Sundance Festival

É TUDO VERDADE! EM VÁRIOS DOCUMENTÁRIOS RECÉM-LANÇADOS NA 2001

NO PACOTE DE DOCUMENTÁRIOS QUE ACABA DE CHEGAR NA 2001, DESCUBRA O OLHAR DE DIFERENTES CINEASTAS PARA ASSUNTOS QUE VÃO DAS ARTES PLÁSTICAS À REALIDADE DO SISTEMA JUDICIAL BRASILEIRO.

Conheça o trabalho de Marina Abramovic e Ai Weiwei – dois dos mais importantes nomes da arte contemporânea -, as diferentes vertentes da música caribenha, os bastidores de quatro peças de teatro aqui no Brasil, a história da fotografia, e muito mais. É a força do cinema documentário na 2001.

A ARTISTA ESTÁ PRESENTE

1

Dirigido por Mathews Akers, o documentário apresenta cenas de bastidores e o trabalho da celebrada artista sérvia Marina Abramovic. A partir de retrospectiva de sua obra organizada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), em 2010, entenda porque Marina é considerada a mais importante e relevante artista performática da atualidade. Vencedor da categoria “Escolha da audiência” da mostra Panorama no Festival de Berlim em 2012.

AI WEIWEI – SEM PERDÃO

2

Premiado no Festival de Sundance, o filme de Alison Klayman acompanha três anos da vida do artista e ativista chinês Ai Weiwei, famoso por usar as mídias sociais e sua arte para inspirar protestos contra a ditadura em seu país. Como resultado, teve seu blog cancelado e seu estúdio destruído, foi espancado e preso. É a história, vista de perto, de um dissidente da era digital que inspira o público e confunde os limites entre arte e política global.

NOSTALGIA DA LUZ

3

Dirigido pelo chileno Patricio Guzmán (“A Batalha do Chile”), o documentário é considerado um dos melhores filmes latino-americanos da última década. No deserto de Atacama, astrônomos de todo o mundo se reúnem para observar as estrelas. Ao mesmo tempo em que eles pesquisam as galáxias em busca de vida extraterrestre, um grupo de mulheres procura os corpos de seus parentes, desaparecidos durante a ditadura militar sob o regime de Pinochet.

MÚSICA LIBRE

4

Minissérie documental com cinco episódios que revelam o universo musical de países do Caribe. Filmada em Cuba, Jamaica, Haiti, República Dominicana e Trinidad & Tobago, a produção traz um panorama da cena de cada país, mostrando ritmos tradicionais e contemporâneos através de memoráveis performances e entrevistas com grandes músicos como Chucho Valdés, Omara Portuondo, Sly Dunbar, entre outros. Direção de Carolina Sá.

O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS

5

Dirigido pelo pernambucano Lírio Ferreira (“Baile Perfumado”, “Sangue Azul“), o longa relata a história do músico Humberto Teixeira. Precursor da criação do Baião, criou clássicos como “Kalú”, “Asa Branca”, “Juazeiro” e, junto com Luiz Gonzaga, revolucionou a música popular brasileira. Depoimentos de, entre outros, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethania, Gal Costa, Fagner, Belchior, Lenine, Otto, Bebel Gilberto e David Byrne.

OS DIAS COM ELE

6

Dirigido por Maria Clara Escobar, o filme tem como eixo a sua relação com o pai, o filósofo, dramaturgo e professor Carlos Henrique Escobar. As descobertas e frustrações de acessar a memória de um homem – e de um período negro da história brasileira – permeiam a narrativa que caminha entre o campo afetivo e a investigação do passado. Melhor Filme do Festival de Cinema de Tiradentes e vencedor da Menção Honrosa no Festival de Cinema de Havana.

TERCEIRO SINAL

7

A fotógrafa e documentarista Sandra Delgado dirige esta série que mostra os bastidores de quatro peças teatrais, dirigidas por Aderbal Freire-Filho (“Hamlet”), José Celso Martinez Corrêa (“Estrela Brazyleira a Vagar – Cacilda!!”), Domingos Oliveira (“Do Fundo do Lago Escuro”) e Amir Haddad (“As Meninas”). Delgado acompanhou cerca de 6 horas de ensaios diários das produções, de 2008 a 2010, elaborando um fascinante making of para os fãs de teatro.

