Juliette Binoche

“EXTRAORDINÁRIO” E MAIS LANÇAMENTOS NA 2001

EXTRAORDINÁRIO

Com 6,6 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros entre dezembro de 2017 e o início deste ano, o filme é um dos grandes sucessos-surpresa da temporada, provando a necessidade do público por mais histórias com emoção, sensibilidade e importância social no cinema.

Dirigido por Stephen Chbosky (de “As Vantagens de Ser Invisível”), “Extraordinário” é baseado no best-seller homônimo de Raquel J. Palacio e concorreu ao Oscar de melhor maquiagem.

Conheça a emocionante história de superação de August Pullman (interpretado por Jacob Tremblay, de “O Quarto de Jack”), garoto nova-iorquino que nasceu com uma deformidade facial. Aos 10 anos, ela já passara por 27 cirurgias plásticas, afastando-o de qualquer convívio social fora do próprio lar.

Mas chega a hora de “Auggie” (seu apelido) enfrentar o mundo exterior, ao ingressar na 5ª série de uma escola comum, sob o olhar crítico das outras ciranças (e até dos adultos). Com o apoio de sua mãe (Julia Roberts), de seu pai (Owen Wilson) e de sua irmã (Izabela Vidovic), Auggie irá enfrentar o preconceito – incluindo aí o famigerado bullying – e descobrir que também pode haver compaixão e respeito às diferenças.

Com sensibilidade, sem cair para o melodrama fácil, “Extraordinário” é mais um olhar humanista do diretor Stephen Chbosky – e uma lição de vida para educadores, pais e alunos.

Curiosidade: Jacob Tremblay e sua família visitaram uma associação infantil craniofacial, onde o ator conheceu crianças diagnosticadas com a Síndrome de Treacher Collins, que inspirou a autora Raquel J. Palacio a criar a história de Auggie.

PARIS PODE ESPERAR

Diretora de “O Apocalipse de um Cineasta” (1991) – documentário sobre os bastidores de “Apocalypse Now”, dirigido por seu marido, Francis Ford Coppola -, Eleanor Coppola faz sua estreia no cinema de ficção com este singelo “travelogue” (ou filme de viagem) com Diane Lane trocando a Toscana por Paris. Sua personagem, Anne, parte em uma viagem de carro de Cannes a Paris, ao lado do sócio de seu marido ausente, dando início a uma jornada de descobertas, gastronomia e vinhos.

APENAS UM GAROTO EM NOVA YORK

Diretor de “O Espetacular Homem-Aranha” (2012), Marc Webb volta às suas origens “indie” e ao clima de “(500) Dias com Ela” (2009) nesta típico relato do rito de passagem de um jovem. No caso, Thomas (Callum Turner), que passa por uma explosão de sentimentos ao descobrir que seu pai (papel de Pierce Brosnan) mantém um caso extraconjugal com Johanna (Kate Beckinsale). Inconformado, ele passa a segui-la, com consequências inesperadas. Jeff Bridges e Cynthia Nixon completam o elenco.

DESERTO EM FOGO

Inédito no circuito comercial brasileiro, o filme é uma espécie de thriller ecológico do grande cineasta alemão Werner Herzog, com belas locações no Deserto de Sal da Bolívia. A história acompanha três cientistas – Laura (Veronica Ferres), Fabio (Gael García Bernal) e Matt (Michael Shannon) – enviados para o sudoeste do país a fim de investigar um desastre ecológico que dá início à erupção de um vulcão.

MEXEU COM UMA, MEXEU COM TODAS

Dirigido por Sandra Werneck (de “Cazuza – O Tempo não Pára”), o documentário debate diferentes formas de violência contra a mulher, com depoimentos de figuras públicas – como a farmacêutica Maria da Penha, que deu nome à lei de 2006, e a nadadora Joanna Maranhão – e de anônimas, que relatam suas experiências, rompendo com o silêncio derivado do medo da desaprovação social. Exibido no festival “É Tudo Verdade” em 2017.

TAL MÃE, TAL FILHA

Juliette Binoche (em cartaz nos cinemas com “Deixe a Luz do Sol Entrar”) prova mais uma vez sua versatilidade nesta comédia na qual mãe e filha ficam grávidas ao mesmo tempo. Mado, sua personagem, vive como uma eterna adolescente, dependente da filha Avril (Camille Cottin), que ao contrário dela é casada e mais responsável. A chegada da maternidade coloca a rotina de ambas de pernas pro ar, já que Mado não está pronta para ser avó.

GUIADOS PELO CORAÇÃO

Do diretor de origem tunisiana Michel Boujenah, esta produção franco-belga trata com sensibilidade dos desafios de Marie, uma jovem violoncelista que sonha estudar em uma escola de música. Mas ela sofre de uma doença genética que vai afetando aos poucos sua visão. Um novo amigo, Victor, torna-se seus olhos, enquanto ela esconde a verdade de seus pais.

MULHERES DIVINAS

Indicado pela Suíça para disputar uma das vagas do Oscar 2018 de melhor filme estrangeiro, o longa da cineasta Petra Biondina Volpe mostra os esforços de um grupo de mulheres – liderado por uma jovem dona de casa, Nora (Marie Leuenberger) – que luta pelo direito feminino ao voto, em uma pequena aldeia suíça, em 1971.

EM PROMOÇÃO, O ACLAMADO “A CRIADA” E UMA GRANDE SELEÇÃO DE CINEMA EUROPEU

A CRIADA

Novo cult movie do cineasta sul-coreano Park Chan-Wook, que ganhou fama no Brasil com “Oldboy” (2003). Visualmente suntuoso, “A Criada” é uma produção de época bastante moderna, tratando de temas como conflito de classes, empoderamento feminino, homossexualidade e jogos de poder.

Exibido na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o filme concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado e tem como base o livro “Fingersmith” (2002), da autora galesa Sarah Waters. O cenário do romance – a Londres vitoriana – foi transposto no longa para a Coreia do Sul dos anos 1930, época em que o país foi ocupado pelo Japão.

