Tommy

COLEÇÃO KEN RUSSELL: UM DOS LANÇAMENTOS DO ANO, COM 6 FILMES DO DIRETOR

COM 4 DISCOS, CARDS E INÚMEROS EXTRAS, O BOX RESGATA 6 LONGAS DO CINEASTA BRITÂNICO ENTRE OS ANOS 70 E 80 – INCLUINDO O SEMINAL “OS DEMÔNIOS”, A ÓPERA-ROCK “TOMMY” E O INÉDITO EM DVD “O NAMORADINHO”.

Vanessa Redgrave em “Os Demônios” (1971), perturbador clássico do cinema inglês incluído na coleção

Ken Russell, nome artístico de Henry Kenneth Alfred Russell, nasceu em 3 de julho de 1927, em Southampton, (Hampshire, Inglaterra) e faleceu em 27 de novembro de 2011, aos 84 anos.

Egresso da rede de Tv BBC, onde realizou inúmeros docudramas romanceando a vida de artistas famosos (Frederick Delius, Debussy, Isadora Duncan, Henri Rousseau, Dante Gabriel Rossetti), Russell estreou na direção de longa-metragem com “French Dressing” em 1964, seguido pelo thriller de espionagem “O Cérebro de um Bilhão de Dólares” (1967), com Michael Caine.

Seu terceiro longa, “Mulheres Apaixonadas“, causou furor em sua estreia na Inglaterra, em 1969, ao tornar explícitas as passagens mais ousadas e polêmicas do clássico homônimo escrito por D.H. Lawrence. O filme lhe valeu sua primeira (e única) indicação ao Oscar.

Mulheres Apaixonadas” (1969), vencedor do Oscar de melhor atriz para Glenda Jackson (à esquerda)

Premiado no Festival de Veneza e pelo National Board of Review (EUA), “Os Demônios” (1971) se tornou o trabalho mais controverso do diretor, explorando temas explosivos como histeria religiosa, perseguição política e a relação entre Igreja e Estado.

Historiadores divergem sobre a verdade por trás dos fatos que inspiraram a produção baseada na peça homônima de John Whiting, e em extensa pesquisa realizada por Aldous Huxley para seu romance “Os Demônios de Loudun”.

Permeado por sequências fortes de nudez e violência, o filme de Russell causou escândalo na época de seu lançamento e levou a Warner a cortar várias cenas, o que não impediu seu banimento em vários países. Misto de horror e drama histórico, “Os Demônios“, mais do que lidar com possessão, trata mesmo é do perigoso uso da religião pelo Estado.

Ken Russell no set de “Os Demônios” (1971)

A carreira do excêntrico diretor continuou com uma série de cinebiografias, abordando de maneira extravagante a vida dos compositores Tchaikovsky (“Delírio de Amor”, 1971), Gustav Mahler (“Mahler“, 1974) e Franz Liszt (no insano “Lisztomania”, 1975), além do escultor francês Henri Gaudier-Brzeska (“O Messias Selvagem”, 1972) e do astro do cinema mudo Rudolph Valentino (“Valentino – O Ídolo, o Homem“, 1977).

Russell desconcertou público e crítica com seus filmes repletos de energia, e ao mesmo tempo atuações exageradas, nudez gratuita, violência estilizada e sequências fantasiosas em ritmo de videoclipe, quase sempre exaltando a sexualidade de seus personagens.

KEN RUSSELL

No formato digipak com 4 discos, o box inclui 6 produções originais do enfant terrible do cinema inglês: O NAMORADINHO (The Boy Friend, 1971), um de seus trabalhos mais comportados, indicado ao Oscar de trilha sonora; OS DEMÔNIOS (1971), estrelado por Oliver Reed e Vanessa Redgrave, proibido em vários países e lançado em diferentes versões; o musical TOMMY (1975), baseado na a ópera-rock da banda The Who; VALENTINO – O ÍDOLO, O HOMEM (1977), fracasso com Rudolf Nureyev e Leslie Caron; CRIMES DE PAIXÃO (1984), thriller sexual com Kathleen Turner no papel de uma estilista que se prostitui à noite; e GÓTICO (1986, lançado como “Gothic” no Brasil), um de seus filmes mais malucos, misturando fantasia, terror e a biografia de escritores.

Edição limitada com 6 cards e mais de 2 horas de extras.