ROMANCE DE FORMAÇÃO

6

O documentário da jovem Julia De Simone mergulha no cotidiano de quatro estudantes brasileiros em algumas das escolas mais renomadas do mundo. Jovens que carregam consigo a responsabilidade de crescer dentro de grandes instituições acadêmicas, com seus sonhos e anseios. Nesse percurso, eles alcançam muitas conquistas e deixam para trás várias ilusões.

JUSTIÇA & JUÍZO

8

Dois aclamados – e premiados – documentários de Maria Augusta Ramos. Em “Justiça” (2004), ela pousa sua câmera no Tribunal de Justiça no Rio de Janeiro, acompanhando o cotidiano tanto daqueles que trabalham ali (defensores públicos, juízes, promotores) como daqueles ali de passagem (réus). Já em “Juízo” (2007), Ramos mostra a trajetória de menores de 18 anos diante da lei, desde o instante da prisão até seu julgamento por roubo, tráfico ou homicídio.

CONTATOS 1 – A GRANDE TRADIÇÃO DO FOTOJORNALISMO

9

Primeiro de uma série de três volumes na qual um conjunto de imagens são comentadas por seus autores a fim de analisar o processo criativo da fotografia. Doze fotógrafos discutem seus métodos de trabalho – como quem organiza um livro de memórias ou retorna ao acontecimento enquadrado, com a ajuda destes blocos de notas visuais. Inclui o livreto “O Presente Infinito”. Filmes incluídos no DVD:

1. Henri Cartier-Bresson, de Robert Delpire (França, 1994. 12’)

2. William Klein, de William Klein (França, 1990. 15’)

3. Raymond Depardon, de Raymond Depardon e Roger Ikhlef (França, 1990. 13’)

4. Josef Koudelka, de Robert Delpire (França, 1990. 12’)

5. Robert Doisneau, de Sylvain Roumette (França, 1990. 15’)

6. Edouard Boubat, de Roger Ikhlef (França, 1994. 15’)

7. Elliott Erwitt, de Elliott Erwitt (França, 2002. 12’)

8. Marc Riboud, de Alain Taieb (França, 1990. 13’)

9. Leonard Freed, de Alain Taieb e Leonard Freed (França, 1990. 13’)

10. Mario Giacomelli, de Yervant Gianikian e Angela Ricci Lucchi (França, 1994. 14’)

11. Helmut Newton, de Philippe Collin (França, 1990. 12’)

12. Don McCullin, de Sylvain Roumette (França, 1993. 14’)

CONTATOS 2 – A RENOVAÇÃO DA FOTOGRAFIA CONTEMPORÂNEA

10

Segundo volume da série baseada em ideia de William Klein, com onze fotógrafos discutindo seus métodos de trabalho. Inclui os filmes:

1. Sophie Calle, de Jean-Pierre Krief (França, 1997. 13′)

2. Nan Goldin, de Jean-Pierre Krief (França, 1999. 13′)

3. Duane Michals, de Dominique Dubosc (França, 1993. 13′)

4. Sarah Moon, de Sarah Moon (França, 1994. 13′)

5. Nobuyoshi Araki, de Jean-Pierre Krief (França, 2000. 14′)

6. Hiroshi Sugimoto, de Jean-Pierre Krief (França, 2000. 14′)

7. Andreas Gursky, de Sylvain Roumette (França, 1999. 13′)

8. Thomas Ruff, de Jean-Pierre Krief (Franca, 1997. 13′)

9. Jeff Wall de Jean-Pierre Krief (França, 2000. 14′)

10. Lewis Baltz, de Sylvain Roumette (França, 1997. 13′)

11. Jean-Marc Bustamante, de Marie-Dominique Dhelsing (França, 2000. 13′).

CONTATOS 3 – A FOTOGRAFIA CONCEITUAL

12

Desta vez, dez fotógrafos discutem seu processo de trabalho nos seguintes vídeos:

1. John Baldessari, de Jean-Pierre Krief (França, 2002. 14’)

2. Bernd & Hilla Becher, de Jean-Pierre Krief (França, 2002. 15’)

3. Christian Boltanski, de Alain Fleischer (França, 2002. 12’)

4. Alain Fleischer, de Alain Fleischer (França, 2002. 14’)

5. John Hilliard, de Jean-Pierre Krief (França, 2002. 14’)

6. Roni Horn, de Jean-Pierre Krief (França, 2004. 13’)

7. Martin Parr, de Françoise Marie e Jean-Pierre Krief (França, 2002. 15’)

8. Georges Rousse, de Jean-Pierre Krief (França, 2002. 14’)

9. Thomas Struth, de Jean-Pierre Krief (França, 2002. 15’)

10. Wolfgang Tillmans, de Jean-Pierre Krief (França, 2004. 13’)

DICAS PARA O FIM DE SEMANA: INÉDITOS NOS CINEMAS, AGORA NA 2001

Confira a seguir as dicas da equipe 2001 Vídeo:

