Segunda Guerra Mundial

“DUNKIRK” E “COMO NOSSOS PAIS”, DOIS DESTAQUES DE 2017

PRESENTE EM INÚMERAS LISTAS DE MELHORES FILMES DO ÚLTIMO ANO, O ÉPICO DE GUERRA DE CHRISTOPHER NOLAN CONCORRE A 8 PRÊMIOS BAFTA E É UM DOS FAVORITOS AO OSCAR 2018. “DUNKIRK” ACABA DE SAIR EM DVD, BLU-RAY E BD EM EDIÇÃO ESPECIAL STEELBOOK REPLETO DE EXTRAS.

JÁ “COMO NOSSOS PAIS“, TAMBÉM ACLAMADO PELA CRÍTICA, FOI O GRANDE VENCEDOR DO FESTIVAL DE GRAMADO.

Aclamado por crítica e público e com mais de US$ 500 milhões arrecadados ao redor do mundo, ”Dunkirk” é mais um sucesso na carreira do diretor e roteirista Christopher Nolan (“A Oridem”, “Interestelar“).

Um dos favoritos ao Oscar 2018, principalmente nas categorias técnicas, o longa de guerra concorreu ao Globo de Ouro nas categorias de melhor filme (drama), diretor e trilha sonora, e recebeu 8 nomeações ao Bafta. E Christopher Nolan acaba de ser indicado ao Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos (Directors Guild of America – DGA).

Dunkirk” recria a Operação Dínamo, que consistiu na evacuação de cerca de 340 mil soldados ingleses e aliados encurralados por tropas nazistas na cidade costeira de Dunquerque, na França, em 1940. Com ação incessante e poucos diálogos, Nolan criou um filme sensorial sobre a experiência – e o horror – dos soldados encurralados na praia, à mercê dos ataques aéreos dos alemães.

Como em outros trabalhos do diretor (“Amnésia”, “A Origem”), o tempo é fragmentado na narrativa, alternando ações que transcorrem em terra ao longo de uma semana; com os soldados aguardando por seu resgate na praia; no mar, ao longo de um dia, pelo ponto de vista de uma embarcação civil; e no ar, ao longo de uma hora, na qual os aviões Spitfires da RAF (Força Áerea Real) – um deles pilotado por Tom Hardy – enfrentam os inimigos.

Esses três momentos vão se entrelaçando até convergir no final, com a ação simultânea no ar, no mar e em terra, ao som da eletrizante trilha de Hans Zimmer. Com Kenneth Branagh, Tom Hardy, Mark Rylance e o ex-One Direction Harry Styles no elenco, o filme não celebra os vencedores de uma guerra, mas a luta de seus combatentes para sobreviver.

EXTRAS DAS EDIÇÕES EM BLU-RAY: 

Junte-se ao diretor Christopher Nolan e a seu time na sua jornada épica para recriar o milagre de Dunkirk. Equipados com câmeras de grande formato, efeitos inovadores, frotas aéreas e navais históricas e grupos de atores, os produtores precisaram superar desafios imensos para criar uma precisa, autêntica e emocionante experiência cinematográfica.

E CONHEÇA TAMBÉM O CLÁSSICO:
Dunkirk (O Drama de Dunquerque, 1958) 

Novo trabalho de Laís Bodanzky, diretora de “Bicho de Sete Cabeças”, que reflete sobre os anseios e desafios da mulher contemporânea. Selecionado para a Mostra Panorama Especial no 67ª Festival de Berlim, foi o grande vencedor do Festival de Gramado 2017, com 6 Kikitos: melhor filme, direção, atriz (Maria Ribeiro), ator (Paulo Vilhena), atriz coadjuvante (Clarisse Abujamra) e montagem.

Escrito por Bodanzky em parceria com Luiz Bolognesi, o longa esmiuça o cotidiano de Rosa (Maria Ribeiro), uma mulher que se desdobra entre a rotina familiar, mãe de duas filhas, e o trabalho. Sua vida passa por uma reviravolta ao descobrir que é fruto de uma relação extraconjugal da mãe (papel de Clarisse Abujamra), enquanto enfrenta um casamento em crise com o antropólogo Dado (Paulo Vilhena).

