Robert Altman

FESTIVAL DE CLÁSSICOS E CULTS NA 2001 – PARTE 2

O DESAFIO DAS ÁGUIAS

Escrito por Alistair MacLean, autor do livro que deu origem a “Os Canhões de Navarone”, o filme é um dos maiores sucessos de Richard Burton e Clint Eastwood nos anos 1960. Os dois são agentes da resistência enviados numa missão suicida nos Alpes, a fim de resgatar um general americano capturado pelos nazistas.

ESCALADO PARA MORRER

Quarto longa da carreira de Clint Eastwood como diretor, este thriller de ação lançado em 1975 conta com belas cenas de alpinismo e performance dos dublês. Na trama de espionagem, Clint é um professor obrigado a fazer um último trabalho para obscuro órgão do governo. Sua missão: eliminar um alpinista que tentará escalar o Monte Eiger, na Suiça.

SELVAGENS CÃES DE GUERRA

Aventura de guerra dirigida por Andrew V. McLaglen (de “O Preço de um Covarde“), com grande elenco de atores britânicos: Richard Burton, Roger Moore, Richard Harris e Stewart Granger. Sucesso nos cinemas, o filme segue um grupo de mercenários contratado para resgatar um presidente deposto da África oriental.

TERRÍVEL COMO O INFERNO

Ator e soldado mais condecorado durante a II Guerra Mundial, Audie Murphy revive suas próprias experiências no conflito neste clássico de guerra baseado em sua autobiografia. O filme acompanha desde sua juventude no Texas até os difíceis anos no front durante a Segunda Guerra Mundial.

NEVADA SMITH

Neste faroeste de Henry Hathaway (do “Bravura Indômita” original), Steve McQueen encarna o papel-título. Filho de uma índia nativa e de um pai branco, Nevada Smith busca vingança contra os assassinos de seus pais, no final do século XIX. Sedento por justiça, ele precisa descobrir o paradeiro dos criminosos.

PAPILLON

Condenado à prisão perpétua por um crime que não cometeu, “Papillon” (Steve McQueen) é enviado à Ilha do Diabo, presídio na Guiana Francesa. Cumprindo pena sob condições desumanas, ele decide fugir, ao lado de Louis Dega (Dustin Hoffman). Baseado no livro autobiográfico de Henri Charrière, o filme foi escrito por Dalton Trumbo.

JOVEM DEMAIS PARA MORRER

Sequência de “Os Jovens Pistoleiros” (1988), com Emilio Estevez de volta ao papel de Billy the Kid. Ele e seu bando partem em direção à fronteira do México e são perseguidos por homens-da-lei. Com Kiefer Sutherland, Lou Diamond Phillips e Christian Slater no elenco, este faroeste ficou marcado pela canção “Blaze of Glory”, de Jon Bon Jovi.

REMO – DESARMADO E PERIGOSO

Introduzido na série de livros pulp “The Destroyer”, Remo Williams, um super-agente especialista em artes marciais, ganha vida na pele de Fred Ward no filme dirigido por Guy Hamilton (“007 Contra Goldfinger”). “Remo” apresenta o herói desde suas origens, como policial em Nova York, passando por seu incrível treinamento e transformação física.

A MISSÃO

Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, além do Oscar de melhor fotografia, esse drama histórico traz no elenco Robert De Niro, Jeremy Irons e Liam Neeson. No final do século XVIII, um ex-mercador de escravos (De Niro) junta-se aos jesuítas em Sete Povos das Missões, na América do Sul, onde fará de tudo para defender os índios do genocídio.

NIKITA – CRIADA PARA MATAR

Refilmado como “A Assassina” na década de 1990, o filme é considerado um dos melhores trabalhos de Luc Besson (“O Profissional”). Na trama, Nikita (Anne Parillaud, premiada com o César) é uma jovem viciada em drogas que acaba presa e recrutada pelo agente Bob (Tchéky Karyo) para trabalhar como assassina para o serviço de inteligência francês.

DANÇA COMIGO?

Escrito e dirigido por Masayuki Suo, o longa trata com simplicidade e sensibilidade a jornada de autoconhecimento de Shohei Sugiyama (Kôji Yakusho), um sério homem de negócios que, fascinado por uma bela mulher que vê por acaso, matricula-se na mesma escola de dança da moça. O filme ganhou uma versão americana com Richard Gere em 2004.

