variadas, e não investir numa só escola.

Bruna Nogueira, com uma de suas criações, durante um de seus laboratórios de maquiagem

6) Você já trabalhou tanto em produções independentes como em grandes filmes hollywoodianos. O quanto o tamanho de cada uma interfere no processo de um maquiador?

BN: Trabalhei muito em filmes independentes e ainda continuo, porque foram eles que me trouxeram pra grande tela do cinema, então a gente sempre tem que lembrar dos pequenos, é a partir deles  que nos tornamos grandes e, infelizmente, muitas pessoas que crescem no meio se esquecem disso, de onde vieram, de quem realmente somos.

Imagine, em um projeto de 1 milhão de dólares ou num projeto de mil dólares, você tem que se encaixar naquela realidade, você não cria uma determinada maquiagem como um padrão ou a adapta para aquele investimento. Sua responsabilidade é uma só: a maquiagem deve ter a mesma excelência, a mesma qualidade, tanto em um trabalho menor como em um maior, pois, é teu nome, a tua arte que será avaliada. Muitas vezes questionam que seu valor é muito alto, não é essa a questão, mas sim a busca dessa perfeição. Tenho noção dessa grande responsabilidade e, a partir do momento que assumo isso, o trabalho vai surgindo, sendo criado, nascendo e crescendo dentro de mim… até chegar ao resultado na tela. É como o trabalho de uma bailarina, que sempre busca a perfeição.

7) Como foi trabalhar com Willem Dafoe e, especialmente, Hector Babenco em seu último filme?

BN: Trabalhar com o Willem Dafoe foi incrível porque era um ator que sempre admirei muito e, ainda mais no Brasil, em um ambiente que não era tão familiar para ele, tornou a experiência ainda mais desafiadora. No Brasil teve que ser na cara e na coragem, com a confiança de que eu faria um bom trabalho. Antes de mais nada, foi uma loucura receber o convite, uma ligação, para fazer um trabalho para quem? Hector Babenco, uma lenda do cinema. Ele escolher uma pessoa que vem do outro lado do mundo, que ele nunca viu, para fazer uma versão da vida dele. Tive essa honra, de fazer seu último filme, ainda mais sobre a vida dele! Acho que foi uma das grandes oportunidades que tive no Brasil, esse trabalho veio para provar que estou no caminho certo. Além de ser escolhida por um diretor que fez tantos filmes importantes para a história do cinema, tive a honra de transformar ele no Willem Dafoe. Falam que o Babenco é difícil, mas trabalhar com ele foi incrível, era preciso apenas ouvir o que ele tinha a dizer. Foi incrível e a melhor experiência que eu podia ter no meu país.

Último filme da carreira de Hector Babenco, MEU AMIGO HINDU narra a luta de um cineasta famoso, Diego (Willem Dafoe), para sobreviver a um tumor em estágio avançado. Como Babenco enfrentou, bravamente, na década de 1990. O delicado trabalho de maquiagem de Bruna Nogueira) é fundamental na caracterização de Dafoe — e sua degradação física na tela.

Outra experiência importante foi estar dentro de um hospital por alguns dias, acompanhando a jornada do Babenco, observando e convivendo com os pacientes num momento tão delicado da vida dele. imagine a responsabilidade de representar esse momento do diretor em um ator, o quanto isso pode ter mexido com ele – e ainda ter sua aprovação.

8) Fale sobre a relação de cumplicidade criada entre atores e maquiadores. 

BN: Eu acho que é importante, pois nós criamos os personagens, ficamos com os atores 24 horas, basicamente somos babás deles, desde a hora que chegam no set até a hora que vão embora, trabalhamos no rosto deles o tempo todo. Tem que ter paciência, bom ouvido, tratá-los com muito amor, com atenção — eles estão sensíveis –, e também dar o espaço que eles precisam. Dar confiança para que saibam que estamos ao lado deles o tempo todo, e cuidar bem deles.

9) Com o avanço das novas tecnologias, criou-se também um dilema para o pessoal da sua área, com as imagens em alta definição expondo ainda mais detalhes ou mesmo imperfeições do rosto… 

BN: Acho que gosto da câmera HD, porque ela mostra a realidade, a verdade que nós somos, a verdadeira fotografia dos nossos rostos, não a imperfeição, pois nós não somos imperfeitos. Exige-se muito mais da maquiagem, que deve ser mais clean, definida e sem exageros. Antigamente, tínhamos que olhar um rosto para ser emoldurado, são duas técnicas diferentes. Eu simplesmente amo essa tecnologia, considero um super avanço, e, na realidade, quem é artista deve estar preparado para pintar em qualquer tela.

