Ricardo Darín

NOVIDADES DO CINEMA ARGENTINO E DO EUROPEU NA 2001

INSEPARÁVEIS (2016)

Marcos Carnevale (“Elsa & Fred”) dirige esta refilmagem argentina do sucesso francês “Intocáveis” (2011), com Oscar Martínez (“Relatos Selvagens”) no papel de Felipe, um rico empresário que fica tetraplégico após acidente. À procura de um novo assistente terapêutico, ele contrata o jovem Tito (Rodrigo de la Serna, de “Diários de Motocicleta”), sem qualquer experiência para a função.

NEVE NEGRA

Ambientado nas colinas geladas da Patagônia, este thriller argentino conta com dois astros de “Relatos Selvagens”: Ricardo Darín e Leonardo Sbaraglia. Darín interpreta Salvador, um fazendeiro que vive afastado da civilização em uma fazenda na região. A visita inesperada de seu irmão Marcos (Sbaraglia), a fim de convencê-lo a vender as terras da família, reacende antigos ressentimentos e segredos.

FRANTZ

Mais um belo trabalho do francês François Ozon, indicado em três categorias do European Film Awards: escolha do público, atriz (Paula Beer) e roteiro. A história se passa logo após o fim da I Guerra Mundial e acompanha Anna (Beer, premiada em Veneza), uma jovem alemã que perde o noivo no front. Um dia, surge Adrien (Pierre Niney), um ex-soldado francês que afirma ter feito amizade com o morto.

A GAROTA DESCONHECIDA

Indicado à Palma de Ouro em 2016, o filme é mais um exemplo do humanismo social da dupla de cineastas belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne (“Rosetta“). Os irmãos Dardenne mostram a crise de consciência de Jenny (Adèle Haenel), jovem médica perturbada pela morte de uma imigrante africana, que na noite anterior procurou sua clínica, mas não foi atendida, pois o expediente havia encerrado.

SAINT AMOUR – NA ROTA DO VINHO

Depois do romântico “Paris Pode Esperar” (com Diane Lane), mais um road movie percorre a França. Em ritmo de comédia de erros, “Saint Amour” explora o conflito de gerações entre Jean (Gérard Depardieu) e Bruno (Benoît Poelvoorde, também diretor e roteirista), pai e filho fazendeiros que embarcam numa turnê por vinícolas no interior francês. Juntos com seu motorista, os dois passam por várias brigas e descobertas em busca de reconciliação.

MONSIEUR E MADAME ADELMAN

Com muito lirismo e humor irônico, o drama francês aborda o relacionamento de quatro décadas entre Sarah (Doria Tillier) e Victor (Nicolas Bedos, diretor e roteirista do filme). No funeral dele, Sarah é abordada por um jornalista que deseja contar a história de seu marido, um renomado escritor. A partir daí, o espectador tem acesso às diferentes fases desse longo relacionamento – e o que é melhor, pelo olhar feminino.

ROCK N’ROLL – POR TRÁS DA FAMA

Casados na vida real, Guillaume Canet e Marion Cotillard brincam com suas personas públicas nesta comédia metalinguística dirigida e escrita pelo próprio ator. Na trama, Canet, com 43 anos, é confrontado por uma repórter, que sugere que o ator está ultrapassado e não pode concorrer com os jovens de sua geração. Exibido no Festival Varilux de Cinema Francês 2017.

NA CAMA COM VICTORIA

Uma amalucada comédia francesa com Virginie Efira (indicada ao César de melhor atriz) no papel de Victoria, uma advogada metida em inúmeras confusões. A personagem está à beira de um ataque de nervos e, durante um casamento, encontra três homens que irão bagunçar sua vida: seu ex-marido, seu amigo Vincent – acusado de tentativa de homicídio – e Sam, um ex-traficante de drogas.

RODIN

Indicado à Palma de Ouro, o filme traz Vincent Lindon (“O Valor de um Homem“) no papel do escultor Auguste Rodin (1840- 1917). Em 1880, Rodin recebe a encomenda de ‘A Porta do Inferno’, obra composta de esculturas como O Beijo e O Pensador. Ele vive com Rose, sua eterna companheira, quando conhece a jovem Camille Claudel (1864-1943), que se torna sua aprendiz e amante.

CARTAS DA GUERRA

Esta produção de época foi escolhida por Portugal para representar o país na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, em 2016. Baseado nas cartas reunidas no livro de memórias “D’Este Viver Aqui Neste Papel Descripto”, de António Lobo Antunes, o longa rememora as experiências do autor como médico em Angola durante a guerra colonial, na década de 1970.

BRAD PITT, MARION COTILLARD, RICARDO DARÍN, KRISTEN STEWART E MUITO MAIS NA 2001

ALIADOS

Dirigido por Robert Zemeckis (trilogia “De Volta para o Futuro“, “Forrest Gump“), o filme é um drama romântico à moda antiga, com Brad Pitt e Marion Cotillard vivendo espiões que se conhecem durante uma missão em Casablanca, no Marrocos, durante a Segunda Guerra. Anos depois, os dois reencontram-se na Inglaterra e se casam, até que informações secretas da Inteligência Britânica põem a relação em risco. Com roteiro do britânico Steven Knight (“Senhores do Crime”) e bela produção de época, “Aliados” concorreu ao Oscar de melhor figurino.