Na trama, a jovem Sooke é contratada para ser criada de Hideko, uma rica herdeira que leva uma vida reclusa junto de Kouzuki, seu tio dominador. No entanto, a empregada tem um segredo: é uma ladra recrutada por vigarista para seduzir a patroa e roubar sua fortuna.

Repleto de reviravoltas, o filme conta com a violência e sensualidade à flor da pele de outros trabalhos de Chan-Wook, além de uma história surpreendente, narrada por três pontos de vista.

13 MINUTOS

Depois de “A Queda! As Últimas Horas de Hitler” (2004), o cineasta Oliver Hirschbiegel volta ao tema neste longa baseado na história real do fracassado atentado a Hitler em 8 de novembro de 1939. Se em “Operação Valquíria” (2008) tentativa semelhante foi planejada por altos oficiais alemães, em “13 minutos” celebra-se o espírito individual de um inconformista, Georg Elser (Christian Friedel), que quase evitou a II Guerra Mundial.

NINGUÉM DESEJA A NOITE

Inspirado na história real da americana Josephine Peary, o filme tem direção da catalã Isabel Coixet (“Minha Vida Sem Mim”) e rendeu à versátil Juliette Binoche indicação ao Goya – o principal prêmio de cinema espanhol. Em 1908, a personagem deixa a alta sociedade de Washington e viaja ao Polo Norte atrás de seu marido, o explorador Robert Beary (Gabriel Byrne). Durante sua jornada a um dos lugares mais inóspitos do planeta, ela conhece Allaka (Rinko Kikuchi, revelada em “Babel”), uma esquimó que vai influenciar profundamente sua vida.

AS CONFISSÕES

Depois de “Viva a Liberdade” (2013), o cineasta italiano Roberto Andò volta a tratar dos bastidores da política – e a trabalhar com Toni Servillo, de “A Grande Beleza”. O ator interpreta Roberto Salus, monge convidado para participar de uma reunião do G-8 sobre a economia europeia. Uma confissão do presidente do Banco Mundial (papel de Daniel Auteuil) dá início ao clima de mistério do longa, que ainda traz Moritz Bleibtreu, Lambert Wilson e Marie-Josée Croze no elenco.

SIERANEVADA

Pré-selecionado pela Romênia para concorrer ao Oscar de filme estrangeiro, este é o mais recente trabalho do cineasta Cristi Puiu, vencedor da Palma de Ouro por “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias” em 2007. Em “Sieranevada“, uma família se prepara para a cerimônia que marca os 40 dias da morte do patriarca, Emil. Enquanto aguardam a chegada de um padre da Igreja Ortodoxa, familiares de diferentes gerações discutem de banalidades a conflitos da sociedade atual.

BELOS SONHOS

O grande cineasta italiano Marco Bellocchio (“Vincere”) esteve na 40ª Mostra Internacional de Cinema de SP, em outubro de 2016, para divulgar este sensível relato de um homem que é atormentado desde a infância pela morte prematura da mãe. Baseado na autobiografia homônima de Massimo Gramellini, o filme alterna de forma poética o passado e o presente do jornalista, interpretado por Valerio Mastandrea (“A Primeira Coisa Bela”).  Ainda no elenco, duas ótimas atrizes francesas: Bérénice Bejo (“O Passado“) e Emmanuelle Devos (“Violette“).

MEU REI

Inspirado em experiências pessoais, o filme de Maïwenn (diretora de “Polissia“) valeu a Emmanuelle Bercot o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Neste recorte da vida íntima de uma mulher, Bercot interpreta Marie Antoinette, que amarga um relacionamento infeliz – e por vezes abusivo – com o sedutor Georgio Milevski (Vincent Cassel), com quem se envolve. Quando acredita finalmente ter encontrado a felicidade, ela se depara com um homem violento e possessivo.

MARGUERITE

Um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês de 2016, o filme é livremente inspirado na vida da socialite americana Florence Foster Jenkins (1868-1944). “Marguerite” traz Catherine Frot no papel-título, uma ricaça desafinada que sonha em virar cantora de ópera, na Paris dos anos 1920. Versão mais livre e lúdica da história de Florence, o longa francês demonstra compaixão por sua biografada, sem nunca cair na caricatura. Graças, sobretudo, à interpretação inspirada de Catherine Frot, premiada com o César de melhor atriz.

MARGUERITE E JULIEN – UM AMOR PROIBIDO

Novo filme da atriz e cineasta francesa Valérie Donzelli, que ganhou inúmeros prêmios com “A Guerra Está Declarada” em 2011. Na trama, Marguerite (Anaïs Demoustier, de “Uma Nova Amiga“) e Julien de Ravalet (Jérémie Elkaïm, “Polissia“) são irmãos, filhos do Senhor de Tourlainville. Muito próximos desde a infância, os dois nobres se apaixonam, mas a sociedade a seu redor não aceita essa relação, fazendo de tudo para afastá-los um do outro.

ROMANCE À FRANCESA

Nem só de dramas difíceis vive o cinema francês, mas também de comédias leves como esta, mais uma ciranda amorosa escrita e dirigida por Emmanuel Mouret (de “A Arte de Amar”). Nela, um professor tímido (o próprio Mouret) realiza o sonho de namorar uma famosa atriz, Alicia (Virginie Efira), mas encontra Caprice (Anaïs Demoustier), uma jovem extrovertida que deseja sair com ele – sem se importar em ser sua amante. Enquanto isso, o melhor amigo dele, Thomas, começa a ficar muito interessado na atriz.

UM DOCE REFÚGIO

Escrita, dirigida e estrelada por Bruno Podalydès (de “Adeus Berthe“), esta comédia dramática indicada ao César foi um dos destaques do Festival Varilux de Cinema Francês em 2016. Podalydès interpreta Michel, artista gráfico fascinado pela ideia de um dia pilotar um avião. Quando descobre que a engenharia de um caiaque é muito parecida com a de uma aeronave, ele compra um e parte numa jornada em busca de um novo estilo de vida.

