Segunda Pele

CLÁSSICOS E CULTS RAROS EM PROMOÇÃO SÓ NA 2001

A MAIORIA FORA DE CATÁLOGO, INCLUINDO FILMES ACLAMADOS E PRODUÇÕES ICÔNICAS DO CINEMA LGBT, COMO “JOHAN“, “MAURICE” E O DOCUMENTÁRIO “BEFORE STONEWALL“, AGORA COM PREÇO ESPECIAL. 

Entre os filmes selecionados, há obras importantes adaptadas para a telona (“Senhorita Julia“, “Electra“, “Os Vivos e os Mortos“, “Maurice“), clássicos franceses (“Os Amantes“, “Zazie no Metrô“, “As Duas Faces da Felicidade“) e preciosidades como o noir “A Lei dos Marginais“, de Samuel Fuller, “Um Gosto de Mel“, um marco do cinema inglês, “O Condenado de Altona“, baseado em peça de Jean-Paul Sartre, “Esposamante“, com o grande Marcello Mastroianni, “Os Vivos e os Mortos“, último trabalho de John Huston, e um cult por excelência – “Paixão Selvagem“, do cantor e diretor francês Serge Gainsbourg.

Não deixe de adquirir seus filmes favoritos, nem de descobrir produções menos conhecidas, pois os estoques são limitados. Confira a seguir uma pequena amostra com 20 sugestões de nossa equipe. Tem muito mais em nosso site.

Boa sessão “cult”!
Equipe 2001

MADAME DU BARRY

Mestre da farsa sofisticada, Ernst Lubitsch dirigiu este clássico do cinema mudo na Alemanha, logo após a Primeira Guerra Mundial. Estrelado por Pola Negri e pelo maior ator alemão da época, Emil Jannings (“Fausto”), o filme acompanha as peripécias da amante do rei Louis XV da França até sua execução durante a Revolução Francesa.

O ESTUDANTE DE PRAGA

Lançado em 1926, este clássico expressionista do cinema mudo apresenta Conrad Veidt (“O Gabinete do Dr. Caligari”) no papel de um estudante pobre que faz pacto com um estranho que, em troca, rouba o seu reflexo contido no espelho. Uma raridade do cinema alemão, com simbolismos e trama semelhante ao “Fausto” de Goethe.

SENHORITA JULIA

O sueco Alf Sjöberg dirigiu e escreveu esta adaptação da peça homônima do dramaturgo August Strindberg (1849-1912), escrita em 1888, dissecando conflitos sociais seculares por meio do intenso encontro entre uma aristocrata e seu empregado, cuja relação desigual sofre uma inversão – com o dominado passando a dominador. Refilmado em 2014 (“Miss Julie“) por Liv Ullmann, o filme conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

ELECTRA, A VINGADORA

Depois da guerra de 10 anos contra Tróia, Agamenon volta para casa. Em sua ausência, sua esposa, Clitemnestra, esteve nos braços de um amante, que mata Agamenon logo após o seu retorno. Seus filhos, Electra e Orestes, esperam vingar, agora adultos, o assassinato do pai. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, “Electra” trouxe notoriedade ao grego-cipriota Michael Cacoyannis, que depois dirigiria o sucesso mundial “Zorba, o Grego”(1964).

AS TROIANAS

O cineasta grego Michael Cacoyannis notabilizou-se por sua trilogia de adaptações de grandes tragédias gregas, formada por “Electra, a Vingadora” (1961), “As Troianas” (1971) e “Ifigênia” (1977), todas estreladas por sua musa, Irene Papas, e adaptadas de peças de Eurípides. “As Troianas” não nega sua estrutura teatral, que valoriza ainda mais o trabalho de Papas, Katharine Hepburn, Vanessa Redgrave (foto) e Geneviève Bujold.

A VIDA DE GALILEU

Joseph Losey (de “Uma Estranha Mulher” – também em promoção na 2001) dirige esta versão da peça “Galileu Galilei”, de Bertolt Brecht, com grande elenco britânico (Topol, Edward Fox, Colin Blakely, Margaret Leighton, John Gielgud). Um dos responsáveis pela fundação da ciência moderna, Galileu apoia a teoria de Copérnico, segundo a qual a Terra gira em torno do Sol, e entra em conflito com a Igreja Católica.

O AMANHÃ É ETERNO

Orson Welles interpreta um homem dado como morto na 1ª Guerra e que reaparece – 20 anos depois – desfigurado e com nova identidade. Ele encontra acidentalmente a esposa, Elizabeth (Claudette Colbert), e descobre ter um filho, Drew. Assim, neste clássico melodrama de 1946, o protagonista precise decidir se revela ou não a sua verdadeira identidade.

