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CONHEÇA OS VENCEDORES DO GLOBO DE OURO 2018

ACONTECEU NOITE À ONTEM, EM LOS ANGELES, A 75ª EDIÇÃO DO PRÊMIO PROMOVIDO PELA ASSOCIAÇÃO DA IMPRENSA ESTRANGEIRA EM HOLLYWOOD. A CERIMÔNIA FICOU MARCADA POR PROTESTOS CONTRA O ABUSO SEXUAL E A DESIGUALDADE DE GÊNERO.

COM SUAS PERSONAGENS FORTES (E EMPODERADAS), “TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME”, “LADY BIRD” E A MINISSÉRIE “BIG LITTLE LIES” SE DESTACARAM NA PREMIAÇÃO.

Escrito e dirigido pelo dramaturgo britânico Martin McDonagh (de “Na Mira do Chefe”), “Três Anúncios para um Crime” foi o grande vencedor deste ano, com quatro prêmios: melhor filme (drama), atriz dramática (Frances McDormand), ator coadjuvante (Sam Rockwell) e roteiro. “A Forma da Água”, nova fantasia do mexicano Guillermo del Toro (“O Labirinto do Fauno”) ficou com as estatuetas de melhor diretor e trilha sonora.

Com grande elenco e o texto mordaz de Martin McDonagh, “Três Anúncios para um Crime” – que também concorre a 4 prêmios do Sindicato dos Atores de Hollywood (SAG) – desbancou pesos pesados como “A Forma da Água”, “Me Chame pelo Seu Nome” e “Dunkirk” na categoria de melhor filme (drama).

Outro longa de forte temática feminina, “Lady Bird: É Hora de Voar”, dirigido e escrito por Greta Gerwig (atriz de “Frances Ha”), foi escolhido melhor comédia ou musical e melhor atriz (Saoirse Ronan) cômica. Já o drama distópico “The Handmaid’s Tale”, baseado no livro “O Conto da Aia” – da escritora canadense Margaret Atwood – levou os prêmios de melhor série e atriz (Elisabeth Moss) dramáticas.

Entre as produções de menor duração, “Big Little Lies” brilhou com quatro Globos de Ouro: melhor minissérie ou telefilme, atriz (Nicole Kidman), atriz coadjuvante (Laura Dern) e ator coadjuvante (Alexander Skarsgard).

A apresentadora, atriz e produtora Oprah Winfrey foi homenageada com o troféu Cecil B. DeMille, pelo conjunto da obra, e fez um discurso contundente contra a violência sexual e o racismo.

Confira abaixo a lista completa dos indicados da 75ª edição do Globo de Ouro.

Nicole Kidman na minissérie “Big Little Lies”, Saoirse Ronan e Lucas Hedges em “Lady Bird”, e Sally Hawkins e Octavia Spencer em “A Forma da Água”

CINEMA

MELHOR FILME (DRAMA)
“Três anúncios para um crime”

MELHOR FILME (COMÉDIA OU MUSICAL)
“Lady Bird: É Hora de Voar”

MELHOR DIRETOR
Guillermo del Toro – “A Forma da Água”

MELHOR ATOR (DRAMA)
Gary Oldman – “O Destino de uma Nação”

Um dos grandes camaleões do cinema, Gary Oldman finalmente recebeu o Globo de Ouro, por sua atuação como Winston Churchill no drama histórico “O Destino de uma Nação”.

MELHOR ATRIZ (DRAMA)
Frances McDormand – “Três Anúncios Para um Crime”

MELHOR ATOR (COMÉDIA OU MUSICAL)
James Franco – “Artista do Desastre”

MELHOR ATRIZ (COMÉDIA OU MUSICAL)
Saoirse Ronan – “Lady Bird: É Hora de Voar”

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sam Rockwell – “Três Anúncios para um Crime”

Atriz mais conhecida por produções da TV (“West Wing”, “Mom”), Allison Janney venceu como coadjuvante pelo papel da mãe abusiva de “Eu, Tonya”.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney – “I, Tonya”

MELHOR ROTEIRO
“Três Anúncios Para um Crime” – Martin McDonagh

MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
“Viva: A Vida é uma Festa”

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
“Em Pedaços”, de Fatih Akin

Ao lado da atriz Diane Kruger, Fatih Akin, diretor de “Em Pedaços”. Uma das surpresas da noite, o drama alemão venceu o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, superando o favorito “The Square – A Arte da Discórdia”.

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“A Forma da Água” – Alexandre Desplat

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“This Is Me”, de Justin Paul e Benj Pasek (“O Rei do Show”)

TV

MELHOR SÉRIE (DRAMA)
“The Handmaid’s Tale”

MELHOR SÉRIE (COMÉDIA OU MUSICAL)
“The Marvelous Mrs. Maisel”

MELHOR ATOR (DRAMA)
Sterling K. Brown – “This Is Us

Depois de levar o Emmy pela emocionante série dramática “This Is Us” em 2017, Sterling K. Brown repetiu o feito no Globo de Ouro, levando o prêmio de melhor ator.

MELHOR ATRIZ (DRAMA)
Elisabeth Moss – “The Handmaid’s Tale”

MELHOR ATOR (COMÉDIA OU MUSICAL)
Aziz Ansari – “Master of None”

MELHOR ATRIZ (COMÉDIA OU MUSICAL)
Rachel Brosnahan – “The Marvelous Mrs. Maisel”

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
“Big Little Lies”

Elenco de “Big Little Lies” reunido. Adaptada do best seller homônimo de Liane Moriarty, a minissérie acompanha um grupo de mulheres que se envolve em uma trama de assassinato, rivalidade e violência doméstica, em Monterey, na Califórnia. A direção é do canadense Jean-Marc Vallée, que já trabalhara com Reese Witherspoon em “Clube de Compras Dallas”.