Frank e o Robô
(Robot & Frank, EUA, 2012, Cor, 89′)
Sony – Drama – 12 anos
Direção: Jake Schreier
Elenco: Frank Langella, James Marsden, Liv Tyler, Peter Sarsgaard, Susan Sarandon, Jeremy Sisto

frank-e-o-robo-dvd

Ambientado “em um futuro próximo”, numa bucólica cidade nos arredores de Nova York, o filme é um singelo conto em torno de Frank (Frank Langella, indicado ao Oscar por “Frost/Nixon“). Aos 70 anos, já aposentado, o personagem vive solitário numa casa afastada da cidade ou vizinhos, e começa a demonstrar sinais de perda da memória. Ele fala com Hunter (James Marsden), o filho mais velho, como se este ainda estivesse na universidade e esquece que seu restaurante favorito fechou há anos. Preocupado, Hunter presenteia o pai com um robô “coordenador de saúde”, uma espécie de mordomo que irá ajudar nas tarefas domésticas e lhe fazer companhia.

Avesso a novas tecnologias, Frank desdenha do presente e custa a aceitar a ajuda do robô (dublado por Peter Sarsgaard), mas com o tempo começa a aceitá-lo, já que a máquina revela-se mais versátil do que ele pensava. Não só versátil, mas confidente e até colaborativa, a partir do momento em que a trama revela que o pacato protagonista cumpriu, no passado, pena na prisão por assalto e evasão fiscal. O robô começa a aprender os truques e a ajudar o ladrão, que planeja a volta à ativa com um novo golpe.

Premiado nos EUA, e inédito no Brasil, o filme conta ainda com a presença sempre marcante de Susan Sarandon, no papel de uma amiga (e interesse amoroso) de Frank

Premiado nos EUA, e inédito no Brasil, o filme conta ainda com a presença sempre marcante de Susan Sarandon, no papel de uma amiga (e interesse amoroso) de Frank

Vencedor do prêmio Alfred P. Sloan no Festival de Sundance em 2012, “Frank e o Robô” toma caminhos inesperados com a subtrama de assalto, mas prende mesmo a atenção é com a espirituosa (e por vezes inusitada) interação entre o grande ator Frank Langella e seu comparsa cibernético.

 
Temple Grandin*
(Idem, EUA, 2010, Cor, 107′)
Warner – Drama – 10 anos
Direção: Mick Jackson
Elenco: Claire Danes, Julia Ormond, David Strathairn, Catherine O’Hara

02Alçada à fama com “Romeu + Julieta” (1996), no qual atuou ao lado de Leonardo DiCaprio, Claire Danes reinventou-se como atriz ao protagonizar, em 2010, o telefilme “Temple Grandin”. Consolidada na TV americana, logo depois ela brilharia também na aclamada série “Homeland“.

Parcialmente narrado em flashbacks, o premiado telefilme da HBO é baseado na história real da personagem-título, uma autista que revolucionou o tratamento do gado para abate na América, além de lutar contra o estigma de uma doença pouco compreendida na época.

Temple lutou a vida inteira para superar os desafios impostos pelo autismo e conseguiu tirar proveito de sua excepcional habilidade de pensar e ver o mundo em imagens. Sua trajetória começa nos anos 1960, com a entrada numa escola especial, onde conhece um professor (David Strathairn, de “Boa Noite e Boa Sorte”) que acredita em seu potencial. Sem jamais desistir, ela consegue ingressar na universidade e trabalhar na indústria do gado.

Claire Danes, com o Emmy recebido pelo telefilme, posa ao lado da verdadeira Temple Grandin. Antes de ser consagrada pelo papel  de Carrie na série "Homeland", a atriz reinventou a sua carreira ao estrelar o premiado telefilme da HBO, agora disponível para locação na 2001

Claire Danes (com o prêmio Emmy) posa ao lado da verdadeira Temple Grandin [confira no video abaixo um depoimento dela sobre o autismo]. Antes de se consagrar com o papel de Carrie na série “Homeland”, a atriz reinventou a sua carreira ao estrelar o premiado telefilme da HBO, agora disponível para locação na 2001

Vencedora dos principais prêmios da TV, como o Emmy e o Globo de Ouro de melhor atriz, Claire vive um grande arco dramático de Temple, da adolescência até o período pós-faculdade, sem cair na caricatura de uma autista. É uma atuação emocionante, e o principal motivo para o sucesso da cinebiografia, que acerta ainda ao materializar em imagens o fascinante processo mental de Temple.