ZAZIE NO METRÔ

Dirigida por Louis Malle (“Lacombe Lucien”), esta adaptação do livro de Raymond Queneau é uma adorável e excêntrica comédia francesa que transborda criatividade, com montagem e concepção visual elaboradas, e o espírito libertário da Nouvelle Vague. No filme, Zazie, garota do interior da França, tem a chance de conhecer Paris pela primeira vez, passando dois dias na capital francesa. Hospedada na casa de seu tio Gabriel (Philippe Noiret, de “Não Toque na Mulher Branca” – também em promoção), ela cultiva um sonho: andar de metrô.

AS DUAS FACES DA FELICIDADE

Precursora da Nouvelle Vague com “La Pointe Courte” (1954), Agnès Varda (“Cléo das 5 às 7“) dirige esta evocação sem culpa sobre o casamento e o desejo, refletindo sobre o significado da felicidade e a relação conjugal. Visualmente influenciado pela pintura impressionista, este é um dos mais belos trabalhos de uma das grandes diretoras da história do cinema. Nele, um pai de família casado se envolve com outra mulher, mas não quer abandonar a esposa. Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim. Aos 89 anos, Varda concorreu ao Oscar deste ano com o documentário “Visages Villages”.

PRIVILÉGIO

A premissa do filme – um artista que tem sua individualidade sacrificada, transformando-se em um produto – nunca foi tão atual em tempos de astros-relâmpagos. Dirigido pelo influente (e provocador) documentarista britânico Peter Watkins, este clássico de 1967 desconcertou a crítica com seu misto de musical, cinema-verdade e crítica à indústria cultural, em um futuro indeterminado que não esconde suas raízes nas mudanças comportamentais da virada dos anos 1960 para os 1970.

UM BEATLE NO PARAÍSO

Corroteirista do clássico “Doutor Fantástico” (1964), o escritor Terry Southern também escreveu esta anárquica comédia lançada durante a efervescência da Swinging London sessentista. Contando com a colaboração dos ex-Monty Python John Cleese e Graham Chapman no roteiro, esta sátira surreal debocha da moral e dos costumes ingleses em uma série de esquetes com a participação de Raquel Welch, Yul Brynner e Roman Polanski, em papéis bizarros.

OS CRIMES DE OSCAR WILDE

A excelência dos atores ingleses se confirma nesta crônica do processo enfrentado pelo escritor Oscar Wilde (Peter Finch, premiado com o Bafta em 1961) na década de 1890. Acusado de manter um relacionamento com outro homem, o célebre autor de “O Retrato de Dorian Gray” luta pela liberdade, expondo sua homossexualidade numa época em que a mesma era condenada com a prisão.

PAIXÃO SELVAGEM

Estreia na direção do compositor e cantor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), a ousada história de amor entre o personagem homossexual de Joe Dallesandro e uma garçonete (Jane Birkin) provocou escândalo com sua crueza e cenas de sexo, além de eternizar a canção “Je T’Aime Moi Non Plus”, composta originalmente para Brigitte Bardot. Serge e Birkin foram casados e tiveram uma filha, a atriz e cantora Charlotte Gainsbourg (“Melancolia”).

ESPOSAMANTE

Em um de seus melhores papéis, Marcello Mastroianni interpreta um comerciante ligado a grupos anarquistas. Dado como morto, ele acompanha, à distância, cada passo da esposa Antonia, que acreditava ser frígida. Antes passiva e inerte, a personagem de Laura Antonelli vive uma fase de renascimento (inclusive sexual), assumindo seus negócios. Este drama romântico dirigido por Marco Vicario fez muito sucesso no Brasil.

MAGNICÍDIO

Mais um trabalho de vanguarda do provocador cineasta britânico Derek Jarman (de “Caravaggio”), uma alegoria sobre a sociedade inglesa em um futuro pós-apocalíptico. Considerado oficialmente o primeiro filme punk da história, “Magnicídio” é um produto de seu tempo, um filme-experimento do diretor apresentando uma Inglaterra caótica e sem-lei, na qual a rainha está morta e as ruas dominadas por gangues de jovens, orgias e violência brutal.

MAURICE

Escrito por E.M. Forster (1879-1970) e publicado postumamente, o romance “Maurice” retrata as dificuldades do personagem-título em lidar com sua homossexualidade na repressora Inglaterra do começo do século XX. A adaptação para cinema é mais uma requintada produção de Ismail Merchant com direção de James Ivory, que, aos 89 anos, acaba de receber o Oscar de melhor roteiro adaptado por filme de temática semelhante, o sucesso indie “Me Chame Pelo Seu Nome” (já em pré-venda na 2001). “Maurice” venceu o Leão de Prata no Festival de Veneza.

