Isabelle Huppert

CINEMA EUROPEU CONTEMPORÂNEO EM DVD NA 2001

PERSONAL SHOPPER

Depois do estrondoso sucesso da saga “Crepúsculo“, Kristen Stewart vem se reinventando como atriz em uma série de filmes autorais, como “Certas Mulheres“, da cineasta indie Kelly Reichardt, e “Acima das Nuvens”, do francês Olivier Assayas, com quem volta a trabalhar em “Personal Shopper“. Espécie de thriller metafísico, o filme valeu a Assayas o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e traz Stewart vivendo uma jovem americana que trabalha em Paris como “personal shopper” para uma celebridade local. Ela tenta lidar com a morte recente de seu irmão gêmeo, que parece estar tentando se comunicar com o mundo dos vivos.

A ESPERA

Vencedor de três prêmios no Festival de Veneza em 2015, o filme marca a estreia do italiano Piero Messina na direção de longa. Ex-assistente de Paolo Sorrentino em “A Grande Beleza”, o jovem Messina conduz um austero drama sobre o luto, com Juliette Binoche no papel de Anna, mãe que segue inconsolável após o desaparecimento do filho, Giuseppe. Seu isolamento, em uma villa na Sicília, é quebrado pela chegada inesperada de Jeanne (Lou de Laâge, de “Agnus Dei“), simplesmente a namorada do rapaz — e cuja existência desconhecia.

NINGUÉM DESEJA A NOITE

Inspirado na história real da americana Josephine Peary, o filme tem direção da catalã Isabel Coixet (“Minha Vida Sem Mim”) e rendeu à versátil Binoche uma indicação ao Goya – o principal prêmio de cinema espanhol. Em 1908, Peary (Binoche) deixa a alta sociedade em Washington e viaja ao Polo Norte atrás de seu marido, o explorador Robert Beary (Gabriel Byrne). Durante sua jornada a um dos lugares mais inóspitos do planeta, ela conhece Allaka (Rinko Kikuchi, revelada em “Babel”), uma esquimó que vai influenciar profundamente sua vida.

O MUNDO FORA DO LUGAR

Ex-atriz de Rainer Werner Fassbinder e diretora de dramas históricos importantes como “Rosa Luxemburgo” e “Hannah Arendt”, a alemã Margarethe von Trotta retoma a parceria com Barbara Sukowa em mais uma história centrada em mulheres fortes. Na trama, o viúvo Paul (Matthias Habich) descobre, por acaso, uma fotografia da cantora de ópera americana Caterina Fabiani (Sukowa), que é fisicamente idêntica a sua mulher morta. Assim, ele e sua filha deixam a Alemanha com destino à Nova York, a fim de encontrar Caterina e entender esse mistério.

A ECONOMIA DO AMOR

Mais um trabalho sufocante do diretor belga Joachim Lafosse (“Os Cavaleiros Brancos“), que radiografa o desgaste de uma relação – e a dificuldade dos envolvidos em terminá-la e seguir com suas vidas. Situação enfrentada por Marie (Bérénice Bejo, de “O Artista“) e Boris (Cédric Kahn, “Os Anarquistas”), que decidem se separar após 15 anos juntos. No entanto, acontece um impasse na hora de dividir os bens: ela comprou a casa, mas ele realizou a reforma valorizando o imóvel. Os dois são obrigados a morar juntos enquanto decidem o que fazer com a residência.

ROMANCE À FRANCESA

Nem só de dramas difíceis vive o cinema francês, mas também de comédias leves como esta, mais uma ciranda amorosa escrita e dirigida por Emmanuel Mouret (de “A Arte de Amar”). Nela, um professor tímido (o próprio Mouret) realiza o sonho de namorar uma famosa atriz, Alicia (Virginie Efira), mas encontra Caprice (Anaïs Demoustier), uma jovem extrovertida que deseja sair com ele – sem se importar em ser sua amante. Enquanto isso, o melhor amigo dele, Thomas, começa a ficar muito interessado na atriz.

A JOVEM RAINHA

Exibido na 40ª Mostra Internacional de Cinema de SP, este drama de época dirigido pelo finlandês Mika Kaurismaki (“O Ciúme Mora ao Lado”) envereda tanto nos bastidores do poder, na Suécia do século 17, como também na sexualidade da personagem-título. À frente de seu tempo, a Rainha Cristina (Malin Buska) luta para modernizar seu país e acabar com a sangrenta Guerra dos Trinta Anos, ao mesmo tempo em que tenta entender o amor que sente por sua dama de companhia, a condessa Ebba Sparre (Sarah Gadon, de “Cosmópolis”).

MARGUERITE E JULIEN – UM AMOR PROIBIDO

Novo filme da atriz e cineasta francesa Valérie Donzelli, que ganhou inúmeros prêmios com “A Guerra Está Declarada” em 2011. Na trama, Marguerite (Anaïs Demoustier, de “Uma Nova Amiga“) e Julien de Ravalet (Jérémie Elkaïm, “Polissia“) são irmãos, filhos do Senhor de Tourlainville. Muito próximos desde a infância, os dois nobres se apaixonam, mas a sociedade a seu redor não aceita essa relação, fazendo de tudo para afastá-los um do outro.

FRANCOFONIA

Novo filme-experimento do aclamado cineasta russo Aleksandr Sokurov, sobre a relação entre arte e poder. Depois de percorrer os corredores do museu Hermitage, em São Petersburgo, no incrível plano-sequência de “Arca Russa“, Sokurov volta sua câmera para o Museu do Louvre, em Paris. Reflete sobre a história do museu como simulacro da civilização, durante sua ocupação pelos nazistas, em 1940, a partir de imagens de arquivo e encenações com atores.

O VALE DO AMOR

Escrito e dirigido por Guillaume Niclou (“A Religiosa“), este drama francês marca o reencontro entre dois gigantes do cinema: Gérard Depardieu e Isabelle Huppert. Os dois já atuaram juntos em “Corações Loucos” (1974) e “Loulou” (1980) e agora vivem personagens de fortes traços biográficos: Gérard e Isabelle, um casal separado há anos que se reencontra no “Vale da Morte”, na Califórnia, a fim de cumprir o último desejo do filho, falecido há seis meses.

MEU REI

Inspirado em experiências pessoais, o filme de Maïwenn (de “Polissia“) valeu a Emmanuelle Bercot o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Neste recorte da vida íntima de uma mulher, Bercot interpreta Marie Antoinette, que amarga um relacionamento infeliz com o sedutor Georgio Milevski (Vincent Cassel), com quem se envolve. Quando acredita finalmente ter encontrado a felicidade, ela se depara com um homem violento e possessivo.

LOUCAS DE ALEGRIA

Em ritmo de road movie, o longa celebra a amizade entre duas mulheres consideradas disfuncionais aos olhos da sociedade. Internas de uma clínica psiquiátrica, a rica e extravagante Beatrice (Valeria Bruna Tedeschi) e a tímida e misteriosa Donatella (Micaela Ramazzotti) tornam-se grandes amigas e decidem fugir da instituição. Elogiada comédia dramática escrita e dirigida pelo italiano Paolo Virzì (“Capital Humano“).

AMNÉSIA (2015)

Ator, diretor, produtor e roteirista, o franco-iraniano Barbet Schroeder (“More“, “Barfly“) revisita o passado da Alemanha por meio do contraste de gerações. Nos anos 1990, Martha (Marthe Keller, de “Maratona da Morte”), uma senhora alemã de 70 anos, vive sozinha numa casa à beira-mar em Ibiza. Sua existência solitária chama a atenção do jovem Jo (Max Riemelt, “Sense8”) e os dois tornam-se amigos através da música.

SAIU A LISTA DOS INDICADOS AO OSCAR 2017!

A ESPERA ACABOU. A ACADEMIA DE ARTES E CIÊNCIAS CINEMATOGRÁFICAS DE HOLLYWOOD ANUNCIOU NESTA TERÇA OS CONCORRENTES AO MAIOR PRÊMIO DA INDÚSTRIA DO CINEMA. COM 14 INDICAÇÕES, “LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES” É O GRANDE FAVORITO, SEGUIDO POR “A CHEGADA” E “MOONLIGHT”.

Como era esperado, o musical de Damien Chazelle (diretor de “Whiplash“) lidera a corrida ao Oscar, igualando o recorde de 14 indicações do clássico “A Malvada“, em 1951, e de “Titanic“, em 1998. Tributo musical a Los Angeles, o filme conquistou público e crítica, incluindo sete Globos de Ouro – o prêmio da Imprensa Estrangeira em Hollywood.

Seus maiores concorrentes são a ficção-científica “A Chegada”, dirigida pelo canadense Denis Villeneuve (de “Incêndios” e “Sicário”), e o drama indie “Moonlight – Sob a Luz do Luar”, vencedor do Globo de Ouro de melhor filme dramático. Cada um concorre em oito estatuetas, com o primeiro com boas chances nas categorias técnicas, e o segundo como favorito a melhor ator coadjuvante (Mahershala Ali).

É mesmo o ano de “La La Land”: vencedor de 7 Globos de Ouro e indicado ao Oscar em 14 categorias, o musical concorre ainda a 11 prêmios Bafta, na Inglaterra

Entre as surpresas, destaque para a ausência de Amy Adams, por sua elogiada atuação em “A Chegada”. Apesar de concorrer ao Globo de Ouro e disputar o Bafta e o Screen Actors Award, ela ficou de fora da lista de melhor atriz. Na mesma categoria, Meryl Streep conquistou a impressionante marca de 20 indicações, graças a “Florence – Quem é Essa Mulher?”, e a lendária atriz francesa Isabelle Huppert disputa o Oscar pela primeira vez por seu polêmico papel no thriller “Elle”. E, grande vencedor do European Film Awards, “Toni Erdmann” é favorito a melhor filme de língua estrangeira, representando a Alemanha.

Agora, é aguardar o anúncio dos vencedores da 89ª cerimônia de entrega dos prêmios, marcada para 26 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles.

