Irmãos Dardenne

NOVIDADES DO CINEMA ARGENTINO E DO EUROPEU NA 2001

INSEPARÁVEIS (2016)

Marcos Carnevale (“Elsa & Fred”) dirige esta refilmagem argentina do sucesso francês “Intocáveis” (2011), com Oscar Martínez (“Relatos Selvagens”) no papel de Felipe, um rico empresário que fica tetraplégico após acidente. À procura de um novo assistente terapêutico, ele contrata o jovem Tito (Rodrigo de la Serna, de “Diários de Motocicleta”), sem qualquer experiência para a função.

NEVE NEGRA

Ambientado nas colinas geladas da Patagônia, este thriller argentino conta com dois astros de “Relatos Selvagens”: Ricardo Darín e Leonardo Sbaraglia. Darín interpreta Salvador, um fazendeiro que vive afastado da civilização em uma fazenda na região. A visita inesperada de seu irmão Marcos (Sbaraglia), a fim de convencê-lo a vender as terras da família, reacende antigos ressentimentos e segredos.

FRANTZ

Mais um belo trabalho do francês François Ozon, indicado em três categorias do European Film Awards: escolha do público, atriz (Paula Beer) e roteiro. A história se passa logo após o fim da I Guerra Mundial e acompanha Anna (Beer, premiada em Veneza), uma jovem alemã que perde o noivo no front. Um dia, surge Adrien (Pierre Niney), um ex-soldado francês que afirma ter feito amizade com o morto.

A GAROTA DESCONHECIDA

Indicado à Palma de Ouro em 2016, o filme é mais um exemplo do humanismo social da dupla de cineastas belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (“Rosetta“). Os irmãos Dardenne mostram a crise de consciência de Jenny (Adèle Haenel), jovem médica perturbada pela morte de uma imigrante africana, que na noite anterior procurou sua clínica, mas não foi atendida, pois o expediente havia encerrado.

SAINT AMOUR – NA ROTA DO VINHO

Depois do romântico “Paris Pode Esperar” (com Diane Lane), mais um road movie percorre a França. Em ritmo de comédia de erros, “Saint Amour” explora o conflito de gerações entre Jean (Gérard Depardieu) e Bruno (Benoît Poelvoorde, também diretor e roteirista), pai e filho fazendeiros que embarcam numa turnê por vinícolas no interior francês. Juntos com seu motorista, os dois passam por várias brigas e descobertas em busca de reconciliação.

MONSIEUR E MADAME ADELMAN

Com muito lirismo e humor irônico, o drama francês aborda o relacionamento de quatro décadas entre Sarah (Doria Tillier) e Victor (Nicolas Bedos, diretor e roteirista do filme). No funeral dele, Sarah é abordada por um jornalista que deseja contar a história de seu marido, um renomado escritor. A partir daí, o espectador tem acesso às diferentes fases desse longo relacionamento – e o que é melhor, pelo olhar feminino.

ROCK N’ROLL – POR TRÁS DA FAMA

Casados na vida real, Guillaume Canet e Marion Cotillard brincam com suas personas públicas nesta comédia metalinguística dirigida e escrita pelo próprio ator. Na trama, Canet, com 43 anos, é confrontado por uma repórter, que sugere que o ator está ultrapassado e não pode concorrer com os jovens de sua geração. Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2017.

NA CAMA COM VICTORIA

Uma amalucada comédia francesa com Virginie Efira (indicada ao César de melhor atriz) no papel de Victoria, uma advogada metida em inúmeras confusões. A personagem está à beira de um ataque de nervos e, durante um casamento, encontra três homens que irão bagunçar sua vida: seu ex-marido, seu amigo Vincent – acusado de tentativa de homicídio – e Sam, um ex-traficante de drogas.

RODIN

Indicado à Palma de Ouro, o filme traz Vincent Lindon (“O Valor de um Homem“) no papel do escultor Auguste Rodin (1840- 1917). Em 1880, Rodin recebe a encomenda de ‘A Porta do Inferno’, obra composta de esculturas como O Beijo e O Pensador. Ele vive com Rose, sua eterna companheira, quando conhece a jovem Camille Claudel (1864-1943), que se torna sua aprendiz e amante.

CARTAS DA GUERRA

Esta produção de época foi escolhida por Portugal para representar o país na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2016. Baseado nas cartas reunidas no livro de memórias “D’Este Viver Aqui Neste Papel Descripto”, de António Lobo Antunes, o longa rememora as experiências do autor como médico em Angola durante a guerra colonial, na década de 1970.

“ROSETTA”, EXEMPLO DO HUMANISMO SOCIAL DOS IRMÃOS DARDENNE

CRONISTAS DA CLASSE TRABALHADORA EUROPEIA EM CRISE, OS CINEASTAS (E IRMÃOS) BELGAS GANHARAM SUA PRIMEIRA PALMA DE OURO NO FESTIVAL DE CANNES POR “ROSETTA“, DRAMA SOCIAL MARCADO PELO MINIMALISMO NARRATIVO SEM CONCESSÕES DA DUPLA.