“A revolução das mulheres (…) começa dentro de você, com suas pequenas atitudes em casa, na escola, com seus filhos, no seu trabalho. (…) E já começou!”.  Laís Bodanzky

Um filme cada vez mais atual – e obrigatório para refletirmos sobre o empoderamento feminino, a obsolescência da estrutura familiar patriarcal e a construção de uma sociedade melhor.

QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “Uma Longa Viagem”

EDITORA DO CINE GARIMPO, A JORNALISTA SUZANA VIDIGAL ESCREVE TODA QUARTA-FEIRA PARA O BLOG DA 2001, DESTACANDO UM GRANDE LANÇAMENTO PARA LOCAÇÃO OU VENDA NAS LOJAS DA REDE

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Muito cuidado ao assistir ao trailer deste filme – ele revela praticamente todas as surpresas, tira o charme da trama e em troca você consegue deduzir aquilo que ficou subentendido. Não dá pra montar trailer assim! O filme é bom e o espectador tem o direito de se surpreender real e genuinamente. Como já disse várias vezes aqui, leio pouco antes de assistir aos filmes, para que a primeira sensação seja desprovida de preconceitos e pré-conceitos. Com Uma Longa Viagem foi assim. Por isso, cuidado com o que você lê por aí, porque esta produção, baseada no livro autobiográfico de Eric Lomax, tem uma trama bem construída, que me pegou de surpresa e realmente me emocionou.

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Pode até seja por causa dessa fase mais emotiva, em que os sentimentos estão à flor da pele. Mas basta um pouco de interesse pela história das guerras, um olhar basicamente crítico para as decisões atrozes dos homens e uma amolecida no coração para vestir a camisa do filme e incorporar as inúmeras situações vividas pelos personagens (claro que no sentido figurativo), para sentir emoções que são parte da vida de qualquer um: raiva, ódio, desesperança, compaixão, amor.

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Uma Longa Viagem, que no título original faz menção ao “homem da ferrovia”, referindo-se aos prisioneiros aliados que construíram os caminhos de ferro a mando dos japoneses, durante a Segunda Guerra, conta com a forte atuação de Colin Firth (também em Magia ao Luar, O Discurso do Rei, Direito de Amar, Antes de Dormir) e Nicole Kidman (também em Segredos de Sangue, Os Outros, As Horas, Reencontrando a Felicidade, Antes de Dormir). O casal tem liga e convence na sintonia necessária para acreditar que Patti (Kidman) é quem questiona a infelicidade do marido Eric, seu bloqueio em falar da sua experiência durante a guerra, sua apatia diante da vida. Logo ficamos sabendo da sua traumática experiência como prisioneiro de guerra no Japão, dos mau tratos e de como isso impactou seu futuro e a perspectiva de vida daqueles que sobreviveram.

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Essa longa viagem é o que Eric faz, na tentativa de rever seu passado e passá-lo a limpo. Ou melhor, na tentativa de simplesmente viver o presente – coisa que as lembranças da guerra não permitem. Gosto mais do título original, tem peso, significado, importância – na sua crueldade, no seu resultado, na sua permanência no tempo. Afinal, são esses três fatores que pesam sob os ombros desse ex-combatente e que conseguem trazer a emoção ao filme, sem cair no clichê e sem precisar dar lição de moral.

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É o tipo de filme que cada um recebe de acordo com o estado de espírito: para uns será um relato histórico interessante; para outros, uma revisão de valores. Eu me emocionei. Excepcionalmente, este comentário vai sem trailer, porque se eu fosse você, não assistiria.