PASSAGEIROS

Mais que uma ficção-científica, este novo filme do diretor norueguês Morten Tyldum (de “O Jogo da Imitação”) é sobretudo uma grande história de amor no espaço. Chris Pratt (“Guardiões da Galáxia“) é Jim Preston, um dos 5 mil passageiros em estado de hibernação que habitam uma nave em movimento. Devido ao mau funcionamento de sua cabine, o personagem desperta 90 anos antes do tempo programado. Jennifer Lawrence e Michael Sheen completam o elenco desta sci-fi romântica, indicada ao Oscar de melhor design de produção e trilha sonora.

A LEI DA NOITE

Com trama de escopo épico, esta é a segunda adaptação de uma obra de Dennis Lehane dirigida por Ben Affleck (“Medo da Verdade”), que também assina o roteiro e interpreta o papel principal, Joe Coughlin. Filho de um capitão de polícia (Brendan Gleeson), ele retorna a Boston após lutar na Primeira Guerra e logo entra no submundo do contrabando, tendo de enfrentar a máfia local. Ao longo de dez anos, acompanhamos sua ascensão como gângster e sua tentativa de virar um homem dentro da lei. Sienna Miller e Zoë Saldaña interpretam as grandes paixões do protagonista.

NEGAÇÃO

Coprodução da BBC Films baseada no livro “Negação: A História do Holocausto em Julgamento”, escrito por Deborah E. Lipstadt, sobre a batalha legal da autora contra o historiador David Irving, que pregava que o Holocausto não aconteceu como foi registrado na História. Esse caso real, julgado somente em 2000, é a base deste drama jurídico apoiado em grandes atores britânicos. Rachel Weisz encarna Lipstadt na sua luta para se defender do processo por difamação movido por Irving (papel de Timothy Spall), biógrafo de Hitler. Denso, o roteiro de David Hare (“As Horas”) utilizou os registros do julgamento em todos os diálogos das cenas de tribunal.

A LONGA CAMINHADA DE BILLY LYNN

Inédito nos cinemas brasileiros, o novo trabalho do diretor tailandês Ang Lee (“As Aventuras de Pi“) é um marco tecnológico: é o primeiro drama filmado em 3D com resolução digital 4K e versão original de 120 quadros por segundo — um feito que supera os 48 quadros por segundo de “O Hobbit – Uma Jornada Inesperada”, em 2012. Esse formato ambicioso confere mais realismo à jornada do personagem-título, um jovem soldado de 19 anos que sobrevive a um tiroteio no Iraque em 2005, e logo depois é homenageado nos EUA. Baseado no romance homônimo de Ben Fountain, o longa conta com Kristen Stewart, Joe Alwyn, Garrett Hedlund e Vin Diesel no elenco.

CERTAS MULHERES

Aclamada produção indie nomeada ao Film Independent Spirit Awards de melhor direção (Kelly Reichardt) e atriz coadjuvante (Lily Gladstone) em 2017. Um trabalho impregnado de sutileza e subtexto, sobre a vida de diferentes mulheres — interpretadas por Gladstone, Laura Dern, Michelle Williams e Kristen Stewart — em uma cidadezinha do estado de Montana. A partir de pequenas situações do cotidiano e dilemas pessoais, o filme traça diferentes perfis de mulheres em busca de afirmação pessoal e seus desejos, em meio à vastidão (e solitude) do interior dos EUA.

AMOR & AMIZADE

Adaptação do romance de Jane Austen “Lady Susan” assinada pelo diretor e roteirista americano Whit Stillman, o filme é uma farsa sofisticada, com diálogos repletos de fina ironia e grandes atuações, especialmente de Kate Beckinsale, no papel da manipuladora Lady Susan Vernon, e Tom Bennett, como o muito rico e inconveniente Sir James Martin. Século XVIII. Viúva há poucos meses, Lady Susan busca refúgio na fazenda dos antigos cunhados. Lá, reflete sobre a vida e decide arranjar um novo marido para si e um bom pretendente para a filha.

A NOITE DA REALEZA

Dirigido por Julian Jarrold, responsável por alguns episódios da série “The Crown”, esta produção inédita no Brasil gira em torno de um episódio vivido pela futura rainha da Inglaterra, Elizabeth II (papel de Sarah Gadon), em 8 de maio de 1945. Nesse dia, um grande número de pessoas se reuniu em torno do Palácio de Buckingham para comemorar o dia da Vitória contra a Alemanha nazista durante a Segunda Grande Guerra. A Princesa Margaret e Elizabeth II tiveram a permissão de deixar o palácio durante a noite, passando a se misturar anonimamente ao povo.

NERUDA

Apesar do título, o filme não é uma cinebiografia tradicional de Pablo Neruda (1904-1973), mas um recorte de período-chave de sua vida – assim como o cineasta Pablo Larraín fizera em “Jackie” (com Natalie Portman). Ambientada em 1948 no Chile, a trama acompanha um inspetor de polícia (Gael García Bernal) que persegue o poeta ganhador do Prêmio Nobel, agora um fugitivo em seu país por ter se associado ao Partido Comunista. “Neruda” concorreu ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, representando o Chile.

VERSÕES DE UM CRIME

Escrito por Nicholas Kazan, roteirista indicado ao Oscar por “O Reverso da Fortuna” em 1991, este drama de tribunal traz Keanu Reeves na pele de Ramsey, advogado encarregado de defender um adolescente acusado de matar o próprio pai. Diferentes pontos de vista sobre o que aconteceu – inclusive com a mãe do garoto (Renée Zellweger) ocultando informações essenciais -, embaralham cada vez mais o caso – e a defesa montada por Ramsey. Segundo longa-metragem da diretora Courtney Hunt, revelada em 2008 com “Rio Congelado“.