TUDO VAI FICAR BEM

Depois de documentários aclamados como “Pina” e “O Sal da Terra”, o cineasta Wim Wenders retorna à ficção neste sóbrio drama sobre a perda e o luto, concebido para exibição em 3D nos cinemas. Ao som da trilha de Alexandre Desplat, o filme segue cerca de dez anos da vida de Tom (James Franco), escritor em crise consumido pela culpa após um acidente de carro. Charlotte Gainsbourg (“A Árvore”), Rachel McAdams (“Spotlight”) e Marie-Josée Croze (“O Escafandro e a Borboleta”) completam o elenco.

ÚLTIMOS DIAS NO DESERTO

Filho do escritor Gabriel García Márquez, Rodrigo García (diretor da versão americana da série “Em Terapia”) revisita de maneira minimalista um episódio do Novo Testamento: a peregrinação de Jesus Cristo (Ewan McGregor) rumo a Jerusalém. No caminho, ele ajuda uma família com problemas, ao mesmo tempo em que precisa lidar com as tentações do Diabo (também interpretado por McGregor).

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CINEMA EUROPEU CONTEMPORÂNEO EM DVD NA 2001

PERSONAL SHOPPER

Depois do estrondoso sucesso da saga “Crepúsculo“, Kristen Stewart vem se reinventando como atriz em uma série de filmes autorais, como “Certas Mulheres“, da cineasta indie Kelly Reichardt, e “Acima das Nuvens”, do francês Olivier Assayas, com quem volta a trabalhar em “Personal Shopper“. Espécie de thriller metafísico, o filme valeu a Assayas o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes e traz Stewart vivendo uma jovem americana que trabalha em Paris como “personal shopper” para uma celebridade local. Ela tenta lidar com a morte recente de seu irmão gêmeo, que parece estar tentando se comunicar com o mundo dos vivos.

A ESPERA

Vencedor de três prêmios no Festival de Veneza em 2015, o filme marca a estreia do italiano Piero Messina na direção de longa. Ex-assistente de Paolo Sorrentino em “A Grande Beleza”, o jovem Messina conduz um austero drama sobre o luto, com Juliette Binoche no papel de Anna, mãe que segue inconsolável após o desaparecimento do filho, Giuseppe. Seu isolamento, em uma villa na Sicília, é quebrado pela chegada inesperada de Jeanne (Lou de Laâge, de “Agnus Dei“), simplesmente a namorada do rapaz — e cuja existência desconhecia.

NINGUÉM DESEJA A NOITE

Inspirado na história real da americana Josephine Peary, o filme tem direção da catalã Isabel Coixet (“Minha Vida Sem Mim”) e rendeu à versátil Binoche uma indicação ao Goya – o principal prêmio de cinema espanhol. Em 1908, Peary (Binoche) deixa a alta sociedade em Washington e viaja ao Polo Norte atrás de seu marido, o explorador Robert Beary (Gabriel Byrne). Durante sua jornada a um dos lugares mais inóspitos do planeta, ela conhece Allaka (Rinko Kikuchi, revelada em “Babel”), uma esquimó que vai influenciar profundamente sua vida.

O MUNDO FORA DO LUGAR

Ex-atriz de Rainer Werner Fassbinder e diretora de dramas históricos importantes como “Rosa Luxemburgo” e “Hannah Arendt”, a alemã Margarethe von Trotta retoma a parceria com Barbara Sukowa em mais uma história centrada em mulheres fortes. Na trama, o viúvo Paul (Matthias Habich) descobre, por acaso, uma fotografia da cantora de ópera americana Caterina Fabiani (Sukowa), que é fisicamente idêntica a sua mulher morta. Assim, ele e sua filha deixam a Alemanha com destino à Nova York, a fim de encontrar Caterina e entender esse mistério.

A ECONOMIA DO AMOR

Mais um trabalho sufocante do diretor belga Joachim Lafosse (“Os Cavaleiros Brancos“), que radiografa o desgaste de uma relação – e a dificuldade dos envolvidos em terminá-la e seguir com suas vidas. Situação enfrentada por Marie (Bérénice Bejo, de “O Artista“) e Boris (Cédric Kahn, “Os Anarquistas”), que decidem se separar após 15 anos juntos. No entanto, acontece um impasse na hora de dividir os bens: ela comprou a casa, mas ele realizou a reforma valorizando o imóvel. Os dois são obrigados a morar juntos enquanto decidem o que fazer com a residência.

ROMANCE À FRANCESA

Nem só de dramas difíceis vive o cinema francês, mas também de comédias leves como esta, mais uma ciranda amorosa escrita e dirigida por Emmanuel Mouret (de “A Arte de Amar”). Nela, um professor tímido (o próprio Mouret) realiza o sonho de namorar uma famosa atriz, Alicia (Virginie Efira), mas encontra Caprice (Anaïs Demoustier), uma jovem extrovertida que deseja sair com ele – sem se importar em ser sua amante. Enquanto isso, o melhor amigo dele, Thomas, começa a ficar muito interessado na atriz.

A JOVEM RAINHA

Exibido na 40ª Mostra Internacional de Cinema de SP, este drama de época dirigido pelo finlandês Mika Kaurismaki (“O Ciúme Mora ao Lado”) envereda tanto nos bastidores do poder, na Suécia do século 17, como também na sexualidade da personagem-título. À frente de seu tempo, a Rainha Cristina (Malin Buska) luta para modernizar seu país e acabar com a sangrenta Guerra dos Trinta Anos, ao mesmo tempo em que tenta entender o amor que sente por sua dama de companhia, a condessa Ebba Sparre (Sarah Gadon, de “Cosmópolis”).

