Kes

FESTIVAL DE CLÁSSICOS E CULTS NA 2001 – PARTE 1

MODESTY BLAISE

Um dos maiores exemplos da pop art no cinema, o filme – uma adaptação dos cultuados quadrinhos de Peter O’Donnell – reúne Monica Vitti, Terence Stamp e Dirk Bogarde em plena Swinging London na satírica trama de espionagem dirigida por Joseph Losey (de “O Criado”). Este clássico sessentista concorreu à Palma de Ouro em Cannes.

KES

Clássico do cinema inglês que tornou conhecido Ken Loach, diretor do aclamado “Eu, Daniel Blake“, “Kes” é mais um exemplo de suas preocupações sociais, mostrando a dura rotina do jovem Billy, morador de um bairro pobre na Inglaterra. Ridicularizado na escola, ele consegue escapar da falta de humanidade à sua volta treinando um falcão.

VALERIE E A SEMANA DAS MARAVILHAS

Raridade do cinema tcheco repleta de imagens surrealistas e simbolismos para representar o despertar sexual de Valerie, uma adolescente de 14 anos que experimenta sua primeira menstruação, novos amores e até o vampirismo. Dirigido e escrito por Jaromil Jires (1935-2001), a partir do romance de Vítezslav Nezval.

O CASTELO DE VIDRO (1950)

Adaptação do romance de Vicky Baum dirigida por René Clément (“O Sol por Testemunha“). Michèle Morgan interpreta Evelyne, mulher casada que se apaixona por Rémy (Jean Marais), um libertino parisiense de caráter mundano. Também conhecido como “Rendezvous em Paris”, o filme é uma obra pouco conhecida do grande cineasta francês.

PACTO SINISTRO

Escrito por Raymond Chandler, este clássico de Alfred Hitchcock é baseado no romance de Patricia Highsmith, autora de “O Talentoso Ripley”. Indicado ao Oscar de melhor fotografia (em p&b), o filme marcou época com a famosa “troca de favores” (leia-se assassinatos) proposta pelo psicótico Bruno a um tenista famoso.

O CÃO DOS BASKERVILLES

Produção da inglesa Hammer Films dirigida por Terence Fisher (“Drácula – O Príncipe das Trevas“), um de seus melhores diretores, e estrelada por Peter Cushing (no papel de Sherlock Holmes) e Christopher Lee (como Sir Henry Baskerville). Adaptado da obra de Sir Arthur Conan Doyle.

ARABESQUE

Diretor do clássico “Cantando na Chuva” (1952), Stanley Donen retorna ao thriller de espionagem, depois do sucesso de “Charada” (1963). Em “Arabesque“, Gregory Peck vive um professor americano infiltrado numa intrincada trama internacional entre Inglaterra e Oriente Médio. Sophia Loren e Alan Badel completam o elenco.

RAPSÓDIA

A bela Louise Durant (Elizabeth Taylor) entrega-se de corpo e alma ao violinista Paul Bronte (Vittorio Gassman). O casal muda-se para Zurique, onde ele passa a dedicar-se mais à música do que a ela. Sentindo-se ignorada, Louise conhece James Guest (John Ericson). Clássico romântico do mesmo diretor de “Gilda” (1946), Charles Vidor.

CREPÚSCULO DE UMA RAÇA

Um dos trabalhos mais subestimados de John Ford, o western conta com grande elenco: Richard Widmark, Carroll Baker, Karl Malden, Arthur Kennedy e James Stewart. Indicado ao Oscar de melhor fotografia (em cores), o longa acompanha a jornada de um grupo de índios Cheyenne de volta ao seu assentamento de origem, no Wyoming.

WEST SIDE WESTERN COLLECTION – VOL.3

Em ADIOS GRINGO (1965), Giuliano Gemma é um fazendeiro que é enganado por um amigo mau caráter que lhe vendeu gado roubado. E, escrito por Dario Argento e Tonino Cervi, MATO HOJE MORRO AMANHÃ (1968) traz Bud Spencer como um dos homens contratados para vingar a esposa assassinada do protagonista, Bill. DVD com dois Spaghetti Western.