KÓBLIC

Um dos atores mais queridos pelo público da 2001, Ricardo Darín está de volta neste thriller de fundo político ambientado durante a ditadura argentina, nos anos 1970. Ele interpreta um ex-capitão das Forças Armadas, responsável por coordenar as operações aéreas conhecidas como “voos da morte”, nas quais indivíduos considerados subversivos eram arremessados de dentro dos aviões diretamente ao mar. Direção de Sebastián Borensztein (de “Um Conto Chinês).

UNA

Nesta versão da premiada peça “Blackbird” de David Harrower, Rooney Mara (“Carol“) surpreende no papel de Una, uma mulher misteriosa que confronta o homem com quem viveu uma relação proibida na adolescência. Quinze anos depois, ela vai atrás de Ray (Ben Mendelsohn, de “Rogue One – Uma História Star Wars“) em busca de respostas, ao mesmo tempo em que guarda sentimentos ambivalentes por ele. Um enredo polêmico, com ecos da obra “Lolita” de Vladimir Nabokov.

O ASSASSINO DE MOJAVE

Inédito nos cinemas brasileiros, o filme é o segundo trabalho na direção de William Monahan, roteirista premiado com o Oscar por “Os Infiltrados” (2006). Com críticas ácidas a Los Angeles e a indústria do cinema, Monahan investe no suspense psicológico, a partir da jornada de Thomas (Garrett Hedlund), cineasta em crise que decide viajar até o deserto do Mojave. Lá, conhece Jack (Oscar Isaac), andarilho de tendências suicidas que irá persegui-lo e chantageá-lo.

A ÚLTIMA RESSACA DO ANO

A típica festa de fim de ano da firma é satirizada nesta comédia besteirol protagonizada por Jennifer Aniston, Jason Bateman e Kate McKinnon (“Caça-Fantasmas“). Aniston interpreta a impiedosa CEO de uma empresa de tecnologia que planeja cancelar a festa de Natal e demitir boa parte dos funcionários, mas seu irmão – que também preside a companhia – fará de tudo para mudar seus planos.

INDICADO AO OSCAR 2015, “RELATOS SELVAGENS” MOSTRA PERSONAGENS NO LIMITE

Comédia inteligente, e ainda com crítica social, o longa é mais um sucesso argentino estrelado por Ricardo Darín e acaba de sair para locação e venda em DVD e Blu-ray na 2001

Comédia inteligente, com crítica social e muito humor negro, o longa é mais um sucesso argentino estrelado por Ricardo Darín e acaba de sair para locação e venda em DVD e Blu-ray na 2001

LONGA DE ABERTURA DA 38ª MOSTRA DE CINEMA DE SÃO PAULO, NO ANO PASSADO, “RELATOS SELVAGENS” SE TORNOU UM DOS MAIORES SUCESSOS ARGENTINOS DESDE “O SEGREDO DOS SEUS OLHOS”, TAMBÉM ESTRELADO PELO ASTRO RICARDO DARÍN. ASSISTA (OU REVEJA), AGORA EM DVD OU BLU-RAY NA 2001, ESTA BRILHANTE COMÉDIA DE HUMOR NEGRO INDICADA AO OSCAR 2015 DE MELHOR FILME ESTRANGEIRO.

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Escrito e dirigido por Damián Szifrón, um dos roteiristas da série de TV “Os Simuladores”, o filme é narrado em episódios: seis histórias que têm em comum personagens fora de controle, compelidos a fazer justiça com as próprias mãos como forma de vingança.

No prólogo, antigos conhecidos se reencontram inesperadamente num avião. No segundo segmento, uma garçonete tem a chance de se vingar do homem que arruinou sua família. Em seguida, na estrada, conflito de classes e violência sem sentido irrompem numa briga de trânsito. No quarto episódio, um engenheiro (Ricardo Darín), indignado com uma multa indevida, explode contra a burocracia do estado. Depois, um milionário tenta livrar o filho da cadeia subornando a todos e, por último, a apoteose de uma festa de casamento que termina de maneira desconcertante, após uma noiva (Erica Rivas, que rouba a cena) descobrir a traição do marido.

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“A Paciência tem limite”. Alugue “Relatos Selvagens” e outros sucessos com o astro Ricardo Darín na 2001

Ao final de suas jornadas tragicômicas, os protagonistas irão perder o controle de maneira inesperada e radical. Cada um ultrapassa uma linha tênue que separa a civilização da barbárie. Com muito humor negro, situações bizarras e fina observação do comportamento humano, “Relatos Selvagens” nos faz refletir, expondo algumas das contradições do homem contemporâneo em um mundo de caos, desumanização e intolerância.

Há tempos o espectador não ria com tanto prazer, e ao mesmo tempo um nó na garganta, ao ver seus piores instintos refletidos na tela.

CURIOSIDADES:

* Filmado em locações em Buenos Aires, Salta e Jujuy, “Relatos Selvagens” foi coproduzido por Pedro Almodóvar e seu irmão, Agustín.

O talentoso Damián Szifrón dirige Darín em cena do filme

O talentoso Damián Szifrón dirige Darín em cena do filme

* Diretor-roteirista do filme, Damián Szifrón já foi importado por Hollywood. Ele foi contratado para escrever o roteiro de “O Homem de Seis Bilhões de Dólares”, que terá Mark Wahlberg no papel principal e direção de Peter Berg.

* Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, “Relatos” levou mais de 3 milhões de espectadores aos cinemas argentinos, batendo o recorde anterior de “O Segredo dos Seus Olhos”.

* Indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes e ao Oscar, o longa levou 10 prêmios da Academia de Cinema da Argentina, incluindo melhor filme, direção, roteiro original e atriz (Erica Rivas).

Premiada, Erica Rivas rouba a cena no papel da noiva

Premiada, Erica Rivas rouba a cena no papel da noiva

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “A SORTE EM SUAS MÃOS”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

A Sorte em Suas Mãos abriu o 17º Festival de Cinema Judaico de São Paulo do ano passado. Gostei da escolha por três simples motivos. Primeiro porque é um filme leve e casual e colocá-lo na abertura de um festival aproxima o público e desmistifica o fator “complexidade” das mostras de cinema. Segundo porque o diretor mantém o humor sutil, inteligente e muito particular da relações humanas, presente também em Dois Irmãos e  Ninho Vazio embora esses sejam mais reflexivos, para não falar de Memória de Quem Fica – J18, sobre o atentado à sede da Associação Mutual Israelita Argentina em 1994, que tem outro tom. E terceiro porque é de Daniel Burman, um cineasta sensível às questões que falam das relações da família, dos casais e do povo israelense. E fala bem, merece ser visto.

Confira a filmografia de Daniel Burman na 2001

Confira a filmografia de Daniel Burman na 2001

Bastam esses motivos para você ir ao cinema bem acompanhado. Não que o filme seja algo espetacular, não é isso. Mas cumpre seu papel que é divertir e fazer o espectador se identificar com os personagens de Gloria (Valeria Bertuccelli, também em Viúvas) e Uriel (Jorge Drexler, craque em trilha sonora, em seu primeiro trabalho como ator). E a gente se identifica mesmo, até porque os atores têm uma liga muito boa. Gloria não consegue manter um relacionamento estável, não se encanta com seus namorados e acaba de dispensar mais um. Sempre que isso acontece, lembra de uma antigo namorado, um tal de Uriel, de quem não sabe o paradeiro. Uriel, por sua vez, é divorciado, tem dois filhos, adora jogar poker e leva uma vida morna, sem brilho. Até que se reencontram e os planos de não-comprometimento vão por água abaixo.

Gostoso de ver – e isso é o que muitas vezes está em primeiro plano quando escolhemos o que assistir no cinema. E ainda tem a atriz Norma Aleandro no papel da mãe de Gloria (é ela quem faz a noiva de O Filho da Noiva, com Ricardo Darín), que tem tiradas ótimas. Essencialmente, Burman costura bem o enredo e dá graça às dificuldades do casamento e do relacionamento entre mãe e filha. Adoro cinema argentino!

Veja o trailer:

DIREÇÃO e ROTEIRO: Daniel Burman  ELENCO: Jorge Drexler, Valeria Bertuccelli, Norma Aleandro, Luis Brandoni, Gabriel Schultz, Paloma Alvarez Maldonado e Lucciano Pizzichini | 2012 (110 min)

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “TESE SOBRE UM HOMICÍDIO”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Tese Sobre Um Homicídio tem no elenco aquele argentino que praticamente garante o programa. Depois de conferir o filme, tive certeza de que você não corre o risco de errar. Pelo contrário, vai ficar até o final pra saber se o personagem de Ricardo Darín tem ou não razão.

Chamariz natural em se tratando de cinema argentino, o ator Ricardo Darín (também em Elefante Branco, Um Conto Chinês, Abutres, O Filho da Noiva) é, como sempre, o centro. Mas, desta vez, divide a atenção com o perspicaz e audacioso olhar do ator Alberto Ammann. A ideia é muito boa e esse jogo de poder entre os atores, proposital. É disso que o filme trata: dois advogados, duas verdades, a mesma habilidade: boa lábia. E é aqui que o filme pega você de jeito e vai deixá-lo bem atento até o final.

Além do eletrizante embate entre os personagens de Alberto Ammann e Ricardo Darín, o filme adiciona ambiguidade à trama, à medida que o professor Roberto Bermúdez mergulha na própria obsessão e pode (ou não) ter seu julgamento afetado.

Além do eletrizante embate entre professor e aluno, a trama ganha ambiguidade à medida que o personagem de Ricardo Darín mergulha na própria obsessão e pode – ou não – ter seu julgamento afetado

De novo um advogado como em o ótimo O Segredo dos seus Olhos (Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010), Darín é Roberto Bermúdez, um charmoso e convincente professor de direito criminal, que adora trabalhar os casos de assassinatos reais em suas aulas. Até que uma moça é brutalmente assassinada enquanto ministra um dos seus cursos. Experiente, começa a desconfiar da atitude suspeita e arrogante de um de seus alunos – aquele com olhar audacioso,Gonzalo Ruiz Cordera, aquele com outra verdade.

Nesse jogo de verdades e mentiras entre eles, quem vai causar o desequilíbrio é Laura (Calu Rivero), irmã da vítima. Além, claro, de aguçar a curiosidade pelo desfecho, o roteiro é hábil e constrói o suspense. Não só sobre o assassinato, mas sobre o jogo de poder entre as duas forças masculinas, entre a força da sedução, entre as duas lógicas do raciocínio, entre a junção dos detalhes, entre a sempre possível construção de uma verdade diferente. Da sua verdade inquestionável. Seja ela real ou não.