Jean-Pierre e Luc Dardenne
DESPOJAMENTO EM BUSCA DA CONSCIÊNCIA

Jean-Pierre Dardenne nasceu em Liége (Bélgica), em 21/4/1951. Seu irmão, Luc Dardenne, em 10/3/1954, em Awirs (também na Bélgica). Os dois produzem, escrevem e dirigem seus filmes. Em 1978, realizaram o primeiro de seus documentários, “Le Chant du Rossignol’, até que em 1996 estrearam na direção de longa de ficção com “A Promessa”, filme que já abordava a situação de imigrantes na Bélgica. A consagração internacional veio três anos depois, com a Palma de Ouro em Cannes por “Rosetta“, premiação repetida com “A Criança” em 2005.

Afeitos a questões sociais e atentos à realidade europeia, os Dardenne criaram um estilo próprio, marcado pelo despojamento estético, filmagens em continuidade, uso de atores amadores no elenco, ausência de trilha sonora e câmera muito próxima dos atores. Como se ouvíssemos sua respiração, seus atores precisam comer, sentir frio, brigar, correr; enfim, viver todas as emoções de seus personagens.

Como a jovem Rosetta (Émilie Dequenne, melhor atriz em Cannes), que vive num trailer com sua mãe alcóolatra e agressiva (Anne Yernaux). Ela sai diariamente à procura de trabalho, desesperada em sua guerra pessoal por uma oportunidade. Para Rosetta, vale qualquer coisa a fim de sair da pobreza.

Em busca de um minimalismo narrativo sem concessões para o espectador, os irmãos Dardenne tornaram-se mestres do realismo social, sem cair no melodrama barato. “Rosetta” ilustra uma situação cada vez mais atual – especialmente em tempos de crise: a falta de oportunidades para os menos favorecidos, em meio a perda de humanidade na luta inglória pela sobrevivência.

EXTRAS:

* Entrevista especial com Jean-Pierre e Luc Dardenne (60 minutos)
* Entrevista com os atores Emilie Dequenne e Olivier Gourmet (18 min.)
* Trailer Original (1 min.)

E VEJA TAMBÉM, DOS MESMOS DIRETORES:

DOIS DIAS, UMA NOITE

Antes de disputarem a Palma de Ouro em 2016 com “A Garota Desconhecida”, Jean-Pierre e Luc Dardenne dirigiram este dilacerante relato da luta de uma operária (Marion Cottilard, do recente “Aliados“, em pré-venda na 2001) para reverter, em apenas um fim de semana, votação na qual seus colegas decidiram optar por um bônus salarial em troca de sua demissão. Por sua interpretação emocionante, Cotillard recebeu sua segunda indicação ao Oscar de melhor atriz – prêmio que levou em 2008 por “Piaf – Um Hino ao Amor“.

Festival de Cannes 2014

De 14 a 25 de maio, acontece o maior festival de cinema do mundo, apresentando novos trabalhos de cineastas consagrados como os irmãos Dardenne (Jean Pierre Dardenne e Luc Dardenne), Mike Leigh, Ken Loach, David Cronenberg, Nuri Bilge Ceylan, Olivier Assayas e Jean-Luc Godard, que nunca levou uma Palma de Ouro.

Pela primeira vez na história do festival, uma diretora genuína irá presidir o júri: a neozelandeza Jane Campion, única mulher a receber a Palma de Ouro, por “O Piano”, em 1993. E outra grande artista é destaque – Sophia Loren, convidada de honra do evento. Confira abaixo a seleção oficial dos candidatos à Palma de Ouro deste ano:

“Adieu au langage”, de Jean-Luc Godard

“Captives”, de Atom Egoyan

“Sils Maria”, de Olivier Assayas

“Maps to the Stars”, de David Cronenberg

“Foxcatcher”, de Bennett Miller

“The Homesman”, de Tommy Lee Jones

“Jimmy’s Hall”, de Ken Loach

“La Meraviglie”, de Alice Rohrwacher

“Leviathan”, de Andrei Zvyagintsev

“Mommy”, de Xavier Dolan

“Mr. Turner”, de Mike Leigh

“Saint Laurent”, de Bertrand Bonello

“The Search”, de Michel Hazanavicius

“Futatsume No Mado – Still the Water”, de Naomi Kawase

“Deux Jours, Une Nuit”, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

“Relatos Selvajes”, Damian Szifron “Kis Uykusu – Winter Sleep”, de Nuri Bilge Ceylan

“Timbuktu”, de Abderrahmane Sissako

Pela primeira vez na história do festival, uma diretora genuína irá presidir o júri: a neozelandesa Jane Campion, única mulher a receber a Palma de Ouro, por “O Piano“, em 1993.

Enquanto os filmes do atual Festival de Cannes não chegam ao Brasil, selecionamos 12 trabalhos premiados nas edições de 2012 e 2013, incluindo dois vencedores da Palma de Ouro: “Amor” e “Azul é a Cor Mais Quente”.