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DIREÇÃO: Jonathan Teplitzky ROTEIRO: Frank Cottrell Boyce, Andy Paterson, Eric Lomax (livro) ELENCO: Colin Firth, Nicole Kidman, Stellan Skersgard, Tanroh Ishida, Jeremy Irvine | 2013 (116 min)

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QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “Sobrevivi ao Holocausto”

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No dia que os americanos celebram o Dia do Veterano, eu estava nos Estados Unidos. Para a nossa realidade, esse tipo de comemoração não faz muito sentido, mas para eles faz: os veteranos saem às ruas vestidos com farda, tem banda tocando, gente fazendo discurso, pessoas emocionadas e o que mais me chamou a atenção, muito veterano jovem. Claro, os EUA foram recentemente atacados e o 11 de setembro de 2001 mudou tudo. Deste então, estão novamente em guerra. Sempre tem gente combatendo em algum lugar do mundo e, portanto, aquela imagem do veterano velhinho da Segunda Guerra já é coisa do passado.

O veterano de guerra é hoje um sujeito jovem. Fazendo o cálculo dos anos, um combatente que sobreviveu à guerra nazista, na melhor das hipóteses, tem lá por volta de 85 anos. Do Vietnã e do Golfo, ainda há muita memória viva, mas da Segunda Guerra, já não são muitos pra contar a história. Bem diferente dos relatos que ouvimos, uma amiga e eu, sobre os combates atuais, jovens patriotas enviados ao Afeganistão e Iraque, logo depois do ataque às Torres Gêmeas. E seguindo a mesma linha, se os veteranos já são poucos, os sobreviventes são menos numerosos ainda. Se pensarmos no Holocausto, no extermínio de 6 milhões de judeus e na implacável passagem do tempo, não é difícil concluir que são poucos os sobreviventes vivos até hoje. Em pouco tempo, não haverá mais ninguém para reviver a história. É a lei da natureza.

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Sobrevivi ao Holocausto” faz justamente esse papel, através da vivência trágica do judeu polonês Julio Gartner. No documentário, ele conta como foi seu martírio pelos campos de concentração, suas privações, a perda da família, as incontáveis situações de “quase morte” por que passou, sempre acompanhado da jovem Marina Kagan, que tem a idade aproximada que Julio tinha quando foi libertado.

Cena em que Julio Gartner e a produtora Marina Kagan visitam aos campos de concentração em Aushwitz

Cena em que Julio Gartner e a produtora Marina Kagan visitam aos campos de concentração em Aushwitz

Percorrem os lugares por onde passou, desde a casa onde morava com seus pais até os 15 anos em Cracóvia, na Polônia, até o último campo de concentração em que esteve preso. O filme é simples, mas emocionante. Faz uma leitura genuína da trajetória de Gartner, documenta o terror com realismo e traz depoimentos bem interessantes. O mais emocionante é, sem dúvida, o encontro de Julio com o casal que o abrigou no interior da Polônia, onde viveu escondido dos nazistas por algum tempo.

É pela mesma razão – da passagem implacável do tempo ser inevitavelmente ligada ao esquecimento – é que se faz a chamada Marcha da Vida. O movimento que existe desde 1988 e foi registrado em documentário homônimo na sua 20a edição, em 2008. O projeto foi criado justamente por jovens que resolveram fazer o trajeto entre os campos de concentração de Auschwitz e Birkenau a pé, como era feito pelos judeus na Guerra – a chamada Marcha da Morte. A ideia junta jovens, idosos, sobreviventes e gente solidária independente de religião, nacionalidade ou credo, que não quer deixar a história cair no esquecimento. Já ficam de quebra dois Garimpos na Locadora, sobre esse tema da morte, mas também da vida que teima em continuar.

Confira o trailer de “Sobrevivi ao Holocausto“:

DIREÇÃO: Caio Cobra, Marcio Pitliuk ROTEIRO: Marcio Pitliuk ELENCO: Julio Gartner, Marina Kagan | 2014

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DICA DA EQUIPE 2001: ROMAN POLANSKI

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De ascendência judaica russo-polonesa, Roman Polanski conheceu de perto os horrores da Segunda Guerra Mundial perdendo sua mãe em um campo de concentração. Anos mais tarde, ingressaria em um grupo de teatro e trabalharia como ator sob a direção do mestre Andrzej Wajda em “Geração”.

Realizou seu primeiro filme no inicio dos anos 60 ainda na Polônia. Mudou-se para a Inglaterra onde faria o angustiante “Repulsa ao Sexo” com Catherine Deneuve.

