Ken Loach

FESTIVAL DE CLÁSSICOS E CULTS NA 2001 – PARTE 1

MODESTY BLAISE

Um dos maiores exemplos da pop art no cinema, o filme – uma adaptação dos cultuados quadrinhos de Peter O’Donnell – reúne Monica Vitti, Terence Stamp e Dirk Bogarde em plena Swinging London na satírica trama de espionagem dirigida por Joseph Losey (de “O Criado”). Este clássico sessentista concorreu à Palma de Ouro em Cannes.

KES

Clássico do cinema inglês que tornou conhecido Ken Loach, diretor do aclamado “Eu, Daniel Blake“, “Kes” é mais um exemplo de suas preocupações sociais, mostrando a dura rotina do jovem Billy, morador de um bairro pobre na Inglaterra. Ridicularizado na escola, ele consegue escapar da falta de humanidade à sua volta treinando um falcão.

VALERIE E A SEMANA DAS MARAVILHAS

Raridade do cinema tcheco repleta de imagens surrealistas e simbolismos para representar o despertar sexual de Valerie, uma adolescente de 14 anos que experimenta sua primeira menstruação, novos amores e até o vampirismo. Dirigido e escrito por Jaromil Jires (1935-2001), a partir do romance de Vítezslav Nezval.

O CASTELO DE VIDRO (1950)

Adaptação do romance de Vicky Baum dirigida por René Clément (“O Sol por Testemunha“). Michèle Morgan interpreta Evelyne, mulher casada que se apaixona por Rémy (Jean Marais), um libertino parisiense de caráter mundano. Também conhecido como “Rendezvous em Paris”, o filme é uma obra pouco conhecida do grande cineasta francês.

PACTO SINISTRO

Escrito por Raymond Chandler, este clássico de Alfred Hitchcock é baseado no romance de Patricia Highsmith, autora de “O Talentoso Ripley”. Indicado ao Oscar de melhor fotografia (em p&b), o filme marcou época com a famosa “troca de favores” (leia-se assassinatos) proposta pelo psicótico Bruno a um tenista famoso.

O CÃO DOS BASKERVILLES

Produção da inglesa Hammer Films dirigida por Terence Fisher (“Drácula – O Príncipe das Trevas“), um de seus melhores diretores, e estrelada por Peter Cushing (no papel de Sherlock Holmes) e Christopher Lee (como Sir Henry Baskerville). Adaptado da obra de Sir Arthur Conan Doyle.

ARABESQUE

Diretor do clássico “Cantando na Chuva” (1952), Stanley Donen retorna ao thriller de espionagem, depois do sucesso de “Charada” (1963). Em “Arabesque“, Gregory Peck vive um professor americano infiltrado numa intrincada trama internacional entre Inglaterra e Oriente Médio. Sophia Loren e Alan Badel completam o elenco.

RAPSÓDIA

A bela Louise Durant (Elizabeth Taylor) entrega-se de corpo e alma ao violinista Paul Bronte (Vittorio Gassman). O casal muda-se para Zurique, onde ele passa a dedicar-se mais à música do que a ela. Sentindo-se ignorada, Louise conhece James Guest (John Ericson). Clássico romântico do mesmo diretor de “Gilda” (1946), Charles Vidor.

CREPÚSCULO DE UMA RAÇA

Um dos trabalhos mais subestimados de John Ford, o western conta com grande elenco: Richard Widmark, Carroll Baker, Karl Malden, Arthur Kennedy e James Stewart. Indicado ao Oscar de melhor fotografia (em cores), o longa acompanha a jornada de um grupo de índios Cheyenne de volta ao seu assentamento de origem, no Wyoming.

WEST SIDE WESTERN COLLECTION – VOL.3

Em ADIOS GRINGO (1965), Giuliano Gemma é um fazendeiro que é enganado por um amigo mau caráter que lhe vendeu gado roubado. E, escrito por Dario Argento e Tonino Cervi, MATO HOJE MORRO AMANHÃ (1968) traz Bud Spencer como um dos homens contratados para vingar a esposa assassinada do protagonista, Bill. DVD com dois Spaghetti Western.