SALVO – UMA HISTÓRIA DE AMOR DE AMOR E MÁFIA

Elogiado pela crítica, o drama dos italianos Fabio Grassadonia e Antonio Piazza conquistou o GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA E O TROFÉU REVELAÇÃO NO FESTIVAL DE CANNES EM 2013. A trama segue os passos de Salvo, implacável assassino encarregado de matar um desafeto da máfia siciliana. Prestes a executar seu alvo, ele se depara com a irmã da vítima, uma jovem cega, e uma estranha relação se estabelece entre eles.

LAURENCE ANYWAYS

“Menino-prodígio” do cinema canadense, Xavier Dolan dirigiu seu 1º longa, “Eu Matei Minha Mãe“, aos 19 anos, e o segundo, “Amores Imaginários“, aos 20. Só mesmo ele para contar de forma exuberante a trajetória de um homem que decide mudar de sexo no drama estrelado por Melvil Poupaud e Suzanne Clément – premiada como MELHOR ATRIZ NA MOSTRA ‘UM CERTO OLHAR’ NO FESTIVAL DE CANNES DE 2012.

INSIDE LLEWYN DAVIS – BALADA DE UM HOMEM COMUM

VENCEDOR DO GRANDE PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES, o filme dos irmãos Joel e Ethan Coen concorreu ao Oscar de melhor fotografia e mixagem de som. O longa é um estudo de personagem, centrado na trajetória de um músico folk autodestrutivo que luta para sobreviver em meio à cena folk do bairro de Greenwich Village, em Nova York, no começo dos anos 1960.

AZUL É A COR MAIS QUENTE

Livremente baseado na HQ homônima, o filme tem direção de Abdellatif Kechiche (“O Segredo do Grão”) e acompanha o rito de passagem da jovem Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Emma (Léa Seydoux, de “Adeus, Minha Rainha”). Com uma longa sequência de sexo explícito entre as protagonistas, o longa causou furor e polêmica no Festival de Cannes, de onde saiu com a PALMA DE OURO – dividida, pela primeira vez na história, entre o diretor e suas duas atrizes principais.

A PARTE DOS ANJOS

Depois do thriller político “Rota Irlandesa”, Ken Loach retorna ao território de seus dramas sociais sobre a classe trabalhadora inglesa. VENCEDOR DO PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o diretor acompanha quatro desajustados condenados a prestar serviço comunitário em Glasgow. De um panorama da falta de oportunidades, o filme ganha tom leve quando os amigos planejam roubar litros de um uísque raro.

INDOMÁVEL SONHADORA

Ovacionado no Festival de Sundance 2012, o longa passou por Cannes no mesmo ano e levou o PRÊMIO DA MOSTRA ‘UM CERTO OLHAR’, O JÚRI ECUMÊNICO E A CAMERA D’OR DE FILME ESTREANTE. Em Cannes já se falava em “Indomável Sonhadora” como possível azarão no Oscar 2013 e não deu outra: indicações nas categorias de melhor filme, direção (Benh Zeitlin), atriz e roteiro adaptado.

NO

PREMIADO NA QUINZENA DOS REALIZADORES DO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o drama político reconstitui os bastidores do plebiscito realizado no Chile em 1988 para decidir a permanência do ditador Augusto Pinochet no governo. Mais do que a política, “No” mostra a força da publicidade em uma campanha eleitoral, sendo o 3º trabalho do diretor chileno Pablo Larraín (“Tony Manero”) a investigar a ditadura de Pinochet.

AMOR

Duas lendas do cinema francês — Emmanuelle Riva (“Hiroshima Mon Amour“) e Jean-Louis Trintignant (“Z”) — vivem a comovente história de um casal que precisa lidar com a dor e a morte no dilacerante drama de Michael Haneke (“A Fita Branca”). Coestrelado por Isabelle Huppert (no papel da filha do casal), “Amor” conquistou o Oscar de melhor filme estrangeiro e a PALMA DE OURO NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012.

REALITY – A GRANDE ILUSÃO

De volta à periferia de Nápoles depois de escancarar a máfia italiana em Gomorra, o diretor-roteirista Matteo Garrone lança em “Reality” um olhar crítico ao culto às celebridades que impregna a cultura popular. VENCEDOR DO GRANDE PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o filme mostra um peixeiro sonhador que participa de uma pré-seleção do programa Grande Fratello, a versão do Big Brother na Itália.

HOLY MOTORS

VENCEDOR DO PRÊMIO DA JUVENTUDE NO FESTIVAL DE CANNES, o longa foi a sensação do festival, sendo aclamado pela crítica como um dos melhores filmes de 2012. É o retorno do provocador cineasta francês Leos Carax, ausente da direção de longa desde “Pola X” (1999), apresentando a jornada surreal de um rico empresário (Denis Lavant, de “Tokyo!”) e suas diferentes personas por Paris.

ENTREVISTA EXCLUSIVA: JEAN-PIERRE DARDENNE (“O GAROTO DA BICICLETA”)

O Garoto da Bicicleta
REALISMO EM BUSCA DA EMOÇÃO

Em virtude do lançamento de O Garoto da Bicicleta em DVD na 2001, entrevistamos Jean-Pierre Dardenne, diretor do filme ao lado de seu irmão, Luc

O cineasta belga Jean-Pierre Dardenne discute seu trabalho mais recente e seus métodos de trabalho ao lado do irmão, Luc, em entrevista exclusiva para a Revista da 2001 Vídeo de Maio.

