Stanley Kubrick

10 LANÇAMENTOS PARA OS FÃS DE CLÁSSICOS DO CINEMA

DESAPARECIDO – UM GRANDE MISTÉRIO

Baseado em fatos reais, este thriller político do cineasta franco-grego Costa-Gavras (“Z“) recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e o Oscar de melhor roteiro adaptado. Na trama, um jovem jornalista americano (John Shea) desaparece no Chile durante o golpe de estado liderado por Augusto Pinochet, em 1973. Seu pai (Jack Lemmon, também premiado em Cannes) vai até o país e, ao lado da esposa do rapaz (papel de Sissy Spacek), busca informações sobre seu paradeiro.

ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE

Enquanto não estreia nos cinemas a nova adaptação da obra de Agatha Christie, com direção de Kenneth Baranagh, vale a pena ver (ou rever) a versão de 1974, premiada com o Oscar de melhor atriz coadjuvante para Ingrid Bergman. Sidney Lumet (“Rede de Intrigas“) conduz um elenco de estrelas, com Albert Finney no papel de Hercule Poirot, inspetor belga que tenta desvendar um intrigante caso de assassinato a bordo do Expresso Oriente.

STANLEY KUBRICK – THE NOIR COLLECTION

DVD com dois filmes do início de carreira do genial diretor de “2001: Uma odisseia no Espaço“. Em “A Morte Passou Perto” (1955), seu segundo longa-metragem, um boxeador nova-iorquino começa a correr perigo quando ele decide proteger uma dançarina de cabaré envolvida com um gangster. Já em “O Grande Golpe” (1956), considerado um dos grandes filmes noir da história, um ex-presidiário (Sterling Hayden) planeja um assalto durante a corrida de cavalos mais importante do ano.

O CONTO DO CZAR SALTAN

Imortalizado na ópera de Rimsky-Korsakov, o célebre poema de Aleksandr Pushkin é transposto para a tela por Aleksander Ptushko, diretor russo especializado em efeitos especiais de animação stop motion. Em clima de fábula, “O Conto do Czar Saltan” narra a saga do príncipe Gvidon, que é jogado ao mar junto com sua mãe czarina após ser traída pelas irmãs dela. Com a ajuda de um cisne encantado que realiza seus desejos, o príncipe inicia uma fantástica aventura em busca do pai.

PRÍNCIPE VALENTE

Henry Hathaway (“Bravura Indômita“) dirige esta aventura de capa e espada baseada nas histórias em quadrinhos de Harold “Hal” Foster, com Robert Wagner na pele do herói, Janet Leigh no papel da mocinha e James Mason como o vilão Cavaleiro Negro. Quando atinge a maioridade, o príncipe é enviado por seu pai a Camelot para se tornar cavaleiro, mas é atacado por um desconhecido.

SATÃ JANTA CONOSCO

Clássica comédia baseada em sucesso da Broadway, com Monty Woolley repetindo no cinema o papel de um famoso (e manipulador) autor fictício, Sheridan Whiteside. Após sofrer uma fratura, ele fica obrigado a ficar na casa dos Stanley, em Ohio, e transforma a vida de todos num inferno. Bette Davis interpreta sua secretária, Maggie Cutler.

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Box Bette Davis

CONSCIÊNCIAS MORTAS

Dirigido por William Wellman (“Beau Geste”), este western trata de um tema universal: a justiça com as próprias mãos. Henry Fonda interpreta um forasteiro que tenta impedir o linchamento dos supostos assassinos de um fazendeiro na pequena cidade de Ox-Bow. Um dos melhores faroestes psicológicos já realizados, indicado ao Oscar de melhor filme em 1944.

QUANDO UM HOMEM É HOMEM

Este western cômico marca a quarta de cinco parcerias entre John Wayne e Maureen O’Hara (“Depois do Vendaval“) e é livremente inspirado em “A Megera Domada”, de Shakespeare. O “Duke” dá vida a George Washington McLintock, um altivo barão do gado que entra em guerra com sua teimosa esposa Katherine (O’Hara), que o abandonou dois anos antes.