PREMIADO COM A PALMA DE OURO, “EU, DANIEL BLAKE” É UM RETRATO DE NOSSO TEMPO

MAIS UM PUNGENTE DRAMA SOCIAL DE KEN LOACH, VENCEDOR  DO BAFTA DE MELHOR FILME BRITÂNICO DO ANO E DO CÉSAR DE MELHOR LONGA ESTRANGEIRO. UMA OBRA FUNDAMENTAL PARA REFLETIR SOBRE A DURA REALIDADE EM QUE VIVEMOS, NOSSO PRESENTE E, SOBRETUDO, NOSSO FUTURO.

Com o filme, o britânico Ken Loach juntou-se ao seleto grupo de cineastas premiados com duas Palmas de Ouro na carreira; honraria que recebeu antes por “Ventos da Liberdade”, em 2006.

Eu, Daniel Blake” gerou muita repercussão em veículos especializados, em razão das semelhanças entre o drama vivido pelo personagem-título e as dificuldades dos trabalhadores mais velhos para se aposentar e viver com dignidade no Brasil – especialmente em tempos de crise (e pré-reforma da Previdência). Segundo inúmeros analistas, ele representa a dura realidade contemporânea, mostrando a crise do sistema de previdência, a burocracia estatal para se conseguir um auxílio-doença e as consequências da falta de emprego para a população na Inglaterra.

Ken Loach com a Palma de Ouro recebida pelo filme no Festival de Cannes do ano passado

Para André Miranda, do jornal O Globo, por exemplo, “Ao mesmo tempo em que são absurdamente tocantes os desesperos de Daniel Blake e de quem está à sua volta, sua firmeza moral é inspiradora. No mundo atual, somos todos Daniel Blake. Ao menos deveríamos ser”.

Na trama, Daniel Blake (Dave Johns) é um carpinteiro de pouco mais de 60 anos que vive sozinho em Newcastle, após a morte da esposa. Ao sofrer um infarto, ele fica impedido de trabalhar e tenta dar entrada no auxílio-doença concedido pelo governo. Contudo, segundo a avaliação da empresa terceirizada contratada pela seguridade social britânica o caso de Daniel não atingiu pontuação suficiente para receber o benefício.

Embora médicos e terapeutas atestem que ele não pode trabalhar, o governo afirma o contrário. Começa o calvário de Daniel, que não pode receber da empresa, nem o auxílio do governo. Esmagado diariamente pela burocracia do Estado, em horas de espera no telefone ou submetido ao atendimento mecanizado de funcionários públicos. Mesmo sem salário e sem pensão, ele não perde a esperança e luta por seus direitos, além de usar seu tempo livre para ajudar uma jovem mãe solteira de duas crianças.

O filme tornou-se um retrato emblemático do tempo em que vivemos, da ineficiência do Estado e do desemprego — não só na Europa. É mais um poderoso grito de denúncia de um dos maiores humanistas do cinema, Ken Loach.

“Uma vez que você sabe a história que quer contar, você tem de ser verdadeiro com as pessoas.”  Ken Loach

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
Jimmy’s Hall (2014)
A Parte dos Anjos (2012)
Rota Irlandesa (2010)
Tickets (2005)

VENCEDORES DO FESTIVAL DE CANNES 2016

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PRESIDIDO PELO AUSTRALIANO GEORGE MILLER, DIRETOR DE “MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA”, O JÚRI DO 69º FESTIVAL DE CANNES ANUNCIOU ONTEM OS VENCEDORES DESTE ANO. A PALMA DE OURO FICOU COM “I, DANIEL BLAKE”, DIRIGIDO PELO CINEASTA BRITÂNICO KEN LOACH

Acostumado a retratar de maneira realista os desafios da classe trabalhadora e dos excluídos, Loach conquistou a sua primeira Palma de Ouro com “Ventos da Liberdade”, em 2006. Fiel a suas convicções políticas, ele repetiu o feito, aos 79 anos, levando o prêmio com “I, Daniel Blake”, história de um operário doente que luta contra a burocracia do Estado a fim de receber o seguro social a que tem direito.

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“I, Daniel Blake”, drama social dirigido por Ken Loach e escrito por seu fiel colaborador, Paul Laverty

Se a Palma já era esperada desde a exibição do filme, na semana passada, o júri surpreendeu a imprensa especializada com decisões polêmicas, como o Grand Prix – espécie de segundo lugar do festival – para “Juste la Fin du Monde” (Apenas o Fim do Mundo), novo trabalho de Xavier Dolan. Aos 27 anos, o jovem prodígio canadense tem no currículo mais quatro longas premiados em Cannes: “Eu Matei Minha Mãe”, “Amores Imaginários”, “Laurence Anyways” e “Mommy”.