OS VIVOS E OS MORTOS

Último trabalho de John Huston, o filme é considerado seu testamento, com a filha Anjelica Huston no elenco e roteiro (indicado ao Oscar) do filho Tony – uma adaptação do conto “Os Mortos”, de “Os Dublinenses”, escrito por James Joyce. Como outras obras do célebre escritor irlandês, a história é uma meditação em torno do tempo e da memória: em 6 de janeiro de 1904, Dublin (Irlanda) celebra o Dia dos Reis, e, na casa das irmãs Morgan, Julia e Kate, são oferecidos uma ceia e um sarau a amigos e parentes.

EU, CHRISTIANE F., 13 ANOS, DROGADA E PROSTITUÍDA

Dirigido por Uli Edel, o filme é baseado no livro homônimo escrito pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck a partir de depoimentos de Christiane Felscherinow. Com cenas fortes, o relato marcou época e continua a chocar, apresentando um retrato melancólico e sem retoques do ocaso de uma jovem que sucumbe ao inferno das drogas. Curiosidade: na trama, Christiane vai a um show do saudoso David Bowie que, além de fazer uma ponta, marca presença na trilha sonora, composta por várias músicas de sua fase alemã, como a inesquecível “Heroes”.

OVOS DE OURO

Famoso por retratar, desde seus primeiros filmes, a sexualidade e as aspirações da classe média espanhola, Bigas Luna dirigiu esta história de ascensão e queda de um típico machão hispânico, cujas motivações materiais compõem um quadro crítico do homem contemporâneo. Com título sugestivo, o filme traz no elenco Javier Bardem, já se notabilizando como galã, e uma pequena participação de Benicio Del Toro. Prêmio Especial do Júri no Festival de San Sebastián.

SEGUNDA PELE

Produção espanhola centrada no dilema vivido pelo personagem de Jordi Mollà (“Profissão de Risco”), dividido entre a sensação de normalidade do casamento e o desejo compartilhado com o amante – interpretado por Javier Bardem, com quem protagoniza ousadas cenas de sexo. Sem apontar culpados, o filme explora a dor advinda da traição, sem esquecer também do ponto de vista da esposa.

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 E S T O Q U E S    L I M I T A D O S

DICAS PARA O FERIADO

O Processo
(Le Procès, FRA/ITA/ALE, 1962, P&B, 119′)
De: Orson Welles
Com: Anthony Perkins, Romy Schneider, Jeanne Moreau

Numa certa manhã, um homem é preso e acusado de um estranho crime que não cometeu. Versão bastante fiel do clássico romance de Franz Kafka, dirigida por Orson Welles, que conseguiu efeitos impressionantes, apoiado numa trilha sonora de jazz e em um elenco de primeira, com destaque para Anthony Perkins e Romy Schneider (lindamente sutil como uma adorável enfermeira/amante).

Sugestão de
Marcelo Rodrigo
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Os Irmãos Grimm
(The Brothers Grimm, EUA/ING, 2005, Cor, 119′)
De: Terry Gilliam
Com: Matt Damon, Heath Ledger, Monica Bellucci

Famosos contadores de história, Will e Jake Grimm viajam mundo afora dizendo que enfrentam monstros e demônios para, em troca, extrair dinheiro fácil de humildes populações. Porém, um dia a corte francesa os força a enfrentar um feitiço verdadeiro em uma floresta encantada, onde donzelas desaparecem misteriosamente. Os Irmãos Grimm é uma aventura com toques de comédia e mistério, com ótima dupla central (Matt Damon e Heath Ledger) e a participação ilustre de Monica Bellucci (Irreversível).

Sugestão de
Natalia Cavalcante
Colaboradora da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

Capitães de Abril
(Idem, POR/FRA, 2000, Cor, 124′)
De: Maria de Medeiros
Com: Stefano Accorsi, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida

Dirigido por Maria de Medeiros e com uma reconstituição de época excelente, o filme consegue retratar a Revolução de Cravos de forma clara, fiel e sincera. A vontade de um mundo melhor da população soma-se aos ideais de liberdade dos jovens oficiais que foram às ruas para derrubar Salazar, ao som da canção proibida Grândois.