AO COMPASSO DO AMOR

Em seu primeiro filme juntos, Fred Astaire e Rita Hayworth interpretam dois parceiros de dança. Os dois formam triângulo amoroso com um produtor casado (Robert Benchley) que está interessado na moça. Musical indicado ao Oscar de melhor trilha sonora e canção original – “Since I Kissed My Baby Goodbye”, de Cole Porter.

NAS ÁGUAS DA ESQUADRA

O quinto de dez musicais com a dupla Fred Astaire e Ginger Rogers na tela, com trilha musical de Irving Berlin e canções como “Let’s Face The Music And Dance” e “Let Yourself Go”. A história acompanha o marinheiro e ex-dançarino Bake Baker (Astaire), que tenta reacender a chama com sua antiga parceira, Sherry Martin (Rogers).

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Box Fred e Ginger

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: 10 FILMES EXIBIDOS NA 37ª MOSTRA DE SP

COM A 37ª EDIÇÃO DA MOSTRA INTERNACIONAL DE CINEMA DE SÃO PAULO CHEGANDO AO FIM, SELECIONAMOS PRODUÇÕES EXIBIDAS NO EVENTO DESTE ANO QUE FAZEM PARTE DO ACERVO DA 2001:

O Deserto dos Tártaros*
(Il Deserto dei Tartari, ITA/FRA, 1976, Cor, 141’)
Direção: Valerio Zurlini
Elenco: Jacques Perrin, Philippe Noiret, Vittorio Gassman, Jean-Louis Trintignant, Giuliano Gemma

01Com fotografia de Luciano Tovoli (“Titus”) e trilha sonora do mestre Ennio Morricone (“A Missão”, “Cinema Paradiso”), “O Deserto dos Tártaros” é o último trabalho do cineasta Valerio Zurlini, que levou anos para realizá-lo, devido a problemas financeiros que atrasaram sua produção.

Diretor de clássicos do cinema italiano, como “Dois Destinos” (1962) e “A Primeira Noite de Tranquilidade” (1972), Zurlini realizou uma ambiciosa adaptação do romance homônimo de Dino Buzzati, uma bela metáfora sobre o vazio da guerra. O filme acompanha um grupo de soldados que espera – abrigado em um forte no meio do deserto – por um inimigo que nunca chega.

* Prêmio David di Donatello de melhor filme e direção

O Sol por Testemunha
(Plein Soleil, FRA/ITA, 1960, Cor, 116′)
Direção: René Clément
Elenco: Alain Delon, Maurice Ronet, Marie Laforêt

010“O Sol por Testemunha” é a primeira versão de “O Talentoso Ripley”, o famoso livro policial de Patricia Highsmith, adaptado também por Anthony Minghella em 1999. Lançado em DVD pela Versátil, esse clássico suspense é apresentado em versão restaurada e remasterizada no formato widescreen, que resgata a beleza da fotografia solar do mestre Henri Decae.

O amoral Tom Ripley (Alain Delon) aceita de um rico industrial a missão de trazer de volta para casa seu filho Philippe (Maurice Ronet, de “Trinta Anos Esta Noite”), que vive com a namorada Marge (Marie Laforêt) na paradisíaca Riviera Italiana. Frio e calculista, Ripley se aproxima de Philippe, tornando-se seu melhor amigo, e dando início a um plano diabólico.

Com direção precisa de René Clément (“Brinquedo Proibido”) e música de Nino Rota (“O Poderoso Chefão”), “O Sol por Testemunha” é um eletrizante filme noir “invertido”, em que o sol sufocante toma o lugar das sombras da noite.

Barry Lyndon*
(Idem, EUA/ING, 1975, Cor, 180′)
Direção: Stanley Kubrick
Elenco: Ryan O’Neal, Marisa Berenson, Patrick Magee, Hardy Krüger, Steven Berkoff, Leonard Rossiter

09Baseado no clássico de William Makepeace Thackeray, “Barry Lyndon” não alcançou o sucesso de público e crítica dos trabalhos anteriores de Stanley Kubrick (“2001”, “Laranja Mecânica”). Longo (3 horas de duração) e de ritmo lento e contemplativo, o suntuoso épico do cineasta foi sendo, com o tempo, reavaliado como um dos filmes mais belos da história do cinema. A atenção obsessiva do lendário diretor com cada detalhe é percebida nas deslumbrantes imagens da fotografia de John Alcott, que teve nas telas do pintor Thomas Gainsborough a sua principal inspiração. Uma das filmagens mais longas da história, a produção foi rodada em cerca de 300 dias ao longo de 2 anos.