A seguir, a lista completa com os indicados ao OSCAR 2017:

“Lion – Uma Jornada Para Casa”, “A Qualquer Custo”, “La La Land”, “Moonlight”, “Manchester à Beira-Mar”, “Cercas”, “A Chegada” e “Estrelas Além do Tempo”, todos indicados a melhor filme do ano

MELHOR FILME
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“Estrelas Além do Tempo”
“Lion – Uma Jornada Para Casa”
“Moonlight”
“Cercas”
“A Qualquer Custo”
“La La Land – Cantando Estações”
“Manchester à Beira-Mar”

MELHOR DIREÇÃO
Denis Villeneuve -“A Chegada”
Barry Jenkins -“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
Damián Chazelle -“La La Land – Cantando Estações”
Kenneth Lonegan -“Manchester a Beira-Mar”
Mel Gibson -“Até o Último Homem”

Denis Villeneuve dirige Amy Adams no set de “A Chegada”, que lhe valeu sua primeira indicação ao Oscar. O diretor canadense ganhou fama no Brasil com o aclamado “Incêndios”

MELHOR ATOR
Casey Affleck – “Mancehester à Beira-Mar”
Andrew Garfield – “Até o Último Homem”
Ryan Gosling – “La La Land – Cantando Estações”
Viggo Mortensen – “Capitão Fantástico”
Denzel Washington – “Cercas”

MELHOR ATRIZ
Isabelle Huppert – “Elle”
Ruth Neggam – “Loving”
Natalie Portman – “Jackie”
Emma Stone – “La La Land – Cantando Estações”
Meryl Streep – “Florence – Quem é Essa Mulher?” (disponível em DVD na 2001)

Pelo papel-título de “Florence – Quem é Essa Mulher?”, Meryl Streep concorre ao Oscar pela vigésima vez, um feito inédito na história do prêmio

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali – “Moonlight”
Jeff Bridges -“A Qualquer Custo”
Lucas Hedges -“Manchester A Beira-Mar”
Dev Patel -“Lion”
Michael Shannon -“Animais Noturnos”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis – “Cercas”
Naomie Harris – “Moonlight”
Nicole Kidman – “Lion”
Octavia Spencer – “Estrelas Além do Tempo”
Michelle Williams – “Manchester à Beira-Mar”

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Eric Heisserer – “A Chegada”
August Wilson – “Cercas”
Allison Schroeder, Theodore Melfi – “Estrelas Além do Tempo”
Luke Davies – “Lion – Uma Jornada para Casa””
Barry Jenkins, Tarell Alvin McCraney – “Moonlight: Sob a Luz do Luar”

Estrelado por Colin Farrell e Rachel Weisz, “O Lagosta” foi merecidamente lembrado na categoria de melhor roteiro original

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Taylor Sheridan – “A Qualquer Custo”
Damien Chazelle – “La La Land – Cantando Estações”
Yorgos Lanthimos, Efthymis Filippou – “O Lagosta”
Kenneth Lonergan – “Manchester a Beira-Mar”
Mike Mills – “20th Century Woman”

MELHOR MONTAGEM
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“A Qualquer Custo”
“La La Land- Cantando Estação”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”

MELHOR FOTOGRAFIA
“A Chegada”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion”
” Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Silêncio”

Dirigido por Martin Scorsese, o épico “Silence” recebeu apenas uma indicação: melhor direção de fotografia, do mexicano Rodrigo Prieto

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
“Land of Mine”
“A Man Called Ove”
“The Salesman”
“Tana”
“Toni Erdmann”

MELHORES EFEITOS VISUAIS
“Horizonte Profundo – Desastre no Golfo”
“Doutor Estranho”
Mogli – O Menino Lobo
Kubo e as Cordas Mágicas
“Rogue One: Uma História Star Wars”

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas” (disponível em DVD na 2001)
“Moana”
“My Life as a Zucchini”
“The Red Turtle”
Zootopia” (disponível em DVD e Blu-ray na 2001)

Vencedor do Globo de Ouro de melhor animação, “Zootopia” é favorito ao Oscar da categoria, com “Kubo e as Cordas Mágicas” correndo por fora

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“Jackie”
“La La Land – Cantando Estações”
“Lion – Uma Jornada Para Casa”
“Moonlight: Sob a Luz do Luar”
“Passageiros”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Can’t Stop the Feelings” (“Trolls”)
“The Empty Chair” (“Jim: The James Foley Story”)
” How Far I’ll Go” (“Moana”)
“City of Stars” (“La La Land – Cantando Estações”)
“Audition” (“La La Land – Cantando Estações”)

MELHOR FIGURINO
“Aliados”
” Animais Fantásticos e onde Habitam”
Florence – Quem é Essa Mulher?
“Jackie”
“La La Land – Cantando Estações”

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
“Um Homem Chamado Ove”
Star Trek: Sem Fronteiras” (disponível em DVD na 2001)
Esquadrão Suicida” (disponível em DVD e Blu-ray na 2001)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
“A Chegada”
“Animais Fantásticos e onde Habitam”
Ave, César!
“La La Land – Cantando Estações”
“Passeiros”

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE LONGA-METRAGEM
Fogo no Mar” (disponível em DVD na 2001)
“I Am Not Your Negro”
“Life, Animated”
“O.J.: Made in America”
“A 13ª Emenda”

Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2016, o documentário italiano “Fogo no Mar” trata do importante tema da imigração em massa e foi lembrado com uma indicação ao Oscar

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM
“The White Helmets”
“Watani: My Homeland”
“Joe’s Violin”
“4.1 Miles”
“Extremis”

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
“A Chegada”
“Horizonte Profundo – Desastre no Golfo”
“Até o Último Homem”
“La La Land – Cantando Estações”
“Sully – O Herói do Rio Hudson”

MELHOR MIXAGEM DE SOM
“A Chegada”
“Até o Último Homem”
“La La Land – Cantando Estações”
“Rogue One: Uma História Star Wars”
13 Horas – Os Soldados Secretos de Benghazi” (disponível em DVD na 2001)

Dirigido por Michael Bay, “13 Horas…” é baseado em fatos reais e está disponível no acervo da 2001

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Ennemis Intérieurs”
“La Femme et le TGV”
“Silent Nights”
“Sing (Mindenki)”
“Timecode”

MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO
“Blind Vaysha”
“Borrowed Time”
“Pear Cider and Cigarettes”
“Pearl”
“Piper”

O MUSICAL “LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES” TRIUNFA NO GLOBO DE OURO 2017

NA NOITE DE ONTEM, EM BEVERLY HILLS (LOS ANGELES, EUA), ACONTECEU A 73ª EDIÇÃO DO PRÊMIO DA IMPRENSA ESTRANGEIRA EM HOLLYWOOD. “LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES” CONQUISTOU AS SETE CATEGORIAS EM QUE CONCORREU, TORNANDO-SE O MAIOR VENCEDOR DA HISTÓRIA DO GLOBO DE OURO.

O filme, dirigido e roteirizado por Damien Chazelle (do aclamado “Whiplash – Em Busca da Perfeição“), superou os clássicos “Um Estranho no Ninho” e “O Expresso da Meia-Noite”, que têm seis prêmios cada.

“La La Land” confirmou seu favoritismo, assim como “Moonlight – Sob a Luz do Luar” na categoria de melhor filme dramático, mas não faltaram surpresas na cerimônia de premiação. Revelado no drama britânico “O Garoto de Liverpool” (2009), Aaron Taylor-Johnson desbancou o preferido da crítica Mahershala Ali (“Moonlight”) e o astro Jeff Bridges (“A Qualquer Custo”) na disputa como melhor ator coadjuvante. E a eterna dama do cinema francês. Isabelle Huppert, recebeu seu primeiro Globo de Ouro de melhor atriz, por sua atuação no controverso “Elle”, superando as favoritas Amy Adams (“A Chegada”) e Natalie Portman (“Jackie”).

“La La Land” e “Moonlight – Sob a Luz do Luar”

Nas categorias de televisão, “American Crime Story – O Povo Contra O.J. Simpson”, a primeira temporada da série “The Crown” e a minissérie “The Night Manager” dividiram os principais prêmios. Esta última, dirigida pela dinamarquesa Susanne Bier, teve três de seus atores premiados: Tom Hiddleston e, como coadjuvantes, Hugh Laurie e Olivia Colman.

E não podia faltar a grande homenageada da noite: Meryl Streep. Aos 67 anos, ela recebeu o prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto da carreira, que abrange mais de quatro décadas de trabalho no cinema e na TV. Em seu discurso de agradecimento, a atriz criticou Donald Trump e a crescente xenofobia no país.

