Palma de Ouro

UM DOS LANÇAMENTOS DO ANO, A COLEÇÃO TRAZ 4 FILMES DO DIRETOR, INCLUINDO O CULT “ERASERHEAD”

Um dos diretores mais cultuados pelos cinéfilos, David Lynch transcende a sétima arte. É um inquieto artista multimídia também com trabalhos nas artes plásticas, fotografia, escultura, desenho, música e até nos quadrinhos (“O Cão Mais Raivoso do Mundo”). Produtor de música eletrônica, lançou em 2001 o álbum “Crazy Clown Time”, em que continua suas experimentações sonoras no cinema.

Considerado um dos diretores mais originais e influentes do cinema, Lynch é um dos poucos a desafiar (ou mesmo subverter) as convenções da indústria, mantendo-se sempre fiel a seu estilo e experiências. Para ele, ao representar a vida, os filmes devem ser complicados, e, em alguns casos, inexplicáveis. Por isso, dificilmente o cineasta explica o enredo de suas produções; cabe ao próprio espectador estabelecer sentido e significação para aquilo que vê.

O CINEMA DE DAVID LYNCH

A coleção reúne quatro de seus filmes – três deles fora de catálogo. Anteriormente lançado pela Lume, “Eraserhead” (1977) – estreia de Lynch na direção de longa – virou item de colecionador. Indicado a 8 Oscar, “O Homem Elefante” (1980), “Coração Selvagem” (1990) – vencedor da Palma de Ouro em Cannes -, e o surreal quebra-cabeça “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer” (1992) completam o box.

ERASERHEAD

Primeiro longa-metragem do cineasta, o filme começou a ser rodado em 1971 e foi lançado apenas em 1977. Seu penoso processo de produção resultou inclusive no primeiro divórcio do diretor.

Bizarro, original, surrealista. “Eraserhead” é um pesadelo em forma de drama familiar, acompanhando Henry Spencer (Jack Nance), que luta internamente para lidar com sua raivosa namorada e os gritos de seu filho, um bebê mutante. Entre os admiradores deste cult incontornável do cinema, estão Stanley Kubrick e Mel Brooks que, impressionado, produziria o filme seguinte do diretor, “O Homem Elefante”.

O HOMEM ELEFANTE

Usado como uma atração de circo, John Merrick (John Hurt) é constantemente humilhado pela sociedade a sua volta. Frederick Treeves (Anthony Hopkins), um famoso cirurgião, o leva para o hospital em que trabalha e descobre que, a despeito de sua aparência incomum, Merrick é um ser humano sensível, inteligente e gentil.

Drama vitoriano filmado na Inglaterra, com bela fotografia em preto e branco influenciada pelo expressionismo alemão, o filme foi reconhecido pela Academia de Hollywood com oito indicações ao Oscar, incluindo a primeira das três nomeações de Lynch a melhor direção.

CORAÇÃO SELVAGEM

Lynch homenageia à sua maneira o clássico “O Mágico de Oz” por meio da bizarra jornada de Sailor (Nicolas Cage) e Marilyn (Laura Dern), que deixam sua cidade para fugir das garras da diabólica mãe dela (papel de Diane Ladd, indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante).

Premiado com uma polêmica Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1990, o longa é um road movie erótico, perturbador e violento, repleto de humor negro. O elenco ainda conta com Willem Dafoe, Isabella Rossellini e Harry Dean Stanton – falecido em 15 de setembro deste ano, aos 91 anos.

TWIN PEAKS – OS ÚLTIMOS DIAS DELAURA PALMER

Cercado de expectativa, por conta do sucesso da série criada por Lynch e o roteirista Mark Frost, o filme estreou no Festival de Cannes de 1992. Duramente vaiado na Croisette e incompreendido na época de seu lançamento, é mais um surreal conto de horror lynchiano sobre a perda da inocência.

Na trama (ou anti-trama), o agente do FBI Chet Desmond (Chris Isaak) e seu parceiro Sam Stanley (Kiefer Sutherland) investigam o assassinato da garçonete Teresa, em uma pequena cidade do estado de Washington. Após descobrir uma pista, Chet desaparece a alguns quilômetros da cidade de Twin Peaks. Um ano depois, outra morte parece ter ligação com o crime: o assassinato de Laura Palmer (Sheryl Lee). Seus últimos dias de vida podem ajudar a solucionar o mistério.

Reavaliado com o passar do tempo, o filme adquiriu status de cult e ganha mais relevância agora com o retorno – 25 anos depois – da série, com a qual estabelece conexões importantes.

PREMIADO COM A PALMA DE OURO, “EU, DANIEL BLAKE” É UM RETRATO DE NOSSO TEMPO

MAIS UM PUNGENTE DRAMA SOCIAL DE KEN LOACH, VENCEDOR  DO BAFTA DE MELHOR FILME BRITÂNICO DO ANO E DO CÉSAR DE MELHOR LONGA ESTRANGEIRO. UMA OBRA FUNDAMENTAL PARA REFLETIR SOBRE A DURA REALIDADE EM QUE VIVEMOS, NOSSO PRESENTE E, SOBRETUDO, NOSSO FUTURO.

Com o filme, o britânico Ken Loach juntou-se ao seleto grupo de cineastas premiados com duas Palmas de Ouro na carreira; honraria que recebeu antes por “Ventos da Liberdade”, em 2006.

Eu, Daniel Blake” gerou muita repercussão em veículos especializados, em razão das semelhanças entre o drama vivido pelo personagem-título e as dificuldades dos trabalhadores mais velhos para se aposentar e viver com dignidade no Brasil – especialmente em tempos de crise (e pré-reforma da Previdência). Segundo inúmeros analistas, ele representa a dura realidade contemporânea, mostrando a crise do sistema de previdência, a burocracia estatal para se conseguir um auxílio-doença e as consequências da falta de emprego para a população na Inglaterra.

Ken Loach com a Palma de Ouro recebida pelo filme no Festival de Cannes do ano passado

Para André Miranda, do jornal O Globo, por exemplo, “Ao mesmo tempo em que são absurdamente tocantes os desesperos de Daniel Blake e de quem está à sua volta, sua firmeza moral é inspiradora. No mundo atual, somos todos Daniel Blake. Ao menos deveríamos ser”.

Na trama, Daniel Blake (Dave Johns) é um carpinteiro de pouco mais de 60 anos que vive sozinho em Newcastle, após a morte da esposa. Ao sofrer um infarto, ele fica impedido de trabalhar e tenta dar entrada no auxílio-doença concedido pelo governo. Contudo, segundo a avaliação da empresa terceirizada contratada pela seguridade social britânica o caso de Daniel não atingiu pontuação suficiente para receber o benefício.

Embora médicos e terapeutas atestem que ele não pode trabalhar, o governo afirma o contrário. Começa o calvário de Daniel, que não pode receber da empresa, nem o auxílio do governo. Esmagado diariamente pela burocracia do Estado, em horas de espera no telefone ou submetido ao atendimento mecanizado de funcionários públicos. Mesmo sem salário e sem pensão, ele não perde a esperança e luta por seus direitos, além de usar seu tempo livre para ajudar uma jovem mãe solteira de duas crianças.

O filme tornou-se um retrato emblemático do tempo em que vivemos, da ineficiência do Estado e do desemprego — não só na Europa. É mais um poderoso grito de denúncia de um dos maiores humanistas do cinema, Ken Loach.

“Uma vez que você sabe a história que quer contar, você tem de ser verdadeiro com as pessoas.”  Ken Loach

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
Jimmy’s Hall (2014)
A Parte dos Anjos (2012)
Rota Irlandesa (2010)
Tickets (2005)

“ROSETTA”, EXEMPLO DO HUMANISMO SOCIAL DOS IRMÃOS DARDENNE

CRONISTAS DA CLASSE TRABALHADORA EUROPEIA EM CRISE, OS CINEASTAS (E IRMÃOS) BELGAS GANHARAM SUA PRIMEIRA PALMA DE OURO NO FESTIVAL DE CANNES POR “ROSETTA“, DRAMA SOCIAL MARCADO PELO MINIMALISMO NARRATIVO SEM CONCESSÕES DA DUPLA.

Jean-Pierre e Luc Dardenne
DESPOJAMENTO EM BUSCA DA CONSCIÊNCIA

Jean-Pierre Dardenne nasceu em Liége (Bélgica), em 21/4/1951. Seu irmão, Luc Dardenne, em 10/3/1954, em Awirs (também na Bélgica). Os dois produzem, escrevem e dirigem seus filmes. Em 1978, realizaram o primeiro de seus documentários, “Le Chant du Rossignol’, até que em 1996 estrearam na direção de longa de ficção com “A Promessa”, filme que já abordava a situação de imigrantes na Bélgica. A consagração internacional veio três anos depois, com a Palma de Ouro em Cannes por “Rosetta“, premiação repetida com “A Criança” em 2005.