* Emmy de melhor telefilme, direção, atriz (Claire Danes), atriz coadjuvante (Julia Ormond), ator coadjuvante (David Strathairn), trilha sonora e montagem

Música da Alma
(The Sapphires, AUS, 2012, Cor, 103′)
Paris – Drama – Verifique a classificação indicativa
Direção: Wayne Blair
Elenco: Chris O’Dowd, Deborah Mailman, Jessica Mauboy, Kylie Belling, Lynette Narkle

03Diferentemente do que o pôster possa sugerir, “Música da Alma” não é uma variação australiana de “Dreamgirls“, e sim um recorte da trajetória de um grupo de soul formado por quatro mulheres aborígenes, que lutam contra a discriminação racial nos anos 1960.

Tony Briggs transformou a história de sua mãe – integrante do quarteto The Sapphires (As Safiras) original – num espetáculo musical em 2004 e transpôs a peça para o cinema em 2012. O filme retrata o abismo social enfrentado pelos povos indígenas na Austrália e apresenta, nesse cenário, um trio de irmãs aborígenes, com incrível talento para o canto, que acaba descoberto por Dave Lovelace (Chris O’Dowd, de “Missão Madrinha de Casamento”).

Músico irlandês fracassado que trabalha como DJ, Dave torna-se empresário das jovens e as estimula a trocar o estilo country/música de raiz pelo soul. Com a adição de uma quarta integrante, surge o grupo The Sapphires, assim batizado em menção ao sucesso das Supremes nos EUA.

 
Intérpretes de clássicos da Motown, as cantoras irão enfrentar o desafio de entreter as tropas americanas durante a Guerra do Vietnã, em 1968. Expostas aos horrores do conflito, “as Safiras” começam a refletir sobre a sua identidade, ao servir de atração a outro tipo de colonizador.

O Sistema
(The East, EUA/ING, 2013, Cor, 116′)
Fox – Drama – 14 anos
Direção: Zal Batmanglij
Elenco: Brit Marling, Alexander Skarsgård, Ellen Page, Toby Kebbell, Patricia Clarkson, Julia Ormond

04Revelada na ficção-científica indie “A Outra Terra“, a atriz Brit Marling coescreveu – ao lado do diretor Zal Batmanglij – o explosivo drama “O Sistema”, exibido no Festival de Sundance em 2012. Produzidos pelos irmãos Ridley (de “O Conselheiro do Crime”, que acaba de estrear no Brasil) e Tony Scott (falecido em 2012), o longa acompanha a jornada de Sarah (Brit), funcionária de uma empresa de segurança privada. Ambiciosa, ela é escolhida para atuar como agente infiltrada num grupo de ativistas radicais denominado “O Leste” (The East, título original do filme).

“Somos o Leste e este é apenas o começo”, informa em voz off na abertura Izzy (Ellen Page, de “Juno”), uma das militantes do grupo “eco-terrorista” que planeja, nos próximos seis meses, contra-atacar três grandes empresas supostamente responsáveis por comercializar produtos nocivos à saúde ou à natureza. Sarah consegue entrar nessa espécie de coletivo anarquista, formado por jovens bem nascidos que optaram por viver idealisticamente, escondidos numa fazenda.

Inédito no Brasil, "O Sistema" traz no elenco Brit Marling ("A Negociação"), Alexander Skarsgård ("Melancolia"), Ellen Page ("A Origem) e Toby Kebbell ("Rocknrolla"). Dotado de relevância assustadora hoje, o roteiro do filme serve de alerta para os perigos do ativismo que desemboca na violência

Inédito no Brasil, e assustadoramente relevante hoje, “O Sistema” traz no elenco Brit Marling (“A Negociação”), Alexander Skarsgård (“Melancolia”), Ellen Page (“A Origem”) e Toby Kebbell (“Rocknrolla”)

Não demora para a agente disfarçada ganhar a confiança de seu alvo, e ao mesmo tempo simpatizar cada vez mais com seus ideais, além de se deixar envolver por seu líder – o misterioso e sedutor Benji. Interpretado por Alexander Skarsgaard (um dos vampiros de “True Blood“), o personagem, de aura messiânica, confere conotação de culto à organização “ativista”, que comete atos extremos como envenenar os funcionários de uma empresa farmacêutica com o mesmo remédio por ela fabricado e que custou a vida de pacientes inocentes.