Participante de um dos Makeup Labs criados por Bruna

10) Há algum tipo de maquiagem que você goste mais de fazer?

BN: Não existe nenhuma maquiagem que eu tenha preferência em fazer, adoro qualquer tipo dela. Se tenho que fazer efeitos especiais, darei 100% de mim, se é maquiagem normal, filme grande, filme pequeno, um casamento, uma criança, enfim, para mim cada trabalho é um trabalho, tem o mesmo valor. Não acredito que uma bailarina só dance melhor quando está sendo bem paga. Nenhum ator é bom só porque está sendo bem pago, não é por aí. É pela sua arte.

11) O que vem por aí para Bruna Nogueira?

BN: Está sendo um ano incrível, com filmes em que tenho mais oportunidade de participar da produção e me dedicar à minha paixão de fazer cinema. Algumas novidades, como um novo longa com Dylan Minnette (estrela de “13 Reasons Why”) chamado “Open House”, e um filme de terror que vai ser a sensação do Halloween, “Tragedy Girls”. Há propostas em andamento para projetos no Brasil, em Atlanta e Roma. E tem muitas novidades pro ano que vem, fecho o atual com muita alegria e muitos finais felizes.

Exemplo do elaborado trabalho de Bruna: cena do terror indie “Tragedy Girls” (2017), ainda inédito no circuito brasileiro

Ainda estou lapidando meus caminhos… que venham os gigantes — e os Oscars que me aguardem (risos).

MINIBIO

Com quase 50 filmes em Hollywood e 10 séries de TV, BRUNA NOGUEIRA é uma das maquiadoras emergentes da indústria audiovisual americana. Entre seus trabalhos estão “Velozes e Furiosos”, “CSI: Nova York”, “Teen Wolf”, e “Jogos Vorazes – Em Chamas”.

Formada em 1997 no curso de cinema da Escola Panamericana de Arte, em São Paulo, Bruna trabalhou com produção artística no MIS (Museu da Imagem e do Som) e desde 2006 integra o time de maquiadores da ‘Union Local 706’, cujos membros são autorizados a trabalhar em sets de filmagens em Los Angeles.

Também é consultora da parte internacional do Prêmio Avon e proprietária da conceituada escola de técnicas para maquiagem com efeitos especiais Hollywood Makeup Lab, que deu origem ao livro homônimo que escreveu. Bruna ainda é designer da linha de pincéis Special FX Brush Set da Sigma Beauty.

De jovem em início de carreira em Sampa à maquiadora artística de sucesso em Hollywood, Bruna trilhou um longo caminho para construir a bagagem e expertise que procura dividir com aspirantes e profissionais de sua área. É dessa troca nos famosos Makeup Labs que ela divide suas experiências, inspirando diferentes gerações de maquiadores a seguir seus sonhos.

GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO 2017

A ACADEMIA BRASILEIRA DE CINEMA DEFINIU A LISTA DOS INDICADOS À 16ª EDIÇÃO DE SUA TRADICIONAL PREMIAÇÃO ANUAL. A CINEBIOGRAFIA “ELIS” LIDERA COM 12 NOMEAÇÕES, SEGUIDA POR “AQUARIUS” (11) E “BOI NEON” (10).

Andréia Horta (“Elis“), Gloria Pires (“Nise – O Coração da Loucura”), Sonia Braga (“Aquarius“), Dan Stulbach (“Meu Amigo Hindu“), Lázaro Ramos (“Mundo Cão“) e o saudoso Domingos Montagner (“Um Namorado para minha Mulher”), entre outros, estão na disputa entre os atores.

Escrito por Luiz Bolognesi, Vera Egito e pelo diretor Hugo Prata, ELIS condensa a trajetória singular da artista que passou como um furacão pela música brasileira nos anos 1960 e 70. Além de Andréia — favorita na categoria de melhor atriz –, o elenco conta com Lucio Mauro Filho (na pele de Miéle), Caco Ciocler (no papel de César Camargo Mariano), Gustavo Machado (Ronaldo Bôscoli), Julio Andrade (o dzi croquette Lennie Dale) e Zécarlos Machado (como Romeu, pai de Elis).