“Eu sei que meus filmes perturbam as pessoas. Eu quero perturbar as pessoas.”  Ken Russell (1927–2011)

DISCO 1:

OS DEMÔNIOS (The Devils, 1971, 107 min)
Com Vanessa Redgrave, Oliver Reed, Dudley Sutton.

Com sofisticados cenários criados pelo cineasta Derek Jarman (de “Caravaggio”) e atuações viscerais de Oliver Reed e Vanessa Redgrave, o filme continua perturbador, explorando temas fortes como histeria religiosa, perseguição política e a relação entre Igreja e Estado.

DISCO 2:

TOMMY (Idem, 1975, 111 min)
Com Roger Daltrey, Ann-Margret, Oliver Reed.

Indicado ao Oscar de melhor atriz (Ann-Margret) e música, o longa é uma alucinante transposição da ópera-rock do disco homônimo criado pelo The Who. Além da banda, o elenco conta com a participação de nomes como Elton John, Eric Clapton, Tina Turner e até Jack Nicholson, que canta neste musical que antecipou a estética do videoclipe.

CRIMES DE PAIXÃO (Crimes of Passion, 1984, 107 min)
Com Kathleen Turner, Anthony Perkins, Bruce Davison.

Um homem em crise no casamento aceita um trabalho extra e acaba se envolvendo com Joana, uma mulher de vida dupla. Durante o dia, ela é uma estilista focada no trabalho e, à noite, uma prostituta perseguida por um reverendo louco. Thriller erótico com Kathleen Turner e Anthony Perkins (o Norman Bates de “Psicose”) em papéis barra-pesada.

DISCO 3:

VALENTINO – O ÍDOLO, O HOMEM (Valentino, 1977, 128 min)
Com Rudolf Nureyev, Leslie Caron, Michelle Phillips.

Em 1926, a morte da lenda do cinema mudo, aos 31 anos, levou inúmeras de suas fãs a irem às ruas em revolta e até mesmo a cometerem suicídio. Este era Rudolph Valentino, um dos maiores galãs de Hollywood. Cinebiografia ao estilo barroco de Russell, com seus tradicionais excessos e liberdades históricas.

GÓTICO (Gothic, 1986, 87 min)
Com Gabriel Byrne, Julian Sands, Natasha Richardson.

Em 1816, o poeta Percy Shelley visita seu amigo Lord Byron, também poeta, que vive auto-exilado na Suiça. Byron incita os visitantes – entre eles, Mary Shelley (antes de escrever “Frankenstein”) e o Dr. Polidori (autor de “O Vampiro”) a usar a imaginação e criar histórias de horror, desafiando amarras religiosas e os maiores temores de cada um.

DISCO 4:

O BOYFRIEND – O NAMORADINHO (The Boy Friend, 1971, 36 min)
Com Twiggy, Christopher Gable, Max Adrian.

Polly é assistente de palco em uma companhia de teatro e acaba substituindo a atriz principal de um musical. Na plateia está um importante diretor de Hollywood, que decide contratá-la. Homenagem aos musicais dos anos 1920 – e especialmente o trabalho do coreógrafo Busby Berkeley -, com Twiggy, famosa modelo dos anos 1960, premiada com dois Globos de Ouro.

EXTRAS:

* Director of the Devils: Documentário sobre o filme “Os Demônios” (21 minutos)
* No set de “Os Demônios” (7 min.)
* Entrevista com Ken Russell (13 min.)
* Entrevista com Julian Sands (17 min.)
* Cenas deletadas de “Crimes de Paixão” (19 min.)
* Orson Welles: Relembrando Rudolph Valentino (17 min.)
* All Taling… All Singing… All Dancing (8 min.)

DIA MUNDIAL DO ROCK

Em 13 de julho de 1985 foi realizado, simultaneamente, em Londres e na Filadélfia, o Festival Live Aid. Desde então, a data ficou marcada como o dia oficial do rock, gênero musical que começou a mudar a cultura norte-americana a partir dos anos 1950 (Chuck Berry, Elvis Presley, Jerry Lee Lewis, Roy Orbison), conquistando o mundo nos 60 com a “invasão inglesa” (Beatles, Rolling Stones, The Who, Jimi Hendrix, Cream).