Com seu grupo de anarquistas/terroristas dotados de consciência social, o filme entra em um terreno perigoso, ainda mais nos dias atuais com a eclosão de violentas manifestações populares ao redor do mundo. As motivações dos personagens de “O Sistema” partem de causas legítimas, mas seus atos incorrem na velha justiça com as próprias mãos.

 
Spring Breakers – Garotas Perigosas
(Spring Breakers, EUA, 2012, Cor, 94′)
Universal – Drama – 18 anos
Direção: Harmony Korine
Elenco: Vanessa Hudgens, Selena Gomez, Ashley Benson, Ashley Benson, Rachel Korine

05Corroteirista de “Kids” e diretor de “Gummo – Vidas sem Rumo”, Harmony Korine volta a causar polêmica com “Spring Breakers”, filme que atingiu inesperado sucesso de bilheteria nos EUA, apresentando um retrato nada lisonjeiro da juventude atual.

O longa acompanha a busca incessante por novas sensações e, acima de tudo, prazer, que preenche o vazio de quatro amigas que vão passar, no calor da Flórida, as tais férias de primavera do título. Sob o olhar crítico e ao mesmo tempo fetichista de Korine, as personagens interpretadas por Selena Gomez (“Ramona e Beezus”), Ashley Benson (“The OC”), Vanessa Hudgens (de “High School Musical”!) e Rachel Korine (esposa do diretor) entram numa espiral de sexo e drogas que culmina com a sua prisão.

A liberdade, mediante o pagamento de fiança, vem na figura de um extravagante traficante chamado Al (ou “Alien”), interpretado por James Franco, que compõe uma caricatura dos “gangsta rappers”. Fã de “Scarface”, o bandido simboliza a ostentação material do “sonho americano” levado às últimas consequências, com seus carros de luxo, roupas de marca e vocabulário limitado.

 
Imagens de farras sexuais adolescentes à la, por exemplo, “Jersey Shore” (da MTV) ou “Wild On” (do canal “E”) pontuam a narrativa como um contraponto irônico à realidade fantasiosa das protagonistas. “Você tem que fingir que é um jogo de videogame”, afirma, despreocupadamente, uma das jovens em determinado momento. À semelhança de um longo videoclipe lisérgico – pense em, por exemplo, “Smack My Bitch” da banda Prodigy -, o filme, goste ou não, recria o estado de letargia mental de jovens que confundem diversão com transgressão, ou até mesmo violência. A pergunta é: a troco de quê?

Butter – Deslizando na Trapaça
(Butter, EUA, 2011, Cor, 90′)
Europa – Comédia – Verifique a classificação indicativa
Direção: Jim Field Smith
Elenco: Jennifer Garner, Yara Shahidi, Ty Burrell, Hugh Jackman, Olivia Wilde, Alicia Silverstone

06Sem chamar a atenção no cinema desde o o escândalo que causou em “O Último Tango em Paris“, a manteiga ganha destaque na comédia de humor negro apropriadamente chamada “Butter”. Caricatura da classe média estadunidense, a produção explora as idiossincrasias de uma competição de “escultura de manteiga” que, por mais incrível que possa parecer para nós do sul do Equador, é uma prática comum no norte dos EUA.

Considerado o “Michelangelo da margarina”, por vencer o campeonato anual 15 vezes, Bob Pickler (Ty Burrell, de “Modern Family”) sai da disputa para dar lugar a sua ambiciosa esposa Laura (Jennifer Garner, “De Repente 30”).

Alpinista social, conservadora e neurótica, a madame fará de tudo para vencer, mas encontra uma adversária mais talentosa: uma menina afro-americana de apenas 11 anos. Em busca de reconhecimento social em seu mundinho de aparências, a personagem de Jennifer entra num crescendo de insanidade com a simples possibilidade de perder, lembrando outra obsessiva do cinema, a protagonista de “Eleição” (1999). A trama de enganos e intrigas se complica com a entrada de uma stripper (a bela Olivia Wilde, de “House“) e de um vendedor de carros, vivido pelo Wolverine (e galã) Hugh Jackman.

