Paixão Selvagem

CLÁSSICOS E CULTS RAROS EM PROMOÇÃO SÓ NA 2001

A MAIORIA FORA DE CATÁLOGO, INCLUINDO FILMES ACLAMADOS E PRODUÇÕES ICÔNICAS DO CINEMA LGBT, COMO “JOHAN“, “MAURICE” E O DOCUMENTÁRIO “BEFORE STONEWALL“, AGORA COM PREÇO ESPECIAL. 

Entre os filmes selecionados, há obras importantes adaptadas para a telona (“Senhorita Julia“, “Electra“, “Os Vivos e os Mortos“, “Maurice“), clássicos franceses (“Os Amantes“, “Zazie no Metrô“, “As Duas Faces da Felicidade“) e preciosidades como o noir “A Lei dos Marginais“, de Samuel Fuller, “Um Gosto de Mel“, um marco do cinema inglês, “O Condenado de Altona“, baseado em peça de Jean-Paul Sartre, “Esposamante“, com o grande Marcello Mastroianni, “Os Vivos e os Mortos“, último trabalho de John Huston, e um cult por excelência – “Paixão Selvagem“, do cantor e diretor francês Serge Gainsbourg.

Não deixe de adquirir seus filmes favoritos, nem de descobrir produções menos conhecidas, pois os estoques são limitados. Confira a seguir uma pequena amostra com 20 sugestões de nossa equipe. Tem muito mais em nosso site.

Boa sessão “cult”!
Equipe 2001

MADAME DU BARRY

Mestre da farsa sofisticada, Ernst Lubitsch dirigiu este clássico do cinema mudo na Alemanha, logo após a Primeira Guerra Mundial. Estrelado por Pola Negri e pelo maior ator alemão da época, Emil Jannings (“Fausto”), o filme acompanha as peripécias da amante do rei Louis XV da França até sua execução durante a Revolução Francesa.

O ESTUDANTE DE PRAGA

Lançado em 1926, este clássico expressionista do cinema mudo apresenta Conrad Veidt (“O Gabinete do Dr. Caligari”) no papel de um estudante pobre que faz pacto com um estranho que, em troca, rouba o seu reflexo contido no espelho. Uma raridade do cinema alemão, com simbolismos e trama semelhante ao “Fausto” de Goethe.

SENHORITA JULIA

O sueco Alf Sjöberg dirigiu e escreveu esta adaptação da peça homônima do dramaturgo August Strindberg (1849-1912), escrita em 1888, dissecando conflitos sociais seculares por meio do intenso encontro entre uma aristocrata e seu empregado, cuja relação desigual sofre uma inversão – com o dominado passando a dominador. Refilmado em 2014 (“Miss Julie“) por Liv Ullmann, o filme conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

ELECTRA, A VINGADORA

Depois da guerra de 10 anos contra Tróia, Agamenon volta para casa. Em sua ausência, sua esposa, Clitemnestra, esteve nos braços de um amante, que mata Agamenon logo após o seu retorno. Seus filhos, Electra e Orestes, esperam vingar, agora adultos, o assassinato do pai. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, “Electra” trouxe notoriedade ao grego-cipriota Michael Cacoyannis, que depois dirigiria o sucesso mundial “Zorba, o Grego”(1964).

AS TROIANAS

O cineasta grego Michael Cacoyannis notabilizou-se por sua trilogia de adaptações de grandes tragédias gregas, formada por “Electra, a Vingadora” (1961), “As Troianas” (1971) e “Ifigênia” (1977), todas estreladas por sua musa, Irene Papas, e adaptadas de peças de Eurípides. “As Troianas” não nega sua estrutura teatral, que valoriza ainda mais o trabalho de Papas, Katharine Hepburn, Vanessa Redgrave (foto) e Geneviève Bujold.

A VIDA DE GALILEU

Joseph Losey (de “Uma Estranha Mulher” – também em promoção na 2001) dirige esta versão da peça “Galileu Galilei”, de Bertolt Brecht, com grande elenco britânico (Topol, Edward Fox, Colin Blakely, Margaret Leighton, John Gielgud). Um dos responsáveis pela fundação da ciência moderna, Galileu apoia a teoria de Copérnico, segundo a qual a Terra gira em torno do Sol, e entra em conflito com a Igreja Católica.

O AMANHÃ É ETERNO

Orson Welles interpreta um homem dado como morto na 1ª Guerra e que reaparece – 20 anos depois – desfigurado e com nova identidade. Ele encontra acidentalmente a esposa, Elizabeth (Claudette Colbert), e descobre ter um filho, Drew. Assim, neste clássico melodrama de 1946, o protagonista precise decidir se revela ou não a sua verdadeira identidade.

ZAZIE NO METRÔ

Dirigida por Louis Malle (“Lacombe Lucien”), esta adaptação do livro de Raymond Queneau é uma adorável e excêntrica comédia francesa que transborda criatividade, com montagem e concepção visual elaboradas, e o espírito libertário da Nouvelle Vague. No filme, Zazie, garota do interior da França, tem a chance de conhecer Paris pela primeira vez, passando dois dias na capital francesa. Hospedada na casa de seu tio Gabriel (Philippe Noiret, de “Não Toque na Mulher Branca” – também em promoção), ela cultiva um sonho: andar de metrô.

AS DUAS FACES DA FELICIDADE

Precursora da Nouvelle Vague com “La Pointe Courte” (1954), Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7“) dirige esta evocação sem culpa sobre o casamento e o desejo, refletindo sobre o significado da felicidade e a relação conjugal. Visualmente influenciado pela pintura impressionista, este é um dos mais belos trabalhos de uma das grandes diretoras da história do cinema. Nele, um pai de família casado se envolve com outra mulher, mas não quer abandonar a esposa. Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim. Aos 89 anos, Varda concorreu ao Oscar deste ano com o documentário “Visages Villages”.

