Nicole Kidman

AGORA EM DVD, O ELOGIADO “EM RITMO DE FUGA” E “O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS”, PREMIADO EM CANNES

COM GRANDES ATUAÇÕES, UM ROTEIRO ORIGINAL E TRILHA SONORA MATADORA, O CULT “EM RITMO DE FUGA” É CONSIDERADO UM DOS MELHORES FILMES DO ANO. E, POR DAR UM NOVO PONTO DE VISTA PARA UM CLÁSSICO DA LITERATURA AMERICANA, SOFIA COPPOLA RECEBEU O PRÊMIO DE MELHOR DIREÇÃO EM CANNES POR “O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS“.

EM RITMO DE FUGA

Uma das produções mais elogiadas do ano, dirigida e escrita pelo britânico Edgar Wright (“Todo Mundo Quase Morto”, “Scott Pilgrim Contra o Mundo”).

Recém-lançado em DVD e Blu-ray, “Em Ritmo de Fuga” é o primeiro longa do diretor realizado nos EUA, com ótimo elenco e sequências de perseguição de carro eletrizantes, ao som de uma trilha matadora, com canções de blues, rock e soul que ditam o ritmo da ação.

A trama acompanha o protagonista Baby (Ansel Elgort, de “A Culpa é das Estrelas”), jovem que tem uma mania curiosa: ouvir músicas o tempo todo para silenciar o zumbido que perturba seus ouvidos desde um acidente na infância. Excelente motorista, ele é o piloto de fuga oficial dos assaltos organizados por Doc (Kevin Spacey), mas não vê a hora de deixar a vida criminosa, especialmente depois de se apaixonar pela garçonete Debora (Lily James, de “Downton Abbey” e “Cinderela”).

Diretor-roteirista de sensibilidade pop, Wright sincroniza cada sequência de assalto com uma música ouvida por Baby em seu iPod, como na incrível sequência de abertura, ao som de ‘Bellbottoms’, do grupo indie rock The Jon Spencer Blues Explosion. Por isso, “Baby Driver” (título original do filme) é quase um filme de ação musical, com cenas de ação coreografadas ao ritmo do som.

Além do impressionante trabalho dos dublês nas perseguições de carro, que confere mais autenticidade e realismo às cenas, o filme vai ganhando tensão com a entrada de dois comparsas de assalto, Buddy (Jon Hamm, da série “Mad Men”) e Bats (Jamie Foxx), cada um com suas idiossincrasias e segredos.

CURIOSIDADES:

* Edgar Wright teve a ideia do filme ao ouvir a canção “Bellbottoms” do trio Jon Spencer Blues Explosion. Ele começou a trabalhar no roteiro em 1995.

* “Easy” é outra música-chave da trama e surge na versão original, gravada pelo grupo Commodores, e numa versão cover da cantora Sky Ferreira, que interpreta a mãe de Baby.

* Produções dos anos 1960 e 1970, como “Bullit”, “Operação França” e “Caçada de Morte”, estão entre as referências usadas por Wright no projeto.

* O cineasta e o jovem Elgort estiveram no Brasil em julho deste ano para divulgar o filme.

* Logan Lerman (“As Vantagens de Ser Invisível”) foi cogitado para o papel principal.

O ESTRANHO QUE NÓS AMAMOS (2017)

Por esta adaptação do livro de Thomas P. Cullinan – levado às telas antes, com o mesmo título brasileiro, em 1971 – Sofia Coppola tornou-se a segunda mulher a ganhar o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes.

Com seu estilo contemplativo e minimalista, a cineasta adiciona camadas de subtexto e, sobretudo, um olhar feminino, à história de McBurney (Colin Farrell, no papel que foi de Clint Eastwood na versão de Don Siegel), um cabo da União que, gravemente ferido, é resgatado por um grupo de mulheres sulistas lideradas por Martha Farnsworth (Nicole Kidman).