“SEM SEGURANÇA NENHUMA”: INÉDITO NOS CINEMAS E PREMIADO NO FESTIVAL DE SUNDANCE

Premiado no Festival de Sundance em 2012, "Sem Segurança Nenhuma" é uma agradável surpresa, mesclando elementos de comédia, drama, romance e até ficção-científica para narrar a divertida investigação de uma equipe jornalística para localizar o autor de um estranho classificado. No anúncio, um homem procura companhia para uma viagem no tempo. Quem é esse "maluco" e o que ele realmente pretende"? Essas são algumas das questões construídas no belo roteiro do filme, premiado nos EUA

Premiado no Festival de Sundance em 2012, “Sem Segurança Nenhuma” é uma agradável surpresa, mesclando elementos de comédia surreal, drama terno e até uma viagem no tempo típica de ficção-científica para narrar a divertida investigação de uma equipe jornalística para localizar o autor de um estranho classificado. No anúncio, um homem procura companhia para uma viagem no tempo…

Sem Segurança Nenhuma*
(Safety Not Guaranteed, EUA, 2012, Cor, 86′)
California – Drama – 14 anos
Direção: Colin Trevorrow
Elenco: Aubrey Plaza, Jake Johnson, Mark Duplass, Karan Soni

Sinopse: Três funcionários de uma revista têm a missão de encontrar o misterioso sujeito que colocou um classificado à procura de alguém para viajar no tempo com ele.

* Melhor roteiro de estreia no Independent Spirit Awards e prêmio Waldo Salt Screenwriting no Sundance Film Festival

Um classificado publicado numa revista norte-americana, nos anos 1990, serviu de inspiração para esta cativante e surpreendente produção independente que não passou nos cinemas brasileiros.

Em Sem Segurança Nenhuma, Jake Johnson (da série New Girl) interpreta Jeff, um cínico e malandro jornalista da Seattle Magazine que descobre um inusitado anúncio nos classificados: “Procura-se alguém para viajar no tempo comigo. Isto não é uma piada. Você será pago após nós voltarmos. Traga suas próprias armas. Segurança não é garantida. Eu fiz isso apenas uma vez antes”. Assim surge a ideia de escrever um perfil sobre o autor maluco dessa proposta inusitada.

02

A matéria é autorizada pela chefe de redação da revista e Jeff dispõe de dois estagiários, os melancolicamente desanimados Darius (Aubrey Plaza, uma revelação) e Arnau (Karan Soni), para ajudá-lo na tarefa .

Com o número da caixa postal do anúncio, não demora para a equipe de reportagem localizar, em uma pequena cidade de Washington, o seu alvo: Kenneth Calloway. Com trinta e poucos anos, Kenneth (Mark Duplass) é um homem excêntrico, paranóico e solitário que trabalha numa loja de materiais para construção. Após frustradas tentativas de aproximação por parte de Jeff, cabe a Darius tentar o contato. “E se ele for um assassino?”, pergunta. “Aí a história fica melhor ainda”, responde o repórter, mais preocupado em rever um antigo amor na cidade do que escrever o artigo.

Darius, Arnau e Jeff espionando seu objeto de reportagem: seria será que ele é mesmo um maluco?

Darius, Arnau e Jeff espionando seu objeto de reportagem: será que ele é mesmo um maluco?

Pessimista e por vezes sarcástica, Darius se formou na faculdade e nunca experimentou um grande amor ou algo que a tirasse do tédio de sua vida. A reportagem oferece o tipo de emoção e perigo que reacendem a jovem desencantada, que consegue fazer Kenneth acreditar nela como candidata à viagem no tempo. Os dois iniciam um lúdico jogo de construção de confiança, com a estagiária passando por um rigoroso treinamento físico e mental para ser finalmente aceita na missão.

A troca de experiências com seu objeto de pesquisa tira Darius da solidão, estabelecendo entre esses dois indivíduos deslocados uma profunda ligação. A garota até então reservada entra no que parecia ser uma brincadeira para depois torcer pela possibilidade de ali haver alguma verdade, por mais insana que a missão pareça.

Dupla em treinamento para viajar no tempo: cumplicidade entre dois estranhos unidos pelo sentimento de inadequação

Dupla em treinamento para viajar no tempo: cumplicidade entre dois estranhos unidos pelo sentimento de inadequação

Produzido pelos irmãos Jay e Mark Duplass (a mesma dupla de diretores de Cyrus e Jeff e as Armações do Destino), o filme é um bom exemplo de produção indie que parte de uma ideia aparentemente simples (e também absurda) para construir um divertido e ao mesmo tempo sensível microcosmos de personagens que questionam a noção do que é ser normal.