PRIVILÉGIO

A premissa do filme – um artista que tem sua individualidade sacrificada, transformando-se em um produto – nunca foi tão atual em tempos de astros-relâmpagos. Dirigido pelo influente (e provocador) documentarista britânico Peter Watkins, este clássico de 1967 desconcertou a crítica com seu misto de musical, cinema-verdade e crítica à indústria cultural, em um futuro indeterminado que não esconde suas raízes nas mudanças comportamentais da virada dos anos 1960 para os 1970.

UM BEATLE NO PARAÍSO

Corroteirista do clássico “Doutor Fantástico” (1964), o escritor Terry Southern também escreveu esta anárquica comédia lançada durante a efervescência da Swinging London sessentista. Contando com a colaboração dos ex-Monty Python John Cleese e Graham Chapman no roteiro, esta sátira surreal debocha da moral e dos costumes ingleses em uma série de esquetes com a participação de Raquel Welch, Yul Brynner e Roman Polanski, em papéis bizarros.

OS CRIMES DE OSCAR WILDE

A excelência dos atores ingleses se confirma nesta crônica do processo enfrentado pelo escritor Oscar Wilde (Peter Finch, premiado com o Bafta em 1961) na década de 1890. Acusado de manter um relacionamento com outro homem, o célebre autor de “O Retrato de Dorian Gray” luta pela liberdade, expondo sua homossexualidade numa época em que a mesma era condenada com a prisão.

PAIXÃO SELVAGEM

Estreia na direção do compositor e cantor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), a ousada história de amor entre o personagem homossexual de Joe Dallesandro e uma garçonete (Jane Birkin) provocou escândalo com sua crueza e cenas de sexo, além de eternizar a canção “Je T’Aime Moi Non Plus”, composta originalmente para Brigitte Bardot. Serge e Birkin foram casados e tiveram uma filha, a atriz e cantora Charlotte Gainsbourg (“Melancolia”).

ESPOSAMANTE

Em um de seus melhores papéis, Marcello Mastroianni interpreta um comerciante ligado a grupos anarquistas. Dado como morto, ele acompanha, à distância, cada passo da esposa Antonia, que acreditava ser frígida. Antes passiva e inerte, a personagem de Laura Antonelli vive uma fase de renascimento (inclusive sexual), assumindo seus negócios. Este drama romântico dirigido por Marco Vicario fez muito sucesso no Brasil.

MAGNICÍDIO

Mais um trabalho de vanguarda do provocador cineasta britânico Derek Jarman (de “Caravaggio”), uma alegoria sobre a sociedade inglesa em um futuro pós-apocalíptico. Considerado oficialmente o primeiro filme punk da história, “Magnicídio” é um produto de seu tempo, um filme-experimento do diretor apresentando uma Inglaterra caótica e sem-lei, na qual a rainha está morta e as ruas dominadas por gangues de jovens, orgias e violência brutal.

MAURICE

Escrito por E.M. Forster (1879-1970) e publicado postumamente, o romance “Maurice” retrata as dificuldades do personagem-título em lidar com sua homossexualidade na repressora Inglaterra do começo do século XX. A adaptação para cinema é mais uma requintada produção de Ismail Merchant com direção de James Ivory, que, aos 89 anos, acaba de receber o Oscar de melhor roteiro adaptado por filme de temática semelhante, o sucesso indie “Me Chame Pelo Seu Nome” (já em pré-venda na 2001). “Maurice” venceu o Leão de Prata no Festival de Veneza.

OS VIVOS E OS MORTOS

Último trabalho de John Huston, o filme é considerado seu testamento, com a filha Anjelica Huston no elenco e roteiro (indicado ao Oscar) do filho Tony – uma adaptação do conto “Os Mortos”, de “Os Dublinenses”, escrito por James Joyce. Como outras obras do célebre escritor irlandês, a história é uma meditação em torno do tempo e da memória: em 6 de janeiro de 1904, Dublin (Irlanda) celebra o Dia dos Reis, e, na casa das irmãs Morgan, Julia e Kate, são oferecidos uma ceia e um sarau a amigos e parentes.

EU, CHRISTIANE F., 13 ANOS, DROGADA E PROSTITUÍDA

Dirigido por Uli Edel, o filme é baseado no livro homônimo escrito pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck a partir de depoimentos de Christiane Felscherinow. Com cenas fortes, o relato marcou época e continua a chocar, apresentando um retrato melancólico e sem retoques do ocaso de uma jovem que sucumbe ao inferno das drogas. Curiosidade: na trama, Christiane vai a um show do saudoso David Bowie que, além de fazer uma ponta, marca presença na trilha sonora, composta por várias músicas de sua fase alemã, como a inesquecível “Heroes”.

OVOS DE OURO

Famoso por retratar, desde seus primeiros filmes, a sexualidade e as aspirações da classe média espanhola, Bigas Luna dirigiu esta história de ascensão e queda de um típico machão hispânico, cujas motivações materiais compõem um quadro crítico do homem contemporâneo. Com título sugestivo, o filme traz no elenco Javier Bardem, já se notabilizando como galã, e uma pequena participação de Benicio Del Toro. Prêmio Especial do Júri no Festival de San Sebastián.

SEGUNDA PELE

Produção espanhola centrada no dilema vivido pelo personagem de Jordi Mollà (“Profissão de Risco”), dividido entre a sensação de normalidade do casamento e o desejo compartilhado com o amante – interpretado por Javier Bardem, com quem protagoniza ousadas cenas de sexo. Sem apontar culpados, o filme explora a dor advinda da traição, sem esquecer também do ponto de vista da esposa.

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 E S T O Q U E S    L I M I T A D O S

O CINEMA EM PROL DA DIVERSIDADE SEXUAL

COMEÇA HOJE, EM SÃO PAULO, A 22ª EDIÇÃO DO FESTIVAL MIX BRASIL, COM FILMES QUE ABORDAM, SOB DIFERENTES ÂNGULOS E POR MEIO DE LINGUAGENS INOVADORAS, A QUESTÃO DA DIVERSIDADE SEXUAL.