Hollywood viria em 1968 com o clássico do terror psicológico “O Bebê de Rosemary”.

Alugue "O Bebê de Rosemary" na 2001

Alugue “O Bebê de Rosemary” na 2001

Nesta época, outra tragédia em sua vida particular, sua esposa, Sharon Tate (“A Dança dos Vampiros”), foi brutalmente assassinadas pelos seguidores do fanático Charles Manson.

A Dança dos Vampiros, com Sharon Tate

A Dança dos Vampiros, com Sharon Tate

Nos anos que se seguiram, Polanski recuperou-se e realizou uma série de filmes memoráveis como o “Chinatown“, “O Inquilino” e “Piratas“.

Polanski foi laureado com a Palma de Ouro em Cannes pelo drama “O Pianista”, produção indicada a vários prêmios Oscar®, incluindo de melhor diretor e realizou trabalhos aclamados como “Oliver Twist”, “O Escritor Fantasma” e “Deus da Carnificina”.

Em “Roman Polanski: Curta-Metragens”o mestre do cinema europeu nos apresenta seus primeiros trabalhos: Sete curtas-metragens que combinam fantasia e uma realidade cotidiana muito próxima ao “cinema vérité”. Criando ambientes de tensão em vez de momentos comoventes. Violência, humor absurdo, compromisso social, voyerismo; constantes no cinema de Polanski, que já se apresentam nas suas primeiras obras, mostrando um estilo único e inovador.

Veja a filmografia do diretor na 2001 e alugue sem sair de casa:
www.2001emcasa.com.br

Clique na imagem para acessar a filmografia de Roman Polanski

Clique na imagem para acessar a filmografia de Roman Polanski

 

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QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “Lore”

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Um viés diferente, de um contexto bem conhecido. Um pouco da sensação que tive quando li A Trégua, do italiano Primo Levi (foi também feito um filme homônimo, baseado no livro). Levi conta a sua história a partir do momento em que os Aliados vencem a guerra, os campos de concentração já não têm soldados e os  judeus, até então encarcerados esperando a morte, se veem livres para voltar para casa. Mas que casa? Que família? Que país? A Trégua mostra essa jornada pela Europa devastada, por um passado que já não existe nem sinal.

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Lore
também volta para essa realidade do imediato pós-guerra, em que a paz foi declarada, mas em que ainda há muita luta a ser travada: pela vida, pela comida, pela habitação, pela restauração de algo que já não volta mais. Muito se tem dito nessas décadas sobre os horrores da Segunda Guerra. Mas o que foram os dias e meses imediatamente depois? Em Lore, os protagonistas são o inimigo. Os nazistas. A personagem Lore é filha de nazistas, que são presos após a derrocada de Hitler. É a mais velha de 5 filhos e tem que cuidar dos irmãos, o que inclui a árdua tarefa de cruzar a Alemanha totalmente destruída, encontrar comida e abrigo, cuidar de um bebê de colo, passar pelas adversidades e pelas barreiras dos Aliados, até chegar na casa dos avós.

Extremamente bem conduzido, todo esse contexto da luta pela sobrevivência já vale a pena, mesmo porque nos coloca em contato com uma realidade pouco explorada. Porém, o mais interessante do filme é a discussão ética que ele propõe. Pelo caminho, Lore encontra-se com um rapaz judeu, sem o qual ela não seria capaz de conduzir a família. Ele se dispõe a ajudá-la e ela revida com o ódio plantado pelas crenças e comportamento dos pais. Inteligente e sutil, o filme coloca toda a problemática da formação da geração que viveu a guerra, seja ela do lado que for. Na construção do preconceito e do contraponto com a tolerância. E na importância da formação e dos valores passados pela família. Pelo bem e pelo mal, eles sempre vêm à tona. Fico pensando o que deve ter sido restaurar a sociedade alemã depois de tudo o que se viveu. Fico pensando que fim Lore deu à sua conduta e à sua vida.

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Indicado da Austrália ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2012, Lore é emocionante no roteiro, nas imagens e na entrega dos atores. Não seria nada sem atores integralmente envolvidos. Pareceria folhetim. Lore tem uma autenticidade ímpar, facilmente capaz de emocionar.