MARGUERITE E JULIEN – UM AMOR PROIBIDO

Novo filme da atriz e cineasta francesa Valérie Donzelli, que ganhou inúmeros prêmios com “A Guerra Está Declarada” em 2011. Na trama, Marguerite (Anaïs Demoustier, de “Uma Nova Amiga“) e Julien de Ravalet (Jérémie Elkaïm, “Polissia“) são irmãos, filhos do Senhor de Tourlainville. Muito próximos desde a infância, os dois nobres se apaixonam, mas a sociedade a seu redor não aceita essa relação, fazendo de tudo para afastá-los um do outro.

FRANCOFONIA

Novo filme-experimento do aclamado cineasta russo Aleksandr Sokurov, sobre a relação entre arte e poder. Depois de percorrer os corredores do museu Hermitage, em São Petersburgo, no incrível plano-sequência de “Arca Russa“, Sokurov volta sua câmera para o Museu do Louvre, em Paris. Reflete sobre a história do museu como simulacro da civilização, durante sua ocupação pelos nazistas, em 1940, a partir de imagens de arquivo e encenações com atores.

O VALE DO AMOR

Escrito e dirigido por Guillaume Niclou (“A Religiosa“), este drama francês marca o reencontro entre dois gigantes do cinema: Gérard Depardieu e Isabelle Huppert. Os dois já atuaram juntos em “Corações Loucos” (1974) e “Loulou” (1980) e agora vivem personagens de fortes traços biográficos: Gérard e Isabelle, um casal separado há anos que se reencontra no “Vale da Morte”, na Califórnia, a fim de cumprir o último desejo do filho, falecido há seis meses.

MEU REI

Inspirado em experiências pessoais, o filme de Maïwenn (de “Polissia“) valeu a Emmanuelle Bercot o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Neste recorte da vida íntima de uma mulher, Bercot interpreta Marie Antoinette, que amarga um relacionamento infeliz com o sedutor Georgio Milevski (Vincent Cassel), com quem se envolve. Quando acredita finalmente ter encontrado a felicidade, ela se depara com um homem violento e possessivo.

LOUCAS DE ALEGRIA

Em ritmo de road movie, o longa celebra a amizade entre duas mulheres consideradas disfuncionais aos olhos da sociedade. Internas de uma clínica psiquiátrica, a rica e extravagante Beatrice (Valeria Bruna Tedeschi) e a tímida e misteriosa Donatella (Micaela Ramazzotti) tornam-se grandes amigas e decidem fugir da instituição. Elogiada comédia dramática escrita e dirigida pelo italiano Paolo Virzì (“Capital Humano“).

AMNÉSIA (2015)

Ator, diretor, produtor e roteirista, o franco-iraniano Barbet Schroeder (“More“, “Barfly“) revisita o passado da Alemanha por meio do contraste de gerações. Nos anos 1990, Martha (Marthe Keller, de “Maratona da Morte”), uma senhora alemã de 70 anos, vive sozinha numa casa à beira-mar em Ibiza. Sua existência solitária chama a atenção do jovem Jo (Max Riemelt, “Sense8”) e os dois tornam-se amigos através da música.

JULIETTE BINOCHE NOS ANOS 2000, EM 10 FILMES PARA LOCAÇÃO NA 2001

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VENCEDORA DO OSCAR, PREMIADA EM CANNES E POR DIVERSOS FESTIVAIS, JULIETTE BINOCHE É UMA DAS ATRIZES MAIS QUERIDAS PELO PÚBLICO DA 2001. POR ISSO, SELECIONAMOS 10 TRABALHOS DA MUSA FRANCESA LANÇADOS PARA LOCAÇÃO NOS ÚLTIMOS ANOS, INCLUINDO DUAS NOVIDADES – “ACIMA DAS NUVENS” E “MIL VEZES BOA NOITE“. UMA PEQUENA AMOSTRA DE SUA INCRÍVEL VERSATILIDADE. 

Uma das principais musas do cinema europeu contemporâneo, Juliette Binoche nasceu em Paris, em 9/3/1964, e começou sua carreira nos palcos no final dos anos 1970, passando a atuar em pequenos papéis na TV e no cinema na década de 1980. Depois de participar do escândalo Je Vous Salue, Marie (1985), Juliette começou a chamar a atenção da crítica com Rendez-vous (1985), de André Téchiné, Os Amantes da Ponte Neuf (1991), de Léos Carax, e A Liberdade é Azul, de Krzysztof Kieslowski, pelo qual conquistou a Copa Volpi de melhor atriz no Festival de Veneza em 1993, e o prêmio César.

Juliette Binoche e Daniel Day-Lewis em A Insustentável Leveza do Ser, adaptação do aclamado best seller de Milan Kundera

A Insustentável Leveza do Ser (1988) foi seu primeiro papel em língua inglesa, e o sucesso do filme ampliou sua projeção internacional. A partir dali, Binoche começou a investir mais em produções fora da França, como a refilmagem de O Morro dos Ventos Uivantes (1992) e a bem-sucedida superprodução O Paciente Inglês (1996), que lhe valeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante.

Juliette Binoche no papel da voluntariosa Hana em O Paciente Inglês, que lhe valeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 1997

A partir deste século, ela confirmou ainda mais sua vocação internacional com uma diversidade de papéis na sua terra natal (Fuso Horário do AmorCachéA Viagem do Balão Vermelho), na Inglaterra (ChocolateInvasão de Domicílio) e nos EUA (Palavras de AmorMariaEu, Meu Irmão e Nossa Namorada).

Em 2010, trabalhou sob a direção do consagrado cineasta iraniano Abbas Kiarostami em Cópia Fiel, que lhe valeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Binoche aproveitou o festival para desabafar, durante uma coletiva de imprensa, sua indignação em relação à prisão do diretor Jafar Panahi pelo governo do Irã, em março de 2010. A pressão de autoridades e de artistas como ela influenciou o governo iraniano a soltá-lo dois meses depois.