POR ISSO, SELECIONAMOS 13 FILMES QUE TRATAM DOS CONFLITOS E DILEMAS ENFRENTADOS PELA COMUNIDADE LGBT EM DIFERENTES CONTEXTOS.

Grande vencedor do Festival de Cannes em 2013, "A Vida de Adele" foi dirigido por Abdellatif Kechiche e narra a intensa história de amor entre duas jovens, interpretadas por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux

Grande vencedor do Festival de Cannes em 2013, “A Vida de Adele” foi dirigido por Abdellatif Kechiche e narra a intensa história de amor entre duas jovens, interpretadas por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux

Azul é a Cor Mais Quente
(La vie d’Adèle – Chapitres 1 et 2, FRA/ESP/BEL, 2013, Cor, 179′)
Direção: Abdellatif Kechiche
Elenco: Lea Seydoux, Adele Exarchopoulos, Salim Kechiouche

Logo no início de Azul é a Cor Mais Quente, o professor de uma escola no norte da França reflete com seus alunos sobre o romance A Vida de Marianne, escrito no século 18 por Pierre de Marivaux. A obra retrata o rito de passagem de uma jovem que aprende a amar e ser amada, em meios às convenções – e aparências – da sociedade da época. O professor fala também do papel decisivo da predestinação no curso de uma relação amorosa.

Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos) acompanha atentamente a aula. Aos 15 anos, ela experimenta a incrível fase de descobertas da adolescência, assim como suas inseguranças. Estimulada pelas amigas, começa a sair com um colega do colégio, ainda sem saber o que esperar ou querer. O que a bela Adèle sabe é que sente um grande vazio. Algo lhe falta e infelizmente não é preenchido por seu primeiro namoradinho.

Capa da HQ (já publicada no Brasil) que originou o filme

Capa da HQ (já publicada no Brasil) que originou o filme

A resposta vem justamente na forma da predestinação. Certo dia, Adèle caminha na rua quando é cativada pela presença de uma estranha com visual andrógino e inconfundível cabelo tingido de azul. Seus olhares se cruzam numa fração de segundo, um momento aparentemente banal que não sai de sua cabeça. Define o seu desejo, mesmo sem se dar conta disso. Até que o destino cumpre seu papel e Adèle encontra por acaso Emma (Léa Seydoux, de Meia-Noite em Paris e Adeus, Minha Rainha), estudante de artes plásticas, independente e que já assumiu sua homossexualidade.

Emma abre o mundo então limitado de Adèle, ao mesmo tempo em que a expõe ao preconceito no colégio. Após ser vista com Emma, ela é agredida verbalmente pelas “amigas” que a rotulam pejorativamente. Rótulos que Adèle recusa, já que não sabe ainda qual é a sua opção sexual, nem se quer assumir uma. Livremente baseado na HQ homônima escrita por Julie Maroh, o filme não cai na estereotipagem do homossexual no cinema, e passa a enfocar o relacionamento das duas personagens centrais ao longo de vários anos, desde o encantamento inicial até as dificuldades inerentes a qualquer relacionamento.

Filha de pais de classe média baixa e sem a cultura elitizada de Emma, Adèle estabelece uma forte conexão sexual com a parceira, a deixa para Azul é a Cor Mais Quente não economizar na carga erótica, incluindo uma longa sequência de sexo explícito entre as amantes. Consideradas pornográficas, as cenas de sexo causaram furor e polêmica no último Festival de Cannes, de onde o filme saiu com a Palma de Ouro. Numa decisão inédita, o prêmio foi dividido entre o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche (de O Segredo do Grão, Vênus Negra) e, por suas atuações corajosas, Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. Pela primeira vez na história do festival, duas atrizes levaram a Palma e, ao lado de Jane Campion (O Piano), são as únicas mulheres donas de tal honraria.

Laurence Anyways*
(Idem, CAN/FRA, 2012, Cor, 168′)
Direção: Xavier Dolan
Elenco: Melvil Poupaud, Suzanne Clément, Nathalie Baye, Monia Chokri

1

Exibido na 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no ano passado, Laurence Anyways é a terceira incursão do franco-canadense Xavier Dolan na direção.

Nascido em Montreal (Québec, Canadá) e homossexual assumido, dirigiu seu primeiro filme, Eu Matei Minha Mãe (2009), aos 19 anos de idade, e o segundo, Amores Imaginários (2010), aos 20.

Em trabalhos extremamente pessoais, Dolan projeta sua sensibilidade e paixão pelas minorias sexuais e excluídos, reafirmando sua luta contra a intolerância. Em Laurence Anyways não é diferente. Logo no início, uma série de closes revela as reações de desconhecidos a uma misteriosa figura andando na rua. É o personagem-título, cuja trajetória é narrada em flashbacks que perfazem cerca de dez anos de sua vida.

Laurence Alia (Melvil Poupaud, substituindo Louis Garrel) completa 35 anos em 1989, tem um emprego estável como professor e uma namorada que o ama, Fred Belair (Suzanne Clément, de Eu Matei Minha Mãe). O equilíbrio do casal é quebrado quando ele revela seu desejo de tornar-se uma mulher. Fred o indaga sobre uma possível homossexualidade, que ele nega, afirmando apenas estar no corpo errado, e ter vivido uma mentira por tanto tempo. É o ponto de virada na vida do protagonista à procura de uma nova identidade, identidade intimamente ligada à definição de sua sexualidade.