Afeitos a questões sociais e atentos à realidade europeia, os Dardenne criaram um estilo próprio, marcado pelo despojamento estético, filmagens em continuidade, uso de atores amadores no elenco, ausência de trilha sonora e câmera muito próxima dos atores. Como se ouvíssemos sua respiração, seus atores precisam comer, sentir frio, brigar, correr; enfim, viver todas as emoções de seus personagens.

Como a jovem Rosetta (Émilie Dequenne, melhor atriz em Cannes), que vive num trailer com sua mãe alcóolatra e agressiva (Anne Yernaux). Ela sai diariamente à procura de trabalho, desesperada em sua guerra pessoal por uma oportunidade. Para Rosetta, vale qualquer coisa a fim de sair da pobreza.

Em busca de um minimalismo narrativo sem concessões para o espectador, os irmãos Dardenne tornaram-se mestres do realismo social, sem cair no melodrama barato. “Rosetta” ilustra uma situação cada vez mais atual – especialmente em tempos de crise: a falta de oportunidades para os menos favorecidos, em meio a perda de humanidade na luta inglória pela sobrevivência.

EXTRAS:

* Entrevista especial com Jean-Pierre e Luc Dardenne (60 minutos)
* Entrevista com os atores Emilie Dequenne e Olivier Gourmet (18 min.)
* Trailer Original (1 min.)

E VEJA TAMBÉM, DOS MESMOS DIRETORES:

DOIS DIAS, UMA NOITE

Antes de disputarem a Palma de Ouro em 2016 com “A Garota Desconhecida”, Jean-Pierre e Luc Dardenne dirigiram este dilacerante relato da luta de uma operária (Marion Cottilard, do recente “Aliados“, em pré-venda na 2001) para reverter, em apenas um fim de semana, votação na qual seus colegas decidiram optar por um bônus salarial em troca de sua demissão. Por sua interpretação emocionante, Cotillard recebeu sua segunda indicação ao Oscar de melhor atriz – prêmio que levou em 2008 por “Piaf – Um Hino ao Amor“.

CHEGOU “DHEEPAN – O REFÚGIO”, VENCEDOR DA PALMA DE OURO EM 2015

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TAMBÉM EXIBIDO NA 39ª MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO, “DHEEPAN” É O MAIS RECENTE TRABALHO DO FRANCÊS JACQUES AUDIARD, DIRETOR DE “O PROFETA”, QUE NOVAMENTE TRATA DA QUESTÃO DO IMIGRANTE NA EUROPA.

Em fuga da guerra civil no Sri Lanka, o ex-guerrilheiro Sivadhasan (Jesuthasan Antonythasan) assume a identidade de “Dheepan” e forma uma falsa família com a jovem Yalini (a novata Kalieaswari Srinivasan) e uma órfã de nove anos, Illayaal. Os três não se conhecem mas aceitam esse arranjo, a fim de facilitar sua permanência como refugiados na França. E é disso que trata o filme de Audiard, não apenas de imigrantes, mas de refugiados, obrigados a deixar seu país em razão de conflitos armados ou perseguições políticas. Sem alternativas e temendo pela própria vida, se vêem forçados a encarar uma cultura diferente e começar do zero. Situação parecida, por exemplo, a dos milhares de sírios hoje na Europa (e até mesmo no Brasil).

Os ótimos protagonistas de "Dheepan": Jesuthasan Antonythasan e Kalieaswari Srinivasan

Os ótimos protagonistas de “Dheepan”: Jesuthasan Antonythasan e Kalieaswari Srinivasan, que nunca havia atuado antes

Do caos do conflito armado no Sri Lanka, o trio encara o caos que é sobreviver em outro país, sem saber a língua local. Mas Dheepan logo arruma trabalho como zelador em um perigoso conjunto habitacional de Le Pré-Saint-Gervais, na periferia de Paris, tendo que encarar não só as dificuldades de adaptação, mas também a violência das gangues locais.

Indicado a nove prêmios César (“o Oscar francês”), “Dheepan” é mais um capítulo do realismo humanista presente na filmografia de Audiard, cineasta acostumado a alternar brutalidade e momentos de lirismo, sempre com um olhar generoso para os desajustados, os desfavorecidos, à margem do sistema. Como os personagens do longa, três refugiados (e desconhecidos) que precisam fingir ser uma família e que, no processo, aprendem a se comportar como uma – e a construir suas relações de afeto.

Entre seus protagonistas, Jacques Audiard recebe a Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado. Com longas premiados e de sucesso como "De Tanto Bater Meu Coração Parou", "O Profeta" e "Ferrugem e Osso" no currículo, Audiard tornou-se um dos maiores nomes do cinema francês contemporâneo

Entre os protagonistas de “Dheepan”, Jacques Audiard recebe a Palma de Ouro no Festival de Cannes do ano passado. Com longas premiados e de sucesso como “De Tanto Bater Meu Coração Parou”, “O Profeta” e “Ferrugem e Osso” no currículo, Audiard tornou-se um dos maiores nomes do cinema francês contemporâneo.

CURIOSIDADE: Assim como seu personagem em “Dheepan“, o ator, escritor e ativista político Jesuthasan Antonythasan também fez parte, na vida real, do grupo de guerrilha Tigres do Tamil antes de deixar o Sri Lanka para morar na França.

VENCEDORES DO FESTIVAL DE CANNES 2016

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PRESIDIDO PELO AUSTRALIANO GEORGE MILLER, DIRETOR DE “MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA”, O JÚRI DO 69º FESTIVAL DE CANNES ANUNCIOU ONTEM OS VENCEDORES DESTE ANO. A PALMA DE OURO FICOU COM “I, DANIEL BLAKE”, DIRIGIDO PELO CINEASTA BRITÂNICO KEN LOACH

Acostumado a retratar de maneira realista os desafios da classe trabalhadora e dos excluídos, Loach conquistou a sua primeira Palma de Ouro com “Ventos da Liberdade”, em 2006. Fiel a suas convicções políticas, ele repetiu o feito, aos 79 anos, levando o prêmio com “I, Daniel Blake”, história de um operário doente que luta contra a burocracia do Estado a fim de receber o seguro social a que tem direito.

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“I, Daniel Blake”, drama social dirigido por Ken Loach e escrito por seu fiel colaborador, Paul Laverty

Se a Palma já era esperada desde a exibição do filme, na semana passada, o júri surpreendeu a imprensa especializada com decisões polêmicas, como o Grand Prix – espécie de segundo lugar do festival – para “Juste la Fin du Monde” (Apenas o Fim do Mundo), novo trabalho de Xavier Dolan. Aos 27 anos, o jovem prodígio canadense tem no currículo mais quatro longas premiados em Cannes: “Eu Matei Minha Mãe”, “Amores Imaginários”, “Laurence Anyways” e “Mommy”.

Na categoria de melhor direção houve um empate entre o francês Olivier Assayas, do vaiado “Personal Shopper” (estrelado por Kristen Stewart) e o romeno Cristian Mungiu, por “Graduation”. Mingu ganhou a Palma em 2007 com “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”.

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No palco, os principais premiados do 69º Festival de Cannes

Uma das maiores surpresas da cerimônia foi o anúncio da filipina Jaclyn Jose como melhor atriz, por seu papel em “Ma’ Rosa”, de Brillante Mendoza (diretor de “Lola“). Ela desbancou as favoritas Sandra Hüller, de “Toni Erdmann”, Ruth Negga, em “Loving”, e Sonia Braga, elogiadíssima por “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. Embora aclamado pela crítica, o segundo longa do diretor de “O Som ao Redor” ficou de mãos abanando, mas o Brasil pode comemorar a Menção Honrosa recebida pelo curta-metragem “A Moça Que Dançou com o Diabo”, de João Paulo Maria Miranda, e o troféu L’Oeil d’Or de melhor documentário para “Cinema Novo”, de Eryk Rocha.

E, escrito e dirigido por Asghar Farhadi, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por “A Separação” em 2012, “The Salesman” levou os prêmios de roteiro e ator (Shahab Hosseini).

Agora, é só aguardar o lançamento em DVD dos filmes premiados.