O intruso, e ainda por cima inimigo de guerra, desperta sentimentos conflitantes e a sexualidade das duas professoras (vividas por Kidman e Kirsten Dunst) e de algumas das alunas adolescentes que vivem ali, isoladas em um casarão na Virginia. Um perigoso jogo de sedução entre elas e o homem ferido – e ao mesmo tempo algoz – toma forma, com trágicas consequências.

CURIOSIDADES:

* Antes de Sofia, a única mulher a levar o prêmio de Melhor Direção em Cannes foi a russa Yuliya Solntseva, por “A Epopéia dos Anos de Fogo”, em 1961.

* Antes de se encontrarem no set de “O Estranho que Nós Amamos“, Nicole Kidman e Colin Farrell contracenaram juntos em “The Killing of a Sacred Deer”, novo trabalho do aclamado diretor grego Yorgos Lanthimos (de “O Lagosta”).

* Segundo Sofia, o filme não é uma refilmagem do clássico homônimo de 1971, mas uma adaptação do romance de Cullinan.

Clint Eastwood no clássico de 1971, dirigido por Don Siegel

* Intérprete de uma das jovens do internato sulista, Elle Fanning já trabalhou com a cineasta em “Um Lugar Qualquer” (2010)

* Algumas das cenas foram filmadas dentro da casa da atriz Jennifer Coolidge, em New Orleans.

“BIG LITTLE LIES”, PREMIADA COM O EMMY, E MAIS LANÇAMENTOS NA 2001

COM GRANDE ELENCO E DIREÇÃO DO CANADENSE JEAN-MARC VALLÉE (“CLUBE DE COMPRAS DALLAS“),  A MINISSÉRIE BRILHOU NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO EMMY, A MAIS IMPORTANTE PREMIAÇÃO DA TELEVISÃO AMERICANA. 

Entre as produções de menor duração, “Big Little Lies” levou o Emmy nas categorias de melhor minissérie, atriz (Nicole Kidman), atriz coadjuvante (Laura Dern), ator coadjuvante (Alexander Skarsgard) e direção. Reese Witherspoon, Shailene Woodley, Adam Scott e Zoë Kravitz também estão no elenco.

Adaptada do best seller homônimo de Liane Moriarty, a produção acompanha três mulheres que se envolvem em uma trama de assassinato, rivalidade e violência doméstica, na aparente perfeita comunidade de Monterey, na Califórnia. Madeline (Reese Witherspoon) é uma dona de casa que se dedica à educação das duas filhas e que ainda vive ressentida com o casamento do ex-marido.

Já a ex-advogada Celeste (Nicole) é mãe de gémeos e tem um casamento aparentemente perfeito com um homem mais novo, Perry (Skarsgård). Jane (Shailene) é uma jovem mãe solteira recém-chegada à cidade preocupada com o filho de cinco anos, acusado de esganar a filha de Renata (Laura Dern), a arqui-inimiga de Madeline, no recreio da escola. A partir daí, uma “guerra” se instaura entre as mães dos alunos.

Criada por David E. Kelley (“Ally McBeal”, “Boston Legal”), a minissérie trata de muitas coisas, mas sobretudo do papel da mulher na sociedade contemporânea, por meio das diferentes personagens e seus conflitos. Um crime mantido nas sombras desde o primeiro episódio – não se sabe quem o cometeu ou quem é a vítima – é só a ponta de diferentes formas de violência (assédio sexual, bullying) que afetam as protagonistas e, infelizmente, cada vez mais mulheres na atualidade.

EXTRAS:
• Sobre Big Little Lies – um olhar por trás das cenas com entrevistas inéditas com o elenco e realizadores.
• Contém “Por Dentro dos Episódios” com o diretor Jean-Marc Vallée e o escritor David E. Kelley.