Por Eduardo Lucena

2001: Como surgiu o projeto de O Garoto da Bicicleta?
Jean-Pierre Dardenne: A ideia veio por meio de uma notícia que lemos durante uma viagem ao Japão, sobre um garoto que tinha sido abandonado em um orfanato por seu pai, que prometeu ir buscá-lo, mas não foi. O garoto acabou fugindo para procurar o pai.

No tapete vermelho do Festival de Cannes em 2011, Jean-Pierre, Thomas Doret, Cécile De France e Lud Dardenne

2001: Onde vocês acharam o ótimo Thomas Doret, intérprete do garoto do título?
JPD: Fizemos testes com diversos atores para achar aquele que seria o protagonista. Thomas foi o quinto garoto do primeiro dia de testes. Todos os garotos interpretavam a primeira cena do filme (de uma maneira mais simplificada, é claro). Quando vimos a atuação de Thomas falando ao telefone, soubemos imediatamente que ele seria o protagonista. Ele demostrou uma força e uma sensibilidade que nos impressionaram.

2001: Além de filmar pela primeira vez no verão, há também algumas inserções de trilha sonora, algo que vocês costumam evitar. Por que essas exceções agora?
JPD: Achamos que a luz do filme combinava mais com o verão. Mesmo na Bélgica, nem sempre faz sol no verão, mas tivemos sorte em filmar algumas cenas, como as de Cécile De France e Thomas Doret passeando de bicicleta ao ar livre. A luz e a estética do filme combinavam com essa estação. Em relação à música, queríamos que ela funcionasse como um carinho para o personagem. Essa criança, que foi abandonada, precisa de carinho. Ela não vive como uma criança deveria viver. Ela precisa sair dessa solidão e queríamos que a música viesse pontualmente, como uma forma de acariciar essa criança que vive essa dura realidade.

Thomas Doret e Cécile De France em cena do filme mais solar e esperançoso dos irmãos Dardenne

2001: Novamente, há uma mistura de atores profissionais com estreantes. Fale sobre o processo de ensaios e a imersão dos atores.
JPD: Trabalhamos basicamente com ensaios. Nós ensaiamos diariamente com os atores todas as cenas, um mês antes do início das filmagens. Primeiro, começamos com as cenas mais físicas – porque, para nós, os atores devem incorporar os personagens por meio do físico. Começamos com Thomas, por exemplo, na cena da briga com os garotos. E depois partimos para as cenas com mais diálogos.

2001: Sua câmera segue os atores como um detetive, sempre muito próxima ao protagonista, Cyril.
JPD: No caso deste filme, achamos que a câmera deveria trabalhar mais como observadora, mantendo um pouco de distância do personagem principal. Queriamos mostrar a solidão na qual esse garoto vivia, e para isso achamos que a câmera deveria ficar um pouco mais distante, apenas observando o personagem.

2001: Em O Garoto da Bicicleta, assim como em O Filho, temos um menino abandonado no centro dos conflitos. Vocês têm alguma experiência pessoal ou fizeram algum tipo de pesquisa específica sobre o tema?
JPD: Não foi uma experiência pessoal, e sim uma notícia que nos fez ter a ideia de contar essa história de abandono de um garoto por seu pai. Além do abandono, queríamos falar da promessa que foi feita ao menino e não foi cumprida. O pai prometeu que iria buscá-lo no orfanato, mas não foi. E era sobre isso que mais queríamos falar.

2001: Jérémie Renier [Guy, o pai do garoto Cyril] também interpretou um pai imaturo em A Criança (2005). Foi uma escolha proposital?
JPD: Não. Não queríamos falar sobre um pai imaturo. Na verdade, a escolha do ator se deu exclusivamente porque gostamos muito de trabalhar com Jérémie; nos comunicamos bem com ele e apreciamos seu trabalho. Quando terminamos o roteiro, achamos que ele seria um bom intérprete para o personagem do pai. Achamos que ele interpretaria bem um pai descuidado, que não se importa com seu filho.

Ator de A Criança e O Silêncio de Lorna, Jérémie Renier volta a trabalhar com os Dardenne em O Garoto da Bicicleta

2001: O filme aborda também um fenômeno comum, o crescente número de mulheres que criam seus filhos sozinhas. Esse é um tema que vocês tentaram enfocar?
JPD: Queríamos falar sobre uma criança que é abandonada e que encontra alguém que quer lhe dar amor, tirando-a dessa solidão. Pensamos que essa pessoa só poderia ser uma mulher, porque não conhecemos nenhum homem que faça isso. Nenhum homem que seja capaz de cuidar sozinho de uma criança e ser pai e mãe ao mesmo tempo. Mas não era essa história que queríamos contar, e sim a história de um garoto que está sozinho e tem a oportunidade de receber amor. Queríamos saber se ele aceitaria esse amor ou não.