O público pode eleger seus preferidos — nas categorias de “Melhor longa-metragem ficção”, “Melhor longa-metragem documentário” e “Melhor longa-metragem estrangeiro” — pelo voto popular, disponível a partir do dia 1º de agosto através do site www.academiabrasileiradecinema.com.br

Antonio Pitanga e Helena Ignez serão os homenageados da cerimônia, que tem direção de Bia Lessa. O evento acontece no dia 5 de setembro, a partir das 20h, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

FINALISTAS DO GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO 2017

Depois de “O Som Ao Redor” (2012), o diretor-roteirista Kleber Mendonça Filho volta a cutucar conflitos sociais e diferenças de classe no Brasil em AQUARIUS, a partir do embate vivido por Clara (Sonia Braga), jornalista aposentada que mora em um apartamento do edifício Aquarius, em Recife. Ela é a última moradora do prédio e recusa-se a vender o imóvel para uma construtora, que deseja demolir o local e construir um novo empreendimento.

Melhor longa-metragem de ficção

AQUARIUS, de Kleber Mendonça Filho
BOI NEON, de Gabriel Mascaro
ELIS, de Hugo Prata
MÃE SÓ HÁ UMA, de Anna Muylaert
NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA, de Roberto Berliner

Melhor longa-metragem documentário

CÍCERO DIAS, O COMPADRE DE PICASSO, de Vladimir Carvalho
CINEMA NOVO, de Eryk Rocha
CURUMIM, de Marcos Prado
EU SOU CARLOS IMPERIAL, de Renato Terra e Ricardo Calil
MARIAS, de Joana Mariani
MENINO 23 – INFÂNCIAS PERDIDAS NO BRASIL, de Belisario Franca
QUANTO TEMPO O TEMPO TEM, de Adriana L. Dutra

Melhor longa-metragem comédia

BR716, de Domingos Oliveira
É FADA!, de Cris D’Amato
MINHA MÃE É UMA PEÇA 2, de César Rodrigues
O ROUBO DA TAÇA, de Caito Ortiz
O SHAOLIN DO SERTÃO, de Halder Gomes

Vencedor de quatro Kikitos — incluindo melhor ator para Paulo Tiefenthaler — no 44º Festival de Cinema de Gramado, O ROUBO DA TAÇA é inspirado no controverso sumiço da Taça Jules Rimet em 1983. Em ritmo de comédia, o enredo acompanha as peripécias do malandro Peralta (Tiefenthaler) que, junto com seu comparsa, rouba a taça conquistada pelo Brasil na Copa do Mundo de 1970. Taís Araújo e Milhem Cortaz coestrelam.

Melhor direção

AFONSO POYART por Mais forte que o mundo – A história de José Aldo
ANNA MUYLAERT por Mãe só há uma
DAVID SCHURMANN por Pequeno segredo
GABRIEL MASCARO por Boi Neon
KLEBER MENDONÇA FILHO por Aquarius

Melhor atriz

ADRIANA ESTEVES como DILZA por Mundo cão
ANDRÉIA HORTA como ELIS por Elis
GLORIA PIRES como NISE DA SILVEIRA por Nise – o coração da loucura
JULIA LEMMERTZ como HELOISA por Pequeno segredo
SONIA BRAGA como CLARA por Aquarius
SOPHIE CHARLOTTE como SEVERINA por Reza a lenda

Melhor ator

CAIO BLAT como FELIPE por BR716
CAUÃ REYMOND como ARA por Reza a lenda
CHICO DIAZ como GOMEZ por Em nome da lei
DOMINGOS MONTAGNER como CORVO por Um namorado para minha mulher
JULIANO CAZARRÉ como IREMAR por Boi Neon
LÁZARO RAMOS como PAULINHO por Mundo Cão

Depois do sensível romance “Ponte Aérea”, Julia Rezende dirige UM NAMORADO PARA MINHA MULHER, refilmagem da comédia argentina “Um Namorado para Minha Esposa”, de 2008. Na versão brasileira, Caco Ciocler assume o papel de Chico, um homem incapaz de pedir o divórcio para sua esposa, Nena (Ingrid Guimarães), com quem vive há 15 anos. Assim, ele resolve contratar um amante profissional chamado “Corvo” (Domingos Montagner, indicado postumamente ao prêmio) para seduzi-la e força-la a resolver a situação.