Personagens à procura de algo que não sabem bem o que é – nem o espectador, que é mantido à margem, também intrigado em saber o que o autor do classificado realmente pretende.

“A ARTE DA CONQUISTA”

O rito de passagem de um jovem inconformista é  desenvolvido com sensibilidade em "A Arte da Conquista", drama

O rito de passagem de um jovem inconformista é desenvolvido com sensibilidade em “A Arte da Conquista”, elogiado drama adolescente exibido no Sundance Festival

A Arte da Conquista
(The Art of Getting By, EUA, 2011, Cor, 83′)
Vinny – Drama – 12 anos
Direção: Gavin Wiesen
Elenco: Freddie Highmore, Emma Roberts, Michael Angarano, Rita Wilson

Sinopse: George Zinavoy é um jovem amargurado que acredita que o ser humano nasce e morre sozinho. Com este pensamento, é difícil para ele ir à escola ou fazer os deveres de casa, tarefas que despreza. Mergulhado em sua amargura, conhece a bela Sally e começa a sentir novas sensações.

 

O filme é estrelado por

Freddie Highmore e Emma Roberts: romance teen

Exibido no Sundance Festival de 2011, o filme é, diferentemente do que o título sugere, uma produção independente sobre o rito de passagem de um jovem inconformista (Freddie Highmore, o menino de A Fantástica Fábrica de Chocolate) tentando encontrar seu lugar no mundo. Desligado de tudo, ele tem talento para desenhar e, com a ajuda de uma nova colega na escola, começa a ver o lado bom das coisas.

Ao som de bandas indie e do cantor Leonard Cohen, o protagonista encontra no amor que nutre pela amiga a motivação para seguir em frente. Além do clichê romântico de amar alguém que só o quer (aparentemente) como melhor amigo.

LOUCAMENTE APAIXONADOS

Inédito nos cinemas brasileiros, Loucamente Apaixonados traz um componente novo ao tradicional romance hollywoodiano: as leis de imigração americanas, que irão atrapalhar o jovem casal de amantes do filme

Loucamente Apaixonados
(Like Crazy, EUA, 2011, Cor, 90′)
Paramount – Romance – 14 anos
Direção: Drake Doremus
Elenco: Felicity Jones, Anton Yelchin, Jennifer Lawrence

Sinopse: Uma estudante inglesa se apaixona perdidamente por um colega de classe nos EUA e permanece no país após seu visto expirar. Depois de retornar à Inglaterra, é impedida de entrar em território americano.

 
Jacob e Ana conhecem-se na faculdade e se apaixonam perdidamente. Tudo parecia perfeito nessa delicada história de amor até surgir a burocracia dos vistos de imigração, separando o casal de apaixonados.

Anton Yelchin e Felicity Jones, premiada no Sundance Festival

Inglesa, Ana só deixa os EUA depois do término de seu visto de estudante, o que a impede de retornar ao país por ter violado as leis de imigração. Até resolver esse desenlance, Ana e Jacob tentam manter um relacionamento à distância, com eventuais viagens dele para ver a amada na Inglaterra. Mas as dificuldades para manter contato em meio à correria do dia a dia, as ambições profissionais de cada um e a entrada de Jennifer Lawrence (a estrela de Jogos Vorazes) na trama vão colocar em dúvida até que ponto a paixão pode superar a distância e o tempo longe um do outro.

Amar nunca foi tão difícil quanto entrar nos EUA ilegalmente.

Separados pela burocracia e pelas leis de imigração, a estudante inglesa e seu namorado americano terão de suportar a distância e a passagem do tempo para ficarem juntos

Produção de baixo orçamento, Loucamente Apaixonados custou cerca de US$ 250 mil e foi um dos destaques do Sundance Festival de 2011, ao lado de O Abrigo e A Outra Terra, conquistando dois prêmios (melhor filme e atriz dramática).

A OUTRA TERRA

Aclamada nos EUA e na Inglaterra, A Outra Terra é uma intrigante ficção-científica, inédita nos cinemas brasileiros. Sua chegada em DVD à 2001 permite que um público maior finalmente conheça o filme

A Outra Terra
(Another Earth, EUA, 2011, Cor, 92′)
Fox – Ficção Científica – 12 anos
Direção: Mike Cahill
Elenco: Brit Marling, William Mapother

Sinopse: Rhoda Williams, uma estudante de astrofísica no MIT, bate acidentalmente seu carro em uma van, provocando a morte da família de um compositor. Nos anos em que fica presa, astrônomos descobrem um segundo planeta Terra, que poderia ser a chave para uma realidade paralela.