CONFIRA A SEGUIR TODOS OS PREMIADOS DO GLOBO DE OURO 2017:

CINEMA

MELHOR FILME (DRAMA)
“Moonlight”

MELHOR FILME (COMÉDIA OU MUSICAL)
“La La Land – Cantando Estações”

Depois de emplacar "Whiplash" comprova seu talento com o vibrante musical "La La Land", favorito não só ao Globo de Ouro mas também ao Oscar

Diretor e roteirista de “Whiplash“, Damien Chazelle segue como favorito ao Oscar com sua grande homenagem aos clássicos musicais de Hollywood

MELHOR DIRETOR
Damien Chazelle (“La La Land – Cantando Estações”)

MELHOR ATOR (DRAMA)
Casey Affleck (“Manchester à Beira-Mar”)

MELHOR ATRIZ (DRAMA)
Isabelle Huppert (“Elle”)

Com mais de 100 filmes no currículo, a grande dama do cinema francês concorre pela primeira vez ao Globo de Ouro, por seu papel forte e polêmico em "Elle", thriller aclamado no último Festival de Cannes

Com mais de 100 filmes no currículo, a grande dama do cinema francês recebeu seu primeiro Globo de Ouro, pelo forte e polêmico papel de “Elle”, também vencedor de melhor produção de língua estrangeira. Confira na 2001 mais trabalhos com a grande atriz

MELHOR ATOR (COMÉDIA OU MUSICAL)
Ryan Gosling (“La La Land – Cantando Estações”)

MELHOR ATRIZ (COMÉDIA OU MUSICAL)
Emma Stone (“La La Land – Cantando Estações”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (“Animais Noturnos”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis (“Fences”)

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Com seis indicações ao Globo de Ouro, chegou finalmente a vez de Viola Davis (“How to Get Away with Murder”) levar o prêmio, por sua atuação em “Fences”, drama dirigido por seu parceiro de cena, Denzel Washington

MELHOR ROTEIRO
Damien Chazelle (“La La Land – Cantando Estações)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
“Elle” (França)

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Zootopia” (disponível para venda na 2001)

Com roteiro criativo – a favor da diversidade -, a produção da Disney “Zootopia” levou a categoria de melhor animação

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
Justin Hurwitz (“La La Land – Cantando Estações”)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“City of Stars” (“La La Land”)

TV

MELHOR SÉRIE (DRAMA)
“The Crown”

MELHOR SÉRIE (COMÉDIA OU MUSICAL)
“Atlanta”

MELHOR ATRIZ (DRAMA)
Claire Foy (“The Crown”)

Donald Glover em “Atlanta”, Hugh Laurie e Tom Hiddleston em “The Night Manager”, e Claire Foy em “The Crown”

MELHOR ATOR (DRAMA)
Billy Bob Thornton (“Goliath”)

MELHOR ATRIZ (COMÉDIA OU MUSICAL)
Tracee Ellis Ross (“Black-ish”)

MELHOR ATOR (COMÉDIA OU MUSICAL)
Donald Glover (“Atlanta”)

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
American Crime Story – O Povo Contra O. J. Simpson

Grande vencedor do Emmy no ano passado, “American Crime Story – O Povo Contra O.J. Simpson” levou o Globo de Ouro de melhor minissérie ou telefilme e melhor atriz (no mesmo formato) para Sarah Paulson

MELHOR ATRIZ (MINISSÉRIE OU TELEFILME)
Sarah Paulson (“American Crime Story – O Povo Contra O. J. Simpson“)

MELHOR ATOR (MINISSÉRIE OU TELEFILME)
Tom Hiddleston (“The Night Manager”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE (SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME)
Olivia Colman (“The Night Manager”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE (SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME)
Hugh Laurie (“The Night Manager”)

Laurie, Hiddleston, Elizabeth Debicki, Olivia Colman e Tom Hollander em “The Night Manager”, minissérie baseada em obra de John Le Carré

ÚLTIMAS PEÇAS: CLÁSSICOS, CULTS E FILMES DE FESTIVAIS

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Entre os cineastas selecionados, destaque para RAINER WERNER FASSBINDER (1945–1982), lembrado com os clássicos “Whity“, O Medo Consome a Alma” e “A Terceira Geração“; CLAUDE CHABROL (1930-2010), diretor de “Alice”, “Nas Garras do Vício” e “Trágica Separação“, e o polonês ANDRZEJ ZULAWSKI (1940–2016), resgatado pela distribuidora Lume com os seminais “A Revolta do Amor“, “Diabel“, “Globo de Prata” e “O Importante é Amar“. E tem muito mais, de grandes diretores:

Marguerite Duras * Jean Pierre Melville * Andrzej Wajda * Sergei Parajanov * Michael Cacoyannis * Joseph Losey * Ken Russell * Mauro Bolognini * Brian De Palma * Francis Ford Coppola * James Foley * Monte Hellman * David Cronenberg * Carlos Reichenbach * Suzana Amaral * Sergio Bianchi * Thomas Vinterberg * Joachim Trier * Elia Kazan * John Huston * Edward Dmytryk * Theo Angelopoulos * Maurice Pialat * Sam Peckinpah * Robert Altman * Carlos Saura * Victor Erice * Francesco Rosi * Claude Sautet * Joseph L. Mankiewicz * John Frankenheimer * Patrice Chéreau * Bertrand Tavernier * Yasujiro Ozu * Stephen Frears * Jane Campion * André Téchine * Agnès Varda * Miklós Jancsó * Emir Kusturica * Claude Chabrol * Peter Ustnov * James Ivory

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VISÕES DE CRIANÇA

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Uma raridade: um clássico do cinema mudo realizado na década de 1920 por Jacques Feyder (1885–1948), diretor de “Anna Christie” (com Greta Garbo). Filmado em belas locações na Suíça, “Visões de Criança” mergulha na psicologia infantil ao tratar dos efeitos do luto sobre duas crianças que perdem a mãe. O pai viúvo decide se casar novamente, despertando sentimentos contraditórios nas crianças.

JOHN & MARY

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À frente de seu tempo, este cult de Peter Yates, lançado originalmente em 1969, traz Dustin Hoffman e Mia Farrow – indicados ao Globo de Ouro – como dois estranhos à procura de um relacionamento significativo em Nova York. Eles se conhecem em um bar e passam a noite juntos, sem saber o nome um do outro. Na manhã seguinte, discutem e tentam se conhecer melhor, analisando suas próprias vidas.

O SEGUNDO ROSTO

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Indicado ao Oscar em 1967, este thriller de John Frankenheimer (O Trem”, “Sob o Domínio do Mal”) apresenta a melhor atuação do eterno galã Rock Hudson. Na trama, um homem de meia idade, vice-presidente de um banco, contrata uma empresa especializada em “renascimentos”. A organização forja a sua morte, e ele renasce na pele de um pintor de sucesso.

CIDADE DAS ILUSÕES

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Abandonado pela esposa, um boxeador alcoólatra (Stacy Keach) decide voltar a lutar, o que faz com que ele se aproxime de um jovem (Jeff Bridges) ascendente no esporte. Considerado um dos melhores trabalhos de John Huston nos anos 1970 – e uma reflexão sobre fracasso e sobrevivência no mundo do boxe – , o filme concorreu ao Oscar de melhor atriz coadjuvante (Susan Tyrrell).

O MATADOR DE OVELHAS

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Um marco do cinema independente norte-americano, o filme é um seminal drama de baixo orçamento realizado por Charles Burnett na vizinhança de seu bairro, na periferia de Los Angeles. Com elenco amador, o longa de 1979 acompanha o duro cotidiano de Stan, afroamericano que trabalha num abatedouro e luta por uma vida mais digna para sua família, em meio à desilusão e a problemas financeiros.

TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA

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Alfredo Garcia engravida a filha de um latifundiário mexicano. Revoltado, o pai da moça oferece um milhão de dólares pela cabeça de Garcia. Fiel ao universo de Sam Peckinpah (“Meu Ódio Será Sua Herança”, “Os Implacáveis”), o filme – com sua violência estilizada e tipos do submundo – adquiriu com o tempo status de cult e influenciou cineastas como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez.

TRÊS IRMÃOS

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O grande cineasta italiano Francesco Rossi (1922–2015) concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro por este sensível relato do retorno de três irmãos à sua cidade de infância. Com estilos de vida – e posições políticas – bem diferentes, eles se reencontram para o funeral da mãe. No elenco, destaque para Philippe Noiret (1930–2006), o Alfredo de “Cinema Paradiso”.

O ESPÍRITO DA COLMEIA

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Dirigido pelo espanhol Víctor Erice, este clássico do cinema espanhol foi um dos destaques da programação da 38ª Mostra de Cinema de São Paulo, em 2014. Na trama, ambientada na Espanha dos anos 1940, uma menina de 7 anos, Ana, assiste ao filme “Frankenstein”, experiência que irá marcá-la para sempre. Até que ela desaparece  misteriosamente, imersa em seu mundo de fantasia.

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Considerado pelo jornal The New York Times “a primeira obra-prima do feminismo na história do cinema”, o filme acompanha, ao longo de três dias, a rotina sufocante e automatizada da personagem-título, uma viúva cuja existência é consumida pelos afazeres domésticos. Nela, atividades pejorativamente consideradas banais como cozinhar, comer e limpar a casa ganham efeito dramático inédito no cinema narrativo moderno.

A REVOLTA DO AMOR

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Mais um trabalho seminal de um dos mais controversos (e incompreendidos) cineastas da Europa, o franco-polonês Andrzej Zulawski (“O Importante é Amar“, “Diabel“), falecido em 17 de fevereiro deste ano. Livremente inspirado em “O Idiota” (de Dostoiévski), o longa é um drama policial pós-moderno, com sua anárquica quadrilha de bandidos e um triângulo amoroso que transformou a bela Sophie Marceau em estrela na França.

GLOBO DE PRATA

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Um dos mais controversos (e incompreendidos) cineastas da Europa, Zulawski iniciou a única ficção-científica de sua carreira em 1976, concluindo “Globo de Prata” apenas em 1988. Com imagens fortes e cenas cheias de simbolismo, o filme traz elementos religiosos ao universo da sci-fi, mostrando um grupo de exploradores cósmicos que deixa a Terra para começar uma nova civilização em outro planeta.

A LENDA DO SANTO BEBERRÃO

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Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, o filme de Ermanno Olmi –cineasta premiado com a Palma de Ouro por “A Árvore dos Tamancos”– é uma lição de esperança ao narrar em tom de fábula singela os pequenos milagres vividos por um mendigo alcoólatra (Rutger Hauer, de “Blade Runner”) que recebe de um senhor desconhecido uma grande quantia em dinheiro, sob a condição de devovler tudo na semana seguinte.

UM AMOR TÃO FRÁGIL

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Vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico no Festival de Cannes em 1977, este sensível drama romântico, dirigido por Claude Goretta, transformou Isabelle Huppert em estrela na França. Ela interpreta Béatrice, tímida funcionária de um salão de beleza que, em uma viagem à Normandia, conhece François, um estudante da Sorbonne por quem se apaixona. Uma das performances icônicas da atriz francesa, cotada para uma indicação ao Globo de Ouro por “Elle”.

SEM TETO SEM LEI

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Um dos grandes filmes de Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7”), narrando a trajetória cheia de percalços de uma andarilha (vivida por Sandrine Bonnaire) por meio das diferentes pessoas que cruzam o seu caminho. Vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza e do César de melhor atriz. Confira também em promoção na 2001 “As Duas Faces da Felicidade” (1965), uma pequena (e solar) obra-prima da cineasta.