 

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

DICAS PARA O FIM DE CINEMA: CINEMA EUROPEU

Confira a seguir as dicas da equipe 2001 Vídeo:

O Estranho Caso do Inspetor Max
(Max et les Ferrailleurs, FRA, 1971, Cor, 112′)
Direção: Claude Sautet
Elenco: Michel Piccoli, Romy Schneider, Georges Wilson, Bernard Fresson

18Max (o grande Michel Piccoli, de A Bela da Tarde e Habemus Papam) é obcecado em colocar criminosos de grande porte atrás das grades. Após fracassar ao tentar prender uma famosa quadrilha em Paris, um encontro casual com um velho amigo o lança num novo plano.

Assim como Jean Pierre-Melville em seus policiais-noir, Sautet apresenta em “O Estranho Caso…” um protagonista frio que sacrifica tudo – e até os outros – para atingir seu objetivo. Max manipula um antigo colega, agora envolvido no crime, e a namorada dele, interpretada pela bela Romy, formando um tênue triângulo amoroso.

O estranho caso de Claude, Romy e Philippe no cinema francês

Com a chegada deste clássico de 1971 em DVD, resolvi escrever sobre um belíssimo relacionamento profissional. Um ano antes, As Coisas da Vida tornou o diretor Claude Sautet (1924-2000) mundialmente conhecido e consolidou Romy Schneider (1938-1982) – que vinha colhendo os louros do estrondoso sucesso de A Piscina – como uma das mais queridas e talentosas atrizes da Europa.

A estrela Romy Schneider mostra sua beleza enigmática em Max, no papel de uma prostituta usada pelo -personagem de Michel Piccoli

A estrela Romy Schneider mostra sua beleza enigmática em “O Estranho Caso do Inspetor Max”, no papel de uma prostituta usada pelo personagem de Michel Piccoli

A parceria se repetiria em O Estranho Caso do Inspetor Max (1971), Cesar e Rosálie (1972), Mado – Um Amor Impossível (1976) e culminaria no derradeiro Uma História Simples (1978), indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro e vencedor do César (o Oscar francês) de melhor atriz para Romy. Além da atriz, Sautet encontrou outro fiel colaborador no compositor Philippe Sarde, que assinou 11 de seus filmes. Uma boa amostra desse trabalho encontra-se no precioso CD Le Cinéma de Claude Sautet – Musiques de Philippe Sarde, coletânea lançada em 2000 pela Universal.

 
Sugestão de Marcelo Rodrigo
Consultor de filmes da 2001 Vídeo Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Um Verão Escaldante
(Un Éte Brûlant, FRA/ITA/SUI, 2011, Cor, 95′)
Direção: Philippe Garrel
Elenco: Monica Bellucci, Louis Garrel, Céline Sallette

000000O romantismo trágico e o vazio existencial dos personagens do cineasta e roteirista Philippe Garrel estão de volta em mais uma parceria com seu filho Louis. O ator trabalha pela quarta vez sob a direção do pai, interpretando um de seus alter egos, desta vez um jovem pintor sufocado pela projeção da esposa, uma famosa atriz italiana interpretada pela musa Monica Bellucci. Para retratar esse casal em crise, a trama combina fatos da vida pessoal do diretor (que viveu anos com a ex-cantora do Velvet Underground, Nico) e a persona de seus atores para compor um retrato do tédio e das complicações advindos da fama.

Antes de atuar em Um Verão Escaldante, Louis Garrel trabalhou como ator em três filmes do pai, Philippe: Les Baisers de Secours (1989), Amantes Constantes (2005) e A Fronteira da Alvorada (2008).

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O Porto*
(Le Havre, FIN/FRA/ALE, 2011, Cor, 93′)
Direção: Aki Kaurismäki
Elenco: André Wilms, Kati Outinen, Jean-Pierre Darroussin

000Marcel Marx é um escritor aposentado que sobrevive trabalhando como engraxate na cidade portuária de Le Havre, na França. Ao cruzar inesperadamente com um jovem imigrante africano, decide ajudá-lo a seguir seu destino original, Londres, na Inglaterra.

Irmão mais velho do também cineasta Mika Kaurismäki (O Ciúme Mora ao Lado), o finlandês Aki Kaurismäki (O Homem Sem Passado) dirige, em tom de fábula, mais um filme sobre a incompreensão e os mal entendidos que tornam a vida em sociedade tão difícil.

Em O Porto, uma das problemáticas contemporâneas – a imigração ilegal – surge na forma de um garoto africano perdido em Le Havre. Sob o clima de segregação e caça aos imigrantes presentes na França, só um humilde senhor, passando por dificuldades financeiras, aparece para ajudá-lo. Com perseverança comovente, ele vem se juntar à galeria de personagens marginalizados de Aki, um diretor de estilo minimalista que sabe revelar, com muito pouco, um bocado sobre a condição humana.

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* Grande Prêmio da Crítica (FIPRESCI) e Menção Especial (Júri Ecumênico) no Festival de Cannes

DO MESMO DIRETOR:
Cada um com Seu Cinema (2007)
O Homem Sem Passado (2002)
A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos (1990)

A Primeira Coisa Bela
(La Prima Cosa Bella, ITA, 2010, Cor, 122′)
Direção: Paolo Virzi
Elenco: Valerio Mastandrea, Micaela Ramazzotti, Stefania Sandrelli

bela coisaEm 1971, o pequeno Bruno vê sua mãe ser apelidada de “Miss Mamma” em um concurso de beleza na cidade de Livorno (Itália). A exposição de Anna sempre o incomodou e os dois se afastaram, até que o grave estado de saúde dela os reaproxima nos dias de hoje.