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PALMA DE OURO
“I, Daniel Blake”, de Ken Loach (Reino Unido)

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Ken Loach com a Palma de Ouro em Cannes

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
Jimmy’s Hall (2014)
Rota Irlandesa (2010)

GRAND PRIX (GRANDE PRÊMIO DO JÚRI)
“Juste la Fin du Monde” (Apenas o Fim do Mundo), de Xavier Dolan (Canadá/França)

MELHOR DIRETOR
Empate: Olivier Assayas, por “Personal Shopper” (França), e Cristian Mungiu, por “Graduation” (Romênia)

DE OLIVIER ASSAYAS NA 2001:
Acima das Nuvens (2014)

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MELHOR ATRIZ
Jaclyn Jose, por “Ma’ Rosa”, de Brillante Mendoza (Filipinas)

MELHOR ATOR
Shahab Hosseini, por “The Salesman”, de Ashgar Farhadi (Irã)

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Nascido em Teerã, o ator Shahab Hosseini superou o favorito Adam Driver, de “Paterson”

MELHOR ROTEIRO
Asghar Farhadi, por “The Salesman” (Irã)

DO MESMO DIRETOR NA 2001:
O Passado (2012)

PRÊMIO DO JÚRI
“American Honey”, de Andrea Arnold (Reino Unido/EUA)

PALMA DE OURO – MELHOR CURTA-METRAGEM
“Time Code”, de Juanjo Gimenez (Espanha)

PALMA DE OURO HONORÁRIA
Jean-Pierre Léaud

Imortalizado como intérprete de Antoine Doinel nos filmes de François Truffaut, Jean-Pierre Léaud recebeu a Palma honorária por sua carreira. Ele recebeu o prêmio do cineasta Arnaud Desplechin

Ao lado de Arnaud Desplechin, Jean-Pierre Léaud recebe a Palma de Ouro honorária. Ele ficou imortalizado no papel de Antoine Doinel nos filmes de François Truffaut, entre outros trabalhos

CAMÉRA D´OR (MELHOR PRIMEIRO FILME)
“Divines”, de Houda Benyamina (Afeganistão)

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MELHOR FILME
“The Happiest Day in the Life of Olli Mäki”, de Juho Kuosmanen (Finlândia, Alemanha, Suécia)

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“The Happiest Day in the Life of Olli Mäki”, do finlandês Juho Kuosmanen

PRÊMIO DO JÚRI
“Harmonium”, de Fukada Kôji (Japão/ França)

MELHOR DIRETOR
Matt Ross, por “Captain Fantastic” (EUA)

MELHOR ARGUMENTO
Delphine Coulin e Muriel Coulin, por “Voir Du Pays” (França/Grécia)

PRÊMIO ESPECIAL
The Red Turtle, de Michael Dudok de Wit (França/Bélgica)

CANNES NA 2001, EM VINTE CONCORRENTES À PALMA DE OURO, DE 2013 A 2015

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A 69ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DE CANNES CHEGA AO FIM NO PRÓXIMO DOMINGO. ENQUANTO OS VENCEDORES NÃO SÃO ANUNCIADOS, CONFIRA NO ACERVO DA 2001 VINTE FILMES QUE PARTICIPARAM DA SELEÇÃO OFICIAL NOS ÚLTIMOS ANOS.

UM DELES,  “AZUL É A COR MAIS QUENTE“, CONQUISTOU O PRÊMIO MÁXIMO, A COBIÇADA PALMA DE OURO.

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2015

CAROL

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Dirigido por Todd Haynes (“Longe do Paraíso”, “Não Estou Lá”), o filme foi aplaudido de pé na sua estreia no festival, de onde Rooney Mara saiu com o prêmio de melhor atriz (dividido com Emmanuelle Bercot por “Mon Roi”). Visualmente inspirado no trabalho dos fotógrafos Saul Leiter e Vivian Maier. Na trama, a jovem Therese Belivet (Mara) leva uma rotina entendiante como vendedora até conhecer a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), em processo de separação do marido. De classes sociais diferentes, as duas se aproximam cada vez mais, afetiva e sexualmente, desafiando as regras de conduta estabelecidas pela sociedade da época.

MACBETH – AMBIÇÃO E GUERRA

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Versão sóbria e estilizada de uma das peças mais sangrentas de William Shakespeare, adaptada antes por, entre outros, Orson Welles, Roman Polanski e Akira Kurosawa. O elenco é o grande destaque, com Marion Cotillard (vencedora do Oscar por “Piaf”) como a manipuladora Lady Macbeth e Michael Fassbender no papel-título do ambicioso usurpador que não medirá esforços para assumir o trono do reino. A direção é de Justin Kurzel, que volta a trabalhar com Fassbender e Cotillard na adaptação para o cinema do game “Assassin’s Creed”, ainda sem previsão de estreia no Brasil.

SICARIO – TERRA DE NINGUÉM

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Considerado pela crítica internacional um dos melhores filmes de 2015 e indicado ao Oscar de melhor fotografia (do veterano Roger Deakins, nomeado 12 vezes ao prêmio), trilha sonora e edição de som. Com cenas de tensão sufocante, “Sicario” mergulha no inferno do tráfico de drogas dos cartéis mexicanos na fronteira com os EUA. Policial do FBI, Kate Macy (Emily Blunt) entra para uma audaciosa operação da CIA, ao lado de Matt (Josh Brolin) e Alejandro (Benicio Del Toro). Ela irá testar todos os seus limites morais e éticos, em meio à violência e inimigos indefinidos. De Denis Villeneuve, o aclamado diretor canadense de “Incêndios” e “Os Suspeitos”.

2014

RELATOS SELVAGENS

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Um dos maiores sucessos argentinos desde “O Segredo dos Seus Olhos”, o longa abriu a 38ª Mostra de Cinema de São Paulo em 2014, e concorreu ao Oscar 2015 de melhor filme estrangeiro. Escrita e dirigida por Damián Szifrón, um dos roteiristas da série de TV “Os Simuladores”, a comédia é narrada em episódios: seis histórias que têm em comum personagens (um deles interpretado por Ricardo Darín) fora de controle, compelidos a fazer justiça com as próprias mãos como forma de vingança.

ACIMA DAS NUVENS

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Um dos grandes sucessos da Mostra de Cinema de SP de 2014, o filme marca a segunda parceria entre o diretor Olivier Assayas e a atriz Juliette Binoche, de “Horas de Verão”. Na trama repleta de metalinguagem, Binoche brilha no papel de Maria Enders, atriz de sucesso convidada para fazer uma nova montagem da peça que a lançou, e Kristen Stewart (premiada com o César de atriz coadjuvante) interpreta sua fiel assistente. Stewart estrela o novo trabalho de Assayas, “Personal Chopper”, em disputa pela Palma de Ouro deste ano.

SAINT LAURENT

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Vencedor da “Palm Dog” em Cannes, o longa também concorreu em 10 categorias do César 2015, incluindo melhor filme, direção (Bertrand Bonello) e ator (Gaspard Ulliel). Escolhido pela França para disputar o Oscar de melhor filme estrangeiro, “Saint Laurent” é um recorte estilizado da vida do estilista francês, cobrindo o período entre 1967 e 1976. Jérémie Renier interpreta seu parceiro, Pierre Bergé, e Louis Garrel um de seus amantes, Jacques de Bascher.

MAPAS PARA AS ESTRELAS

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Vencedor do prêmio de melhor atriz (Julianne Moore) no festival, o filme de David Cronenberg mergulha na frivolidade da fama, a partir de diferentes personagens vivendo em Los Angeles. No centro da trama, Havana Segrand (Moore), uma atriz decadente, desesperada para conseguir o papel principal da refilmagem de um sucesso estrelado por sua mãe, décadas atrás. Ainda no elenco, Mia Wasikowska, John Cusack e Robert Pattinson.

ADEUS À LINGUAGEM

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Mais um elaborado filme-ensaio da fase recente de Jean-Luc Godard (“Nossa Música”, “Film Socialisme”) que continua as investigações do cineasta francês em torno da sétima arte e suas inter-relações com a História da humanidade. Visualmente um dos trabalhos mais inventivos do cineasta – e o seu primeiro no formato 3D -, conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes e levou também a “Palm Dog”. Confira outros trabalhos de Godard em DVD na 2001.

JIMMY’S HALL

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Antes de causar sensação no atual Festival de Cannes com “I, Daniel Blake” – considerado um dos favoritos à Palma de Ouro 2016 -, o britânico Ken Loach (“Kes”, “Terra e Liberdade”) disputou a seleção oficial com “Jimmy’s Hall”, que conta a história de Jimmy Gralton (Barry Ward), líder comunista irlandês que desafiou a Igreja Católica ao questionar sua censura à liberdade de expressão. Gralton gerou discórdia ao inaugurar um espaço de debate e lazer para a classe trabalhadora no Condado de Leitrim, no noroeste da Irlanda.