2001: Uma curiosidade dos fãs de cinema: como você e seu irmão [Luc Dardenne] dividem o trabalho?
JPD: Normalmente, fazemos tudo juntos. A unica exceção é o roteiro. Para construir o roteiro, meu irmão Luc é o motor. Ele trabalha sozinho e depois nós discutimos juntos. De resto, fazemos tudo juntos: a composição dos personagens, os ensaios com os atores, o figurino, a montagem do set de filmagens etc.

Dupla de diretores mais importante do cinema europeu hoje, Luc e Jean-Pierre Dardenne tiveram cinco de seus filmes premiados nos Festival de Cannes, dois deles com a Palma de Ouro

2001: Após mais de 30 anos de trabalho, desde o formato documentário até seus últimos longas-metragens, o que os inspira e encoraja a continuar narrando histórias humanas (e universais) como a de O Garoto da Bicicleta?
JPD: O que nos estimula a continuar contando histórias é a tentativa de compreender o mundo atual. No caso de O Garoto da Bicicleta, o que nos estimulou foi a vontade de entender como o ser humano pode conviver com a adversidade hoje. Como é possivel ser solidário, ajudar alguém no mundo tão conturbado em que vivemos. São essas questões que nos estimulam a contar mais histórias.

Irmãos Dardenne
Os Grandes Humanistas do Cinema Contemporâneo

Jean-Pierre Dardenne nasceu em Liége (Bélgica), em 21/4/1951. Seu irmão, Luc Dardenne, em 10/3/1954, em Awirs (também na Bélgica). Os dois produzem, escrevem e dirigem seus filmes. Em 1978, realizaram o primeiro de seus documentários, Le Chant du Rossignol. Estrearam na direção de longa de ficção com A Promessa (1996), que já abordava a situação de imigrantes na Bélgica. A consagração internacional veio três anos depois, com a Palma de Ouro em Cannes por Rosetta, premiação obtida também por A Criança (2005). Afeitos a questões sociais e atentos à realidade européia, os irmãos Dardenne criaram um estilo próprio, marcado pelo despojamento estético, filmagens em continuidade, ausência de trilha sonora e câmera muito próxima dos atores. Como se ouvíssemos sua respiração, seus atores precisam comer, sentir frio, brigar, correr, enfim, viver todas as emoções de seus personagens.

Em busca de um minimalismo narrativo sem concessões para o espectador, os irmãos Dardenne tornaram-se mestres do drama social, sem cair no melodrama barato. A sensação que se tem ao ver um filme da dupla é a de se assistir a um vídeo caseiro (mas bem filmado) com a urgência da realidade, com seres humanos imprevisíveis e capazes de atos condenáveis. Em seu cinema, o indivíduo é falível – como todos nós.

MAIS IRMÃOS DARDENNE NA 2001:


O Silêncio de Lorna (2008)
Cada um com seu Cinema (2007), curta Dans L’Obscurité
A Criança (2005)
O Filho (2002)

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “O GAROTO DA BICICLETA”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL AGORA ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO DE LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Considerado o filme mais otimista e acessível dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, O Garoto da Bicicleta chega em DVD para locação nas lojas da 2001 a partir do dia 10/5

O GAROTO DA BICICLETA

Este filme dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, também diretores de A Criança e O Silêncio de Lorna, foi escolhido para a abertura da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado. Escolha certeira. É profundo, sensível e realmente toca no que há de mais incondicional na mulher: a maternidade. Quem conhece essas duas obras anteriores, sabe que o estilo dos irmãos diretores não é dos mais afáveis. Levanta, de uma forma muito íntima, realista e seca, as dificuldades próprias do ser humano no que tange o respeito e de relação consigo próprio e com o outro.

Jean-Pierre e Luc Dardenne

Em O Garoto da Bicicleta não é diferente. Temas como ‘família desagregada’, ‘inversão de valores’ e ‘desconstrução do amor’ são recorrentes. Portanto, prepare-se. Mas, se servir de alento, digo também que este filme tem de belo o que os outros têm de amargo. Saí da coletiva de imprensa da Mostra, quando o filme foi exibido, aliviada. É como se a vida tivesse falado mais alto desta vez, como se os Dardenne tivessem tido a chance de escolher um caminho da esperança. E o fizeram. Optaram pela réstia de luz e resgate ético que poderia caber no roteiro, indicando que nem tudo são trevas. Apesar de todos (e não são poucos) os pesares. E apesar de não adotarem um estilo de direção que ‘facilite a vida do espectador’.

Cyril (Thomas Doret) e Samantha (Cécile de France) em cena do filme mais “ensolarado” dos irmãos Dardenne, e também o primeiro com trilha sonora e uma atriz famosa

A espinha dorsal do belo O Garoto da Bicicleta, que venceu o Grande Prêmio do Júri em Cannes no ano passado, é a família que não se une diante das diferenças e dificuldades, que opta pelo caminho mais fácil, o do abandono. Cyril (Thomas Doret) foi deixado pelo pai (Jérémie Renier, também em Potiche – Esposa Troféu, O Silêncio de Lorna, A Criança) e vive em um internato. Tenta, de qualquer maneira, saber do seu paradeiro. Samantha (Cécile de France, também em Além da Vida, Bonecas Russas, Albergue Espanhol, Um Lugar na Plateia) é sua tutora nos fins de semana e estabelece com o garoto uma relação de afeto, embora sinta, logicamente, a resistência do menino. Apesar disso, as frustrações, angústias e dessabores falam mais alto e Cyril acaba cedendo a pressões de maus elementos na pequena cidade onde passa os fins de semana com Samantha.