UM OLHAR A CADA DIA

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Vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes, este road movie acompanha um cineasta (Harvey Keitel) que empreende longa viagem em busca de antigos rolos de filmes, levando-o a descobrir um mundo dividido por guerras e ideologias. Direção do grego Theo Angelopoulos (1935–2012) – de “A Viagem dos Comediantes”, também em promoção.

INTIMIDADE

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Bem antes de conquistar o Oscar de melhor ator coadjuvante por “Ponte dos Espiões” em fevereiro, o inglês mark Rylance protagonizou este drama visceral de Patrice Chéreau (“A Rainha Margot”) baseado em contos de Hanif Kureishi, autor de “Minha Adorável Lavandeira”. O filme radiografa a relação carnal e silenciosa de um casal de estranhos, de forma crua — notadamente em inúmeras cenas de sexo. Urso de Ouro no Festival de Berlim.

O FUNDO DO CORAÇÃO

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Em Las Vegas, Hank e Frannie decidem que seu casamento chegou ao fim e se separam. Projeto pessoal de Francis Ford Coppola, que transformou uma história simples — a separação de um casal e sua busca por novos parceiros — em um exuberante musical, cujo visual estilizado impressiona até hoje. Além da bela fotografia do mestre Vittorio Storaro (“Café Society”), destaque também para a trilha jazzística (indicada ao Oscar) composta por Tom Waits.

OS IMORAIS

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Martin Scorsese produz esta adaptação do livro homônimo de Jim Thompson, sobre um triângulo incestuoso entre um golpista barato, sua mãe bookmaker de apostas e uma ambiciosa femme fatale. Quatro indicações ao Oscar: melhor diretor (Stephen Frears), roteiro adaptado, atriz (Anjelica Huston) e atriz coadjuvante (Annette Bening). E vencedor do Independent Spirit Awards de melhor filme e atriz.

E NA PROMOÇÃO DA LUME NÃO TEM SÓ FILME ANTIGO.

ALÉM DE CLÁSSICOS E CULTS DA SÉTIMA ARTE, CONHEÇA 12 PRODUÇÕES EXIBIDAS NO CIRCUITO DE FESTIVAIS NOS ÚLTIMOS ANOS, UMA PEQUENA AMOSTRA DA DIVERSIDADE QUE VOCÊ ENCONTRA SÓ AQUI, EM DESTAQUE NA 2001.

CHANTAL ACKERMAN, DE CÁ

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No documentário dirigido por Gustavo Beck, o jornalista Leonardo Luiz Ferreira conduz entrevista com a realizadora belga, na qual ela reflete sobre o cinema, a vida e sua obra. A ideia de realizar o filme surgiu da admiração dos dois brasileiros pelo trabalho da cineasta, que esteve por aqui para participar de mostra sobre sua carreira, no Centro Cultural Banco do Brasil em 2009.

SUBMARINO

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Drama familiar dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterberg, antes do sucesso de “A Caça”, sobre dois irmãos que tentam reconstruir suas vidas após uma tragédia na infância. Na trama, Nick (Jakob Cedergren) deixa a prisão após cumprir pena e passa a morar num abrigo. Um dia ele recebe a notícia de que sua mãe morreu e, no funeral, reencontra o irmão que não via há anos. Exibido no Festival de Berlim em 2010.

PLANETA SOLITÁRIO

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Longa independente estrelado por Gael García Bernal em torno de um jovem casal viajando pelas montanhas do Cáucaso, na Geórgia. Um gesto desesperado do protagonista vai colocar à prova o papel do homem no relacionamento. Drama intimista vencedor do Grande Prêmio do Júri do American Film Institute, e indicado ao Independent Spirit Awards de melhor direção (Julia Loktev). Exibido nos festivais de Istambul, Locarno e Sarasota.

AZUL PROFUNDO

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Raro filme grego a estrear comercialmente no Brasil (no caso, em 2012), o longa de Aris Bafaloukas mistura drama, romance e suspense para narrar a história de Dmitris, um nadador profissional que dedica a vida aos treinos e namora Elsa, ativista ambiental que desaparece misteriosamente. Em belas imagens aquáticas, “Apnéia” (título original do filme) aborda o conflito de um atleta dividido entre suas ambições no esporte e seu envolvimento afetivo.

BRANCO COMO A NEVE

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Premiada no Moscow International Film Festival em 2011, esta produção turca mostra a perda da inocência em um meio inóspito. Nas montanhas da Turquia, Hasan, de nove anos, cuida de seus dois irmãos mais novos, enquanto sua mãe trabalha numa cidade distante. Com seu pai preso, ele precisa ajudar na renda da família e e logo irá passar por uma grande provação.

CAMINHO PARA O NADA

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Realizador do road movie “Corrida Sem Fim” (incluído na coleção “O Cinema da Nova Hollywood“), Monte Hellman voltou à direção de longa, depois de 21 anos, com o metalinguístico “Caminho para o Nada“, premiado no Festival de Veneza. Na trama, um jovem cineasta começa a rodar seu novo filme e conhece a atriz perfeita (Shannyn Sossamon). A partir daí, desenrola-se uma trama de suspense envolvendo a vida real do realizador e a mulher misteriosa.

HOTEL ATLÂNTICO

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Um ator desempregado (Júlio Andrade, em cartaz nos cinemas com “Maresia” e “Elis”) parte de cidade a cidade, sem bagagem ou planos, em direção ao interior do país. Durante sua jornada, se depara com situações absurdas, contraditórias e inesperadas. Sensorial e inesperado, este é o terceiro longa-metragem da cineasta Suzana Amaral (“A Hora da Estrela”, “Uma Vida em Segredo”), uma adaptação do romance homônimo de João Gilberto Noll.

O CÉU SOBRE OS OMBROS

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A dualidade entre o real e o ficcional marca este interessante longa de Sérgio Borges premiado no Festival de Brasília em 2010. O cineasta se apropria de personagens reais para interferir em seu cotidiano e explorar novas possibilidades dramáticas, criando situações deliberadamente encenadas.

ELEVADO 3.5

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Um filme sobre o mundo de pessoas que se cruzam ao longo dos 3.5 km do Minhocão, via expressa construída na região central de São Paulo, durante a ditadura militar. Do nível da rua ao último andar, o espectador é conduzido por diferentes pontos de vista, mergulhando nas histórias dos personagens que ali vivem e/ou trabalham. Prêmio ‘Janela para o Contemporâneo’ de melhor documentário no Festival É TUDO VERDADE.

HERMANO

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Premiado como melhor filme de estreia no Havana Film Festival, “Hermano”, dirigido por Marcel Rasquin, acompanha a dura realidade de dois irmãos que encontram no futebol a única chance de melhorar de vida. Os dois jogam juntos no La Ceniza, time de uma favela venezuelana onde moram. Pré-candidato da Venezuela na disputa por uma das vagas do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2011.

OSLO, 31 DE AGOSTO

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Livremente inspirado no romance francês “Le feu follet” de Pierr Drieu La Rochelle, levado às telas antes em “Trinta Anos Esta Noite”, o filme consagrou mundialmente o dinamarquês Joachim Trier, diretor do recente “Mais Forte que Bombas”. “Oslo” segue Anders, jovem em tratamento para desintoxicação, no dia em que é liberado para uma entrevista de emprego na capital norueguesa. Exibido no Festival de Cannes.

OLIVER SHERMAN

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Estudo de personagem, este drama canadense apresenta Sherman (Garret Dillahunt), um militar solitário e desconectado do mundo. Ele procura pelo soldado que salvou sua vida durante a guerra, Franklin (Donal Logue, da série “Gotham”), e encontra-o vivendo numa pacata cidade rural, casado com Irene (a ótima Molly Parker, de “House of Cards”), com dois filhos e com um emprego seguro. Exibido no Festival Internacional Lume de Cinema.

ESTOQUES LIMITADOS

VIVA LA FRANCE! EM DOIS LANÇAMENTOS DA VERSÁTIL

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CHEGOU A VEZ DO CINEMA FRANCÊS NA VERSÁTIL, COM O ANÁRQUICO “MULHERES DIABÓLICAS”, ESTRELADO PELA INSUPERÁVEL ISABELLE HUPPERT, E DOIS FILMES COM A PARTICIPAÇÃO DE GÉRARD DEPARDIEU: O CLÁSSICO “A MULHER DO LADO”, DE FRANÇOIS TRUFFAUT, E “TODAS AS MANHÃS DO MUNDO“.

O DVD duplo “Cinema Francês” apresenta, em inéditas versões restauradas, “A Mulher do Lado” (1981), clássico de François Truffaut com Depardieu e Fanny Ardant vivendo um affair extraconjugal, e “Mulheres Diabólicas” (1995), filme de Claude Chabrol com Huppert e Sandrine Bonnaire premiadas com a Copa Volpi de melhor atriz no Festival de Veneza.

Edição especial com cerca de uma hora de vídeos extras, incluindo especiais e cenas comentadas.

Já “Todas as Manhãs do Mundo“, de Alain Corneau, é um dos títulos franceses mais aguardados em DVD pelos cinéfilos.

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CINEMA FRANCÊS

DISCO 1:

A MULHER DO LADO (“La femme d’à côté”, 1981, 105 min.)
De François Truffaut
Com Gérard Depardieu, Fanny Ardant e Henri Garcin.

La femme d'à côté

Bernard vivia feliz com sua esposa Arlette e seu filho Thomas. Certo dia, o casal Philippe e Mathilde se muda para a vizinhança. Esse encontro reúne Bernard e Mathilde, que haviam sido amantes anos antes. O relacionamento dos dois reascende, complicando a vida de todos.

DISCO 2:

MULHERES DIABÓLICAS (“La Cérémonie”, 1995, 115 min.)
De Claude Chabrol
Com Isabelle Huppert, Sandrine Bonnaire e Jacqueline Bisset.