DOIS DIAS, UMA NOITE

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Antes de disputarem a Palma de Ouro deste ano com “A Garota Desconhecida”, os irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (“Rosetta”, “A Criança”) dirigiram este dilacerante relato da luta de uma operária (Marion Cottilard, de “Era uma Vez em Nova York”) para reverter, em apenas um final de semana, votação na qual seus colegas decidiram optar por um bônus salarial em troca de sua demissão. Indicado ao Oscar 2015 de melhor atriz (Cotillard).

TIMBUKTU

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Vencedor do Prêmio do Júri Ecumênico em Cannes e grande vencedor do César (o Oscar francês), em sete categorias, entre elas melhor filme e direção (Abderrahmane Sissako). “Timbuktu” acompanha a tragédia de uma família afetada pelo radicalismo de rebeldes islâmicos que tomaram o poder da cidade histórica do Mali. Coprodução entre França e Mauritânia indicada ainda ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

O SEGREDO DAS ÁGUAS

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Um dos destaques da 38ª Mostra de Cinema de SP, o aclamado longa da japonesa Naomi Kawase narra, com grande beleza estética, o processo de amadurecimento de dois adolescentes, na ilha de Amami. Durante uma noite de danças tradicionais, Kaito, de 16 anos, encontra um cadáver flutuando no mar e sua namorada tenta ajudá-lo a compreender os mistérios da descoberta. A partir daí, os dois aprenderão juntos o que é ser adulto.

À PROCURA

Ryan Reynolds in The Captive

Dirigido pelo aclamado cineasta canadense de origem egípcia Atom Egoyan (“O Doce Amanhã”, “Verdade Nua”), o longa acompanha a luta de um casal para encontrar a sua filha. Seis anos após o desaparecimento da jovem, novas provas indicam que ela pode ainda estar viva, quando os mesmos policiais que investigaram o caso descobrem uma grande rede de pedofilia. No elenco, Ryan Reynolds, Scott Speedman e Rosario Dawson.

2013

AZUL É A COR MAIS QUENTE

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Livremente baseado na HQ homônima, o filme tem direção de Abdellatif Kechiche (“O Segredo do Grão”) e acompanha o rito de passagem da jovem Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Emma (Léa Seydoux, de “Adeus, Minha Rainha”). Com uma longa sequência de sexo explícito entre as protagonistas, o longa causou furor e polêmica no Festival de Cannes e venceu a PALMA DE OURO – dividida, pela primeira vez na história, entre o diretor e suas duas atrizes principais.

O PASSADO

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Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por “A Separação”, o diretor-roteirista Asghar Farhadi mais uma vez explora as nuances de um núcleo familiar em reconstrução, a partir do divórcio de um iraniano e sua esposa francesa, interpretada por Bérénice Bejo, laureada com o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Marie espera formalizar a separação, a fim de casar com seu namorado Samir (Tahar Rahim, de “O Profeta”), mas antigas feridas do passado e novas revelações  dificultam o entendimento, tornando a visita de Ahmad cada vez mais desconfortável.

ERA UMA VEZ EM NOVA YORK

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Considerado pela crítica brasileira um dos melhores de 2014, o filme marca a quarta colaboração entre o diretor James Gray e o ator Joaquin Phoenix, de “Amantes”, “Os Donos da Noite” e “Caminho Sem Volta”. Ambientado em 1921, este drama austero narra a história de Ewa (Marion Cotillard), uma imigrante polonesa que chega a Nova York e sofre um bocado para sobreviver, caindo nas mãos do cafetão Bruno (Phoenix), que a explora em uma rede de prostituição.

JOVEM E BELA

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Diretor de “Potiche” e “Dentro da Casa”, François Ozon conduz, com sua habitual elegância, a jornada de Isabelle (a ex-modelo Marine Vacth), uma estudante de 17 anos que começa a trabalhar como prostituta de luxo em Paris. Com pontos de contato com “Ninfomaníaca” de Lars von Trier, a personagem não consegue estabelecer laços emocionais nem compartilhar seus sentimentos com ninguém, até que uma reviravolta pode expor seu segredo.

A PELE DE VÊNUS

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Vencedor do César (o “Oscar francês”) de melhor direção para Roman Polanski , o filme apresenta Vanda (Emmanuelle Seigner, de “Lua de Fel”), atriz que se esforça para convencer o diretor Thomas (Mathieu Amalric) de que ela é a pessoa certa para interpretar a protagonista de sua mais nova peça. Um irônico jogo de sedução e poder adaptado da premiada peça teatral de David Ives – por sua vez baseada no clássico da literatura erótica “A Vênus das Peles”, do escritor Leopold von Sacher-Masoch.

A GRANDE BELEZA

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Aclamado por público e crítica, o longa conquistou, entre outros prêmios, o Oscar e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, posicionando o nome de Paolo Sorrentino (em cartaz com “Juventude”) entre os cineastas mais quentes da Europa. Permeada por fina ironia, a narrativa acompanha o escritor Jap (Toni Servillo, de “Gomorra”) em suas divagações sobre a sociedade a sua volta. Aos 65 anos de idade, ele começa a refletir sobre o hedonismo ao seu redor e, em especial, o sentido de sua própria existência.

NEBRASKA

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Indicado em seis categorias do Oscar 2014, incluindo melhor filme e direção, “Nebraska” é mais um retrato espirituoso da vida cotidiana por Alexander Payne, diretor de “Sideways” e “Os Descendentes”. Vencedor do prêmio de melhor ator no Festival de Cannes, Buce Dern dá vida a Woody Grant, senhor com problemas de memória que acredita ter ganho uma fortuna. Começa então, ao lado de David, seu filho mais novo, uma pitoresca viagem até a distante cidade de Lincoln, em Nebraska, a fim de receber o prêmio.

FESTIVAL DE CANNES: CONFIRA OS CONCORRENTES DESTE ANO E OS VENCEDORES DA PALMA DE OURO NA 2001

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REALIZADO ANUALMENTE NO BALNEÁRIO FRANCÊS DE CANNES, NA CÔTE D’AZUR, O MAIS IMPORTANTE E POPULAR FESTIVAL DE CINEMA DO MUNDO JÁ COMEÇOU  E SEGUE ATÉ O DIA 22 DE MAIO.

A 69ª edição do festival promete uma disputa acirrada pelo prêmio principal, a Palma de Ouro. Concorrem na seleção oficial nomes consagrados como o espanhol Pedro Almodóvar (com “Julieta”), a dupla francesa Jean-Pierre e Luc Dardenne (“La Fille Inconnue”), o norte-americano Jim Jarmusch (“Paterson”) e o britânico Ken Loach (“I, Daniel Blake”). Entre os cineastas emergentes – e de sensibilidade pop -, destacam-se o sul-coreano Park Chan-Wook (vencedor do Grande Prêmio do Júri por “Oldboy” em 2004), o dinamarquês Nicolas Winding Refn (Melhor Diretor por “Drive” em 2011) e Xavier Dolan (premiado em 2014 por “Mommy”), que retornam com aguardados trabalhos.

O Brasil marca presença na lista de 21 candidatos à Palma de Ouro com “Aquarius”, novo filme de Kleber Mendonça Filho, diretor do aclamado “O Som ao Redor”. Desde 2008, com “Linha de Passe”, que o país não disputava o prêmio principal. Outros representantes nacionais em Cannes este ano são “Cinema Novo”, filme-ensaio de Eryk Rocha que pode levar o L´Oeil D´or, prêmio entregue ao melhor documentário do festival; “A Moça que Dançou com o Diabo”, de João Paulo Miranda Maria, na competição oficial de curtas; “Abigail”, de Isabel Penoni e Valentina Homem, na Quinzena dos Realizadores; e “O Delírio é a Redenção dos Aflitos”, de Fellipe Fernandes, na Semana da Crítica.

De volta ao cinema, Sonia Braga estrela "Aquarius", segundo  longa de ficção do crítico e cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho

De volta ao cinema, Sonia Braga estrela “Aquarius”, segundo longa de ficção do crítico e cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho

Depois do sucesso de público e crítica de “Mad Max: Estrada da Fúria”, o australiano George Miller preside o júri, que conta com a atriz francesa Vanessa Paradis, o canadense Donald Sutherland, a produtora iraniana Katayoon Shahabi, o cineasta húngaro László Nemes, a italiana Valeria Golino, o dinamarquês Mads Mikkelsen, a americana Kirsten Dunst e o diretor francês Arnaud Desplechin.