Cyril e Samantha: a difícil construção do afeto

O que vem a seguir são situações em que sempre há dois caminhos a serem escolhidos. Pai, tutora e garoto adotam uma postura que transforma não só as relações no filme, mas a relação do espectador com a história. Embora não seja uma linguagem pronta e mastigada, que deixe o espectador totalmente à vontade, mas sim um discurso que estimula a reflexão e o desconforto, os Dardenne desta vez escolheram elementos que suavizaram as tão difíceis relações. A bicicleta, os passeios, a luz do dia, a pequena cidade, a escolha de Cécile de France como a atriz protagonista – que tem um brilho especial, sim – trazem a esperança de que algo pode dar certo no final.

 

Cliente da 2001 desde 2007, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

O CINEMA HUMANISTA DOS IRMÃOS DARDENNE

Dupla de cineastas belgas, os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne escrevem e dirigem juntos filmes de estilo rigoroso e humanismo social

ROTEIRISTAS E DIRETORES DE O GAROTO DA BICICLETA, FILME QUE ABRIU A MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO, OS IRMÃOS JEAN-PIERRE E LUC DARDENNE CONFIRMAM SEU PRESTÍGIO JUNTO A CRÍTICA COM MAIS UM TRABALHO DE GRANDE COMPAIXÃO, HONESTIDADE E, MAIS DO QUE NUNCA, ESPERANÇA AO FINAL. POR ISSO, PARA AQUELES QUE JÁ VIRAM O FILME OU TEM INTERESSE NA CARREIRA DA DUPLA BELGA, VALE A PENA CONHECER SEUS TRÊS LONGAS-METRAGENS ANTERIORES – DISPONÍVEIS EM DVD NAS LOJAS DA 2001 VÍDEO. 

A estrela francesa Cécile De France e o ótimo estreante Thomas Doret em cena de O Garoto da Bicicleta, vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes neste ano

Jean-Pierre e Luc Dardenne
DESPOJAMENTO EM BUSCA DA CONSCIÊNCIA

Os irmãos Dardenne já foram premiados quatro vezes no Festival de Cannes; em duas ocasiões (Rosetta, A Criança), com a Palma de Ouro

Jean-Pierre Dardenne nasceu em Liége (Bélgica), em 21/4/1951. Seu irmão, Luc Dardenne, em 10/3/1954, em Awirs (também na Bélgica). Os dois produzem, escrevem e dirigem seus filmes. Em 1978, realizaram o primeiro de seus documentários, Le Chant du Rossignol, até que em 1996 estrearam na direção de longa de ficção com A Promessa, filme que já abordava a situação de imigrantes na Bélgica. A consagração internacional veio três anos depois, com a Palma de Ouro em Cannes por Rosetta, premiação repetida com A Criança em 2005. Afeitos a questões sociais e atentos à realidade européia, os irmãos Dardenne criaram um estilo próprio, marcado pelo despojamento estético, a ausência de trilha sonora e a câmera muito próxima dos atores – como se ouvíssemos sua respiração. Almejando sempre um minimalismo narrativo sem grandes emoções ou concessões para o espectador, os dois tornaram-se mestres do  drama social, sem cair no melodrama barato.

A Criança: reflexão sobre o despreparo paterno e a crise de valores contemporânea. Afinal, quem é a criança no filme?

A sensação que se tem ao ver um filme da dupla é a de ver um video caseiro (mas bem filmado) com a urgência da vida real, com seres humanos imprevisíveis e capazes de atos condenáveis. No cinema dos Dardenne, como na vida, o indivíduo é falível – como todos nós.

OS IRMÃOS DARDENNE EM DVD NA 2001: 

O Silêncio de Lorna
(Le Silence de Lorna, FRA/BEL/ITA/ALE, 2008, Cor,105’)
Com: Arta Dobroshi, Jérémie Renier, Olivier Gourmet

Com o propósito de se tornar sócia de uma lanchonete com o namorado, a jovem albanesa Lorna aceita um casamento arranjado para conseguir a cidadania belga.