Melhor atriz coadjuvante

ALICE BRAGA como SANDRA por Entre idas e vindas
ANDRÉA BELTRÃO como ANA LUCIA por Sob pressão
LAURA CARDOSO como YOLANDA por De onde eu te vejo
MAEVE JINKINGS como ANA PAULA por Aquarius
MAEVE JINKINGS como GALEGA por Boi Neon
SOPHIE CHARLOTTE como GILDA por BR716

Melhor ator coadjuvante

CACO CIOCLER como CÉSAR CAMARGO MARIANO por Elis
DAN STULBACH como MARCOS por Meu amigo hindu
FLAVIO BAURAQUI como OCTÁVIO IGNÁCIO por Nise – o coração da loucura
GUSTAVO MACHADO como RONALDO BÔSCOLI por Elis
IRANDHIR SANTOS como ROBERVAL por Aquarius

Melhor roteiro original

AFONSO POYART e MARCELO RUBENS PAIVA por Mais forte que o mundo – A história de José Aldo
ANNA MUYLAERT por Mãe só há uma
DOMINGOS OLIVEIRA por BR716
GABRIEL MASCARO por Boi Neon
KLEBER MENDONÇA FILHO por Aquarius

Depois do sucesso de público e crítica de “Que Horas Ela Volta?”, Anna Muylaert quebra expectativas em MÃE SÓ HÁ UMA, premiado no Festival de Berlim em 2016. Inspirado no caso real do sequestro de um jovem em Brasília (em 1986), o filme discute temas atuais – como a construção da identidade de gênero – a partir do rito de passagem de Pierre (o estreante Naomi Nero). Aos 17 anos, ele descobre que sua família não é biológica quando a polícia prende sua mãe. Confuso, ele vai atrás de seus pais verdadeiros, interpretados por Matheus Nachtergaele e Dani Nefussi.

Melhor roteiro adaptado

FIL BRAZ e PAULO GUSTAVO – adaptado da peça teatral “Minha mãe é uma peça”, de Paulo Gustavo por Minha mãe é uma peça 2
HILTON LACERDA e ANA CAROLINA FRANCISCO – adaptado do obra “Big Jato”, de Xico Sá – por Big Jato
LUSA SILVESTRE E JULIA REZENDE – adaptado do longa-metragem argentino “Un Novio para mi Mujer” – por Um namorado para minha mulher
NEVILLE D’ALMEIDA e MICHEL MELAMED – adaptado do texto “A frente fria que a chuva traz”, de Mario Bortolotto – por A frente fria que a chuva traz
WALTER LIMA JR – adaptado da obra “A volta do parafuso”, de Henry James – por Através da sombra

Melhor direção de fotografia

ADRIAN TEIJIDO; ABC por Elis
ANDRÉ HORTA por Nise – o coração da loucura
DIEGO GARCIA por Boi Neon
MARCELO CORPANNI; ABC por Reza a lenda
MAURO PINHEIRO JUNIOR por Meu amigo hindu

Melhor maquiagem

ALEX DE FARIAS por Boi Neon
ANNA VAN STEEN por Elis
BRUNA NOGUEIRA por Meu amigo hindu
CRISTIANO PIRES por O Shaolin do sertão
TAYCE VALE por Reza a lenda

Depois de dirigir Bárbara Paz na peça teatral “Hell”, no início da década, Babenco conseguiu finalizar MEU AMIGO HINDU, seu trabalho mais pessoal, no qual exorciza demônios antigos e reflete sobre seu ofício.
O filme narra a luta de um cineasta famoso, Diego (Willem Dafoe), para sobreviver a um tumor em estágio avançado. Como Babenco enfrentou, bravamente, na década de 1990. O delicado trabalho de maquiagem (da indicada Bruna Nogueira) é fundamental na caracterização de Dafoe — e sua degradação física na tela.

Melhor direção de arte

CLOVIS BUENO, ISABEL XAVIER e CAROLINE SCHAMALL por Meu amigo hindu
DANIEL FLAKSMAN por Nise – o coração da loucura
FREDERICO PINTO por Elis
JULIANA RIBEIRO por O Shaolin do sertão
JULIANO DORNELLES e THALES JUNQUEIRA por Aquarius

Melhor figurino

CÁSSIO BRASIL por Reza a lenda
CRISTINA KANGUSSU por Nise – o coração da loucura
CRISTINA CAMARGO por Elis
FLORA REBOLLO por Boi Neon
LUCIANA BUARQUE por O Shaolin do sertão