MEU MALVADO FAVORITO 3

Uma das maiores bilheterias do ano, com quase 9 milhões de espectadores nos cinemas brasileiros, o longa de animação dá sequência à franquia protagonizada pelo ex-vilão Gru (voz de Steve Carrell no original), que agora descobre ter um irmão gêmeo, Dru. Ao lado dos Minions, os dois terão de enfrentar um novo vilão – Balthazar Bratt, um esquecido astro de TV dos anos 1980. Confira nos extras das edições em DVD e Blu-ray, making of, cena deletada, videoclipe e o mini-filme “A Vida Secreta de Kyle”.

E VEJA TAMBÉM:
Coleção Meu Malvado Favorito 1-3 + Minions

PIRATAS DO CARIBE – A VINGANÇA DE SALAZAR

Johnny Depp está de volta ao papel de Jack Sparrow, que precisa encontrar o Tridente de Poseidon, artefato que dá a quem o possui poder absoluto sobre os sete mares. Enquanto isso, um grupo de fantasmas é liberado por um velho inimigo, o Capitão Salazar (Javier Bardem), que está determinado a matar todos os piratas do mar. Brenton Thwaites, Kaya Scodelario, Geoffrey Rush e Orlando Bloom completam o elenco desta quinta aventura da franquia, dirigida pela dupla de cineastas noruegueses Espen Sandberg e Joachim Ronning (de “Expedição Kon Tiki”).

O CÍRCULO

Baseado no livro de mesmo nome de Dave Eggers, o filme é um suspense tecnológico com Tom Hanks, Emma Watson (a Hermione da franquia “Harry Potter“) e John Boyega (de “Star Wars – O Despertar da Força“) nos papéis principais e um tema muito atual: o fim da privacidade no mundo virtual. Hanks interpreta Eamon Bailey, empresário que comanda a Circle, corporação que investe na manipulação de dados das mídias sociais, e Emma, sua mais nova funcionária.

BAYWATCH – SOS MALIBU

Versão cinematográfica da popular série de TV dos anos 1990, com Dwayne Johnson, o “The Rock”, substituindo David Hasselhoff no papel de Mitch Buchannon, chefe da equipe de salva-vidas da praia de Emerald Bay, na Flórida. Dirigido por Seth Gordon (“Quero Matar meu Chefe“), o filme une ação policial e humor, com Zac Efron como parceiro (e personalidade oposta), a indiana Priyanka Chopra de vilã, e participações especiais de Hasselhoff e Pamela Anderson.

RIVERDALE – 1ª TEMPORADA

Inspirada nos desenhos animados de “A Turma do Archie”, da década de 1960, a série teen explora os segredos dos moradores de uma pequena cidade dos EUA. Os habitantes de Riverdale tentam retomar suas vidas após uma tragédia que faz Archie Andrews repensar seu futuro – e amores, dividido entre Betty e Veronica. Entre os extras incluídos no box, estão cenas inéditas e erros de gravação.

 

COM CARDS E EXTRAS, CINCO NOVAS EDIÇÕES ESPECIAIS NA 2001

NOS ÚLTIMOS LANÇAMENTOS DO SELO OBRAS-PRIMAS, “NÓ NA GARGANTA“, CULT DE NEIL JORDAN (DIRETOR DE “TRAÍDOS PELO DESEJO”); “HAVAÍ“, CLÁSSICO INDICADO AO OSCAR COM JULIE ANDREWS, MAX VON SYDOW E RICHARD HARRIS; “PONETTE“, DRAMA FRANCÊS PREMIADO NO FESTIVAL DE VENEZA; “UM SONHO SEM LIMITES“, LONGA DE DE GUS VAN SANT COM NICOLE KIDMAN VENCEDORA DO GLOBO DE OURO; E “CIDADÃO X“, TELEFILME SOBRE SERIAL KILLER RUSSO.

NÓ NA GARGANTA

Vencedor do Urso de Prata de melhor diretor para Neil Jordan no Festival de Berlim, o filme é baseado no romance homônimo de Patrick McCabe (autor de “Café da Manhã em Plutão”).