DICAS PARA O FIM DE SEMANA

Confira a seguir as sugestões da equipe 2001 Vídeo:

1900
(Novecento, ITA/FRA, 1976, Cor, 314’)
Direção: Bernardo Bertolucci
Elenco: Robert De Niro, Gérard Depardieu, Dominique Sanda, Donald Sutherland, Burt Lancaster

Após o sucesso de O Último Tango em Paris (1972), Bernardo Bertolucci realizou um feito inusitado: uma superprodução ideologicamente socialista, com capital americano e mais de cinco horas de duração. Com fotografia de Vittorio Storaro e trilha sonora de Ennio Morricone, 1900 é um ambicioso épico histórico com o habitual estilo operístico do diretor, e cenas de nudez e violência editadas em seu lançamento, marcado por diferentes versões reduzidas para exibição nos cinemas.

Panorama histórico da Itália desde o início do século 20 até o fim da Segunda Guerra Mundial, o filme acompanha a vida de dois jovens, da infância à velhice: Olmo, filho bastardo de camponeses, e Alfredo, herdeiro de uma rica família de latifundiários.

O Conformista*
(Il Conformista, ITA/FRA/ALE, 1970, Cor, 115′)
Direção: Bernardo Bertolucci
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Dominique Sanda, Pierre Clémenti

Em O Conformista, Bernardo Bertolucci (Os Sonhadores) soube com maestria adaptar o romance homônimo de Alberto Moravia (1907-1990), publicado em 1951. Ambientada na Itália de 1938, ainda sob o poder de Mussolini, a trama segue a conflituosa trajetória de um fascista que, em viagem de lua-de-mel a Paris, recebe ordens para planejar o assassinato de um antigo professor, agora um dissidente político.

O filme reúne equipe técnica de grandes profissionais e bom elenco, no qual se destaca o francês Jean-Louis Trintignant (Um Homem, Uma Mulher). O desenho de produção de Ferdinando Scarfiotti (vencedor do Oscar® por O Último Imperador) e a direção de fotografia de Vittorio Storaro (três vezes ganhador do Oscar® por Apocalypse Now, Reds e O Último Imperador) colaboram para alguns momentos marcados por tons expressionistas.

* Indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado

O Exército das Sombras*
(L’Armée des Ombres, FRA/ING, 1969, Cor,150’)
Direção: Jean-Pierre Melville
Elenco: Lino Ventura, Jean-Pierre Cassel, Simone Signoret

Mais conhecido pelas tramas policiais-existenciais de filmes como O Samurai, Melville faz um tributo aos membros da Resistência na Segunda Guerra, levando às telas o romance L’Armée des Ombres, escrito  por Joseph Kessel a partir de experiência pessoal no período. Lançado originalmente na França em 1969, o filme foi mal interpretado na estreia, sendo finalmente reconhecido em seu lançamento nos EUA, em 2006. Distante da ação e romantismo associados à luta dos aliados no conflito, O Exército das Sombras recria o clima de desolação e pessimismo de personagens à mercê da morte iminente.

* Melhor filme estrangeiro pelo Círculo de Críticos de Nova York, EUA.

Garage Olimpo*
(Idem, ITA/ARG/FRA, 1999, Cor, 98′)
Direção: Marco Bechis
Elenco: Antonella Costa, Carlos Echevarría, Chiara Caselli, Dominique Sanda

Nascido em Santiago do Chile, Marco Bechis viveu em São Paulo e Buenos Aires, onde lutou contra a ditadura argentina, que o forçou a deixar o país nos anos 1970, para viver nos EUA e depois na Itália. Essa trajetória nômade do cineasta e fotógrafo explica sua fascinação pela América Latina e os temas sociais, expressa em Garage Olimpo e em Terra Vermelha. Testemunha dos horrores dos anos de chumbo na Argentina, Bechis usa sua abordagem naturalista característica para retratar a impunidade institucionalizada do período, evitando a exploração sensacionalista da violência. Como o brasileiro Pra Frente, Brasil (1982), seu filme reproduz todo o clima de medo e incerteza enfrentado não só pela militância estudantil, mas por qualquer um que fosse confundido com um “subversivo”.