Melhor efeito visual

BINHO CARVALHO e JOSÉ FRANCISCO; ABC por Reza a lenda
EDUARDO AMODIO por Aquarius
GUILHERME RAMALHO por Elis
MARCELO SIQUEIRA por Pequeno segredo
MARI FIGUEIREDO por Mais forte que o mundo – A história de José Aldo

Após chamar a atenção do mercado internacional com “Dois Coelhos” (2012), Afonso Poyart dirigiu em Hollywood o thriller “Presságios de Um Crime” (2015). De volta ao Brasil, realizou MAIS FORTE QUE O MUNDO – A HISTÓRIA DE JOSÉ ALDO, cinebiografia do lutador amazonense que se tornou o primeiro campeão peso-pena do UFC. Com edição ágil e ritmo frenético, o filme acompanha Aldo (José Loreto) desde seus dias sem rumo em Manaus, passando por seu recomeço no Rio de Janeiro, até as primeiras vitórias que o levariam a se tornar campeão da modalidade.

Melhor montagem ficção

EDUARDO SERRANO por Aquarius
FERNANDO EPSTEIN e EDUARDO SERRANO por Boi Neon
GUSTAVO GIANI por Meu amigo hindu
KAREN HARLEY; EDT por Big Jato
TIAGO FELICIANO; AMC por Elis

Melhor montagem documentário

ALEXANDRE LIMA; EDT por Curumim
GABRIEL MEDEIROS por Geraldinos
JORDANA BERG; EDT por Eu sou Carlos Imperial
RENATO VALLONE por Cinema Novo
YAN MOTTA por Menino 23 – infâncias perdidas no Brasil

Melhor som

ALFREDO GUERRA e ÉRICO PAIVA por O Shaolin do sertão
FABIAN OLIVER, MAURICIO D’OREY e VICENT SINCERETTI por Boi Neon
GABRIELA CUNHA, DANIEL TURINI, FERNANDO HENNA e PAULO GAMA por Sinfonia da necrópole
JORGE REZENDE, ALESSANDRO LAROCA, ARMANDO TORRES JR. e EDUARDO VIRMOND LIMA por Elis
NICOLAS HALLET e RICARDO CUTZ por Aquarius
PAULO RICARDO NUNES, MIRIAM BIDERMAN; ABC, RICARDO REIS e PAULO GAMA por Reza a lenda

BOI NEON é o segundo longa de ficção do cineasta pernambucano Gabriel Mascaro (de “Ventos de Agosto”), premiado nos festivais de Havana, Rio de Janeiro, Toronto e Veneza. A história segue o vaqueiro Iremar (Juliano Cazarré, indicado a melhor ator), que sonha em entrar para o mundo da moda. O filme ganhou destaque na imprensa internacional, com críticas elogiosas em publicações como Variety e IndieWire, e provocou polêmica em torno da nudez do protagonista.

Melhor trilha sonora original

ALCEU VALENÇA por A luneta do tempo
ANTONIO PINTO por Pequeno segredo
DJ DOLORES por Big Jato
JAQUES MORELENBAUM por Nise – o coração da loucura
OTAVIO DE MORAES por Elis

Melhor trilha sonora

ALEXANDRE GUERRA por O vendedor de sonhos
BERNARDO UZEDA por Mate-me por favor
DOMINGOS OLIVEIRA por BR716
MATEUS ALVES por Aquarius
MAURICIO TAGLIARI por Mundo cão

Melhor longa-metragem estrangeiro

A CHEGADA/ Arrival – dirigido por Denis Villeneuve
A GAROTA DINAMARQUESA / The Danish Girl – dirigido por Tom Hooper
ANIMAIS NOTURNOS/ Nocturnal Animals – dirigido por Tom Ford
ELLE/ Elle – dirigido por Paul Verhoeven
O FILHO DE SAUL/ Son of Saul – dirigido por László Nemes
SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS / Spotlight – dirigido por Tom McCarthy

Vencedor do Oscar de melhor edição de som, A CHEGADA confirma o canadense Denis Villeneuve como um dos melhores cineastas da atualidade. Na trama, 12 misteriosas naves de formato oval pairam sobre diferentes países da Terra, imóveis no ar. Nos EUA, a linguista Louise Banks (Amy Adams) é chamada pelos militares para decodificar os sinais transmitidos pelo alienígenas e desvendar se eles representam uma ameaça. Disponível em DVD e Blu-ray na 2001