“Nó na Garganta” transita entre o trágico e o humor negro violento para revelar o mundo interior de um agressivo menino de 12 anos, Francie (Eammon Owens, também premiado em Berlim), numa pequena comunidade rural irlandesa na década de 1960. Com seu pai constantemente bêbado e a mãe depressiva, o garoto vive isolado e encontra refúgio na sua imaginação, delirante e ao mesmo tempo violenta.

Inédita em DVD no Brasil, esta produção irlandesa de 1997 só havia saído em VHS no Brasil.

Com grandes atores como Stephen Rea (“Cidadão X“), Brendan Gleeson (“No Coração do Mar“) e Milo O’Shea no elenco, além da participação especial da cantora Sinéad O’Connor, o longa é um cruel conto sobre a perda da inocência e o poder – para o mal, da imaginação.

EXTRAS:
* Trailer original
* Cenas deletadas

HAVAÍ

Escrito pelo roteirista Dalton Trumbo (biografado no recente “Trumbo“) e por Daniel Taradash, a partir do romance de James A. Michener, o filme concorreu em sete categorias do Oscar em 1967: melhor atriz (Jocelyne LaGarde), fotografia, figurino, som, efeitos visuais, trilha sonora e canção.

Na trama, ambientada em 1820, Abner Hale (Max von Sydow, famoso por sua parceria com Ingmar Bergman) é um rígido missionário da Nova Inglaterra que, junto com a esposa Jerusha Bromley (Julia Andrews), tenta catequizar os nativos da exótica ilha do Havaí. Mas o choque entre as duas culturas é grande e o desentendimento entre os dois povos pode resultar em uma tragédia.

Curiosamente, ao tratar de religião e choque de culturas, este clássico de George Roy Hill, também diretor de “Golpe de Mestre“, tem vários pontos de contato com o último trabalho de Martin Scorsese, o épico “Silêncio” (já disponível em DVD na 2001).

EXTRAS:
* Trailer original
* Making of

PONETTE – À ESPERA DE UM ANJO

Escrito e dirigido pelo francês Jacques Doillon (do controverso “Raja”), este é um dos filmes mais sensíveis da década de 1990 por revelar, com extrema delicadeza, os reflexos da morte na vida de uma criança.

É o caso de Ponette (a revelação Victoire Thivisol), uma menina de 4 anos confrontada com a perda da mãe, morta em um acidente de carro. Incapaz de entender a situação segundo os padrões do pensamento adulto, a menina acredita que sua mãe irá voltar.

A menina tenta falar com ela, e essa espera é de uma determinação comovente. Ponette então questiona os adultos e outras crianças à sua volta, enquanto recebe conselhos sobre religião, filosofia e até como falar com Deus.

Victoire Thivisol tinha apenas 5 anos de idade quando venceu a Copa Volpi de melhor atriz no Festival de Veneza por sua atuação no papel-título. O filme conquistou mais três prêmios no festival e levou o prêmio da crítica na Mostra Internacional de Cinema de SP, em 1996.

Uma raridade do cinema francês que merece ser descoberta, em versão remasterizada com quase 1 hora de extras.

EXTRAS:
* Entrevista com Jacques Doillon
* 8 anos depois: Victoire Thivisol (Ponette)
* Entrevista com Caroline Eliacheff
* Entrevista com a diretora de fotografia Caroline Champetier
* Diálogos com Jean-Claude Laureux e Jean-Pierre Durett

UM SONHO SEM LIMITES

Esta comédia dramática dirigida por Gus Van Sant (“Drugstore Cowboy“, “Milk”) é baseada na história real de Suzanne Stone Maretto, autora do livro “To Die For”, que deu origem ao filme.

Premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical, Nicole Kidman interpreta Suzanne, uma mulher amoral e calculista que vive numa pequena cidade de New Hampshire com o sonho de trabalhar na estação de TV local. Desiludida com seu casamento com Larry (Matt Dillon), dono de uma pizzaria, ela se dedica em tempo integral à carreira e fará de tudo para se tornar uma personalidade importante.

Com críticas ácidas ao culto às celebridades e à busca pela fama a qualquer custo, o filme consagrou Kidman — recentemente premiada no Festival de Cannes — no papel de femme fatale suburbana, e marca ainda a estreia de Casey Affleck (vencedor do Oscar deste ano por “Manchester à Beira Mar“) no cinema. Completam elenco, Joaquin Phoenix, Illeana Douglas, George Segal e Alison Folland.

EXTRAS:
* Entrevista com Gus Van Sant
* Spots de TV
* Trailer original

CIDADÃO X

Premiado com o Emmy e o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante em minissérie ou telefime para Donald Sutherland, “Cidadão X” é um tenso thriller de serial killer baseado no livro de Robert Cullen.

A trama acompanha a jornada de horror de Andrei Romanovich Chikatilo — o “Monstro de Rostov” –, o primeiro assassino em série descoberto na ex-União Soviética. Entre 1978 e 1990, ele matou mais de 50 pessoas, a maioria crianças e jovens mulheres. Em seu encalço, o tenente Viktor Burakov (papel de Stephen Rea, de “Traídos pelo Desejo”) busca pistas e ainda precisa lidar com a burocracia russa.

EXTRAS:
* Documentário especial sobre o serial Andrei Chikatilo (50 minutos).

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “SEGREDOS DE SANGUE”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Diretor de "Oldboy", o sul-coreano Park Chan-Wook estreia em Hollywood com "Segredos de Sangue", um suspense diferente, de ritmo lento e ênfase na sexualidade dos personagens. Estrelado por Nicole Kidman e Mia Wasikowska ("Alice no País das Maravilhas", o filme mantém o clima de estranhamento dos outros trabalhos do cineasta

Diretor de “Oldboy”, o sul-coreano Park Chan-Wook estreia em Hollywood com “Segredos de Sangue”, um suspense diferente, de ritmo lento e ênfase na sexualidade dos personagens. Estrelado por Nicole Kidman (do recente “Obsessão”) e Mia Wasikowska (“Alice no País das Maravilhas”), o filme mantém o clima de estranhamento de outros trabalhos do cineasta e já está disponível para locação e venda na 2001 Vídeo

Cada vez mais gosto de atores e atrizes que se encaixam em projetos independentes, com linguagens fora do padrão e proposta desgarrada do circuito blockbuster. Não só é um sinal de versatilidade técnica, mas também temática. Quem dirige é o sul-coreano Chan-Wook Park, que faz aqui o seu primeiro filme em inglês, carregando a sua marca da violência, mas que habilmente é mesclada com uma linda fotografia, a começar pelas primeiras cenas dos créditos.

Claro que isso não torna o filme menos violento na sua essência, mas a escolha dos atores e do roteiro faz com que a violência seja parte integrante dos Stoker – essa família excêntrica e estranhíssima, que de drama migra para o suspense, para a surpresa, para o sadismo muito bem construído. Não espere um filme de suspense convencional. Segredos de Sangue é mais lento, mais contemplativo nos olhares e gestos, menos conclusivo e mais sugestivo. E é aqui que ele constrói o seu diferencial.