Essa é a trama de A Primeira Coisa Bela, uma sentimental viagem pelas memórias de um homem amargurado com a vida. Em flashbacks dos anos 1970, ele relembra a trajetória de luta e desenganos de sua mãe, uma sonhadora incurável em busca de uma oportunidade no cinema.

Com cenas de alto teor emocional, a produção – exibida na Mostra Internacional de São Paulo em 2010 – resgata a tradição do melodrama italiano ao escalar Stefania Sandrelli (Divórcio à Italiana, Seduzida e Abandonada) no papel da voluntariosa protagonista na velhice. Alto astral, carinhosa e divertida, a típica “mama” não entende o distanciamento do filho. Mas até os fãs de Sandrelli vão compreender, ao final desse afetuoso drama familiar.

Em tempo: O longa foi escolhido pela Itália para concorrer a uma das vagas de melhor filme estrangeiro no Oscar em 2011.

A Dançarina e o Ladrão
(El Baile de la Victoria, ESP, 2009, Cor, 128′)
Direção: Fernando Trueba
Elenco: Ricardo Darín, Abel Ayala, Miranda Bodenhofer

0Com o fim da ditadura de Augusto Pinochet no Chile, é declarada anistia geral e dois presos são soltos: o jovem Ángel Santiago e o veterano ladrão de bancos Nicolás Vergara Grey. O primeiro pensa em dar um grande golpe, enquanto o segundo quer apenas rever a família.

Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro por Sedução (1992), o espanhol Fernando Trueba abraça o drama político, o policial e o melodrama em A Dançarina e o Ladrão. Ambientado no Chile pós-ditadura de Pinochet, o filme se apóia no carisma de Ricardo Darín, que compõe um ex-ladrão tentando se regenerar e recomeçar após deixar a prisão. Paralelamente, a trama segue dois jovens apaixonados e sem rumo na vida. Os destinos dos três vão se cruzar, unidos por uma série de coincidências.

A Dançarina e o Ladrão foi o representante da Espanha na disputa pelas indicações a filme estrangeiro no Oscar 2010, mas não ficou entre os cinco finalistas.

A Criança da Meia-Noite
(La Permission de Minuit, FRA, 2011, Cor, 110′)
Direção: Delphine Gleize
Elenco: Vincent Lindon, Emmanuelle Devos, Quentin Challal

4Renomado dermatologista, David trata há anos do jovem Romain, de 13 anos, portador de rara doença genética caracterizada pela sensibilidade excessiva da pele à luz solar.

A delicada relação entre médico e paciente é esmiuçada com sensibilidade neste drama francês que trata de rara (e pouco conhecida) doença: a Xeroderma Pigmentosum, que proíbe seus portadores de se expor aos raios ultra-violeta do Soll. Essa anomalia genética dificulta ainda mais a transição de Romain para a adolescência em A Criança da Meia-Noite, tornando difícil o convívio social do garoto, com quem o médico vivido pelo ótimo Vincent Lindon (Bem-Vindo) desenvolve uma terna amizade.

Headhunters
(Hodejegerne, NOR/ALE, 2011, Cor, 100′)
Direção: Morten Tyldum
Elenco: Aksel Hennie, Nikolaj Coster-Waldau

0000Para Roger, um profissional disputado no mercado não deve enviar currículo, apenas ser indicado por alguém e, em seguida, recusar a oferta que receber. Esse jogo de aparências permeia a vida do protagonista de Headhunters, um caçador de talentos norueguês que também participa de elaborados roubos de arte para manter seu alto padrão de vida – e a cobiçada esposa..

Debaixo da fachada do profissional de RH bem sucedido, emerge um homem frio, egocêntrico e inseguro que se transforma em ladrão de arte para complementar sua renda. Por cobiça e ciúme da bela esposa, ele planeja roubar o quadro raro de um dos candidatos que entrevista. Contudo, em mais um suspense gelado dos produtores da trilogia sueca Millennium, uma violenta disputa pelo poder tem início, com reviravoltas que colocam Roger na mira de um adversário (e vilão) à altura.

RANKING 2001: TOP 10 DE ABRIL

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10. TUDO O QUE DESEJAMOS

1

Lançado de forma discreta no ano passado, o novo trabalho do diretor Philippe Lioret (“Bem Vindo”) repete a parceria com o ator Vincent Lindon em mais uma cruzada humanista, denunciando os juros extorsivos cobrados por empresas e instituições financeiras. Indicado ao César de melhor atriz (Marie Gillain).

9. ELEFANTE BRANCO 

2

Um dos maiores cineastas da Argentina, Pablo Trapero (“Leonera”, “Abutres”) volta a examinar as mazelas de seu país, com o astro Ricardo Darín e Jérémie Renier (de “O Garoto da Bicicleta”) vivendo padres imersos na dura realidade de uma favela no centro de Buenos Aires. A miséria e o crime entre a comunidade colocam em cheque a presença dos dois.

8. NO

3,1

Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o drama político reconstitui os bastidores do plebiscito realizado no Chile em 1988, que decidiu a saída do ditador Augusto Pinochet do governo. Mais do que a política, “No” mostra a força da publicidade em uma campanha eleitoral, tornando-se desde já uma obra de referência em marketing político. Com Gael García Bernal.