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Sophie é contratada para ser governanta de uma família rica. Com o passar do tempo, seu comportamento se torna frio e ela faz amizade com a misteriosa Jeanne, o que trará consequências inesperadas. Com forte comentário social, esse suspense dirigido rigorosamente por Chabrol tem atuações memoráveis de Bonnaire e Huppert, que foi premiada com o César de melhor atriz.

EXTRAS:

* Apresentações (6 min.)
* Especiais (50 min.)
* Trailers (3 min.)

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TODAS AS MANHÃS DO MUNDO – ED. ESPECIAL

Vencedor de 7 prêmios César, incluindo melhor filme e diretor, este drama de época de Alain Corneau (“Noturno Indiano”) mergulha no mundo da música erudita, no final do século XVII

Na trama, o Monsieur de Sainte Colombe (Jean-Pierre Marielle), mestre de viola de gamba, regressa a seu lar e descobre que sua mulher faleceu enquanto esteve ausente. Na sua dor, ele constrói uma pequena casa no jardim, na qual viverá para dedicar a sua vida à música e às suas duas filhas, evitando o mundo exterior. Os rumores sobre ele e a sua música chegam à corte de Luís XIV, que o quer tocando na corte, mas ele se recusa. Um dia, um jovem, Marin Marais (Guillaume Depardieu, filho de Gérard) vem vê-lo com um pedido: quer aprender a tocar.

Gérard Diepardieu e seu filho Guillaume (precocemente falecido em ) interpretam o mesmo personagem, ocompositor e celista Marin Marais

Gérard Diepardieu e seu filho Guillaume (1971-2008) interpretam o mesmo personagem, o compositor francês Marin Marais

Desde o longo e emocionante plano-sequência inicial, “Todas as Manhãs do Mundo” é uma linda declaração de amor à música, no estilo de “Amadeus”.

Nos extras, confira o making of da produção.

PATRICE CHÉREAU (1944-2013)

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O CINEMA PERDEU O ATOR (DANTON), DIRETOR (A RAINHA MARGOT), ROTEIRISTA E PRODUTOR (GABRIELLE) FRANCÊS, FAMOSO TAMBÉM POR SUAS INCURSÕES PELA ÓPERA E TEATRO.

Pouca noticiada na imprensa brasileira, a morte do artista, vítima de um cancro no pulmão, aos 68 anos, deu fim a uma das carreiras mais abrangente das artes francesas. Mais conhecido no Brasil por seu trabalho como diretor de cinema (A Rainha Margot, Irmãos), Chéreau dedicou boa parte da vida ao teatro.

Nascido em 2 de novembro de 1944, na cidade francesa de Lézigné, montou sua primeira produção teatral, chamada A Intervenção (de Victor Hugo), com apenas 19 anos de idade, e, três anos depois, tornou-se diretor artístico do Théâtre de Sartrouville. Nos anos 1970, então codiretor do Théâtre National Populaire em Villeurbanne (perto de Lyon), acabou chamando a atenção do compositor musical Pierre Boulez, que o recomendaria para dirigir uma monumental (e controversa) versão moderna da ópera O Anel dos Nibelungos (de Richard Wagner) no Bayreuth Festival, em 1976. Chéreau e Boulez voltariam a trabalhar juntos em 1979 (Lulu) e 30 anos depois (From the House of the Dead).

Patrice Chéreau: mais de 40 anos de carreira divididos entre a direção de cinema, ópera e teatro, e eventuais participações como ator

Patrice Chéreau: mais de 40 anos de carreira divididos entre a direção de cinema, ópera e teatro, e eventuais participações como ator

Apaixonado pelo cinema desde a infância, já que morava a cerca de 100 metros da Cinemateca Francesa, Chéreau não demorou também a experimentar nessa mídia. A estreia na direção de longa-metragem veio com o thriller A Marca da Pantera (1974), estrelado pela ótima Charlotte Rampling (do recente Eu, Anna), seguido por Judith Therpauve (1978) e L’Homme Blessé (1983), que lhe valeu o César de melhor roteiro original. Workaholic inveterado, participou ainda como ator de produções de época como Danton – O Processo da Revolução (1983), O Último dos Moicanos (1992) e O Tempo Redescoberto (1999), no qual deu voz à narração em off de Marcel Proust.

O reconhecimento internacional viria com o maior sucesso comercial de sua carreira: A Rainha Margot (1994), um suntuoso épico em torno do casamento da personagem-título (vivida por Isabelle Adjani) e Henrique de Navarra (Daniel Auteuil, de O Oitavo Dia). Ao estilo operístico de seu ídolo Luchino Visconti (Os Deuses MalditosLudwig), Chéreau dirigiu uma versão visceralmente violenta do romance homônimo de Alexandre Dumas, reconstituindo a fatídica Noite de São Bartolomeu, nome dado ao sangrento massacre de protestantes nas ruas de Paris, em 1572. No papel de Catherine de Médicis, a veterana Virna Lisi conquistou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes e o filme ainda concorreu ao Oscar de figurino.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri e melhor atriz (Virna Lisi) no Festival de Cannes, "A Rainha Margot é um marco na carreira de Patrice Chéreau. Confira a versão estendida do filme, idealizada pelo diretor e disponível em DVD duplo (repleto de extras) na 2001 Vídeo

Vencedor do Grande Prêmio do Júri e melhor atriz (Virna Lisi) no Festival de Cannes, “A Rainha Margot é um marco na carreira de Patrice Chéreau. Confira o filme estrelado por Vincent Perez e Isabelle Adjani (foto) na versão estendida idealizada pelo diretor, disponível em DVD duplo (repleto de extras) na 2001 Vídeo

Depois do elegíaco mosaico de personagens em torno de um enterro em Os que me Amam Tomarão o Trem (1998, inédito em DVD no Brasil), dirigiu na Inglaterra o ousado drama Intimidade (2001). Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim, o filme causou escândalo graças as inúmeras cenas de sexo desglamourizado – e quase explícito – entre Mark Rylance e Kerry Fox. Já seus dois últimos longas, Gabrielle (2005), adaptação do romance de Joseph Conrad (2005) com Isabelle Huppert, e o elíptico Perseguição (2009), com Romain Duris e Charlotte Gainsbourg, permanecem inéditos em DVD no mercado brasileiro.

Chéreau dirige o ator Mark Rylance nos bastidores de "Intimidade", drama britânico repleto de cenas de sexo

Chéreau dirige o ator Mark Rylance nos bastidores de “Intimidade”, drama britânico repleto de cenas de sexo

A importância de Patrice Chéreau para as artes foi atestada pelo presidente francês François Hollande que, em virtude da morte do celebrado diretor, declarou: “A França perdeu um artista de proporções universais”.

PATRICE CHÉREAU EM DVD NA 2001:

0000Irmãos (2003)
Intimidade (2001)
A Rainha Margot (1994)

COMO ATOR:

O Tempo Redescoberto (1999)
Lucie Aubrac – Um Amor em Tempo de Guerra (1997)
O Último dos Moicanos (1992)
Danton – O Processo da Revolução (1983)

NOVA YORK SERVE DE CENÁRIO PARA MUITA AÇÃO – E SUSPENSE – EM DOIS LANÇAMENTOS INÉDITOS NOS CINEMAS BRASILEIROS

Diretor da versão original de "Os Homens que não Amavam as Mulheres", o dinamarquês Niels Arden Oplev faz sua estreia no cinema americano com "Sem Perdão", thriller lançado direto em DVD e Blu-ray no Brasil. Ambientado em Nova York, o filme é uma forte história de vingança com Colin Farrell e Noomi Rapace, atriz sueca que deu vida a Lisbeth Salander na trilogia "Millennium"

Diretor da versão original de “Os Homens que não Amavam as Mulheres”, o dinamarquês Niels Arden Oplev faz sua estreia no cinema americano com “Sem Perdão”, thriller lançado direto em DVD e Blu-ray no Brasil. Ambientado em Nova York, o filme é uma forte história de vingança com Colin Farrell e Noomi Rapace, atriz sueca que deu vida a Lisbeth Salander na trilogia “Millennium”

Sem Perdão
(Dead Man Down, EUA, 2013, Cor, 118′)
California – Suspense – 14 anos
Direção: Niels Arden Oplev
Elenco: Colin Farrell, Noomi Rapace, Terrence Howard, Dominic Cooper, Isabelle Huppert

Sinopse: Membro de uma gangue de criminosos, Victor é seduzido e chantageado por Beatrice, que busca vingança após um acidente de carro que a deixou desfigurada. Em troca do silêncio dela, ele precisa matar o motorista que a atropelou.

 
Com vários trabalhos realizados para a TV nórdica, o dinamarquês Niels Arden Oplev ganhou projeção internacional ao dirigir a versão sueca de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, depois refilmada por David Fincher em 2011. Depois da série Unforgettable, ele estreia no cinema americano com Sem Perdão, thriller de vingança estrelado por Colin Farrell e Noomi Rapace, a inesquecível Lisbeth Salander da trilogia Millennium original.

Na bem sucedida cinessérie adaptada da obra de Stieg Larsson, os protagonistas são encurralados pelas circunstâncias, levados a cometer atos questionáveis que tornam sua trajetória imprevisível e quase sempre fadada à tragédia. A vida não é muito diferente para Victor (Farrell), um imigrante de origem húngara cuja família foi assassinada na sombria e perigosa Nova York retratada no filme.

O irlandês Colin Farrell e a sueca Noomi rapace exibem boa química em cena; seus personagens vivem uma ambígua e perigosa relação que domina o filme, deixando em segundo plano a intriga envolvendo a gangue liderada pelo mafioso vivido por Terence Howard

O irlandês Colin Farrell e a sueca Noomi Rapace exibem boa química em cena; seus personagens vivem uma ambígua e perigosa relação que domina o filme, deixando em segundo plano a intriga envolvendo a gangue liderada pelo mafioso interpretado por Terence Howard. O elenco conta ainda com Dominic Cooper (de “Dublê do Diabo”) e a musa francesa Isabelle Huppert, em uma pequena participação como a mãe da personagem de Noomi 

Capanga de um estiloso mafioso de nome Alphonse (Terence Howard, de Crash – No Limite), ele conhece uma vizinha com o rosto parcialmente desfigurado, Beatrice (Noomi). Logo no primeiro encontro romântico dos dois, surge a revelação: Beatrice gravou Victor cometer um crime e, para manter o segredo, exige que ele mate o homem responsável por tê-la atropelado há um ano.