Em O Silêncio de Lorna, os Dardenne souberam explorar o rosto da atriz Arta Dobroshi, hábil em expressar o turbilhão de dúvidas da personagem

A imigração ilegal é um dos problemas mais complexos enfrentados pela economia mundial, agravada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA e da atual crise financeira. A partir de um único indivíduo (a albanesa Lorna), os irmãos Dardenne abordam o cruel ciclo de exploração econômica que submete os menos favorecidos, como os imigrantes, a subempregos e à condição de cidadãos de segunda classe, cujo crescente processo de desumanização aceita até mesmo o casamento como moeda de troca. Lutando pela sobrevivência e tentando montar um negócio próprio, Lorna – inocente em sua própria ignorância – não consegue se desvencilhar do dinheiro e aceita de maneira resignada a quebra de regras morais. Como em outros trabalhos dos Dardenne, o filme não oferece soluções fáceis, com elipses (omissão de cenas explicativas de sentido) que remetem ao grande Robert Bresson (Mouchette, O Dinheiro) – incluindo uma reviravolta quase metafísica, em que Lorna encontrará, finalmente, a humanidade perdida.

Arta Dobroshi e Jérémie Renier, atual ator-assinatura dos Dardenne (O Garoto da Bicicleta, A Criança) em cena do filme, vencedor do prêmio de melhor roteiro em Cannes

Cada um com seu Cinema
(Chacun son Cinéma, FRA, 2007, Cor, 119′)

Para comemorar o 60º aniversário do Festival de Cannes, 34 dos cineastas mais renomados do mundo realizaram curtas sobre a paixão pelo cinema. Dentre os diretores que contribuíram ao filme, destacam-se Alejandro González Iñárritu (Babel), Roman Polanski (O Pianista), Gus Van Sant (Paranoid Park), Walter Salles (Central do Brasil), Lars Von Trier (Dogville), Wong Kar Wai (2046 – Os Segredos do Amor), David Lynch (Coração Selvagem), Claude Lelouch (Um Homem, Uma Mulher), Nanni Moretti (O Quarto do Filho), Amos Gitai (Kippur – O Dia do Perdão) e, é claro, os irmãos Dardenne, com o curta Dans l`Obscurité.

A Criança
(L’Enfant, BEL/FRA, 2005, Cor, 95’)
Com: Jéréme Renier, Déborah François, Olivier Gourmet

Sonia, 18 anos, acabou de dar a luz a um menino. Bruno, o pai, com 20 anos de idade, vive de pequenos roubos cometidos por ele e seus companheiros adolescentes. Os dois vêem de maneira bem diferente o significado da chegada desta criança.

Jérémie Renier e Déborah François, os problemáticos pais de A Criança

Jean-Pierre Dardenne estudou artes dramáticas em Bruxelas antes de se enveredar pelo cinema ao lado do irmão Luc (na época, aluno de filosofia) sob o auspício do poeta, dramaturgo e cineasta Armand Gatti. Os irmãos realizaram documentários até estrearem na ficção em 1987, com um longa sobre uma família judia em campo de concentração nazista. Em 1996, dirigiram A Promessa, estrelado por Olivier Gourmet, ator recorrente na filmografia da dupla, e Jérémie Renier — que, em A Criança, interpreta Bruno. Os Dardenne parecem levar à risca a frase de Gatti, na qual ele afirmou não lutar por nenhuma ideologia, mas por uma tomada de consciência individual. Isso pode ser observado em A Criança. Em uma época em que o homem ocidental adulto esquiva-se, muitas vezes, em assumir suas responsabilidades perante suas ações e o outro, mergulhado em uma espécie de irresponsabilidade juvenil que se estende ad aeternum diante da vida, o filme promove reflexões de cunho ético a partir da trajetória do protagonista, em uma obra aberta, como no cinema de Michael Haneke (Caché). Duplo também é o título A Criança, que pode valer tanto para o jovem Bruno, quanto para seu filho.
* Palma de Ouro de melhor filme no Festival de Cannes (2005)

O Filho
(Les Fils, FRA/BEL, 2002, Cor, 128′)
Com: Olivier Gourmet, Morgan Marinne, Isabella Soupart

Instrutor de carpintaria numa instituição para menores infratores, Olivier se vê de repente às voltas com um drama do passado, materializado na figura de um misterioso aluno.

Responsáveis também pelo roteiro e produção, os irmãos Dardenne (de Rosetta, ainda inédito em DVD no Brasil), com hábil uso da câmera, transformam o espectador em testemunha ocular do dilema moral que envolve o personagem de Olivier Gourmet a partir do primeiro contato com o referido aluno. Revelar mais da trama só interferirá no juízo pessoal de cada um sobre o desenrolar da história. Deixe os Dardennes surpreendê-los.

FESTIVAL DE CANNES

O mais importante festival de cinema do mundo começa na próxima quarta-feira (11/5) com a estreia mundial do novo filme de Woody Allen, Midnight in Paris, e termina no dia 22, com a exibição de Les bien-aimés (“Os Bem Amados”, em tradução livre), com Catherine Deneuve. Com novos trabalhos de nomes como Pedro Almodóvar, Lars Von Trier, os irmãos Dardenne e o recluso Terrence Malick, a competição oficial promete ser disputadíssima.