Veja o trailer de “Lore”:

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QUARTAS COM SUZANA VIDIGAL: “HANNAH ARENDT”

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Em qualquer um dos casos, Hannah Arendt merece sua atenção: se você já sabe quem é essa pensadora alemã, já tem noção da importância de suas ideias; se não conhece e se interessa minimamente pela história da humanidade e pela maneira com que ela é passada pelos historiadores e filósofos, não perca tempo.

Eu não conhecia o trabalho da “pensadora da liberdade”, como era chamada, e fiquei bastante impressionada com sua ousada maneira de pensar as relações entre holocausto, o nazismo e o povo judeu, sendo ela mesma uma refugiada da Segunda Guerra.

Com a ascensão de Hitler na Alemanha em 1933, Hannah foge para a França, onde é presa no campo de concentração pelo governo colaboracionista de Vichy durante a guerra, até conseguir migrar para os Estados Unidos em 1941. Mas isso não passa no filme. O que a diretora Margarethe von Trotta faz é um recorte de um momento específico da vida profissional e pessoal de Hannah, que marca seu legado para sempre.

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Já com uma carreira acadêmica sólida e respeitada, Hannah Arendt se candidata a cobrir o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann em 1963, capturado na América Latina e enviado para julgamento em Jerusalém. Hannah vai à Israel  e do seu relato Eichmann em Jerusalém, escrito para a revista The New Yorker, surgem as críticas ferozes ao seu modo de pensar.

Aliás, o “pensar” é a pedra fundamental para Arendt – e aqui é que ela não se fez entender em muitos aspectos. Em sua obra, ela afirma que Eichmann não teria exterminado judeus por vontade própria, que apenas seguia ordens e cumpria a lei de Hitler e que, portanto, era um ser medíocre, incapaz de pensar e tomar a próprias decisões. Ao rotular o nazista, responsável pela arquitetura da chamada Solução Final, de “homem comum”, Hannah causa revolta na comunidade judaica do mundo todo.

Ainda mais quando sugere que líderes judeus teriam sido cúmplices dos nazistas. Não poderia haver hora mais imprópria para publicar tais opiniões.

Israel era um país novo, os sobreviventes tratavam de refazer suas vidas, os horrores da guerra eram realidade viva. Nem acho que cabe aqui esse julgamento – deixo isso para filósofos, cada um com seu ponto de vista.

O que me interessou profundamente no filme é a construção do pensamento. Sem negar o sofrimento do povo judeu, as barbaridades do holocausto, Hannah Arendt atenta para a necessidade de analisar os fatos friamente e tentar entender por que algumas pessoas são omissas, indiferentes e banais, a ponto de influenciarem definitivamente a história da humanidade como a conhecemos.

Segundo Hannah, o exercício que havia feito a partir do julgamento de Eichmann era uma tentativa de compreender esse triste episódio da vida dos judeus, e que isso não era, de forma alguma, a mesma coisa que perdoar.

Difícil separação essa, do raciocínio e da dor. Mas genial na ousadia e coragem.

DIREÇÃO: Margarethe von Trotta ROTEIRO: Pam Katz, Margarethe von Trotta ELENCO: Barbara Sukowa, Axel Milberg, Janet McTeer, Julia Jentsch, Ulrich Noethen, Michael Degen | 2012 (113 min)

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“AMOR PROFUNDO”: A DOR DE AMAR DEMAIS, COM RACHEL WEISZ EM GRANDE ATUAÇÃO

Indicado ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática (Rachel Weisz) em 2012, "Amor Profundo" marca o retorno do cineasta Terence Davies à direção. Um dos principais nomes a emergir  no cinema britânico nos anos 1970, ao lado de Derek Jarman e Peter Greenaway, Davies está de volta aos filmes de época com um rebuscado melodrama sobre a infidelidade e a solidão na Inglaterra do pós-guerra