Melhor curta-metragem animação

CARTAS de David Mussel
O CAMINHO DOS GIGANTES de Alois Di Leo
O PROJETO DO MEU PAI de Rosaria Maria
QUANDO OS DIAS ERAM ETERNOS de Marcus Vinicius Vasconcelos
TANGO de Francisco Gusso e Pedro Giongo
VENTO de Betânia Furtado
VIDA DE BONECO de Flávio Gomes

Melhor curta-metragem documentário

A MORTE DO CINEMA de Evandro de Freitas
ABISSAL de Arthur Leite
AQUELES ANOS DE DEZEMBRO de Felipe Arrojo Poroger
BUSCANDO HELENA de Ana Amélia Macedo e Roberto Berliner
ÍNDIOS NO PODER de Rodrigo Arajeju
ORQUESTRA INVISÍVEL LET’S DANCE de Alice Riff

Melhor curta-metragem ficção

A MOÇA QUE DANÇOU COM O DIABO de João Paulo Miranda Maria
CONSTELAÇÕES de Maurílio Martins
E O GALO CANTOU de Daniel Calil
NÃO ME PROMETA NADA de Eva Randpolph
O MELHOR SOM DO MUNDO de Pedro Paulo de Andrade

Obs. Todos os filmes em destaque nas fotos estão disponíveis para venda no acervo da 2001 (é só clicar na imagem para ser direcionado ao site).

EM DVD NA 2001, DEZ FILMES INDICADOS AO 15º GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO

CapaPremio

FORAM DIVULGADOS OS INDICADOS À 15ª EDIÇÃO DO GRANDE PRÊMIO DO CINEMA BRASILEIRO, QUE ACONTECE NO THEATRO MUNICIPAL, DO RIO DE JANEIRO, EM 4 DE OUTUBRO.

O drama “Que Horas Ela Volta?“, de Anna Muylaert, e a cinebiografia “Chatô – O Rei do Brasil”, de Guilherme Fontes, tiveram o maior número de nomeações ao prêmio, 14 e 12, respectivamente. E o ator, diretor e produtor Daniel Filho será o grande homenageado da cerimônia.

Até o dia 9 de setembro o público poderá votar no site www.academiabrasileiradecinema.com.br – além de conferir a lista completa dos nomeados – e escolher os vencedores nas categorias “Melhor longa-metragem de ficção”, “Melhor longa-metragem documentário” e “Melhor longa-metragem estrangeiro”.

A seguir, 10 longas indicados ao maior prêmio do cinema nacional, disponíveis em DVD na 2001:

QUE HORAS ELA VOLTA?

mainha.html

Um dos filmes brasileiros mais aclamados (e comentados) de 2015, escrito e dirigido por Anna Muylaert (de “Durval Discos” e “É Proibido Fumar”), com Regina Casé e Camila Márdila premiadas na mostra World Cinema do Festival de Sundance. Em sensível atuação, Casé interpreta Val, empregada de uma família no bairro do Morumbi. Depois de anos, ela recebe a filha Jéssica, que deixa o interior de Pernambuco para prestar vestibular em São Paulo.

14 indicações: melhor longa-metragem de ficção, direção, atriz (Regina Casé), atriz coadjuvante (Camila Márdila), ator coadjuvante (Lourenço Mutarelli), roteiro original, fotografia, montagem, direção de arte, figurino, montagem, efeito visual, trilha sonora original e som.

AUSÊNCIA

2

Sete anos depois de sua aclamada estreia na direção de longa (ficção), com “A Casa de Alice”, Chico Teixeira retorna com este retrato do rito de passagem de um jovem à deriva. Aos 14 anos, Serginho (Matheus Fagundes) é mais maduro que outros de sua idade. Ele cuida do irmão mais novo e da mãe alcoólatra, em meio a perdas e sua busca por uma figura paterna. Exibido no Festival de Berlim e premiado com Kikito de melhor filme brasileiro em 2015.

4 indicações: melhor longa-metragem de ficção, direção (Chico Teixeira), ator (Irandhir Santos) e trilha sonora original.

SANGUE AZUL

3

Premiado nos festivais de Paulínia e do Rio de Janeiro, o filme abriu a mostra Panorama no Festival de Berlim. Temendo uma relação incestuosa entre seus filhos Raquel e Pedro, Rosa dá a guarda do garoto, então com 10 anos, para Kaleb, dono de um circo. Vinte anos depois, Pedro (Daniel de Oliveira) volta com o nome artístico Zolah, homem-bala e estrela do circo Netuno. Direção de Lírio Ferreira (“Árido Movie”) e bela fotografia de Mauro Pinheiro Jr., com locações na ilha de Fernando de Noronha.