7. O HOBBIT – UMA JORNADA INESPERADA

3

A saga dos elfos, orcs e anões da fictícia Terra Média de “O Senhor dos Anéis” tem início muito antes, no romance “O Hobbitt”, de J.R.R. Tolkien. A trama do livro antecede a trilogia, contando as aventuras de Bilbo Bolseiro, incluindo seu primeiro encontro com Gollum. Indicado ao Oscar 2013 de melhor maquiagem, direção de arte e efeitos visuais.

6. ENTRE O AMOR E A PAIXÃO

7

Escrito e dirigido por Sarah Polley, o filme apresenta mais um sensível desempenho de Michelle Williams (indicada ao Oscar por “Sete Dias com Marilyn“), no papel de uma mulher dividida entre o marido que ama e o vizinho, que deseja. Depois de “Longe Dela”, Sarah explora o vazio da existência feminina em momentos de grande lirismo.

5. E SE VIVÊSSEMOS TODOS JUNTOS? 

8

Incrível sucesso nos cinemas brasileiros, o filme poderia chamar “A arte de envelhecer ao lado de quem amamos”, pois é disso que se trata essa divertida e sensível crônica sobre como passar o resto de nossas vidas. No elenco, Jane Fonda (de “Julia”, em breve em DVD na 2001) brilha no grupo de cinco amigos que se reúne para morar juntos.

4. A NEGOCIAÇÃO

9

O eterno galã Richard Gere recebeu muito elogios – e uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator dramático – pelo papel de um altivo e implacável empresário do mercado financeiro. Imagem do sucesso e ao mesmo tempo à beira do abismo, seu personagem fará de tudo para fechar a venda de sua empresa para um grande banco.

3. ARGO

14

O longa dirigido, estrelado e coproduzido por Ben Affleck mescla história verídica, bastidores da indústria do cinema e suspense para narrar o mirabolante plano da CIA para resgatar seis norte-americanos escondidos no Irã, em 1980. Vencedor do Oscar de melhor filme, roteiro adaptado e montagem, além do Globo de Ouro de melhor direção.

2. AS AVENTURAS DE PI

12

Adaptado do romance homônimo de Yann Martel, por sua vez inspirado no romance “Max e os Felinos” do brasileiro Moacyr Scliar, o filme é um triunfo técnico com imagens deslumbrantes. 4 prêmios Oscar, incluindo a surpreendente estatueta de melhor direção para Ang Lee (“O Tigre e o Dragão”), derrotando o favorito Steven Spielberg (“Lincoln“).

1. AMOR

13

Duas lendas do cinema francês — Emmanuelle Riva (“Hiroshima Mon Amour“, relançado em DVD no Brasil) e Jean-Louis Trintignant (“Z”) — vivem a comovente história de um casal que precisa lidar com a dor e a morte no dilacerante drama de Michael Haneke (“A Fita Branca”). Oscar de melhor filme estrangeiro e Palma de Ouro em Cannes, entre outros prêmios.

OPINIÃO: “ELEFANTE BRANCO”, COM RICARDO DARÍN

Exibido na mostra "Um Certo Olhar" no Festival de Cannes do ano passado, "Elefante Branco" é mais um forte drama de Pablo Trapero ("Leonera", Abutres") a investigar as mazelas da sociedade argentina. Fãs do diretor e do ator Ricardo darín não podem perder o filme, já disponível para locação em DVD e Blu-ray nas lojas da 2001

Exibido na mostra “Um Certo Olhar” no Festival de Cannes do ano passado, “Elefante Branco” é mais um contundente trabalho de Pablo Trapero (“Leonera”, Abutres”) a investigar as mazelas da sociedade argentina. Fãs do diretor e do ator Ricardo Darín não podem perder o filme, já disponível para locação em DVD e Blu-ray nas lojas da 2001

RICARDO DARÍN EM UM INUSITADO FILME DE FAVELA ARGENTINO

Elefante Branco, filme mais recente do diretor Pablo Trapero (Abutres, Família Rodante), é mais um notável exemplo da produção cinematográfica argentina atual que traz Ricardo Darín como protagonista. Aqui, o famoso ator argentino vive o padre Julián, um jesuíta que dedica sua vida e sua paróquia aos moradores da favela conhecida como Villa Vírgen, localizada no centro de Buenos Aires.

Darín aparece sóbrio e contido como o veterano que escolhe o voluntarioso padre francês Nicolás (Jérémie Renier, de O Garoto da Bicicleta) para ser seu sucessor. Martina Gusmán (que trabalhou com o diretor também em Abutres e Leonera) completa o trio de protagonistas como a assistente social cuja vida é integralmente voltada para os moradores da Villa, e que acaba por se envolver amorosamente com Nicolás.

Mais conhecido por seus trabalhos sob a direção dos irmãos Dardenne ("A criança", "O Garoto da Bicicleta"), o belga Jérémie Renier contracena a argentina Martina Gusman, esposa de Trapero

Mais conhecido por suas atuações sob a direção dos irmãos Dardenne (“A Criança”, “O Garoto da Bicicleta”), o belga Jérémie Renier contracena com a argentina Martina Gusman, esposa de Trapero

O título do filme faz referência a uma enorme construção dos anos 1920 na área da Villa, hoje abandonada e transformada em uma ocupação habitacional irregular, mas também aos enormes conflitos pessoais e sociais que o padre Julián e seus poucos aliados vivem e destrincham ao longo da narrativa, em meio à violência e miséria que permeia a realidade em que estão inseridos.