Melvil Poupaud ("O Tempo que Resta") assumiu o papel de Laurence após desistência do galã francês Louis Garrel ("Bem Amadas"), e Suzanne Clément trabalhou antes com Xavier Dolan em "Eu Matei Minha Mãe". "Laurence Anyways" conta ainda com uma ótima participação da veterana Nathalie Baye ("Uma Doce Mentira"), no papel da mãe do protagonista. Ator principal em seus dois primeiros filmes, Dolan faz aqui apenas uma ponta no filme

Melvil Poupaud (“O Tempo que Resta”) assumiu o papel de Laurence após desistência do galã francês Louis Garrel (“Bem Amadas”), e Suzanne Clément trabalhou antes com Xavier Dolan em “Eu Matei Minha Mãe”. “Laurence Anyways” conta ainda com uma ótima participação da veterana Nathalie Baye (“Uma Doce Mentira”), no papel da mãe do protagonista. E, ator principal em seus dois primeiros filmes, Dolan faz aqui apenas uma ponta

Em um mundo cada vez mais violento e pródigo em agredir minorias, Dolan quer incutir o contrário, mostrando com naturalidade relações e papéis sexuais atípicos. Ambicioso e fiel à persona de seu diretor, Laurence Anyways prova que um grande amor transcende convenções, gêneros sexuais e, sobretudo, preconceitos.

* Prêmio de melhor atriz (Suzanne Clément) na mostra Un Certain Regard e vencedor da “Queer Palm” no Festival de Cannes. Eleito melhor longa canadense no Festival de Toronto

Kaboom
(Idem,  EUA/FRA, 2010, Cor, 86′)
Direção: Gregg Araki
Elenco: Thomas Dekker, Haley Bennett, Chris Zylka, Juno Temple

2Nascido em Los Angeles, Gregg Araki tornou-se um dos principais nomes da cena independente graças a filmes tematicamente ousados e carregados de homoerotismo como Geração Maldita (1995) e Mistérios da Carne (2004).

A confusão sexual, o desejo em ebulição e os distúrbios emocionais dos jovens retratados em sua perturbadora “trilogia adolescente do apocalipse” (formada por Totally F***ed Up, Geração Maldita e Nowhere) retornam em Kaboom (ou Ka-Boom, como descrito na capa do DVD).

Comédia teen com toques surreais de ficção-científica que lembram, por vezes, a atmosfera de Donnie Darko, o filme transcorre em um campus universitário no sul da Califórnia, onde o jovem Smith, dividido entre seu colega de quarto surfista e sua melhor amiga lésbica, experimenta os prazeres do sexo e uma série de inquietações. Sob influência de cookies alucinógenos, o estudante de cinema começa a sofrer delírios com assassinos usando máscaras de animais, uma seita de bruxas e até mesmo o fim do mundo.

No elenco, destaque para Juno Temple (à esquerda), jovem atriz inglesa que não tem medo de se expor em filmes transgressores - e que exploram a sexualidade - como "Killer Joe" e "Lovelace" (ainda inédito no Brasil). Ainda este ano, ela poderá ser vista em mais uma produção contra-indicada para estômagos mais sensíveis: a continuação de "Sin City".

No elenco, destaque para Juno Temple (à esquerda), jovem atriz inglesa que não tem medo de se expor em filmes transgressores – e que exploram a sexualidade – como “Killer Joe” e “Lovelace” (ainda inédito no Brasil). Ainda este ano, ela poderá ser vista em mais uma produção que promete carregar no sexo e na violência: a continuação de “Sin City”

As coisas se complicam a partir do momento em que o jovem – assim como o espectador – não consegue mais distinguir o que é real e o que é imaginado, pretexto para um caleidoscópio de personagens bizarros, imagens desconcertantes e cenas de sexo bem ao gosto do diretor.

Elvis e Madona*
(Idem, BRA, 2010, Cor, 105′)
Direção: Marcelo Laffitte
Elenco: Simone Spoladore, Igor Cotrim, Sérgio Bezerra

15Fotógrafa obrigada a trabalhar como entregadora de pizzas para pagar as contas, Elvis se apaixona por Madona, travesti que sonha produzir e estrelar um espetáculo de revista.

Marcelo Laffitte coescreveu, produziu, dirigiu e ainda distribuiu por conta própria este inusitado romance entre dois personagens à margem dos modelos impostos pela sociedade. Com uma subtrama policial como pano de fundo, Elvis e Madona humaniza seu casal de protagonistas, criando uma relação terna e inédita no cinema brasileiro.

* Melhor filme (Júri Popular) do 12º Festival de Cinema Brasileiro em Paris e prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio

Minhas Mães e Meu Pai
(The Kids Are All Right, EUA, 2010, Cor, 106′)
Direção: Lisa Cholodenko
Elenco: Julianne Moore, Annette Bening, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson

4

Indicado ao Oscar de melhor atriz (Annette Bening), ator coadjuvante (Mark Ruffalo) e roteiro original em 2011, Minhas Mães e Meu Pai não ganhou nenhuma estatueta, mas merece ser descoberto (ou assistido pela segunda vez) em tempos de discussão em torno da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Com leveza e sem estereótipos, o filme aborda as dificuldades de um casal de lésbicas que tem de lidar com o surgimento do pai biológico de seus dois filhos adolescentes.

Roteirista (em parceria com Stuart Blumberg) e diretora do filme, Lisa Cholodenko imprime sua própria experiência de vida e sensibilidade ao projeto mais pessoal de sua carreira. Ausente da direção de longa desde Laurel Canyon, Cholodenko passou a trabalhar, esporadicamente, na TV americana, dirigindo episódios para A Sete PalmosThe L Word, séries que também trazem personagens homossexuais tendo de lidar com as consequências do desejo. Vivendo há anos com a música Wendy Melvoin , ela aproveitou esse hiato no cinema para tornar-se mãe através de inseminação artificial e doador desconhecido, em 2006.

Com vários traços autobiográficos, Minhas Mães e Meu Pai marca o retorno da cineasta ao cinema em trama semelhante à experiência vivida na vida pessoal: Nic (Annette) e Jules (Julianne Moore, esquecida pelos votantes do Oscar) criam seus dois filhos – Laser, com 15 anos, e Joni, 18 – em Los Angeles; cada uma das mães ficou grávida de um dos filhos depois de ser inseminada artificialmente com o sêmen do mesmo doador anônimo – Paul (Ruffalo). Após completar 18 anos, Joni decide contactar seu pai biológico, o que irá mudar a dinâmica de toda a família.