O gosto por desafios (e gêneros) diferentes continuou em produções tão distintas como o drama erótico Elles (2011) e a comédia romântica A Vida de Outra Mulher (2012); a seminal adaptação de David Cronenberg para o romance Cosmópolis (2012) e o feel good americano Palavras e Imagens (2013); o longa francês De Coração Aberto (2012) e o blockbuster Godzilla (2014). Mas é mesmo no cinema de autor europeu que a atriz brilha, como provam suas atuações em Camille Claudel 1915 (ainda inédito em DVD no Brasil), Mil Vezes Boa Noite e Acima das Nuvens.

“Filmes são portas abertas, e a cada porta eu mudo o personagem e minha vida. Vivo sempre o presente. Aceito esse risco, não nego o passado, mas ele é uma página virada.” Juliette Binoche

ACIMA DAS NUVENS (2014)

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Exibido no Festival de Cannes, o filme foi um dos grandes sucessos da 38ª Mostra de Cinema de SP, e marca a segunda parceria entre o diretor Olivier Assayas e a atriz Juliette Binoche, de “Horas de Verão”. Na trama, Binoche interpreta Maria Enders, atriz de sucesso convidada para fazer uma nova montagem da peça que a lançou, e Kristen Stewart (premiada com o César de atriz coadjuvante) vive sua assistente.

MIL VEZES BOA NOITE (2013)

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A estrela francesa interpreta Rebecca, uma fotojornalista especializada em zonas de conflito, que sofre um acidente no Afeganistão ao cobrir a preparação de uma terrorista suicida. Gravemente ferida, ela volta para casa, onde o marido Marcus (Nikolaj Coster-Waldau, da série “Game of Thrones”) lhe dá um ultimato: ou ela larga a profissão ou ele pede o divórcio e a guarda das duas filhas.

PALAVRAS E IMAGENS (2013)

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Inédito nos cinemas brasileiros, o filme de Fred Schepisi (de “Seis Graus de Separação”) traz Clive Owen no papel de um professor arrogante apaixonado pelo trabalho, e que logo começa a implicar com a nova professora de Artes, interpretada por Juliette Binoche. Os dois lançam um desafio aos alunos: o que é mais importante – 1000 palavras ou uma imagem?

COSMÓPOLIS (2012)

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O filme de David Cronenberg adapta o romance homônimo de Don DeLillo, profético ao apontar, dez anos antes, protestos como o “Ocupe Wall Street” que se espalhou nos EUA desde 2011. O clima de incerteza e de insatisfação popular acompanha a jornada surreal de um jovem bilionário (Robert Pattinson), preso no trânsito de Manhattan. Juliette Binoche faz uma ousada participação especial.

DE CORAÇÃO ABERTO (2012)

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Casados há dez anos, Mila (a estrela Juliette Binoche) e Javier (o venezuelano Édgar Ramírez, de “Carlos”) trabalham juntos como cirurgiões cardiovasculares. A rotina harmoniosa dos dois sofre um revés quando Javier (alcoólatra) é suspenso no hospital e Mila descobre estar grávida. O casal precisa fazer escolhas difíceis no elogiado drama francês de Marion Lane.

A VIDA DE OUTRA MULHER (2012)

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A perda da memória e a reconquista do amor ecoam na história de Marie (Juliette Binoche, cativante), que tem 25 anos e pouco sucesso na vida. Como num passe de mágica, a trama avança no tempo, acompanhando o desespero de Marie ao acordar 16 anos depois, casada com Paul, mãe de um menino de 7 anos e ainda por cima dona de alto cargo no mercado financeiro.

ELLES (2011)

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Repleto de cenas de sexo, o filme causou furor (e polêmica) na Europa, retratando de forma realista as experiências de duas jovens prostitutas (Anaïs Demoustier e Joanna Kulig) em Paris. Elas são entrevistadas por uma jornalista (Juliette Binoche, intensa), que começa a refletir sobre a sua rotina – casamento, filhos e o próprio prazer – e a se envolver, perigosamente, com seus objetos de estudo.

CÓPIA FIEL (2010)

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Escrito e dirigido por Abbas Kiarostami – e seu primeiro trabalho realizado fora do Irã. O longa marca um ponto de transição na carreira do cineasta: saem os atores não-profissionais e a dura realidade de seu país, e um intrigante pingue-pongue intelectual toma forma com William Shimell e Juliette Binoche nos papéis principais. Os personagens discutem arte, casamento e relacionamento, propondo diferentes reflexões ao espectador.

PARIS (2008)

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Diretor de “Albergue Espanhol” (2002) e de sua continuação, “Bonecas Russas” (2005), Cédric Klapisch homenageia a capital francesa com um ambicioso mosaico de personagens que celebra a vida cotidiana e as relações amorosas na cidade. Influenciado pelos filmes-corais de Robert Altman (“Mash”, ”Short Cuts”), “Paris” interliga diversas subtramas em torno da relação de afeto entre os irmãos interpretados por Romain Duris e Juliette Binoche.

APROXIMAÇÃO (2007)

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Um jovem israelense encontra-se com a irmã na França para o funeral do pai. A leitura do testamento muda a vida dos dois, que se veem obrigados a viajar para a região da Faixa de Gaza durante a desocupação de assentamentos judeus em 2005. Exibido na Mostra Internacional de São Paulo de 2007 com o título “A Retirada”, o filme é mais uma reflexão do israelense Amos Gitai sobre as tragédias e eventos que assolam o Oriente Médio.

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “ MIL VEZES BOA NOITE”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Toda vez que assisto a um filme com Juliette Binoche fico fazendo conta de quantos ela é capaz de fazer por ano. Na 38a Mostra Internacional de Cinema de SP, ela estava presente com Acima das Nuvens, antes fez Camille Claudel 1915, De Coração Aberto, Cosmópolis, Elles e Cópia Fiel – tudo isso de 2010 para cá. Impressionante.