Na categoria de melhor direção houve um empate entre o francês Olivier Assayas, do vaiado “Personal Shopper” (estrelado por Kristen Stewart) e o romeno Cristian Mungiu, por “Graduation”. Mingu ganhou a Palma em 2007 com “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”.

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No palco, os principais premiados do 69º Festival de Cannes

Uma das maiores surpresas da cerimônia foi o anúncio da filipina Jaclyn Jose como melhor atriz, por seu papel em “Ma’ Rosa”, de Brillante Mendoza (diretor de “Lola“). Ela desbancou as favoritas Sandra Hüller, de “Toni Erdmann”, Ruth Negga, em “Loving”, e Sonia Braga, elogiadíssima por “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. Embora aclamado pela crítica, o segundo longa do diretor de “O Som ao Redor” ficou de mãos abanando, mas o Brasil pode comemorar a Menção Honrosa recebida pelo curta-metragem “A Moça Que Dançou com o Diabo”, de João Paulo Maria Miranda, e o troféu L’Oeil d’Or de melhor documentário para “Cinema Novo”, de Eryk Rocha.

E, escrito e dirigido por Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por “A Separação” em 2012, “The Salesman” levou os prêmios de roteiro e ator (Shahab Hosseini).

Agora, é só aguardar o lançamento em DVD dos filmes premiados.

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PALMA DE OURO
“I, Daniel Blake”, de Ken Loach (Reino Unido)

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Ken Loach com a Palma de Ouro em Cannes

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
Jimmy’s Hall (2014)
Rota Irlandesa (2010)

GRAND PRIX (GRANDE PRÊMIO DO JÚRI)
“Juste la Fin du Monde” (Apenas o Fim do Mundo), de Xavier Dolan (Canadá/França)

MELHOR DIRETOR
Empate: Olivier Assayas, por “Personal Shopper” (França), e Cristian Mungiu, por “Graduation” (Romênia)

DE OLIVIER ASSAYAS NA 2001:
Acima das Nuvens (2014)

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MELHOR ATRIZ
Jaclyn Jose, por “Ma’ Rosa”, de Brillante Mendoza (Filipinas)

MELHOR ATOR
Shahab Hosseini, por “The Salesman”, de Ashgar Farhadi (Irã)

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Nascido em Teerã, o ator Shahab Hosseini superou o favorito Adam Driver, de “Paterson”

MELHOR ROTEIRO
Asghar Farhadi, por “The Salesman” (Irã)

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
O Passado (2012)

PRÊMIO DO JÚRI
“American Honey”, de Andrea Arnold (Reino Unido/EUA)

PALMA DE OURO – MELHOR CURTA-METRAGEM
“Time Code”, de Juanjo Gimenez (Espanha)

PALMA DE OURO HONORÁRIA
Jean-Pierre Léaud

Imortalizado como intérprete de Antoine Doinel nos filmes de François Truffaut, Jean-Pierre Léaud recebeu a Palma honorária por sua carreira. Ele recebeu o prêmio do cineasta Arnaud Desplechin

Ao lado de Arnaud Desplechin, Jean-Pierre Léaud recebe a Palma de Ouro honorária. Ele ficou imortalizado no papel de Antoine Doinel nos filmes de François Truffaut, entre outros trabalhos

CAMÉRA D´OR (MELHOR PRIMEIRO FILME)
“Divines”, de Houda Benyamina (Afeganistão)

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MELHOR FILME
“The Happiest Day in the Life of Olli Mäki”, de Juho Kuosmanen (Finlândia, Alemanha, Suécia)

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“The Happiest Day in the Life of Olli Mäki”, do finlandês Juho Kuosmanen

PRÊMIO DO JÚRI
“Harmonium”, de Fukada Kôji (Japão/ França)

MELHOR DIRETOR
Matt Ross, por “Captain Fantastic” (EUA)

MELHOR ARGUMENTO
Delphine Coulin e Muriel Coulin, por “Voir Du Pays” (França/Grécia)

PRÊMIO ESPECIAL
The Red Turtle, de Michael Dudok de Wit (França/Bélgica)

CINEMA EUROPEU É NA 2001, INCLUINDO O ÚLTIMO LONGA DE GODARD, PREMIADO EM CANNES

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ADEUS À LINGUAGEM

Mais um elaborado filme-ensaio da fase recente de Jean-Luc Godard (“Nossa Música”, “Film Socialisme”) que continua as investigações do cineasta francês em torno da sétima arte e suas inter-relações com a História da humanidade.