ANOS 30
BLUES / BLUEGRAS

ANOS 1940
RYTHM’N’ BLUES / COUNTRY & WESTERN

ANOS 1950
ROCK FOLK / ROCKABILLY / ROCK AND ROLL

ANOS 1960
SOUL / COUNTRY ROCK / PSICODÉLICO

ANOS 1970
SKA/ REGGAE / FUNK / GLITTER GLAM / HEAVY METAL / PROGRESSIVO

ANOS 1980
PUNK / NEW WAVE / TECNO-POP / ELETRÔNICO

Símbolo de rebeldia, o rock sempre foi um elemento de oposição à ordem vigente, confrontando e, muitas vezes, incorporando, padrões e estilos musicais. Logo identificado pelas novas gerações, que também buscavam romper com as tradições e costumes dos pais, o rock deu vazão às angústias, raiva e inconformismo dos jovens idealistas que sonhavam com um mundo melhor e menos conservador, principalmente no auge dos movimentos de protesto nos anos 1960.

Confira nossa pequena seleção com cinebiografias, apresentações e documentários que celebram (ou relembram) o espírito do bom e velho rock’n’roll…

HAIR

JOHNNY & JUNE

Reese Witherspoon recebeu o Oscar de melhor atriz por sua atuação como a cantora June Carter, mulher de Johnny Cash, no filme

NICK & NORAH – UMA NOITE DE AMOR E MÚSICA

ACONTECEU EM WOODSTOCK

BILL HALEY

Ao Balanço das Horas

ELVIS PRESLEY

Elvis on tour

JERRY LEE LEWIS

A Fera do Rock

THE BEATLES

Help!

Os Reis do IÊ, IÊ, IÊ

The Beatles – Yellow Submarine

Let it be – The Beatles

Across the Universe

Diretora aclamada na Broadway por musicais como “Cats” e “O Rei Leão”, Julie Taymor mostra todo o seu apuro visual em “Across the Universe”

JOHN LENNON

Como eu Ganhei a Guerra

THE ROLLING STONES

Gimme Shelter

THE WHO

Quadrophenia

Tommy

Amazing Journey: The Story Of The Who

PINK FLOYD

Pink Floyd – The Wall

THE DOORS

The Doors – Ed Comemorativa de 30 Anos

VELVET UNDERGROUND / LOU REED

Velvet Underground e Vinyl

DAVID BOWIE

O Homem que Caiu na Terra

Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída

Fome de Viver

THE SEX PISTOLS

Lixo e Fúria

CLÁSSICOS E CULTS NA 2001: DESTAQUE PARA A IRREVERÊNCIA DE KEN RUSSELL

“Eu sei que meus filmes perturbam as pessoas. Eu quero perturbar as pessoas.” Ken Russell (1927–2011)

CONHECIDO POR SEU ESTILO EXTRAVAGANTE, O PROVOCADOR CINEASTA INGLÊS MARCA PRESENÇA EM VÁRIOS LANÇAMENTOS NA 2001.

Egresso da rede de Tv BBC, onde realizou inúmeros docudramas romanceando a vida de artistas famosos (Frederick Delius, Debussy, Isadora Duncan,Henri Rousseau, Dante Gabriel Rossetti), Russell estreou na direção de longa-metragem com “French Dressing” em 1964, seguido pelo thriller de espionagem “O Cérebro de um Bilhão de Dólares” (1967), com Michael Caine.

Seu terceiro longa, “Mulheres Apaixonadas“, causou furor em sua estreia na Inglaterra, em 1969, ao tornar explícitas as passagens mais fortes e polêmicas do clássico homônimo escrito por D.H.Lawrence. O impacto do filme lhe valeu sua primeira (e única) indicação ao Oscar, em 1971.

Considerado um dos realizadores mais extravagantes da história do cinema, Russell dirigiu depois uma série de cinebiografias de grandes compositores, como Gustav Mahler (“Mahler“, 1974) e Liszt (“Lisztomania“, 1975).

Outras produções originais (e incompreendidas) do cineasta são “Os Demônios” (1971), estrelado por Oliver Reed e Vanessa Redgrave, proibido em vários países católicos; o musical “Tommy” (1975), baseado na a ópera-rock da banda The Who; o ousado “A Prostituta“, tragicômico retrato do cotidiano da personagem-título; e a fantasia de horror “A Maldição da Serpente“; todos recém-lançados em DVD na 2001.

Ken Russell sempre desconcertou público e crítica com seus filmes dominados por imagens fortes, atuações teatrais e muita criatividade, sempre exaltando a sexualidade de seus personagens. E, uma de suas grandes paixões, a música.