Homenageado com uma grande exposição atualmente no MIS, em São Paulo, Kubrick é lembrado também pelas inovações técnicas que trouxe ao cinema. Com “Barry Lyndon” não é diferente. Numa iniciativa pioneira, ele e Alcott utilizaram câmeras especiais projetadas pela NASA para filmar sequências inteiras em interiores sem luz artificial, aproveitando apenas a claridade das velas.

 
Em tom de fábula pitoresca, o filme narra a trajetória de ascensão e queda de Redmond Barry (Ryan O’Neil, em papel destinado a Robert Redford), um irlandês pobre que, a partir de uma série de desventuras, transforma o seu destino. Em sua busca por status e prosperidade material, ele tira proveito das poucas oportunidades que a vida lhe reserva e ingressa na aristocracia britânica, no final do século XVIII.

* Oscar de melhor fotografia, direção de arte, figurino e trilha sonora adaptada. Indicado ainda a filme, direção e roteiro adaptado.

* Oscar de melhor fotografia, direção de arte, figurino e trilha sonora adaptada. Indicado ainda a filme, direção e roteiro adaptado.

Fogo e Paixão
(Idem, BRA, 1988, Cor, 90’)
Direção: Isay Weinfeld, Marcio Kogan
Elenco: Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Tonia Carreiro, Rita Lee, Regina Casé

05Típico cult-movie dos anos 1980 (em temática e estética), com sua galeria de personagens estranhos, o filme é uma longa excursão por pontos turísticos de São Paulo em clima de comédia de costumes. Em seu retorno para casa, um dos turistas, o japonês Kankeo, mostra o vídeo do passeio para um grupo de amigos.

No elenco, grandes nomes do teatro e cinema brasileiros, como Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Tonia Carreiro, Rita Lee, Regina Casé, Sérgio Mamberti e Nair Bello, entre outros.

Extras: Curtas-metragens “Idos com o Vento”, “Nosso Primeiro Musical”, “Canon 1218 Vida e Obra” e “Paixão Maldita”

Jogo de Cena
(Idem, 2006, Cor/P&B, 107′)
Direção: Eduardo Coutinho
Elenco: Marília Pêra, Fernanda Torres, Andréa Beltrão

02Atendendo a um anúncio de jornal, 83 mulheres contaram suas histórias de vida num estúdio. Em junho de 2006, 23 delas foram selecionadas e filmadas no Teatro Glauce Rocha. Em setembro do mesmo ano, atrizes interpretaram, a seu modo, as histórias contadas pelas personagens escolhidas.O que está em discussão é o caráter da representação.

Neste filme-experimento do mestre Eduardo Coutinho (“Cabra Marcado para Morrer”, “Moscou”), o jogo a ser jogado inclui pelo menos três camadas de representação: primeiro, personagens reais falam de sua própria vida; depois, essas personagens se tornam modelos a desafiar atrizes; e, por fim, algumas atrizes jogam o jogo de falar de sua vida real.

Extras: Pré-entrevistas com as personagens * Maria Nilza * Faixa comentada por Eduardo Coutinho, João Moreira Salles e Carlos Alberto Mattos

 
Linha de Passe*
(Idem, BRA, 2008, Cor, 113′)
Direção: Walter Salles, Daniela Thomas
Elenco: João Baldasserini, Vinícius de Oliveira, José Geraldo Rodrigues, Kaique de Jesus Santos, Sandra Corveloni

03

Quatro irmãos tentam sobreviver ao dia-a-dia da maior cidade da América Latina junto com a mãe Cleuza. Todos correm atrás de seus sonhos, que vão desde encontrar o pai até tentar esquecer um passado obscuro. Esse duro cotidiano, de uma família pobre da periferia paulistana, ganha honesto retrato pelas mãos de Walter Salles e Daniela Thomas. Inspirados em histórias reais, os diretores contaram com a participação de Bráulio Mantovani (“Cidade de Deus”) no roteiro.