Em busca de vingança, os dois desenvolvem uma estranha e por vezes doentia relação, que desperta o pior em cada um e culmina em ainda mais violência, com algumas perseguições e tiroteios pelo caminho. Para terminar a sua vingança, ele precisa finalizar a dela.

Filmado em locações de Nova York, como os arredores da Universidade de Columbia e o Central Park, "Perigo por Encomenda" é uma aventura "descolada", com alucinantes  perseguições, edição ágil e um incrível trabalho dos dublês

Filmado em locações de Nova York, como a Universidade de Columbia e o Central Park, “Perigo por Encomenda” é uma aventura “moderninha”, com alucinantes perseguições, edição ágil e um jovem ator em ascensão – Joseph Gordon Levitt (“A Origem”, “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”)

Perigo por Encomenda
(Premium Rush, EUA, 2012, Cor, 91′)
Sony – Aventura – 12 anos
Direção: David Koepp
Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Michael Shannon, Dania Ramirez, Sean Kennedy

Sinopse: Desviar de carros acelerados, táxis enlouquecidos e oito milhões de pedestres mal-humorados é a rotina diária de Wilee, o melhor mensageiro ciclista de Nova York. Só que o último envelope do dia – uma entrega “urgente” rotineira – se torna uma perseguição de vida ou morte pelas ruas de Manhattan.

 
Coescrito e dirigido por um colaborador frequente de Steven Spielberg – David Koepp, roteirista de Jurassic Park, Guerra dos Mundos e de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal -, Perigo por Encomenda transforma o trabalho do bike courier – o entregador de bicicleta – numa eletrizante corrida contra o tempo. E não só contra o tempo: no estressante dia a dia de uma das maiores cidades do mundo, carros, faróis, policiais e até pedestres tornam-se obstáculos para Wilee (o ascendente Joseph Gordon-Levitt, de A Origem), quase um “mensageiro-ninja”, dada a sua inacreditável habilidade com a bicicleta.

Logo após Wilee sofrer uma pequena queda, ao som do clássico do The Who Baba O’Riley, o enredo retrocede no tempo e o ciclista tem cerca de 5 horas e meia para entregar um misterioso envelope no bairro de Chinatown. O conflito surge com a entrada em cena de Michael Shannon (O Abrigo, O Homem de Aço), mais uma vez interpretando um personagem desequilibrado, desta vez um detetive que intercepta o nosso herói e exige o envelope.

Novo astro de Hollywood, Joseph Gordon-Levitt sofreu vários ferimentos durante as filmagens. Numa das gravações, por exemplo, ele bateu de bicicleta em um táxi e sofreu vários pontos em um dos braços. Algumas imagens do ator após o acidente aparecem nos créditos finais do filme

Novo astro de Hollywood, Joseph Gordon-Levitt sofreu vários ferimentos durante as filmagens. Numa das gravações, por exemplo, ele bateu de bicicleta em um táxi e sofreu vários pontos em um dos braços. Algumas imagens do ator após o acidente aparecem nos créditos finais do filme

Com o vilão em seu encalço, Wilee desafia todas as leis de trânsito em acrobacias alucinantes dos dublês, e perseguições em alta velocidade que incluem uma corrida entre o protagonista e um ciclista rival, passando pelo Central Park.

Para tornar a narrativa mais ágil e “moderninha”, o diretor e roteirista Koepp usa e abusa de flashbacks, e da computação gráfica em sequências que lembram o filme Sem Limites. O tempo é suspenso para demonstrar as inúmeras possibilidades do herói em fuga: os riscos de ir por uma ou outra direção, e suas consequências numa espécie de GPS mental.

Andar de bicicleta em Nova York nunca foi tão perigoso – e ao mesmo tempo divertido.

“EM NOME DE DEUS”: UM FILME DE BRILLANTE MENDOZA COM ISABELLE HUPPERT

Exibido no  Festival de Berlim do ano passado, "Em Nome de Deus" é uma coprodução entre França, Filipinas, Inglaterra e Alemanha, com a estrela Isabelle Huppert trabalhando sob a direção do filipino Brillante Mendoza ("Lola")

Exibido no Festival de Berlim do ano passado, “Em Nome de Deus” é uma coprodução entre França, Filipinas, Inglaterra e Alemanha, com a estrela Isabelle Huppert trabalhando sob a direção do filipino Brillante Mendoza (“Lola”)

Em Nome de Deus
(Captive, FRA/FIL/ING/ALE, 2012, Cor, 123′)
Europa – Cinema Europeu – 16 anos
Direção: Brillante Mendoza
Elenco: Isabelle Huppert, Katherine Mulville, Marc Zanetta, Rustica Carpio

Sinopse: Na ilha de Palawan, nas Filipinas, integrantes de uma organização humanitária – que inclui a missionária Thérèse Bourgoin – são sequestrados por um grupo extremista chamado Abu Sayyaf.

 
Dirigido por Brillante Mendoza (Lola, Kinatay), Em Nome de Deus é inspirado no brutal sequestro de missionários e turistas estrangeiros pelo grupo de separatistas islâmicos Abu Sayyaf, em 2001. O filme ficcionaliza alguns dos incidentes subsequentes à invasão do Resort Dos Palmas (ilha de Palawan, Filipinas), narrando a via-crúcis dos reféns.

Presos em condições precárias, e mediante forte violência física e psicológica, os sequestrados são levados de barco e depois seguem a pé pela selva filipina. Mantidos em cativeiro por meses, sofrem todo tipo de maus tratos, que culminam em estupros (no caso das mulheres mais jovens) e até mortes.

Mendoza é crítico tanto aos membros do Abu Sayyaf quanto às autoridades de seu país, que se revelam ineficientes e igualmente violentas. Os sequestradores se valem dos reféns estrangeiros para extorquir altos resgates em dinheiro, e não hesitam em usá-los como escudos humanos. Além disso, a ofensiva militar do governo contra os rebeldes não poupa ninguém, nem os sequestrados. E as embaixadas e órgãos diplomáticos são incapazes de reverter a situação.

Inspirado em história real, o filme acompanha - ao estilo realista e visceral do premiado cineasta filipino Brillante Mendoza - a sofrida jornada dos reféns, cujo sofrimento atinge níveis insuportáveis ao completar meses sob cativeiro de um grupo extremista

Inspirado em história real, o filme acompanha – ao estilo visceral e sem retoques do premiado cineasta filipino Brillante Mendoza – a sofrida jornada dos reféns, cujo sofrimento atinge níveis insuportáveis ao completarem meses sob cativeiro

A degradação humana chega a limites impensáveis pelo olhar implacável do diretor filipino, que encena a invasão de um hospital na qual os guerrilheiros desalojam pacientes dos leitos. Como desgraça pouca é bobagem, uma mulher prestes a dar à luz chega no mesmo momento, minutos antes de um cerco militar transformar o local num campo de guerra.

No meio de tanta desolação e personagens unidimensionais, um pouco de humanidade surge na figura de Thérèse Bourgoine (Isabelle Huppert, arriscando-se mais uma vez fora da França), uma missionária cristã que trabalha como voluntária no país. Espécie de consciência no grupo de reféns, ela tenta manter o controle e é uma das poucas, se não a única, a confrontar seus algozes. Em um de seus momentos de indignação, Théresè revolta-se ao ver pilhas de bíblias sendo jogadas ao mar, um símbolo claro da oposição de crenças entre a protagonista – cuja trajetória lembra o calvário enfrentado na vida real por Íngrid Betancourt na Colômbia – e seus raptores.

Uma das maiores atrizes da Europa, a francesa Isabelle Huppert não tem medo de se arriscar, e tem trabalhado com cineastas de diferentes continentes, sempre em papéis fortes. Em 2009, Isabelle presidiu o júri do Festival de Cannes, que premiou Brillante Mendoza como melhor diretor por

Uma das maiores atrizes da Europa, a francesa Isabelle Huppert não tem medo de se arriscar, trabalhando com cineastas de diferentes continentes, sempre em papéis fortes. Em 2009, Isabelle presidiu o júri do Festival de Cannes que premiou Brillante Mendoza como melhor diretor, por “Kinatay”. Dali surgiu o desejo de uma parceria, concretizada com o angustiante “Em Nome de Deus”, recém-lançado para locação na 2001

Filmado em estilo semi-documental, em locações reais nas Filipinas e com atores não-profissionais no elenco, Em Nome de Deus mergulha em uma terra de ninguém, deixando o espectador sob o mesmo clima de incerteza e tensão vivido pelos pobres reféns.

DO MESMO DIRETOR EM DVD NA 2001:

Lola
(Lola, FIL/FRA, 2009, Cor, 110′)
Lume – Cinema Asiático – 12 anos
Direção: Brillante Mendoza
Elenco: Anita Linda, Rustica Carpio, Tanya Gomez

000000Finalmente em DVD no Brasil um filme de Brillante Mendoza, diretor filipino reconhecido com o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes por Kinatay (2009). Seu longa seguinte, Lola, evidencia seu estilo semidocumental e um de seus temas mais caros: o instinto de sobrevivência diante das piores circunstâncias.

Na trama, as vidas de duas senhoras se cruzam quando o neto de uma mata o neto da outra. A avó do falecido precisa levantar dinheiro para o funeral dele, enquanto a outra luta para tirar o neto da cadeia.

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: VIVE LA FRANCE!