Confira a filmografia da atriz na 2001

Confira a filmografia da atriz na 2001

Mil Vezes Boa Noite é do diretor norueguês Erik Poppe e conta uma história bem bonita sobre escolhas (lendo sobre a biografia do diretor, descobri que o filme é autobiográfico, já que Poppe foi fotógrafo de guerra e passou por esse conflito familiar). Rebecca (Juliette Binoche, também em O Paciente Inglês e Horas de Verão) é uma fotógrafa famosa, especializada em fotojornalismo de áreas de conflito. Ela vai aonde estão as guerras mais perigosas e truculentas do mundo. Desta vez está em Cabul, no Afeganistão, quando é atingida por uma bomba e coloca, mais uma vez, sua vida em risco.

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Este “mais uma vez” ficamos sabendo depois, porque Rebecca é casada, tem duas filhas e passa a maior parte do tempo viajando pelo mundo. Trabalho ou família? Como conciliar o afetivo com o humanitário? Na realidade, o filme traz essa pergunta mais profunda, além da natural trabalho versus família, um conflito mais comum. Além de fotografar, ela se sente portadora de informações importantes, capazes de mobilizar pessoas e transformar realidades atrozes em vidas mais humanizadas e minimamente viáveis.

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Já disse aqui que cada vez mais gosto do cinema nórdico, seja ele sueco, norueguês, dinamarquês. Todos trazem a problemática humana com uma intensidade muito grande, sem apresentar respostas. É quase como nos jogassem as perguntas e nos deixassem refletir para responder aquilo que nem eles sabem como fazer. Dramas humanos da mais fina sabedoria. É verdade que são ainda bem mais fortes, filmes como A Caça, Em Um Mundo Melhor, Depois do Casamento. Mas Mil Vezes Boa Noite, vencedor do prêmio do júri no prestigiado Festival de Montreal, tem uma boa história e um ótimo ponto para reflexão.

Confira o trailer de Mil Vezes Boa Noite:

DIREÇÃO: Erik Poppe ROTEIRO: Erik Poppe, Harald Rosenlow-Eeg ELENCO: Juliette Binoche, Nikolaj Coster-Waldau, Maria Doyle | 2013 (117 min)

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

 

JULIETTE BINOCHE E ÉDGAR RAMÍREZ, “DE CORAÇÃO ABERTO”

Drama intimista sobre os rumos inesperados da relação a dois, "De Coração Aberto" deve muito de sua força à presença da estrela francesa Juliette Binoche e de seu par na tela, o venezuelano Edgar Ramírez, em alta desde sua aclamada atuação na minissérie "Carlos" (de Olivier Assayas)

Drama intimista sobre os rumos inesperados de um casal, “De Coração Aberto” deve muito de sua força à presença da estrela francesa Juliette Binoche e de seu par na tela, o venezuelano Edgar Ramírez – em alta desde sua aclamada atuação na minissérie “Carlos” (de Olivier Assayas)

De Coração Aberto
(À Coeur Ouvert, FRA/ARG, 2012, Cor, 87′)
Imovision – Cinema Europeu – 14 anos
Direção: Marion Laine
Elenco: Juliette Binoche, Édgar Ramírez, Hippolyte Girardot, Amandine Dewasmes

Sinopse: Casal de cirurgiões cardíacos bem-sucedidos, Mila e Javier trabalham juntos no mesmo hospital. A rotina harmoniosa dos dois sofre um revés quando Javier é suspenso por problemas com álcool, e Mila descobre estar grávida.

 
Segundo longa-metragem da atriz, cineasta e roteirista francesa Marion Laine, De Coração Aberto é uma adaptação do romance Traveling Up the Orinoco (ainda inédito no Brasil), escrito por Mathias Énard.

O livro apresenta a crise conjugal e profissional de um francês e sua esposa sul-americana. Escolha inicial para o papel principal, o venezuelano Édgar Ramírez (Carlos, A Hora Mais Escura) sugeriu o nome de Juliette Binoche (A Vida de Outra Mulher, Elles) para contracenar com ele, forçando a mudança na nacionalidade dos personagens.

Mila e Javier dividem não só um casamento sem filhos (por decisão dela), mas também o trabalho no hospital. Tudo parecia perfeito até a dependência química dele irromper, mudando a vida do casal

Mila e Javier dividem não só um casamento sem filhos (por decisão dela), mas também o trabalho no hospital. Tudo parece perfeito, só que a dependência química dele irrompe e mudando a vida do casal

Casados há dez anos, Javier e Mila dividem também a mesa de operações, trabalhando como cirurgiões cardiovasculares no mesmo hospital. Ele é o médico principal e centro das atenções, sempre apoiado pela compreensiva esposa.

Os dois vivem de maneira intensa, sem deixar a relação – e principalmente o sexo – cair na monotonia. Carismáticos, Juliette e Ramírez transmitem todo o fervor dessa paixão – e também sua decadência. A rotina do casal muda quando o hospital recebe uma queixa contra Javier e decide suspendê-lo das operações. O médico, então responsável pela área de transplantes, não consegue disfarçar seu descontrole emocional, agravado pelo alcoolismo.

Javier não cede ao apelo dos amigos nem da direção do hospital, e se afunda cada vez mais na bebida. Seu ego sofre novo baque quando Mila é designada para substituí-lo, e o equilíbrio da relação é definitivamente rompido. Para complicar, a médica descobre estar grávida aos quarenta e poucos anos, o que não planejava nessa altura da vida, e decide esconder a verdade do marido.

A estrela francesa Juliette Binoche e o venezuelano Édgar Ramírez brilham no drama que acompanha a montanha russa emocional de um casal apaixonado em meios aos reveses que constituem a vida humana

A estrela francesa Juliette Binoche e o venezuelano Édgar Ramírez brilham no drama que acompanha a montanha russa emocional de um casal apaixonado em meios aos reveses que constituem a vida humana

As situações melodramáticas da trama convergem para uma infinidade de possibilidades aparentemente simples, mas que equivalem a escolhas. Escolhas que vão se tornando mais difíceis, embaralhadas pelo comportamento destrutivo do personagem do ótimo Ramírez.