MELHOR ATRIZ (MINISSÉRIE OU TELEFILME)
Nicole Kidman – “Big Little Lies”

MELHOR ATOR (MINISSÉRIE OU TELEFILME)
Ewan McGregor – “Fargo”

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE (SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME)
Laura Dern – “Big Little Lies”

MELHOR ATOR COADJUVANTE (SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME)
Alexander Skarsgård – “Big Little Lies”

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “SELMA”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Selma é o nome de uma pequena cidade no Alabama, que foi palco de uma grande façanha. Em 1965, já famoso e já ganhador do prêmio Nobel da Paz (1964), Martin Luther King Jr. não se contenta com as honrarias. Não só não abandona a comissão de frente da luta contra a segregação dos negros nos Estados Unidos, como também compra brigas com autoridades racistas, enfrenta policiais, angaria simpatizantes e militantes pelo país todo e organiza passeatas e manifestações pacíficas no sul, região em que o negro ainda sofre o Apartheid. Selma é a cidade onde ocorre a tal passeata, que pressiona o presidente Johnson a fazer cumprir a lei. Explico: embora os negros já tivessem direito ao voto pela constituição, as autoridades não eram obrigadas a segui-la. Alguém tinha que sair da zona de conforto.

Luther King já havia feito, em 1963, seu famoso discurso em Washington: “I have a dream…”. Seu carisma já era conhecido, assim como sua postura de não-violência nos protestos. Sua convicção na luta pelo direito dos negros e contra a guerra do Vietnã o tornam famoso para o bem a para o mau. Consegue melhorias significativas, projetos de lei que vão melhorar gradativamente a vida dos negros e integrá-los na sociedade, mas também serviu para expor sua figura, sua família a ponto de ser assassinado por um opositor branco em 1968.

Dito isso e tendo situado Luther King no tempo e na história, ressalto que Selma é interessante pelo seu momento histórico, pela dimensão das mudanças sociais nos EUA no quesito racial (até culminar na eleição de Obama) e pelo olhar da diretora. Ava DuVernay é negra e declara que fez um filme da maneira como ela vê os fatos – isso porque dizem que a história verdadeira de King e o presidente Johnson não foi bem assim. Concordo com ela, afinal não se trata de um documentário. Sabemos como essas coisas variam de acordo com o olhar e interesse de cada interlocutor. Não precisamos ir longe, basta olharmos para os feitos históricos da atualidade. Há sempre duas verdades, pelo menos: a minha e a sua. Com o que acontece em Selma não foi diferente. O que importa pouco, acho eu. Já que o filme é bem feito, traz à tona um líder humano, cheio de defeitos e problemas como todos nós. Coisa que ninguém é capaz de contestar.

E digo mais: gosto de algumas decisões da diretora, principalmente neste momento do cinema inundado de biografias. DuVernay faz um belo recorte dos personagens e, em poucas palavras, conta o destino futuro de cada um dos ativistas da causa de Luther King no final do filme, enquanto ainda estão fisicamente ao seu lado – não é só um letreiro no final do filme. É como se dissesse que King continua vivo na carreira que cada um deles conquistou graças à persistência e convicção de que todas as pessoas deveriam ser criadas com os mesmos direitos e deveres, e julgadas pelo caráter e não pela cor da pele. Embora às vezes não seja natural (quando vi Oprah Winfrey na tela, lembrei-me do clima falso de O Mordomo da Casa Branca), gosto do filme e o cinema é, de fato, instrumento para imortalização da história.

Confira o trailer de “Selma“:

DIREÇÃO: Ava DuVernay ROTEIRO: Paul Webb ELENCO: David Oyelowo, Carmen Ejogo, Tim Roth, Oprah Winfrey | 128 min (2014)

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “GINGER & ROSA”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Dois bons motivos para assistir a Ginger & Rosa: o filme conta uma comovente história sobre as desilusões da adolescência e tem uma preciosa fotografia como pano de fundo. Em meio às dúvidas sobre a Guerra Fria, às contestações próprias dos adolescentes e aos conflitos familiares, as amigas Ginger e Rosa vivem o ano de 1962 com intensidade. O que diferencia é o olhar e a luz jogada na história e nos atores. Tem algo especial.

 

Ao mesmo tempo em que as meninas contestam as armas nucleares, envolvem-se em aventuras próprias da juventude. Querem liberdade, descobrem a sexualidade, o poder da transgressão e amizade fica pra segundo plano. Numa abordagem realista, mas nem por isso sem poesia, a diretora Sally Potter dirige com sensibilidade.

E temos Elle Fanning, a mesma de Um Lugar Qualquer, Super 8, Babel, Compramos um Zoológico. Com drama e graça na medida certa, rouba a cena e conduz o drama. Contemplativo, Ginger & Rosa. Lembro de ter terminando o filme e eu ainda ter ficado com as imagens fotográficas por um tempo na cabeça. Vai para a lista de filmes sobre a adolescência, sem dúvida.

Veja o trailer:

DIREÇÃO e ROTEIRO: Sally Potter ELENCO: Elle Fanning, Alice Englert, Annette Bening, Christina Hendricks, Alessandro Nivola | 2012 (90 min)

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.