OS DEMÔNIOS

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Com sofisticados cenários criados pelo cineasta Derek Jarman (de “Caravaggio”) e atuações viscerais de Oliver Reed e Vanessa Redgrave, o filme continua perturbador, explorando temas fortes como histeria religiosa, perseguição política e a relação entre Igreja e Estado.

TOMMY

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Indicado ao Oscar de melhor atriz (Ann-Margret) e música, o longa é uma alucinante transposição da ópera-rock do disco homônimo criado pelo The Who. Além da banda, o elenco conta com a participação de nomes como Elton John, Eric Clapton, Tina Turner e até Jack Nicholson, que canta neste musical que antecipou a estética do videoclipe.

LISZTOMANIA

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Russell repete a parceria com o ator e cantor Roger Daltrey, do The Who, em uma cinebiografia estilizada e surreal do músico Franz Liszt. Considerado um dos filmes mais malucos do cineasta, com ritmo de videoclipe, sequências oníricas bizarras, nudez e músicos como Paul Nicholas, Rick Wakeman e Ringo Starr em caracterizações hilárias.

A MALDIÇÃO DA SERPENTE

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Depois de enveredar pelo horror em “Gothic” (1986), Russell transforma em “terror camp” o romance “A Toca do Verme Branco” de Bram Stoker (o criador de “Drácula”). Na trama, um arqueólogo descobre o crânio de um estranho animal que parece ser de um dinossauro. Paralelamente, surge no povoado a perigosa e sensual Lady Sylvia. No elenco, destaque para Hugh Grant.

WHORE – A PROSTITUTA

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Realizado pelo cineasta como uma resposta a “Uma Linda Mulher”, o filme é um retrato chocante, satírico e vulgar do dia a dia vivido pela personagem-título, interpretada por Theresa Russell (de “Bad Timing”). Olhando direto para a câmera, ela divide seus pensamentos sobre os homens e sua sexualidade, em meio a cenas de brutalidade e humilhação.

MAIS CLÁSSICOS E CULTS RECÉM-LANÇADOS NA 2001:

O PERIGOSO JOGO DO AMOR

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Dirigido e coescrito por Roger Vadim (de “E Deus Criou a Mulher”) com sua então musa Jane Fonda, em 1966. Ela interpreta a esposa de um homem mais velho (Michel Piccoli), mas logo começa um caso com o filho do casamento anterior do marido.

LIGAÇÕES AMOROSAS

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Roger Vadim transpõe a trama do clássico de Choderlos de Laclos para o século 20. Nesta modernização do romance epistolar do escritor francês, Juliette Merteuil (Jeanne Moreau) e Valmont (Gérard Philipe) compõem um sofisticado casal. Ambos têm envolvimentos sexuais com outras pessoas e uma única regra: nunca se apaixonar.

POR QUE DEU A LOUCA NO SR. R?

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Quarto longa de Rainer Werner Fassbinder, codirigido por Michael Fengler – que clama ser o verdadeiro realizador do trabalho, exibido originalmente na Alemanha em 1970. Kurt Raab (de “O Direito do Mais Forte à Liberdade”) interpreta o apático senhor “R” do título, desenhista industrial que leva uma vida apática ao lado da família.

LET IT BE

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Vencedor do Oscar de melhor trilha sonora original em 1971, este famoso documentário de Michael Lindsay-Hogg registra o dia a dia dos Beatles pouco antes de sua separação, às vésperas de lançar seu último trabalho juntos: o álbum “Let It Be”. Inclui o famoso concerto no terraço que marcou a aparição final do grupo.

LOLITA (1997)

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Diretor de “9 1/2 Semanas de Amor” e “Atração Fatal”, o inglês Adrian Lyne assina esta polêmica – e, para muitos, mais fiel (e explícita) – versão do romance de Vladimir Nabokov. Nela, Jeremy Irons dá vida a Humbert Humbert, professor de meia-idade obcecado por uma adolescente, Lolita. Destaque para a bela trilha sonora de Ennio Morricone.

DICAS PARA O FIM DE SEMANA

Confira a seguir as sugestões da equipe 2001 Vídeo:

Ran*
(Idem, JAP/FRA, 1985, Cor, 155’)
Direção: Akira Kurosawa
Elenco: Tatsuya Nakadai, Akira Terao, Jinpachi Nezu

01

No Japão do século 16, o senhor feudal decide dividir suas posses entre três filhos. Os mais velhos se tornam rivais e começam a lutar pelo controle total das terras. O filho mais novo, fiel ao seu pai e banido pelos irmãos, é o único com coragem para contar-lhe o que está acontecendo.