Indicado ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática (Rachel Weisz) em 2012, “Amor Profundo” marca o retorno do cineasta Terence Davies à direção. Um dos principais nomes surgidos no cinema britânico dos anos 1970, ao lado de Derek Jarman e Peter Greenaway, Davies está de volta aos filmes de época com um rebuscado melodrama sobre a infidelidade e a solidão na Inglaterra do pós-guerra

Amor Profundo
(The Deep Blue Sea, ING/EUA, 2011, Cor, 98′)
Imagem – Drama – 14 anos
Direção: Terence Davies
Elenco: Rachel Weisz, Tom Hiddleston, Simon Russell Beale, Ann Mitchell

Sinopse: Esposa de um juiz muito importante e influente, Hester envolve-se com um piloto aéreo perturbado. Os dois são descobertos e, após uma tentativa de suicídio, ela começa a questionar suas escolhas.

 
Onze anos depois de A Essência da Paixão, adaptação do romance de Edith Wharton, o britânico Terence Davies retorna à direção com Amor Profundo. Em seu novo (e rebuscado) melodrama de época, o cineasta adapta a peça The Deep Blue Sea, escrita pelo dramaturgo Terence Rattigan e ambientada em 1950, com a Inglaterra ainda se recuperando da Segunda Guerra.

Antes de "Amor Profundo", a peça teatral de Terence Davies foi levada às telas em 1955, com Vivien Leigh no papel da trágica Hester, brilhatemente interpretada por Rachel Weisz no filme de terence Davies

Antes de “Amor Profundo”, a peça teatral de Terence Rattigan foi levada às telas em 1955, com Vivien Leigh no papel da trágica Hester, brilhantemente interpretada por Rachel Weisz na nova versão. O filme de Terence Davies é um drama sofisticado para cinéfilos e plateias exigentes

Esse é o cenário do triângulo amoroso que move a trama. Casada com um renomado juiz, Hester (Rachel Weisz, impecável) tem uma vida confortável, mas sem amor ou sexo. Em meio às sombras da bela fotografia em tons sépia do filme, a personagem vive em profunda tristeza, interrompida apenas pelos encontros fugazes com Freddie (o ascendente Tom Hiddleston, de Os Vingadores).

Logo no início, Hester lê, com a voz embargada, uma carta na qual admite preferir morrer a viver sem o amor de seu amado. O que aconteceu para a protagonista chegar a essa trágica decisão? Uma série de flashbacks revela suas idas e vindas ao lado do amado, um homem imaturo provavelmente traumatizado pelas suas experiências como piloto na II Guerra.

Algumas cenas do filme evocam o clássico "Desencanto" (de David Lean), referência assumida pelo diretor Terence Davies, um "cinéfilo de carteirinha", como provam as referências em seus filmes de época "Vozes Distantes" e "O Fim der um Longo Dia"

Algumas cenas do filme evocam o clássico “Desencanto” (de David Lean), referência assumida pelo diretor Terence Davies

Também nos sublimes (e autobiográficos) Vozes Distantes (1988) e O Fim de um Longo Dia (1992), do mesmo diretor, passado e presente se confundem, ecoam um no outro, na Inglaterra marcada pelo sistema de classes e pelo peso das convenções sociais. Não demora muito para a paixão ser descoberta. E a resignação de Sir. William, o marido de Hester, lembra a de outro marido compreensivo – o personagem de Stephen Rea em Fim de Caso, outra bela história de amor e repressão sexual.

Em um dos melhores momentos de sua carreira, Rachel Weisz conquistou vários prêmios da crítica e foi considerada a melhor atriz de 2012 pela New York Magazine

Em um dos melhores momentos de sua carreira, Rachel Weisz conquistou vários prêmios da crítica e foi considerada a melhor atriz de 2012 pela New York Magazine

As emoções são contidas, e as interpretações, cheias de minúcias. Aclamada pela crítica novaiorquina, Rachel Weisz concorreu ao Globo de Ouro de melhor atriz dramática em 2012 e conquistou vários prêmios por seu dilacerante trabalho. Sua trágica Hester tenta viver de acordo com seu coração – e não às expectativas da sociedade. Em dado momento, Sir William pergunta por que é tão difícil para ela continuar sendo sua esposa. Hester não sabe o que é viver fora da rotina controlada do marido. Ela só quer um pouco de amor, que transborda ao lado do amante – e depois se transforma em gotas.