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E, eternizado no papel de Antoine Doinel nos filmes de François Truffaut, o ator francês Jean-Pierre Léaud vai receber a Palma de Ouro honorária pelo conjunto de sua carreira.

A seguir, confira a seleção do 69ª Festival de Cannes, cujos vencedores serão anunciados em 22 de maio.

FILME DE ABERTURA

“Café Society”, de Woody Allen

Kristen Stewart e Jesse Eisenberg em cena do novo filme de Woody Allen, que abriu o festival nesta quarta-feira

Kristen Stewart e Jesse Eisenberg em cena do novo filme de Woody Allen, que abriu o festival nesta quarta-feira

SELEÇÃO OFICIAL

C

“Toni Erdmann”, de Maren Ade
“Julieta”, de Pedro Almodóvar
“American Honey”, de Andrea Arnold
“Personal Shopper”, de Olivier Assayas
“Fourshande” (The Salesman), de Asghar Farhadi
“La Fille Inconnue”, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
“Juste la Fin du Monde”, de Xavier Dolan
“Ma Loute”, de Bruno Dumont
“Paterson”, de Jim Jarmusch
“Staying Vertical”, de Alain Guiraudie
“Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho
“Mal De Pierres”, de Nicole Garcia
“I, Daniel Blake”, de Ken Loach
“Ma’Rosa”, de Brillante Mendoza
“Family Photos”, de Cristian Mungiu
“Loving”, de Jeff Nichols
“The Handmaiden”, de Park Chan-Wook
“The Last Face”, de Sean Penn
“Sierra Nevada”, de Cristi Puiu
“Elle”, de Paul Verhoeven
“The Neon Demon”, de Nicolas Winding Refn

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UN CERTAIN REGARD (MOSTRA “UM CERTO OLHAR”)

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“Varoonegi”, de Behnam Behzadi
“Apprentice”, de Boo Junfeng
“Voir Du Pays”, de Delphine Coulin e Muriel Coulin
“La Danseuse”, de Stéphanie Di Giusto
“Clash”, de Mohamed Diab
“The Red Turtle”, de Michael Dudok De Wit
“Harmonium”, de Fukada Kôji
“Omor Shakhsiya”, de Maha Haj
“Me’ever Laharim Vehagvaot”, de Eran Kolirin
“After The Storm”, de Hirokazu Koreeda
“Hymyilevä Mies”, de Juho Kuosmanen
“La Larga Noche De Francisco Sanctis”, de Francisco Márquez e Andrea Testa
“Dogs”, de Bogdan Mirica
“The Transfiguration”, de Michael O’Shea
“Captain Fantastic”, de Matt Ross
“Uchenik”, de Kirill Serebrennikov

FORA DE COMPETIÇÃO

“O Bom Gigante Amigo”, de Steven Spielberg
“Goksung”, de Na Hong-Jin
“Jogo do Dinheiro”, de Jodie Foster
“Dois Caras Legais”, de Shane Black

SESSÕES DA MEIA-NOITE

“Gimme Danger”, de Jim Jarmusch
“Bu-San-Haeng”, de Yeon Sang-Ho

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 VENCEDORES DA PALMA DE OURO DISPONÍVEIS NA 2001:

GRANDE PRÊMIO DO FESTIVAL

1949

O TERCEIRO HOMEM

333

1951

MILAGRE EM MILÃO

SENHORITA JULIA

1952

OTHELLO

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1953

O SALÁRIO DO MEDO

5

1957

SUBLIME TENTAÇÃO

222

1959

ORFEU DO CARNAVAL

1960

A DOCE VIDA

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1961

VIRIDIANA

1963

O LEOPARDO

5

1964

OS GUARDA-CHUVAS DO AMOR

1967

BLOW-UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO

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1977

PAI, PATRÃO

1979

O TAMBOR
APOCALYPSE NOW

1980

KAGEMUSHA, A SOMBRA DO SAMURAI

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1981

O HOMEM DE FERRO

1990

CORAÇÃO SELVAGEM

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1994

PULP FICTION – TEMPO DE VIOLÊNCIA

1997

GOSTO DE CEREJA

111

2002

O PIANISTA

2006

A ÁRVORE DA VIDA

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2013

AZUL É A COR MAIS QUENTE

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2015

DHEEPAN – O REFÚGIO

Previsão de entrega a partir de 30/6

O CINEMA EM PROL DA DIVERSIDADE SEXUAL

COMEÇA HOJE, EM SÃO PAULO, A 22ª EDIÇÃO DO FESTIVAL MIX BRASIL, COM FILMES QUE ABORDAM, SOB DIFERENTES ÂNGULOS E POR MEIO DE LINGUAGENS INOVADORAS, A QUESTÃO DA DIVERSIDADE SEXUAL.

POR ISSO, SELECIONAMOS 13 FILMES QUE TRATAM DOS CONFLITOS E DILEMAS ENFRENTADOS PELA COMUNIDADE LGBT EM DIFERENTES CONTEXTOS.

Grande vencedor do Festival de Cannes em 2013, "A Vida de Adele" foi dirigido por Abdellatif Kechiche e narra a intensa história de amor entre duas jovens, interpretadas por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux

Grande vencedor do Festival de Cannes em 2013, “A Vida de Adele” foi dirigido por Abdellatif Kechiche e narra a intensa história de amor entre duas jovens, interpretadas por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux

Azul é a Cor Mais Quente
(La vie d’Adèle – Chapitres 1 et 2, FRA/ESP/BEL, 2013, Cor, 179′)
Direção: Abdellatif Kechiche
Elenco: Lea Seydoux, Adele Exarchopoulos, Salim Kechiouche

Logo no início de Azul é a Cor Mais Quente, o professor de uma escola no norte da França reflete com seus alunos sobre o romance A Vida de Marianne, escrito no século 18 por Pierre de Marivaux. A obra retrata o rito de passagem de uma jovem que aprende a amar e ser amada, em meios às convenções – e aparências – da sociedade da época. O professor fala também do papel decisivo da predestinação no curso de uma relação amorosa.

Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos) acompanha atentamente a aula. Aos 15 anos, ela experimenta a incrível fase de descobertas da adolescência, assim como suas inseguranças. Estimulada pelas amigas, começa a sair com um colega do colégio, ainda sem saber o que esperar ou querer. O que a bela Adèle sabe é que sente um grande vazio. Algo lhe falta e infelizmente não é preenchido por seu primeiro namoradinho.

Capa da HQ (já publicada no Brasil) que originou o filme

Capa da HQ (já publicada no Brasil) que originou o filme

A resposta vem justamente na forma da predestinação. Certo dia, Adèle caminha na rua quando é cativada pela presença de uma estranha com visual andrógino e inconfundível cabelo tingido de azul. Seus olhares se cruzam numa fração de segundo, um momento aparentemente banal que não sai de sua cabeça. Define o seu desejo, mesmo sem se dar conta disso. Até que o destino cumpre seu papel e Adèle encontra por acaso Emma (Léa Seydoux, de Meia-Noite em Paris e Adeus, Minha Rainha), estudante de artes plásticas, independente e que já assumiu sua homossexualidade.

Emma abre o mundo então limitado de Adèle, ao mesmo tempo em que a expõe ao preconceito no colégio. Após ser vista com Emma, ela é agredida verbalmente pelas “amigas” que a rotulam pejorativamente. Rótulos que Adèle recusa, já que não sabe ainda qual é a sua opção sexual, nem se quer assumir uma. Livremente baseado na HQ homônima escrita por Julie Maroh, o filme não cai na estereotipagem do homossexual no cinema, e passa a enfocar o relacionamento das duas personagens centrais ao longo de vários anos, desde o encantamento inicial até as dificuldades inerentes a qualquer relacionamento.

Filha de pais de classe média baixa e sem a cultura elitizada de Emma, Adèle estabelece uma forte conexão sexual com a parceira, a deixa para Azul é a Cor Mais Quente não economizar na carga erótica, incluindo uma longa sequência de sexo explícito entre as amantes. Consideradas pornográficas, as cenas de sexo causaram furor e polêmica no último Festival de Cannes, de onde o filme saiu com a Palma de Ouro. Numa decisão inédita, o prêmio foi dividido entre o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche (de O Segredo do Grão, Vênus Negra) e, por suas atuações corajosas, Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. Pela primeira vez na história do festival, duas atrizes levaram a Palma e, ao lado de Jane Campion (O Piano), são as únicas mulheres donas de tal honraria.