Abortar, abandonar o homem que ama ou largar tudo para viver com ele em outro país? Pressionada, na intimidade de seu apartamento ou nos ambientes claustrofóbicos do hospital, Mila precisa decidir o que fazer. Quantas decisões em nossas vidas não são tomadas em razão daqueles que amamos – e não de nós mesmos?

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: CINEMA EUROPEU

Confira a seguir as sugestões da equipe 2001 Vídeo:

Juliette Binoche brilha mais uma vez, no papel de uma mulher de 25 anos que acorda com 41 em "A Vida de Outra Mulher", comédia dramática que reflete sobre as escolhas de uma vida

Juliette Binoche brilha no papel de uma mulher de 25 anos que acorda com 41 em “A Vida de Outra Mulher”, comédia dramática que reflete sobre as escolhas de uma vida

A Vida de Outra Mulher
(La Vie d’une Autre, FRA/BEL/LUX, 2012, Cor, 97′)
Imovision – Cinema Europeu – 12 anos
Direção: Sylvie Testud
Elenco: Juliette Binoche, Mathieu Kassovitz, Aure Atika, François Berléand

Sinopse: Ao completar 25 anos, Marie consegue o emprego dos sonhos e também conhece o grande amor de sua vida, Paul. Ao acordar na manhã seguinte, descobre que é o dia em que completa 41 anos, e que esqueceu tudo o que ocorreu nesse intervalo de tempo.

 
Atriz de Piaf – Um Hino ao Amor, Sylvie Testud estreia na direção de longa-metragem com A Vida de Outra Mulher, comédia dramática que parte de premissas hollywoodianas. A perda da memória, o pulo no tempo e a reconquista do amor presentes em, por exemplo, De Repente 30 e Para Sempre, ecoam na história de Marie, que esqueceu os últimos 16 anos de sua vida.

Juliette Binoche empresta seu inegável carisma à protagonista, em seus 25 anos, logo no início do filme, e aos 41, acordando após sua primeira noite de amor com Paul (Mathieu Kassovitz, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain). Como num passe de mágica, a trama avança no tempo, acompanhando o desespero de Marie ao acordar quarentona, casada com Paul, mãe de um menino de 7 anos e ainda por cima dona de alto cargo no mercado financeiro. Nada lhe é familiar, não há lembranças de como chegou até ali, apenas indícios de tudo o que sempre sonhou, como a estabilidade econômica e o homem de seus sonhos.

Juliette Binoche faz dupla com Mathieu Kassovitz, ator ("O Fabuloso Destino de Amélie Poulain") que se tornou diretor de filmes como "O Ódio" e "A Rebelião"

Em boa fase, Juliette Binoche faz dupla com Mathieu Kassovitz (“O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”), ator  que virou um respeitado diretor de filmes como “O Ódio” e “A Rebelião”

Tudo parece perfeito, só que Marie não está em um sonho. A realidade nunca é tão simples e por trás de sua imagem de sucesso escondem-se vários problemas. O que deu errado no meio do caminho? Sem saber o que aconteceu, só resta à personagem juntar as pontas soltas, tentar consertar seus erros e redescobrir quem era para melhorar a mulher na qual se tornou.

Versátil, Juliette se equilibra com energia entre o humor tragicômico da sucessão de descobertas iniciais, e o drama advindo da percepção que sucesso material não equivale necessariamente a felicidade.

Quantos de nós nos tornamos o que sonhamos para o curso de nossas vidas? Marie tem a chance de perceber, a partir de uma circunstância temporal inusitada, o que precisa mudar para tornar-se realmente quem é.

Comédia de humor negro em esquetes, o filme tem episódio dirigido por Michel Hazanavicius com a estrela de seu "O Artista", Jean Dujardin

Comédia de humor negro em esquetes em torno da infidelidade masculina, o filme tem episódio dirigido por Michel Hazanavicius com a estrela de seu “O Artista”, Jean Dujardin

Os Infiéis
(Les infidèles, FRA, 2012, Cor, 109′)
Imovision – Cinema Europeu – 16 anos
Direção: Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, Alexandre Courtès, Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Jan Kounen, Eric Lartigau, Gilles Lellouche
Elenco: Jean Dujardin, Gilles Lellouche, Guillaume Canet, Mathilda May, Clara Ponsot

Sinopse: Os triunfos e desastres de homens infiéis em diferentes histórias retratando o comportamento masculino.

 
Lançado na França dias depois do triunfo de O Artista no Oscar, Os Infiéis atraiu atenção por trazer Jean Dujardin em uma ousada comédia de humor negro com referências sexuais explícitas. Projeto pessoal do ator francês, o filme é um emaranhado de esquetes temáticos, todos com a sua presença e a de Gilles Lellouch (Até a Eternidade). Interpretando diferentes papéis em histórias sem ligação direta, com exceção da dupla de amigos do primeiro segmento, os dois representam o estereótipo do machão conquistador. Deixam suas mulheres em casa para sair à noite em busca de sexo fácil, em um exercício de autoafirmação.

A vitória de "O Artista" no Oscar 2012 atraiu muita atenção para "Os Infiéis", que traz o mesmo ator, Jean Dujardin, no elenco. Mas o conteúdo provocador da comédia causou polêmica na França, assim como os pôsteres sugestivos, banidos no país

A vitória de “O Artista” no Oscar 2012 atraiu muita atenção para “Os Infiéis”, que traz o mesmo ator, Jean Dujardin, no elenco. Mas o conteúdo provocador da comédia causou polêmica na França, assim como os pôsteres sugestivos, banidos no país

Em episódios dirigidos por nomes como Michel Hazanavicius, o próprio Dujardin e Lellouche, a comédia narra diferentes histórias sobre as tentações do homem moderno, brincando com as fantasias sexuais de figuras patéticas como o “tiozão” que se deixa seduzir por uma “lolita” e os membros do grupo de terapia a maridos adúlteros, o “Infiéis Anônimos”.