Ao apresentar um casal fora dos padrões moralistas vigentes, o filme reacendeu a discussão nos EUA em torno da legalização da união civil entre homossexuais, mas nada mais é do que o relato singelo de um casamento maduro tentando sobreviver à passagem do tempo e a elementos externos. Em entrevista à imprensa americana, Cholodenko explica suas escolhas: “Não quis fazer um filme de agenda social. Não queria que fosse sobre direitos gay. Queria apenas começar uma história a partir do ponto de que isso é normal e é o que é, e ir mais fundo numa história mais rica e universal”.

Patrik 1.5
(Patrik 1,5, SUE, 2008, Cor, 103′)
Direção: Ella Lemhagen
Elenco: Gustaf Skarsgård, Torkel Petersson, Tom Ljungman

Um casal homossexual consegue permissão para adotar Patrik, órfão sueco que acreditavam ter apenas um ano e meio. Porém, por um erro de digitação, os dois recebem um jovem homofóbico de 15 anos.

Questão polêmica bastante em voga na atualidade, a união civil entre pessoas do mesmo sexo suscita todo tipo de reação. A produção sueca Patrick 1.5 toma partido, discutindo preconceito com humanidade, sem apelar para clichês. Apesar de parecer uma comédia rasgada, o filme é mais um drama familiar sobre a superação das diferenças, mostrando o preconceito arraigado, infelizmente, não só nos adultos, mas também entre crianças e adolescentes.

Como Esquecer
(Idem, BRA, 2010, Cor, 100′)
Direção: Malu De Martino
Elenco: Ana Paula Arósio, Murilo Rosa, Natália Lage

9

Com diálogos cortantes e belas reflexões na primeira pessoa, Como Esquecer narra a angústia emocional de Júlia, uma professora universitária reservada e por vezes irascível, que sofre para superar o fim de uma intensa e duradoura relação amorosa.

Premiada como melhor atriz pela APCA, Ana Paula Arósio interpreta um contraponto feminino ao deprimido professor de Colin Firth em Direito de Amar (2010), construindo uma personagem contraditória, sem apelar para a simpatia do espectador.

 

Toda Forma de Amor
(Beginners, EUA, 2010, Cor, 105’)
Direção: Mike Mills
Elenco: Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent, Goran Visnjic

Aos 38 anos, o artista gráfico Oliver relembra os últimos anos ao lado de seu pai. Aos 75 anos, ele revelou ao filho, logo após a morte da esposa, ser homossexual.

Inédito nos cinemas brasileiros, o segundo filme de Mike Mills (Impulsividade) valeu ao veterano Christopher Plummer (A Noviça Rebelde, A Última Estação), o Oscar de melhor ator coadjuvante no ano passado. Com dignidade, ele interpreta um pai de família que “sai do armário” nessa comédia dramática centrada em sua relação com o filho (Ewan McGregor). Com sensibilidade, respeito à diversidade sexual e com toques surreais – um cachorro “fala” por meio de legendas com McGregor –, o filme é um olhar apaixonado para dois homens em busca de um relacionamento afetivo significativo na vida.

 

Um Quarto em Roma
(Habitación en Roma, ESP, 2010, Cor, 107′)
Direção: Julio Medem
Elenco: Elena Anaya, Natasha Yarovenko

5

Depois do incompreendido Caótica Ana (2007), o espanhol Julio Medem prossegue com mais um trabalho pessoal e controverso. Com inúmeras cenas de sexo entre suas duas protagonistas, o filme acompanha, de modo intimista (e por vezes, voyeurístico) e por quase toda a sua duração, a longa noite de descobertas e prazeres carnais de duas mulheres.

Alba (a misteriosa Vera de A Pele que Habito) e Natasha (a ucraniana Natasha Yarovenko, de Diário Proibido) se encontram em Roma e, no quarto da primeira, passam uma longa noite de sedução, com o erotismo que se tornou marca do diretor de Lucia e o Sexo.

 

O Primeiro que Disse
(Mine Vaganti, ITA, 2010, Cor, 108′)
Direção: Ferzan Ozpetek
Elenco: Riccardo Scamarcio, Nicole Grimaudo, Alessandro Preziosi

6

O filme mais bem sucedido do turco (radicado na Itália) Ferzan Ozpetek resgata a velha comédia de costumes sem perder a crítica social humanista. Como em seus outros trabalhos, o diretor expõe as dificuldades da nova geração para se adaptar às expectativas e anseios dos pais, colocando em risco a própria identidade.

Em O Primeiro que Disse, dois irmãos precisam vencer o dilema de seguir com suas vidas, revelando sua homossexualidade, ou escondê-la a fim de administrar os negócios da família conservadora.

Comparado a Pedro Almodóvar por alguns críticos, Ozpetek é um cronista sensível das mudanças comportamentais na Itália. Respeitoso aos valores tradicionais da unidade familiar, o filme equilibra drama e humor numa narrativa em dois tempos, passado e presente, interligados por meio da memorável personagem de Ilaria Occhini. Veterana atriz de teatro e TV, ela interpreta a avó dos irmãos e a primeira “bala perdida” (tradução do título original) da família. Com sua experiência e sabedoria, ela é o elemento nostálgico que aproxima diferentes gerações – sem preconceito.

A Viagem de Lucia
(La Llamada/Il Richiamo, ARG/ ITA, 2009, Cor, 93′)
Direção: Stefano Pasetto
Elenco: Sandra Ceccarelli, Francesca Inaudi, César Bordón

8

Infeliz no casamento, Lucía redescobre a alegria de viver ao conhecer Lea, jovem extrovertida com quem inicia um romance.

A relação amorosa entre duas mulheres bem diferentes é tratada de maneira discreta e com muita sensibilidade nesta coprodução ítalo-argentina, filmada em Buenos Aires e na Patagônia. Cansada da insensibilidade do marido, a personagem-título se reinventa por meio do turbilhão de emoções proporcionado por uma mulher mais nova, e mergulha de cabeça em um relacionamento carnal (e instável) que lhe traz uma segunda chance na vida.