Laurence Anyways*
(Idem, CAN/FRA, 2012, Cor, 168′)
Direção: Xavier Dolan
Elenco: Melvil Poupaud, Suzanne Clément, Nathalie Baye, Monia Chokri

1

Exibido na 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no ano passado, Laurence Anyways é a terceira incursão do franco-canadense Xavier Dolan na direção.

Nascido em Montreal (Québec, Canadá) e homossexual assumido, dirigiu seu primeiro filme, Eu Matei Minha Mãe (2009), aos 19 anos de idade, e o segundo, Amores Imaginários (2010), aos 20.

Em trabalhos extremamente pessoais, Dolan projeta sua sensibilidade e paixão pelas minorias sexuais e excluídos, reafirmando sua luta contra a intolerância. Em Laurence Anyways não é diferente. Logo no início, uma série de closes revela as reações de desconhecidos a uma misteriosa figura andando na rua. É o personagem-título, cuja trajetória é narrada em flashbacks que perfazem cerca de dez anos de sua vida.

Laurence Alia (Melvil Poupaud, substituindo Louis Garrel) completa 35 anos em 1989, tem um emprego estável como professor e uma namorada que o ama, Fred Belair (Suzanne Clément, de Eu Matei Minha Mãe). O equilíbrio do casal é quebrado quando ele revela seu desejo de tornar-se uma mulher. Fred o indaga sobre uma possível homossexualidade, que ele nega, afirmando apenas estar no corpo errado, e ter vivido uma mentira por tanto tempo. É o ponto de virada na vida do protagonista à procura de uma nova identidade, identidade intimamente ligada à definição de sua sexualidade.

Melvil Poupaud ("O Tempo que Resta") assumiu o papel de Laurence após desistência do galã francês Louis Garrel ("Bem Amadas"), e Suzanne Clément trabalhou antes com Xavier Dolan em "Eu Matei Minha Mãe". "Laurence Anyways" conta ainda com uma ótima participação da veterana Nathalie Baye ("Uma Doce Mentira"), no papel da mãe do protagonista. Ator principal em seus dois primeiros filmes, Dolan faz aqui apenas uma ponta no filme

Melvil Poupaud (“O Tempo que Resta”) assumiu o papel de Laurence após desistência do galã francês Louis Garrel (“Bem Amadas”), e Suzanne Clément trabalhou antes com Xavier Dolan em “Eu Matei Minha Mãe”. “Laurence Anyways” conta ainda com uma ótima participação da veterana Nathalie Baye (“Uma Doce Mentira”), no papel da mãe do protagonista. E, ator principal em seus dois primeiros filmes, Dolan faz aqui apenas uma ponta

Em um mundo cada vez mais violento e pródigo em agredir minorias, Dolan quer incutir o contrário, mostrando com naturalidade relações e papéis sexuais atípicos. Ambicioso e fiel à persona de seu diretor, Laurence Anyways prova que um grande amor transcende convenções, gêneros sexuais e, sobretudo, preconceitos.

* Prêmio de melhor atriz (Suzanne Clément) na mostra Un Certain Regard e vencedor da “Queer Palm” no Festival de Cannes. Eleito melhor longa canadense no Festival de Toronto

Kaboom
(Idem,  EUA/FRA, 2010, Cor, 86′)
Direção: Gregg Araki
Elenco: Thomas Dekker, Haley Bennett, Chris Zylka, Juno Temple

2Nascido em Los Angeles, Gregg Araki tornou-se um dos principais nomes da cena independente graças a filmes tematicamente ousados e carregados de homoerotismo como Geração Maldita (1995) e Mistérios da Carne (2004).

A confusão sexual, o desejo em ebulição e os distúrbios emocionais dos jovens retratados em sua perturbadora “trilogia adolescente do apocalipse” (formada por Totally F***ed Up, Geração Maldita e Nowhere) retornam em Kaboom (ou Ka-Boom, como descrito na capa do DVD).

Comédia teen com toques surreais de ficção-científica que lembram, por vezes, a atmosfera de Donnie Darko, o filme transcorre em um campus universitário no sul da Califórnia, onde o jovem Smith, dividido entre seu colega de quarto surfista e sua melhor amiga lésbica, experimenta os prazeres do sexo e uma série de inquietações. Sob influência de cookies alucinógenos, o estudante de cinema começa a sofrer delírios com assassinos usando máscaras de animais, uma seita de bruxas e até mesmo o fim do mundo.

No elenco, destaque para Juno Temple (à esquerda), jovem atriz inglesa que não tem medo de se expor em filmes transgressores - e que exploram a sexualidade - como "Killer Joe" e "Lovelace" (ainda inédito no Brasil). Ainda este ano, ela poderá ser vista em mais uma produção contra-indicada para estômagos mais sensíveis: a continuação de "Sin City".

No elenco, destaque para Juno Temple (à esquerda), jovem atriz inglesa que não tem medo de se expor em filmes transgressores – e que exploram a sexualidade – como “Killer Joe” e “Lovelace” (ainda inédito no Brasil). Ainda este ano, ela poderá ser vista em mais uma produção que promete carregar no sexo e na violência: a continuação de “Sin City”

As coisas se complicam a partir do momento em que o jovem – assim como o espectador – não consegue mais distinguir o que é real e o que é imaginado, pretexto para um caleidoscópio de personagens bizarros, imagens desconcertantes e cenas de sexo bem ao gosto do diretor.

Elvis e Madona*
(Idem, BRA, 2010, Cor, 105′)
Direção: Marcelo Laffitte
Elenco: Simone Spoladore, Igor Cotrim, Sérgio Bezerra

15Fotógrafa obrigada a trabalhar como entregadora de pizzas para pagar as contas, Elvis se apaixona por Madona, travesti que sonha produzir e estrelar um espetáculo de revista.

Marcelo Laffitte coescreveu, produziu, dirigiu e ainda distribuiu por conta própria este inusitado romance entre dois personagens à margem dos modelos impostos pela sociedade. Com uma subtrama policial como pano de fundo, Elvis e Madona humaniza seu casal de protagonistas, criando uma relação terna e inédita no cinema brasileiro.

* Melhor filme (Júri Popular) do 12º Festival de Cinema Brasileiro em Paris e prêmio de melhor roteiro no Festival do Rio

Minhas Mães e Meu Pai
(The Kids Are All Right, EUA, 2010, Cor, 106′)
Direção: Lisa Cholodenko
Elenco: Julianne Moore, Annette Bening, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson

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Indicado ao Oscar de melhor atriz (Annette Bening), ator coadjuvante (Mark Ruffalo) e roteiro original em 2011, Minhas Mães e Meu Pai não ganhou nenhuma estatueta, mas merece ser descoberto (ou assistido pela segunda vez) em tempos de discussão em torno da união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Com leveza e sem estereótipos, o filme aborda as dificuldades de um casal de lésbicas que tem de lidar com o surgimento do pai biológico de seus dois filhos adolescentes.

Roteirista (em parceria com Stuart Blumberg) e diretora do filme, Lisa Cholodenko imprime sua própria experiência de vida e sensibilidade ao projeto mais pessoal de sua carreira. Ausente da direção de longa desde Laurel Canyon, Cholodenko passou a trabalhar, esporadicamente, na TV americana, dirigindo episódios para A Sete PalmosThe L Word, séries que também trazem personagens homossexuais tendo de lidar com as consequências do desejo. Vivendo há anos com a música Wendy Melvoin , ela aproveitou esse hiato no cinema para tornar-se mãe através de inseminação artificial e doador desconhecido, em 2006.

Com vários traços autobiográficos, Minhas Mães e Meu Pai marca o retorno da cineasta ao cinema em trama semelhante à experiência vivida na vida pessoal: Nic (Annette) e Jules (Julianne Moore, esquecida pelos votantes do Oscar) criam seus dois filhos – Laser, com 15 anos, e Joni, 18 – em Los Angeles; cada uma das mães ficou grávida de um dos filhos depois de ser inseminada artificialmente com o sêmen do mesmo doador anônimo – Paul (Ruffalo). Após completar 18 anos, Joni decide contactar seu pai biológico, o que irá mudar a dinâmica de toda a família.

Ao apresentar um casal fora dos padrões moralistas vigentes, o filme reacendeu a discussão nos EUA em torno da legalização da união civil entre homossexuais, mas nada mais é do que o relato singelo de um casamento maduro tentando sobreviver à passagem do tempo e a elementos externos. Em entrevista à imprensa americana, Cholodenko explica suas escolhas: “Não quis fazer um filme de agenda social. Não queria que fosse sobre direitos gay. Queria apenas começar uma história a partir do ponto de que isso é normal e é o que é, e ir mais fundo numa história mais rica e universal”.