Visualmente um dos trabalhos mais inventivos do cineasta – e o seu primeiro no formato 3D -, “Adeus à Linguagem” reflete, entre outros temas, sobre a falta de comunicação de um casal, a partir de um homem e uma mulher que dividem a intimidade numa casa, onde mora também um cachorro. Os dois conversam sobre a questão da linguagem sob o ponto de vista filosófico, enquanto o cão a tudo observa.

Atenção: Embora lançado originalmente em 3D nos cinemas, o filme sai apenas em DVD no Brasil

Atenção: Embora lançado originalmente em 3D nos cinemas, o filme sai apenas em DVD no Brasil

Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes em 2014, levou também a “Palm Dog”, para o cãozinho que faz parte da história.

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JIMMY’S HALL

Antes de causar sensação no atual Festival de Cannes com “I, Daniel Blake” – considerado um dos favoritos à Palma de Ouro 2016 -, o britânico Ken Loach (“Kes”, “Terra e Liberdade”) disputou a seleção oficial com “Jimmy’s Hall” em 2014.

O filme conta a história de Jimmy Gralton (Barry Ward), líder comunista irlandês que desafiou a Igreja Católica questionando sua censura à liberdade de expressão. Gralton gerou discórdia ao inaugurar um espaço de debate e lazer para a classe trabalhadora no Condado de Leitrim, no noroeste da Irlanda. A trama retoma o período em que Gralton volta a sua terra natal, em 1932, após ter passado dez anos em Nova York.

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Escrito pelo fiel colaborador de Loach, o escritor Paul Laverty (“Ventos da Liberdade”, “A Parte dos Anjos”), “Jimmy’s Hall” retoma ideias de esquerda e a luta de classes presentes em outros trabalhos do diretor, sem deixar de lado a esperança e o romantismo.

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GERONIMO

Vencedor do Prêmio de Direção no Festival de Cannes por “Exílios” em 2004, o franco-argelino Tony Gatlif volta a tratar de conflitos étnicos – em especial a inserção social dos ciganos na sociedade – em “Geronimo“.

A história gira em torno da fuga de uma jovem noiva turca, Nil (Nailia Harzoune), que recusa seu casamento arranjado com um turco mais velho, conforme o costume local, no sul da França. Em meio ao racha familiar está Geronimo (Céline Salette, de “Os Amores da Casa de Tolerância”), educadora que tenta apaziguar a rivalidade entre turcos e ciganos na região.

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Festival de Cannes 2014

De 14 a 25 de maio, acontece o maior festival de cinema do mundo, apresentando novos trabalhos de cineastas consagrados como os irmãos Dardenne (Jean Pierre Dardenne e Luc Dardenne), Mike Leigh, Ken Loach, David Cronenberg, Nuri Bilge Ceylan, Olivier Assayas e Jean-Luc Godard, que nunca levou uma Palma de Ouro.

Pela primeira vez na história do festival, uma diretora genuína irá presidir o júri: a neozelandeza Jane Campion, única mulher a receber a Palma de Ouro, por “O Piano”, em 1993. E outra grande artista é destaque – Sophia Loren, convidada de honra do evento. Confira abaixo a seleção oficial dos candidatos à Palma de Ouro deste ano:

“Adieu au langage”, de Jean-Luc Godard

“Captives”, de Atom Egoyan

“Sils Maria”, de Olivier Assayas

“Maps to the Stars”, de David Cronenberg

“Foxcatcher”, de Bennett Miller

“The Homesman”, de Tommy Lee Jones

“Jimmy’s Hall”, de Ken Loach

“La Meraviglie”, de Alice Rohrwacher

“Leviathan”, de Andrei Zvyagintsev

“Mommy”, de Xavier Dolan

“Mr. Turner”, de Mike Leigh

“Saint Laurent”, de Bertrand Bonello

“The Search”, de Michel Hazanavicius

“Futatsume No Mado – Still the Water”, de Naomi Kawase

“Deux Jours, Une Nuit”, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

“Relatos Selvajes”, Damian Szifron “Kis Uykusu – Winter Sleep”, de Nuri Bilge Ceylan

“Timbuktu”, de Abderrahmane Sissako

Pela primeira vez na história do festival, uma diretora genuína irá presidir o júri: a neozelandesa Jane Campion, única mulher a receber a Palma de Ouro, por “O Piano“, em 1993.