ASSASSINATO EM GOSFORD PARK

Espécie de “A Regra do Jogo” ao estilo do diretor Robert Altman, o filme apresenta um rico mosaico de personagens, divididos entre nobres e criados numa mansão inglesa, em 1932. Quando o anfitrião da propriedade aparece morto, todos passam a ser suspeitos. Um elenco de grande atores ingleses dá vida ao mordaz roteiro de Julian Fellowes (criador de “Downton Abbey“) premiado com o Oscar.

CIDADE DOS VENTOS

Premiada produção do estúdio russo Mosfilm dirigida por Karen Shakhnazarov (“Tigre Branco”). O contexto político da ex-União-Soviética permeia a história, ambientada na década de 1970. Um jovem universitário que se proclama “dissidente” disputa com o amigo comunista o amor da doce Lyuda, enquanto o entusiasmo socialista na URSS vai declinando.

“GÊMEOS – MÓRBIDA SEMELHANÇA” E “IMAGENS”: QUANDO O HORROR EMANA DA PSIQUE HUMANA

PREMIADOS, “GÊMEOS – MÓRBIDA SEMELHANÇA“, FILME QUE MARCA O RECONHECIMENTO DE DAVID CRONENBERG COMO CINEASTA AUTORAL, E “IMAGENS“, UM DOS TRABALHOS MAIS EXPERIMENTAIS DE ROBERT ALTMAN, EXPLORAM TEMAS COMO IDENTIDADE, OBSESSÃO E SEXUALIDADE HUMANA.

Considerado um dos melhores filmes de David Cronenberg, "Gêmeos - Mórbida Semelhança" apresenta uma das melhores atuações do ator inglês Jeremy Irons. Confira este cult dos anos 80, em DVD com ótimso extras sobre a produção

Considerado um dos melhores filmes de David Cronenberg, “Gêmeos – Mórbida Semelhança” apresenta uma das melhores atuações do ator inglês Jeremy Irons. Confira este cult dos anos 80, em DVD com ótimos extras sobre a produção

GÊMEOS- MÓRBIDA SEMELHANÇA

Nascido em 15 de março de 1943, em Toronto (Ontario, Canadá), David Cronenberg estudou literatura, língua inglesa e até ciências na universidade. Depois de alguns curtas experimentais, realizou o média-metragem caseiro “Stereo” (1969), passando a chamar a atenção da cena independente canadense com “Calafrios” (1975) e “Rabid” (1977), produções B repletas de violência gore e sexualidade.

David Cronenberg, em foto-montagem cercado por algumas das criaturas e objetos  criados em sua filmografia

David Cronenberg, em foto-montagem cercado por algumas das criaturas e objetos criados em sua filmografia

Após o controverso (e estranhamente autobiográfico) Os “Filhos do Medo” (1979), o diretor conseguiu o primeiro sucesso de público de sua carreira com “Scanners – Sua Mente Pode Destruir” (1981). O filme foi seu passaporte para Hollywood e para a impactante refilmagem de “A Mosca da Cabeça Branca” em 1986. Violência explícita, a fusão entre pele humana e elementos externos, a dicotomia entre corpo e mente e o desejo sexual como meio e fim de personagens solitários, à procura de seu lugar no mundo, são algumas das marcas de seu autor, que era até então considerado apenas um criativo e original diretor de longas de horror.

Tudo mudou com “Gêmeos – Mórbida Semelhança” (1988): saem os monstros e mutações genéticas; o horror emana da mente, das pulsões humanas e da complexa psicologia dos gêmeos brilhantemente interpretados por Jeremy Irons. O filme é baseado no caso dos irmãos ginecologistas nova-iorquinos Cyril e Stewart Marcus, que inspiraram o romance “Twins”, de Bari Wood e Jack Geasland (1977).

Jeremy Irons no papel duplo de Gêmeos – Mórbida Semelhança, marco na carreira de Cronenberg que ajudou a desmistificar sua antiga imagem de diretor de filmes de terror

Jeremy Irons em “Gêmeos – Mórbida Semelhança, marco na carreira de Cronenberg que ajudou a desmistificar sua antiga imagem de diretor de filmes de terror

Na trama, Beverly Mantle é trabalhador, retraído e frágil, ao passo que seu irmão Elliot é extrovertido e sedutor. Gêmeos idênticos, os dois compartilham tudo na vida, desde namoradas até a clínica em que trabalham como ginecologistas. O equilíbrio vai ser rompido com o triângulo amoroso formado entre os irmãos Mantle e Claire Niveau, uma atriz famosa (interpretada por Genevieve Bujold, de “Ana dos Mil Dias”).