Pode parecer machista, mas o final – um dos mais desconcertantes do cinema recente – põe à prova essa leitura, mudando totalmente a perspectiva do espectador sobre o filme.

"À Espera de Turistas" mostra a importância de relembrar o Holocausto para as novas gerações, desenvolvendo a difícil convivência entre um jovem alemão e um sobrevivente de Auschwitz, na Polônia

De forma original e sem maniqueísmos, “À Espera de Turistas” mostra a importância de relembrar o Holocausto para as novas gerações, desenvolvendo a difícil convivência entre um jovem alemão e um sobrevivente de Auschwitz, na Polônia

À Espera de Turistas
(Am Ende Kommen Touristen, ALE, 2012, Cor, 85′)
Europa – Cinema Europeu – 12 anos
Direção: Robert Thalheim
Elenco: Alexander Fehling, Ryszard Ronczewski, Barbara Wysocka

Sinopse: Um jovem alemão é enviado para prestar serviço comunitário em Auschwitz, na Polônia, e passa a cuidar de um sobrevivente do Holocausto, Krzeminski.

 
Os horrores do nazismo e os traumas por ele provocados nunca deixarão de servir de tema para o cinema. O grande mérito de À Espera de Turistas é tratar desse passado trágico pela perspectiva da geração atual, com seu distanciamento — e desconhecimento — habituais. À semelhança de Uma Cidade Sem Passado (1990, ainda inédito em DVD no Brasil), cabe a um jovem alemão questionar aqueles a sua volta sobre a importância das memórias desse período.

Entre servir o exército na Alemanha ou prestar serviço comunitário, Sven (Alexander Fehling, de Bastardos Inglórios) opta pela segunda opção, sendo enviado para trabalhar em um albergue da juventude na cidade de Auschwitz. Uma de suas principais atividades é servir de cuidador para o senhor Krzeminski, ex-prisioneiro de um dos campos de concentração que haviam na região.

Krzeminski e Sven em cena: a difícil troca de experiências entre gerações diferentes permeia o sóbrio drama alemão sobre a importância da memória de uma grande tragédia

Krzeminski e Sven em cena: a difícil troca de experiências entre gerações diferentes permeia o sóbrio drama alemão sobre a importância da memória de sobreviventes da guerra

A convivência entre os dois náo é fácil, com o velhinho reticente a receber ajuda de Sven, que aceita a rotina de trabalho com humildade e extremo respeito. Com sutileza, o filme constrói a aproximação entre os dois e manifesta pelo não dito a sensação de estranhamento de um jovem sem objetivos ou sonhos, longe de casa.

Veterano do cinema polonês, com uma participação no clássico surrealista O Manuscrito de Saragoça (1965), Ryszard Ronczewski transfere toda a sua dignidade para o papel do octogenário Krzeminski. Símbolo de sobrevivência, o personagem tem consciência de seu valor, ao mesmo tempo em que é usado pelas autoridades em cerimoniais para cumprir tabela. Sua falta de paciência é resultado direto da falta de sensibilidade daqueles a sua volta. “Mostra a Lista de Schindler pra eles. Vai causar mais impacto”, conclui ao tentar explicar suas experiências para um grupo de jovens incapazes de formular uma só pergunta relevante.

Não se remove uma árvore velha, nem aqueles que nos lembram do passado. São suas memórias e reminiscências que alimentam o presente.

WORKSHOP E PROMOÇÃO CÓPIA FIEL NA 2001

O filme de Abbas Kiarostami com a estrela Juliette Binoche acaba de chegar para locação nas lojas da 2001 com uma promoção especial

Na Toscana, Elle (Juliette Binoche) assiste à palestra do renomado escritor e filósofo James Miller (o barítono inglês William Shimell) , que fala sobre as diferenças entre arte original e cópia. Ele defende a tese de que a reprodução de uma obra de arte possui o mesmo valor que a original. Os dois se encontram e partem para a vila de Lucignano. Lá, visitam galerias locais, cafés e museus, e descobrem que nada é o que aparenta ser. A verdade, como a arte, está sempre aberta a diferentes interpretações.

Jogo de aparências (ou não): Juliette e William Shimell em cena

Escrito e dirigido pelo aclamado Abbas Kiarostami (Através das Oliveiras, Gosto de Cereja, Dez), cineasta iraniano conhecido pelo realismo social e estilo semidocumental de seus filmes, Cópia Fiel é seu primeiro trabalho realizado fora do Irã. O longa marca um ponto de transição na carreira do diretor: saem os atores não-profissionais, a dura realidade de seu país, e um intrigante pingue-pongue intelectual toma forma com Shimell e Juliette nos papéis principais. Os personagens discutem arte, casamento e relacionamento, propondo diferentes reflexões ao espectador.

 

Até que ponto a vida imita a arte? Ou, em determinados momentos da vida real, não estaríamos reproduzindo padrões comportamentais – ou mesmo usando máscaras – como os dois protagonistas, que estariam (ou não) forjando situações comuns do cotidiano de um casal? Um homem e uma mulher podem parecer um casal aos olhos dos outros – e do espectador – apenas pelas atitudes e diálogos espirituosos desse fascinante jogo cênico de Kiarostami.

A vida imita a arte ou o contrário?

MELHOR ATRIZ
(Juliette Binoche)
Festival de Cannes 2010

Depois da Copa Volpi de melhor atriz no Festival de Veneza por A Liberdade é Azul (1993) e do Oscar por O Paciente Inglês (1997), Juliette conquistou finalmente o reconhecimento em Cannes por sua bela atuação em Cópia Fiel

A musa francesa ao lado de Javier Bardem, premiado melhor ator em Cannes por Biutiful, drama de Alejandro González Iñárritu que chega às lojas da 2001 no final deste mês