Para a trágica heroína de Terence Davies, é melhor um pouco de amor do que nenhum.

CHEGOU MAIS UM LANÇAMENTO EXCLUSIVO DA 2001: O BURACO DA AGULHA

Adaptado do best seller de Ken Follett, o thriller de espionagem sai finalmente em DVD no Brasil, e com exclusividade para venda e locação na 2001 Vídeo

O Buraco da Agulha
(Eye of the Needle, ING, 1981, Cor, 112′)
Classicline – Suspense – 16 anos
Direção: Richard Marquand
Elenco: Donald Sutherland, Kate Nelligan, Christopher Cazenove, Ian Bannen

Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, um frio espião nazista descobre a verdade sobre o ataque aliado na jornada que mudaria a história do conflito, o Dia D. Em uma ilha isolada próxima à costa da Inglaterra, ele inicia romance com uma mulher casada, colocando em jogo os rumos de sua missão.

 

Logo depois de viver um pai sensível em Gente Como a Gente, vencedor do Oscar de melhor filme, Donald Sutherland mudou radicalmente de papel em O Buraco da Agulha.

No suspense de 1981, o veterano ator canadense interpreta Faber, um cruel e enigmático espião nazista de codinome “Agulha”, infiltrado na Inglaterra no final da II Guerra. Sua missão em terras inimigas é descobrir planos militares das forças aliadas, antecipando-os para o alto comando alemão. Logo ele encontra indícios que provam a real localização da invasão planejada pelos aliados – a Normandia. Até então, Adolf Hitler e sua cúpula acreditavam que o ataque seria na cidade portuária de Calais, no norte da França.

Ator de prestígio nas décadas de 70 e 80, Donald Sutherland interpreta um frio espião nazista, de apelido Agulha

Munido de informação que pode mudar a história mundial, Faber, com determinação implacável, irá eliminar a sangue frio qualquer um em seu caminho. Desesperado em contatar seus chefes e mudar o curso da guerra, ele acaba naufragando durante violenta tempestade e tragado para uma ilha remota na Escócia. Lá, é amparado por Lucy (Kate Nelligan, indicada ao Oscar por O Príncipe das Mares), com quem inicia romance proibido que enfraquece momentaneamente sua determinação.

Esse é o enredo do filme adaptado do romance homônimo do inglês Ken Follett (autor de Os Pilares da Terra). Em seu lançamento, nos anos 1970, o livro tornou-se mais um best seller de espionagem em moda na época, como foi O Dia do Chacal, de Frederick Forsyth. Levadas para o cinema, as duas obras trazem em comum a corrida contra o tempo para localizar um assassino cuja identidade é desconhecida. E ambas utilizam-se de fatos ou personagens históricos.

No livro de Forsyth, um assassino planeja matar o ex-presidente francês Charles de Gaulle, enquanto que no trabalho de Follett um espião pode decidir a Segunda Grande Guerra a favor dos nazistas. Nos dois filmes, sabe-se que o plano de seu executor não vai dar certo, mas ainda assim o espectador acompanha intrigado a trama. A grande diferença é que o frio protagonista de O Buraco da Agulha balança com a presença de uma mulher que também se apaixona e, sem saber, dorme com o inimigo.

Sutherland e Kate Nelligan: seduzida, sem saber, pelo inimigo na guerra

A revelação da verdade mantém em suspense o destino da guerra, que antes precisa ser decidida no coração dos dois solitários protagonistas do lançamento exclusivo da 2001 Vídeo.

A GRANDE MENTIRA

Com ótimo elenco internacional, encabeçado por Helen Mirren (A Rainha), o filme não passou nos cinemas brasileiros e já está disponível para locação em DVD e Blu-ray nas lojas da 2001

A Grande Mentira
(The Debt, EUA/ING, 2010, Cor, 113’)
Universal – Drama – Verifique a classificação indicativa
Direção: John Madden
Elenco: Helen Mirren, Sam Worthington, Jessica Chastain, Tom Wilkinson

Sinopse: Nos anos 1960, uma equipe do serviço secreto israelense precisa capturar e levar a julgamento um notório criminoso de guerra nazista.