Trabalho meticuloso de Akira Kurosawa, que se dedicou por mais de 10 anos a levar essa superprodução ao cinema. O resultado é uma suntuosa reconstituição do Japão feudal, em figurinos cuidadosamente elaborados, centenas de extras e animais. O trabalho de storyboards foi importante na hora de levar a cabo as ideias do diretor, pois ele necessitou de ajudantes para as filmagens por causa de sua visão debilitada.

03

A peça Rei Lear, de William Shakespeare, foi livremente adaptada por Kurosawa, Hideo Oguni (recorrente colaborador do mestre) e Masato Ide. Destaque também para o trabalho do veterano Tatsuya Nakadai no papel do senhor Hidetora Ichimonji. A parceria do ator com Kurosawa teve início no começo dos anos 1960 em Homem Mau Dorme Bem, e se estendeu por outros clássicos, como Yojimbo (1961) e Kagemusha (1980).

* Oscar de melhor figurino e indicado aos prêmios de direção, fotografia e direção de arte. César de filme estrangeiro

Diários de Motocicleta*
(Idem, PER/CHI/ARG/BRA, 2003, Cor, 128’)
Direção: Walter Salles Jr.
Elenco: Gael García Bernal, Rodrigo de la Serna, Mía Maestro

06

Roteiro do também cineasta José Rivera, inspirado nos diários de viagem de Ernesto “Che” Guevara e no livro de memórias de Alberto Granado; ambos percorreram a América Latina em 1952, em uma moto Norton 500.

O filme mostra o despertar de Che, então um jovem estudante argentino, para a realidade social latino-americana, em uma época anterior ao seu envolvimento com a revolução cubana.

Antes do recente Na Estrada, o brasileiro Walter Salles (Central do Brasil) repetiu experiência semelhante, liderando uma equipe de produção internacional que incluiu o compositor mexicano Gustavo Santaolalla (Amores Brutos), o uruguaio Jorge Drexler (premiado com o Oscar de melhor canção) e o montador brasileiro Daniel Rezende (indicado ao Oscar por Cidade de Deus).

belo filme de estrada de Walter Salles

Gael Garcia Bernal (bem antes do sucesso No) e Rodrigo de la Serna no belo filme de estrada de Walter Salles

O cuidadoso trabalho de fotografia do francês Eric Gautier (Na Natureza Selvagem) registrou com muita sensibilidade a beleza natural de Argentina, Chile e Peru, países onde as filmagens aconteceram. E o projeto tem produção executiva do astro Robert Redford.

* Oscar de melhor canção original (Al Otro Lado del Rio) e indicado na categoria roteiro adaptado
* BAFTA (prêmio da Academia Britânica de Cinema) de filme estrangeiro e trilha sonora
* Independent Spirit de revelação (Rodrigo de la Serna) e fotografia.
* Goya de roteiro adaptado
* Prêmio do júri ecumênico no Festival de Cannes

Código 46
(Code 46, ING, 2003, Cor, 93’)
Direção: Michael Winterbottom
Elenco: Tim Robbins, Samantha Morton, Jeanne Balibar

05

A julgar pelas visões de futuro que o cinema produziu até agora, o que nos espera não é nada agradável. O roteiro do escritor e paleontologista Frank Cottrell Boyce (o mesmo de O Beijo da Borboleta, Bem-Vindo a Saravejo e A Festa Nunca Termina, de Michael Winterbottom) trata da ausência de liberdade humana num futuro pós-globalização, caracterizado pela fusão de línguas e pelo multiculturalismo.

Em uma Terra castigada pelo aquecimento global, as pessoas têm seus passos rigidamente controlados. A gravidez é regulada pelo Código 46, que obriga as mulheres a testes para determinar se elas compartilham ou não com seus parceiros o mesmo DNA, devido ao fato de a concepção por clonagem ser prática estabelecida — casais podem, mesmo sem saber, compartilhar a mesma herança genética. O filme reflete sobre temas importantes – ambientais, tecnológicos e éticos – que acaloram discussões hoje.

Na trilha sonora, Chris Martin (da banda Coldplay) interpreta a canção Warning Sign e Mick Jones, do The Clash, canta a clássica Should I Stay or Should I Go? em um karaokê.