Dirigido cirurgicamente por Cronenberg, “Gêmeos” é um dos filmes seminais da década de 80, no qual o diretor substitui o terror óbvio por imagens marcantes como as dos “instrumentos ginecológicos para operar mulheres mutantes”.

EXTRAS: Making of (07 min.) * A psicologia por trás de “Gêmeos” (30 min.) * Os efeitos especiais (20 min.) * Trailer de cinema (3 min.)

PRÊMIOS:

ASSOCIAÇÃO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DE LOS ANGELES
Melhor Atriz Coadjuvante (Geneviève Bujold)
Melhor Diretor (David Cronenberg)

CÍRCULO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DE NOVA YORK
Melhor Ator (Jeremy Irons)

FANTASPORTO
Melhor Ator (Jeremy Irons)

FESTIVAL DE CINEMA FANTÁSTICO DE AVORIAZ
Grande Prêmio

Vencedor do prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, "Imagens" é um dos trabalhos mais rebuscados - e sensoriais - da carreira de Robert Altman, com um elaborado jogo dramático entre realidade e subconsciente. Confira esse e outros trabalho do diretor na 2001.

Vencedor do prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, “Imagens” é um dos trabalhos mais rebuscados – e sensoriais – da carreira de Robert Altman, com um elaborado jogo dramático entre realidade e subconsciente. Confira esse e outros trabalhos do diretor na 2001.

IMAGENS

Um dos pioneiros da “Nova Hollywood” que emergiu no cinema americano no final dos anos 1960, Robert Altman fez uma transição brilhante da TV para a sétima arte, combinando inovações técnicas – como a sobreposição de diálogos numa cena, a alternância de histórias paralelas (o famoso multiplot ou filme-coral), o jogo de lentes e muita improvisação entre os atores – com conteúdo crítico e subversivo.

A comédia antibelicista “M.A.S.H.” marcou, em 1970, o seu primeiro sucesso comercial – e primeira indicação ao Oscar de melhor direção. A década prosseguiu com filmes arrojados como o western “Onde os Homens são Homens” (1971) e o rebuscado drama psicanalítico “Imagens”. Com criativo uso do design de som e elaborada fotografia de Vilmos Zsigmond, que usa e abusa de reflexos e imagens distorcidas, o longa mergulha na alterada percepção do mundo de sua protagonista, Cathryn (Susannah York, premiada no Festival de Cannes).

Susannah York em "Imagens": o que é realidade ou fruto da percepção alterada da protagonista?

Susannah York em “Imagens”: o que é realidade ou fruto da percepção alterada da protagonista?

Escritora de livros infantis, Cathryn entra em crise ao desconfiar da fidelidade do marido, criando uma realidade fantasiosa. Quando o casal decide tirar férias em uma casa de campo, seus delírios se tornam ainda mais perturbadores, e ela – assim como o espectador – tem dificuldade em determinar o que é realidade e o que está em sua mente.

Influenciado por “Repulsa ao Sexo”, de Roman Polanski, e “Persona”, de Ingmar Bergman, “Imagens” é um corajoso e perturbador experimento de Altman no universo da esquizofrenia.

EXTRAS: Depoimento de Robert Altman (24 min.) * Cenas comentadas (36 min.) * Trailer de cinema (3 min)

"Eu ainda gosto do filme. É um pouco pesado, mas eu não o mudaria. Quando fiz Imagens pensei: acabou, todos vão pirar com esse filme. Será a grande descoberta desde o haxixe!". Robert Altman, em entrevista para David Thompson em 2006

“Eu ainda gosto do filme. É um pouco pesado, mas eu não o mudaria. Quando fiz Imagens pensei: acabou, todos vão pirar com esse filme. Será a grande descoberta desde o haxixe!”. Robert Altman, em entrevista para David Thompson em 2006

PRÊMIOS E INDICAÇÕES:

FESTIVAL DE CANNES
Melhor Atriz (Susannah York)

INDICADO AO OSCAR
Melhor Trilha Sonora (John Williams)

INDICADO AO GLOBO DE OURO
Melhor Filme Estrangeiro

“A ARTE DE ROBERT ALTMAN”, BOX COM CLÁSSICOS DOS ANOS 70, E A VOLTA POR CIMA COM “O JOGADOR”

"Fazer filmes é ter a chance de viver muitas vidas" Robert Altman

“Fazer filmes é ter a chance de viver muitas vidas”
Robert Altman (1925-2006)

Um dos pioneiros da “Nova Hollywood” que emergiu no cinema americano no final dos anos 1960, Robert Altman fez uma transição brilhante da TV para a sétima arte, combinando inovações técnicas – como a sobreposição de diálogos numa cena, a alternância de histórias paralelas (o famoso multiplot ou filme-coral), o jogo de lentes e muita improvisação entre os atores – com conteúdo crítico e subversivo.