 

Retratado em Munique, de Steven Spielberg, o Mossad, serviço de inteligência israelense semelhante à CIA nos EUA, está no centro da trama de A Grande Mentira. Refilmagem do suspense Ha-Hov (2007), o filme acompanha os efeitos de uma missão da organização 30 depois.

Depois de concorrer ao Oscar por  A Última Estação e interpretar uma versão feminina de Próspero em A Tempestade, Helen Mirren tem mais um grande desempenho em A Grande Mentira

Em 1966, três agentes planejam a captura do “Cirurgião de Birkenau” em plena Alemanha Oriental. Em 1997, os mesmos personagens relembram o passado e como foram afetados pela experiência, em uma série de flashbacksque mostram como sacrificaram suas vidas em nome da mentira do título.

Até um ou dois anos atrás, a ruiva Jessica Chastain era uma completa desconhecida do público; hoje, atua em um filme atrás do outro…

Também protagonista de O Abrigo, a ruiva Jessica Chastain estrela mais dois lançamentos na 2001: o oscarizado Histórias Cruzadas e Coriolano, ao lado de Ralph Fiennes. Em A Grande Mentira, ela interpreta a agente do Mossad vivida por Helen Mirren na década de 1990. As duas atrizes formam o grande arco dramático deste filme injustamente desconhecido do grande público.

TOP 10 HELEN MIRREN NA 2001:

Excalibur (1981)
O Sol da Meia Noite (1985)
O Cozinheiro, o Ladrão, Sua Mulher e o Amante (1989)
Prime Suspect – 1ª e 2ª Temporada (1991/1992)
Assassinato em Gosford Park (2001)
Garotas do Calendario (2003)
A Rainha (2006)
A Última Estação (2010)
A Tempestade (2010)
Red – Aposentados e Perigosos (2010)

ESSES AMORES

Lançado com pouca repercussão nos cinemas brasileiros no ano passado, Esses Amores é o último trabalho do veterano Claude Lelouch, diretor de Um Homem, Uma Mulher e Retratos da Vida

“Há 50 anos eu tento partilhar com vocês meu amor pelo cinema. Para este aniversário em forma de 43º filme, proponho a vocês Esses Amores, onde qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas não é mera coincidência. Permitam que lhes dedique estes fragmentos de verdade, bem como aos meus sete filhos.”
Claude Lelouch

Claude Lelouch

Com os créditos iniciais acima, começa o último longa-metragem de Claude Lelouch, cineasta francês mais conhecido no Brasil pelo clássico Um Homem, Uma Mulher (1966) e pelo incrível sucesso de Retratos da Vida (1981), com sua inesquecível sequência final ao som do Bolero de Maurice Ravel.

 

Na França ocupada pelos nazistas durante a II Guerra Mundial, Iva se apaixona por um oficial alemão. Após a libertação do país em 1944, ela é acusada de colaboracionismo, e acaba se casando com um militar norte-americano. Esse é o principal arco dramático de Esses Amores, ambicioso longa-metragem de Lelouch que celebra em um só tempo cerca de 50 anos de carreira, o amor e o cinema. Repleto de referências à vida e à família do cineasta, o filme mescla drama, romance e até números musicais, apresentando no final uma emocionante montagem com cenas de atores que já trabalharam com ele, como Anouk Aimée, Jean-Louis Trintignant, Fanny Ardant e Jean-Paul Belmondo.

Cena de Esses Amores

CLAUDE LELOUCH EM DVD NA 2001:
Um Homem, Uma Mulher (1966)
Viver Por Viver (1967)
O Canalha (1970)
A Dama e o Gângster (1973)
Toda Uma Vida (1974)
Roberto e Roberto (1979)
Retratos da Vida (1981)
Um Homem e uma Mulher: 20 Anos Depois
11 de Setembro (2002)
Amantes e Infiéis (2002)
A Coragem de Amar (2005)
Crimes de Autor (2007)
Cada um com seu Cinema (2007)
Esses Amores (2010)