Extras: Obtendo cobertura: por dentro do Código 46 * Cenas excluídas

Kinsey – Vamos Falar de Sexo*
(Kinsey, EUA, 2004, Cor, 118’)
Direção: Bill Condon
Elenco: Liam Neeson, Laura Linney, Chris O’Donnell, Peter Sarsgaard, Timothy Hutton, John Lithgow

08

Cinebiografia de uma das mais importantes personalidades do século XX, reavaliada em livros, em documentários e neste longa. Para o roteiro, Bill Condon investigou a fundo o trabalho do pioneiro cientista Alfred Kinsey, incluindo entrevistas com pessoas que o conheceram.

Filho de puritano radical, o jovem Kinsey abandonou os sonhos paternos de fazê-lo ingressar no curso de engenharia para seguir carreira na área de zoologia, assumindo a cadeira de professor nessa disciplina na Universidade Indiana. A partir de extenso questionário sobre as práticas sexuais da população, coletou dados valiosos entre milhares de entrevistas que acabaram originando, em 1948, o polêmico trabalho Comportamento Sexual no Macho Humano, também conhecido como “Relatório Kinsey”. A publicação do livro ajudou a desmistificar certos tabus sexuais que povoavam o imaginário da conservadora sociedade norte-americana, como a masturbação, o homossexualismo e práticas sexuais menos convencionais, como o sadomasoquismo.

Liam Neeson e laura Linneu em cena: ótimos como Kinsey e sua comprrensiva esposa

Liam Neeson e Laura Linney em cena: ótimos como Kinsey e sua compreensiva esposa

Além do excelente elenco, que inclui breve participação de Lynn Redgrave, o filme tem grandes nomes também na equipe técnica, como o cineasta Francis Ford Coppola (produtor executivo), Carter Burwell (compositor responsável pelas trilhas de todos os filmes dos irmãos Coen) e Frederick Elmes (fotógrafo e colaborador de David Lynch e Jim Jarmusch em diversos de seus filmes).

* Indicado ao Oscar de melhor atriz coadjuvante (Laura Linney)

O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante
(The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover, ING/FRA/HOL, 1989, Cor, 124′)
Direção: Peter Greenaway
Elenco: Richard Bohringer, Michael Gambon, Helen Mirren, Alan Howard, Tim Roth, Ciarán Hinds

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O gângster Albert Spica (Michael Gambon) janta todas as noites no restaurante Le Hollandais em companhia de seus capangas e da esposa, Georgina (Helen Mirren). Cansada dos modos violentos e grosseiros do marido, Georgina se torna amante de um solitário frequentador do restaurante, o bibliotecário Michael (Alan Howard), com a cumplicidade do chefe de cozinha francês, Richard (Richard Bohringer). Quando Albert descobre a traição da esposa, desfere uma cruel vingança contra Michael, que por sua vez será vingado por Georgina.

Recheado de violência, escatologia e canibalismo, este filme do inglês Peter Greenaway é um banquete para os olhos. Com a cumplicidade do fotógrafo Sacha Vierny e do estilista Jean-Paul Gaultier, Greenaway realizou uma das mais requintadas obras-primas do cinema britânico.

Exemplo da elaborada concepção visual do filme de Greenaway: trabalho da dupla de diretores de arte Jan Roelfs e Ben van Os (de A Última tempestade e Orlando - A Mulher Imortal)

Exemplo da belíssima concepção visual do filme de Greenaway: trabalho da dupla de diretores de arte Jan Roelfs e Ben van Os (de A Última Tempestade e Orlando – A Mulher Imortal)

Tommy*
(Idem, ING, 1975, Cor, 111’)
Direção: Ken Russell
Elenco: Ann-Margret, Oliver Reed, Roger Daltrey

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Ópera-rock (a primeira na história) composta quase na totalidade pelo guitarrista Pete Townshend (The Who), lançada em álbum duplo em 1969, em versão cinematográfica pelas mãos do barroco Ken Russell, diretor consagrado pelas adaptações de clássicos da literatura inglesa, como Mulheres Apaixonadas (1969), de D.H. Lawrence, e Os Demônios (1971), baseado em obra de Aldous Huxley.

Roger Daltrey, vocalista do The Who, trabalhou novamente com o diretor no ainda mais louco Lisztomania (1975), no papel de Franz Liszt. Além do cantor, Tommy traz no elenco participações de Elton John, Eric Clapton, Keith Moon, Jack Nicholson (confira abaixo o grande ator cantando), Robert Powell, Tina Turner e Pete Townshend, entre outros.