Woody Allen dirige Carla Bruni em Midnight in Paris

Presidido pelo ator Robert De Niro, o júri da 64ª edição do evento será formado por Jude Law (O Talentoso Ripley), Uma Thurman (Kill Bill), Olivier Assayas (Horas de Verão, Carlos), Mahamat Saleh Haroun (cineasta da República do Chade, na África), Johnny To (diretor de Eleição), Martina Gusman (produtora e atriz de Leonera e Abutres), Nansun Shi (produtora chinesa) e Linn Ullmann (crítica e escritora norueguesa, filha de Liv Ullmann e Ingmar Bergman). Michel Gondry será presidente da Palma de Ouro de Curta-Metragem, e Emir Kusturica, da mostra Um Certo Olhar, em que participa o longa-metragem Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Brito.

Robert De Niro preside o júri da mostra competitiva

Confira abaixo a lista dos concorrentes à Palma de Ouro, com seus respectivos diretores. Alguns dos melhores trabalhos desses cineastas podem ser conferidos para locação em DVD nas lojas da 2001 Vídeo.

* A Pele que Habito (La Piel que Habito), de Pedro Almodóvar
Com exceção de alguns de seus primeiros filmes, como Pepi, Luci, Bom (1980) e Labirinto de Paixões, quase toda a filmografia do diretor pode ser encontrada em DVD na 2001.

Pedro Almodóvar em DVD na 2001:

Matador (1986)
A Lei do Desejo (1987)
Ata-me! (1990)
Kika (1993)
Carne Trêmula (1997)
Tudo Sobre Minha Mãe (1999)
Fale com Ela (2002)
Má Educação (2004)
Volver (2006)
Abraços Partidos (2009)

 

 

* Bir Zamanlar Anadolu’da, de Nuri Bilge Ceylan

Nuri Bilge Ceylan

Nascido em Istambul (Turquia), Ceylan tornou-se conhecido do grande público internacional com o filme Distante (Usak, 2002), ainda inédito em DVD no Brasil. Seus dois filmes seguintes, Climas (2006) e 3 Macacos, pelo qual conquistou o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes, podem ser encontrados na 2001 Vídeo.

 

 

 

* Le Gamin au Vélo, de Jean-Pierre e Luc Dardenne
Nascidos em Liége, na Bélgica, os dois produzem, escrevem e dirigem seus filmes, marcados pelo despojamento estético, a predileção por cenas filmadas em ambientes fechados e a ausência de trilha sonora. Os Dardenne já foram premiados em Cannes três vezes antes: com a Palma de Ouro por Rosetta e A Criança, e pelo roteiro de O Silêncio de Lorna.

Irmãos Dardenne em DVD na 2001:

Jean-Pierre e Luc Dardenne

O Filho (2002)
A Criança (2005)
Cada um com Seu Cinema (2007) curta Dan’s/Obscurité
O Silêncio de Lorna (2008)

 

 

 

 

 

 

 

* A Árvore da Vida (The Tree of Life), de Terrence Malick
Diretor de apenas cinco longas-metragens em quase quarenta anos, o cineasta mais recluso do cinema desde Stanley Kubrick irá finalmente estrear um novo trabalho depois de O Novo Mundo (2005).

Terrence Malik em DVD na 2001:

Terrence Malick

Terra de Ninguém (1973)
Dias de Paraíso (1978)
Além da Linha Vermelha (1998)
O Novo Mundo (2005)

 

 

 

 

 

 

 

* Le Havre, de Aki Kaurismäki

Aki Kaurismäk em DVD na 2001:

Aki Kaurismäki

A Garota da Fábrica de Fósforos (1990)
O Homem sem Passado (2002)

 

 

 

 

 

 

* Ichimei, de Takashi Miike

Takashi Miike em DVD na 2001:

Takashi Miike

Morrer ou Viver (1999)
Morrer ou Viver 2 (2000
Ichi – O Assassino (2001)
Ligação Perdida (2003)
Marcas do Terror (2006)

 

 

 

* Habemus Papam, de Nanni Moretti

Nanni Moretti em DVD na 2001:

Caro Diário (1993)
O Quarto do Filho (2001)
O Crocodilho (2006)
Cada um com seu Cinema (2007)

 

 

 

 

* Melancholia, de Lars Von Trier

Lars Von Trier em DVD na 2001:

Lars Von Trier

Europa (1991)
Dançando no Escuro (2000)
Dogville (2003)
Manderlay (2005)
O Grande Chefe (2006)
Cada um com Seu Cinema (2007)
Curta-metragem Ocupações
Anticristo (2009)

 

 

 

 

* Refn Drive, de Nicolas Winding
Enquanto o filme que revelou o ator britânico Tom Hardy (A Origem), Bronson – biografia do detento mais perigoso da Inglaterra -, não sai no Brasil, confira toda a violência desconcertante de Pusher (1996) e O Guerreiro Silencioso (2009), disponíveis em DVD.

* Hanezu no tsuki, de Naomi Kawase

* L’Apollonide – Souvenirs de la Maison Close, de Bertrand Bonello

* Pater, de Alain Cavalier

* Hearat Shulayim, de Joseph Cedar

* Sleeping Beauty, de Julia Leigh

* Polisse, de Maïwenn

* La Source des Femmes, de Radu Mihaileanu

* We Need to Talk About Kevin, de Lynne Ramsay

* Michael, de Markus Schleinzer

* This Must Be the Place, de Paolo Sorrentino