Patrik 1.5
(Patrik 1,5, SUE, 2008, Cor, 103′)
Direção: Ella Lemhagen
Elenco: Gustaf Skarsgård, Torkel Petersson, Tom Ljungman

Um casal homossexual consegue permissão para adotar Patrik, órfão sueco que acreditavam ter apenas um ano e meio. Porém, por um erro de digitação, os dois recebem um jovem homofóbico de 15 anos.

Questão polêmica bastante em voga na atualidade, a união civil entre pessoas do mesmo sexo suscita todo tipo de reação. A produção sueca Patrick 1.5 toma partido, discutindo preconceito com humanidade, sem apelar para clichês. Apesar de parecer uma comédia rasgada, o filme é mais um drama familiar sobre a superação das diferenças, mostrando o preconceito arraigado, infelizmente, não só nos adultos, mas também entre crianças e adolescentes.

Como Esquecer
(Idem, BRA, 2010, Cor, 100′)
Direção: Malu De Martino
Elenco: Ana Paula Arósio, Murilo Rosa, Natália Lage

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Com diálogos cortantes e belas reflexões na primeira pessoa, Como Esquecer narra a angústia emocional de Júlia, uma professora universitária reservada e por vezes irascível, que sofre para superar o fim de uma intensa e duradoura relação amorosa.

Premiada como melhor atriz pela APCA, Ana Paula Arósio interpreta um contraponto feminino ao deprimido professor de Colin Firth em Direito de Amar (2010), construindo uma personagem contraditória, sem apelar para a simpatia do espectador.

 

Toda Forma de Amor
(Beginners, EUA, 2010, Cor, 105’)
Direção: Mike Mills
Elenco: Ewan McGregor, Christopher Plummer, Mélanie Laurent, Goran Visnjic

Aos 38 anos, o artista gráfico Oliver relembra os últimos anos ao lado de seu pai. Aos 75 anos, ele revelou ao filho, logo após a morte da esposa, ser homossexual.

Inédito nos cinemas brasileiros, o segundo filme de Mike Mills (Impulsividade) valeu ao veterano Christopher Plummer (A Noviça Rebelde, A Última Estação), o Oscar de melhor ator coadjuvante no ano passado. Com dignidade, ele interpreta um pai de família que “sai do armário” nessa comédia dramática centrada em sua relação com o filho (Ewan McGregor). Com sensibilidade, respeito à diversidade sexual e com toques surreais – um cachorro “fala” por meio de legendas com McGregor –, o filme é um olhar apaixonado para dois homens em busca de um relacionamento afetivo significativo na vida.

 

Um Quarto em Roma
(Habitación en Roma, ESP, 2010, Cor, 107′)
Direção: Julio Medem
Elenco: Elena Anaya, Natasha Yarovenko

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Depois do incompreendido Caótica Ana (2007), o espanhol Julio Medem prossegue com mais um trabalho pessoal e controverso. Com inúmeras cenas de sexo entre suas duas protagonistas, o filme acompanha, de modo intimista (e por vezes, voyeurístico) e por quase toda a sua duração, a longa noite de descobertas e prazeres carnais de duas mulheres.

Alba (a misteriosa Vera de A Pele que Habito) e Natasha (a ucraniana Natasha Yarovenko, de Diário Proibido) se encontram em Roma e, no quarto da primeira, passam uma longa noite de sedução, com o erotismo que se tornou marca do diretor de Lucia e o Sexo.

 

O Primeiro que Disse
(Mine Vaganti, ITA, 2010, Cor, 108′)
Direção: Ferzan Ozpetek
Elenco: Riccardo Scamarcio, Nicole Grimaudo, Alessandro Preziosi

6

O filme mais bem sucedido do turco (radicado na Itália) Ferzan Ozpetek resgata a velha comédia de costumes sem perder a crítica social humanista. Como em seus outros trabalhos, o diretor expõe as dificuldades da nova geração para se adaptar às expectativas e anseios dos pais, colocando em risco a própria identidade.

Em O Primeiro que Disse, dois irmãos precisam vencer o dilema de seguir com suas vidas, revelando sua homossexualidade, ou escondê-la a fim de administrar os negócios da família conservadora.

Comparado a Pedro Almodóvar por alguns críticos, Ozpetek é um cronista sensível das mudanças comportamentais na Itália. Respeitoso aos valores tradicionais da unidade familiar, o filme equilibra drama e humor numa narrativa em dois tempos, passado e presente, interligados por meio da memorável personagem de Ilaria Occhini. Veterana atriz de teatro e TV, ela interpreta a avó dos irmãos e a primeira “bala perdida” (tradução do título original) da família. Com sua experiência e sabedoria, ela é o elemento nostálgico que aproxima diferentes gerações – sem preconceito.

A Viagem de Lucia
(La Llamada/Il Richiamo, ARG/ ITA, 2009, Cor, 93′)
Direção: Stefano Pasetto
Elenco: Sandra Ceccarelli, Francesca Inaudi, César Bordón

8

Infeliz no casamento, Lucía redescobre a alegria de viver ao conhecer Lea, jovem extrovertida com quem inicia um romance.

A relação amorosa entre duas mulheres bem diferentes é tratada de maneira discreta e com muita sensibilidade nesta coprodução ítalo-argentina, filmada em Buenos Aires e na Patagônia. Cansada da insensibilidade do marido, a personagem-título se reinventa por meio do turbilhão de emoções proporcionado por uma mulher mais nova, e mergulha de cabeça em um relacionamento carnal (e instável) que lhe traz uma segunda chance na vida.

 

Contracorrente
(Contracorriente, PER/COL/FRA, 2009, Cor, 100′)
Direção: Javier Fuentes-León
Elenco: Cristian Mercado, Tatiana Astengo

6

Poucos títulos da produção cinematográfica peruana chegam ao mercado brasileiro. Depois de A Teta Assustada, Contracorrente é o segundo filme a ser lançado em DVD por aqui. História de um triângulo amoroso à la O Segredo de Brokeback Mountain, o drama peruano com toques de realismo mágico narra a jornada interior de um homem casado aprendendo a aceitar quem é – e não a imagem que a comunidade faz dele.

Na trama, Miguel trabalha como pescador em um tradicional vilarejo à beira-mar, mas guarda um segredo: um amante chamado Santiago, pintor homossexual estigmatizado pela sociedade local.

 

Paixão Selvagem
(Je t’aime moi non plus, FRA, 1976, Cor, 83′)
Direção: Serge Gainsbourg
Elenco: Jane Birkin, Joe Dallesandro, Hugues Quester

3Estreia na direção do compositor e cantor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), a ousada história de amor entre o personagem homossexual de Joe Dallesandro (ator-fetiche de Andy Warhol e Paul Morrissey) e uma misógina Jane Birkin provocou escândalo e eternizou a música Je T’Aime Moi Non Plus.

Composta originalmente para Brigitte Bardot, a escandalosa canção encontrou na inglesa Jane o par perfeito para Serge. Os dois foram casados e tiveram uma filha, Charlotte Gainsbourg, que recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por sua corajosa interpretação em Anticristo, de Lars von Trier.

Jane Birkin e o objeto do desejo de Warhol e Paul Morrissey, Joe Dallessandro, em "Paixão Selvagem", filme causou furor nos anos 1970 graças à música-tema de Serge Gainsbourg e a cenas de sexo que desafiam as convenções sexuais

Jane Birkin e o objeto do desejo de Warhol e Paul Morrissey, Joe Dallessandro, em “Paixão Selvagem”. O filme causou furor nos anos 1970 graças à música-tema de Serge Gainsbourg e a cenas de sexo que desafiam convenções

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “Grand Central”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Léa Seydoux é mesmo a bela da vez. Sua imagem estourou mundo afora no filme Azul é a Cor Mais Quente, que ganhou repercussão por ter ganho a Palma de Ouro tripla em Cannes: para as duas protagonistas e para o diretor.

É também o seu olhar que chama tanta atenção em Adeus, Minha Rainha, e vagamente me lembro da charmosa moça da feira em Meia-Noite em Paris e da dona do cinema em Bastardos Inglórios. Mas ao seu lado está o também charmoso e talentoso Tahar Rahim, do ótimo O Profeta, e do intrigante, pouco conhecido, Perder a Razão. Tudo isso pra dizer que a dupla arrasa, tem uma liga incrível e realmente transmite toda a paixão que vivem em cena.