 

Contracorrente
(Contracorriente, PER/COL/FRA, 2009, Cor, 100′)
Direção: Javier Fuentes-León
Elenco: Cristian Mercado, Tatiana Astengo

6

Poucos títulos da produção cinematográfica peruana chegam ao mercado brasileiro. Depois de A Teta Assustada, Contracorrente é o segundo filme a ser lançado em DVD por aqui. História de um triângulo amoroso à la O Segredo de Brokeback Mountain, o drama peruano com toques de realismo mágico narra a jornada interior de um homem casado aprendendo a aceitar quem é – e não a imagem que a comunidade faz dele.

Na trama, Miguel trabalha como pescador em um tradicional vilarejo à beira-mar, mas guarda um segredo: um amante chamado Santiago, pintor homossexual estigmatizado pela sociedade local.

 

Paixão Selvagem
(Je t’aime moi non plus, FRA, 1976, Cor, 83′)
Direção: Serge Gainsbourg
Elenco: Jane Birkin, Joe Dallesandro, Hugues Quester

3Estreia na direção do compositor e cantor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), a ousada história de amor entre o personagem homossexual de Joe Dallesandro (ator-fetiche de Andy Warhol e Paul Morrissey) e uma misógina Jane Birkin provocou escândalo e eternizou a música Je T’Aime Moi Non Plus.

Composta originalmente para Brigitte Bardot, a escandalosa canção encontrou na inglesa Jane o par perfeito para Serge. Os dois foram casados e tiveram uma filha, Charlotte Gainsbourg, que recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por sua corajosa interpretação em Anticristo, de Lars von Trier.

Jane Birkin e o objeto do desejo de Warhol e Paul Morrissey, Joe Dallessandro, em "Paixão Selvagem", filme causou furor nos anos 1970 graças à música-tema de Serge Gainsbourg e a cenas de sexo que desafiam as convenções sexuais

Jane Birkin e o objeto do desejo de Warhol e Paul Morrissey, Joe Dallessandro, em “Paixão Selvagem”. O filme causou furor nos anos 1970 graças à música-tema de Serge Gainsbourg e a cenas de sexo que desafiam convenções

DICAS PARA O FIM DE SEMANA

Confira a seguir as sugestões da equipe 2001 Vídeo para o feriado:

Tomboy
(Idem, FRA, 2011, Cor, 82′)
Direção: Céline Sciamma
Elenco: Zoé Héran, Malonn Lévana, Jeanne Disson, Sophie Cattani, Mathieu Demy

1

Tomboy é um dos melhores filmes que vi ultimamente. De uma Inocência ímpar, mas ao mesmo tempo de um peso único. Conta a história de Laure, menina de 10 anos de aparência andrógina (como se pode ver na capa do filme), que se muda para um novo apartamento. Ao sair para conhecer a vizinhança e fazer amigos, acaba sendo confundida com um garoto logo pela primeira pessoa que a encontra, Lisa. Na hora, Laure fica confusa, mas resolve deixar passar e finge se chamar Michael e assim ela é apresentada a todas as outras crianças.

Como Laure ainda não tem o corpo muito desenvolvido, engana fácil a todos. O filme é fofo e mostra a sexualidade pelo olhar inocente das crianças, ao mesmo tempo em que a trama ganha peso ao tratar das dúvidas da protagonista-mirim, como seu corpo diferente dos dos outros e sua relação com Lisa, de quem acaba virando ”namorado”.

Laure

Zoé Héran, perfeita no papel de Laure

Dai por diante muitas situações delicadas acontecem. Numa delas, os garotos decidem ir nadar e Laure tem que criar um ”volume” na sunga improvisada, fazendo algo parecido com um pênis de massa de modelar. Em outra ocasião, Laure/Michael precisa fazer xixi e não pode ir junto com os outros rapazes no mato. Em um crescendo, essa e outras saias justas da menina levam a um desfecho não tão fácil de engolir.

Enfim, esse filme francês é lindo, de extrema delicadeza e com atuações maravilhosas do elenco, composto por atores jovens mandando super bem! E, sem mostrar nada forte ou apelativo, trata de um tema polêmico e atual, o começo da intolerância, do preconceito e das dúvidas na delicada fase do despertar da sexualidade.

Sugestão de Marcello Alves
Consultor de filmes da 2001 Vídeo Jardins
Rua Estados Unidos, 1324, Jd.América, São Paulo – SP

Mulheres Apaixonadas
(Women in Love, ING, 1969, Cor, 131′)
Direção: Ken Russell
Elenco: Glenda Jackson, Alan Bates, Oliver Reed

3

Por meio da história de duas irmãs e dois amigos, deparamo-nos com diferentes visões sobre amor e sexo, em um cenário tradicional burguês da Inglaterra dos anos 1920. Retratado de maneira fascinante, o amor cria faces e se desenvolve em relações afetivas com reviravoltas e descobertas.Na trama, Gerard e Rupert se apaixonam por duas irmãs com pensamentos diferentes sobre o amor e o sexo: a escultora Gudrun e a professora Ursula.

Baseado no clássico romance de D. H. Lawrence (O Amante de Lady Chatterley), o filme é considerado a obra-prima do polêmico Ken Russell (Tommy), cineasta inglês conhecido por seus excessos visuais e liberdade históricas.

Premiada com o Oscar de melhor atriz e indicada a direção, roteiro adaptado e fotografia, essa aclamada produção conta ainda com o talento de grandes atores ingleses como Alan Bates (O Mensageiro), Oliver Reed (Gladiador) e a oscarizada Glenda Jackson (Domingo Maldito).

Em 2011, a BBC adaptou o romance de Lawrence em forma de minissérie, com Rosamund Pike no papel que foi de Glenda Jackson no cinema.