Enquanto os filmes do atual Festival de Cannes não chegam ao Brasil, selecionamos 12 trabalhos premiados nas edições de 2012 e 2013, incluindo dois vencedores da Palma de Ouro: “Amor” e “Azul é a Cor Mais Quente”.

SALVO – UMA HISTÓRIA DE AMOR DE AMOR E MÁFIA

Elogiado pela crítica, o drama dos italianos Fabio Grassadonia e Antonio Piazza conquistou o GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA E O TROFÉU REVELAÇÃO NO FESTIVAL DE CANNES EM 2013. A trama segue os passos de Salvo, implacável assassino encarregado de matar um desafeto da máfia siciliana. Prestes a executar seu alvo, ele se depara com a irmã da vítima, uma jovem cega, e uma estranha relação se estabelece entre eles.

LAURENCE ANYWAYS

“Menino-prodígio” do cinema canadense, Xavier Dolan dirigiu seu 1º longa, “Eu Matei Minha Mãe“, aos 19 anos, e o segundo, “Amores Imaginários“, aos 20. Só mesmo ele para contar de forma exuberante a trajetória de um homem que decide mudar de sexo no drama estrelado por Melvil Poupaud e Suzanne Clément – premiada como MELHOR ATRIZ NA MOSTRA ‘UM CERTO OLHAR’ NO FESTIVAL DE CANNES DE 2012.

INSIDE LLEWYN DAVIS – BALADA DE UM HOMEM COMUM

VENCEDOR DO GRANDE PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES, o filme dos irmãos Joel e Ethan Coen concorreu ao Oscar de melhor fotografia e mixagem de som. O longa é um estudo de personagem, centrado na trajetória de um músico folk autodestrutivo que luta para sobreviver em meio à cena folk do bairro de Greenwich Village, em Nova York, no começo dos anos 1960.

AZUL É A COR MAIS QUENTE

Livremente baseado na HQ homônima, o filme tem direção de Abdellatif Kechiche (“O Segredo do Grão”) e acompanha o rito de passagem da jovem Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Emma (Léa Seydoux, de “Adeus, Minha Rainha”). Com uma longa sequência de sexo explícito entre as protagonistas, o longa causou furor e polêmica no Festival de Cannes, de onde saiu com a PALMA DE OURO – dividida, pela primeira vez na história, entre o diretor e suas duas atrizes principais.

A PARTE DOS ANJOS

Depois do thriller político “Rota Irlandesa”, Ken Loach retorna ao território de seus dramas sociais sobre a classe trabalhadora inglesa. VENCEDOR DO PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o diretor acompanha quatro desajustados condenados a prestar serviço comunitário em Glasgow. De um panorama da falta de oportunidades, o filme ganha tom leve quando os amigos planejam roubar litros de um uísque raro.

INDOMÁVEL SONHADORA

Ovacionado no Festival de Sundance 2012, o longa passou por Cannes no mesmo ano e levou o PRÊMIO DA MOSTRA ‘UM CERTO OLHAR’, O JÚRI ECUMÊNICO E A CAMERA D’OR DE FILME ESTREANTE. Em Cannes já se falava em “Indomável Sonhadora” como possível azarão no Oscar 2013 e não deu outra: indicações nas categorias de melhor filme, direção (Benh Zeitlin), atriz e roteiro adaptado.

NO

PREMIADO NA QUINZENA DOS REALIZADORES DO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o drama político reconstitui os bastidores do plebiscito realizado no Chile em 1988 para decidir a permanência do ditador Augusto Pinochet no governo. Mais do que a política, “No” mostra a força da publicidade em uma campanha eleitoral, sendo o 3º trabalho do diretor chileno Pablo Larraín (“Tony Manero”) a investigar a ditadura de Pinochet.

AMOR

Duas lendas do cinema francês — Emmanuelle Riva (“Hiroshima Mon Amour“) e Jean-Louis Trintignant (“Z”) — vivem a comovente história de um casal que precisa lidar com a dor e a morte no dilacerante drama de Michael Haneke (“A Fita Branca”). Coestrelado por Isabelle Huppert (no papel da filha do casal), “Amor” conquistou o Oscar de melhor filme estrangeiro e a PALMA DE OURO NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012.