Tendo dito isso, é claro que Grand Central é “para ver bem acompanhado”. Mas também encaixa-se na categoria “para pensar”, já que a trama se passa em uma usina nuclear na França, onde os funcionários  são expostos à radiação e a todos os riscos de saúde decorrentes dela. Filmado em uma usina desativada, Grand Central foi selecionado para a categoria Un Certain Régard de Cannes (que eu adoro) e conta a história de Gary Manda, um sujeito simples e sem preparo técnico, em busca qualquer trabalho que lhe renda algum dinheiro. Indicado por um amigo, vai parar nessa usina e apaixona-se por Karole, mulher do seu supervisor. Como acontece em locais ermos de trabalho, as famílias moram juntas em vilas operárias, o que constrange e dificulta ainda mais a situação do jovem casal.

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Intenso, assim como os dois protagonistas. Olhares marcantes e misteriosos, tanto Léa, quando Tahir. Aquece o romance e cria um clima de incerteza e escolhas difíceis. Ao mesmo tempo, levanta a questão atual da segurança das usinas nucleares, tanto para o meio ambiente, quanto para os trabalhadores, que devem passar por processos de descontaminação severos, sob pena de terem sua saúde prejudicada para sempre. Tem um bom mix dos dois elementos, mas sem dúvida é do romance que você vai se lembrar quando sair do cinema.

DIREÇÃO: Rebecca Zlotowski ROTEIRO: Rebecca Zlotowski, Gaëlle Macé ELENCO: Léa Seydoux, Tahar Rahim, Olivier Gourmet, Camille Lellouche | 2013 (94 min)

Confira o trailer de “Grand Central“:

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

Festival de Cannes 2014

De 14 a 25 de maio, acontece o maior festival de cinema do mundo, apresentando novos trabalhos de cineastas consagrados como os irmãos Dardenne (Jean Pierre Dardenne e Luc Dardenne), Mike Leigh, Ken Loach, David Cronenberg, Nuri Bilge Ceylan, Olivier Assayas e Jean-Luc Godard, que nunca levou uma Palma de Ouro.

Pela primeira vez na história do festival, uma diretora genuína irá presidir o júri: a neozelandeza Jane Campion, única mulher a receber a Palma de Ouro, por “O Piano”, em 1993. E outra grande artista é destaque – Sophia Loren, convidada de honra do evento. Confira abaixo a seleção oficial dos candidatos à Palma de Ouro deste ano:

“Adieu au langage”, de Jean-Luc Godard

“Captives”, de Atom Egoyan

“Sils Maria”, de Olivier Assayas

“Maps to the Stars”, de David Cronenberg

“Foxcatcher”, de Bennett Miller

“The Homesman”, de Tommy Lee Jones

“Jimmy’s Hall”, de Ken Loach

“La Meraviglie”, de Alice Rohrwacher

“Leviathan”, de Andrei Zvyagintsev

“Mommy”, de Xavier Dolan

“Mr. Turner”, de Mike Leigh

“Saint Laurent”, de Bertrand Bonello

“The Search”, de Michel Hazanavicius

“Futatsume No Mado – Still the Water”, de Naomi Kawase

“Deux Jours, Une Nuit”, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

“Relatos Selvajes”, Damian Szifron “Kis Uykusu – Winter Sleep”, de Nuri Bilge Ceylan

“Timbuktu”, de Abderrahmane Sissako

Pela primeira vez na história do festival, uma diretora genuína irá presidir o júri: a neozelandesa Jane Campion, única mulher a receber a Palma de Ouro, por “O Piano“, em 1993.

Enquanto os filmes do atual Festival de Cannes não chegam ao Brasil, selecionamos 12 trabalhos premiados nas edições de 2012 e 2013, incluindo dois vencedores da Palma de Ouro: “Amor” e “Azul é a Cor Mais Quente”.

SALVO – UMA HISTÓRIA DE AMOR DE AMOR E MÁFIA

Elogiado pela crítica, o drama dos italianos Fabio Grassadonia e Antonio Piazza conquistou o GRANDE PRÊMIO DA CRÍTICA E O TROFÉU REVELAÇÃO NO FESTIVAL DE CANNES EM 2013. A trama segue os passos de Salvo, implacável assassino encarregado de matar um desafeto da máfia siciliana. Prestes a executar seu alvo, ele se depara com a irmã da vítima, uma jovem cega, e uma estranha relação se estabelece entre eles.

LAURENCE ANYWAYS

“Menino-prodígio” do cinema canadense, Xavier Dolan dirigiu seu 1º longa, “Eu Matei Minha Mãe“, aos 19 anos, e o segundo, “Amores Imaginários“, aos 20. Só mesmo ele para contar de forma exuberante a trajetória de um homem que decide mudar de sexo no drama estrelado por Melvil Poupaud e Suzanne Clément – premiada como MELHOR ATRIZ NA MOSTRA ‘UM CERTO OLHAR’ NO FESTIVAL DE CANNES DE 2012.

INSIDE LLEWYN DAVIS – BALADA DE UM HOMEM COMUM

VENCEDOR DO GRANDE PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES, o filme dos irmãos Joel e Ethan Coen concorreu ao Oscar de melhor fotografia e mixagem de som. O longa é um estudo de personagem, centrado na trajetória de um músico folk autodestrutivo que luta para sobreviver em meio à cena folk do bairro de Greenwich Village, em Nova York, no começo dos anos 1960.

AZUL É A COR MAIS QUENTE

Livremente baseado na HQ homônima, o filme tem direção de Abdellatif Kechiche (“O Segredo do Grão”) e acompanha o rito de passagem da jovem Adèle (a revelação Adèle Exarchopoulos), que logo se apaixona por Emma (Léa Seydoux, de “Adeus, Minha Rainha”). Com uma longa sequência de sexo explícito entre as protagonistas, o longa causou furor e polêmica no Festival de Cannes, de onde saiu com a PALMA DE OURO – dividida, pela primeira vez na história, entre o diretor e suas duas atrizes principais.

A PARTE DOS ANJOS

Depois do thriller político “Rota Irlandesa”, Ken Loach retorna ao território de seus dramas sociais sobre a classe trabalhadora inglesa. VENCEDOR DO PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o diretor acompanha quatro desajustados condenados a prestar serviço comunitário em Glasgow. De um panorama da falta de oportunidades, o filme ganha tom leve quando os amigos planejam roubar litros de um uísque raro.

INDOMÁVEL SONHADORA

Ovacionado no Festival de Sundance 2012, o longa passou por Cannes no mesmo ano e levou o PRÊMIO DA MOSTRA ‘UM CERTO OLHAR’, O JÚRI ECUMÊNICO E A CAMERA D’OR DE FILME ESTREANTE. Em Cannes já se falava em “Indomável Sonhadora” como possível azarão no Oscar 2013 e não deu outra: indicações nas categorias de melhor filme, direção (Benh Zeitlin), atriz e roteiro adaptado.

NO

PREMIADO NA QUINZENA DOS REALIZADORES DO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o drama político reconstitui os bastidores do plebiscito realizado no Chile em 1988 para decidir a permanência do ditador Augusto Pinochet no governo. Mais do que a política, “No” mostra a força da publicidade em uma campanha eleitoral, sendo o 3º trabalho do diretor chileno Pablo Larraín (“Tony Manero”) a investigar a ditadura de Pinochet.

AMOR

Duas lendas do cinema francês — Emmanuelle Riva (“Hiroshima Mon Amour“) e Jean-Louis Trintignant (“Z”) — vivem a comovente história de um casal que precisa lidar com a dor e a morte no dilacerante drama de Michael Haneke (“A Fita Branca”). Coestrelado por Isabelle Huppert (no papel da filha do casal), “Amor” conquistou o Oscar de melhor filme estrangeiro e a PALMA DE OURO NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012.

REALITY – A GRANDE ILUSÃO

De volta à periferia de Nápoles depois de escancarar a máfia italiana em Gomorra, o diretor-roteirista Matteo Garrone lança em “Reality” um olhar crítico ao culto às celebridades que impregna a cultura popular. VENCEDOR DO GRANDE PRÊMIO DO JÚRI NO FESTIVAL DE CANNES EM 2012, o filme mostra um peixeiro sonhador que participa de uma pré-seleção do programa Grande Fratello, a versão do Big Brother na Itália.

HOLY MOTORS

VENCEDOR DO PRÊMIO DA JUVENTUDE NO FESTIVAL DE CANNES, o longa foi a sensação do festival, sendo aclamado pela crítica como um dos melhores filmes de 2012. É o retorno do provocador cineasta francês Leos Carax, ausente da direção de longa desde “Pola X” (1999), apresentando a jornada surreal de um rico empresário (Denis Lavant, de “Tokyo!”) e suas diferentes personas por Paris.