3 indicações: melhor longa-metragem de ficção, fotografia e direção de arte.

O DUELO

4

Baseado na obra “Os Velhos Marinheiros”, de Jorge Amado, o filme apresenta o comandante Vasco Moscoso de Aragão, que chega à vila costeira de Periperi e logo conquista a todos no local. Só que o fiscal Chico Pacheco desconfia do forasteiro e começa a investigar sua vida. Direção de Marcos Jorge (“Estômago”), com ótimo elenco: Joaquim de Almeida, o saudoso José Wilker (1946-2014), Milton Gonçalves e Patrícia Pillar.

1 indicação: melhor roteiro adaptado.

PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO 2

5

Quase 20 anos depois da estreia de “Pequeno Dicionário Amoroso”, a diretora Sandra Werneck retoma os personagens de Gabriel (Daniel Dantas) e Luiza (Andréa Beltrão). Separados há quinze anos, os dois se reencontram: Luíza casou-se novamente e teve um filho, enquanto Gabriel teve várias namoradas e hoje vive com uma mulher mais jovem. Glória Pires, Fernanda Vasconcellos e Eduardo Moscovis completam o elenco.

1 indicação: melhor longa-metragem comédia.

CÁSSIA ELLER

6

Documentário de Paulo Henrique Fontenelle (“Loki – Arnaldo Baptista”) que recupera força da cantora, falecida em 2001 aos 39 anos, por meio de imagens de arquivo e depoimentos que relembram sua trajetória. Um dos grandes nomes da música brasileira, Cássia Eller rompeu barreiras na década de 1990 com suas opiniões e performances explosivas. Em DVD e Blu-ray.

4 indicações: Melhor longa-metragem documentário, montagem de documentário, som e trilha sonora.

ÚLTIMAS CONVERSAS

7

Realizado a partir de entrevistas feitas por Eduardo Coutinho com jovens cursando o terceiro ano do ensino médio em escolas públicas, o filme busca entender como pensam, sonham e vivem os adolescentes. Morto em fevereiro de 2014, antes do início da montagem, o cineasta chegou a ver todo o material filmado e deixou um caderno com anotações feitas a partir das transcrições das entrevistas. Filme de abertura do Festival É Tudo Verdade em 2015.

2 indicações: melhor longa-metragem documentário e direção (Eduardo Coutinho).

A FLORESTA QUE SE MOVE

8

Com as comemorações em torno dos 400 anos da morte de William Shakespeare neste ano, vale a pena conferir esta versão brasileira da peça “Macbeth”, transposta para os dias de hoje pela roteirista Manuela Dias (“Justiça”) e o diretor Vinicius Coimbra. Nesta modernização da tragédia shakespeariana, Gabriel Braga Nunes interpreta Elias, executivo de um grande banco e Ana Paula Arósio é Clara, sua esposa. A partir das previsões de uma “bordadeira misteriosa”, os dois tramam a ascensão sangrenta de Elias rumo à presidência da corporação.

1 indicação: melhor ator coadjuvante (Ângelo Antônio).

OPERAÇÕES ESPECIAIS

9

O filme acompanha a jornada de Francis (Cléo Pires), que entra para a Polícia Civil do Rio de Janeiro. Depois de muito serviço burocrático, ela é escalada para o serviço de operações especiais, chefiado pelo delegado Paulo Fróes (Marcos Caruso). O grupo atua no combate à corrupção das UPPs na cidade fictícia de São Judas do Livramento. Ainda no elenco estão Fabrício Boliveira, Thiago Martins e Fabiula Nascimento.

1 indicação: melhor atriz coadjuvante (Fabiula Nascimento).

LINDA DE MORRER

10

Dirigido por Cris D’Amato (de “S.O.S. – Mulheres ao Mar“), o filme apresenta Gloria Pires no papel de Paula, uma dermatologista que, obcecada pela ideia do corpo perfeito, cria a cura para a celulite. Comédia acima da média, valorizada pela presença de Gloria, além de Vivianne Pasmanter, Ângelo Paes e Susana Vieira no elenco.

1 indicação: melhor efeito visual.