Produzido por Daniel Burman (diretor de Ninho Vazio), o filme conta com a participação de uma veterana atriz dos anos 1970: Dominique Sanda, musa de Bernardo Bertolucci em O Conformista (1970) e 1900(1976), comentados anteriormente.

* Melhor filme no Festival de Cartagena (Espanha), prêmio da crítica no Festival de Havana (Cuba) e prêmio Glauber Rocha no Festival de Havana (Cuba)

Kes
(Idem, ING, 1969, Cor, 110’)
Direção: Ken Loach
Elenco: David Bradley, Freddie Fletcher

Um marco do cinema inglês que tornou conhecido seu diretor, Ken Loach, famoso por seu ativismo antigovernamental e o tratamento apaixonado de questões sociais e políticas em filmes como Terra e Liberdade e Uma Canção para Carla, ambos inéditos em DVD no Brasil. Kes é mais um exemplo das preocupações de Loach, que defende os desprivilegiados e pessoas comuns contra “o sistema”; no caso, o desiludido Billy contra a incompreensão e falta de perspectiva à sua volta, em um austero e por vezes duro retrato da infância maltratada.

 

More
(Idem, FRA/ALE/LUX, 1969, Cor, 116’)
Direção: Barbet Schroeder
Elenco: Mimsy Farmer, Klaus Grunberg

Antes de fazer carreira em Hollywood, Barbet Schroeder dirigiu filmes tematicamente ousados como sua estreia na direção, More, e Maîtresse (1976).

Em More, um jovem estudante alemão viaja para Paris, onde conhece uma expatriada norte-americana usuária de heroína. Uma paixão avassaladora contamina os dois, que partem para a ensolarada ilha de Ibiza. Um relacionamento autodestrutivo, em que nenhum dos dois consegue se satisfazer.

A lisérgica trilha sonora de Pink Floyd é o complemento perfeito para as belas locações em Paris e Ibiza, filmadas por Nestor Almendros (Dias de Paraíso).

Eu Atirei em Andy Warhol*
(I Shot Andy Warhol, EUA/ING, 1996, Cor, 102′)
Direção: Mary Harron
Elenco: Lili Taylor, Jared Harris, Martha Plimpton, Lothaire Bluteau

Militante feminista radical e autora do manifesto Scum, Valerie Solanas atirou à queima roupaem Andy Warhol, em 3/6/1968, inconformada com a recusa do artista em produzir sua peça teatral.

Com trilha sonora de John Cale, fundador da banda The Velvet Underground (ao lado de Lou Reed), o filme de Mary Harron (Psicopata Americano, Bettie Page) recria o clima de decadência e excentricidade da Factory em detalhes, apresentando figuras carimbadas do local, como o transexual Candy Darling e o ator pornô Tom Baker. Diferente do caloroso Andy Warhol interpretado por David Bowie em Basquiat (lançado apenas em VHS no mercado brasileiro), Jared Harris (Felicidade) interpreta o artista de forma blasé e distante, acentuando sua indiferença ao trabalho e posições radicais da perturbada Valerie Solanas.

* Prêmio especial para Lili Taylor no Festival Sundance, EUA.

Reflexos da Inocência
(Flashbacks of a Fool, ING, 2008, Cor, 103′)
Direção: Baillie Walsh
Elenco: Daniel Craig, Harry Eden, Eve, Olivia Williams, Claire Forlani

Joe Scott (o inglês Daniel Craig, também produtor do filme), astro de cinema em crise, vive sem regras à base de excessos como álcool, drogas e sexo. A notícia repentina da morte de seu melhor amigo de infância leva o ator, perdido em sua realidade, a voltar a um passado que lhe incomoda, devido a passagens durante a adolescência agitada e cheia de loucuras para a época. Amores perdidos e proibidos, além de decisões tomadas repentinamente, tornam difícil a volta para a cidade natal.

Sugestões da equipe 2001 Vídeo