FRANCE

DESENCONTROS AMOROSOS, O RECOMEÇO EM MEIO À CRISE NA EUROPA E O TRAUMA VIVIDO POR UMA JOVEM VÍTIMA DE SEQUESTRO SÃO ALGUNS DOS TEMAS DE TRÊS LANÇAMENTOS FRANCESES NA 2001:

 

Estrelado por atores populares na França como François Cluzet, Julie Depardieu e , o filme entrelaça com inteligência diferentes subtramas em torno do amor platônico nos dias de hoje

Estrelado por atores populares na França como François Cluzet (“intocáveis”), Julie Depardieu (“A Culpe É do Fidel!”) e Gaspard Ulliel (“Eterno Amor”), o filme entrelaça com inteligência diferentes subtramas em torno do amor platônico nos dias de hoje

A Arte de Amar
(L’Art d’Aimer, FRA, 2011, Cor, 85′)
Europa – Cinema Europeu – 12 anos
Direção: Emmanuel Mouret
Elenco: Julie Depardieu, François Cluzet, Gaspard Ulliel, Ariane Ascaride, Judith Godrèche, Frédérique Bel

Sinopse: As desventuras amorosas de diversos amigos em comum na Paris atual.

 
Com uma pitada de fina ironia francesa, esquetes com títulos sarcásticos como “Paciência, Paciência” ou “Mantenha as Infidelidades em Segredo” são interligados por diferentes personagens, com seus desejos e frustrações românticas no vai e vem de Paris.

Zoé (Pascale Arbillot) é uma mulher casada que vê sua amiga Isabelle (Julie Depardieu, de A Culpa é do Fidel) sofrendo por não ter uma relação íntima há mais de um ano. Para ajudá-la, Zoé oferece à amiga uma noite com seu marido. Amélie (Judith Godrèche, de Potiche), também amiga de Isabelle, quer ajudar a moça a terminar seu “celibato” e propõe a ela trocar de lugar durante um encontro às escuras com seu colega de trabalho, Boris. Já Emanuelle (Ariane Ascaride, As Neves do Kilimanjaro) quer se separar de Paul para que possa viver suas fantasias em total liberdade, já que ela se sente atraída por praticamente todos os homens, menos o marido. E Vanessa (Élodie Navarre) e seu namorado William (o galã Gaspard Ulliel) concordam em sair com outras pessoas, no intuito de abrir seus horizontes. Mas o melhor segmento é o de Achille (François Cluzet, de Intocáveis), solteirão que leva uma vida solitária até conhecer uma nova vizinha (Frédérique Bel). Voluptuosa e recatada, pragmática e intempestiva, quente e fria, ela vai levar à loucura Achille, que fará de tudo para agradá-la, quase sempre sem sucesso.

Além de dirigir A Arte de Amar, Emmanuel Mouret também atua no filme que ironiza conceitos como afinidade, infidelidade e satisfação sexual para falar de personagens tentando, sem sucesso, racionalizar o próprio desejo.

Com várias referências à cultura brasileira, o filme é uma "dramédia" com Isabelle Huppert em estado de graça, no papel de uma mãe solteira que precisa dar a volta por cima em plena crise europeia

Com várias referências à cultura brasileira, o filme é uma “dramédia” com Isabelle Huppert em estado de graça, no papel de uma mãe solteira que precisa dar a volta por cima em plena crise europeia e conquistar não apenas um emprego, mas o respeito da filha

Copacabana*
(Idem, FRA/BEL, 2010, Cor, 107′)
Europa – Cinema Europeu – 14 anos
Direção: Marc Fitoussi
Elenco: Isabelle Huppert, Aure Atika and Lolita Chammah, Jurgen Delnaet

Sinopse: Mãe-solteira que sempre viveu de maneira incomum, Babou nunca durou muito em nenhum emprego e passa por dificuldades financeiras. Sua filha a rejeita e por isso não a convida para seu casamento. Triste e com o orgulho ferido, Babou está disposta a mudar e reconquistar sua filha.

* Melhor atriz (Isabelle Huppert) no Cairo International Film Festival

Intérprete de mulheres fortes no cinema, Isabelle Huppert muda um pouco de registro em Copacabana, exibindo vulnerabilidade tocante no papel de Babou, uma esfuziante mãe solteira à procura de emprego. Expansiva e de espírito livre, a personagem tem dificuldade para se entender com a filha de personalidade diametralmente oposta. Introspectiva e preocupada com a aprovação dos outros, ela tem vergonha da mãe. Ao saber pela filha que não foi convidada para o casamento dela, Babou decide provar que pode se estabilizar profissionalmente e comprar um bom presente de casamento.

A solução é recomeçar do zero, trabalhando por comissão para uma corretora e incorporadora de imóveis alugados no litoral da Bélgica. No início, o trabalho é simples e até pejorativo para alguns: apenas distribuir cartões de visita dos reais corretores aos turistas e pessoas nas ruas. Com jeitinho e carisma, Babou consegue superar as dificuldades e se destacar na empresa.

Isabelle como Babou: se arrumar um emprego digno na Europa hoje é tarefa difícil, imagine sendo uma mulher de mais de cinquenta anos e com quase nenhuma experiência profissional... Esse é o desafio da personagem, que não esmorece em busca de uma oportunidade

Isabelle como Babou: se arrumar um emprego decente na Europa é tarefa difícil hoje, imagine sendo uma mulher de mais de cinquenta anos e com quase nenhuma experiência profissional… Esse é o desafio da personagem, que não esmorece em busca de uma oportunidade – e dignidade.

Embora a personagem de Isabelle encante a todos com seu desprendimento e personalidade extravagante, Copacabana nada mais é do que a luta de uma mulher de meia idade para se reinventar em plena crise financeira na Europa. Em tempos difíceis, a lei do livre mercado impera, sujeitando desempregados de maior idade ou sem formação a “se virar” em condições de trabalho desiguais e ruins. Nesse topa tudo por dinheiro, Babou vai testemunhar o processo de desumanização do indivíduo para segurar sua posição econômica. Sentimentos como cobiça, inveja e egoísmo afloram no campo de batalha em que se transformou o ambiente de trabalho.

A heroína de Isabelle não perde a esperança, nem o sonho de conhecer o Rio de Janeiro. Apaixonada pela cultura e, em especial, a música brasileira, Babou vai lutar contra todas as adversidades, sem deixar de ser quem é ou o que acredita. Ao som de Jorge Ben, Astrud Gilberto, Marcos Valle e até de nosso querido Tom Zé.

Denso e repleto de elipses que deixam em aberto várias perguntas do espectador, "De Volta para Casa" aborda o cruel sequestro de uma menina mantida em cativeiro por cerca de 8 anos, criando uma estranha relação com seu algoz

Denso e repleto de elipses que deixam em aberto várias perguntas do espectador, “De Volta para Casa” aborda o inexplicável sequestro de uma menina mantida em cativeiro por cerca de 8 anos, criando uma estranha relação com seu algoz

De Volta para Casa
(À Moi Seule, FRA, 2012, Cor, 91′)
Imovision – Cinema Europeu – 12 anos
Direção: Frédéric Videau
Elenco: Agathe Bonitzer, Reda Kateb, Hélène Fillières, Noémie Lvovsky

Sinopse: Gaëlle é sequestrada ainda criança por Vincent no pátio de sua escola. Em oito anos de clausura, o ódio inicial desaparece e eles acabam desenvolvendo uma estranha relação de dependência um do outro.

 
Exibido no Festival de Berlim, De Volta para Casa trata de assunto polêmico, com ecos de casos recentes de garotas mantidas em cativeiro na Áustria. Mais que tratar de abuso sexual, o filme esboça um possível caso de Síndrome de Estocolmo.

Logo no início da trama, o perturbado Vincent (Reda Kateb, intérprete do principal torturado de A Hora Mais Escura) abre a escotilha do sótão onde se encontra a jovem Gaëlle (Agathe Bonitzer, de A Bela Junie), de 17 anos. Ele a deixa sair, e finalmente ela deixa a casa onde morou por oito anos em cárcere privado.

e seu sequestrador: convivência ambígua, marcada por uma possível Síndrome de Estocolmo

Ao lado de seu sequestrador, Gaëlle no início do cárcere: convivência ambígua, que evolui para uma possível Síndrome de Estocolmo na adolescência

De ritmo lento, o drama francês alterna a difícil adaptação de Gaëlle à sociedade com flashbacks do período em que esteve em cativeiro. Uma psiquiatra tenta elucidar a difícil relação desenvolvida entre ela e seu sequestrador.

A convivência entre o maníaco e sua presa alterna momentos de cumplicidade com outros de puro estranhamento e tensão. Tensão que pontua cada movimento de uma mente perturbada, enquanto sua vítima aprende a suportar o cárcere. A sobreviver.

Prestes a completar 18 anos, a fragilizada protagonista precisa lidar com o peso de sua ausência sobre a comunidade, a mídia e, principalmente, seus pais. Gaëlle recusa o papel de vítima e admite à mãe ter tido oportunidades para fugir. Confissão chocante não só para a família, mas também para o espectador de um filme que não dá respostas, e nem entra em detalhes (inclusive, sexuais) sobre o que aconteceu com a jovem durante tanto tempo presa.

“AMOR”, DE MICHAEL HANEKE, POR ANA LUCILIA RODRIGUES

Aclamado por público e crítica, "Amor" acaba de sair para locação na 2001 Vídeo e já é um dos filmes mais alugados da rede. Gentilmente, a psicanalista (e cliente da 2001) Ana Lucilia Rodrigues analisou o filme, refletindo sobre alguns dos temas propostos pelo diretor e roteirista Michael Haneke

Aclamado por público e crítica, “Amor” acaba de sair para locação na 2001 Vídeo e já é um dos filmes mais alugados da rede. Gentilmente, a psicanalista (e cliente da 2001) Ana Lucilia Rodrigues analisou o filme, refletindo sobre alguns dos temas propostos pelo diretor e roteirista Michael Haneke

“AMOR”
Por Ana Lucília Rodrigues

Escrito e dirigido pelo austríaco Michael Haneke, Amor (ou Amour, seu título original) ganhou os principais prêmios do cinema, incluindo a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar de melhor filme estrangeiro. Aclamado por público e crítica, o longa deflaga o estilo hanekeano, marcado pela objetividade que mostra a realidade nua e crua, sem maquiagens ou exageros, levando seus personagens a momentos de extrema crueldade, indo na contramão do cinema espetacular tão característico do mundo em que vivemos. Traz à tona a obscuridade presente em outros dramas do cineasta, como A Professora de Piano (2001), no qual a personagem-título corta sua genitália e implora para ser açoitada, Violência Gratuita (2007), no qual uma família é mantida em cativeiro por dois invasores que executam jogos sádicos e violentos, e ainda A Fita Branca (2009), sobre as origens do nazismo e do holocausto.