REALITY – A GRANDE ILUSÃO

De volta à periferia de Nápoles depois de escancarar a máfia italiana em Gomorra, o diretor-roteirista Matteo Garrone lança em “Reality” um olhar crítico ao culto às celebridades que impregna a cultura popular. VENCEDOR DO GRANDE PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o filme mostra um peixeiro sonhador que participa de uma pré-seleção do programa Grande Fratello, a versão do Big Brother na Itália.

HOLY MOTORS

VENCEDOR DO PRÊMIO DA JUVENTUDE NO FESTIVAL DE CANNES, o longa foi a sensação do festival, sendo aclamado pela crítica como um dos melhores filmes de 2012. É o retorno do provocador cineasta francês Leos Carax, ausente da direção de longa desde “Pola X” (1999), apresentando a jornada surreal de um rico empresário (Denis Lavant, de “Tokyo!”) e suas diferentes personas por Paris.

“A PARTE DOS ANJOS”: UM KEN LOACH MAIS LEVE, MAS NÃO MENOS HUMANISTA

Premiado em Cannes, o mais recente trabalho de Ken Loach ("Terra e Liberdade", "À Procura de Eric") lançado no Brasil é um sopro de esperança após o tom trágico de "Rota Irlandesa". Confira na 2001 Vídeo esses e outros filmes do cineasta britânico conhecido por sua crítica social e olhar apaixonado para os menos favorecidos. "Kes" é considerado sua obra-prima

Premiado no Festival de Cannes, o mais recente trabalho de Ken Loach lançado no Brasil é um sopro de esperança após o tom trágico de “Rota Irlandesa”. Confira na 2001 Vídeo esses e outros filmes do cineasta britânico conhecido por sua crítica social e olhar apaixonado para os menos favorecidos. “Kes” é considerado a sua obra-prima, e “Ventos da Liberdade” conquistou a Palma de Ouro em Cannes em 2006

A Parte dos Anjos
(The Angels’ Share, ING/FRA/BEL/ITA, 2012, Cor, 106′)
Imovision – Drama – 14 anos
Direção: Ken Loach
Elenco: Paul Brannigan, John Henshaw, Gary Maitland, Roger Allam, Jasmin Riggins

Sinopse: Robbie é um rapaz do subúrbio de Glasgow, condenado a prestar serviço comunitário junto a outros jovens problemáticos. Ele encontra um mentor em Harry, que o inicia na degustação de uísque. Com talento para degustador, Robbie bola um plano com seus amigos que pode render a todos um recomeço na vida.

 
Depois do depressivo thriller Rota Irlandesa, Ken Loach retorna ao clima otimista de À Procura de Eric (2009) em A Parte dos Anjos, tratando com bom humor de questões sérias como a falta de oportunidades para os desfavorecidos, o desemprego e a desigualdade social na Europa.

Vencedor do prêmio do júri no Festival de Cannes em 2012, o filme é mais um trabalho engajado do diretor inglês conhecido pela militância de esquerda e fortes críticas ao governo britânico. Escrito por seu fiel colaborador Paul Laverty, o roteiro apresenta Robbie (o ator-estreante Paul Brannigan), um ex-delinquente de Glasgow que escapa da prisão em troca do cumprimento de 300 horas de serviço comunitário. Envolvido em assalto e agressão antes, o rapaz acaba de ser pai e decide se endireitar, arrumar um emprego e ajudar a namorada. Contudo, nada vem fácil para os típicos desajustados – e “ferrados na vida” – de Loach, como o protagonista vai descobrir.

O ator veterano John Henshaw transmite muita humanidade no papel de Harry, supervisor do serviço comunitário que enxerga o potencial de Robbie, interpretado pelo estreante Paul Brannigan. O jovem foi descoberto pelo roteirista Paul Laverty e cresceu no meio do crime e da violência, desempregado na Escócia.

O ator veterano John Henshaw transmite muita humanidade no papel de Harry, supervisor do serviço comunitário que enxerga o potencial de Robbie, interpretado pelo estreante Paul Brannigan. Descoberto pelo roteirista Paul Laverty, o jovem nunca atuou antes e cresceu em meio a crimes e violência, desempregado na Escócia. 

Robbie é proibido de ver o próprio filho pelo pai mafioso da namorada, é perseguido e violentamente agredido no que constitui um quadro cru da injustiça e da falta de humanidade daqueles à sua volta. Humanidade que surge em três companheiros sem noção (e emprego fixo) – Mo, Rhino e Albert – que conhece no serviço comunitário obrigatório e, sobretudo, em Harry (John Henshaw, veterano ator da TV britânica), o paternal supervisor responsável pelo grupo.