 

Foi no Sundance Festival, idealizado por Robert Redford, que A Outra Terra estreou no ano passado, chamando a atenção da crítica. Filmado com poucos recursos e escrito pelo diretor estreante Mike Cahill em parceria com a atriz Brit Marling, a ficção-científica existencialista relaciona, em uma esfera universal, a tragédia pessoal sofrida por uma jovem astrofísica. Responsável por um terrível acidente, ela é consumida pelo sentimento de culpa e pela existência de um novo planeta Terra.

A notícia de uma realidade paralela mexe com sua psique, suscitando uma série de questionamentos em torno da possibilidade de haver outro “eu”. Poderei encontrar um novo “eu”, melhorado? Assim como a Terra, poderei encontrar a mim mesmo? Pensamentos que levam aos temas do duplo e da personalidade idealizada no universo intrigante de Cahill e Marling.

A partir da introspecção da personagem central, interpretada por Brit Marling (também coroteirista), A Outra Terra propõe inúmeras indagações filosóficas a respeito do lugar do indivíduo no universo

Diferentemente de outros filmes de ficção científica, A Outra Terra não depende de recursos tecnológicos, sustos e extraterrestres; seu mistério provém da mente e do medo. O medo do desconhecido.

Com cenas visualmente elaboradas (e repletas de significado), A Outra Terra não parece uma produção independente com orçamento inicial de 100 mil dólares

Coescrito, dirigido, fotografado e montado por Mike Cahill, A Outra Terra teve orçamento inicial de US$ 100 mil, financiados por sua família. As filmagens foram realizadas na cidade natal do diretor, New Haven (Connecticut, EUA), e incluíram a casa de sua mãe. O esforço valeu a pena: o filme conquistou dois prêmios no Sundance Festival em 2011, e arrecadou mais de US$ 1 milhão nos EUA.

OPINIÃO: O HOMEM AO LADO

Premiado em diversos festivais internacionais, O Homem ao Lado é mais uma prova da qualidade e diversidade do cinema argentino. Disponível em DVD na 2001, o filme é um drama imprevisível com toques de humor negro e crítica social

Quando pensamos em cinema argentino, logo associamos filmes com Ricardo Darín. Porém, o filme O Homem ao Lado (El Hombre de al Lado, 2009) foge desse estereótipo. A história se desenvolve através do conflito gerado entre dois vizinhos – Leonardo (Rafael Spregelburd) e Victor (Daniel Aráoz). O primeiro é um designer industrial de sucesso que vê, junto com a esposa, filha e empregada, sua privacidade invadida quando Victor  resolve abrir uma janela em frente a sua casa (por sinal, única obra projetada na América Latina pelo renomado arquiteto franco-suíço Le Corbusier).

O filme foi todo rodado na casa Curutchet, projetada pelo arquiteto franco-suíço Le Corbusier na cidade argentina de La Plata entre 1948 e 1949

Apesar do barulho, da situação conflituosa entre um vizinho que a todo custo quer um pouco de sol em sua casa – e o outro que acha tudo um absurdo –  e das discussões até engraçadas, a trama mostra a dificuldade que Leonardo tem em lidar com a filha e com a esposa, assim como a iniciativa de Victor em iniciar uma ‘amizade’ com o vizinho.

O ponto alto de O Homem ao Lado é esmiuçar as diferenças sociais entre um vizinho rico, egocêntrico e prepotente, que a princípio parece ser a vítima da situação, e o vizinho rude, mas de coração mole e engraçado. À distância, ele tenta de todas as formas animar a filha do vizinho com seu show, em que seus dedos vestem saias e botas estilo cowboy, dançando em um cenário com bananas, feito em uma caixa de papelão.

Premiados no Sundance Festival, os atores Rafael Spregelburd (Leonardo) e Daniel Aráoz (Victor) em cena: Duelo de interpretação – e classes sociais

O filme merece ser visto, pelo enredo e, sobretudo, pela bela atuação de Daniel Aráoz e Rafael Spregelburd, que dividiram o prêmio de melhor ator no Festival Sundance em 2010. O festival criado por Robert Reford ainda reconheceu o longa argentino nas categorias de melhor fotografia e direção (Mariano Cohn e Gastón Duprat).    

 

Comentário de
Daniele Fuica
Colaboradora da 2001 Jardins
Rua Estados Unidos, 1324, Jd. América – São Paulo – SP