Michael Haneke, 2 vezes vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, por "A Fita Branca" e "Amor"

Michael Haneke

Mas Amor é revestido de compaixão e sensibilidade sem perder a objetividade, é entre o terror da morte e da compaixão que nasce a poesia do filme. Mas qual seria a razão desta mudança? É o próprio Haneke que, em entrevistas, nos conta um drama pessoal que o levou se perguntar: ”Como é lidar com o sofrimento e a morte de alguém que se ama?“.

Haneke foi criado por uma tia, que o acolheu após seus pais – um casal de atores com prioridades diferentes na vida – perceberem que não tinham talento para criar seus filhos. Aos 92 anos, a “mãe-tia”, agora aleijada por um reumatismo e sofrendo toda espécie de dores, suplica a ele que a ajude a morrer. Assim nasceu o filme, invadido pela vida pessoal do diretor austríaco.

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes por "A Fita Branca" e "Amor", Michael Haneke dirige duas lendas do cinema francês: Emmanuelle Riva ("Hiroshima Meu Amor" e Jean-Louis Trintignant ("O Conformista")

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes por “A Fita Branca” e “Amor”, Michael Haneke dirige duas lendas do cinema francês: Emmanuelle Riva (“Hiroshima Meu Amor”) e Jean-Louis Trintignant (“O Conformista”)

A história de Amor é aparentemente simples: um casal de musicistas octagenários leva uma vida tranquila em Paris, apreciando pequenos prazeres como ir a recitais, escutar Schubert, ler livros e conversar sobre arte e cultura. Até que numa manhã, Anne (Emmanuelle Riva) se ausenta por minutos da conversa com seu marido George (Jean-Louis Trintignant), que estranha sua atitude e a leva ao médico. Anne tem uma obstrução na carótida, que aos poucos a faz entrar numa decadência física, psíquica e moral, e George a acompanha passo a passo a caminho da morte. O casal tem uma filha, Eva (Isabelle Huppert), também musicista, que os visita esporadicamente, mesmo com a mãe doente. Sua visão da doença é quase científica e, ao mesmo tempo, ela quer tirar da sua frente a imagem da decadência humana, preferindo que a mãe volte para o hospital ou vá para um asilo. Ela roça os dedos na tragédia, um claro sintoma de nossos tempos.

Estrela de outros dois filmes de Haneke ("A Professora de Piano", "Le Temps du Loup"), Isabelle Huppert tem o difícil papel da filha que se esquiva ao mesmo tempo em que precisa aprender a lidar com a situação de seus pais

Estrela de outros dois filmes de Haneke (“A Professora de Piano”, “Le Temps du Loup”), Isabelle Huppert tem o difícil papel da filha que se esquiva ao mesmo tempo em que precisa aprender a lidar com a situação de seus pais

O drama é quase todo ambientado no apartamento do casal, com exceção da cena de um recital de um ex-aluno de Anne, o que poderia tornar o filme claustrofóbico, mas Haneke deixa de lado as alegorias cinematográficas, optando pela iluminação natural e a sobriedade da cor cinza claro que aparece nas paredes. A câmera estática e seus planos longos abertos acompanham a narrativa seca, de poucos cortes e a trilha sonora econômica, preterida pelos sons da torneira aberta, dos passos arrastados, dos gemidos de dor e de desesperança de Anne, das histórias que George conta numa tentativa de prender sua esposa à vida.

É um filme que convoca o público a compartilhar da intimidade do casal e é impossível ficar imune à presença da morte.

Jean-Louis Trintignant como Georges, o determinado companheiro de Anne. O inesquecível juiz de "A Fraternidade É Vermelha" estava aposentado do cinema desde 2005, e em depressão desde a morte brutal de sua segunda filha, em 2003. "Amor" marca não apenas seu renascimento artístico e pessoal, mas uma forma de exorcizar inúmeras tragédias pessoais

Jean-Louis Trintignant como Georges, o determinado companheiro de Anne. O inesquecível juiz de “A Fraternidade É Vermelha” estava aposentado do cinema desde 2005, em depressão desde a morte brutal de sua segunda filha (Marie), em 2003. “Amor” marca não apenas seu renascimento artístico e pessoal, mas uma forma de exorcizar inúmeras tragédias pessoais

A obra de Haneke tem o tom hitchcockiano, cinema do medo do medo. Em Amor, ficamos numa espera inquieta, gerada plano a plano, em que cada plano é uma ameaça para a vida de Anne, pois sabemos que sua morte anunciada no início vai chegar, só não sabemos como. E quando ela chega, rompe com a narrativa fílmica assim como acontece com a narrativa da vida, daí para frente entramos num ambiente onírico onde a realidade se mistura com o sonho, e o final convoca o público à interpretação, a seu sentido pessoal.

Assim como Hitchcock levou a psicanálise para o cinema, tanto pela construção dos dramas humanos como em citações claras sobre o Complexo de Édipo e outros, Haneke, também estudioso da psicologia e da filosofia, apresenta em Amor uma representação por imagens do pensamento freudiano de que o “impulso de vida e o impulso da morte habitam lado a lado dentro de nós. A morte é a companheira do amor. Juntos regem o mundo”.

Caro leitor, Amor é um belo filme, daqueles que continuam em nossas vidas depois que a sessão termina e nos coloca a pensar, algo raro no cinema atual.

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OS ATORES
AMOR NOS BRINDA COM A PRESENÇA DE DUAS LENDAS DA SÉTIMA ARTE.

Escrito por Marguerite Duras, o papel de Emmanuelle Riva em "Hiroshima Meu Amor" (1959) marcou época e imortalizou a atriz entre os cinéfilos

Escrito por Marguerite Duras, o papel de Emmanuelle Riva em “Hiroshima Meu Amor” (1959) marcou época e imortalizou a atriz entre cinéfilos do mundo inteiro. Seguiram-se participações fortes em “Adua e Suas Companheiras” (1960), “Kapó” (1960) e “León Morin” (1961) sem, no entanto, a atriz alcançar o mesmo reconhecimento artístico nas décadas seguintes. E engana-se quem pensa que “Amor” é o primeiro encontro nas telas entre ela e Jean-Louis Trintignant. Os dois trabalharam juntos antes em um dos segmentos do filme “Io uccido, tu uccidi”, comédia italiana de humor negro de 1965. E, separadamente, participaram da trilogia das cores de Krzysztof Kieslowski: Emmanuelle em “A Liberdade É Azul” e Jean-Louis em “A Fraternidade É Vermelha”.

Emmanuelle Riva (Anne), uma dama do cinema francês, atuou na memorável produção cinematográfica Hiroshima, Meu Amor, de Alain Renais, peça angular da Nouvelle Vague, mas depois não conseguiu muita visibilidade como atriz, até protagonizar, aos 85 anos de idade, Amor. Com uma beleza desconcertante, por deixar intactas as marcas da vida, sua atuação é simplesmente impecável e digna de aplausos. Vencedora da Palma de Ouro no Festival de Cannes e do prêmio Bafta, Emmanuelle tornou-se a atriz com mais idade a concorrer ao Oscar de melhor atriz, completando 86 anos de vida justamente no dia da cerimônia da Academia, em 24 de fevereiro deste ano.

Com seu tipo introspectivo e sofisticado, Jean-Louis estrelou alguns dos maiores clássicos do cinema europeu numa carreira brilhante: "E Deus Criou a Mulher" (1956),  "Verão Violento" (1959), "Aquele Que Sabe Viver" (1962), "Um Homem, uma Mulher" (1966), "Z" (1969, prêmio de melhor ator no festival de Cannes), "O Deserto dos Tártaros" (1976), "Casanova e a Revolução" (1982), "Rendez-vous" (1985), "A Fraternidade É Vermelha" (1994)

Com seu tipo introspectivo e sofisticado, Jean-Louis estrelou alguns dos maiores clássicos do cinema europeu numa carreira brilhante: “E Deus Criou a Mulher” (1956), “Verão Violento” (1959), “Aquele Que Sabe Viver” (1962), “Um Homem, uma Mulher” (1966), “Z” (1969, prêmio de melhor ator no Festival de Cannes), “O Deserto dos Tártaros” (1976), “Casanova e a Revolução” (1982), “Rendez-vous” (1985) e “A Fraternidade É Vermelha” (1994), todos disponíveis para locação nas lojas da 2001 Vídeo

A presença inquietante e enigmática de Jean-Louis Trintignant, aos 82 anos de idade, também foi fundamental para o êxito de Amor. Ele conduz o filme com coragem, bom humor e gentileza, sem nunca perder a compustura. Um dos atores-chave da Nouvelle Vague, atuou em E Deus Criou a Mulher (1956), de Roger Vadim, atingindo sucesso mundial com o clássico romãntico Um Homem, uma Mulher, de Claude Lelouch, dez anos depois.

untitled 2ANA LUCILIA RODRIGUES

Psicanalista, membro da Associação Psicanalítica de Porto Alegre (APPOA) e do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise (LATESFIP/USP ). Autora do livro Pedro Almodóvar e a Feminilidade (Escuta, 2008) e coautora do livro Cinema – O Divã e a Tela (Artes e Ofícios, 2001), desenvolve doutorado sobre cinema no programa de pós-graduação em Semiótica da PUC-SP. Organizadora da Jornada Paulista de Cinema e Psicanálise e da Coleção Cinema e Psicanálise (Versão 2012).