A comédia antibelicista “M.A.S.H.” marcou, em 1970, o seu primeiro sucesso comercial – e primeira indicação ao Oscar de melhor direção. A década prosseguiu com filmes arrojados como o western “Onde os Homens são Homens” (1971), o drama psicanalítico “Imagens” (1972), o policial neo-noir “Um Perigoso Adeus” (1973), o ambicioso filme-coral “Nashville” (1975) e o enigmático drama psicológico “Três Mulheres” (1977). A década de 1970 é considerada a mais fértil e bem-sucedida do cineasta, sendo bem representada na coleção A ARTE DE ROBERT ALTMAN, DVD duplo reunindo três clássicos desse período mais um documentário inédito.

A Arte de Robert Altman 3D

A ARTE DE ROBERT ALTMAN

DISCO 1:

TRÊS MULHERES (“3 Women”, 1977)
Com Shelley Duvall, Sissy Spacek e Janice Rule.

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Sissy Spacek e Shelley Duvall em “Três Mulheres”, um dos filmes mais autorais (e enigmáticos) de Altman

Mulher tímida e solitária começa um novo trabalho e logo se sente emocionalmente ligada a uma colega. Um acidente envolvendo as duas faz com que, inexplicavelmente, elas troquem de personalidade.

ALTMAN, UM RETRATO (“Robert Altman: giggle and give in”, 1996)
De Paul Joyce. Com Shelley Duvall, Elliott Gould e Joan Tewkesbury.

Fascinante introdução à obra do cineasta norte-americano, acompanhada de uma análise dos temas recorrentes de sua filmografia.

DISCO 2:

O PERIGOSO ADEUS (“The Long Goodbye”, 1973)
Com Elliott Gould, Nina van Pallandt e Sterling Hayden.

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Em cena. Elliott Gould em “O Perigoso Adeus”

O detetive particular Philip Marlowe tenta ajudar um amigo acusado de matar a esposa. Baseado no romance “Hard Boiled”, do genial Raymond Chandler (“À Beira do Abismo”), este policial é um dos melhores neo-noir dos anos 70.

RENEGADOS ATÉ A ÚLTIMA RAJADA (“Thieves Like Us”, 1974)
Com Keith Carradine, Shelley Duvall, John Schuck e Bert Remsen.

Na década de 1930, três assassinos condenados escapam da prisão e iniciam uma série de assaltos a banco. Baseado no mesmo romance filmado por Nicholas Ray no cult “Amarga Esperança”.

EXTRAS: Documentário sobre “O Perigoso Adeus” (25 min.), Trailers e Spots de TV de “3 Mulheres” (8 min.), Trailer de “O Perigoso Adeus” (3 min.), Spots de Rádio de “O Perigoso Adeus” (3 min.) e Trailer de “Renegados Até a Última Rajada” (2 min.)

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O JOGADOR

Depois de uma sucessão de fracassos nos anos 1980, Robert Altman deu a volta por cima na década seguinte com esta brilhante (e mordaz) comédia dramática sobre os bastidores de Hollywood. O filme recebeu prêmios de melhor ator (Tim Robbins) e diretor no Festival de Cannes e concorreu ao Oscar nas categorias de melhor direção, roteiro adaptado e montagem.

Na trama, um produtor executivo, pressionado por uma série de fracassos de bilheteria, começa a receber ameaças anônimas. Enquanto tenta desvendar o responsável, o protagonista circula em meio à máquina (e as intrigas) de um grande estúdio de Hollywood.

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Tim Robbins, premiado em Cannes, no papel do executivo de “O Jogador”

Desde o longo plano de sequência de abertura que homenageia “A Marca da Maldade”, de Orson
Welles, “O Jogador” é um brilhante exercício de metalinguagem que espelha – e satiriza de forma mordaz – a indústria de cinema.

O DVD traz o filme em versão restaurada, acompanhado de making of da produção e cenas excluídas, comentadas pelo próprio diretor.