Sugestão de
Bruno Lanzellotti
Colaborador da 2001 Washington Luís
Avenida Washington Luís, 1708, Jd. Marajoara – São Paulo – SP

E, em virtude da 15ª Parada Gay a ser realizada em São Paulo no próximo domingo (26/6), segue uma seleção especial com filmes que tratam de alguns dos conflitos e dilemas enfrentados pela comunidade LGBT em diferentes épocas:

Paixão Selvagem
(Je t’aime moi non plus, FRA, 1976, Cor, 83′)
De: Serge Gainsbourg
Com: Jane Birkin, Joe Dallesandro, Hugues Quester

Estreia na direção do compositor e cantor francês Serge Gainsbourg (1928-1991), a ousada história de amor entre o personagem homossexual de Joe Dallesandro (ator-fetiche de Andy Warhol e Paul Morrissey) e uma misógina Jane Birkin provocou escândalo e eternizou a música Je T’Aime Moi Non Plus. Composta originalmente para Brigitte Bardot, a escandalosa canção encontrou na inglesa Jane o par perfeito para Serge. Os dois foram casados e tiveram uma filha, Charlotte Gainsbourg, que recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes por sua corajosa interpretação em Anticristo, de Lars von Trier.

Segunda Pele
(Segunda Apiel, ESP, 1999, Cor, 100′)
De: Gerardo Vera
Com: Javier Bardem, Jordi Mollà, Ariadna Gil

Produção espanhola centrada no dilema vivido pelo personagem de Jordi Mollà (Profissão de Risco), dividido entre a sensação de normalidade do casamento e o desejo compartilhado com o amante – interpretado por Javier Bardem, com quem protagoniza ousadas cenas de sexo. Sem apontar culpados, o filme explora a dor advinda da traição, sem esquecer também do ponto de vista da esposa.

Maurice
(Idem, ING, 1987, Cor, 140′)
De: James Ivory
Com: James Wilby, Hugh Grant, Rupert Graves, Denholm Elliott

Escrito por E.M. Forster (1879-1970) e publicado postumamente, o romance Maurice retrata as dificuldades do personagem-título em lidar com sua homossexualidade na repressora Inglaterra do começo do século XX. A adaptação para cinema é mais uma requintada produção de Ismail Merchant com direção de James Ivory, responsáveis por outras duas bem-sucedidas adaptações da obra de Forster para o cinema:Uma Janela para o AmorRetorno a Howards End.

O Padre
(Priest, ING, 1994, Cor, 96′)
De: Antonia Bird
Com: Linus Roache, Tom Wilkinson, Robert Carlyle

Corajosa estreia na direção da inglesa Antonia Bird (Mortos de Fome, WTC – Por Trás do 11 de Setembro), a polêmica produção enfrentou problemas com a censura e com organizações católicas do reino Unido. Além de abordar de forma franca a homossexualidade de seu personagem central, O Padre questiona dogmas da igreja católica como o celibato e o segredo de confissão.

Infâmia
(The Children’s Hour, EUA, 1961, P&B, 108′)
De: William Wyler
Com: Audrey Hepburn, Shirley MacLaine, James Garner, Fay Bainter

Dirigido pelo grande William Wyler (Ben-Hur), o filme adapta a ousada peça de estreia de Lillian Hellman. Escrito nos anos 30, o texto provocou escândalo ao discutir preconceitos como o amor entre duas mulheres e, muito antes de Dúvida (2008), mostrou como uma acusação (verdadeira ou não) pode destruir uma ou mais vidas.

E a Vida Continua
(And the Band Played On, EUA, 1993, Cor, 140′)
De: Roger Spottiswoode
Com: Matthew Modine, Richard Gere, Anjelica Huston

A HBO reuniu um grande elenco internacional para reproduzir a corrida contra o tempo (e interesses) enfrentada por cientistas e médicos na luta contra a AIDS no início dos anos 1980. Com o carisma de astros como Richard Gere e críticas ao governo do então presidente Ronald Reagan, o telefilme é uma denúncia ainda mais relevante hoje, quando a população mundial já não é mais tão alertada sobre os riscos de contaminação como era antes.

Como Esquecer
(Idem, BRA, 2010, Cor, 100′)
De: Malu De Martino
Com: Ana Paula Arósio, Murilo Rosa, Natália Lage

Premiada como melhor atriz pela APCA, Ana Paula Arósio interpreta um contraponto feminino ao deprimido professor de Colin Firth em Direito de Amar (2010). Com diálogos cortantes e belas reflexões na primeira pessoa, Como Esquecer narra a angústia emocional de uma intelectual austera, reservada e por vezes irascível, que sofre para superar a ausência de seu grande amor.