Sugestão de Brunno Ferreira
Colaborador da 2001 Vídeo Jardins
Rua Estados Unidos, 1324, Jd.América, São Paulo – SP

Marcelino Pão e Vinho
(Marcelino Pan Y Vino, ESP/ITA, 1955, P&B, 86′)
Direção: Ladislao Vajda
Elenco: Pablito Calvo, Rafael Rivelles, Antonio Vico, Juan Calvo

4

Conheça ou reviva um dos clássicos mais tocantes do cinema, que com certeza irá lhe emocionar. Uma história simples que nos faz lembrar de um dos principais ensinamentos de Jesus durante a última ceia, em que repartiu o pão e o vinho entre os discípulos em sinal de partilha e caridade. O filme também demonstra a fé através da inocência de uma criança e relembra os valores deixados por Cristo após sua entrega na cruz.

Marcelino é um órfão encontrado na porta de um mosteiro e criado por 12 frades. Certo dia, ele oferece, durante uma refeição, um pedaço de pão e um pouco de vinho a uma imagem de madeira de Jesus, que aceita a oferta e passa a conversar com o menino.

Aplaudido no Festival de Cannes, onde recebeu uma Menção Honrosa (para o ator-mirim Pablito Calvo, intérprete de Marcelino), o filme conquistou também o Urso de Prata no Festival de Berlim.

Sugestão de Brunno Ferreira
Colaborador da 2001 Vídeo Jardins
Rua Estados Unidos, 1324, Jd.América, São Paulo – SP

Spartacus
(Idem, EUA, 1960, Cor, 1961′)
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov

7

Spartacus nasceu do desejo de Kirk Douglas de interpretar Ben-Hur. Sendo recusado para esete papel, ele decidiu produzir seu próprio épico religioso com a façanha de não mencionar nenhuma religião específica e muito menos citar Jesus cristo. Isso tornou o filme universal a todas as religiões e mostrou ao grande público a genialidade de Stanley Kubrick, pela primeira vez a sua capacitação visual numa superprodução.

Spartacus levou 4 prêmios Oscar, incluindo a estatueta de melhor ator coadjuvante para Peter Ustinov, e conta com créditos iniciais de Saul Bass (1920-1996), uma lenda do design gráfico no cinema. Saul foi responsável por sequências de créditos de mais de 60 filmes, incluindo aberturas antológicas para Um Corpo que Cai, Anatomia de um Crime, Psicose, Deu a Louca no Mundo e Cassino, seu último e magnífico trabalho. Abaixo, a abertura de Spartacus, ao som da não menos notável trilha sonora de Alex North.

 
Sugestão de Marcelo Rodrigo
Consultor de filmes da 2001 Vídeo Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Ponto de Mutação
(Mindwalk, EUA, 1990, Cor, 112′)
Direção: Bernt Amadeus Capra
Elenco: Liv Ullmann, Sam Waterston, John Heard

12

Lançado nos cinemas no início dos anos 1990 e só lançado em DVD no Brasil em 2010, o filme ganhou status de cult, levantando questões que ainda hoje afligem a humanidade, como as relações interpessoais e a sustentabilidade ambiental.

Na belíssima Saint Michel na França, um político derrotado nas eleições americanas para presidente, e seu amigo poeta, juntam-se a uma cientista reclusa (a bergmaniana Liv Ullman) para uma conversa informal e super interessante. Baseado no livro homônimo de Fritjof Capra, o filme é uma verdadeira ópera para a mente que ficará girando na sua cabeça sempre que você encontrar uma latinha jogada no chão.

Sugestão de Marcelo Rodrigo
Consultor de filmes da 2001 Vídeo Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Paixão Selvagem
(Je t’aime moi non plus, FRA, 1976, Cor, 83′)
Direção: Serge Gainsbourg
Elenco: Jane Birkin, Joe Dallesandro, Hugues Quester

11

Censurado ao tentar lançar a música Je t’aime moi non plus, em razão de sua letra obscena, o compositor e ídolo pop Serge Gainsbourg resolveu fazer o filme Paixão Selvagem (o título original é o nome da canção) com a esposa Jane Birkin e o mais famoso ator do mundinho trash underground de Nova York, Joe Dallesandro. Descoberto por Andy Warhol em sua Factory em 1967, o ex-delinquente e modelo erótico estrelaria uma trilogia concebida especialmente para ressaltar a sua beleza, formada por Flesh (1968), Trash (1970) e Heat (1972), com produção de Andy Warhol e direção de Paul Morrissey.

Jane Birkin e o objeto do desejo de Warhol e Paul Morrissey, Joe Dallessandro, em "Paixão Selvagem", filme causou furor nos anos 1970 graças à música-tema de Serge Gainsbourg e a cenas de sexo que desafiam as convenções sexuais

Jane Birkin e o objeto do desejo de Warhol e Paul Morrissey, Joe Dallessandro, em “Paixão Selvagem”. O filme causou furor nos anos 1970 graças à música-tema de Serge Gainsbourg e a cenas de sexo que desafiam as convenções sexuais

Filme favorito de Dallessandro entre os que atuou, Paixão Selvagem traz o ator no papel de um lixeiro polonês que se envolve com uma garota francesa de aparência andrógina, causando a fúria do seu amante italiano. Esse triângulo amoroso é temperado por tórridas cenas de sexo entre o ator-fetiche de Warhol e Jane Birkin, e apresenta uma curiosa participação de Gérard Depardieu.

Sugestão de Marcelo Rodrigo
Consultor de filmes da 2001 Vídeo Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Sugestões da equipe 2001 Vídeo

DICAS PARA O FERIADO

O Processo
(Le Procès, FRA/ITA/ALE, 1962, P&B, 119′)
De: Orson Welles
Com: Anthony Perkins, Romy Schneider, Jeanne Moreau

Numa certa manhã, um homem é preso e acusado de um estranho crime que não cometeu. Versão bastante fiel do clássico romance de Franz Kafka, dirigida por Orson Welles, que conseguiu efeitos impressionantes, apoiado numa trilha sonora de jazz e em um elenco de primeira, com destaque para Anthony Perkins e Romy Schneider (lindamente sutil como uma adorável enfermeira/amante).