Apaixonado pela arte do uísque, Harry leva seu protegidos para conhecer uma destilaria escocesa, visita que desperta em Robbie cada vez mais interesse pelos meandros da bebida, e um surpreendente olfato para diferentes tipos de bebida.

Mo (Jasmin Riggins), Albert (Gary Maitland), Robbie (Paul Brannigan) e Rhino (William Ruane) em cena: no cinema de Loach não há espaço para atores famosos, nem rostinhos de comerciais de TV, apenas pessoas que parecem reais, quando não atores não-profissionais, uma marca no casting dos filmes

Mo (Jasmin Riggins), Albert (Gary Maitland), Robbie (Paul Brannigan) e Rhino (William Ruane) em cena: no cinema de Loach não há espaço para nomes famosos, nem rostinhos de comerciais de TV; apenas pessoas reais ou mesmo atores não-profissionais, que improvisam muito e na maioria das vezes não recebem o roteiro completo do filme

Não há moleza para os personagens, pois o mundo é uma realidade ainda mais dura para jovens desempregados, que chegam a mais de um milhão só na Inglaterra. Mas o filme oferece uma saída, questionável e ao mesmo tempo condizente com a ausência de regras do livre mercado. Um jeito dos quatro amigos sentenciados pela justiça recomeçarem a vida.

Com a ajuda de Mo, Rhino e Albert, Robbie planeja um despretensioso golpe envolvendo litros de um raríssimo malte que vai a leilão. Disfarçados, estes quatro malandros escoceses vão se infiltrar no sofisticado universo de especialistas que chegam a pagar milhares de dólares por uma garrafa de uísque.

O tom de farsa bem humorada se impõe ao realismo social do início, com os inconsequentes Robin Hoods modernos de Loach subvertendo as regras da sociedade e seu sistema de exclusão econômica. No final, um gesto de solidariedade inesperado confirma a compaixão do cineasta pelos excluídos e ainda deixa no espectador um sorriso terno no rosto.

Ken Loach
CINEMA ENGAJADO

Ken Loach no Festival de Cannes de 2012, onde recebeu o Prêmio do Júri por "A Parte dos Anjos", seu trabalho mais leve e otimista em décadas

Ken Loach no Festival de Cannes de 2012, onde recebeu o Prêmio do Júri por “A Parte dos Anjos”, seu trabalho mais leve e otimista em décadas

Nascido em 17/6/1936, em Nuneaton (Warwickshire, Inglaterra), estudou Direito no St. Peter’s College, em Oxford, antes de trabalhar com uma companhia de teatro e ingressar na televisão, onde dirigiu uma série de documentários de cunho social. Após a estreia no cinema com Poor Cow (1967), dirigiu seu maior sucesso de público e crítica na Inglaterra até hoje – Kes (1970).

Após um período de dificuldades e censura na TV inglesa, Ken Loach começou a melhor fase de sua carreira nos anos 1990. Com apoio do Channel Four, dirigiu uma sucessão de filmes premiados, como Agenda SecretaLadybird, LadybirdTerra e LiberdadeMeu Nome é Joe e Ventos da Liberdade, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

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Cineasta de orientação humanista, Loach sempre lutou pelos direitos dos trabalhadores na Inglaterra, criticando o liberalismo econômico e governos de direita como o da ex-ministra britânica Margaret Thatcher. Após a morte de Margaret, Loach comentou que o enterro da ex-ministra deveria ser “privatizado”

Avesso à Hollywood e à cultura das celebridades, Loach prefere explorar a sensibilidade ou experiência pessoal de atores não-profissionais ou sem projeção do que um astro ou ator famoso. Rejeitando o rótulo de “autor” e usando mais o sujeito “nós” do que o individualista “eu” em entrevistas, ele se mantém, há mais de quarenta anos, fiel a suas convicções políticas, permanecendo o cronista mais realista da classe trabalhadora no cinema.