Além do elenco marcado pela presença de atores novatos, o filme traz mais uma colaboração entre o cineasta Walter Salles e o jovem Vinícius de Oliveira (“Central do Brasil)”.

* Palma de Ouro de melhor atriz (Sandra Corveloni) no Festival de Cannes (2008). Melhor edição e atriz (Sandra Corveloni) no 30º Festival do Novo Cinema Latino-Americano de Havana.

Deixa Ela Entrar
(Låt den rätte komma in, SUE, 2008, Cor, 109′)
Cultura Mostra – Cinema Europeu – 16 anos
Direção: Tomas Alfredson
Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar

07A história de Oskar, um frágil e solitário garoto de 12 anos, frequentemente ameaçado por colegas mais velhos na escola. Sua rotina muda ao conhecer uma nova vizinha, Eli. Misteriosa, ela vai ajudá-lo a enfrentar seus maiores temores, escondendo de todos a sua real natureza.

Ao combinar um assustador retrato do “bullying” escolar, momentos de horror e o amor pueril de dois pré-adolescentes sob o rigoroso inverno de Estocolmo, “Deixa Ela Entrar” trouxe realismo à manjada fórmula de “filme de vampiro”.

Com momentos brilhantes de construção do suspense, o longa sueco foi recebido com entusiasmo pela crítica internacional e refilmado por Hollywood dois anos depois (“Deixe-me Entrar”), além de levar Tomas Alfredson a dirigir, na Inglaterra, o suspense “O Espião que Sabia Demais”, com Gary Oldman.

 
Ensaio Sobre a Cegueira
(Blindness, CAN/BRA/JAP, Cor)
Direção: Fernando Meirelles
Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover, Gael García Bernal, Sandra Oh

04Uma inédita epidemia de cegueira se abate sobre uma cidade não identificada. As pessoas infectadas passam a ver apenas uma superfície leitosa. Aos poucos, todos acabam cegos e reduzidos a meros seres lutando por suas necessidades básicas e expondo seus instintos primários.

Existe uma discussão infindável que abarca diversas disciplinas e versa sobre o processo civilizatório de cada indivíduo. O romance de José Saramago, publicado pela primeira vez em 1995, é um dos muitos exemplos de obras que exploram esse tema. A adaptação para o cinema ficou a cargo do roteirista canadense Don McKellar (também cineasta e ator) cujo resultado final agradou o inicialmente cético escritor português. O filme marcou mais uma etapa internacional na carreira do diretor Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel”).

Almas à Venda
(Cold Souls, EUA/FRA, 2009, Cor, 101’)
Direção: Sophie Barthes
Elenco: Paul Giamatti, Emily Watson

08Paul Giamatti vive um ator neurótico chamado… Paul Giamatti, que está ensaiando a peça “Tio Vanya” (de Anton Tchékhov) e decide livrar-se de sua alma para não mais sofrer da angústia do personagem principal. Com o tempo, no entanto, percebe que sem ela perde sua essência, o que o impede de atuar, tornando-se um péssimo ator.

Com ecos de  Charlie Kaufman (“Quero Ser John Malkovich”, “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”), o fascinante roteiro metalinguístico da diretora-estreante Sophie Barthes brinca de maneira inteligente com algo indelével ao indivíduo: o peso do sofrimento humano.

 
A Onda
(Die Welle, ALE, 2008, Cor, 106’)
Direção: Dennis Gansel
Elenco: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Jennifer Ulrich

06Professor de ensino médio, Rainer Wegner planeja explicar autocracia para seus alunos. Devido ao desinteresse deles, propõe experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder, sem que os alunos saibam de seu intento.

Polêmica produção alemã baseada no romance homônimo de Morton Rhue, que reconta de forma ficcional o experimento realizado pelo professor de história William Ron Jones em Palo Alto (Califórnia), em 1967. Para imprimir maior impacto à trágica história, o diretor Dennis Gansel mudou personagens e transpôs os eventos para a Alemanha atual, acentuando a semelhança da lavagem cerebral nazista com a experiência realizada em sala de aula.

Sem tomarem consciência, os alunos de “A Onda” passam a adotar logotipo, uniforme e comportamento despersonalizado (incluindo até saudação padrão), fazendo seu professor perder totalmente o controle da situação.