Sugestão de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Os Irmãos Grimm
(The Brothers Grimm, EUA/ING, 2005, Cor, 119′)
De: Terry Gilliam
Com: Matt Damon, Heath Ledger, Monica Bellucci

Famosos contadores de história, Will e Jake Grimm viajam mundo afora dizendo que enfrentam monstros e demônios para, em troca, extrair dinheiro fácil de humildes populações. Porém, um dia a corte francesa os força a enfrentar um feitiço verdadeiro em uma floresta encantada, onde donzelas desaparecem misteriosamente. Os Irmãos Grimm é uma aventura com toques de comédia e mistério, com ótima dupla central (Matt Damon e Heath Ledger) e a participação ilustre de Monica Bellucci (Irreversível).

Sugestão de
Natalia Cavalcante
Colaboradora da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Capitães de Abril
(Idem, POR/FRA, 2000, Cor, 124′)
De: Maria de Medeiros
Com: Stefano Accorsi, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida

Dirigido por Maria de Medeiros e com uma reconstituição de época excelente, o filme consegue retratar a Revolução de Cravos de forma clara, fiel e sincera. A vontade de um mundo melhor da população soma-se aos ideais de liberdade dos jovens oficiais que foram às ruas para derrubar Salazar, ao som da canção proibida Grândois.

Sugestão de
Bruno Lanzellotti
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

E, em virtude da 15ª Parada Gay a ser realizada em São Paulo no próximo domingo (26/6), segue uma seleção especial com filmes que tratam de alguns dos conflitos e dilemas enfrentados pela comunidade LGBT em diferentes épocas:

Paixão Selvagem
(Je t’aime moi non plus, FRA, 1976, Cor, 83′)
De: Serge Gainsbourg
Com: Jane Birkin, Joe Dallesandro, Hugues Quester

Estreia na direção do compositor e cantor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), a ousada história de amor entre o personagem homossexual de Joe Dallesandro (ator-fetiche de Andy Warhol e Paul Morrissey) e uma misógina Jane Birkin provocou escândalo e eternizou a música Je T’Aime Moi Non Plus. Composta originalmente para Brigitte Bardot, a escandalosa canção encontrou na inglesa Jane o par perfeito para Serge. Os dois foram casados e tiveram uma filha, Charlotte Gainsbourg, que recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por sua corajosa interpretação em Anticristo, de Lars von Trier.

Segunda Pele
(Segunda Apiel, ESP, 1999, Cor, 100′)
De: Gerardo Vera
Com: Javier Bardem, Jordi Mollà, Ariadna Gil

Produção espanhola centrada no dilema vivido pelo personagem de Jordi Mollà (Profissão de Risco), dividido entre a sensação de normalidade do casamento e o desejo compartilhado com o amante – interpretado por Javier Bardem, com quem protagoniza ousadas cenas de sexo. Sem apontar culpados, o filme explora a dor advinda da traição, sem esquecer também do ponto de vista da esposa.

Maurice
(Idem, ING, 1987, Cor, 140′)
De: James Ivory
Com: James Wilby, Hugh Grant, Rupert Graves, Denholm Elliott

Escrito por E.M. Forster (1879-1970) e publicado postumamente, o romance Maurice retrata as dificuldades do personagem-título em lidar com sua homossexualidade na repressora Inglaterra do começo do século XX. A adaptação para cinema é mais uma requintada produção de Ismail Merchant com direção de James Ivory, responsáveis por outras duas bem-sucedidas adaptações da obra de Forster para o cinema:Uma Janela para o AmorRetorno a Howards End.

O Padre
(Priest, ING, 1994, Cor, 96′)
De: Antonia Bird
Com: Linus Roache, Tom Wilkinson, Robert Carlyle

Corajosa estreia na direção da inglesa Antonia Bird (Mortos de Fome, WTC – Por Trás do 11 de Setembro), a polêmica produção enfrentou problemas com a censura e com organizações católicas do reino Unido. Além de abordar de forma franca a homossexualidade de seu personagem central, O Padre questiona dogmas da igreja católica como o celibato e o segredo de confissão.

Infâmia
(The Children’s Hour, EUA, 1961, P&B, 108′)
De: William Wyler
Com: Audrey Hepburn, Shirley MacLaine, James Garner, Fay Bainter

Dirigido pelo grande William Wyler (Ben-Hur), o filme adapta a ousada peça de estreia de Lillian Hellman. Escrito nos anos 30, o texto provocou escândalo ao discutir preconceitos como o amor entre duas mulheres e, muito antes de Dúvida (2008), mostrou como uma acusação (verdadeira ou não) pode destruir uma ou mais vidas.

E a Vida Continua
(And the Band Played On, EUA, 1993, Cor, 140′)
De: Roger Spottiswoode
Com: Matthew Modine, Richard Gere, Anjelica Huston

A HBO reuniu um grande elenco internacional para reproduzir a corrida contra o tempo (e interesses) enfrentada por cientistas e médicos na luta contra a AIDS no início dos anos 1980. Com o carisma de astros como Richard Gere e críticas ao governo do então presidente Ronald Reagan, o telefilme é uma denúncia ainda mais relevante hoje, quando a população mundial já não é mais tão alertada sobre os riscos de contaminação como era antes.

Como Esquecer
(Idem, BRA, 2010, Cor, 100′)
De: Malu De Martino
Com: Ana Paula Arósio, Murilo Rosa, Natália Lage

Premiada como melhor atriz pela APCA, Ana Paula Arósio interpreta um contraponto feminino ao deprimido professor de Colin Firth em Direito de Amar (2010). Com diálogos cortantes e belas reflexões na primeira pessoa, Como Esquecer narra a angústia emocional de uma intelectual austera, reservada e por vezes irascível, que sofre para superar a ausência de seu grande amor.