MAIS KEN LOACH EM DVD NA 2001:
Rota Irlandesa (2010)
À Procura de Eric (2009)
Ventos da Liberdade (2006)
11 de Setembro (2002) segmento United Kingdom
Pão e Rosas (2000)
Kes (1969)

“ROTA IRLANDESA” E O CINEMA DE KEN LOACH

Um dos últimos cineastas verdadeiramente engajados do cinema, Ken Loach dirigiu filmes como "Terra e Liberdade" e "Mundo Livre". Em "Rota Irlandesa", o cineasta britânico lança seu olhar crítico para a presença de ingleses e americanos no Iraque durante a guerra

Um dos últimos cineastas verdadeiramente engajados do cinema, Ken Loach dirigiu filmes como “Terra e Liberdade” e “Mundo Livre”. Em “Rota Irlandesa”, o cineasta britânico lança seu olhar crítico para a presença armada de ingleses e americanos no Iraque em 2004

Rota Irlandesa
(Route Irish, ING/FRA/ITA/BEL/ESP, 2010, Cor, 109′)
Vinny – Drama – 14 anos
Direção: Ken Loach
Elenco: Mark Womack, John Bishop, Andrea Lowe, Stephen Lord

Sinopse: Após se aposentar das forças especiais do Reino Unido em 2004, Fergus vai trabalhar para uma firma de segurança privada no Iraque, uma das atividades mais lucrativas do mundo. Ele convence seu amigo de infância Frankie a entrar com ele no negócio. Mas, de volta à Liverpool, Fergus recebe a notícia de que o amigo morreu na Route Irish (“Rota Irlandesa”), estrada iraquiana considerada a mais perigosa do mundo. Ao lado da viúva de Frankie, ele decide investigar o ocorrido.

 
O inglês Ken Loach volta a trabalhar com seu fiel escudeiro, o roteirista Paul Laverty, neste drama político que explora os crimes cometidos não só pelas forças americanas no Iraque, mas também por mercenários contratados por empresas de segurança internacionais, ali instaladas para explorar ainda mais o país.

Ken Loach durante as filmagens do thriller dramático "Rota Irlandesa"

Ken Loach durante as filmagens de “Rota Irlandesa”, thriller dramático sobre a Guerra do Iraque

A “privatização da guerra” é o alvo do diretor de obras politizadas como Terra e Liberdade (1995), Pão e Rosas (2000) e Mundo Livre (2007), que recorre à fórmula do thriller para criticar a invasão do Iraque em 2003. Em um diálogo com a viúva de seu melhor amigo morto, o protagonista Fergus resume bem a indignação de Loach: “É irônico, mas se eles [os civis iraquianos] não apoiavam a Al-Qaeda antes, passaram a apoiar depois [da invasão do país pelos EUA]. Isso eu garanto”.

Polêmico como seu diretor, Rota Irlandesa é um filme amargo que ainda trata de justiça com as próprias mãos levada até as últimas consequências.

Ken Loach
CINEMA ENGAJADO

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Ken Loach em foto de divulgação de “Rota Irlandesa”, longa indicado à Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2010

Nascido em 17/6/1936, em Nuneaton (Warwickshire, Inglaterra), estudou Direito no St. Peter’s College, em Oxford, antes de trabalhar com uma companhia de teatro e ingressar na televisão, onde dirigiu uma série de documentários de cunho social. Após a estreia no cinema com Poor Cow (1967), dirigiu seu maior sucesso de público e crítica na Inglaterra até hoje – Kes (1970).

Após um período de dificuldades e censura na TV inglesa, Ken Loach começou a melhor fase de sua carreira nos anos 1990. Com apoio do Channel Four, dirigiu uma sucessão de filmes premiados, como Agenda SecretaLadybird, LadybirdTerra e LiberdadeMeu Nome é Joe e Ventos da Liberdade, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

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Cineasta de orientação humanista, Loach sempre lutou pelos direitos dos trabalhadores na Inglaterra, criticando o liberalismo econômico e governos de direita como o da ex-ministra britânica Margaret Thatcher

Avesso à Hollywood e à cultura das celebridades, Loach prefere explorar a sensibilidade ou experiência pessoal de atores não-profissionais ou sem projeção do que um astro ou ator famoso. Rejeitando o rótulo de “autor” e usando mais o sujeito “nós” do que o individualista “eu” em entrevistas, ele se mantém, há mais de quarenta anos, fiel a suas convicções políticas, permanecendo o cronista mais realista da classe trabalhadora no cinema.

KEN LOACH EM DVD NA 2001:
Rota Irlandesa (2010)
À Procura de Eric (2009)
Ventos da Liberdade (2006)
11 de Setembro (2002) segmento United Kingdom
Pão e Rosas (2000)
Kes (1969)