Família disfuncional à mesa: o tio misterioso, a madrasta e a estranha filha do falecido

Família disfuncional à mesa: o tio misterioso, a madrasta e a estranha filha do falecido

O que não seria possível sem atores competentes. A começar por Nicole Kidman, que mais uma vez é espetacular na sua participação em projetos diferenciados. Foi assim no incrível As Horas e em Os Outros, em que seu personagem realmente faz a diferença na técnica e na temática. A tal da versatilidade, como eu dizia. Pois então, Kidman é Evelyn Stoker, uma linda mulher que acaba de perder seu marido em um grave acidente de carro e tem que lidar com a estranha India (Mia Wasikowska, também em Alice no País das Maravilhas, Albert Nobbs, Minhas Mães e Meu Pai, Inquietos), sua única filha. Por causa da morte do marido, o tio de India, Charles (Matthew Goode, também em Match Point, Direito de Amar), vem passar um tempo com a família. Logo o desconforto se instala, espalhando uma sensação ao mesmo tempo de desconfiança, já que pouco se sabia sobre ele, e de curiosidade.

Suspense bom é aquele que o jornalista não pode passar muita informação. Cada olhar, cada objeto, cada detalhe carrega significado e isso o diretor sul-coreano sabe fazer muito bem. Com suas pinceladas fundamentais de arte, beleza plástica, fotografia, regados à crueldade e mistério. Interessante e inteligente, Segredos de Sangue merecia ter tido melhor bilheteria. Este é um daqueles filmes em que eu colocaria a chancela do “amplie sua visão”. Pra sair do lugar comum e ver um cinema criativo.

 

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

“HEMINGWAY & MARTHA”: “IT’S NOT TV. IT’S HBO” (NÃO É TV. É HBO)

Indicado ao Emmy e ao Globo de Ouro de melhor ator (Clive Owen) e atriz (Nicole Kidman), o telefilme produzido pela HBO recria o tórrido romance entre o escritor Ernest Hemingway e a correspondente de guerra Martha Gellhorn. A direção é de Philip Kaufman ("A Insustentável Leveza do Ser", "Henry & June") e o falecido James Gandolfini foi um dos produtores executivos

Lançada em DVD com o título “Hemingway e Martha”, a superprodução da HBO concorreu ao Emmy e ao Globo de Ouro de melhor ator (Clive Owen) e atriz (Nicole Kidman) em telefilme ou minissérie de TV. Coproduzido pelo falecido James Gandolfini e dirigido por Philip Kaufman (“A Insustentável Leveza do Ser”, “Henry & June”), o telefilme recria o tórrido romance entre o escritor Ernest Hemingway e a correspondente de guerra Martha Gellhorn, a partir dos anos 1930

Hemingway e Martha
(Hemingway & Gellhorn, EUA, 2012, Cor, 155′)
Warner – Drama – 16 anos
Direção: Philip Kaufman
Elenco: Nicole Kidman, Clive Owen, David Strathairn, Rodrigo Santoro, Molly Parker, Parker Posey, Tony Shalhoub, Lars Ulrich, Robert Duvall, Joan Chen

Sinopse: Após uma pescaria bem sucedida, o escritor Ernest Hemingway conhece Martha Gellhorn em um bar. Interessado nela, logo a convida para um evento que ocorrerá em sua casa, onde serão discutidos meios de ajudar a defesa republicana espanhola em meio ao ataque fascista do general Franco. Gellhorn consegue um emprego como correspondente de guerra e parte para a Espanha, onde inicia um romance com o famoso escritor.

 
Um dos maiores escritores do século XX, Ernest Hemingway (1899–1961) teve uma vida tão grandiosa, com tantos relacionamentos amorosos e passagens pelos maiores conflitos de sua era, que sumarizar sua jornada numa cinebiografia é tarefa no mínimo inglória.

Produzido pelo canal pago HBO, Hemingway & Martha prefere se concentrar no tumultuado romance do escritor (vivido pelo inglês Clive Owen) com sua terceira esposa, a correspondente de guerra Martha Gellhorn (Nicole Kidman).

Clive Owen e Nicole; ao centro, o verdadeiro casal Hemingway-Gellhorn

Clive Owen e Nicole Kidman; ao centro, o verdadeiro casal Hemingway-Gellhorn

Por meio de flashbacks, a personagem relembra, em entrevista para uma equipe de TV, como conheceu Hemingway num bar de Key West (Flórida, EUA), em 1936. O encontro lhe abre as portas para o fechado círculo de amigos do autor de O Velho e o Mar.