* Indicado ao Oscar melhor de atriz (Ann-Margret) e trilha sonora

KEN RUSSELL (1927–2011)

“Eu sei que meus filmes perturbam as pessoas. Eu quero perturbar as pessoas.” Ken Russell (1927–2011)

O CINEMA PERDE A LOUCURA BARROCA DE UM DOS DIRETORES MAIS MALUCOS DE TODOS OS TEMPOS: KEN RUSSELL.

Ken Russell, nome artístico de Henry Kenneth Alfred Russell, nasceu em 3 de julho de 1927, em Southampton, (Hampshire, Inglaterra) e faleceu no último domingo (27/11), aos 84 anos, de causa ainda não confirmada.

 

Egresso da BBC britânica, onde realizou inúmeros docudramas romanceando a vida de artistas famosos (Frederick Delius, Debussy, Isadora Duncan,Henri Rousseau, Dante Gabriel Rossetti), Russell estreou na direção de longa-metragem com French Dressing em 1964, seguido pelo thriller de espionagem O Cérebro de um Bilhão de Dólares (1967), com Michael Caine.

Oliver Reed e Glenda Jackson (vencedora do Oscar) em Mulheres Apaixonadas

Seu terceiro longa, Mulheres Apaixonadas, causou furor em sua estreia na Inglaterra, em 1969, ao tornar explícitas as passagens mais fortes e polêmicas do clássico homônimo escrito por D.H.Lawrence (do não menos escandaloso O Amante de Lady Chatterley). O impacto do filme lhe valeu sua primeira (e única) indicação ao Oscar, em 1971.

Considerado um dos cineastas mais exagerados e, para alguns, vulgares, da história do cinema, Russell dirigiu depois uma série de cinebiografias, sem qualquer compromisso histórico, de grandes compositores como Tchaikovsky (Delírio de Amor, 1970), Gustav Mahler (Mahler, 1974) e Liszt (Lisztomania, 1975).

Oliver Reed e Vanessa Redgrave em cena do polêmico Os Demônios. Inédito em DVD no Brasil, o filme causou escândalo e chegou a ser proibido em vários países católicos

Outras produções originais (e incompreendidas) do cineasta: Os Demônios (The Devils, 1971), estrelado por Oliver Reed e Vanessa Redgrave, foi proibido em vários países católicos; o musical Tommy (1975), baseado na a ópera-rock do The Who; Viagens Alucinantes (Altered States, 1980), ficção-científica “viajandona” com William Hurt; e o fantasioso Gothic (1986), reunindo Mary Shelley (criadora de Frankenstein) e Lord Byron.

 

Goste ou não do trabalho do cineasta, é inegável sua influência no cinema britânico na virada dos anos 1960 para os 70. Ele soube como poucos – entre eles, talvez, Nicolas Roeg – construir narrativas dominadas por imagens fortes, atuações teatrais e muita criatividade, sempre exaltando a sexualidade de seus personagens. E, uma de suas grandes paixões, a música.

No vídeo abaixo, Martin Scorsese e Ben Kingsley relembram a carreira desse insano diretor que adorava chocar o público.

 

KEN RUSSELL EM DVD NA 2001:

Mulheres Apaixonadas
(Women in Love, ING, 1969, Cor, 131′)
Com: Alan Bates, Oliver Reed, Glenda Jackson, Jennie Linden

Tchaikovsky – Delírio de Amor
(The Music Lovers, ING, 1970, Cor, 123′)
Com: Richard Chamberlain, Glenda Jackson, Max Adrian

Tommy – O Filme
(Tommy, EUA/ING, 1975, Cor, 111′)
Com: Ann-Margret, Oliver Reed, Roger Daltrey, Elton John, Eric Clapton, Keith Moon, Jack Nicholson, Tina Turner

Viagens Alucinantes
(Altered States, EUA, 1980, Cor, 103′)
Com: William Hurt, Blair Brown, Bob Balaban

Crimes de Paixão
(Crimes of Passion, EUA, 1984, Cor, 107′)
Com: Kathleen Turner, Anthony Perkins, John Laughlin, Bruce Davison

Gothic
(Idem, ING, 1986, Cor, 87′)
Com: Gabriel Byrne, Julian Sands, Natasha Richardson, Timothy Spall