É interessante pensar em Elefante Branco a partir dos chamados “favela movies” brasileiros, uma vez que o diretor Pablo Trapero parte de uma proposta semelhante: retratar, tendo histórias e dramas individuais como fio condutor, a realidade das favelas para chegar a um registro muito original e sutil.

Trapero no set, orientando o elenco

Trapero no set, orientando o elenco. Na filmografia do cineasta, é flagrante o tema da corrupção, não só aquela que emerge nas instituições, mas também a que corrompe, de diferentes maneiras, um indivíduo

Enquanto os brasileiros Tropa de Elite 1 e 2, por exemplo, buscam dar conta das relações de poder no tráfico de drogas no Rio de Janeiro através da trajetória de um herói inspirado em personagens de filmes de ação hollywoodianos, Elefante Branco também não se furta a mostrar a miséria ou o tráfico e uso de drogas escancarados na tela e na vida dos personagens, mas o faz em planos longos e crus, de um realismo incômodo, e quase sempre recusando qualquer tipo de clímax ou glamourização.

O recurso do anticlímax funciona também para manter uma tensão constante, e passar ao espectador a sensação de “beco sem saída”. Mesmo momentos de ternura ou humor não oferecem alívio ou plenitude aos personagens: são sempre rápidos, delicados, incompletos, e se perdem em meio aos conflitos que eles enfrentam com o mundo — a violência no tráfico, a Igreja ausente, o Estado opressor — ou consigo mesmos; o medo da morte, a frustração e o questionamento da vocação religiosa.

Elefante Branco é um daqueles filmes que entalam na garganta, mas do qual não queremos sair, não apenas porque trata de uma realidade com a qual qualquer cidadão de uma metrópole do terceiro mundo entrará em contato ao longo da vida, mas porque seus personagens estão muito vivos: o grande feito de Pablo Trapero é, justamente, ter feito um filme sobre pessoas e, ainda assim, deixar vir à tona o que há de profundamente político e comovente na vida cada uma delas.

 

Cliente da 2001, BEATRIZ MACRUZ é formada em jornalismo pela PUC-SP e cinéfila.

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “NOVE RAINHAS”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Saiu finalmente em DVD o ótimo Nove Rainhas, filme que ajudou a criar a (ótima) reputação do cinema argentino no Brasil, além de consolidar como astro o ator Ricardo Darín

Aproveitando que Ricardo Darín está novamente nos cinemas com Elefante Branco, o lançamento de Nove Rainhas em DVD cai como uma luva. Este é o filme que colocou Darín no radar dos grandes atores argentinos, que deu conta de solidificar sua presença e importância com O Filho da Noiva, O Segredo dos seus Olhos, Abutres, Um Conto Chinês – que são os que gosto mais. Os 110 primeiros minutos de Nove Rainhas são agradáveis, divertidos, bem roteirizados, criativos e tudo mais. Mas são os quatro minutos finais que fazem o filme.

Gastón Pauls e Ricardo Darín em cena: aprendiz e mentor na arte da trapaça

Claro que não entrarei nessa seara, mesmo porque adorei não ter nem ideia do que poderia acontecer. Aliás, eu tinha, já que as trapaças dos dois farsantes só poderia ter dois fins: ou se dariam muito bem, ou muito mal. Acontece que Marcos e Juan, dois vigaristas de marca maior, têm destino inusitado ao tentar vender a um colecionador de selos uma falsificação do Nove Rainhas, um exemplar raro que valia uma fortuna. Rodado em Buenos Aires, Nove Rainhas tem um desfecho inesperado, muito bem pensado e arquitetado pelo diretor e roteirista Fabián Bielinsky. Sim, uma obra de arquitetura, complexa e delicada, assim como eram as manobras da dupla para passar a perna em quem aparecesse pela frente.

 

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “NOVE RAINHAS”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

Saiu finalmente em DVD o ótimo Nove Rainhas, filme que ajudou a criar a (ótima) reputação do cinema argentino no Brasil, além de consolidar como astro o ator Ricardo Darín

Aproveitando que Ricardo Darín está novamente nos cinemas com Elefante Branco, o lançamento de Nove Rainhas em DVD cai como uma luva. Este é o filme que colocou Darín no radar dos grandes atores argentinos, que deu conta de solidificar sua presença e importância com O Filho da Noiva, O Segredo dos seus Olhos, Abutres, Um Conto Chinês – que são os que gosto mais. Os 110 primeiros minutos de Nove Rainhas são agradáveis, divertidos, bem roteirizados, criativos e tudo mais. Mas são os quatro minutos finais que fazem o filme.

Gastón Pauls e Ricardo Darín em cena: aprendiz e mentor na arte da trapaça

Claro que não entrarei nessa seara, mesmo porque adorei não ter nem ideia do que poderia acontecer. Aliás, eu tinha, já que as trapaças dos dois farsantes só poderia ter dois fins: ou se dariam muito bem, ou muito mal. Acontece que Marcos e Juan, dois vigaristas de marca maior, têm destino inusitado ao tentar vender a um colecionador de selos uma falsificação do Nove Rainhas, um exemplar raro que valia uma fortuna. Rodado em Buenos Aires, Nove Rainhas tem um desfecho inesperado, muito bem pensado e arquitetado pelo diretor e roteirista Fabián Bielinsky. Sim, uma obra de arquitetura, complexa e delicada, assim como eram as manobras da dupla para passar a perna em quem aparecesse pela frente.

 

Cliente da 2001, Suzana Vidigal é jornalista e editora do Cine Garimpo, blog com dicas de cinema e DVD para você escolher de acordo com seu estado de espírito.