Martha começa a escrever para a revista Collier’s e junta forças com Hemingway e seus amigos, reunidos em Madri para registrar a luta da resistência contra Franco no documentário This Spanish Earth. No grupo, destacam-se o diretor dinamarquês Joris Ivens (Lars Ulrich, baterista da banda Metallica), o escritor John dos Passos (David Strathairn), o líder revolucionário Paco Zarra (Rodrigo Santoro) e o renomado fotógrafo Robert Capa (Santiago Cabrera).

Nicole, Owen e Rodrigo Santoro no Festival de Cannes do ano passado, onde "Hemingway & Martha" foi exibido, fora de competição, mas ainda assim um feito raro para um telefilme. Só mesmo uma produção da HBO para participar do maior festival de cinema do mundo

Nicole, Clive e Rodrigo Santoro no Festival de Cannes do ano passado, onde “Hemingway & Martha” foi exibido, fora de competição. Feito raro para um telefilme. Só mesmo uma produção de TV da HBO para participar do maior festival de cinema do mundo

Os bombardeios, a agitação nas ruas, a dor deixada pelas perdas civis e, sobretudo, a influência de Hemingway, despertam em Martha a certeza de sua vocação para correspondente de guerra. Ela deseja escrever igual Capa tira suas fotos, apaixonada e destemidamente no meio da ação que testemunha. Hemingway é quem instiga a escritora e jornalista a ir fundo, a escrever sobre suas experiências. “É sentar na máquina de escrever e sangrar”, diz o mentor que logo se torna seu amante.

O roteiro deixa claro a admiração mútua da dupla, admiração que vira uma grande paixão, expressa em cenas quentes envolvendo Owen e Nicole – especialidade de Philip Kaufman, diretor de A Insustentável Leveza do Ser e Henry & June. Em seguida, o relacionamento evolui para o casamento, seguido de traições, ódio e rivalidade.

A experiência na Espanha leva Hemingway a escrever o romance Por Quem os Sinos Dobram e consolida Martha na cobertura de guerra. Espécie de John Reed de saias (o célebre autor de Os 10 Dias que Abalaram o Mundo, biografado em Reds), a inquieta heroína irá ainda cobrir a ascensão do comunismo na China e até o desembarque dos aliados na Normandia no “Dia D”.

O romance entre os protagonistas inspirou Hemingway a escrever "Por Quem os Sinos Dobram", romance que deu origem ao filme de 1943 com Gary Cooper (disponível na 2001 Vídeo)

O romance entre os protagonistas inspirou Hemingway a escrever “Por Quem os Sinos Dobram”, romance que deu origem ao filme de 1943 com Gary Cooper (disponível na 2001 Vídeo)

Como em Zelig, de Woody Allen, imagens de arquivo dos conflitos históricos são mescladas com cenas em preto e branco filmadas para o telefilme, muitas delas com os atores inseridos em montagens fotográficas.

A jornada de Hemingway e Martha segue em paralelo com alguns dos principais conflitos enfrentados pela humanidade no século passado, e não tarda para a vocação da correspondente de guerra falar mais alto, em detrimento do casamento. “O campo de guerra que nenhum de nós sobreviveu foi o da vida doméstica.”

ADAPTAÇÕES DA OBRA DE ERNEST HEMINGWAY EM DVD NA 2001:

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A Ilha do Adeus (1977)
Os Assassinos (1964)
O Velho e o Mar (1958)
Adeus às Armas (1957)
E Agora Brilha o Sol (1957)
As Neves de Kilimanjaro (1952)
Os Assassinos (1946)
Uma Aventura na Martinica (1944)
Por Quem os Sinos Dobram (1943)

Como personagem:
Meia-Noite em Paris (2011)